Artigo, Dagoberto Lima Godoy - Recuar para continuar

Há momentos em que a coragem exige permanecer; em outros, sobreviver para prosseguir na luta. 

Em 622, Maomé deixou Meca sob perseguição e estabeleceu em Medina a comunidade que sustentaria a expansão do Islã. Séculos depois, refugiado no castelo de Wartburg, Lutero traduziu o Novo Testamento para o alemão, ampliando o alcance da Reforma. Bolívar encontrou no Haiti apoio para retomar suas campanhas pela independência. Em 1940, de Gaulle partiu para Londres e organizou a França Livre. Oliver Tambo conduziu do exterior parte essencial da luta contra o apartheid. O Dalai Lama preserva no exílio a voz e as tradições de seu povo. 

São causas e trajetórias distintas, mas todas ajudam a compreender que uma retirada pode preservar a capacidade de resistência.

Rui Barbosa buscou no exílio proteção contra a perseguição política durante o governo de Floriano Peixoto. De Londres, continuou a defender as liberdades e a criticar os rumos da República nos textos reunidos em Cartas de Inglaterra. Fernando Henrique, ameaçado após 1964, encontrou no exílio condições para continuar seu trabalho intelectual. Ao regressar, participou da luta pela redemocratização e chegou à Presidência.

O refúgio, por si só, não demonstra coragem nem covardia. Seu significado se revela no que vem depois. Quando a retirada permite reconstruir a ação pública e manter o compromisso com o bem comum, ela se torna expressão de resiliência cívica: a capacidade de atravessar a adversidade sem abandonar a responsabilidade perante a comunidade.

Opinião do editor - Tarcísio confessa que preferia ver Flávio ser preso por Moraes

Tarcísio ignorou que 7 minutos depois de divulgados os resultados, a PF já pedia a Moraes a prisão, a cassação dos passaportes,  a proibição de saída do País e o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Ao fazer isto, deixou claro que preferia vê-lo preso por Moraes, porque era isto que iria acontecer inevitavelmente.

O governador Tarcísio Gomes de Freitas concedeu longa entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo e disse que o senador Flávio Bolsonaro não deveria sair do País.

“O conselho que nós demos a ele –os advogados, eu, o [Rogério] Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas– foi que ficasse [no Brasil]”, afirmou o governador de São Paulo. “Mas é o que eu falo: eu não julgo a decisão que foi tomada porque é muito duro passar… ele está com o pai preso aí há quanto tempo?”, declarou. Tarcisio disse que Flávio deveria usar os recursos judiciais existentes.

O governador ignorou por completo a existência do consórcio STF (MoraES)+Governo do PT (Luila) que governa de modo discricionário, mantendo o pai de Flávio em prisão incomunicável e o irmão do senador exilado, ambos sob perseguição judicial, policial e política implacáveis.