Luz, mais luz

 Franciso Marshall, historiador, arqueólogo e professor da UFRGS, escreveu o artigo "Luz, mais luz !" que foi publicado na edição deste domingo do jornal Zero Hora, parafraseando a frase do moribundo Goethe e recheada de frases empoladas, recheadas de ranço esquerdopata e fedendo a bolor ex-iluminista, tudo para atacar as privatizações e defender o retorno das estatais.

Marshal está com saudade dos tempos (1998) em que um telefone fixo custava até US$ 5 mil e quando  somente 17 milhões deles operavam no Brasil, além de somente 4 milhões de celularees.

Com a privatização, não há mais brasileiro sem telefone celular (são 270 milhões de aparelhos para 210 milhões de habitantes). Os telefones fixos, inclusive orelhõeds (lembram dos orelhões ?) viraram matéria fóssil para o arqueólogo Francisco Marshall escrutinar e tudo avançou no Brasil.

 O conteúdo do artigo baseia-se na premissa falsa de que o fracasso da CEEE Equatorial e da RGE no RS, comprovam o fracasso da desestatização.

Não comprovam, mas apenas atestam que as agências reguladoras não fazem o serviço de casa.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre um dos exemplos mais bem sucedidos da privatização, o dos serviços de telecomunicações.
CLIQUE AQUI para ler o artigo do arqueólogo que escreve para Zero Hora. Marshall, em 8 de outubro de 20022, escreveu artigo em Zero Hora, defendendo outra tese indefensável: "Lula não é ladrão" (CLIQUE AQUI para ler).

Artigo, J.R. Guzzo, Gazeta do Povo - Linchamento em câmera lenta

Em ditaduras que não têm vergonha de serem ditaduras, os deputados da oposição não são perseguidos pela polícia com batidas na porta de casa e do escritório às seis horas da manhã. A explicação mais simples é que em ditaduras legítimas não há deputados, nem oposição e nem Congresso — pode até haver no papel, mas aí todo mundo é obrigado a fazer o que o governo manda. Nas democracias falsificadas, que tentam agir como ditaduras, mas não querem funcionar como elas, há parlamentares de oposição, mas eles não têm os direitos mais elementares que teriam em qualquer regime em que se cumprem as leis. Há um caminhão de leis, mas não valem nada — quem manda é a junta de governo, e essa junta trata como marginais em liberdade vigiada os congressistas que querem exercer os seus mandatos. O resultado é esse Estado policial que é o Brasil.


Em seu último surto repressivo, o consórcio entre o Supremo Tribunal Federal e os partidos de “esquerda” que manda no Brasil de hoje saiu em perseguição aos deputados Carlos Jordy e Alexandre Ramagem — ambos marcados para morrer pela junta de governo. Não há nada de legal nesse linchamento em câmera lenta, mas e daí? A última coisa que interessa à delegacia policial em que se transformou o STF é o cumprimento da lei.


A última coisa que interessa à delegacia policial em que se transformou o STF é o cumprimento da lei

A Constituição diz que um parlamentar só pode ser preso se cometer um crime inafiançável – e em flagrante. O ex-deputado Daniel Silveira não cometeu nenhum crime inafiançável nem foi preso em flagrante, mas está na cadeia, com uma pena de nove anos nas costas. Se fizeram com ele, porque não fariam com Jordy e Ramagem?


O consórcio Lula-STF não pode cassar os 100 ou 150 mandatos que incomodam o governo e a “suprema corte”, como diz o presidente. O que faz, então, é perseguir, ameaçar e ferir deputados que estão no topo da sua lista negra, como Jordy e Ramagem. É a consequência inevitável da criação virtual de um Estado de exceção no Brasil, comandado pelo Judiciário, associado ao Executivo e aceito de cabeça baixa por um Legislativo cujos presidentes trocaram os direitos do Congresso pelas vantagens que recebem por serem cúmplices do consórcio.


Tanto faz o que os deputados fizeram ou deixaram de fazer, se há ou não há provas e outros detalhes do processo penal. O STF resolveu sair atrás dos dois, e a lei não vai atrapalhar em nada a perseguição. Há cinco anos o Brasil vive sob um inquérito absolutamente ilegal, criado pelos ministros para reprimir o que chamam de “atos antidemocráticos”. Enquanto essa aberração existir, a democracia no Brasil vai ser a impostura que está aí.






Artigo, Fernando Schuller, Veja - O divórcio das elites

James Bennet escreveu um texto inusitado, na revista The Economist, perto da virada do ano. Jornalista consagrado no The Atlantic, editor de opinião do The New York Times, seu ponto era dizer que o Times havia “perdido o rumo” na poeira da polarização política americana. O problema não era o viés “progressista” do jornal. O problema era o traço patológico que isso havia adquirido, em especial na era Trump. A partir daí, o jornal passou não apenas a favorecer ideias mais à esquerda, mas a bloquear sistematicamente as ideias conservadoras. Ele conta sobre a mesquinharia de não permitir sequer a publicação de “cartas ao leitor”, de eleitores de Trump, e a “indignação” com um perfil, ainda que crítico, de um ativista da “nova direita”. A gota de água foi quando Bennet publicou um artigo do senador republicano Tom Cotton defendendo uma ação mais enérgica nos protestos violentos que se seguiram à morte de George Floyd, em 2020. A visão de Bennet era: podia-se concordar ou não com o senador, mas sua visão era legítima. E expressava a opinião de boa parte do público americano. O ponto é que o jornal recuou. Foi apedrejado pela claque de ativistas e Bennet acabou no olho da rua.


O ponto essencial é a ideia defendida por Bennet sobre o papel do jornalismo. Dos onze colunistas do The Times, apenas dois eram “conservadores”, e ainda assim “moderados”. O jornal simplesmente “ignorava a opinião de 150 milhões de americanos”, escreveu ele, em uma nota. Se alguém efetivamente levasse a sério a ideia de “diversidade”, a primeira decisão seria trazer mais vozes à “direita’, no espectro político. Coisa que ninguém, no jornal, estava realmente disposto a fazer. As pessoas continuavam a falar em diversidade, mas agiam de um modo claramente unilateral. Outro ponto é a ideia de que era “perigoso” expor os leitores às ideias de Cotton ou dos apoiadores de Trump. A tese do leitor hipossuficiente. Na prática, a lógica group-thinking, o Times como um veículo, diz Bennet, “onde a elite progressista dos Estados Unidos fala consigo mesma sobre um Estados Unidos que não existe realmente”. Foi a mesma percepção de outra editora do Times, Bari Weiss. Sua carta de demissão correu o mundo. E foi bem mais direta. Disse que havia cansado do jornalismo “engajado”, que, em vez de “desafiar os leitores”, passou a “buscar cliques com o 4 000º artigo dizendo que Trump é o grande perigo para o mundo”.


As histórias de Bennet e Bari Weiss falam de um estranho divórcio que marca a nossa época. Observem os dados: 38% dos americanos se identificam como conservadores, em questões sociais; 29% se dizem “progressistas”. Nas questões econômicas, 44% são conservadores, contra 21% progressistas (dados do Gallup). Observem agora o que se passa com a imprensa. Pesquisa recente feita na Universidade Syracuse mostrou que a simpatia pelo Partido Democrata, entre jornalistas, é dez vezes maior do que pelo Partido Republicano. Para ser preciso: 36,4% para o lado dos democratas e apenas 3,4% para o lado republicano (eram 18%, no início dos anos 2000). De um modo geral, o que se passa com o The New York Times não é a exceção. No Brasil, pesquisa realizada na Universidade Federal de Santa Catarina, reportada em ótima matéria do Poder 360, mostrou que 80,7% dos jornalistas se posicionam à esquerda ou centro-esquerda, contra apenas 4% à direita, lato sensu.


Não é preciso fazer nenhum juízo de valor aqui. É um direito das pessoas pensarem isso ou aquilo. Ponto-final. A questão é observar o divórcio. A desconexão entre a média do pensamento, na sociedade, e o que se passa não apenas na chamada “mídia profissional”, mas nos meios de opinião, em geral. Dito isso, talvez Bennet e Bari Weiss sejam apenas dois irrealistas. Presos a uma ideia de jornalismo que de fato se perdeu, e não apenas no The New York Times. A ideia de uma mídia apresentando fatos com alguma objetividade, e um quadro de opinião diverso. Não focado em convencer ninguém disso ou daquilo, mas permitir que o público forme sua própria opinião. Essa foi uma tese clássica do jornalismo, no século XX, posta no conhecido relatório da Comissão Hutchins, logo após a Grande Guerra. Suas conclusões diziam que o compromisso do bom jornalismo era separar a notícia da opinião, dar espaço ao contraditório e tratar sem estereótipos os diferentes grupos da sociedade. Ainda há muita gente que tenta colocar em prática essa ideia. Mas o espírito do tempo é outro. O que antes era um problema para o jornalismo, isto é, seu afastamento da “objetividade dos fatos”, se tornou um estranho tipo de virtude


É evidente que seria desejável um The New York Times que não demitisse seu editor de opinião pela publicação de um artigo conservador. Ou emissoras com um equilíbrio de visões, refletindo simplesmente o que somos, como sociedades abertas. Mas é improvável. As guerras culturais da nossa época injetaram uma carga de sacralidade no universo da política. Se o que está em jogo é o “fascismo”, de um lado, e o “comunismo”, de outro (parece brincadeira, mas foi exatamente o que Bennet ouviu, e não precisamos ir longe…), não há mesmo muito o que ponderar. Se são as últimas e grandes narrativas que dão conta da realidade, então está tudo bem. Vamos à guerra permanente, e às favas com idiotices como o espírito de dúvida e de investigação. É evidente que há um problema de mercado, que demanda “opiniões fortes”. “Ou então perdemos para a internet, seus youtubers e tiktokers”, escuto de um editor veterano. O negócio seria aderir ao jogo. Ao Twitter como grande editor, na frase sarcástica de Bari Weiss.


O problema é que o viés crônico faz o jornalismo perder aquela que deveria ser sua grande virtude: a vocação socrática. A capacidade de fazer as perguntas inconvenientes, contrastar o pensamento hegemônico. Lembro quantas vezes li notícias sobre pessoas banidas ou mesmo presas, no Brasil recente, sem um mísero questionamento sobre o “crime” cometido. Ou a aceitação pura e simples da censura prévia, vedada por aqui. Bennet sugere que talvez falte “coragem” à mídia. Desconfio que não. O que parece faltar é o tipo de convicção. Do jornalismo que “começa com uma consciência de que não sabe nada, em vez da crença de que sabe de todas as respostas”, nas palavras do próprio Bennet. Saudável ceticismo que não funciona para quem apagou a ambiguidade, que realmente acha que descobriu o lado certo da verdade. E por aí encerrou o jogo.


Vamos lembrar que Sócrates foi condenado por ofender os deuses. E na Apologia definiu como sua talvez única virtude reconhecer que “nada sabia”. Há um espírito que se perdeu, aí, nesta época de certezas e dedos na cara. Corrigir o divórcio, neste sentido, não é a adesão a essa ou aquela corrente de opinião. Mas o reconhecimento simples de que somos uma sociedade plural e que há um valor nisso que não deveríamos perder.


Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper



Artigo, Jurandir Soares, Correio do Povo - Maduro antecipa o golpe

Um conflito que só pode ser deflagrado pelo país de Nicolás Maduro



Os temores da oposição na Venezuela, como da maior parte da América Latina, eram de que Nicolás Maduro pudesse dar um golpe de Estado no período antecedente às eleições presidenciais, convocadas, em princípio, para o final deste ano. A data sequer foi marcada. Porém, nesta sexta-feira, o ditador venezuelano já se adiantou, dizendo que “os acordos de Barbados estão mortalmente feridos”, diante, do que alegou, uma tentativa de assassiná-lo. Os acordos a que se referiu foram traçados no ano passado naquela ilha do Caribe, sob a mediação da Noruega, reunindo representantes do governo e da oposição. Uma tentativa de, pela primeira vez em muitos anos, realizar eleições limpas sob a supervisão de organizações internacionais reconhecidas na arte de fiscalizar pleitos.


Apesar de todo o empenho de muitos países, inclusive dos EUA, com vistas à realização de eleições limpas na Venezuela, esta possibilidade sempre esteve ameaçada na sua concretização. Isto porque, de cara o chavismo bloqueou a candidatura de Maria Corina Machado, o nome mais expressivo da oposição, vencedora das prévias da coalizão opositora. “Não há como essa mulher ser candidata a nada em nenhuma eleição”, advertiu o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez. Maria Corina foi inabilitada eleitoralmente por 15 anos, pelo fato de ter denunciado do parlamento as arbitrariedades e desmandos do governo chavista.


Assim, uma eleição sem a presença da principal figura de oposição já seria suspeita, no entanto, o ditador demonstra não querer tampouco a realização do pleito. Daí vem com a denúncia, sem qualquer comprovação, de planos para assassiná-lo. E para fazer a sua denúncia usou uma plateia de assessores, para os quais discursou com aquela ênfase e tom ameaçador dos ditadores. Enquanto isto, seus asseclas vão fazendo o serviço. Na semana passada, conforme informações da agência AFP, foram realizadas mais de 30 prisões, entre civis e militares, por cinco supostas conspirações em 2023 e início de 2024, nas quais estariam envolvidos líderes da oposição, agentes de inteligência dos EUA e do exército da Colômbia, todos alvos habituais do governo venezuelano nesse tipo de acusação. Desta forma, apesar de toda a badalação que fora feita em torno dos chamados “Acordos de Barbados”, torna-se cada vez mais utópico o seu cumprimento.


Enquanto Maduro bradava sobre a dita tentativa de assassiná-lo, o seu representante diplomático Yván Gil Pinto, se reunia em Brasília com o representante da Guiana, Hugh Todd. Um encontro sob a mediação do chanceler brasileiro Mauro Vieira, na sequência do diálogo entre os dois países para evitar um conflito armado na América do Sul. Um conflito que só pode ser deflagrado pelo país de Nicolás Maduro, que cresceu o olho sobre o vizinho depois que lá foram descobertas enormes jazidas de petróleo, que fizeram a população guianense passar a ter a maior renda per capita da America Latina. O encontro de Brasília deu sequência à primeira reunião entre as duas partes, realizada em 14 de dezembro em São Vicente e Granadinas. Outras reuniões poderão ser realizadas, mas, em nada mudará a situação vigente. A Venezuela segue querendo tomar conta de dois terços do território da Guiana, sob alegação de que a província de Essequibo, que é onde foi encontrado o petróleo, lhe pertence. A Guiana invoca laudo de 1899 de um tribunal internacional que reconheceu seus limites.


Ocorre que a situação, que estava à beira de uma invasão da Guiana pela Venezuela só se arrefeceu quando EUA e Reino Unido decidiram enviar navios de guerra para proteger a Guiana. Maduro, que chegou a mobilizar tropas junto à fronteira, sentiu que ia meter-se numa fria e recuou. Agora só restará para ele evitar que se concretize uma ameaça: a instalação de uma base militar dos EUA na Guiana. Algo que foi aventado logo que Maduro veio com suas bravatas de plebiscito e de invasão “em nome de uma decisão do povo venezuelano”. Consultou os venezuelanos, mas não perguntou aos guianenses se eles queriam se tornar cidadãos venezuelanos. Assim, só resta para maduro sossegar em suas pretensões territoriais para evitar que os EUA instalem uma base militar junto à sua fronteira. Aliás, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também pactua com a posição de evitar que o Tio Sam venha a ter uma presença militar aqui nas proximidades.


Criar um problema internacional para sufocar as revoltas internas é uma velha tática das ditaduras. Foi usada pelo general Galtieri na Argentina, com a questão das Malvinas e se deu muito mal. Sentindo que iria ter o mesmo resultado, Maduro aliviou nas pressões sobre a Guiana. Porém, como precisa reforçar sua posição interna, inventou a história de que querem assassiná-lo, numa clara intenção de melar as eleições em que ele poderia perder o poder.



Catilinárias Brasileiras

 A jornalista Rosane Oliveira, que é editora da editoria de Política do mais importante jornal gaúcho, no caso o diário Zero Hora, publicou algumas notas sobre a investida realizada contra o atual deputado federal pelo Rio e ex-chefe da Abin, Alexandre Ramagem.

Lembram de Alexandre Ramagem ? É aquele delegado que o STF proibiu Bolsonaro de nomear para a chefia da Polícia Federal. Este incidente foi considerado a primeira e grande fraquejada de Bolsonaro. Eu também acho isto. Se tivesse batido na mesa, Bolsonaro teria levado a melhor e conteria os arreganhos seguintes do STF.

Ou não ?

Eu acho que sim.

Bom, de qualquer modo são águas passadas, mas servem de exemplo.

E a jornalista Rosane Oliveira, o que diz sobre a investida da Polícia Federal contra o deputado federal Alexandre Ramagem ? 

Lembro que a Polícia Federal chegou a pedir a prisão do deputado, mas não foi atendida por Alexandre de Moraes, porque achou que isto já era exagero e acabaria enfrentando problemas no Congresso.

E eu acho que sim.

Rosane Oliveira rebateu a suspeita de que a ação contra o ex-chefe da Abin ocorreu para jogar sombra sobre a revelação de que Bolsonaro não teve nada a ver com o assassinato de Marielle, cujo mandante, de verdade, foi o conselheiro do TCE do Rio, Domingos Brazão, cabo eleitoral do PT em várias eleições. 

"Não se faz uma operação desta de uma hora para a outra", escreveu a jornalista da RBS.

Ora, Rosane Oliveira e quem pensa do mesmo modo que ela não são estúpidos. Eles sabem de cor e salteado que o ministro Alexandre Moraes tem pilhas de inquéritos para divulgar no momento que bem entender. 

São dezenas de situações, centenas de personagens, milhares de páginas .... Tem para todos os gostos.

Eu acho até que ao desfechar a operação contra Ramagem, Alexandre de Moraes quis, mais, foi responder ao encontro do dia anterior entre o presidente do STF, Luiz Roberto Barroso, e senadores da oposição que foram pedir a cabeça do ministro.

No dia seguinte, ele deu a resposta, como quem diz:

- Aqui neste campinho, quem manda sou eu.

Para finalizar, quero insistir num ponto que sempre foco quando alguém me pergunta: "E agora ?". Um netinho meu costumava me fazer esta pergunta a todo momento, quando tinha dúvida:

- E agora, vovô !

Eu sempre respondi:

- Agora, chama a vovó.

Pois bem, diante desse quadro corrosivo desta proto-ditadura imposta pela Cúpula do Judiciário, agora reforçada pelo consórcio que estabeleceu com o Governo Lula e com a maior colaboração da PGR e da PF, continua a única alternativa constitucional, portanto legal, capaz de conter a longa mão pesada dessa gente despudorada e antipatriótica, autoritária e ilegítima:

- A imediata reação do Congresso.

Basta que o Senado promova o impeachment de Moraes.

Simples assim ?

Pode acontecer ?

Ao final, quero replicar aqui o que disse o cônsul romano Marco Túlio Cícero, um dos seus quatro mais conhecidos discursos, para o senador Catilina no Senado Romano, numa das frases que integram as conhecidas catilinárias:

- Até quando, Alexandre de Moraes, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós? A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?

A oposição brasileira compõe a cada dia as Catilinárias Brasileiras.

A oposição quer conter Catilina, mas nem por isto deseja que ele tenha o mesmo destino de Catilina.

Eu diria que as condições objetivas e subjetivas, como ensinam os marxistas, estão ganhando corpo a cada dia que passa.

Uma revelação de que isto está no radar dos congressistas, está na irada e impensada reação do presidente do Congresso, o senador Rodrigo Pacheco, que provocado pelo presidente do PL, que o chamou de frouxo por não reagir ao STF, colocou duas questões que falam diretamente nas prerrogativas da Corte. O que ele disse em resposta a Valdemar da Costa Neto:

1) Você não consegue organizar a oposição para garantir os impeachments dos ministros do STF e trabalha até contra isto nos bastidores.

2) Você é contra a proposta que limita o uso de decisões monocráticas pelo STF.

São acusações gravíssimas, mas reveladoras nas entrelinhas.

Valdemar da Costa Neto treplicou, mas fugiu das duas respostas.

Até quando ?

Não por muito tempo.



Artigo, Eugênio Esber, Zero Hora - Supremos Manés

 Em fevereiro, o ex-ministro do Supremo, Ricardo Lewandowski, assume o posto de ministro da Justiça, sucedendo a Flávio Dino, que cruza em sentido contrário a porta-giratória do regime STF-Lula para ocupar uma cadeira entre os 11 ministros da Corte. Ambos se sentirão em casa, pois, embora venham a ocupar posições em poderes que, pela Constituição, deveriam ser independentes, Dino e Lewandowski, um no primeiro escalão do Executivo e outro na alta cúpula do Judiciário, farão parte do mesmo time de Lula, engrossando a geleia institucional que faz do Brasil uma república fake. E uma “democracia” de gabinete, na qual o único poder que manda, de fato, não tem votos.


Você não verá na lista eleitoral o nome de um dos 11 ministros do STF. Mas, como vimos na história recente do país, ninguém sobe ao poder ou sequer disputa uma eleição importante se não atender ao paladar da Corte, mesmo acumulando capital político de centenas de milhares ou, mesmo, de milhões de votos. O STF, por meio de seu apêndice eleitoral, o TSE, valida ou anula candidaturas e mandatos e abre ou fecha as comportas da liberdade de expressão com base em cálculos políticos muito claros para quem acompanha as entrevistas e manifestações de boa parte de seus membros.


OUTRAS COLUNAS

Compra de votos

Geladeira de 5 mil e esgoto correndo a céu aberto

Pigmeus morais?

Enfim, é um árbitro que participa do jogo e decidiu tomar lado, abertamente – vide a manifestação do atual presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, que em um evento da esquerda estudantil bradou, como em um palanque: “Nós derrotamos o bolsonarismo”. Foi o mesmo que cunhou o dito “perdeu mané, não amola!” quando foi abordado em Nova York por um brasileiro que queria saber se ele deixaria o código-fonte das urnas eletrônicas “ser exposto”.


Ministros do STF são assíduos em eventos e convescotes promovidos no Exterior por casas de lobby. Num deles, Gilmar Mendes deixou para lá qualquer prurido ou sutileza.


– Se hoje temos a eleição do presidente Lula, isso se deveu a uma decisão do STF. É preciso reconhecer isso – gabou-se ele.


Lula reconhece, claro, e segue pagando em dia a fatura do poder que o tirou da prisão e o colocou na presidência da República, a valer o que Mendes, o decano da Corte, declarou.  Lula aceita o papel de sócio colaboracionista do poder que lhe dá governabilidade e que tem o condão de decidir quem pode e quem não pode confrontá-lo nas urnas – nada tão diferente do que vemos na suprema corte bolivariana de Nicolás Maduro e em outras ditaduras que contam com a simpatia do PT, partido que indicou sete dos 11 integrantes do Supremo brasileiro.


É um quadro sombrio, porque blinda o grupo político ora dominante e obstrui os canais de oposição – que, pelos resultados oficiais da última eleição presidencial, têm o endosso de quase 60 milhões de brasileiros, pelo menos. 


O contingente é significativamente maior se considerados todos aqueles que não votaram no atual presidente ou que se abstiveram. Ignorar e, pior, perseguir vozes conservadoras, por meio de um consórcio de poder que mistura palanque e toga, é um desatino monumental que só conduzirá, mais dia, menos dia, a uma convulsão social.

Artigo, Silvio Lopes - Obrigado, Leite

- Sílvio Lopes, jornalista, economista e palestrante sobre Economia Comportamental.

            Nada há que se ache em oculto, que não  venha a ser revelado. Canso de ver confirmadas, na prática, profecias bíblicas- como essa- enunciadas há cerca de 3 mil anos... O caso da reconstrução da ponte em Nova Roma do Sul, no qual moradores se cotizaram( há relatos de pix de até 5O centavos), para financiar, eles próprios, a obra,dá a exata idéia do que é a força e o poder nas mãos do povo, quando bem exercitados. Ao decidir assumir o papel que caberia ao Estado, por não admitir arcar com o custo estatal - exorbitante, impensável- de R$ 26 milhões anunciados pelo governo gaúcho( e para entrega, ainda incerta, em 2 anos), a população da cidade desnudou, olimpicamente,  o elevado peso, a desfaçatez e a irresponsabilidade do setor público brasileiro. E gaúcho, no caso em questão. Tão ou mais grave do que isso, o episódio serve para constatar o quão inúteis são nossos políticos. O quanto de infâmia mental carregam em sua consciência, e quão grandes são o cinismo e a hipocrisia com que tratam a ciência política, quando a usam, única e exclusivamente, para se locupletar e ao seu grupo,  e a usá- la para satisfazer seu egoísmo e ganância do poder pelo poder. Como dizia Winston Churchill, " mesmo que não seja o melhor dos instrumentos como forma de escolha de nossos representantes, a democracia, porém ( e só ela), nos dá a chance única de descartar os piores". Quando o fazemos. Triste sina essa nossa,  a dos brasileiros. Fica, porém uma lição( mais uma, entre tantas), que deveríamos levar em conta toda vez que formos depositar nosso voto na (vá lá ) controversa urna eletrônica, tida e havida " honesta e indevassável" pelos homi da Extrema Corte. Essa lição é: nem sempre uma embalagem nova, vistosa, refinada e esfuziante tal qual uma alegre gazela deslizando sobre o gelo, contém algo que preste dentro dela. Ali, no buraco negro do seu interior, em flagrante contraste com o lado de fora, apodrecem( carcomidas), velhas, decrépitas e insondáveis maquinações demoníacas prestes a serem liberadas para espalhar o veneno da sua incompetência, imoralidade e total falta de ética comportamental. Uma vez mais, obrigado, governador Leite. Talvez o fato havido venha ficar na história política gaúcha( na sua, indubitavelmente), de como sai o olho da cara sustentar inúteis como o senhor sem que colhamos, obrigatoriamente, os frutos inglórios de nossas escolhas erradas.