sábado, 13 de agosto de 2022

Guilherme Baumhardt, Correio do Povo - Fracasso

 Os tais atos pela democracia, com a leitura da "famosa" carta, que pipocaram em algumas cidades do Brasil resultaram em um rotundo fracasso. Mais do mesmo, a choradeira de sempre, ladainha daqueles que tiveram algum interesse confrontado nos últimos anos e a mesma paranoia de gente que parece fadada a procurar pelo em ovo ou chifre em cabeça de cavalo. Claro, há exceções.


Não foi um movimento de massa, não foi um movimento popular. As imagens veiculadas por parte da imprensa deixam isso evidente. Ângulos fechados, enquadramento restrito, tudo para dar a falsa sensação de que havia naqueles espaços uma multidão. Eram poucos. Para um movimento que se pretendia nacional e que prometia reverberar, não passou de um traque.


Barbara Gancia, crítica feroz do atual presidente da República, escreveu em uma rede social: “Volto pessimista do Largo do S. Francisco. Pouquíssima gente, média de idade, a minha, pouquíssimos jovens, os mesmos intelectuais de ideias mofadas de sempre e zero vibração. Se uma causa dessa gravidade não empolga a esta altura é porque a democracia sangra e Bozo periga ganhar”.


Permito-me divergir de Gancia em um ponto. O fracasso não se deve à falta de vibração ou empolgação. Não há aderência. É como se a esquerda tocasse um samba de uma nota só, um disco de enredo idêntico nos dois lados. Sai a narrativa de que Dilma Rousseff foi vítima de um golpe (algo que só aconteceu na cabeça do fanatismo esquerdista) e entra o igualmente falso “a democracia está em risco”.


O governo Jair Bolsonaro já ultrapassou a marca de três anos e meio. Estamos às portas da eleição que pode ou não renovar o mandato do atual presidente. E não houve ruptura, ao menos por parte do Palácio Planalto – já pelos lados do Supremo Tribunal Federal não se pode dizer o mesmo.


O fantasma golpista visto por essa gente talvez seja fruto de uma substância alucinógena que só a esquerda consegue acessar.


Gancia perde


Barbara Gancia, citada no texto principal, foi condenada em processo movido pelo assessor da Presidência Filipe Martins. A jornalista chamou Martins de supremacista branco. A decisão é de primeira instância e cabe recurso. Mas arrisco dizer que Barbara não será a única. Mais gente caiu na narrativa falsa de que o gesto protagonizado pelo assessor (ao ajeitar o paletó com os dedos) era um sinal universal usado por nazistas e supremacistas ao redor do mundo. Aliás, não tenho notícia de agências de fact-checking se debruçando sobre o assunto. Não estaríamos diante de uma fake news?

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