VEJA: Registros do Planalto confirmam encontros de Vorcaro com operador ligado a grupo de Padilha

Registros de acesso ao Palácio do Planalto indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, esteve no local em pelo menos duas ocasiões, em março e abril de 2024, acompanhado de Júlio Cezar, apontado pelo banqueiro como operador de um grupo ligado ao ministro Alexandre Padilha. As informações foram publicadas pela revista VEJA nesta terça-feira (13). 

Segundo a reportagem, os registros da Presidência coincidem com informações encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e com relatos incluídos em uma proposta de delação apresentada pelo empresário às autoridades. O material descreve articulações para ampliar a atuação do Banco Master junto a fundos de pensão ligados a empresas públicas. As acusações, porém, não equivalem a conclusões judiciais sobre a responsabilidade dos citados. 

Encontros ocorreram em março e abril de 2024 

De acordo com os dados de acesso mencionados por VEJA, Vorcaro e Júlio Cezar registraram suas entradas no Planalto às 14h33 de 1º de março de 2024. O segundo encontro conjunto ocorreu em 3 de abril daquele ano, quando ambos foram registrados às 17h29. 

Na versão apresentada pelo banqueiro em sua proposta de delação, a primeira reunião teria envolvido Alexandre Padilha, o então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto, e outros interlocutores. Vorcaro afirma que Júlio atuava na articulação de encontros com dirigentes de fundos de previdência. 

A reportagem também relata que mensagens extraídas do celular do banqueiro indicariam que Júlio coordenava agendas em Brasília e intermediava contatos com representantes de instituições responsáveis pela administração de recursos previdenciários. 

Proposta de delação menciona R$ 10 bilhões em captações 

O relato atribuído a Vorcaro descreve um suposto plano para captar até R$ 10 bilhões junto a fundos de pensão de servidores da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Em contrapartida, segundo a acusação apresentada pelo banqueiro, integrantes do grupo receberiam pagamentos equivalentes a 10% dos valores captados. 

A proposta mencionaria, assim, até R$ 1 bilhão em supostas propinas. O documento também relata um pagamento de R$ 500 mil a Júlio Cezar, que teria ocorrido após a inclusão do Banco Master na lista de instituições autorizadas a operar com determinados fundos previdenciários. 

Segundo a revista, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram a proposta de delação. A reportagem afirma que as autoridades consideraram insuficientes as provas apresentadas para avançar na investigação daquele relato. Portanto, os valores e as supostas contrapartidas descritos permanecem vinculados às alegações do banqueiro, e não a uma condenação judicial. 

Fundos de pensão estão no centro das suspeitas 

Entre as instituições citadas no material estão a Previ, ligada aos funcionários do Banco do Brasil; a Petros, dos trabalhadores da Petrobras; a Postalis, dos empregados dos Correios; e a Funcef, dos funcionários da Caixa. 

A reportagem relata que Vorcaro buscava ampliar a distribuição de títulos financeiros do Banco Master entre investidores institucionais. As mensagens atribuídas ao banqueiro e a seus interlocutores indicariam tentativas de agendar reuniões com dirigentes dessas entidades e de viabilizar operações financeiras. 

O episódio também levanta questões sobre os critérios de avaliação de risco, a governança dos fundos e a independência das decisões de investimento. Essas instituições administram recursos destinados ao pagamento de benefícios previdenciários, o que torna essencial a observância de regras de prudência, transparência e proteção do patrimônio dos participantes. 

Governo nega envolvimento nas irregularidades 

Conforme a reportagem de VEJA, Alexandre Padilha e Olavo Noleto negaram envolvimento em irregularidades relacionadas aos negócios de Vorcaro. A publicação também informa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros nomes citados refutaram as acusações. 

O ministro e os demais envolvidos devem ter suas manifestações consideradas na avaliação dos fatos. A existência de registros de entrada no Planalto comprova a realização de visitas, mas não demonstra, isoladamente, que os participantes tenham cometido crimes ou participado de eventuais pagamentos ilegais. 

O caso reúne, portanto, duas dimensões distintas: os encontros institucionais registrados pela Presidência e as acusações de um suposto esquema financeiro descrito em uma proposta de delação rejeitada pelas autoridades. 

A apuração sobre eventuais irregularidades depende da análise de documentos, transações financeiras, comunicações e demais elementos que possam confirmar ou afastar as alegações. Até que haja conclusões das autoridades competentes, é necessário distinguir os fatos documentados das declarações atribuídas ao banqueiro.

Carta do leitor - Zucco, não caia na armadilha da RBS

Zucco, não caia na armadilha da RBS: O afago de hoje pode custar milhões amanhã

Opinião do leitor, Rodrigo Alves, jornalista 

O novo governador gaúcho precisa abrir os olhos. O súbito interesse do Grupo RBS pelo governador e seus principais assessores, com espaços para entrevistas de assessores, pautas favoráveis, colunas, fotos e vídeos em seus veículos, merece ser observado com desconfiança por quem conhece a força e os interesses comerciais da maior estrutura de comunicação do Rio Grande do Sul. 

A imprensa tem todo o direito de entrevistar quem quiser, mas o eleitor também tem o direito de questionar por que determinadas portas parecem se abrir com tanta facilidade quando um novo governo está prestes a assumir. 

Na visão de um eleitor da direita, que há anos não se identifica com a linha editorial da RBS TV, é difícil ignorar a possibilidade de que essa aproximação tenha segundas intenções: conquistar espaço, influência e boa vontade junto ao futuro governador antes da definição dos contratos publicitários dos próximos quatro anos. 

O histórico de dinheiro público destinado a eventos ligados ao grupo reforça a necessidade de vigilância. Em dos exemplos, no caso do Planeta Atlântida 2023, 24, 25 e 2026, foram divulgados patrocínios estaduais de mais de R$ 5 milhões envolvendo Banrisul, Secretaria de Comunicação e Detran, durante o governo Eduardo Leite. 

A pergunta que não pode ficar sem resposta é direta: por que o contribuinte deve financiar, com milhões de reais, um festival privado promovido pelo grupo que também controla importantes veículos de comunicação do Estado? 

Zucco não pode chegar ao Piratini e simplesmente renovar práticas do governo anterior. Cada contrato precisa passar por uma análise rigorosa, com critérios públicos, retorno demonstrável e prestação de contas. A publicidade oficial não pode funcionar como um cheque em branco para grandes grupos de mídia. 

O eleitor que ajudou a eleger Zucco não votou para ver o novo governador cair nos braços de um conglomerado de comunicação cuja linha editorial muitos conservadores criticam e sempre foi critica a seu principal líder, Jair Bolsonaro, contribuindo muito para a sua prisão. Tampouco votou para assistir a uma reaproximação automática com Eduardo Leite, que declarou não apoiar nenhum dos candidatos no segundo turno, embora sua posição política seja reconhecida por todos da direita. 

A RBS sabe muito bem o peso que tem no debate público e sabe que manter boas relações com o governo pode ser comercialmente relevante. Por isso, Zucco precisa entender que microfone aberto, entrevista em horário nobre e manchete favorável não são presentes desinteressados. O governador eleito deve conversar com todos, mas não deve confundir exposição midiática com apoio político, nem cordialidade jornalística com compromisso editorial. 

A mensagem ao novo governador é simples: não troque a confiança de quem votou na direita pelo conforto de aparecer bem na RBS. E não permita que a conta dessa aproximação seja paga no ano que vem com o dinheiro do contribuinte.

Dica do editor - Olhos biônicos prometem recuperar parte da visão

Tecnologias conhecidas como olhos biônicos estão avançando nas pesquisas para devolver parte da visão a pessoas com determinados tipos de cegueira. Os dispositivos utilizam câmeras, microchips e estímulos elétricos para transformar imagens em sinais que o sistema visual consegue interpretar. 

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda não reproduz a visão natural e os resultados variam conforme o tipo de dispositivo e a condição do paciente. 

Uma das abordagens mais recentes prevê o uso de câmeras acopladas a óculos, conectadas sem fio a um implante no córtex visual, região do cérebro responsável pelo processamento das imagens. Outra tecnologia, chamada Prima, utiliza um chip implantado sob a retina e foi testada em pacientes com degeneração macular relacionada à idade. 

Em um pequeno ensaio clínico, o dispositivo permitiu recuperar visão central funcional em parte dos participantes, incluindo a capacidade de reconhecer letras e palavras. 

Apesar das perspectivas, ainda existem desafios relacionados à segurança das cirurgias, à durabilidade dos implantes e à qualidade das imagens percebidas pelos pacientes. Algumas tecnologias estão em fase de pesquisa ou testes clínicos, e não representam uma solução disponível para todos os tipos de cegueira.

 Pesquisadores também investigam alternativas, como terapias celulares capazes de substituir células da retina danificadas. O objetivo é ampliar a autonomia de pessoas com deficiência visual, mas a recuperação completa da visão ainda está distante.

Dica do editor - Saiba como é o programa de R$ 150 milhões para ampliar o HPS de Porto Alegre

O projeto de R$ 150 milhões é a maior expansão da história do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, voltado para a construção de um novo prédio de oito andares e a duplicação da capacidade de atendimento de urgência e trauma na Capital. O coordenador de captação de recursos para este projeto de ampliação, o advogado Paulo Guimarães, nomeado pelo prefeito Melo, disse ao editor que já foram garantidos R$ 50 milhões, com ênfase para emendas parlamentares (leia nota, abaixo). 

Principais detalhes do projeto:

• Novo Prédio: Construção de uma torre de 8 andares em um terreno de 11 mil metros quadrados localizado na Rua José Bonifácio (em frente ao Parque da Redenção), adquirido pela Prefeitura.

• Mais Leitos: Adição de cerca de 110 novos leitos, elevando a capacidade total de internação do hospital de 95 para aproximadamente 205 leitos.

• Infraestrutura: O novo complexo incluirá um centro cirúrgico, áreas modernas de diagnóstico por imagem e setores especializados (como atendimento a queimados e UTI adulto).

• Financiamento: O custo total é estimado em R$ 150 milhões, com recursos buscados por meio de emendas parlamentares (vereadores, deputados e senadores), doações da sociedade civil, aportes dos governos estadual e federal e financiamentos internacionais (como o BID).

Artigo, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - Região Sul: o maior reduto bolsonarista do país

Cientista Político
carloseduardo@arkoadvice.com.br

O senador Flávio Bolsonaro (PL) estará em Porto Alegre (RS) na próxima quarta-feira (14). Ele participará de uma reunião-almoço com empresários na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), e realizará um ato político no Largo Glênio Peres.

A presença dos governadores eleitos do Rio Grande do Sul (RS), Luciano Zucco (PL); e do Paraná (PR), Sergio Moro; além do governador reeleito de Santa Catarina (SC), Jorginho Mello, mostra forte engajamento deles nas últimas duas semanas no segundo turno em favor de Flávio. 

No RS, além de Zucco e demais lideranças da direita, Flávio recebeu, na semana passada, o apoio de líderes do MDB gaúcho; do diretório do PSDB; e também da bancada do PSD na Assembleia Legislativa. Os movimentos do MDB, PSDB e PSD indicam o possível ingresso dessas legendas na base de Luciano Zucco, solidificando uma aliança da centro-direita com o bolsonarismo.

Embora as eleições para governador dos três estados do Sul tenham se encerrado no primeiro turno, Flávio terá uma forte mobilização na região, e tende a conquistar uma expressiva vitória sobre Lula no segundo turno. 

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve uma contundente vitória na região Sul, conquistando 60,08% dos votos válidos. O Sul foi a região que Flávio teve a maior votação percentual do país. O candidato do PL venceu nos três estados da região: RS (55,64%); SC (66,65%); e PR (59,91%). Ou seja, se a eleição presidencial dependesse apenas do eleitorado sulista, Flávio estaria eleito em primeiro turno.

Além disso, o PL conquistou os três estados da região: Zucco (RS); Jorginho (SC); e Moro (PR). Nas capitais do Sul, Flávio superou Lula em Curitiba (57,50% a 30,37%) e Florianópolis (48,63% a 40,83%). Em Porto Alegre, Lula ficou na frente de Flávio (48,57% a 41,86%). No entanto, como os candidatos de direita contabilizaram 51,04% dos votos válidos em Porto Alegre, e o prefeito Sebastião Melo (MDB) terá um forte engajamento na campanha no segundo turno, a expectativa é que Flávio vença Lula também na capital gaúcha. 

O bolsonarismo conquistou ainda as seis vagas em disputa no Sul para o Senado:  RS (Sanderson – PL e Marcel Van Hattem – Novo); PR (Filipe Barros – PL e Deltan Dallagnol – Novo); e SC (Caroline de Toni – PL e Carlos Bolsonaro – PL). Dos seis senadores eleitos, quatro são do PL e dois do Novo.

Esses números evidenciam o desgaste do PT junto ao eleitorado do Sul. Não por acaso, Flávio teve uma expressiva votação no primeiro turno e o bolsonarismo conquistou todos os governos estaduais e as cadeiras em disputa ao Senado na região. No segundo turno, Flávio deve obter uma contundente vitória na região, conquistando entre 65% a 70% dos votos válidos.


Artigo – A máfia da toga

Por Gastão Ponsi, advogado - Site Espaço Vital 

A toga transformou-se no manto mais lucrativo do mercado corporativo brasileiro. Desde muito antes de a então corregedora do CNJ, Eliana Calmon, ter cunhado a expressão "bandidos de toga", a corrupção já grassava.

Não se sabe se a bandidagem ingressou no Judiciário, ou se integrantes viraram bandidos. O fato é que a Justiça está infestada. 

Por baixo do veludo, o Judiciário opera um balcão de negócios perfeitamente calibrado: do juiz da comarca ao ministro da corte, a tabela aceita de tudo. 

De caixa de uísque e viagem de jatinho a cotas de imóveis e repasses milionários de "consultoria" no escritório  da esposa ministro; de pagamento pelo “Master” a escritório de filhos de ministros...

Não há dinheiro que chegue pra essa gente. 

O ecossistema é autossuficiente. 

O advogado vende o acesso, o promotor finge que não vê, e o magistrado entrega o acórdão encomendado sob o verniz da "livre convicção". 

Chega a ser plausível imaginar, em meio a essa feira livre, o réu acusado de um desses crimes que assolam o país olhar nos olhos de quem preside a audiência e chamá-lo sem pudor de "colega"... Não por ser membro do Poder, mas por evidente afinidade profissional na gatunagem. 

Enquanto isso, o verdadeiro escárnio permanece na blindagem legal do processo. Criou-se a aberração de exigir que a polícia peça licença ao tribunal para investigar o próprio juiz suspeito. 

Descobriu o crime? 

Pare tudo, entregue as provas aos colegas do investigado e reze para que não decretem o sigilo das investigações, ou a anulação de todo o expediente por "usurpação de competência". 

Mesmo que o CNJ e o STF tenham finalmente sepultado a aposentadoria compulsória - para passar a prever a perda do cargo - a estrutura corporativa continua firme. 

Sem que a autoridade policial tenha plena autonomia para investigar do topo à base sem pedir bênção a magistrados, o combate à corrupção na toga continuará sendo uma exceção negociada, e não a regra.

Terça de campanha: Flávio visita o pai e Lula anuncia medidas para MEIs

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, retoma nesta terça-feira (13) as visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília. O encontro ocorre após o fim da suspensão de 90 dias determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

A restrição foi imposta em 13 de julho, após a publicação, nas redes sociais, de uma carta escrita por Jair Bolsonaro, em desacordo com uma medida cautelar que o proibia de utilizar a internet por meio de terceiros. A sanção terminou no domingo (11), permitindo a retomada dos encontros, conforme as condições judiciais vigentes. 

À tarde, Flávio segue para São Paulo, onde tem reunião com representantes do MDB às 15h. Às 17h, participa do Grande Encontro do Associativismo, no Clube Monte Líbano, ao lado de lideranças políticas e empresariais. 

Entre os nomes previstos estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e o presidente da Faesp, Tirso Meirelles. O senador encerra a programação às 21h, com entrevista ao vivo ao Anima Podcast, acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro. 

Já Lula (PT) tem compromisso às 10h, no Palácio do Planalto, onde assina um pacote de medidas voltado aos microempreendedores individuais (MEIs). Entre as propostas em discussão está a ampliação do limite anual de faturamento da categoria, atualmente em R$ 81 mil, para R$ 140 mil. 

A agenda coloca em destaque dois temas distintos neste dia: enquanto Flávio concentra seus compromissos na articulação política e no diálogo com representantes empresariais, Lula apresenta iniciativas direcionadas aos pequenos negócios. Os detalhes e os efeitos das medidas para os MEIs dependem do conteúdo oficial anunciado pelo governo.