Ceitec fornecerá chips para passe livre das praças de pedágios da EGR

O presidente da Ceitec, Paulo Luna, que comanda esta empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) que atua no segmento de semicondutores, e que foi recebido ontem a noite pelo editor junto com um grupo de convidados, assinou nesta segunda-feira contrato com a EGR, empresa pública que administra as estradas com pedágio pertencentes ao Estado do Rio Grande do Sul, para fornecimento de solução contendo chip de identificação veicular (CTC13010). 

Além de Paulo Luna, estiveram com o editor o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato, o presidente da Procergs (Antonio Ramos), além dos advogados Pio Cervo e Bruno Dorneles, o jornalista Mário Petek, o coronel Paulo Mendes e o publicitário Valdir Loeff. 

O documento assinado ontem com a EGR, estabelece cláusulas comerciais e a previsão de demanda de aquisição do chip: 110 mil unidades em 12 meses. O produto da Ceitec será utilizado para solução automática de controle dos veículos isentos nas 14 praças de pedágio controladas pela EGR no Rio Grande do Sul. O contrato tem validade de um ano, podendo ser prorrogado.


O dispositivo da Ceitec pode ser utilizado para pagamento automático de pedágios, aplicado por meio de tags passivas coladas nos para-brisas dos automóveis, que possibilitam que ele seja reconhecido nas cancelas automáticas de pedágios e estacionamentos.

Planilha mostra uso de dinheiro sujo da Odebrecht no sítio de Atibaia

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou ao juiz Sérgio Moro nesta segunda-feira uma planilha que mostra supostas movimentações financeiras feitas pelo setor de propinas da Odebrecht, cujo destino seria o pagamento de obras de um sítio em Atibaia, no interior paulista.

A planilha foi entregue ao MPF pelo ex-funcionário da empresa, Emyr Diniz Costa Júnior, que alegou ter feito uma cópia do documento no sistema de computador Drousys, usado pela Odebrecht para a comunicação sigilosa entre os funcionários. Costa Júnior é um dos delatores ligados à empreiteira, e a investigação indica que ele foi o engenheiro responsável pelas obras no imóvel. A planilha aponta movimentações financeiras que totalizam R$ 700 mil. De acordo com o MPF, uma cópia idêntica do documento foi encontrada dentro de discos rígidos que contêm todos os dados armazenados no sistema Drousys e que foram apreendidas durante as investigações da Lava Jato.
Ainda de acordo com a defesa de Costa Júnior, a planilha mostra que os valores pagos em 2010 foram repassados pela equipe do chefe do setor de propinas da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, por intermédio da secretária Maria Lúcia Tavares. Eles dizem que todo o dinheiro foi empregado na obra da reforma do sítio em Atibaia.

O imóvel é objeto de um processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de receber propina da empreiteira por meio das reformas no imóvel.

Na planilha há indicações de quatro repasses de dinheiro. O documento aponta que os pagamentos foram feitos entre os dias 16 e 30 de dezembro de 2010, no último ano do governo Lula. Segundo a planilha, os pagamentos foram de R$ 300 mil, R$ 120 mil, R$ 197,9 mil e R$ 2,1 mil.

DEM quer trocar mandos nos Estados

O DEM quer abrir as portas para pelo menos mais 15 deputados federais e para acomodar estes novos interessados o Partido vai mudar.

A começar pelos diretórios estaduais. Alguns comandos poderão mudar de mãos.

De imediato.

Artigo, Tito Guarniere - Scheffel por ele mesmo

A exposição de Ernesto Frederico Scheffel, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul - MARGS, é um dos eventos mais relevantes da arte riograndense e brasileira. Scheffel é um artista incomum. Certamente o seu nome está inscrito entre os maiores do país.

Scheffel é artista de dois mundos, a sua trajetória e as suas criações se bipartem entre o Brasil e a Itália. Em cada lugar em que viveu e produziu as suas obras foi recolhendo percepções de mundo, conhecimento técnico e concepções estéticas, que se acumularam em equilíbrio e perfeccionismo. Daí resultou um artista único e genial, de talentos múltiplos (era pintor, escultor, restaurador, músico e poeta), um desses raros personagens que alcança o estado da graça, literalmente, causando-nos gáudio e surpresa, e elevando o patamar da manifestação artística, da expressão do belo.

A mostra se deve, sobretudo, à iniciativa do grande amigo de Scheffel, o médico Rolf Zelmanowicz, incentivador das artes, criador da Pinacoteca APLUB de Arte Riograndense, hoje da Fundação de Crédito Educativo. Eram tão amigos que Scheffel, já doente, passou os últimos meses na casa de Rolf, na Vila Nova, antes de morrer em 2015. A curadoria da mostra é do competente Ângelo Reinheimer.

A exposição abre em alto estilo com uma coletânea de quadros de artistas que influenciaram Scheffel, como ele mesmo, ainda em vida, reconheceu. São obras de mestres renomados do Rio Grande, como Fahrion, José Lutzenberger, Castañeda e Fernando Corona.

Depois, a emoção de ver os quadros, a revelação de figuras humanas desenhadas com o toque sutil do mestre, a mão que deslisa gentil, com desvelo e precisão, que cria, acentua e degrada a cor, a sombra, a luz, que insinua o movimento, que exprime sensações e sentimentos, às vezes uma projeção, às vezes uma volta no tempo.

Tudo é figura, magistralmente exposta, como se o artista tivesse - de certa maneira - vivido no Renascimento, e de um salto, quase sem escalas, tenha atravessado os séculos e pousado entre nós. Não foi sem propósito que Scheffel morou muitos anos em Florença.

O erotismo em Scheffel, parece envolto em um manto diáfano, que inspira e respira uma sensualidade serena, amorosa, jamais vulgar. Os pais podem levar seus filhos de certa idade sem susto, eles sairão da exposição elevados em espírito e apenas saciados de arte e beleza.

Na ala dos retratos, desfilam rostos e perfis de personagens de Scheffel, que ele retratou de meados dos anos 50 até o ano 2000. Retratos que nascem - é Scheffel quem fala - "do relacionamento de artista e retratado que decidem remover as máscaras, uma a uma, num ritual de concessão das diferentes formas assumidas pelo indivíduo", "no pacto comum que se transforma em obra de arte". Você verá em cada um daqueles semblantes, misturados e visíveis, mistérios e sensações, que dialogam quase em voz alta com o expectador extasiado.


Conselho que dou de graça: corra para ver a imperdível exposição que vai até 05 de dezembro, de terças a domingos, das 10h às 19h. Você sairá mais leve. Com todas as sombras ao nosso redor, ainda assim você dirá que a vida vale a pena.


mailto:titoguarniere@terra.com.br

Artigo, Marcelo Aiquel - Manuela D'Ávila candidata

Artigo, Marcelo Aiquel - Manuela D'Ávila candidata

         A maior aberração do ano (e olha que em 2017 tivemos muitas, só em Brasília, por ex., foram várias) é – sem dúvida alguma – o lançamento da deputada comunista Manuela D’Ávila para disputar a presidência do Brasil em 2018, representando o PC do B.
         Por favor, parem o carro que eu quero descer!
         Pois, tudo tem limite. Até as piadas de extremo mau gosto, como esta dos comunistas escolherem a MANU MENTIRA como sua candidata.
         Vivendo no RS aprendi, há muito, a “filtrar” tudo que a Manuela diz, sempre com aquela tremenda cara de pau fantasiada de menina séria.
         Ela MENTE descaradamente (até rimou....) quando defende a sua ideologia comunista. Ideologia de araque, eis que – quando viajou para comprar o enxoval do bebê que estava gestando – foi para a Capital do capitalismo, e não para algum centro comunista.
         Ela aparece seguidamente dando “aulas” de história que somente consegue convencer àqueles fanáticos comunistas que nunca estudaram uma linha sequer fora dos ensinamentos de Karl Marx. Leram e não entenderam “bulhufas”!
         A MANU consegue falar as maiores barbaridades (mentiras) com uma carinha e um tom de voz que até engana... aos néscios, óbvio! Ela finge que sabe do que fala, mas apenas repete aquilo que escuta dos seus “camaradas”. Por isto recebe tantos votos. Porque, além dos tolos, ela ainda tem a simpatia de gente irresponsável que vota como se estivesse brincando na rua.
         Se mantida esta candidatura – o que, sinceramente, eu não creio – me arvoro em fazer uma previsão: ela, a MANU MENTIRA, possivelmente tire o último lugar entre todos os postulantes ao cargo de presidente.

         Competência para tanto ela tem. De sobra.

Previdência é uma usina de injustiças sociais

Previdência é uma usina de injustiças sociais
Editorial, O Globo
Com sua grande capacidade de criar situações inusitadas, a política brasileira gerou um presidente improvável, Michel Temer, em decorrência do impeachment da titular do governo, e colocou à frente dele a missão de empreender uma operação político-parlamentar vital, a fim de viabilizar no Congresso reformas sem as quais o país não terá horizonte positivo previsível. E, sem isso, a economia não voltará a decolar, a gerar empregos.
Há, como em toda situação como esta, uma dura guerra de informações. E vale tudo, até garantir que a Previdência, em vez de déficit, tem superávit, mágica realizada ao se destinarem ao sistema do INSS receitas já gastas em outras despesas.
A verdade é que, entre outras distorções, todo o aparato de seguridade brasileiro — incluindo os servidores públicos — é uma eficiente máquina de produzir disparidades e injustiças sociais.
Esta realidade ficou visível na dita greve geral contra as reformas, em que foram responsáveis pelos protestos basicamente militantes partidários e sindicalistas, estes preocupados com a perda do dinheiro fácil do imposto sindical, tornado optativo pelas mudanças feitas na legislação trabalhista até agora.
A crise tem permitido se constatarem as disparidades entre aposentarias de servidores e de empregados da iniciativa privada, e mesmo entre estes. Dois terços dos aposentados fora do setor público recebem benefício de um salário mínimo, enquanto, a depender do segmento da máquina do Estado em que o servidor se aposenta, ele pode receber até 30 vezes mais.
A reforma em discussão estabelece que servidores admitidos antes de 2003 — os contratados posteriormente já obedecem ao limite de benefício do INSS — terão de atingir o limite de 65 anos de idade, mediante uma regra de transição como para todos os demais, a fim de que possam manter o último salário e receber os reajustes do pessoal da atividade — privilégios protegidos pelo princípio do direito adquirido.
Mas nem isso esses servidores aceitam. Compreende-se a dificuldade de se entender a realidade quando ela é adversa. Mas, ao chegar a consumir cerca de 40% da despesa primária da União (sem os juros da dívida), é lógico que algo precisa ser feito na Previdência. Mesmo que a economia volte a crescer a curto prazo, não é mais possível manter um sistema em que as pessoas se aposentam em média aos 58 anos, com longa sobrevida à frente.
Mesmo entre os aposentados do setor privado há injustiças. Como revelou O GLOBO de ontem, o Brasil gasta em aposentadorias e pensões de pessoas com menos de 60 anos 2,2% do PIB (dado de 2015), contra 1,1% nos países da União Europeia, índice que chegará a 0,6%.

Os brasileiros que conseguem se manter no mercado formal — mais instruídos, por certo — têm conseguido se aposentar mais cedo. Os mais pobres, quase sempre trabalhando sem vínculo empregatício, aposentam-se mesmo aos 65 anos, o teto estabelecido pela atual reforma. Mas é em nome deles que se grita nas ruas contra as mudanças.

Artigo, Mary Zaidan - O povo não é bobo

Artigo, Mary Zaidan - O povo não é bobo

No palanque, o ex Lula, travestido de alvo das elites, prega que o “povo não tem de pagar imposto de renda sobre salário”. Na outra ponta, o deputado Jair Bolsonaro promete que todos os brasileiros terão armas de fogo.
Nada que, digamos educadamente, seja factível ou habite as prioridades do cidadão.

Primeiro e segundo colocados nas pesquisas de intenção de voto a um ano da eleição presidencial, ambos discursam com doses idênticas de irresponsabilidade.

Como jogam quase sozinhos estão contabilizando sucessos. Boa parte deles, fora da lei.

Mas as vantagens da antecipação deslavada -- à qual a Justiça eleitoral fecha os olhos, deixando ferir a isonomia entre os pretendentes futuros já na fase preliminar -- podem custar caro mais à frente, quando e se o eleitor vier a exigir propostas dos concorrentes.

Como Bolsonaro pretende armar todo o povo? Vai criar a bolsa-revólver?

O que Lula, que governou o país por oito anos consecutivos e não desonerou o salário de IR enquanto podia, vai dizer ao trabalhador? Como explicará as benesses que deu às elites que condena no papo? O que mesmo ele tem para oferecer além da prometida revogação dos atos do presidente Michel Temer, escolhido a dedo por ele para compor a chapa com sua pupila Dilma Rousseff?

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Pretende reeditar a escalada de consumo que escamoteou a pobreza, permitindo a compra da TV nova perdida no carnê do desemprego? Ou escolher novas empresas campeãs nacionais, “eikes e joesleys” para assaltar o Estado com subsídios, financiamentos e concessões generosas? E novamente enriquecê-los com facilidades para financiarem o rei e seus amigos.

Tanto Lula quanto Bolsonaro vão precisar mais do que boa lábia.

Políticos em geral e candidatos em particular tendem a abusar da repetição enfadonha dos reclames por mais segurança, mais emprego, mais saúde, mais educação, mais e mais daquilo que eles prometem toda eleição e não entregam. Falam o que acham que o público quer ouvir, sem qualquer lastro com a realidade ou compromisso futuro.

Mas, diante do estado de corrupção generalizada em quase todos os motores da máquina pública, impostos estratosféricos e serviços de péssima qualidade, dificilmente o eleitor vai se iludir com as bravatas de sempre.

Enganam-se os que de antemão só veem espaços para aventureiros quando a crise se agudiza. Por vezes, ela funciona como bússola e orienta o eleitor a rejeitar discursos vazios e exigir propostas mais viáveis, por vezes até duras. Foi assim na França de Emmanuel Macron e até na vizinha Argentina de Mauricio Macri.

Não é preciso ir longe. Há exemplos caseiros, como o do governador Mario Covas, que, para desespero dos marqueteiros da época, antecipou, durante a campanha de 1994, que não concederia reajuste ao funcionalismo público paulista. Venceu as eleições.

Há chances concretas de o eleitor levar a sério alguém que aponte com firmeza – e sem fantasias – um plano para revolucionar a estrutura de segurança pública que tem se mostrado ultrapassada e ineficiente na maioria dos estados. Ou para universalizar o Ensino Médio, que hoje atrai pouco mais de 50% dos jovens, sendo que mais de 40% deles abandonam o curso antes de concluí-lo. Ou ainda para reparar o absurdo de 35 milhões de brasileiros sem água tratada e mais de 100 milhões sem acesso à coleta de esgoto quanto mais a tratamento, que só chega a 42% do montante coletado. Tudo a condenar populações imensas ao subdesenvolvimento e à miséria eterna.

Concordando ou não com ele, o estudo Um ajuste justo, apresentado pelo Banco Mundial na semana que passou, é um bom início de conversa.

Nas 160 páginas dele há propostas ousadas que vão desde reformas radicais na Previdência e no sistema de assistência, à adequação das universidades públicas à paridade social, cobrando dos que têm maior poder aquisitivo – e que são maioria dentro delas - para subsidiar os mais pobres. Sugere ainda o congelamento de salários de servidores, que, na média, ganham mais do que o dobro de seus semelhantes na iniciativa privada.
O embate ficaria mais encorpado, mais rico e digno se fosse travado em torno da concordância ou discordância de propostas dessa natureza.

Os palanqueiros de sempre – Lula à frente – vão resistir a ele. Até porque não suportam o debate de ideias. Nada do que difere do que eles pensam pode, nem hipoteticamente, ser proveitoso, quando mais bom.

Para Bolsonaro, tudo que vier é lucro. Para o ex Lula, a encarnação de mártir foi escolhida há tempos e cabe em qualquer figurino: na vitória ou na derrota, na glória ou na prisão.


Talvez não se atentem para dois fatos: intenção de voto um ano antes da eleição irriga o ego, mas pouco mede. E o eleitor não é trouxa.