Três pesquisas de intenção de voto divulgadas nesta semana – Quaest, AltasIntel e Instituto Paraná – sobre a disputa ao Palácio Piratini apontam que o deputado federal Luciano Zucco (PL) e a ex-deputada Juliana Brizola (PDT) polarizam a eleição no Rio Grande do Sul. O vice-governador Gabriel Souza (MDB) e o ex-prefeito de Guaíba Marcelo Maranata (PSDB) permanecem com baixa densidade eleitoral.
Com isso, aumenta a possibilidade de Zucco e Juliana disputarem o segundo turno. Como consequência, a chamada surpresa eleitoral, uma característica dos pleitos gaúchos desde 2002, se torna improvável. Neste quadro de provável segundo turno entre Zucco e Juliana, o deputado do PL tem um favoritismo parcial.
Na Quaest, divulgada nesta quinta-feira (24), Zucco aumentou a distância em relação a Juliana de três para seis pontos percentuais. Embora tenhamos um quadro de empate técnico – a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos – vale observar que comparado ao final de agosto, Zucco avançou três pontos enquanto Juliana ficou estagnada. Gabriel Souza, mesmo com a exposição no horário eleitoral, oscilou positivamente apenas um ponto.

Na Quaest, também é importante observar que Luciano Zucco lidera a menção espontânea. Ele registra 20% das preferências. Juliana Brizola soma 10%. Gabriel Souza fica com apenas 5%.
Embora tenhamos 61% de indecisos na espontânea – e 25% na estimulada – é improvável que Gabriel consiga quebrar a polarização. Além do desgaste natural de representar um projeto político que está há 12 anos no poder, hoje, a rejeição de Gabriel (20%) supera sua intenção de voto (10%). Outro aspecto a ser considerado é que 67% dos eleitores afirmam que sua decisão de voto é definitiva. 33% ainda podem trocar de candidato.
Na simulação de segundo turno, Luciano Zucco tem seis pontos de vantagem sobre Juliana Brizola (40% a 34%). Comparado a simulação de agosto, Zucco cresceu sete pontos (33% para 40%) enquanto Juliana oscilou negativamente dois pontos (36% para 34%).
Mesmo que Zucco e Juliana possam estar tecnicamente empatados no limite da margem de erro – três pontos percentuais para mais ou para menos – as curvas de crescimento nas menções estimulada e espontânea de primeiro turno, assim como na simulação de segundo turno, são favoráveis a Zucco. Soma-se a isso o fato do candidato do PL ter uma rejeição mais baixa que a representante do PDT (23% contra 35%).
Nota-se que os números da Quaest mostram um quadro similar à do AtlasIntel. Mesmo que as metodologias desses institutos sejam disputas, o quadro de polarização entre Zucco e Juliana não é modificado. No AtlasIntel, Zucco também leva vantagem sobre Juliana em um eventual segundo turno, mas com uma vantagem maior: 49,7% a 39,3%.

A mesma tendência – polarização entre Luciano Zucco e Juliana Brizola, com vantagem para o candidato do PL, e Gabriel Souza em dificuldades para avançar – foi apontada pela pesquisa do instituto Paraná no último final de semana.

Embora mudanças de última hora não devam ser totalmente descartadas, principalmente porque uma parcela do eleitorado está definindo seu voto cada vez mais tarde, neste ano, a possibilidade de mudanças é improvável pelos seguintes aspectos:
1) Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) polarizam a disputa ao Palácio Piratini nas pesquisas dos mais diferentes institutos sem serem ameaçados por Gabriel Souza (MDB) ou Marcelo Maranata (PSDB);
2) As surpresas eleitorais, quando ocorreram, foram registradas por candidatos que não eram governo – Rigotto (2002), Yeda (2006), Sartori (2014), Leite (2018) e Edegar (2022) – e não carregavam desgastes;
3) O RS tem tradição de alternância de poder – somente Eduardo Leite conseguiu quebrar essa tradição em uma circunstância muito específica;
4) Zucco tem uma intenção de voto sólida, além de ter conseguido unir a direita. Juliana, por sua vez, aglutinou a esquerda. Em 2022, por exemplo, a fragmentação da esquerda foi um dos motivos que ajudou Leite a não ser ultrapassado por Edegar Pretto no primeiro turno.
O favoritismo parcial de Luciano Zucco pode ser explicado por uma campanha bem concebida. O slogan “Muda que dá” teve efeito positivo. Zucco também tem sido eficiente em se apresentar como um candidato de mudança e com atitude, conseguindo firmar a imagem de um líder “leve”, mesmo em meio a forte polarização.
Juliana Brizola, embora venha realizando esforços de linguagem e estética política para tentar transparecer uma candidatura de centro-esquerda, a rejeição ao PT, seu principal aliado, é um obstáculo. Vale observar que Juliana, embora tenha se mantido na segunda posição, não consegue avançar além dos 30% a 35%, piso tradicional da esquerda.
Gabriel Souza, embora venha realizando uma campanha bem posicionada, buscando construir a imagem de quem é experiente, irá manter as conquistas de Eduardo Leite e avançar no que é necessário mudar, não consegue converter isso em votos. Outro obstáculo é que Gabriel não consegue se tornar conhecido – a Quaest aponta que 59% dos gaúchos ainda desconhecem o vice-governador, índice bem superior aos percentuais de Zucco (40%) e Juliana (29%).
De acordo com a Quaest, apesar da aprovação do governo Eduardo Leite superar a desaprovação (52% a 38%), 48% afirmam que Leite não merece eleger o sucessor – 42% dizem que sim.
Apesar dos percentuais de aprovação do governo estadual ter crescido (42% para 52% em relação a agosto), assim como o índice dos que avaliam que o governo merece fazer o sucessor (33% para 42%), isso não tem sido suficiente para capitalizar eleitoralmente Gabriel. Mesmo tendo boa popularidade na reta final do mandato, está prevalecendo o sentimento de mudança, já que o governo estadual também carrega desgastes.
Embora o segundo turno entre Zucco e Juliana tenda a ser acirrado, o candidato do PL está em vantagem. Pelos sinais que vem emitindo, Zucco conciliará a estratégia traçada no primeiro turno com a nacionalização do debate político dentro do objetivo de explorar a aliança de Juliana Brizola com Lula e o PT, impondo dificuldades para sua adversária superar.