Artigo, especial, Dagoberto Lima Godoy - Jogo no Brasil: chega de hipocrisia eleitoral

Dagoberto Lima Godoy

 Levantamento da Confederação Nacional do Comércio estimou que já em 2024 o varejo deixou de faturar R$ 103 bilhões em 2024 em razão do deslocamento de recursos das famílias para as apostas online. Trata-se de dinheiro que antes circularia no comércio, nos serviços, na alimentação, no vestuário, no lazer familiar e nas pequenas despesas do cotidiano, mas que passou a migrar para plataformas digitais de aposta. 

Esse movimento coincide com um quadro grave de endividamento das famílias. Em março de 2026, pesquisas da mesma CNC indicavam que cerca de quatro em cada cinco famílias brasileiras estavam endividadas, com índice de 80,4%, patamar apontado como recorde. Não se pode atribuir toda essa crise às apostas, evidentemente; juros altos, perda de renda, crédito caro e inflação acumulada também pesam. Mas seria ingenuidade ignorar que as bets passaram a disputar, de modo agressivo, a renda disponível de famílias já financeiramente fragilizadas.

A medicina já reconhece o transtorno do jogo como uma adição comportamental, associada a ansiedade, depressão, endividamento familiar e sofrimento psíquico grave. Diante disso, tratar as apostas digitais apenas como “entretenimento” é mascarar o problema. Quando o produto depende do prejuízo repetido de muitos — estimulado por design viciante, publicidade agressiva e acesso permanente, 24 horas por dia — a regulação pró-mercado torna-se cosmética: melhora a vitrine, mas preserva o motor do dano.

A incoerência se torna ainda mais evidente quando o Estado, depois de licenciar, tributar e organizar o mercado, passa a insinuar sua proibição ou forte restrição às vésperas de uma eleição presidencial. O governo federal estruturou a Secretaria de Prêmios e Apostas para autorizar, regulamentar, supervisionar e sancionar o setor; ao mesmo tempo, em abril de 2026, integrantes do governo e da base governista passaram a defender medidas mais duras, inclusive projeto para proibir a exploração, oferta e promoção de apostas de quota fixa no país. 

Se a prioridade era proteger as famílias, por que se permitiu a expansão explosiva do setor? Se a prioridade era arrecadar, que se diga claramente: o Estado aceitou tributar uma atividade cuja dinâmica econômica se alimenta da perda recorrente de milhões de apostadores. Agora, quando o dano social se torna visível e politicamente incômodo, surge a conversão moral tardia. Pode ser correção de rumo; mas também tem aparência de cálculo eleitoral.

O ponto central é simples: não se pode transformar vício em fonte de receita pública e, depois, posar de defensor das vítimas. Licenciar, tributar, arrecadar, tolerar publicidade massiva, permitir patrocínios no esporte e, só depois do estrago, cogitar proibição ou endurecimento radical, revela uma gestão errática, quando não hipócrita.

Política séria não transforma dependência em estratégia de arrecadação, nem corrige por conveniência eleitoral aquilo que ajudou a expandir por conveniência fiscal. 


Editorial, RBS - Escalada retórica de Lula contra Trump traz risco de revés comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem elevado o tom e sido recorrente nas críticas a Donald Trump e ao governo norte-americano nas últimas semanas. As intervenções militares da Casa Branca em outros países são o principal tema das manifestações de Lula, mas outros pontos de atrito, como o recente caso da expulsão de um delegado da Polícia Federal (PF) dos EUA e a pressão da Casa Branca contra o Pix, são ingredientes que colaboram para azedar ainda mais a relação entre Brasília e Washington. 

Parece que o presidente até veria como uma oportunidade alguma nova sanção contra o Brasil

É nítido que há cálculo eleitoral na postura de maior contundência contra Trump. Foi após a Casa Branca atingir o Brasil com um tarifaço despropositado e tentar se imiscuir em assuntos internos do país, por interferência da família Bolsonaro, que o presidente brasileiro recuperou pontos de popularidade no ano passado. O discurso da soberania nacional contra a tentativa de coação e ingerência externa deu resultado, mas em seguida a melhora na avaliação pessoal de Lula e do governo esmaeceu.

A estratégia de Lula traz riscos ao país. Bater em Donald Trump hoje parece fácil. O presidente dos EUA é cada vez mais contestado pela própria população norte-americana, semeia antipatias inclusive entre líderes de países considerados aliados históricos e hoje está ocupado em tentar uma saída para o atoleiro da guerra no Irã. O esperado encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, após surgir uma "química" entre os dois, talvez nem ocorra mais. Mas boa parte de sua administração ainda tem olhos para a América Latina e o Brasil.  

Seguem em curso, por exemplo, as investigações contra o país abertas no ano passado, relacionadas à Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O Brasil é acusado de práticas anticompetitivas que alegadamente prejudicariam a economia norte-americana e empresas dos EUA. São relacionadas ao Pix, ao etanol, ao comércio de produtos falsificados e ao desmatamento ilegal, entre outras questões. Em março, os EUA abriram nova apuração contra o país e outras nações pela Seção 301 para averiguar se o uso de trabalho forçado também não se configuraria em  competição desleal. O governo brasileiro já apresentou suas defesas, as negociações prosseguem, mas é ingenuidade contar que apenas argumentos racionais serão suficientes para impedir retaliações norte-americanas. Elas podem vir na forma de novas tarifas, restrições à importação de produtos brasileiros e paralisação de benefícios comerciais. 

A retórica do presidente brasileiro, com ou sem fundo de razão, pode contribuir para a má vontade dos colaboradores da Casa Branca que, por motivação ideológica, gostariam de fustigar o governo petista. Mas parece que Lula até veria como uma oportunidade alguma nova sanção dos EUA contra o Brasil. Seria a chance de voltar a empunhar a bandeira da soberania nacional e, por tabela, tentar reforçar a imagem da família Bolsonaro de subserviente à Casa Branca. Usando uma metáfora do futebol, bem ao gosto de Lula, é como se ele estivesse cavando uma falta para tirar proveito no jogo. Um revide poderia até ser um trunfo eleitoral, mas o custo recairia de alguma forma sobre a economia brasileira ou ao menos sobre alguns setores. 

A IA vai acabar com a corrupção nos Poderes

Elon Musk acabou de descrever a operação de roubo mais sofisticada da história americana. Não é um assalto, mas um sistema. Os impostos saem de Washington, eles entram em uma organização não governamental indicada pelo governo, com papel timbrado diferente. 

Musk: "Obviamente, se é uma organização não governamental financiada pelo governo, é só o governo. Eles cruzam uma fronteira. A lei americana para de segui-los. Eles passam por mais três entidades em mais três países. Eles voltam para casa. Bolsos diferentes. Mãos limpas. Crime perfeito".

Musk: "O governo pode enviar dinheiro para uma ONG que então não é mais governada pelas leis dos Estados Unidos." 

Agora faça as contas. Salário do Congresso. US$200.000. Patrimônio líquido médio de um membro antigo do Congresso. Mais de US$20 milhões. 

Musk: "Há muitos membros estranhamente ricos no Congresso. Só não consigo ligar como conseguiram 20 milhões de dólares ganhando 200 mil dólares por ano. Ninguém consegue explicar isso." 

Ninguém deveria explicar. Essa máquina funcionou intocada por décadas por um motivo limitação humana. Uma equipe forense não consegue rastrear dez mil transferências eletrônicas em cinquenta jurisdições globais ao mesmo tempo. A corrupção não se esconde na escuridão. Ela se esconde no volume. Eles construíram um labirinto tão deliberadamente complexo que o peso dele desaba toda investigação antes de começar. Papel enterra papel. A burocracia absorve investigação. Toda a arquitetura foi projetada para te esgotar. 

Então a inteligência artificial chegou. 

A IA não se cansa. Ela não pode ser comprada. Ela não perde a linha em transferência bancária de 4.000. Você dá a ela o livro-razão global inteiro. Ela mapeia cada nó, cada transferência, cada entidade fantasma, cada ONG offshore em todas as jurisdições. Não em semanas. Em horas. Ela encontra o sinal dentro do ruído. Ela sinaliza o padrão. Ela traça um dólar desde uma dotação de D.C. até uma concha das Ilhas Cayman e até uma pasta do Congresso no tempo que um auditor humano leva para encontrar sua vaga de estacionamento. 

O labirinto foi construído para derrotar os olhos humanos. Ele é indefeso contra uma máquina que lê todo o labirinto de uma vez. É por isso que o establishment não está apenas irritado com o Dept de Eficiência Governamental. Eles estão apavorados. 

Musk: "Vamos tentar descobrir e parar". 

Elon Musk não chegou a Washington para cortar orçamentos. Ele chegou com supercomputação, sistemas de auditoria de IA e um mandato para mapear toda a arquitetura financeira do governo federal. Pela primeira vez na história, a complexidade que protegeu a corrupção é justamente o que a vai expor. Cada entidade-casca é uma assinatura. Cada padrão de roteamento é uma impressão digital. Todo congressista que entrou ganhando US$ 200.000 e saiu no valor de US$20 milhões agora é uma variável em uma equação que será resolvida. O pântano nunca foi impenetrável. Era simplesmente grande demais para mãos humanas. Nunca foi construído para isso.

Casos de adultos brasileiros diagnosticados com hipertensão cresceram 31%

Casos de adultos brasileiros diagnosticados com hipertensão cresceram 31% 

A condição está diretamente relacionada às principais causas de morte no país. Diretrizes apresentadas pelo Ministério da Saúde em 2025 indicam a pressão arterial de 12 por 8 como sinal de alerta para pré-hipertensão

 A hipertensão arterial continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Silenciosa e muitas vezes assintomática, a condição pode evoluir por anos sem apresentar sinais claros. Esse é um dos principais fatores que dificultam o diagnóstico precoce e fazem com que muitos pacientes só descubram a doença após uma complicação grave, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou o infarto do miocárdio.

 Dados divulgados pelo Vigitel 2025 (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), pesquisa anual conduzida pelo Ministério da Saúde, mostram que o número de adultos brasileiros com hipertensão entre 2006 e 2024 cresceu 31%, número que acende um alerta para o estilo de vida de milhões de pessoas dentro do país.

 “A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias. Quando esses níveis se mantêm elevados de forma persistente, o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue, o que pode causar danos aos vasos sanguíneos e a órgãos como coração, cérebro e rins”, explica o Dr. Celso Amodeo, cardiologista e nefrologista do hospital Hcor, especialista em hipertensão arterial.

 A hipertensão está diretamente relacionada às principais causas de morte no país. A cada ano, mais de 300 mil mortes ocorrem em decorrência de AVC e de infarto do miocárdio, o que representa, em média, uma morte a cada dois minutos. Estima-se que cerca de 80% dos casos de AVC estejam associados à hipertensão não controlada.

 Mesmo sendo uma condição crônica, a hipertensão pode ser prevenida e controlada com mudanças no estilo de vida. “Reduzir o consumo de sal e de alimentos ultraprocessados, praticar cerca de 150 minutos de atividades físicas por semana, evitar o tabagismo, regular o consumo de álcool e monitorar constantemente a pressão, especialmente após os 40 anos de idade, são algumas etapas fundamentais para se prevenir contra a doença”, explica o especialista.

 Novas diretrizes sobre pressão arterial: devo me preocupar?

De acordo com as diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Nefrologia e a Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial, apresentadas no último ano, a pressão arterial de 12 por 8 (120/80 mmHg) passou a ser considerada um quadro de pré-hipertensão. Essa nova classificação não significa ter a doença em si, mas serve como uma orientação preventiva.

 Conforme explica o Dr. Amodeo, o direcionamento tem gerado preocupação e muitos questionamentos por parte dos pacientes, que de repente passaram a enxergar o tradicional 12 por 8 com preocupação. No entanto, esse não é um quadro grave e não exige ida imediata ao médico ou busca emergencial por atendimento. “Trata-se de um ponto de atenção, uma oportunidade de agir antes que a hipertensão se desenvolva. Essa orientação é fundamental para estimular hábitos mais saudáveis sem sobrecarregar o sistema de saúde”, comenta.

 A hipertensão é uma condição altamente prevalente, mas também altamente prevenível. “A nova diretriz é um convite à mudança de comportamento antes que o problema se torne grave”, conclui o Dr. Celso Amodeo. 

Sobre o Hcor

O Hcor atua em mais de 50 especialidades médicas, entre elas Cardiologia, Oncologia, Neurologia e Ortopedia, além de oferecer um centro próprio de Medicina Diagnóstica. Possui Acreditação pela Joint Commission International (JCI) e diversas certificações nacionais e internacionais. Em 2025, foi reconhecido como um dos melhores hospitais do mundo pelo ranking da Revista Newsweek, ficando em 5º lugar no Brasil.

 Desde 2008, é parceiro do Ministério da Saúde no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), o que proporciona que seu impacto em saúde esteja presente em todas as regiões do país.

 Instituição filantrópica, o Hcor iniciou suas atividades em 1976, tendo como mantenedora a centenária Associação Beneficente Síria, que também conduz projetos gratuitos de saúde para população em situação de vulnerabilidade. Além do escopo médico-assistencial, o hospital conta com um Instituto de Pesquisa, reconhecido internacionalmente, que coordena estudos clínicos multicêntricos com publicações nos mais conceituados periódicos científicos. Conjuntamente, capacita milhares de profissionais anualmente por meio do Hcor Academy com seus cursos de pós-graduação, cursos de atualização e programas de residência e aprimoramento médico. Hcor Consultoria e Gestão oferece soluções personalizadas, com diagnóstico e metodologia focada em alta performance, para negócios em saúde. 




Artigo, Eduardo Oinegue, Folha - Será que o Brasil foi atingido por um gás paralisante?

Jornalista, âncora do Jornal da Band e da Bandnews FM, colunista do Bandnews TV e professor da ESPM

Para saber se estamos bem, vale olhar para a grama do vizinho. Olhar para um país aqui ao lado, com menos de 4 milhões de habitantes. E para um país que em 1960 tinha renda per capita semelhante à do Brasil ou menor. Em 2010, a renda per capita do Uruguai era 22% maior que a brasileira. Hoje é o dobro. A da Coreia do Sul era o dobro. Hoje é quatro vezes maior. Numa amostra de 123 países com dados do FMI e do Banco Mundial, 111 cresceram mais que o Brasil entre 2010 e 2024.

Se contam que alguém correu 100 metros em 8 segundos, recomenda-se aplicar o teste do xixi, porque tem doping. É difícil imaginar doping no PIB per capita do Uruguai ou no da Coreia, até porque a renda em 90% dos países acelerou mais do que a brasileira quando medida em dólar. Se não estão todos dopados, será que o Brasil não foi sedado, atingido por algum gás paralisante?

Quem cresceu mais que o Brasil, em geral, seguiu uma de duas rotas. Ou virou fábrica do mundo, produzindo peças, tecidos e eletrônicos que outros países usam para fechar o produto final. Foi o caminho escolhido por países como Vietnã, Bangladesh, Polônia e República Tcheca, por exemplo. Outra rota foi apostar em estabilidade institucional e reformas para atrair capital estrangeiro produtivo, aquele que some quando a Selic cai. Irlanda, Estônia, Chile e Singapura são exemplos conhecidos. O Brasil não fez nem uma coisa nem outra.

Imaginemos, por um instante, que o Brasil se una num projeto ambicioso: alcançar a renda per capita uruguaia em dez anos. Como o PIB per capita do Uruguai tem crescido 2,5% ao ano, sabe quanto a renda no Brasil precisaria crescer? 9,3% ao ano por uma década seguida. Mais rápido que no milagre econômico, entre 1971 e 1980, quando cresceu 8,6%. Para alcançar a renda per capita coreana até 2036, muito mais: 17% ao ano. Nenhum país fez isso na história. Nem a China, recordista absoluta, que cresceu 10% ao ano entre 2001 e 2010. No ritmo atual, menos de 2% ao ano, o Brasil só chegaria na renda uruguaia de hoje em 2060. E na coreana em 2097.

O paradoxo é que essa decadência relativa aparece no momento em que o mundo olha o Brasil com interesse renovado, porque os grandes destinos de capital se desorganizaram. Os Estados Unidos vivem a maior inconsistência econômica de sua história recente. O dólar perde força e o Federal Reserve está preso a uma cilada: se cortar juros, a inflação de 3,3% escapa; se mantiver, a economia freia. A guerra comercial de Donald Trump assusta o capital de longo prazo. A Europa atravessa um período de quase estagnação, com a zona do euro projetando crescimento de 1,1% em 2026. A China desacelera para 4,4%. O Japão cresce 0,7%. E o investidor precisa alocar dinheiro em algum lugar.

Nesse cenário, o Brasil chama atenção. É exportador líquido de energia, tem reservas internacionais sólidas, opera com câmbio flexível e baixa dependência de dívida em moeda estrangeira. O FMI revisou o crescimento brasileiro para 1,9% em 2026 e projeta o país de volta às dez maiores economias, com PIB acima do Canadá. Até a semana passada, entraram mais de R$ 65 bilhões na B3, o melhor início de ano desde 2022.

Esse entusiasmo, porém, convive com um desconforto estrutural, porque o capital encontra no Brasil um Estado disfuncional. Com dívida pública aproximando-se de 100% do PIB no final do ano que vem, a Previdência com um megarrombo, 80% das famílias endividadas, o salário real menor hoje do que era em 2020. Sem falar na carga tributária que beira os 35% do PIB, no engessamento do Orçamento público, na casa de 92% travados em gastos obrigatórios, e na conhecida insegurança jurídica. O capital não enxerga no Brasil um novo eldorado, mas aceita vir porque as alternativas estão piores.

A eleição está chegando. Nenhum pré-candidato bate forte nos temas centrais, como reforma administrativa, da Previdência ou fim das vinculações. O que dá voto é a marquetagem rasa, como a promessa de escala 5 por 2 ou 4 por 3. Se Uruguai, Coreia e 111 países do mundo não estão dopados, e o Brasil parece sedado, o mínimo que o eleitor tem que exigir dos postulantes à Presidência da República é um programa que acorde a nação. Não precisa ter nome bonito. Basta conter ideias que funcionem.

 O Instituto Veritá[1] é um instituto de pesquisas mercadológicas, governamentais e eleitorais fundado em 1995.[1] Tem sede em Uberlândia e já atuou com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e no Distrito Federal.[2] O instituto atende clientes em todos os segmentos de mercado, além de participar em licitações públicas.[3]

Além de pesquisas para o mercado o Instituto Veritá realiza o Prêmio Gestão Pública,[4] uma iniciativa própria iniciada em 2017 e que oferece a gestores municipais a avaliação do público em diversos segmentos de serviços públicos. O instrumento é uma ferramenta de gestão e governança que permite a adequação de políticas públicas e reconhece a qualidade do serviço público prestado. O Prêmio já aconteceu nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Em 2022 o Veritá se destacou por realizar o maior número de pesquisas registradas no TSE. Foram 152 feitas avaliando os cenários para governador, senador e presidente. Também foi o que registrou o maior número de entrevistas em suas pesquisas: 182 mil, aproximadamente.

O instituto registrou pesquisas para diversas eleições presidenciais e regionais no Brasil.[5][6][7]

Os primeiros anos

A história do Veritá tem início em 1995. Atuando com processamento de dados. Vendo o potencial da tecnologia para dar celeridade e exatidão ao trabalho de pesquisa, a evolução para o instituto focado nesse segmento foi natural. Com isso o Veritá se destacou pelo pioneirismo no uso de novas tecnologias que surgiam para dar exatidão e agilidade a seus levantamentos. Foi assim que o uso de, primeiro palm tops e depois tablets passaram muito cedo, ainda em 2006, a serem usados pelos entrevistadores do Veritá em campo. Com isso o instituto passou a oferecer a geolocalização de seus entrevistados, inclusive com a possibilidade de gravar as entrevistas.

"Desde nosso surgimento a tecnologia sempre foi uma aliada para oferecermos a assertividade e agilidade em nossas entregas. Mas graças à experiência de quase três décadas de atuação em todo país agregamos também dados e aprendizado que nos deram um conhecimento único da realidade brasileira”.[8]

Tipos de pesquisa

As pesquisas se classificam basicamente em dois tipos: as quantitativas e as qualitativas. As primeiras se destacam pela procura de dados que quantifiquem o que se quer conhecer. Pesquisas eleitorais e de opinião são duas pesquisas desse tipo. Observando parâmetros demográficos uma amostra da população é pesquisada através da aplicação de questionários.

Desse grupo se extrai a informação que será de interesse do cliente ou às vezes até de interesse público. Assim é possível saber por exemplo qual a opinião dos moradores de uma cidade sobre a gestão pública, o quanto uma mudança econômica gerou de alteração no perfil do consumidor ou qual candidato tem mais intenção de votos.

As pesquisas qualitativas buscam não só mensurar um tema, mas descrevê-lo, tirando dos entrevistados opiniões que podem gerar decisões pelo cliente. Fazem parte desse universo de pesquisa levantamentos sobre clima organizacional de uma empresa, percepções sobre uma marca e até percepções do público sobre um agente público ou candidato.

Amostragem

Para que uma pesquisa realmente demonstre a realidade que se quer conhecer a qualidade da amostra (que é o público entrevistado) tem de manter um padrão elevado. É nessa área com o planejamento e a qualidade amostral que o Instituto Veritá atua com maior expertise. Usando tecnologia e ferramentas para que a apuração chegue na melhor amostragem, o Instituto atua para que realmente o público entrevistado represente todo o universo que se quer conhecer com proporcionalidade.

Polêmicas

O instituto foi envolvido em uma polêmica por liberação de dados pela campanha de Aécio Neves.[9] O dono do instuto na época, Adriano Silvoni, confirmou o mau uso.[10] As pesquisas do instituto indicavam vitória de Aécio no segundo turno por 54,8% a 45,2% (9 de outubro)[11] e por 53,2% contra 46,8% (21 de outubro).[12] Dilma Roussef foi eleita em 26 de outubro de 2022 com 51,64% dos votos válidos contra 48,36% de Aécio. Em outra ocasião, nas eleições municipais de 2020, o Jornal de Uberaba criticou a metodologia do instituto em pesquisas[13]

Entre discurso e resultados: uma análise institucional do governo Eduardo Leite

Recentemente foi divulgada pesquisa da Veritta que avaliou o desempenho dos governadores brasileiros a partir da percepção da população de cada estado. Segundo o levantamento, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, aparece na 24ª posição no ranking nacional. O dado merece reflexão, pois avaliações de opinião pública costumam capturar a percepção acumulada da sociedade ao longo do tempo, especialmente quando confrontadas com os resultados concretos da gestão.


Ao longo de seu mandato, Eduardo Leite construiu uma imagem de gestor moderno e eficiente, associada a um discurso de renovação política. No entanto, uma análise mais detalhada de algumas decisões administrativas e indicadores de desempenho revela questionamentos relevantes quanto à coerência entre discurso e prática.


Na área tributária, o governo buscou promover alterações que incluíam aumento de impostos, inclusive sobre itens da cesta básica, o que naturalmente gera preocupação quanto ao impacto sobre o custo de vida da população, especialmente das famílias de menor renda. Paralelamente, verificou-se ampliação da estrutura administrativa do Poder Executivo, com aumento no número de secretarias de Estado, alcançando o maior patamar da história recente do Rio Grande do Sul, superando inclusive gestões anteriores reconhecidas por estruturas governamentais robustas.


No campo da educação, área que foi apontada como prioridade estratégica do governo, os resultados também suscitam debate. Dados indicam que aproximadamente 52% das crianças estão alfabetizadas na idade considerada adequada, percentual que posiciona o estado entre os desempenhos mais baixos do país. Soma-se a isso a adoção de mecanismos que permitem a progressão escolar de alunos reprovados em até quatro disciplinas, medida que tem sido interpretada por especialistas como tentativa de melhorar indicadores formais, mas que pode não refletir necessariamente uma efetiva evolução da aprendizagem.


Outro ponto de questionamento refere-se à política de comunicação institucional do governo, que envolve investimentos expressivos em publicidade oficial. Embora seja legítimo que governos divulguem suas ações, a análise crítica exige verificar se os resultados apresentados correspondem de fato a melhorias estruturais percebidas pela população.


No âmbito da infraestrutura, o programa de concessões rodoviárias prevê a criação de 58 novas praças de pedágio, com aporte aproximado de 3 bilhões de reais em recursos públicos, além da possibilidade de elevação significativa das tarifas cobradas dos usuários. O tema tem gerado debate público acerca do equilíbrio entre investimento, qualidade do serviço e custo para a sociedade.


A situação fiscal do Estado também merece análise. O Rio Grande do Sul iniciou o governo na 25ª posição no ranking nacional de solidez fiscal e, mesmo após privatizações, reformas administrativas e receitas extraordinárias, encerrou o ano de 2025 na 27ª posição, último lugar entre os estados brasileiros. O dado indica que os desafios estruturais das contas públicas permanecem relevantes e exigem políticas consistentes de longo prazo.


Por fim, algumas iniciativas pontuais geraram repercussão negativa, como a tentativa de aquisição de aeronave com recursos vinculados à reconstrução do Estado, a proposta de destinação de recursos públicos para escola de samba no Rio de Janeiro e a construção de quadra de beach tênis na residência oficial do governo em Canela. Independentemente do mérito específico de cada decisão, tais episódios contribuíram para ampliar o debate sobre prioridades administrativas e alocação de recursos públicos.


A avaliação de um governo deve sempre considerar tanto o discurso quanto os resultados efetivamente alcançados. A comunicação institucional é parte legítima da gestão pública, mas a credibilidade de qualquer administração depende, sobretudo, da consistência entre as promessas apresentadas e os indicadores concretos de desempenho.


A opinião pública, ao longo do tempo, tende a ajustar sua percepção à luz dos fatos observados. Por isso, o debate público qualificado, baseado em dados e resultados, é essencial para o aperfeiçoamento das políticas públicas e para o fortalecimento da confiança da sociedade nas instituições.