Ex-presidente do Banco Central afirma que o país abandonou a disciplina fiscal, recomenda evitar empréstimos e diz que o atual governo está mais próximo dos erros de Dilma Rousseff do que do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
Por Felipe Vieira
Quando Armínio Fraga fala sobre economia, o mercado presta atenção. Ex-presidente do Banco Central, fundador da Gávea Investimentos e um dos economistas brasileiros mais respeitados no país e no exterior, ele raramente utiliza expressões dramáticas para descrever o cenário econômico. Por isso, a entrevista concedida ao jornalista Márcio Juliboni, publicada pela revista Veja, ganhou repercussão imediata.
Mais do que criticar a política econômica do governo, Fraga faz um alerta contundente: diz que já trabalha com um cenário de recessão em 2027, recomenda que empresas preservem caixa, evitem novos empréstimos e reduzam o endividamento. Para as famílias, faz a mesma recomendação, embora reconheça que milhões de brasileiros sequer tenham margem financeira para seguir esse conselho.
O diagnóstico ganha peso pela trajetória do economista.
Armínio Fraga esteve entre as vozes que ajudaram a construir a confiança na candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. A histórica Carta ao Povo Brasileiro reduziu a tensão dos mercados, abriu caminho para uma transição tranquila e consolidou a percepção de que o primeiro governo petista preservaria a estabilidade econômica conquistada com o Plano Real.
Ao longo dos anos, Fraga nunca deixou de reconhecer os méritos daquele período. Na entrevista à Veja, volta a afirmar que o primeiro governo Lula conduziu bem a crise de confiança herdada da eleição de 2002 e que, naquele momento, acreditou que finalmente havia chegado "a hora do Brasil".
Segundo ele, porém, essa trajetória começou a ser abandonada ainda durante o primeiro mandato. A disciplina fiscal perdeu força, políticas econômicas que pareciam superadas voltaram a ganhar espaço e esse processo se aprofundou no governo Dilma Rousseff.
Na avaliação de Fraga, o terceiro mandato de Lula está muito mais próximo dos erros cometidos durante a gestão Dilma do que da responsabilidade fiscal que marcou o início do primeiro governo petista.
A entrevista traz uma das previsões mais pessimistas já feitas pelo economista nos últimos anos. Questionado sobre a possibilidade de uma recessão em 2027, responde que já trabalha com esse cenário e o considera provável.
A recomendação é clara: empresas devem preservar caixa, reduzir alavancagem e evitar novas dívidas. Para os brasileiros, o conselho é semelhante. Segundo ele, recorrer ao crédito, nas atuais condições, pode agravar ainda mais a situação financeira de famílias e empresas.
Fraga afirma que o problema já deixou de ser apenas fiscal e passou a atingir o sistema de crédito. Ele cita o elevado número de brasileiros inadimplentes, as dificuldades enfrentadas pelas empresas para refinanciar suas dívidas e chama atenção para o fato de o próprio governo estar reduzindo o prazo médio de sua dívida pública, sinal que interpreta como perda de confiança dos investidores.
Na visão do ex-presidente do Banco Central, juros elevados são consequência da deterioração fiscal e não sua causa principal. Enquanto o país não recuperar credibilidade na condução das contas públicas, afirma, continuará convivendo com taxas elevadas de financiamento e baixo crescimento.
Embora direcione suas críticas principalmente ao Executivo, Fraga afirma que a responsabilidade pelo desequilíbrio fiscal também é compartilhada pelo Congresso Nacional, que continua ampliando despesas, e pelo Judiciário. Sobre os chamados penduricalhos, utiliza uma expressão contundente ao classificá-los como um "absurdo ético", além de representarem um problema econômico.
No campo político, Armínio Fraga procura manter distância da polarização. Faz críticas duras ao governo Jair Bolsonaro, especialmente pela condução da pandemia e pelas tensões institucionais, mas também afirma que o atual governo Lula perdeu o rumo na política fiscal.
Ao falar das eleições, lamenta o enfraquecimento do antigo PSDB, partido que considera ter representado uma agenda reformista importante para o país. Recorda que apoiou Eduardo Leite quando acreditava na viabilidade de sua candidatura presidencial e, diante do cenário atual, cita Ronaldo Caiado e Romeu Zema como nomes que poderiam liderar uma agenda de reformas econômicas.
Fraga também comenta a experiência argentina. Avalia que Javier Milei encontrou um país devastado por décadas de desequilíbrio fiscal, considera que parte do ajuste foi duro e até desorganizado, mas afirma que as reformas caminham na direção correta e diz torcer pelo sucesso da recuperação econômica argentina.
Mais do que um diagnóstico conjuntural, a entrevista publicada por Veja representa uma mudança importante no posicionamento de um economista que, durante muitos anos, reconheceu os avanços do primeiro governo Lula e ajudou a construir um ambiente de confiança entre o mercado e o novo governo em 2002.
Quando alguém com essa trajetória afirma que o Brasil voltou a perder a disciplina fiscal, vê risco concreto de recessão em 2027 e recomenda que empresas e famílias evitem contrair novas dívidas, o alerta ultrapassa a disputa política. É uma advertência que parte de um dos principais formuladores da política econômica brasileira nas últimas décadas e que certamente alimentará o debate sobre os rumos da economia e da eleição presidencial de 2026.
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Este cara e menino de recados de George Soros.... e é biruta de aeroporto a cada hora vai para um lado diferente...
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