Artigo, especial, Marcus Viniciu,s Gravina - Não é hora de ficar em silêncio

Marcus Vinicius Gravina

OAB-RS 4.949


Resolvi antecipar em vida o inventário dos bens que possuo, tendo em vista os meus filhos e netos.

O melhor deles é constituído por alguma dose de coragem.  Aquela que não admite um advogado ser covarde: “A advocacia não é profissão para covardes”, no dizer de Sobral Pinto.  

É Valor para quem enfrenta tiranos que prendem cidadãos sem o devido processo legal.  Que acusam, apresentam-se como vítimas e são relatores dos próprios processos que irão julgar. Inclusive de suas esposas sem se darem por impedidos.  

Meu país merece meu desabafo. Os milhares de patriotas inocentes, vítimas de decisões  condenatórias inconstitucionais, do ato de perfídia do dia 9 de janeiro de 2023 e os negacionistas que estão bloqueando a aplicação da Lei da Dosimetria,  merecem ser lembrados e defendidos. 

Ir às ruas protestar contra o desafio desfechado  pelo  STF ao Congresso Nacional protelatório e maldoso, contra a Lei da Dosimetria, é o mínimo.  

Não recomendo o exemplo da queda Bastilha, a nossa Papuda.  Os historiadores no futuro perguntarão, por quê os cidadãos de hoje não fizeram o mesmo que aconteceu em 14 de julho de 1789 em Paris.  A resposta será: falta de brios. 

Certamente, não estaríamos nesta crise se o Presidente da República não tivesse como parceiros ou cúmplices, empresários inescrupulosos, banqueiros privilegiados e satisfeitos com o status quo, e a grande massa do funcionalismo público e de estatais que temem alterações em seus regimes de remunerações, desproporcionais aos das atividades privadas e gordas aposentadorias. Privatizações de órgãos públicos são fantasmas assustadores para esta gente. 

Não foi o Nordeste do Brasil que elegeu o Lula. Poderá acontecer o mesmo em outubro. 

Sobre à omissão há muitos que reclamam a mudez da OAB-Nacional.  Mas, também,  nada se ouve falar de outra entidade, tão ou mais importante que a dos advogados, a Maçonaria. 

Não sou versado em seus princípios, mas ouvi de maçons em lives sociais que ela é política, sim.   Mas, com as seguintes ressalvas: são vedadas discussões sobre política partidária e religião nas reuniões em suas Lojas. 

Pois, ela nunca esteve tão aberta ao conhecimento público como nos últimos tempos. Esta Sociedade é dedicada a temas sobre o aprimoramento moral dos cidadãos e da fraternidade. 

Por esta razão um manifesto da Maçonaria a respeito dos atos de violação da Constituição Federal e das imoralidades cometidas nas três esferas dos poderes, Executivo, Legislativo e principalmente do Judiciário, neste momento, lembrariam a importância que tiveram os líderes maçons desde o fim do Império aos nossos dias.  Teria mais uma vez o efeito do gesto de desembainhar uma espada. 

A palavra da Maçonaria será saudada se acontecer antes da eleição de outubro deste ano, para que possamos cobrar dos candidatos posturas condizentes com a moral esquecida por muitos deles. 

Caxias do Sul, 13.08.2026


  

Artigo, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - O imponderável na eleição presidencial

Cientista político da Arko Advice pesquisas

carloseduardo@arkoadvice.com.br

Nesta semana tivemos a divulgação de cinco pesquisas de intenção de voto para sobre a disputa ao Palácio do Planalto – Nas simulações de primeiro turno, temos uma vantagem do presidente Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) – instituto Palver (44% a 40% das intenções de voto); MDA (42,4% a 28,8%); Nexus (40% a 35%); e Poderdata (41% a 35%). No Gerp, o cenário é de empate técnico: 38% a 38%.

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD-GO) registra de 4% a 5% das preferências, mesmo percentual de Renan Santos (Missão). O ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) figura com cerca de 3%. 

Nas simulações de segundo turno entre Lula x Flávio Bolsonaro, observamos uma eleição acirrada. Lula registra uma vantagem numérica sobre Flávio nas pesquisas Nexus (47% a 44%); e PoderData (46% a 45%). No entanto, em função da margem de erro – dois pontos percentuais para mais ou para menos – o quadro é de empate técnico. 

O presidente supera o senador acima da margem de erro na MDA (48% a 39,1%). Na pesquisa Palver, Lula e Flávio empatam em 46%. No Gerp, a vantagem é de Flávio: 45% a 43%.

A campanha eleitoral começa oficialmente no próximo domingo (16). O horário eleitoral gratuito na televisão terá início no dia 28. Apesar das eleições ainda não terem entrado na agenda da maioria da população, é remota a possibilidade da quebra da polarização do lulismo contra o bolsonarismo. Como em 2022, a eleição tende a ser decidida por uma pequena margem de votos, em torno de três a cinco pontos. 

Nesta acirrada disputa, três variáveis merecem observação e fazem com o que o imponderável esteja presente na disputa. A primeira envolve a avaliação do governo Lula, que divide a sociedade brasileira. Esse é um parâmetro importante, pois quem aprova Lula votará no presidente. Por outro lado, aqueles que o rejeitam, pendem para Flávio. 

A segunda passa pela decisão tardia de voto. Uma pesquisa divulgada nesta semana pelo instituto Quaest aponta que 20% dos eleitores decidirão seu voto para presidente entre a véspera e o dia da eleição.  Vale observar que entre os eleitores independentes, que serão decisivos, o percentual dos que decidirão seu voto entre a véspera e o dia da eleição é ainda mais elevado: 29%.

A tomada de decisão nas últimas 48 horas antes da eleição pode gerar surpresas, já que as pesquisas têm dificuldade de captar os movimentos de última hora da opinião pública. 

O terceiro é a abstenção. O percentual de não comparecimento às urnas tem sido elevado, em torno de 20%. O perfil do eleitor que menos tem ido votar são os segmentos de menor renda e escolaridade, o que potencialmente tende a prejudicar Lula. 

Estamos diante de uma sucessão que, apesar da vantagem parcial do incumbente antes do início oficial da campanha, está em aberto. Como a decisão de voto do eleitor estratégico deve ocorrer apenas na reta final do pleito, a abstenção tende a ser novamente elevada, e fatos novos sempre podem ocorrer, a imponderabilidade será uma marca da disputa presidencial.