Marcus Vinicius Gravina
OAB-RS 4.949
Inescrupuloso é o adjetivo ao ato do ministro do STF, Alexandre de Moraes ao pautar para julgamento um processo do qual é relator e interessado direto e não se dá por suspeito.
Está envolvido até o pescoço, ele e a sua esposa, no caso Master. Os dois são manchetes na imprensa nacional e internacional. Um escândalo.
O processo é o do PT, ADPF 919, de 2021. Quer do STF que estabeleça limites às Delações Premiadas para proteger garantias fundamentais. Quais as garantias? (Nós sabemos as razões).
As garantias estão asseguradas no plano jurídico. Uma delas é a de ficar calado, para não fazer prova contra si. A outra é, justamente, a do direito pessoal de contar tudo o que sabe, sem restrições, para poder alcançar os benefícios garantidos ao delator, pelo Instituto Jurídico da Delação Premiada.
Sob este prisma, impedir, em qualquer circunstância, a tentativa de um cidadão investigado de querer ser ouvido sem travas e impedí-lo é uma revoltante inconstitucionalidade.
Trata-se, de um induvidoso direito conferido ao investigado. Está implícito na lei da ”delação premiada”. Estamos falando do direito ou obrigação de fazer ou não fazer.
Pois, se o Vorcaro quiser responder a uma delação premiada, não poderá sofrer restrições ou censuras prévias, desde que mantido dentro do tema ou dos fatos.
É notória a conduta intencional do min. Alexandre de Moraes, para impedir e embaraçar as investigações do Caso Master. Isto é crime contra a administração pública.
Em outros tempos a PGR já teria instaurado investigações diante da farta divulgação de fatos incomuns de ministros do STF. É o caso de suposta advocacia administrativa junto ao Banco Central, em favor do cliente da sua esposa, advogada do Banco Master, que segundo a Receita Federal recebeu 80 milhões de honorários, sem falar do contrato de 129 milhões.
Para agravar a situação foram encontradas várias mensagens no WhatsApp do Vorconaro até minutos antes de ser preso, com respostas do ministro Alexandre de Moraes, autodestruídas depois de lidas.
Não estamos falando de um crime qualquer. A sociedade tem o direito de saber como foi ludibriada, roubada e quais os seus agentes ativos e passivos.
Alegar que o assunto está com o escritório da sua esposa é ignorar que os bens de uma provável holding familiar, de marido, mulher e filhos não se comunicam.
Diante da provocação do ministro Moraes, cabe ao Senado pautar os impeachment contra ele que estão mofando naquela Casa Legislativa.
Agora, vou reler parte da história da França e saber como o povo da época reagia ao absolutismo, opressão e tirania. O resultado foi a Queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789.
Pois, há quem diz que a história se repete.
Caxias do Sul, 9.04.2026