Artigo, Vitor Koch - Ruína em Torres de Marfim

Vitor Augusto Koch

Comerciante • Administrador – CRA/RS 042810
Presidente da FCCS-RS


O Brasil assistiu, em 15 de setembro, a uma sessão do Supremo Tribunal Federal que deveria preocupar todos os brasileiros. 


Não pelo simples confronto de opiniões jurídicas — natural em uma Corte constitucional —, contudo,  pela dimensão do conflito, pela troca de acusações entre ministros e exposição pública de uma instituição que deveria representar equilíbrio, serenidade e respeito à Constituição.


O julgamento, diferente a seu  estabelecimento, discutia se os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados conjuntamente ou em separado, no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master, equivocadamente, pois já havia a convocação pautando a outra sessão marcada para a segunda discussão . 


A sessão terminou sem decisão, após pedido de vista de Flávio Dino. O placar parcial ficou em 4 votos a 3 pela análise separada. 


O que ficou para a sociedade, foi muito além do resultado processual. 


Houve acusações de interferência político-eleitoral, questionamentos sobre procedimentos e um duro embate entre ministros. Em determinado momento, Gilmar Mendes declarou: “até a máfia tem ética”. ( sic, sic..)


Quando ministros da Suprema Corte chegam a esse nível de confronto público, alguma coisa está profundamente errada.


Não se trata de defender ministros. 


Trata-se de defender a instituição e, acima dela, a Constituição. O Supremo não pode ser simultaneamente árbitro, parte interessada e palco de disputas que alimentam suspeitas de natureza ética, probidade e política.


A Constituição não pode ser aplicada conforme conveniências circunstanciais. Juiz natural, devido processo legal, imparcialidade, contraditório e ampla defesa não são detalhes burocráticos. São garantias fundamentais.


Durante anos, o silêncio diante de decisões controversas ajudou a normalizar a expansão dos limites do Judiciário. Agora, a própria Corte expõe suas mazelas, espelhando um tribunal severamente fraturado, onde ministro em questão, participou ativamente das discussões de bastidores e votações


Conforme afirmação de Delfim Netto, “erros não se anulam; se somam”. E instituições também podem acumular erros, até comprometerem a confiança que as sustenta.


O Supremo não precisa estar acima da sociedade. Precisa estar acima das disputas pessoais e políticas.


A República exige que todos sejam iguais perante a lei — inclusive aqueles que têm a responsabilidade de interpretá-la.


O verdadeiro perigo não é a divergência dentro da Corte. É quando a sociedade começa a enxergar o próprio Supremo como parte da crise que deveria solucionar.


Quando as torres de marfim começam a ruir por dentro, não é apenas o tribunal que está em risco. É a confiança do cidadão na própria República. É a insegurança jurídica para investir desenvolver e prosperar.


A reforma ou melhor, a reconstrução das torres é urgente, seu formato é ultrapassado, só com composição qualificada e ética, suas colunas darão guarida e segurança jurídica a nação.


O tempo da reconstrução não é amanhã. É agora.


- “É tempo de viver coisas novas. Nos preparemos.”



Minerais críticos

  Foi sancionada, ontem, a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei prevê investimentos de até R$ 7 bilhões por meio de incentivos a projetos de processamento e transformação dos minerais. O objetivo é estimular a pesquisa, extração e transformação de minerais críticos e estratégicos.

A lei sancionada cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União para garantir empreendimentos e atividades vinculados à produção de minerais críticos e estratégicos. O montante do fundo pode chegar a R$ 5 bilhões. O Serviço Geológico do Brasil terá um aumento de verba, de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões, para investir em pesquisa para conhecimento do solo. O valor é ridiculamente baixo.

No discurso de assinatura do ato, Lula atacou os EUA, avisando que os americanos querem se adonar dos minerais críticos do Brasil.

Lula também assinou o decreto que cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. 

A seguir, leia texto da Agência Brasil:

Minerais Críticos

Os minerais críticos e terras raras são insumos indispensáveis para as indústrias de tecnologia, automobilística, defesa e para a concretização da transição energética.

Os minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.


Terras raras são um grupo específico de minerais críticos. São 17 elementos químicos dispersos na natureza, o que dificulta a extração. Elas são essenciais para turbinas eólicas, smartphones, carros elétricos e sistemas de defesa.


Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.


A definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. As terras raras, por sua vez, também podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto

Artigo, especial, Marcus Vinicius Gravina - Salve o chicote !

O autor é escritor e advogado no RS.


O julgamento de ontem lembrou-me uma passagem bíblica em que Jesus entrou no Templo com um  chicote na mão. Ficou conhecida  , como a Purificação do Templo. (João 2.13-17)


Em outros três evangelhos está escrito, que ele usou o chicote para expulsar os vendilhões do Templo.


Tomo por exemplo a do chicote em ação, sendo usado.


O Templo em nos dias se assemelha ao STF. 


Na falta de Jesus, "presencial", o povo deveria ir às ruas exercer o seu papel bíblico. 


E, não se diga que isto é incitar  à violência.  Foi Jesus quem nos ensinou como agir contra os malfeitores.


Esta passagem é aplaudida nos Templos religiosos de todos os quadrantes do mundo católico.


Voltando ao julgamento.


O ministro Fachin fraquejou. Permitiu a ação de um "jogral"de ataques a um colega ministro, A. Mendonça, cumpridor de sua missão  jurisdicional.


Não cassou a palavra do Flávio Dino, que astuciosamente,  interrompeu o  voto da ministra Cármen Lucia, como tentativa de conduzir o seu voto.


Outras aberrações foram praticadas. A mais grave foi a participação do ministro A.Moraes, mencionado nas informações da Polícia Federal no processo em julgamento.


Como parte interessada debateu, intensamente, a matéria, antecipando sua  defesa em outro processo.


 Acabou votando  em causa própria. Não se deu por impedido nem suspeito.


O STF já havia decretado o fim da Imparcialidade, ao permitir que os ministros votassem em processos patrocinados por suas esposas e filhos.


Será muito fácil se beneficiar de contratos advocaticios de 130 milhões, de suas esposas ou holding's.


JESUS, empreste o seu chicote: só não nos envie pelos Correios do Brasil.


Caxias, 16.09.2026

Marcus Vinicius Gravina 

OAB-RS 4.948

Artigo, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - Por que a pesquisa Quaest foi favorável a Flávio

Cientista Político da Arko Advice Pesquisas
carloseduardo@arkoadvice.com.br

A mudança na agenda política, consequência da crise no STF, impactou o cenário da disputa ao Palácio do Planalto. Faltando cerca de três semanas para o primeiro turno, apesar da eleição continuar acirrada, o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra uma vantagem parcial sobre o presidente Lula (PT).

Isso pode ser observado nos números trazidos pela mais recente do instituto Quaest. No cenário de primeiro turno, a distância de Lula para Flávio, que era de 8 pontos (37% a 29%) no dia 2 de setembro, caiu para apenas 5 pontos (36% a 31%). 

No cenário estimulado de segundo turno é que observamos a mudança mais expressiva. Flávio, pela primeira vez desde abril, ultrapassou numericamente Lula: 42% a 40%. Embora as oscilações da série de pesquisas Quaest tenham oscilado dentro da margem de erro – dois pontos percentuais para mais ou para menos – é possível perceber uma tendência em favor de Flávio nos últimos meses. Em julho, Lula tinha 8 pontos de vantagem sobre Flávio (45% a 37%). Agora, a vantagem está com Flávio: 2 pontos (42% a 40%). Ou seja, nos últimos dois meses, Lula perdeu 5 pontos enquanto Flávio ganhou 5 pontos.

Mais do que os cenários estimulados de primeiro e segundo turno, é importante prestarmos atenção em sete variáveis que reforçam este clima político em favor de Flávio:

1. Maior transferência de votos de eleitores que optam por outros candidatos no primeiro turno: Flávio é o preferido de eleitores de Renan Santos (50%); Ronaldo Caiado (46%); Augusto Cury (41%); e Romeu Zema (32%). Lula, por sua vez, atrai menos votos desses candidatos – Zema (38%); Cury (25%); Caiado (20%); e Renan (18%);


2. Avanço no Sudeste: Na maior região do país, e que contempla Minas Gerais, o estado pêndulo da eleição, Flávio abriu 16 pontos de vantagem sobre Lula (47% a 31%). Na semana passada, a distância entre o senador e o presidente era de 9 pontos (43% a 34%);


3. Crescimento no eleitorado feminino: Entre as mulheres, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados. Lula tem uma vantagem numérica sobre Flávio de apenas 3 pontos (41% a 38%). Em julho, a vantagem de Lula sobre Flávio era de 12 pontos (47% a 35%) nesse segmento;


4. Preferência dos eleitores com renda mensal de 2 a 5 salários: No segmento em que o governo buscava conquistar através de medidas como a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, em um eventual segundo turno, Flávio tem dez pontos a mais que Lula (46% a 36%);


5. Agenda favorável: A corrupção disparou na preocupação dos entrevistados. Em relação ao início de setembro, subiu 8 pontos (14% para 22%) a preocupação com o tema, ficando atrás apenas da violência (31%). Na sequência aparecem a economia (19%) e saúde (10%). Vale observar que os dois temas que mais preocupam a opinião pública – violência e corrupção – são assuntos que colocam Lula na defensiva e deixam Flávio mais confortável para desgastar o governo;


6. Conquista de eleitores independentes:  Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, 36% declaram voto no senador enquanto 26% manifestam preferência pelo presidente. Outros 29% afirmam que não irão votar. Comparado a semana passada, Flávio cresceu quatro pontos (32% para 36%) nesse segmento. Lula, por sua vez, oscilou negativamente dois pontos (28% para 26%); e


7. Saldo negativo de popularidade de Lula: A desaprovação do governo supera a aprovação (50% a 43%)

Além desses aspectos quantitativos, Flávio, no contraste de imagens de Lula, leva vantagem no horário eleitoral. As imagens de Flávio caminhando no supermercado e mostrando o aumento de preços de produtos básicos se conectam com o dia-a-dia dos brasileiros impactados pelo aumento do endividamento. Lula, por sua vez, tem um programa que aposta na trajetória política do petista, tendo um foco essencialmente no passado, e a aposta em temas de difícil compreensão como os minerais críticos. 


Entrevista - Felipe Vieira entrevista o criminalista Alexandre Wunderlich sobre a sessão do STF

O advogado criminalista e professor Alexandre Wunderlich faz uma distinção importante sobre a defesa apresentada por Alexandre de Moraes ao STF.


Para ele, o Supremo não precisa decidir agora se Moraes é culpado ou inocente. A questão é anterior: há justa causa e um mínimo de elementos para investigar?


Wunderlich lembra que o in dubio pro reo, a dúvida em favor do réu, ganha força no julgamento do mérito. Neste momento, porém, sustenta que a lógica é outra: diante de indícios mínimos, a dúvida não deveria impedir a investigação. É o chamado in dubio pro societate.


Na avaliação do criminalista, Moraes antecipou uma defesa de mérito ao pedir a anulação do relatório da PF e rebater ponto a ponto as suspeitas.


Wunderlich resumiu sua crítica em uma frase forte:


“Se fossem mortais, isso já teria sido instaurado e nem debatido. Meu cliente já estaria preso, já estaria fazendo habeas corpus.”


O ponto não é condenar Moraes antecipadamente. É justamente permitir que os fatos sejam investigados para saber se as suspeitas procedem ou não.


A pergunta que fica para o STF é simples: um ministro da Corte deve enfrentar o mesmo critério aplicado a qualquer outro cidadão?


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Editorial da RBS - Fachin deve se manter firme

A sessão plenária extraordinária desta terça-feira do Supremo Tribunal Federal (STF) está destinada a marcar época. Os ministros da Corte decidirão como o 15 de setembro de 2026 será lembrado no futuro. Poderá ser a data guardada na memória como um ponto de inflexão, o início da reversão do processo de perda acelerada da confiança pública na instituição. Ou então o dia da maior desmoralização dos 135 anos de existência do Supremo, com consequências inimagináveis para a democracia do país.

Na bifurcação à frente do STF, o caminho da decência exige que o objetivo da sessão seja alcançado e que os ministros analisem o relatório da Polícia Federal (PF) sobre a troca de mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Esse exame deve levar à abertura de uma investigação formal para elucidar a natureza da relação de Moraes com o protagonista do maior escândalo financeiro já visto no Brasil. A trilha da infâmia é a que vem sendo traçada pelo próprio ministro e colegas que o apoiam, para avacalhar o julgamento com uma série de artimanhas regimentais que protelem uma decisão ou então varram as suspeitas graves para debaixo do tapete. 

Será preciso vencer a saraivada de manobras anunciadas para frustrar a sessão e torná-la fechada, sem transmissão ao público

Diante deste momento de singular gravidade, os brasileiros cansados de imoralidades e desvios de comportamento impunes contam que o presidente do STF, Edson Fachin, se manterá firme no propósito de conduzir o plenário a uma decisão. Será preciso vencer a saraivada de manobras anunciadas para frustrar a sessão e torná-la fechada, sem transmissão ao público. Aguarda-se que a maioria dos ministros cerre fileiras na defesa da instituição, postura incompatível com o espírito de corpo. Há indícios mais do que suficientes para um inquérito que investigue Moraes, o que não significa condenação prévia. Isso demonstraria tão somente que a lei deve valer para todos. Parece pouco, mas hoje é muito.

A despeito de vacilações iniciais, Fachin mostrou compreender que a ocasião, pelo caráter histórico, requer determinação. Rechaçou a pressão para que a sessão fosse jogada para as calendas. Negou o exame da conduta do ministro André Mendonça no caso nesta terça-feira, evitando maior tumulto processual. Os atos de Mendonça serão devidamente escrutinados na próxima semana. Fachin assumiu a relatoria das investigações relacionadas ao Master e ao escândalo do INSS para minimizar o risco de uso político das apurações, retirou Moraes da condução do exorbitante inquérito das fake news e determinou o fim de uma série de sigilos. 

Moraes se nega a dar satisfações sobre a proximidade com Vorcaro e sobre as suspeitas de que agia como conselheiro de um banqueiro investigado pela PF por fraudes e compra de apoio político. Se não explica, é elementar supor que a razão do vínculo nada tem de republicana. O contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório de advocacia de sua esposa fala por si.  

A sessão deste 15 de setembro tende a ser de máxima tensão. Vários ardis são cogitados pelos aliados de Moraes, como um pedido de vista que adie o resultado. Deveriam lembrar que o julgamento do tribunal da História é implacável. 

Em meio à luta cruenta entre alas do STF, Fachin age com isenção e coragem. Tem recebido apoios de peso na sociedade brasileira para ir adiante neste início de processo de saneamento da Corte. A recuperação da credibilidade do Supremo passa pelo seu êxito nesta terça-feira. 



Artigo, especial, Pedro Simon - A grande crise brasileira

Pedro Simon - Advogado; foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura. 

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, lutando por um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado Federal, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo. Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional. Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem respon sabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.


Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República — mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar. As investigações em torno do escândalo do Banco Master, o embate público entre ministros do Supremo Tribunal Federal, a dúvida lançada sobre a isenção do próprio procurador-geral da República e o conturbado afastamento do comando da Polícia Federal expuseram, aos olhos de todo o país, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos três Poderes da República.


Foi no Senado que passei trinta e dois dos meus sessenta anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado Federal, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da Mesa Diretora, sem parecer e sem votação. Em toda a nossa história democrática , nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um Poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.


As ações que tomarmos a seguir definirão os rumos do país pelas próximas décadas. Rogo que o Supremo, no julgamento desta terça-feira, dia 15 de setembro, tenha condições de conduzir um julgamento aberto, público e transparente. O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o procurador-geral da República, diante das dúvidas lançadas sobre sua isenção, não participe do julgamento; que o Supremo retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; qu e todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.


Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só Poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.