Artigo, especial, Dagoberto Lima Godoy - O ataque ao Pix e o interesse dos bancos brasileiros

Dagoberto Lima Godoy

A pressão dos Estados Unidos contra o Pix vem sendo apresentada como reação a supostas práticas discriminatórias do Brasil no mercado de pagamentos. O argumento é frágil. Os americanos acusam o modelo brasileiro de distorcer a concorrência e expressar uma forma de intervencionismo estatal, mas esquecem — ou fingem esquecer — que eles próprios criaram sistema semelhante: o FedNow, operado pelo Federal Reserve.

Na verdade, a resistência americana ao Pix não se explica apenas por zelo concorrencial. Quem controla a infraestrutura de pagamentos controla também dados, padrões técnicos, custos de transação e parte relevante da arquitetura financeira. O Pix, no Brasil, o UPI, na Índia, o QRIS, na Indonésia, e sistemas semelhantes reduzem a centralidade das grandes redes privadas internacionais. A preocupação americana, portanto, não se limita ao Brasil; envolve a proliferação de infraestruturas nacionais ou regionais que escapam ao domínio tradicional das plataformas financeiras ocidentais.

No debate brasileiro, porém, há o risco de uma simplificação conveniente: atribuir a pressão americana apenas à aproximação de Jair Bolsonaro e de seus aliados com Donald Trump. De fato, o bolsonarismo buscou preservar a interlocução com os americanos, num momento em que o governo Lula se colocava em clara oposição política e ideológica a um parceiro de tamanha importância econômica e geopolítica. 

Mas seria ingênuo imaginar que interesses tão amplos se movam apenas por afinidades políticas ou gestos de lealdade pessoal. Pode haver interesses menos ruidosos e mais consistentes, situados no próprio sistema financeiro nacional.

Não há prova clara de que grandes bancos brasileiros tenham estimulado ou apoiado formalmente a ofensiva americana contra o Pix, mas é legítimo observar que a banca doméstica tem interesses contrariados pelo desenho original do instrumento. O Pix reduziu receitas antes associadas a TED, DOC, boletos, cartões, maquininhas e outros serviços de intermediação. Tirou valor de pedágios financeiros que, por muito tempo, pareciam naturais.

Não que os bancos brasileiros desejem hoje, abertamente, o fim do Pix; eles mesmo  passaram a operá-lo intensamente e dele também se beneficiam: retêm clientes, reduzem custos operacionais, melhoram seus aplicativos e desenvolvem serviços anexos.

O interesse da banca não precisa estar no combate frontal ao Pix, mas pode visar à sua reforma: domesticá-lo, associando-o a tarifas indiretas e novas formas de remuneração. O Pix simples e gratuito interessa ao cidadão; o Pix sofisticado, vinculado a produtos bancários, interessa aos bancos.

A disputa real, portanto, não é apenas sobre a existência do Pix; é sobre quem comandará seus próximos passos: o interesse público, os grandes bancos nacionais ou as plataformas financeiras internacionais.



Saiba mais sobre os negócios entre o BTG e Vorcaro

 O BTG Pactual realizou, em abril deste ano, uma operação de R$ 132,9 milhões com a Infrasolar, empresa criada pelo primo de Daniel Vorcaro apenas 18 dias antes do negócio, com capital social declarado de R$ 1 mil. A transação chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da Polícia Federal, e virou alvo do Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. As informações são do jornal Valor Econômico.

Leia como Times Brazir reporta todo o caso:

O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, considerou o negócio um dos indícios de que Felipe Vorcaro teria continuado a operar a rede de empresas e fundos utilizada pelo ex-banqueiro para movimentar dinheiro e ocultar os verdadeiros donos dos recursos.

“Apesar do capital social declarado de apenas R$ 1.000,00, a holding logrou êxito atípico na realização de operação financeira superior a R$ 132 milhões, em 13/04/2026”, afirmou Mendonça na decisão que decretou a prisão preventiva de Felipe, em quarta-feira (16) de maio.

Troca de dívida e exposição do BTG

Segundo apurou o Valor, o BTG não concedeu um crédito novo à Infrasolar. O banco trocou uma dívida antiga que o grupo de Felipe Vorcaro já tinha com a instituição, em uma tentativa de reaver recursos e evitar perdas de uma operação realizada em 2020, antes de o Banco Master começar a ser questionado. A dívida original era da BRGD, empresa com atividades suspensas que tinha apenas um sócio vinculado a Felipe Vorcaro. A BRGD aparece nas investigações como um dos meios utilizados para o repasse de suposta propina mensal de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que nega qualquer irregularidade.Na decisão, não há menção a eventual relação ou conhecimento do BTG com as atividades da BRGD.Ao transferir o crédito para a Infrasolar, o BTG passou a ser credor de um grupo empresarial maior, com cerca de 50 projetos de geração de energia solar em Minas Gerais, o que reduziria sua exposição ao risco. O repasse previa que a Infrasolar quitasse a dívida, com correção monetária, em um ano.

Empresa criada às vésperas da operação

A Infrasolar foi constituída em março deste ano, 18 dias antes de receber o crédito do BTG. Faz parte do grupo ForGreen, que reúne cerca de 50 projetos de geração de energia solar, número superior ao da BRGD, que operava 14 usinas. Todas as empresas têm sede em Minas Gerais.

A PF aponta Felipe Vorcaro como operador financeiro do esquema de fraudes e lavagem de dinheiro investigado sob comando de Daniel Vorcaro. Ele foi preso temporariamente em quarta-feira (6) de maio, na mesma operação que realizou buscas nos endereços do senador Ciro Nogueira. Com o avanço das investigações, o ministro Mendonça entendeu ser necessária a prisão preventiva, sem prazo determinado para acabar.

A decisão foi levada ao plenário virtual da Primeira Turma do STF no mês passado. O julgamento foi suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

BTG avalia recuperar os recursos

Com a prisão de Felipe e o avanço das investigações, o BTG passou a avaliar como reaver os R$ 132,9 milhões. Uma das estratégias em discussão é recorrer à Justiça em primeira instância para executar as garantias fornecidas pelas empresas e pessoas físicas que participaram da operação.

Procurado pelo Valor, o BTG não comentou o assunto, alegando sigilo bancário. O telefone da Infrasolar cadastrado na Receita Federal não atende e o e-mail também não funciona.A For Green não respondeu aos contatos da reportagem. Em nota publicada em segunda-feira (20) de maio, a empresa afirmou que nenhuma das empresas do grupo tem qualquer envolvimento com os fatos investigados na Operação Compliance Zero e anunciou a convocação de assembleia geral extraordinária para deliberar sobre a destituição imediata de Felipe Vorcaro do cargo de presidente do Conselho de Administração.

O advogado Marcos Crissiuma, que representa Felipe Vorcaro, afirmou que a investigação não encontrou elementos para justificar a prisão de seu cliente e que suas atividades empresariais são lícitas e regulares. Segundo ele, todas as operações foram submetidas ao compliance das empresas envolvidas e comunicadas aos órgãos de controle. “Não havia qualquer ordem que proibisse Felipe de continuar atuando em seus negócios. Estão utilizando movimentação financeira para justificar indevidamente uma prisão preventiva”, afirmou.

As apurações sobre a transação com a Infrasolar estão em fase inicial.

Novas medidas

O governo dos EUA propôs uma tarifa adicional de 12,5% ao Brasil após concluir que o país não possui leis ou fiscalizações eficazes para proibir a entrada de produtos estrangeiros fabricados com trabalho forçado.

 A medida integra uma investigação global contra cerca de 60 nações conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Abaixo estão os principais pontos da proposta e do cenário comercial:

Alíquota proposta: 12,5%. O Brasil está no grupo de nações penalizadas com essa taxa (junto com China, Japão e outros), enquanto outros parceiros comerciais enfrentam uma sobretaxa de 10%.

Acumulação de taxas: O anúncio ocorre dias após o USTR propor uma tarifa separada de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais (envolvendo desmatamento, etanol e o sistema Pix). 

Se ambas forem aprovadas, o custo para exportar ao mercado americano pode subir significativamente.

O governo brasileiro contestou a investigação, afirmando que a iniciativa americana pode prejudicar as políticas internas consolidadas de combate ao trabalho escravo e que as sanções unilaterais são incompatíveis com as regras da OMC.

A medida não é imediata e está em fase de consulta pública. O USTR receberá contribuições e realizará audiências no início de julho de 2026 para definir quais setores ou produtos específicos serão alvo da cobrança. Certos alimentos e minerais cruciais costumam receber isenções para evitar choques na economia americana.

Flávio Bolsonaro chama Lula de "vagabundo", processa-o no STF e diz que Lula deu ordem para assassiná-lo a sangue frio

Um ex-ativista do Psol esfaqueou Jair Bolsonaro e um vagabundo do PT quer que um aliado do PCC faça o mesmo com o filho.

O senador Flávio Bolsonaro dobrou a aposta, ontem, em Belo Horizonte, depois que o presidente nomeado Lula da Silva fez verdadeira apologia ao crime ao declarar que o candidato do PL é "traidor igual a Silvério dos Reis e deve ter o mesmo fim do traidor da Inconfidência, ou seja, a forca". Lula não conhece a história e não sabe que Silvério morreu de morte natural em São Luiz.

Em Belo Horizonte, onde recebeu o título de Cidadão Honorário, Flávio Bolsonaro fez um anúncio e uma revelação:

Anúncio - O senador anunciou que pediu ao STF para processar Lula por incitação ao crime.

Revelação - O senador disse que Lula deu ordem para assassiná-lo e a investigação sobgre a ameaça está a cargo da Polícia Legislativa. 

O que disse Flávio:  "Lula, vocé não vai me enforcar. Eu conheço um vagabundo de longe. Bastou eu atuar contra o PCC e o CV que você deu uma espécie apito de cachorro para facções me executarem".

Artigo, especial - A etiqueta que mudou o risco

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

Durante anos, a Faria Lima nos explicou que o maior risco do Brasil era fiscal. Déficit, dívida, arcabouço, meta de inflação e juros dominaram o debate eco nômico. Quem acompanhasse rela tórios, entrevistas e análises de mercado poderia concluir que os principais problemas do país estavam todos dentro de uma planilha. Então Washington classificou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Bastou isso para surgirem alertas sobre sistema financeiro, fintechs, meios de pagamento, ambiente de negócios e exposição de empresas brasileiras a even tuais sanções e restrições internacionais. Curioso. O crime organizado movimenta bilhões há décadas. Controla territórios, influen cia cadeias logísticas, atua no tráfico, no contrabando, no roubo de cargas e em mercados ilegais que vão de combustíveis e cigarros a ouro e apostas. Nada disso começou agora. Também não é novidade que recursos ilícitos procuram caminhos para circular na economia formal. O Brasil convive há anos com investigações, operações po liciais e denúncias envolvendo lavagem de dinheiro, empresas de fachada, ope radores financeiros e estruturas cada vez mais sofisticadas para ocultar patrimô nio e movimentar recursos. Ainda assim, o tema raramente ocupou espaço central nas discussões econômi cas. A atenção permanecia concentrada nos indicadores tradicionais, enquanto a expansão do crime organizado sobre setores inteiros da economia seguia tra tada como um assunto paralelo. A decisão americana não criou o problema. O PCC já existia antes da classificação. O Comando Vermelho também. As redes de lavagem de dinheiro não surgiram na semana passada. A infiltração de re cursos ilícitos na economia formal tampouco nasceu com um ato assinado em Washington. O que mudou foi a forma como parte do mercado passou a olhar para a questão. De repente, um tema que costumava ficar restrito às páginas policiais passou a aparecer em relatórios econômicos. Um problema tratado durante anos como assunto de segurança pública começou a ser discutido sob a ótica de risco finan ceiro, reputacional e comercial. Isso diz menos sobre a decisão dos Estados Unidos e mais sobre a maneira como escolhemos enxergar determinados riscos. Afinal, o impacto econômico do crime organizado não depende de uma classi ficação estrangeira para existir. Empresas fecham as portas por causa dele. Ca deias produtivas são afetadas por ele. Investimentos deixam de acontecer por causa dele. Regiões inteiras convivem com custos invisíveis que raramente apa recem nos modelos econômicos mais sofisticados. Talvez a questão mais interessante não seja entender por que Washington to mou essa decisão. Talvez a pergunta correta seja outra: por que tanta gente só passou a tratar o pro blema como um risco econômico depois que os Estados Unidos colocaram uma etiqueta nova em algo que já estava diante de todos há muito tempo

Flávio Bolsonro avisa que depois de eleito resolverá o nó comercial com os EUA

 O senador Flávio Bolsonaro culpou o governo brasileiro de Lula da Silva, PT, por não ter conseguido evitar a imposição de novas sobre tarifas sobre as exportações brasileiras para os EUA. "O Lula pediu prazo para negociações, o prazo terminou dia 31 e eles foram incompetentes nas discussões", disse o senador. Ele disse que também pediu a Trump a mesma coisa.

Flávio Bolsonaro avisou que depois de eleito terá mais competência do que o governo Lula e retbelecerá relações comerciais saudáveis com os EUA.

A solicitação de Flávio também foi feita ao vice-presidente dos EUA, JD Vance, e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com quem também se reuniu ao visitar a Casa Branca na semana passada:

- Eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz expresso a eles, porque, eu digo o seguinte, a partir de 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual, porque o nosso agro alimenta o mundo. Não é justo taxar as nossas empresas. A gente tem que valorizar a nossa tecnologia, a gente tem que valorizar o nosso Pix, a gente tem que valorizar o nosso etanol, que é uma energia limpa e que já tá sendo usada aqui pro nosso lago para substituir o diesel, por exemplo, a gente tem que incentivar esse nosso capital que é a tecnologia de etanol, seja da cana, seja do milho. Então a gente tem tudo para sentar de igual para igual. Por favor, não taxe as empresas brasileiras

Paraguai

  Manifestantes derrubaram e depredaram painéis de LED em Ciudad del Este, Paraguai, em 29 de maio de 2026, após a exibição de uma montagem que mostrava o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro agredindo o zagueiro paraguaio Gustavo Gómez, do Palmeiras. As imagens circularam por cerca de uma hora na Ruta PY02, a poucos metros da Ponte da Amizade. Elas traziam provocações políticas e futebolísticas ao Paraguai, incluindo frases como “Brasil mandou e desmandou no campo e na política” e “o hexa é nosso”

A exibição provocou revolta imediata. Populares se reuniram ao redor de uma das estruturas, balançaram o painel até derrubá-lo e continuaram a pisoteá-lo. Houve tumulto e registro de discussões na região de fronteira.Ataque Hacker: 

As empresas responsáveis pelos espaços publicitários, Fast Print e Publimix, negaram participação na veiculação do material. Em comunicado, as companhias declararam que seus sistemas foram alvos de invasão hacker e formalizaram denúncia à Promotoria de Crimes Cibernéticos.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, usou suas redes sociais para repudiar os cartazes, os quais classificou como ofensivos, e ordenou ao Ministério de Obras Públicas e Comunicações a retirada imediata de todas as estruturas do tipo na cidade.