Fim da escala 6x1: empresário paga a conta ou repassa ao consumidor

A discussão sobre o fim da escala 6x1 vai muito além da jornada de trabalho: ela também envolve os custos das empresas e o preço que o consumidor paga nas prateleiras dos supermercados. Em artigo publicado no Estadão, Camila Farani, investidora, presidente da G2 Capital e CEO da FEN Educação para Negócios, chama a atenção para a necessidade de fazer as contas antes de aprovar mudanças nas regras trabalhistas. Para quem mantém um negócio, a redução da jornada sem uma diminuição proporcional dos custos pode representar um novo desafio financeiro. 

Na avaliação apresentada por Farani, se um funcionário passar de 176 para 150 horas mensais, mantendo-se o mesmo salário, o custo por hora trabalhada aumentará aproximadamente 17,3%, e não apenas 10%. Isso significa que o empresário precisará encontrar alternativas para compensar a redução das horas disponíveis de trabalho: contratar mais funcionários, investir em automação ou absorver o aumento das despesas. Em atividades com margens apertadas, como supermercados, restaurantes, comércio e serviços, parte desse custo adicional poderá ser repassada aos preços, pressionando o orçamento das famílias. 

Outro risco apontado no debate é o crescimento da informalidade e das contratações sem carteira assinada, especialmente entre pequenos negócios com menor capacidade financeira para absorver novos custos. Embora os efeitos dependam das regras aprovadas, da produtividade e das condições de cada setor, a discussão exige avaliar não apenas os benefícios pretendidos para os trabalhadores, mas também as consequências econômicas da mudança. A questão central é quem pagará a conta: o empresário, o consumidor ou o próprio trabalhador, caso a medida reduza oportunidades de emprego formal? 

Fonte: Camila Farani, em artigo publicado no Estadão.

*Assista ao vídeo de Camila Farani e entenda os impactos econômicos que o fim da escala 6x1 pode gerar para empresas, trabalhadores e consumidores: https://www.estadao.com.br/economia/camila-farani/a-escala-6x1-deve-ser-votada-hoje-voce-ja-fez-a-conta/

Artigo - Lula cobra experiência de Flávio, mas quando se elegeu era torneiro mecânico

por Rodrigo Alves, jornalista.

Lula se agarra à experiência, mas Flávio Bolsonaro tem currículo acadêmico mais robusto 

Lula tenta transformar a experiência política em seu principal trunfo eleitoral contra Flávio Bolsonaro, como se décadas de vida pública fossem, por si só, um certificado de competência para governar. 

O argumento, entretanto, tem um ponto fraco: antes de chegar à Presidência, em 2002, Lula não tinha experiência em cargos executivos de governo nem formação universitária. Torneiro mecânico formado pelo Senai e ex-líder sindical, construiu sua trajetória na política até conquistar o Planalto na quarta tentativa. Sua história é conhecida, mas ela também demonstra que não era necessário ter sido presidente ou possuir uma longa experiência administrativa para disputar e vencer a eleição. 

No campo da formação acadêmica e profissional, Flávio Bolsonaro apresenta um currículo mais robusto. Advogado, empresário e senador da República pelo Rio de Janeiro, reúne graduação em Direito, especialização em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV). 

Se Lula reivindica a experiência acumulada ao longo de seus mandatos, Flávio pode apresentar uma formação acadêmica mais extensa e diversificada. É um contraste legítimo, sobretudo quando o próprio presidente utiliza a experiência como argumento para convencer o eleitor de que estaria mais preparado para governar. 

A questão central, portanto, é por que a experiência de Lula deveria ser considerada um diferencial absoluto, enquanto a formação e a trajetória profissional de seu adversário seriam insuficientes para disputar a Presidência. Lula também chegou ao poder sem ter ocupado anteriormente o cargo de presidente e sem experiência na chefia do Executivo federal. Sua eleição não foi impedida por essas limitações. 

Se o argumento é que experiência se constrói ao longo da trajetória, Lula não pode tratar esse atributo como um privilégio exclusivo nem como uma credencial que encerra o debate. O eleitor deve comparar currículos, propostas, capacidade de gestão e resultados, sem aceitar que a experiência passada, isoladamente, substitua a discussão sobre o futuro do país. 

Além da discussão sobre currículos, Lula precisa enfrentar o desgaste provocado pelos problemas de seu governo: o peso das despesas públicas, a dificuldade de equilibrar as contas federais, a pressão dos juros elevados sobre o crédito e o custo de vida que afeta o orçamento das famílias. No campo político, a polarização permanece intensa, enquanto disputas com o Congresso dificultam a construção de consensos duradouros. Na área social, persistem desafios históricos, como a desigualdade, a insegurança alimentar e a precariedade dos serviços públicos em diversas regiões. 

A experiência que Lula tanto reivindica deveria ser cobrada também pelos resultados que entrega: afinal, depois de tantos anos na política e de vários mandatos presidenciais, o que realmente melhorou na vida dos brasileiros?

Imprensa sob suspeita: a seleção de manchetes favorece Lula na cobertura eleitoral?

Às 13h50 desta quarta-feira (14), a seção Poder Eleições 2026, do Poder360, reunia oito chamadas com enfoques variados, mas várias delas destacavam mobilizações favoráveis a Lula, ações de seu governo ou episódios envolvendo aliados e plataformas digitais. 

Entre os títulos estavam “Atos por virada de Lula lotam ruas em ao menos 37 cidades”, “PT recria propaganda sobre Hitler e compara Flávio a Collor” e “Com perdão para dívidas de MEIs, Lula completa R$ 248,7 bi de bondades”. 

Leitores vêm questionando, nas últimas semanas, se a seleção e a hierarquia dessas manchetes oferecem espaço equilibrado aos dois candidatos. 

A discussão ganhou outro componente com a divulgação da pesquisa PoderData/Aya, cuja manchete foi “Lula reage e vai a 49% contra 51% de Flávio, diz PoderData”. O resultado, apresentado com diferença de dois pontos percentuais, chama a atenção para a importância de analisar a metodologia, a margem de erro e o contexto do levantamento. 

O PoderData pertence ao grupo de comunicação responsável pelo Poder360, o que também torna relevante distinguir a divulgação editorial da pesquisa e a interpretação política de seus números. 

Veículos como Poder360, UOL e MSN são frequentemente percebidos por parte do público como fontes de informação apartidárias. Entretanto, a imparcialidade não depende apenas da veracidade de cada notícia, mas também da escolha dos assuntos, do destaque dado a cada personagem e da diversidade de perspectivas. 

A seleção de manchetes de um único horário não comprova, isoladamente, favorecimento político, mas constitui um ponto de partida para cobrar transparência nos critérios editoriais e avaliar, ao longo do tempo, se a cobertura oferece tratamento proporcional aos diferentes lados da disputa.

Matérias de hoje no Poder Eleições 2026:

  1. Atos por virada de Lula lotam ruas em ao menos 37 cidades  - 7h18
  2. Lula reage e vai a 49% contra 51% de Flávio, diz PoderData/Aya  - 7h15
  3. Caetano Veloso convoca ato-show pela democracia no Rio no domingo  - 7h45
  4. PT recria propaganda sobre Hitler e compara Flávio a Collor  - 13h
  5. Com perdão para dívidas de MEIs, Lula completa R$ 248,7 bi de bondades  - 13h23
  6. Com Exército do Lula fora do ar, Janones migra para o Instagram - 6h
  7. Meta bloqueia “Lula 13” mas libera “Flávio 22” na IA do WhatsApp - 13h23
  8. Lula usa óculos futuristas estilo cyberpunk em vídeo com jovens - 12h18

Dica do editor - Azeite de oliva pode ajudar a preservar a saúde do cérebro

Artigo analisa o papel do azeite de oliva na redução do declínio cognitivo 

Uma revisão de pesquisas recente examina como a adesão à dieta mediterrânea e o consumo de azeite de oliva extravirgem podem afetar positivamente a saúde cognitiva. Com base em metanálises envolvendo 730 mil participantes e evidências recentes de imagens por ressonância magnética, os pesquisadores concluíram que muitos dos mecanismos pelos quais o consumo de azeite de oliva e a dieta mediterrânea promovem a saúde cardiovascular e reduzem a inflamação também atenuam os impactos do comprometimento cognitivo leve, da doença de Alzheimer e da demência vascular. 

Ao analisar os dados, os pesquisadores investigaram os impactos da adesão à dieta mediterrânea sobre os fatores de risco cardiovasculares, os efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes do azeite de oliva extravirgem, o papel do azeite de oliva na prevenção do AVC e vários outros indicadores de saúde. 

“Em resumo, o estudo mostra que o azeite de oliva e a dieta mediterrânea contêm polifenóis anti-inflamatórios e outros componentes que geram uma resposta sistêmica para atenuar os fatores de risco vasculares, ao mesmo tempo em que oferecem efeitos neuroprotetores diretos para ajudar a prevenir o início da demência”, afirmou Aitor González-Cidad, principal autor do estudo e estudante do sexto ano de medicina na Universidade do País Basco. 

No entanto, os pesquisadores enfatizaram a necessidade de ensaios clínicos adicionais controlados por placebo para confirmar o papel nutricional benéfico do azeite de oliva extravirgem no declínio cognitivo associado à idade em idosos. 

“Pesquisas futuras devem determinar como esses mecanismos se traduzem na prática clínica, isolando o azeite de oliva extravirgem e seus polifenóis”, escreveram eles. 

Começando pelo papel da melhoria da saúde cardiovascular no comprometimento cognitivo, os pesquisadores descobriram que os pacientes que seguiam a dieta mediterrânea com azeite de oliva extravirgem apresentavam menor risco de hipertensão e obesidade, ambas fortemente associadas a doenças cardiovasculares e a sintomas de doenças vasculares ligados ao comprometimento cognitivo. 

Além disso, os pesquisadores indicaram que a dieta mediterrânea influencia diretamente os principais fatores patogênicos de uma das principais causas de doenças cardiovasculares, a aterosclerose, que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da demência vascular.  

A adesão à dieta mediterrânea alcançou isso por meio da redução da pressão arterial, da melhora dos perfis lipídicos e da redução da inflamação. 

Os pesquisadores também investigaram o papel da dieta mediterrânea e do azeite de oliva extravirgem na saúde vascular, cuja deterioração está diretamente associada à demência vascular, o segundo tipo mais comum de demência, depois da doença de Alzheimer. 

De acordo com a literatura científica, as doenças cerebrovasculares, incluindo acidente vascular cerebral, isquemia cerebral crônica e doença dos pequenos vasos subcorticais, são a principal causa da demência vascular. 

Os pesquisadores descobriram que a adesão à dieta mediterrânea está associada à prevenção do AVC isquêmico e hemorrágico, o que, por sua vez, reduz a incidência de demência vascular, acrescentando que a dieta mediterrânea ajuda a preservar a integridade e a função cerebrovasculares ao melhorar esses parâmetros metabólicos. 

Os pesquisadores destacaram ainda o papel específico do azeite de oliva extravirgem nessa proteção, observando que um estudo observacional com 239 pacientes com AVC isquêmico mostrou taxas mais elevadas de recanalização arterial completa com o consumo de azeite de oliva extravirgem do que com a adesão geral à dieta mediterrânea. 

Essa descoberta sugeriu que o azeite de oliva extravirgem produz efeitos vasculares únicos, distintos daqueles obtidos apenas com a dieta mediterrânea. 

Separadamente, os pesquisadores identificaram a redução do estresse oxidativo como um dos mecanismos mais significativos por meio dos quais a dieta mediterrânea e o consumo de azeite de oliva extravirgem impactam positivamente a saúde cognitiva. 

Eles observaram que o estresse oxidativo é um fator-chave no envelhecimento cerebral e na neurodegeneração, tornando-se um alvo importante para intervenções destinadas a retardar o declínio cognitivo.  

A literatura científica identificou que o acidente vascular cerebral e a isquemia cerebral, que ocorrem quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é reduzido, podem agravar ainda mais o estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial, processos associados a danos neuronais e à doença de Alzheimer. 

Por meio de sua análise, os pesquisadores descobriram que a dieta mediterrânea pode ajudar a combater esses efeitos por meio de seus compostos antioxidantes, incluindo as vitaminas C e E, que reduzem o estresse oxidativo e têm sido associadas a melhores resultados cognitivos.  

Os pesquisadores destacaram o papel do ácido oleico, do hidroxitirosol e do oleocanthal na redução do estresse oxidativo, no aprimoramento da função endotelial e na modulação das cascatas inflamatórias implicadas na doença dos pequenos vasos cerebrais, que está “intimamente relacionada” à patogênese da demência vascular. 

Eles acrescentaram que os efeitos positivos do azeite de oliva extravirgem sobre a circunferência da cintura, os triglicerídeos, a glicemia em jejum, a lipoproteína de alta densidade (HDL) e os fatores inflamatórios sistêmicos também estão diretamente ligados à redução do risco cerebrovascular. 

Os pesquisadores também descobriram que o azeite de oliva extravirgem atua como um potente potenciador da saúde mitocondrial, aumentando a geração de ATP e melhorando os índices cognitivos em modelos com ratos. 

Além disso, acrescentaram que a adesão à dieta mediterrânea tem sido associada a um menor risco de acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos devido à redução da inflamação e à melhora da função endotelial. O acidente vascular cerebral é uma das principais causas da demência vascular. 

Analisando especificamente o papel do consumo de azeite de oliva extravirgem e do comprometimento cognitivo, os pesquisadores confirmaram ainda que os mecanismos anti-inflamatórios de dietas ricas em ácidos graxos monoinsaturados, antioxidantes e polifenóis presentes no azeite de oliva extravirgem reduzem significativamente a interleucina-6, uma citocina pró-inflamatória associada à doença de Alzheimer. 

Demonstrando como as associações positivas do azeite de oliva extravirgem com a saúde cognitiva estão interligadas, os pesquisadores afirmaram que esses compostos melhoram a função mitocondrial, o que também reduz o estresse oxidativo e melhora a função endotelial.  

A melhora na função endotelial, por sua vez, leva o corpo a fenótipos metabólicos mais saudáveis e modula a expressão de genes relacionados ao metabolismo lipídico e à sensibilidade à insulina, entre outros mecanismos

Voltando ao papel do azeite de oliva extravirgem no comprometimento cognitivo, os pesquisadores destacaram que ensaios pré-clínicos mostram que os polifenóis podem influenciar a hiperfosforilação da proteína tau e as agregações de beta-amilóide, dois mecanismos fisiopatológicos centrais da doença de Alzheimer. 

Os pesquisadores também investigaram a relação entre os polifenóis do azeite de oliva extravirgem e o declínio cognitivo.  

Eles descobriram que o hidroxitirosol, o oleocanthal, a oleuropeína e a luteolina foram todos associados, em estudos pré-clínicos, à modulação de mecanismos-chave da doença de Alzheimer. 

Mais especificamente, eles descobriram que o oleocanthal e a oleuropeína inibem a formação de oligômeros e fibrilas neurotóxicas da proteína beta-amilóide e facilitam a desagregação de estruturas amilóides pré-formadas.

Também foi demonstrado que o oleocanthal ativa o processo autofágico, que ajuda a eliminar detritos celulares e a melhorar a função mitocondrial, protegendo contra a doença de Alzheimer. 

Esses polifenóis reduziram de forma semelhante a fosforilação e a agregação da proteína tau, enquanto outros compostos fenólicos demonstraram reduzir a neuroinflamação crônica ao diminuir a ativação microglial e reduzir os níveis de citocinas inflamatórias. 

Esses compostos fenólicos também demonstraram inibir as vias da p38 MAPK, que estão envolvidas no estresse oxidativo e na neurodegeneração, e ajudar a quebrar o ciclo de toxicidade amilóide, reduzindo a morte neural.Do altamente científico ao mais cotidiano, os pesquisadores também examinaram o impacto da dieta mediterrânea no sono e no humor. 

Eles descobriram que uma maior adesão à dieta mediterrânea estava associada a melhor qualidade do sono e a um sono mais estável, “proporcionando um mecanismo plausível para a neuroproteção”, já que o sono de má qualidade tem sido associado ao comprometimento cognitivo e ao risco de demência. 

Eles acrescentaram que a adesão à dieta mediterrânea melhora os marcadores de inflamação e estresse oxidativo, sugerindo um impacto benéfico na apneia do sono e na melhoria da circulação glinfática durante o sono, o que favorece a função cognitiva. 

Com novas pesquisas sobre o assunto previstas para serem publicadas nos próximos meses, os pesquisadores afirmaram que os médicos deveriam considerar mais seriamente a incorporação da dieta mediterrânea aos programas de tratamento para pessoas em risco de comprometimento cognitivo. 

“A dieta mediterrânea deve ser enfatizada pelos médicos em futuras estratégias alimentares e não farmacológicas especificamente concebidas para mitigar os principais fatores de risco para a demência”, escreveram eles. 

“Embora os benefícios gerais da dieta mediterrânea estejam bem documentados, há a necessidade de sintetizar os dados mais recentes, que datam de 2020, sobre os mecanismos neuroprotetores específicos do azeite de oliva extravirgem e como essas intervenções se correlacionam com resultados clínicos mensuráveis”, concluíram os pesquisadores. 

Por Daniel Dawson | Site Olive Oil Times