Artigo - Lula cobra experiência de Flávio, mas quando se elegeu era torneiro mecânico

por Rodrigo Alves, jornalista.

Lula se agarra à experiência, mas Flávio Bolsonaro tem currículo acadêmico mais robusto 

Lula tenta transformar a experiência política em seu principal trunfo eleitoral contra Flávio Bolsonaro, como se décadas de vida pública fossem, por si só, um certificado de competência para governar. 

O argumento, entretanto, tem um ponto fraco: antes de chegar à Presidência, em 2002, Lula não tinha experiência em cargos executivos de governo nem formação universitária. Torneiro mecânico formado pelo Senai e ex-líder sindical, construiu sua trajetória na política até conquistar o Planalto na quarta tentativa. Sua história é conhecida, mas ela também demonstra que não era necessário ter sido presidente ou possuir uma longa experiência administrativa para disputar e vencer a eleição. 

No campo da formação acadêmica e profissional, Flávio Bolsonaro apresenta um currículo mais robusto. Advogado, empresário e senador da República pelo Rio de Janeiro, reúne graduação em Direito, especialização em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV). 

Se Lula reivindica a experiência acumulada ao longo de seus mandatos, Flávio pode apresentar uma formação acadêmica mais extensa e diversificada. É um contraste legítimo, sobretudo quando o próprio presidente utiliza a experiência como argumento para convencer o eleitor de que estaria mais preparado para governar. 

A questão central, portanto, é por que a experiência de Lula deveria ser considerada um diferencial absoluto, enquanto a formação e a trajetória profissional de seu adversário seriam insuficientes para disputar a Presidência. Lula também chegou ao poder sem ter ocupado anteriormente o cargo de presidente e sem experiência na chefia do Executivo federal. Sua eleição não foi impedida por essas limitações. 

Se o argumento é que experiência se constrói ao longo da trajetória, Lula não pode tratar esse atributo como um privilégio exclusivo nem como uma credencial que encerra o debate. O eleitor deve comparar currículos, propostas, capacidade de gestão e resultados, sem aceitar que a experiência passada, isoladamente, substitua a discussão sobre o futuro do país. 

Além da discussão sobre currículos, Lula precisa enfrentar o desgaste provocado pelos problemas de seu governo: o peso das despesas públicas, a dificuldade de equilibrar as contas federais, a pressão dos juros elevados sobre o crédito e o custo de vida que afeta o orçamento das famílias. No campo político, a polarização permanece intensa, enquanto disputas com o Congresso dificultam a construção de consensos duradouros. Na área social, persistem desafios históricos, como a desigualdade, a insegurança alimentar e a precariedade dos serviços públicos em diversas regiões. 

A experiência que Lula tanto reivindica deveria ser cobrada também pelos resultados que entrega: afinal, depois de tantos anos na política e de vários mandatos presidenciais, o que realmente melhorou na vida dos brasileiros?

Imprensa sob suspeita: a seleção de manchetes favorece Lula na cobertura eleitoral?

Às 13h50 desta quarta-feira (14), a seção Poder Eleições 2026, do Poder360, reunia oito chamadas com enfoques variados, mas várias delas destacavam mobilizações favoráveis a Lula, ações de seu governo ou episódios envolvendo aliados e plataformas digitais. 

Entre os títulos estavam “Atos por virada de Lula lotam ruas em ao menos 37 cidades”, “PT recria propaganda sobre Hitler e compara Flávio a Collor” e “Com perdão para dívidas de MEIs, Lula completa R$ 248,7 bi de bondades”. 

Leitores vêm questionando, nas últimas semanas, se a seleção e a hierarquia dessas manchetes oferecem espaço equilibrado aos dois candidatos. 

A discussão ganhou outro componente com a divulgação da pesquisa PoderData/Aya, cuja manchete foi “Lula reage e vai a 49% contra 51% de Flávio, diz PoderData”. O resultado, apresentado com diferença de dois pontos percentuais, chama a atenção para a importância de analisar a metodologia, a margem de erro e o contexto do levantamento. 

O PoderData pertence ao grupo de comunicação responsável pelo Poder360, o que também torna relevante distinguir a divulgação editorial da pesquisa e a interpretação política de seus números. 

Veículos como Poder360, UOL e MSN são frequentemente percebidos por parte do público como fontes de informação apartidárias. Entretanto, a imparcialidade não depende apenas da veracidade de cada notícia, mas também da escolha dos assuntos, do destaque dado a cada personagem e da diversidade de perspectivas. 

A seleção de manchetes de um único horário não comprova, isoladamente, favorecimento político, mas constitui um ponto de partida para cobrar transparência nos critérios editoriais e avaliar, ao longo do tempo, se a cobertura oferece tratamento proporcional aos diferentes lados da disputa.

Matérias de hoje no Poder Eleições 2026:

  1. Atos por virada de Lula lotam ruas em ao menos 37 cidades  - 7h18
  2. Lula reage e vai a 49% contra 51% de Flávio, diz PoderData/Aya  - 7h15
  3. Caetano Veloso convoca ato-show pela democracia no Rio no domingo  - 7h45
  4. PT recria propaganda sobre Hitler e compara Flávio a Collor  - 13h
  5. Com perdão para dívidas de MEIs, Lula completa R$ 248,7 bi de bondades  - 13h23
  6. Com Exército do Lula fora do ar, Janones migra para o Instagram - 6h
  7. Meta bloqueia “Lula 13” mas libera “Flávio 22” na IA do WhatsApp - 13h23
  8. Lula usa óculos futuristas estilo cyberpunk em vídeo com jovens - 12h18

Dica do editor - Azeite de oliva pode ajudar a preservar a saúde do cérebro

Artigo analisa o papel do azeite de oliva na redução do declínio cognitivo 

Uma revisão de pesquisas recente examina como a adesão à dieta mediterrânea e o consumo de azeite de oliva extravirgem podem afetar positivamente a saúde cognitiva. Com base em metanálises envolvendo 730 mil participantes e evidências recentes de imagens por ressonância magnética, os pesquisadores concluíram que muitos dos mecanismos pelos quais o consumo de azeite de oliva e a dieta mediterrânea promovem a saúde cardiovascular e reduzem a inflamação também atenuam os impactos do comprometimento cognitivo leve, da doença de Alzheimer e da demência vascular. 

Ao analisar os dados, os pesquisadores investigaram os impactos da adesão à dieta mediterrânea sobre os fatores de risco cardiovasculares, os efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes do azeite de oliva extravirgem, o papel do azeite de oliva na prevenção do AVC e vários outros indicadores de saúde. 

“Em resumo, o estudo mostra que o azeite de oliva e a dieta mediterrânea contêm polifenóis anti-inflamatórios e outros componentes que geram uma resposta sistêmica para atenuar os fatores de risco vasculares, ao mesmo tempo em que oferecem efeitos neuroprotetores diretos para ajudar a prevenir o início da demência”, afirmou Aitor González-Cidad, principal autor do estudo e estudante do sexto ano de medicina na Universidade do País Basco. 

No entanto, os pesquisadores enfatizaram a necessidade de ensaios clínicos adicionais controlados por placebo para confirmar o papel nutricional benéfico do azeite de oliva extravirgem no declínio cognitivo associado à idade em idosos. 

“Pesquisas futuras devem determinar como esses mecanismos se traduzem na prática clínica, isolando o azeite de oliva extravirgem e seus polifenóis”, escreveram eles. 

Começando pelo papel da melhoria da saúde cardiovascular no comprometimento cognitivo, os pesquisadores descobriram que os pacientes que seguiam a dieta mediterrânea com azeite de oliva extravirgem apresentavam menor risco de hipertensão e obesidade, ambas fortemente associadas a doenças cardiovasculares e a sintomas de doenças vasculares ligados ao comprometimento cognitivo. 

Além disso, os pesquisadores indicaram que a dieta mediterrânea influencia diretamente os principais fatores patogênicos de uma das principais causas de doenças cardiovasculares, a aterosclerose, que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da demência vascular.  

A adesão à dieta mediterrânea alcançou isso por meio da redução da pressão arterial, da melhora dos perfis lipídicos e da redução da inflamação. 

Os pesquisadores também investigaram o papel da dieta mediterrânea e do azeite de oliva extravirgem na saúde vascular, cuja deterioração está diretamente associada à demência vascular, o segundo tipo mais comum de demência, depois da doença de Alzheimer. 

De acordo com a literatura científica, as doenças cerebrovasculares, incluindo acidente vascular cerebral, isquemia cerebral crônica e doença dos pequenos vasos subcorticais, são a principal causa da demência vascular. 

Os pesquisadores descobriram que a adesão à dieta mediterrânea está associada à prevenção do AVC isquêmico e hemorrágico, o que, por sua vez, reduz a incidência de demência vascular, acrescentando que a dieta mediterrânea ajuda a preservar a integridade e a função cerebrovasculares ao melhorar esses parâmetros metabólicos. 

Os pesquisadores destacaram ainda o papel específico do azeite de oliva extravirgem nessa proteção, observando que um estudo observacional com 239 pacientes com AVC isquêmico mostrou taxas mais elevadas de recanalização arterial completa com o consumo de azeite de oliva extravirgem do que com a adesão geral à dieta mediterrânea. 

Essa descoberta sugeriu que o azeite de oliva extravirgem produz efeitos vasculares únicos, distintos daqueles obtidos apenas com a dieta mediterrânea. 

Separadamente, os pesquisadores identificaram a redução do estresse oxidativo como um dos mecanismos mais significativos por meio dos quais a dieta mediterrânea e o consumo de azeite de oliva extravirgem impactam positivamente a saúde cognitiva. 

Eles observaram que o estresse oxidativo é um fator-chave no envelhecimento cerebral e na neurodegeneração, tornando-se um alvo importante para intervenções destinadas a retardar o declínio cognitivo.  

A literatura científica identificou que o acidente vascular cerebral e a isquemia cerebral, que ocorrem quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é reduzido, podem agravar ainda mais o estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial, processos associados a danos neuronais e à doença de Alzheimer. 

Por meio de sua análise, os pesquisadores descobriram que a dieta mediterrânea pode ajudar a combater esses efeitos por meio de seus compostos antioxidantes, incluindo as vitaminas C e E, que reduzem o estresse oxidativo e têm sido associadas a melhores resultados cognitivos.  

Os pesquisadores destacaram o papel do ácido oleico, do hidroxitirosol e do oleocanthal na redução do estresse oxidativo, no aprimoramento da função endotelial e na modulação das cascatas inflamatórias implicadas na doença dos pequenos vasos cerebrais, que está “intimamente relacionada” à patogênese da demência vascular. 

Eles acrescentaram que os efeitos positivos do azeite de oliva extravirgem sobre a circunferência da cintura, os triglicerídeos, a glicemia em jejum, a lipoproteína de alta densidade (HDL) e os fatores inflamatórios sistêmicos também estão diretamente ligados à redução do risco cerebrovascular. 

Os pesquisadores também descobriram que o azeite de oliva extravirgem atua como um potente potenciador da saúde mitocondrial, aumentando a geração de ATP e melhorando os índices cognitivos em modelos com ratos. 

Além disso, acrescentaram que a adesão à dieta mediterrânea tem sido associada a um menor risco de acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos devido à redução da inflamação e à melhora da função endotelial. O acidente vascular cerebral é uma das principais causas da demência vascular. 

Analisando especificamente o papel do consumo de azeite de oliva extravirgem e do comprometimento cognitivo, os pesquisadores confirmaram ainda que os mecanismos anti-inflamatórios de dietas ricas em ácidos graxos monoinsaturados, antioxidantes e polifenóis presentes no azeite de oliva extravirgem reduzem significativamente a interleucina-6, uma citocina pró-inflamatória associada à doença de Alzheimer. 

Demonstrando como as associações positivas do azeite de oliva extravirgem com a saúde cognitiva estão interligadas, os pesquisadores afirmaram que esses compostos melhoram a função mitocondrial, o que também reduz o estresse oxidativo e melhora a função endotelial.  

A melhora na função endotelial, por sua vez, leva o corpo a fenótipos metabólicos mais saudáveis e modula a expressão de genes relacionados ao metabolismo lipídico e à sensibilidade à insulina, entre outros mecanismos

Voltando ao papel do azeite de oliva extravirgem no comprometimento cognitivo, os pesquisadores destacaram que ensaios pré-clínicos mostram que os polifenóis podem influenciar a hiperfosforilação da proteína tau e as agregações de beta-amilóide, dois mecanismos fisiopatológicos centrais da doença de Alzheimer. 

Os pesquisadores também investigaram a relação entre os polifenóis do azeite de oliva extravirgem e o declínio cognitivo.  

Eles descobriram que o hidroxitirosol, o oleocanthal, a oleuropeína e a luteolina foram todos associados, em estudos pré-clínicos, à modulação de mecanismos-chave da doença de Alzheimer. 

Mais especificamente, eles descobriram que o oleocanthal e a oleuropeína inibem a formação de oligômeros e fibrilas neurotóxicas da proteína beta-amilóide e facilitam a desagregação de estruturas amilóides pré-formadas.

Também foi demonstrado que o oleocanthal ativa o processo autofágico, que ajuda a eliminar detritos celulares e a melhorar a função mitocondrial, protegendo contra a doença de Alzheimer. 

Esses polifenóis reduziram de forma semelhante a fosforilação e a agregação da proteína tau, enquanto outros compostos fenólicos demonstraram reduzir a neuroinflamação crônica ao diminuir a ativação microglial e reduzir os níveis de citocinas inflamatórias. 

Esses compostos fenólicos também demonstraram inibir as vias da p38 MAPK, que estão envolvidas no estresse oxidativo e na neurodegeneração, e ajudar a quebrar o ciclo de toxicidade amilóide, reduzindo a morte neural.Do altamente científico ao mais cotidiano, os pesquisadores também examinaram o impacto da dieta mediterrânea no sono e no humor. 

Eles descobriram que uma maior adesão à dieta mediterrânea estava associada a melhor qualidade do sono e a um sono mais estável, “proporcionando um mecanismo plausível para a neuroproteção”, já que o sono de má qualidade tem sido associado ao comprometimento cognitivo e ao risco de demência. 

Eles acrescentaram que a adesão à dieta mediterrânea melhora os marcadores de inflamação e estresse oxidativo, sugerindo um impacto benéfico na apneia do sono e na melhoria da circulação glinfática durante o sono, o que favorece a função cognitiva. 

Com novas pesquisas sobre o assunto previstas para serem publicadas nos próximos meses, os pesquisadores afirmaram que os médicos deveriam considerar mais seriamente a incorporação da dieta mediterrânea aos programas de tratamento para pessoas em risco de comprometimento cognitivo. 

“A dieta mediterrânea deve ser enfatizada pelos médicos em futuras estratégias alimentares e não farmacológicas especificamente concebidas para mitigar os principais fatores de risco para a demência”, escreveram eles. 

“Embora os benefícios gerais da dieta mediterrânea estejam bem documentados, há a necessidade de sintetizar os dados mais recentes, que datam de 2020, sobre os mecanismos neuroprotetores específicos do azeite de oliva extravirgem e como essas intervenções se correlacionam com resultados clínicos mensuráveis”, concluíram os pesquisadores. 

Por Daniel Dawson | Site Olive Oil Times

Artigo, especial, Renato Sant'Ana - Um teste à nossa capacidade de indignação

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail releituras21@gmail.com

O quanto podemos estar anestesiados e insensíveis a ponto de já não nos desconcertarmos com a onda de indignidade que campeia no país?

O deputado André Janones disse à coluna do jornalista Paulo Cappelli, do Portal Metrópoles, que, em 2026, faria uma campanha "mais baixa que a anterior" para reeleger Lula. Janones, militante de extrema esquerda, declarou: "A brincadeira nem começou ainda e vou fazer uma campanha mais baixa que a anterior. O Flávio será amassado e haverá choro e ranger de dentes" (Metrópoles, 03/04/2026).

A promessa está sendo cumprida. Um tsunami de fake news tomou as redes sociais. Mentiras do tipo Flávio vai acabar com o Pix, com o SUS, com o décimo terceiro e com a aposentadoria são o mínimo.

Às vezes, o tiro sai pela culatra, quando a mentira traz à tona um fato que a esquerda gostaria de ocultar. Aconteceu quando mentiram que Flávio Bolsonaro ia cassar a condição de "padroeira do Brasil" atribuída pela tradição à Nossa Senhora Aparecida e contemplada na lei 6.802/1980.

Em 06/10/2026, o Poder360 publicou: "Dirigente do PT defendeu no STF em 2020 fim de feriado de Nossa Senhora". A ação foi assinada pelo advogado Ralph Anzolin Lichote, um ex-dirigente do PT fluminense. Ele atuou só como profissional e o PT não foi parte na ação. mas isso dizemos nós a bem da verdade, nós que não nos alinhamos com a truculência da esquerda. A notícia, porém, tem impacto e sublinha a desonestidade petista.

É preciso conhecer fatos até aqui omitidos pela extrema imprensa e, só assim, compreender o jogo sujo que está sendo jogado para reeleger Lula.

Em 2014, o PT realizou um "camping digital" em São José dos Campos/SP, reunindo 2000 militantes a serem treinados para "guerrilhas virtuais": começava a campanha pelo 2º mandato de Dilma Rousseff. Foram treinados cerca de dois mil militantes para, além doutras práticas nada santas, "ganhar audiência em blogs", "defender o partido na internet" e, notem isto, "navegar sem deixar rastros que permitam a identificação", isto é, agir de forma anônima, driblar as autoridades e cometer, sem risco, nas redes sociais, três crimes previstos no Código Penal: calúnia, injúria e difamação.

Mas não começou aí. O camping digital foi para atiçar a fúria e incitar milicianos: "Desde 2010, o PT tem dado uma atenção especial à atuação da militância virtual", disse à época Emidio de Souza, presidente do PT paulista. Em 2011, no 4º congresso do PT, foi criada a Militância em Ambientes Virtuais (MAV, na sigla petista) para infestar as redes com ataques a adversários e à imprensa independente.

A maldade se aprimorou e hoje está mais articulada. Um delinquente lança nas redes sociais a mentira: "Flávio quer cassar a padroeira do Brasil". Lula faz um teatro fingindo indignação. Janja aparece com uma medalha de Nossa Senhora Aparecida: é para viralizar. Um colunista de O Globo usa suas mídias sociais para pôr mais veneno. E essa infâmia fica impune.

O jogo é sujo. É pesado. Sem escrúpulos. Mas não é de hoje. A diferença agora é a presunção de impunidade, o que explica a petulante ousadia de um extremista como Janones, capaz de revelar seu propósito indigno a um jornalista sem recear qualquer prejuízo.

Quantos ainda resistirão em admitir que estamos à beira do mais cruento autoritarismo? E quantos já terão compreendido a sanha revolucionária dos partidos de esquerda no Brasil?

É forçoso dizer. Não ter o ato concreto de votar contra quem transforma a política num vale tudo é aceitar a supremacia de extremistas para quem a lei não importa: só importa a vontade (e a conveniência) do partido. Votar em branco, votar nulo ou abster-se de votar, em vez de rebelar-se contra esse jogo sujo, são formas de omissão: é deixar o caminho livre para quem não respeita sobretudo  a liberdade dos demais.



VEJA: Registros do Planalto confirmam encontros de Vorcaro com operador ligado a grupo de Padilha

Registros de acesso ao Palácio do Planalto indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, esteve no local em pelo menos duas ocasiões, em março e abril de 2024, acompanhado de Júlio Cezar, apontado pelo banqueiro como operador de um grupo ligado ao ministro Alexandre Padilha. As informações foram publicadas pela revista VEJA nesta terça-feira (13). 

Segundo a reportagem, os registros da Presidência coincidem com informações encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e com relatos incluídos em uma proposta de delação apresentada pelo empresário às autoridades. O material descreve articulações para ampliar a atuação do Banco Master junto a fundos de pensão ligados a empresas públicas. As acusações, porém, não equivalem a conclusões judiciais sobre a responsabilidade dos citados. 

Encontros ocorreram em março e abril de 2024 

De acordo com os dados de acesso mencionados por VEJA, Vorcaro e Júlio Cezar registraram suas entradas no Planalto às 14h33 de 1º de março de 2024. O segundo encontro conjunto ocorreu em 3 de abril daquele ano, quando ambos foram registrados às 17h29. 

Na versão apresentada pelo banqueiro em sua proposta de delação, a primeira reunião teria envolvido Alexandre Padilha, o então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto, e outros interlocutores. Vorcaro afirma que Júlio atuava na articulação de encontros com dirigentes de fundos de previdência. 

A reportagem também relata que mensagens extraídas do celular do banqueiro indicariam que Júlio coordenava agendas em Brasília e intermediava contatos com representantes de instituições responsáveis pela administração de recursos previdenciários. 

Proposta de delação menciona R$ 10 bilhões em captações 

O relato atribuído a Vorcaro descreve um suposto plano para captar até R$ 10 bilhões junto a fundos de pensão de servidores da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Em contrapartida, segundo a acusação apresentada pelo banqueiro, integrantes do grupo receberiam pagamentos equivalentes a 10% dos valores captados. 

A proposta mencionaria, assim, até R$ 1 bilhão em supostas propinas. O documento também relata um pagamento de R$ 500 mil a Júlio Cezar, que teria ocorrido após a inclusão do Banco Master na lista de instituições autorizadas a operar com determinados fundos previdenciários. 

Segundo a revista, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram a proposta de delação. A reportagem afirma que as autoridades consideraram insuficientes as provas apresentadas para avançar na investigação daquele relato. Portanto, os valores e as supostas contrapartidas descritos permanecem vinculados às alegações do banqueiro, e não a uma condenação judicial. 

Fundos de pensão estão no centro das suspeitas 

Entre as instituições citadas no material estão a Previ, ligada aos funcionários do Banco do Brasil; a Petros, dos trabalhadores da Petrobras; a Postalis, dos empregados dos Correios; e a Funcef, dos funcionários da Caixa. 

A reportagem relata que Vorcaro buscava ampliar a distribuição de títulos financeiros do Banco Master entre investidores institucionais. As mensagens atribuídas ao banqueiro e a seus interlocutores indicariam tentativas de agendar reuniões com dirigentes dessas entidades e de viabilizar operações financeiras. 

O episódio também levanta questões sobre os critérios de avaliação de risco, a governança dos fundos e a independência das decisões de investimento. Essas instituições administram recursos destinados ao pagamento de benefícios previdenciários, o que torna essencial a observância de regras de prudência, transparência e proteção do patrimônio dos participantes. 

Governo nega envolvimento nas irregularidades 

Conforme a reportagem de VEJA, Alexandre Padilha e Olavo Noleto negaram envolvimento em irregularidades relacionadas aos negócios de Vorcaro. A publicação também informa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros nomes citados refutaram as acusações. 

O ministro e os demais envolvidos devem ter suas manifestações consideradas na avaliação dos fatos. A existência de registros de entrada no Planalto comprova a realização de visitas, mas não demonstra, isoladamente, que os participantes tenham cometido crimes ou participado de eventuais pagamentos ilegais. 

O caso reúne, portanto, duas dimensões distintas: os encontros institucionais registrados pela Presidência e as acusações de um suposto esquema financeiro descrito em uma proposta de delação rejeitada pelas autoridades. 

A apuração sobre eventuais irregularidades depende da análise de documentos, transações financeiras, comunicações e demais elementos que possam confirmar ou afastar as alegações. Até que haja conclusões das autoridades competentes, é necessário distinguir os fatos documentados das declarações atribuídas ao banqueiro.

Carta do leitor - Zucco, não caia na armadilha da RBS

Zucco, não caia na armadilha da RBS: O afago de hoje pode custar milhões amanhã

Opinião do leitor, Rodrigo Alves, jornalista 

O novo governador gaúcho precisa abrir os olhos. O súbito interesse do Grupo RBS pelo governador e seus principais assessores, com espaços para entrevistas de assessores, pautas favoráveis, colunas, fotos e vídeos em seus veículos, merece ser observado com desconfiança por quem conhece a força e os interesses comerciais da maior estrutura de comunicação do Rio Grande do Sul. 

A imprensa tem todo o direito de entrevistar quem quiser, mas o eleitor também tem o direito de questionar por que determinadas portas parecem se abrir com tanta facilidade quando um novo governo está prestes a assumir. 

Na visão de um eleitor da direita, que há anos não se identifica com a linha editorial da RBS TV, é difícil ignorar a possibilidade de que essa aproximação tenha segundas intenções: conquistar espaço, influência e boa vontade junto ao futuro governador antes da definição dos contratos publicitários dos próximos quatro anos. 

O histórico de dinheiro público destinado a eventos ligados ao grupo reforça a necessidade de vigilância. Em dos exemplos, no caso do Planeta Atlântida 2023, 24, 25 e 2026, foram divulgados patrocínios estaduais de mais de R$ 5 milhões envolvendo Banrisul, Secretaria de Comunicação e Detran, durante o governo Eduardo Leite. 

A pergunta que não pode ficar sem resposta é direta: por que o contribuinte deve financiar, com milhões de reais, um festival privado promovido pelo grupo que também controla importantes veículos de comunicação do Estado? 

Zucco não pode chegar ao Piratini e simplesmente renovar práticas do governo anterior. Cada contrato precisa passar por uma análise rigorosa, com critérios públicos, retorno demonstrável e prestação de contas. A publicidade oficial não pode funcionar como um cheque em branco para grandes grupos de mídia. 

O eleitor que ajudou a eleger Zucco não votou para ver o novo governador cair nos braços de um conglomerado de comunicação cuja linha editorial muitos conservadores criticam e sempre foi critica a seu principal líder, Jair Bolsonaro, contribuindo muito para a sua prisão. Tampouco votou para assistir a uma reaproximação automática com Eduardo Leite, que declarou não apoiar nenhum dos candidatos no segundo turno, embora sua posição política seja reconhecida por todos da direita. 

A RBS sabe muito bem o peso que tem no debate público e sabe que manter boas relações com o governo pode ser comercialmente relevante. Por isso, Zucco precisa entender que microfone aberto, entrevista em horário nobre e manchete favorável não são presentes desinteressados. O governador eleito deve conversar com todos, mas não deve confundir exposição midiática com apoio político, nem cordialidade jornalística com compromisso editorial. 

A mensagem ao novo governador é simples: não troque a confiança de quem votou na direita pelo conforto de aparecer bem na RBS. E não permita que a conta dessa aproximação seja paga no ano que vem com o dinheiro do contribuinte.

Dica do editor - Olhos biônicos prometem recuperar parte da visão

Tecnologias conhecidas como olhos biônicos estão avançando nas pesquisas para devolver parte da visão a pessoas com determinados tipos de cegueira. Os dispositivos utilizam câmeras, microchips e estímulos elétricos para transformar imagens em sinais que o sistema visual consegue interpretar. 

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda não reproduz a visão natural e os resultados variam conforme o tipo de dispositivo e a condição do paciente. 

Uma das abordagens mais recentes prevê o uso de câmeras acopladas a óculos, conectadas sem fio a um implante no córtex visual, região do cérebro responsável pelo processamento das imagens. Outra tecnologia, chamada Prima, utiliza um chip implantado sob a retina e foi testada em pacientes com degeneração macular relacionada à idade. 

Em um pequeno ensaio clínico, o dispositivo permitiu recuperar visão central funcional em parte dos participantes, incluindo a capacidade de reconhecer letras e palavras. 

Apesar das perspectivas, ainda existem desafios relacionados à segurança das cirurgias, à durabilidade dos implantes e à qualidade das imagens percebidas pelos pacientes. Algumas tecnologias estão em fase de pesquisa ou testes clínicos, e não representam uma solução disponível para todos os tipos de cegueira.

 Pesquisadores também investigam alternativas, como terapias celulares capazes de substituir células da retina danificadas. O objetivo é ampliar a autonomia de pessoas com deficiência visual, mas a recuperação completa da visão ainda está distante.