Artigo, especial, Jerônimo Goergen - A direita que trabalha, governa e resolve precisa de liderança

Advogado, Presidente do Instituto Liberdade Econômica (ILE)

O debate trazido recentemente pela Folha de S.Paulo, ao apontar que parte da direita se confundiu com a extrema direita e carece de autocrítica para superar sua crise, é incômodo — mas necessário. Ele ajuda a iluminar um problema real do cenário político brasileiro: a direita tradicional, liberal, reformista e democrática perdeu espaço, voz e protagonismo.

Nos últimos anos, a chamada extrema direita ocupou o centro do debate público com discursos de confronto permanente, radicalização e uma lógica de “nós contra eles”. Nesse ambiente, a direita que acredita em instituições, responsabilidade fiscal, liberdade econômica, diálogo e eficiência do Estado acabou sendo empurrada para o silêncio. Não por concordar, mas por medo de ser rotulada, atacada ou tratada como inimiga.

Esse silêncio cobra seu preço. Sem liderança clara, sem discurso organizado e sem coragem para se diferenciar, a direita democrática deixa de oferecer ao país uma alternativa sólida, moderna e confiável. E política não tolera vácuos: quando a direita responsável se cala, os extremos gritam.

É preciso dizer com clareza: direita não é extremismo. Defender o empreendedor, o equilíbrio das contas públicas, a eficiência do Estado, o respeito à lei, o mérito e a geração de oportunidades não tem nada a ver com autoritarismo, intolerância ou desprezo pelas instituições. Confundir esses conceitos é um erro que empobrece o debate e afasta milhões de brasileiros que querem soluções, não brigas ideológicas.

Para superar essa crise, a direita precisa, sim, de autocrítica — mas também de liderança. Alguém que tenha coragem de ocupar esse espaço com serenidade, firmeza e capacidade de governar. Nesse contexto, o nome do governador Tarcísio de Freitas surge como uma referência concreta. Não por discursos inflamados, mas por resultados, gestão, capacidade técnica e compromisso com um projeto de país que funcione.

O Brasil precisa de uma direita que lidere, que dialogue com a sociedade, que enfrente problemas reais e que não tenha medo de se posicionar. Uma direita que governe para todos, respeitando diferenças, fortalecendo instituições e promovendo desenvolvimento.

O futuro político do país passa, necessariamente, pela reconstrução desse campo. E essa reconstrução começa quando a direita democrática deixa de ter medo, rompe o silêncio e assume o seu papel.

Jerônimo Goergen
Advogado, Presidente do Instituto Liberdade Econômica (ILE)

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