RESPOSTA À PROFESSORA MÁRCIA TIBURI

Milton Pires

De tudo que vai ler nas próximas linhas, deve o caro leitor saber que o mais grave é o fato de ter sido escrito por um médico. Digo ser grave por haver no Brasil, e fora dele, pessoas com muito mais preparo para responder a uma professora de Filosofia do que eu - e certamente o fariam, caso não estivessem elas ocupadas com caçadas aos ursos na Virgínia ou disputando corações e mentes de adolescentes orientais com colunistas da Revista VEJA.

Um médico só pode responder a um filósofo em três situações: a primeira é quando ele sabe um mínimo de filosofia, a segunda é quando o filósofo, doente ou não, só escreveu besteiras e a terceira é quando existe, de fato, legitimidade de ambas as partes conferida por um terceiro assunto em comum. Eu não sou um filósofo profissional e a professora Márcia não me parece doente. Nosso assunto em comum, aqui, é a Política e é sobre ela que vou tratar.

Márcia Tiburi escreveu, na Revista Cult, uma espécie de “apologia das invasões estudantis”. Num texto chamado “OCUPAR como conceito político”,  que poderia perfeitamente ter sido afixado nos muros da Universidade de Pequim em 1966, Tiburi mistura Guy Deboir com Michel Foucault e cria uma espécie de “ontologia política” em que todo ser só pode definir-se como tal ao “aparecer para outro”. Esse ato (ou fenômeno) é, na opinião de Tiburi, ato político “gerador de poder".

A professora invoca uma “coisa” chamada “conceito-prático” - seja lá o que isso signifique, diz que o “direito de ser é um direito político” e fala na destruição da política pela propaganda responsabilizando o “capitalismo” - aparentemente, esquecendo Goebbels e o tamanho do Estado no Terceiro Reich ou achando que Adolf Hitler era “capitalista”.

Tiburi coloca seu texto de uma forma que poderia ser resumida numa paródia de Mao Zedong - “O Poder Político nasce da Ocupação de uma Sala” - o que não deixa de ser uma evolução já que a frase original do genocida chinês dizia que ele, poder político,  “nasce do cano de uma arma”.

Diz ainda a professora Márcia - “Há vários modos de “ocupar”. O que o governo golpista faz nesse momento é ocupar. A maneira golpista de ocupar se opõe à maneira revolucionária. A ocupação golpista tem algo de invasão, de colonização. A ocupação revolucionária se faz com corpos em estado de alegria política e tem como forma a descolonização e a desobediência.” A “alegria” de Tiburi deve ser aquela mesma de junho de 2013 quando o PSOL financiou os marginais que depredaram, saquearam e invadiram tudo que estivesse no seu caminho por todo Brasil.

A resposta que deve ficar à filósofa gaúcha, depois de todo seu palavreado, depois de toda confusão com o conceito de corpo, consciência, Direito, propaganda, revolução...enfim, depois de tudo aquilo que ela escreveu é a seguinte - nem a senhora nem seus colegas da Universidade enganam mais ninguém. Estudante brasileiro algum, que está invadindo escolas e prédios públicos, é dotado de “consciência própria”. São vocês, de dentro da Universidade, que dizem o que eles devem pensar e, fazendo uso de uma linguagem que lhe é muito cara, professora, tomam a “posse dos seus corpos” para os colocar contra a Polícia e o mesmo Estado de Direito que paga os seus colegas comunistas dentro das Universidades Públicas. 


O sonho de todos vocês é ver o Brasil de 2016 tomado por guardas vermelhos como aqueles da China em 66. Não vão conseguir.

Saiba quem são os 9 senadores indecisos sobreo impeachment

POR LUCIANO HENRIQUE 

O site Blog da Politica Brasileira faz uma análise muito interessante a respeito das “indecisões quanto ao impeachment, expondo como o cenário é ainda mais desfavorável a Dilma do quando ela foi afastada. A reversão no quadro é considerada pouco provável:
Pelos levantamentos feitos, haveria oito senadores que se dizem indecisos. Destes, apenas um havia votado contra a denúncia na votação anterior. Entre os demais, a possibilidade de mudança é de apenas um.Há de se considerar também que entre os quatro senadores que não votaram na primeira fase, a tendência de todos é pró-impeachment, à exceção do presidente Renan Calheiros, cujo voto será uma incógnita até a véspera da votação final.
Portanto, a tendência é de aprovação apertada. Nesse sentido, a votação em plenário da fase de pronúncia (instrução probatória, antecede o julgamento final) será um teste muito importante para atualizar o cenário. O resultado dessa votação dificilmente será alterado na deliberação decisiva.
Veja a lista dos senadores indecisos, na sequência da análise:
Cristovam Buarque (PPS-DF)
Parlamentar de grande capacidade de formulação, com eleitorado de opinião perfil intelectual. Apesar de ter sido favorável à aceitação da denúncia (afastamento), perdeu apoio e pode mudar o voto em função de pressão de setores mais críticos da mídia.
Romário (PSB-RJ)
O senador é pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro e está de olho na repercussão de seu voto. Apesar de insatisfeito por estar sem espaço no governo Temer e alegar ter sido preterido na disputa por cargos, deve manter o voto favorável nas fases seguintes.
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
Senador experiente e ponderado. Politicamente, sempre esteve próximo ao PT. Porém, com o quadro de insustentabilidade de Dilma aderiu ao afastamento. Tende a seguir a posição majoritária do PSB favorável ao impeachment embora não seja um defensor do governo Temer.
Roberto Rocha (PSB-MA)
Senador de primeiro mandato, com atuação discreta na Casa. Com carreira ascendente, sua meta o governo do Maranhão. Oriundo do PSDB, não é muito alinhado ao grupo dilmista, do governador Flávio Dino), em seu estado. Deve votar a favor do impeachment.
Acir Gurgacz (PDT-RO)
Embora tenha votado pela admissibilidade em função do cenário desfavorável a Dilma, tem relações pessoais com a petista. Porém, em função de agravamento da situação de correligionários de Temer e com ameaça de expulsão do PDT, já admitiu que pode mudar o voto.
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Ex-líder do governo e ex-ministro de Dilma, é um parlamentar que almeja manter influência no cenário político. Não compareceu à votação inicial. Apesar da proximidade com Dilma, deverá votar pela cassação para fugir do isolamento no partido e no governo Temer.
Elmano Ferrer (PTB-PI)
Senador de primeiro mandato, muito ligado ao grupo político que governa o Piauí, cujo núcleo é pró-Dilma. Apesar de seu partido ter aderido a Michel Temer, ele votou contra o impeachment e deve manter a posição no julgamento final.
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Ex-ministro da Pesca de Dilma, assumiu o mandato recentemente na condição de suplente de Marcelo Crivella. Deve dizer sim ao impeachment, seguindo a orientação nacional do seu partido – que ganhou o Ministro do Desenvolvimento – e a posição de Crivella.

Mas como se diz no interior, cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Temos que pressioná-los todos e cobrar compromisso com o Brasil. Não queremos virar intencionalmente uma Venezuela. Esses senadores devem estar cientes disso.

Delator cita R$ 14 mi de propina paga a Fernando Pimentel

Alan Marques -/Folhapress


Apontado como operador do governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT), o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, afirmou que a Odebrecht e a OAS pagaram R$ 14,5 milhões em propina ao petista.
O relato foi feito aos investigadores da Operação Acrônimo em sua delação, que foi homologada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Pimentel já foi denunciado ao STJ por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo o depoimento do empresário, as tratativas com a Odebrecht começaram em maio de 2013, quando a empreiteira indicou que estaria disposta a financiar a campanha de Pimentel ao Palácio da Liberdade em 2014.
Bené disse que ouviu de Eduardo Serrano, que foi chefe de gabinete de Pimentel e era conhecido como "He-Man", que deveria procurar João Nogueira, que seria executivo da Odebrecht, para as negociações.
Segundo Bené, Pimentel pediu que o acerto ficasse entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões, diante das demandas da empreiteira no Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio e no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
A cúpula da Odebrecht, ainda segundo o empresário, só autorizou o pagamento de R$ 12 milhões. Entre junho de 2013 e junho de 2014, foram pagos R$ 11,5 milhões em espécie, em hotéis de São Paulo. Para efetuar o repasse, era acertado o uso de senhas com nomes de árvores e plantas.
Segundo o delator, o interlocutor da Odebrecht precisava do aval de Marcelo Odebrecht para aprovação do fluxo de dinheiro, sendo que Pimentel e o empreiteiro chegaram a se encontrar para que a negociação andasse.
Em maio, a revista "Época" revelou que a Polícia Federal investigava se a Odebrecht pagou propina por empréstimos do BNDES no exterior, por meio de intervenção junto à Secretaria de Comércio Exterior do MDIC e ao BNDES.
O objetivo seria aprovar e liberar recursos para financiamento de obras fora do país, como metrô de Buenos Aires e uma obra da empresa na África. Bené confirmou o esquema.
Além da Odebrecht, o operador disse que foi avisado, no início de 2013, por um assessor de Pimentel que a OAS iria participar do financiamento da campanha do petista.
Bené afirmou que tratou da questão com o próprio governador, que lhe explicou que a medida seria contrapartida por ter intermediado um interesse da empreiteira na construção de um gasoduto no Uruguai.
O intermediário da OAS teria confirmado que a ajuda ao petista seria de R$ 3 milhões. O empresário disse que informou o valor a Pimentel, que achou pouco e pediu que chegassem aos R$ 5 milhões, mas a OAS não teria aceitado. Bené disse que participou da definição do cronograma de entrega do dinheiro, prevista em seis datas e que outros interlocutores, então, assumiram a negociação.
CAIXA DOIS
O empresário afirmou ainda que Pimentel "participou e o incumbiu de arrecadar contribuições para o caixa dois da campanha ao governo de Minas Gerais.
Segundo ele, Pimentel "tinha ciência de que os valores arrecadados e as despesas da campanha eleitoral de 2014 foram globalmente subfaturadas na prestação de contas" da Justiça Eleitoral.
A campanha de Pimentel declarou que arrecadou R$ 53,4 milhões e gastou R$ 52,1 milhões. Bené disse estimar as despesas em R$ 80 milhões.
OUTRO LADO
O advogado do governador Fernando Pimentel (PT), Eugênio Pacelli, afirmou, em nota enviada à Folha, que as informações da delação do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto "são absolutamente falsas" e que demonstram "desespero de quem está disposto a alimentar o imaginário acusatório e de prévia condenação que assola o Brasil".
Afirmou ainda que "delações como essas constituem o cardápio principal servido nas prisões nacionais" e que, como consequência, "nos próximos dias sairá mais um para prisão domiciliar com pequeníssima devolução do que subtraiu".
A defesa de Pimentel também tem afirmado que ele jamais cometeu qualquer irregularidade à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Procuradas, as assessorias das empreiteiras Odebrecht e da OAS não se manifestaram.
Os ex-presidentes da Odebrecht e da OAS atualmente estão presos devido a suspeitas de envolvimento em esquema de corrupção na Petrobras e negociam acordos de delação premiada.
A assessoria do MDIC informou que a Secretaria de Comércio Exterior não tem competência sobre o tema de financiamentos internacionais.

Os demais citados não foram localizados.

Jorge Viana chama Moro de bandido

JORGE: Talvez.. olha a minha ideia.. falei até com o DAMOUS. Talvez seja a única oportunidade que o presidente tem de por fim a essa perseguição, essa caçada contra ele. Se numa segunda-feira, por exemplo, reflitam sobre isso, ele chamar uma coletiva e comprar e estabelecer uma relação, um diálogo com seu MORO pela, ao vivo, MORO, PROMOTORES, DELEGADOS, dizendo que ele não aceita mais que ele persiga a família dele porque ele tá agindo fora da lei, os promotores fulano e ciclano estão agindo fora da lei, os delegados fulano e ciclano e quem age fora da lei é bandido e que se ele quiser agora vim prendê-lo, que venha, mas não venha prender minha mulher, prender meus netos, nem meus filhos.. E forçar a mão nele pra ver se ele tem coragem de prender por desacato a autoridade, porque aí, aí eles vão ter uma comoção no país, porque ele vai tá defendendo a família dele, a honra dele.. dizer: olha, eu estou defendendo a minha honra, você está agindo fora da lei, quem age fora da lei é bandido.. me sequestraram, me colocaram.. eu não sei, tinha que pensar algo parecido com isso e dar uma coletiva e provocar e dizer que não vai aceitar mais..

ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito.

JORGE: Não aceita, em hipótese nenhuma.. se rebelar.. greve de fome, alguma situação.. você tem também alguma insubordinação judicial, não aceito mais ser investigado por esse bando que tá agindo fora da lei e querendo alcançar minha família, minha mulher, meus filhos e meus netos. Não aceito mais. Me prendam. Se prenderem ele, aí vão prender e tornar um preso político, aí nós fazemos esse país virar de cabeça pra baixo. Fora disso eu não vejo saída (ininteligível)

ROBERTO TEIXEIRA: É.. mas isso, mas viu, JORGE, ele anunciou isso, falou isso, ele disse que vai varrer o Brasil inteiro, vai denunciar isso o tempo todo..

JORGE: Isso não funciona.

ROBERTO TEIXEIRA: E agora..

JORGE: Não tem clima no interior do Brasil pra ele vir, pra ele andar. Ele tem que fazer uma ação ao vivo chamando coletivas, isso é mais forte do que ele fazer comício, fazer coisa.. gente, o clima tá muito ruim contra nós, não há uma comoção. Ele tem que botar a família dele, fazer a defesa e virar a fazer..

ROBERTO TEIXEIRA: Entendi.

JORGE: E fazer um confronto direto com eles. Se não fizer isso agora, não tem clima pra andar no Brasil.

ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito.

JORGE: Esses caras tão trabalhando há muito tempo esse ambiente. (ininteligível).

JORGE: Diga: me prenda, eu estou aqui. Vou ficar nesse endereço esperando a chegada dos seus subalternos com o mandado de prisão. Se ele prender, o LULA vira um preso político e vira uma vítima, se não prender, ele também se desmoraliza. Tem que virar o jogo agora. Esse negócio de andar o Brasil, de falar, isso não vai funcionar, isso foi num passado distante. Tem clima, e isso tem que ser feito urgente, porque senão no dia 13 vai ter milhões de pessoas na rua querendo a prisão do LULA. Eu to dando um toque, eu to no andar de baixo andando e é só mais pra vocês refletirem um pouco se puder.

ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito. Vamo, vamo refletir sim, vamo transferir isso aqui. Ele agora vai estar num ato aqui dos bancários, que ele vai agora falar pro povo, né? E..


JORGE: Eu não sei, mas você fala, diz: ó, foi uma possibilidade, LULA, existe greve de fome quando alguém se rebela e não aceita determinadas coisas, na parte judicial, porque ninguém do Supremo vai dar colhida mais ao LULA, mas tem muitas manifestações favoráveis. Se o LULA colocar como o defensor da família dele, da mulher, dos filhos e desafiar e dizer que eles tão agindo fora da lei, como agiram hoje fora da lei, quem age fora da lei é bandido e dizer: vocês são bandidos, agiram foram da lei. Só vai ter uma saída: ou o cara prende ele ou fica desmoralizado. Não aceito mais. Que o judiciário ponha um juiz isento pra me investigar, ponha um promotor isento pra me investigar, ponha é.. é.. delegado da polícia federal isento.. esse MOSCARDI veio aqui no Acre, fez uma operação contra o PT, nós denunciamos pro ZÉ EDUARDO CARDOSO, entramos com uma representação há seis anos contra esse delegado que pegou o presidente hoje. Ele é um inimigo do PT e tava lá. Agora, o presidente não tem outra oportunidade. Pra mim ele tem que fazer no máximo até segunda-feira, chamar uma coletiva e insubordinar e dizer que não aceita mais, não aceita mais e dizer: olha, vocês estão agindo fora da lei, e quem age fora da lei é bandido (ininteligível) o senhor está agindo como bandido, e o senhor não tem moral de me apurar de me investigar, eu to falando como cidadão, não é como ex-presidente, cidadão. Aqui está a constituição. Pense nisso. Reflita, porque nós não vamos ter outra oportunidade igual ao dia de hoje, não.

Artigo, Marcelo Aiquel- A delação de Cerveró

       O Jornal Nacional (aquele mesmo noticiário que já foi um bálsamo para os lulopetistas) de hoje – 06 de junho – divulgou um vídeo, onde o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró acusa diretamente a nossa pobre guerrilheira injustiçada Dilma Rousseff de estar ciente de todos os passos da compra da refinaria de Pasadena.
      Ora, o que ele declarou é apenas o óbvio. Pois, se ela não soubesse de nada, teria sido – além de uma péssima presidente do Conselho de Administração da empresa – uma administradora com atuação flagrantemente nociva aos interesses da Cia. e de seus acionistas.
      E se isto não representa um “crime de responsabilidade” (e ela praticou dúzias), então passarei a engrossar o grito de GOLPE.
      Porque, aos dirigentes das sociedades anônimas, especialmente aquelas de capital aberto, como a Petrobras, é exigido um comportamento absolutamente diligente na defesa da empresa e dos seus milhares de investidores/acionistas.
      Na hipótese da ex-presidente Dilma haver sido imprudente na condução dos negócios da Petrobras, para o que recebia um robusto salário no cargo diretivo que ocupava, deve ser responsabilizada civilmente segundo o artigo 158 da Lei 6.404/76.
      Isto quer dizer que – no mínimo – a ANTA terá que responder pelos prejuízos que ajudou a causar. E esta indenização sinaliza – também no mínimo – na devolução dos valores do referido prejuízo.
      Para alguém que gasta – sem qualquer parcimônia – o dinheiro público, este tipo de condenação seria um princípio da moralidade aplicada ao administrador irresponsável. Especialmente um administrador mentiroso e hipócrita como a nossa guerrilheira Dilma.
      Mentira e hipocrisia que sobraram nas justificativas ridículas apresentadas para contestar as denúncias do Cerveró.
      Disse a ANTA, entre outras pérolas, que nunca privou da intimidade do denunciante. Como se isso fosse determinante para inocentá-la da acusação de cumplicidade com o crime praticado.
      As desculpas apresentadas nos remetem ao reino da fantasia, e nos toma – a todos – como crianças. Ou ingênuos que acreditam em Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa ou na Fada do Dente...
      Apesar de que os que ainda acreditam em GOLPE, são dissimulados o suficiente para dar crédito à inocência da figura.

      Só eles...

"Economia brasileira está como a de um país em guerra civil", diz professor do MIT

Entrevista de Veja com  Roberto Rigobon, professor do MIT - Economia brasileira está como a de um país em guerra civil
O Brasil não está em guerra civil, mas o estado atual de sua economia é como o de um país conflagrado, de acordo com Roberto Rigobon, professor de economia aplicada do Massachusetts Institute of Technology (MIT). "Em uma guerra civil é assim: há muita inflação e a economia se estanca", diz. "Na economia, o governo Dilma foi catastrófico."
Rigobon, que é venezuelano, define como "patética" a política externa adotada pelo Brasil nos últimos anos. O país, avalia, se omite em momentos em que ele deveria assumir um papel que lhe seria natural, o de líder da América Latina. "Parece que o Brasil tem medo de se comprometer e tomar decisões e ações duras, que cabem a um líder", afirma. Em vez disso, argumenta Rigobon, o Brasil gosta de se cercar "do pior do mundo" - e ele põe na lista Argentina, Rússia e sua Venezuela natal. "Só falta firmar um acordo de intercâmbio com a Coreia do Norte", ironiza.
Confira trechos da entrevista do professor ao site de VEJA.
O Brasil acaba de mudar seu governo. O senhor acredita que isso pode favorecer a economia do país? Depende de como essa mudança acontecerá em termos concretos. Acredito que uma gestão que suceda um impeachment é diferente da eleita pelo povo. Por enquanto, parece haver um otimismo exagerado. Em geral, na história mundial, observamos uma quantidade pequena de presidentes efetivamente culpados por corrupção. Antes de se tornar pública, quando se faz uma investigação, como a da Petrobras, por exemplo, a polícia pode investir todo o tempo na apuração do caso. Nesse contexto, é mais fácil chegar às provas dos crimes cometidos. Depois de vir à tona na mídia, os desafios aumentam, e isso se torna mais difícil. Já imaginou o que aconteceria se o Congresso resolvesse que não há evidências claras de que Dilma esteja envolvida em crime de responsabilidade? A lei prevê que ela volte ao poder, não é? Ainda que o mercado atribua "chance zero", acredito que existe o risco de o Congresso brasileiro não encontrar evidências suficientes para depor a presidente ou obrigá-la a renunciar. O fato de ter havido uma votação para abrir o processo não significa, necessariamente, que houve crimes. Isso complica o cenário.
Como o senhor avalia o papel do Estado na economia brasileira no governo Dilma? Foi catastrófico. Tão ruim quanto ter uma guerra civil, período em que os países não crescem e, ao mesmo tempo, têm inflação, em um quadro típico de "estagflação". Esse quadro é piorado, em grande parte, por medidas tomadas do lado da oferta, como a intervenção brutal do Estado, expropriações, em um cenário em que o setor privado tem medo de investir. Em uma guerra civil é assim: há muita inflação e a economia se estanca.
Qual o peso da crise externa para esse cenário? Nenhum. Esta inflação, por exemplo, tem raízes totalmente internas. Foi, portanto, causada pela incompetência do governo brasileiro. Em 2009, o mundo todo estava em crise, mas o Brasil não foi afetado. Esta é uma evidência clara de que os problemas que começaram a aparecer no país foram provocados pela acumulação de ineficiência e ideologia do governo anterior.
Como o senhor avalia a premissa de que o Brasil só pode negociar acordos comerciais junto com o Mercosul? Quando o Mercosul foi criado, há mais de vinte anos, ele trouxe muitos benefícios a Brasil, Argentina e Uruguai. Esses países adotaram diversas medidas pró-mercado, fazendo com que suas empresas buscassem atingir o mesmo nível, de uma maneira justa. Mas, como em todos os acordos, as partes têm que evoluir. Depois de ter desenvolvido bastante sobretudo a indústria, os países do bloco deveriam procurar outros parceiros, que fossem melhores que eles. A única forma de melhorar é incluir no clube nações mais desenvolvidas que as que já estão. Falo de Estados Unidos e países europeus. Isso forçaria o Mercosul a seguir evoluindo.
Mas o bloco optou por tomar outro rumo, certo? Sim. Há muito o que melhorar em termos de política externa. No caso do Brasil, a política externa foi patética nos últimos anos. Parece que o país gosta de se cercar do pior do mundo - Venezuela, Argentina, Rússia. Só falta afirmar um acordo de intercâmbio com a Coreia do Norte. O Brasil é muito covarde para investir em acordos internacionais, considerando o tamanho e a importância que tem.
Qual seria o passo natural para a evolução do bloco? Depois de incluir os países desenvolvidos, como EUA, Inglaterra, Alemanha, Espanha, União Europeia, o passo seguinte é: os países que não estiverem de acordo com essa ideia, devem ficar com suas ideologias - e deixar o grupo.
O Brasil, como grande potência do bloco, deveria assumir uma liderança nesse processo? Sim, mas o Brasil falhou nessa missão. Ele deveria ser o líder da região, posto que é compartilhado por Chile e Colômbia. Quando olham para a vanguarda da modernização, social política, econômica, da América do Sul, as pessoas não veem o Brasil. O país nunca quis, por razões que desconheço, assumir esse papel de líder. As empresas brasileiras não têm a visibilidade e a liderança que deveriam ter, dado o tamanho e a importância do Brasil. É muito triste. Parece que o Brasil tem medo de se comprometer e tomar decisões e ações duras, que cabem a um líder. Mas nunca é tarde. É importante que o Brasil seja líder da América Latina. Tem todas as condições. Só mencionam o Brasil para fazer a seguinte comparação: o Brasil, geograficamente, equivale a todos os outros países somados. Os países líderes da região deveriam ser Argentina e Brasil.
E os BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)? Isso durou muito pouco. As razões, novamente, se relacionam com a falta de decisão e vontade do Brasil de ser líder neste espaço.
Como a comunidade externa percebe o momento das crises política e econômica do Brasil? Os desdobramentos dos escândalos de corrupção têm um aspecto positivo, de mostrar que as instituições estão funcionando e estão punindo corruptos. Nesse sentido, é muito positivo. Por outro lado, há ainda muita incerteza sobre quem será o próximo presidente, o que preocupa. Mas, em geral, o saldo é positivo.
O senhor é venezuelano e se mostra bastante crítico dos caminhos tomados por seu país. Que saída econômica o senhor vê para a Venezuela? Acredito que a Venezuela vai enfrentar uma hiperinflação ainda maior do que a atual. Se isso acontecer, a parte econômica é mais fácil de resolver. Há que considerar que ela é muito ruim, pois produzem muita pobreza e dor. O aspecto positivo é que ela elimina todas as distorções do mercado, incluindo os preços de diversos contatos. Depois que isso acontecer, terá de haver uma mudança radical de governo. A atual gestão é muito ideológica, o que torna os desafios mais difíceis de ser superados. O governo venezuelano tem a maturidade de uma criança de 3 anos, especialmente no quesito teimosia. Por isso, em vez de se chamar "Maduro", deveria se chamar "Imaduro" (risos).
O que um novo governo teria de fazer? Se há uma hiperinflação, em novas eleições outro governo deveria ser eleito - e um que considere, em suas políticas, todos os venezuelanos. Um governo que reconheça que o chavistas são um grupo grande da população, que, de alguma forma, devem ser considerados e respeitados. Algo que se aprendeu com o governo Chavista - e que é uma lição para todos os países da América Latina - é que os programas sociais têm de ser mais ambiciosos.
Em que sentido? Há 50 anos, pensava-se que fazer algo pelos pobres já era suficiente. Hoje em dia, está claro que não temos que fazer algo, mas muito. O fenômeno de Chávez, na Venezuela, de Lula, no Brasil, dos Kirchner, na Argentina, de Morales, na Bolívia, tem em comum ideologias muito esquerdistas, antiquadas, algumas da Idade Média. Elas são resultado de uma frustração muito grande na sociedade, que reflete a falha dos sistemas democráticos na hora de suprir os cidadãos mais pobres. Espero que os últimos 15 anos de desastre na região sejam usados como aprendizado, para entender que o modelo de desenvolvimento futuro tem de incluir programas sociais muito mais ambiciosos que os do passado - que atendam os pobres e lhes deem oportunidades. Os próximos governos, tanto na Venezuela quanto no Brasil, não podem esquecer dos erros cometidos no passado.