Entrevista - Felipe Vieira entrevista o criminalista Alexandre Wunderlich sobre a sessão do STF

O advogado criminalista e professor Alexandre Wunderlich faz uma distinção importante sobre a defesa apresentada por Alexandre de Moraes ao STF.


Para ele, o Supremo não precisa decidir agora se Moraes é culpado ou inocente. A questão é anterior: há justa causa e um mínimo de elementos para investigar?


Wunderlich lembra que o in dubio pro reo, a dúvida em favor do réu, ganha força no julgamento do mérito. Neste momento, porém, sustenta que a lógica é outra: diante de indícios mínimos, a dúvida não deveria impedir a investigação. É o chamado in dubio pro societate.


Na avaliação do criminalista, Moraes antecipou uma defesa de mérito ao pedir a anulação do relatório da PF e rebater ponto a ponto as suspeitas.


Wunderlich resumiu sua crítica em uma frase forte:


“Se fossem mortais, isso já teria sido instaurado e nem debatido. Meu cliente já estaria preso, já estaria fazendo habeas corpus.”


O ponto não é condenar Moraes antecipadamente. É justamente permitir que os fatos sejam investigados para saber se as suspeitas procedem ou não.


A pergunta que fica para o STF é simples: um ministro da Corte deve enfrentar o mesmo critério aplicado a qualquer outro cidadão?


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Editorial da RBS - Fachin deve se manter firme

A sessão plenária extraordinária desta terça-feira do Supremo Tribunal Federal (STF) está destinada a marcar época. Os ministros da Corte decidirão como o 15 de setembro de 2026 será lembrado no futuro. Poderá ser a data guardada na memória como um ponto de inflexão, o início da reversão do processo de perda acelerada da confiança pública na instituição. Ou então o dia da maior desmoralização dos 135 anos de existência do Supremo, com consequências inimagináveis para a democracia do país.

Na bifurcação à frente do STF, o caminho da decência exige que o objetivo da sessão seja alcançado e que os ministros analisem o relatório da Polícia Federal (PF) sobre a troca de mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Esse exame deve levar à abertura de uma investigação formal para elucidar a natureza da relação de Moraes com o protagonista do maior escândalo financeiro já visto no Brasil. A trilha da infâmia é a que vem sendo traçada pelo próprio ministro e colegas que o apoiam, para avacalhar o julgamento com uma série de artimanhas regimentais que protelem uma decisão ou então varram as suspeitas graves para debaixo do tapete. 

Será preciso vencer a saraivada de manobras anunciadas para frustrar a sessão e torná-la fechada, sem transmissão ao público

Diante deste momento de singular gravidade, os brasileiros cansados de imoralidades e desvios de comportamento impunes contam que o presidente do STF, Edson Fachin, se manterá firme no propósito de conduzir o plenário a uma decisão. Será preciso vencer a saraivada de manobras anunciadas para frustrar a sessão e torná-la fechada, sem transmissão ao público. Aguarda-se que a maioria dos ministros cerre fileiras na defesa da instituição, postura incompatível com o espírito de corpo. Há indícios mais do que suficientes para um inquérito que investigue Moraes, o que não significa condenação prévia. Isso demonstraria tão somente que a lei deve valer para todos. Parece pouco, mas hoje é muito.

A despeito de vacilações iniciais, Fachin mostrou compreender que a ocasião, pelo caráter histórico, requer determinação. Rechaçou a pressão para que a sessão fosse jogada para as calendas. Negou o exame da conduta do ministro André Mendonça no caso nesta terça-feira, evitando maior tumulto processual. Os atos de Mendonça serão devidamente escrutinados na próxima semana. Fachin assumiu a relatoria das investigações relacionadas ao Master e ao escândalo do INSS para minimizar o risco de uso político das apurações, retirou Moraes da condução do exorbitante inquérito das fake news e determinou o fim de uma série de sigilos. 

Moraes se nega a dar satisfações sobre a proximidade com Vorcaro e sobre as suspeitas de que agia como conselheiro de um banqueiro investigado pela PF por fraudes e compra de apoio político. Se não explica, é elementar supor que a razão do vínculo nada tem de republicana. O contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório de advocacia de sua esposa fala por si.  

A sessão deste 15 de setembro tende a ser de máxima tensão. Vários ardis são cogitados pelos aliados de Moraes, como um pedido de vista que adie o resultado. Deveriam lembrar que o julgamento do tribunal da História é implacável. 

Em meio à luta cruenta entre alas do STF, Fachin age com isenção e coragem. Tem recebido apoios de peso na sociedade brasileira para ir adiante neste início de processo de saneamento da Corte. A recuperação da credibilidade do Supremo passa pelo seu êxito nesta terça-feira. 



Artigo, especial, Pedro Simon - A grande crise brasileira

Pedro Simon - Advogado; foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura. 

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, lutando por um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado Federal, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo. Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional. Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem respon sabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.


Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República — mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar. As investigações em torno do escândalo do Banco Master, o embate público entre ministros do Supremo Tribunal Federal, a dúvida lançada sobre a isenção do próprio procurador-geral da República e o conturbado afastamento do comando da Polícia Federal expuseram, aos olhos de todo o país, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos três Poderes da República.


Foi no Senado que passei trinta e dois dos meus sessenta anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado Federal, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da Mesa Diretora, sem parecer e sem votação. Em toda a nossa história democrática , nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um Poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.


As ações que tomarmos a seguir definirão os rumos do país pelas próximas décadas. Rogo que o Supremo, no julgamento desta terça-feira, dia 15 de setembro, tenha condições de conduzir um julgamento aberto, público e transparente. O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o procurador-geral da República, diante das dúvidas lançadas sobre sua isenção, não participe do julgamento; que o Supremo retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; qu e todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.


Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só Poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

Artigo, especial, Renato Sant'Ana - Escolha entre falácia e informação

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail: releituras21@gmail.com

"Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz", eis a regra adotada por aqueles para quem o embate político é um vale tudo, adversários são inimigos e os meios mais sórdidos se justificam. O candidato ao governo de S. Paulo, Fernando Haddad, teve o peito de dizer: "O Banco Master nasce, cresce e se desenvolve durante a gestão do presidente do Banco Central nomeado pelo Bolsonaro." Haddad joga com a desinformação das pessoas, desviando-lhes a atenção de fatos graves que envolvem o PT, quando o escândalo do Master tem, como se verá aqui, DNA petista.

Sim, coincidindo com o período de Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central (BC), o Master era gestado, só que num curral petista. É o que informa o Portal360: "A arquitetura da maior fraude financeira da história do Brasil jamais teria sido possível se Daniel Vorcaro, do Banco Master, não tivesse se associado ao empresário baiano Augusto Lima, no final de 2018. E Augusto Lima, o Guga, não teria prosperado sem a ajuda direta dos políticos petistas mais famosos da Bahia, Jaques Wagner e Rui Costa" (publicado em 10/08/2026).

Há muitos capítulos. Mas a síntese da história é esta: o Estado da Bahia tinha uma cadeia de supermercados na qual servidores estaduais podiam comprar alimentos. Depois foi criado um cartão (o Credicesta), em que o valor gasto nas lojas da rede era descontado na folha de pagamento do servidor. O sistema era deficitário. Mas não se pode dizer que foi por isso que o PT, fissurado em programas estatais, quis privatizá-lo.

Em 2018, o ativo da rede de supermercados foi privatizado, assim como o Credicesta. Pelo negócio, o Estado da Bahia recebeu um valor simbólico: R$ 15 milhões. Quem comprou? Augusto Lima! Quem vendeu? Rui Costa, então governador, com participação de Jaques Wagner. Diz a reportagem: "A operação foi esquisita. Participaram um empresário espanhol e outro da Bahia, mas o comprador real e definitivo dessa geringonça deficitária foi Guga [Augusto Lima]. Os outros 2 nunca mais apareceram." 

Cabe perguntar: por que Augusto Lima compraria um negócio deficitário?

Nas mãos de Guga Lima, o Credicesta, renomeado como Credcesta, virou uma potência da noite para o dia, graças às suas sólidas relações de amizade com os petistas da Bahia. Conforme a matéria, antes de fechar o negócio, ele articulou tudo com Costa e Wagner: "Nas conversas, Guga deixava bem claro: a Ebal e seus supermercados não valiam nada. O Credcesta, sim, tinha um grande potencial. Não para comprar comida fiado. Mas para virar um cartão para empréstimos consignados (...)".

Aos 16 dias de virar dono do Credcesta, Guga recebeu um favor: Rui Costa (governador, com Jaques Wagner como secretário de Desenvolvimento) assinou dois decretos que mudaram o jogo. O Credcesta, um cartão que só prestava para comprar arroz e feijão, ficou a um passo da agiotagem. Com ele, o funcionário público passou a sacar dinheiro e tomar empréstimo consignado a juros de quase 5% ao mês (quando a inflação anual era menos de 4%). Rui Costa também ampliou o limite para empréstimos consignados, permitindo comprometer até 30% do salário com novos empréstimos). E deu ainda exclusividade para o Credcesta: o funcionário público ficou sem poder buscar juros menores no mercado.

"Eles [os petistas baianos] escravizaram o servidor. Deram um monopólio para o Credcesta. Depois impediram o servidor de sair do monopólio", diz o advogado Jorge Falcão, que defende a associação dos servidores.

O afortunado Guga Lima quis ampliar a operação. E precisava de dinheiro. Foi por isso que procurou Daniel Vorcaro. Em 28/12/2018, ele comunicou ao BC sua intenção de se tornar acionista da instituição de Vorcaro (o Credcesta já estava operante no banco). Porém, segundo a reportagem, o real segredo da alavancagem financeira do banco de Vorcaro não estava só nos juros cobrados: "A grande jogada consistia na securitização e na revenda dessas carteiras de crédito consignado para outros bancos, fundos de investimento e investidores."

Em suma, Daniel Vorcaro aumentou sua fortuna com a ajuda do Credcesta, comprado por Augusto Lima depois de uma série de facilidades advindas de medidas do PT na Bahia. O Credcesta baiano tornou-se nacional. Passou a oferecer crédito a funcionários públicos por todo o país, com pequenas variações, mas sempre com possibilidade de conceder empréstimos a um público com risco quase zero de inadimplência e juros altos.

Encurtando o assunto. Em 04/12/2024, Lula fez uma reunião no Planalto, fora da agenda, juntando Vorcaro e Guga Lima com figurões como o baiano Rui Costa, Guido Mantega (estrela do PT, lobista do Master em Brasília), Alexandre Silveira (ministro de Minas e Energia) e Gabriel Galípolo, que se tornaria presidente do Banco Central no mês seguinte. O Poder360 e o UOL, em 17/05/26, contam que, na ocasião, Vorcaro pediu um conselho a Lula: "O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente". Desancando com palavras chulas Roberto Campos Neto e André Esteves, Lula terminou por aconselhar Vorcaro que não vendesse o banco. E as matérias acrescentam que Vorcaro tomou a presença de Galípolo na reunião e as críticas a Roberto Campos Neto como um incentivo para seguir com o Master.

Por fim, vale comparar. Nos seis anos de gestão de Campos Neto, houve 24 reuniões presenciais de representantes do Master com o Banco Central. Já em 11 meses de Galípolo (nomeado por Lula), foram 41. Isso é bastante para implicar Galípolo ao escândalo do Master? Para quem é honesto, não. Mas na lógica de Fernando Haddad, a ligação seria certa.

Embora de má vontade, jornalões do país também veicularam as informações trazidas pelo portal Poder360. E hoje ninguém, que seja honesto, poderá negar que o escândalo do Master tem o DNA petista. A fala de Fernando Haddad é, portanto, uma afronta à inteligência dos eleitores, a quem ele pede voto. Claro, ele segue o mandamento da esquerda: "Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz!"

 

Clique nos links e leia matérias detalhadas do Poder360:

https://www.poder360.com.br/poder-justica/jaques-wagner-e-rui-costa-favoreceram-negocio-que-enriqueceu-vorcaro/

https://www.poder360.com.br/poder-economia/lula-aconselhou-vorcaro-a-nao-vender-master-ao-btg/


Sandeson vai ao TCU para enquadrar Lula por uso eleitoral indevido do Palácio da Alvorada

Candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul questiona possível utilização de estrutura e recursos públicos em transmissão de caráter eleitoral

O candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul Ubiratan Sanderson protocolou nesta segunda-feira (14) representação no Tribunal de Contas da União (TCU) para que seja investigada a utilização do Palácio da Alvorada em uma transmissão ao vivo realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (13).

Na representação, Sanderson pede a instauração de procedimento de fiscalização, com eventual Tomada de Contas Especial e adoção de medida cautelar, para apurar se houve utilização direta ou indireta de bens, serviços, servidores, equipamentos ou estrutura da União em benefício da campanha eleitoral de Lula.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, a transmissão teve caráter político-eleitoral e contou com a participação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, e do secretário nacional de Comunicação do partido, Éden Valadares. A representação destaca ainda manifestações de Lula relacionadas à disputa eleitoral e a adversários políticos.

Sanderson questiona uso de estrutura pública

Para Sanderson, a alegação de que os equipamentos utilizados na transmissão pertenciam à campanha não é suficiente para afastar a necessidade de fiscalização.

O candidato sustenta que é preciso verificar, entre outros pontos, se foram utilizados energia elétrica, internet, telecomunicações, servidores públicos, segurança, manutenção, limpeza, suporte técnico, infraestrutura tecnológica ou outros serviços custeados pela União.

“A questão não é apenas saber se a câmera ou o computador pertenciam à campanha. É preciso saber se toda a estrutura pública que permitiu a realização dessa transmissão foi utilizada para proporcionar uma vantagem eleitoral ao candidato à reeleição.”

A representação também ressalta que o Palácio da Alvorada é uma residência oficial da Presidência da República, cuja administração, manutenção e segurança são suportadas pelo Poder Público. Por isso, Sanderson defende que eventual utilização do espaço para atividade eleitoral seja submetida a uma apuração objetiva sobre os recursos públicos empregados.

Caso Bolsonaro e parâmetros do TSE

A iniciativa de Sanderson também leva em consideração o precedente envolvendo o uso do Palácio da Alvorada em live eleitoral durante as eleições de 2022.

A representação lembra que o Tribunal Superior Eleitoral reconheceu, naquele caso, a utilização indevida da residência oficial e posteriormente estabeleceu parâmetros específicos para a realização de lives eleitorais em residências oficiais.

Entre as condições fixadas pelo TSE estão a utilização de ambiente neutro, participação restrita ao ocupante do cargo, conteúdo relacionado exclusivamente à candidatura do próprio titular e ausência de utilização de recursos materiais, serviços ou servidores públicos, além do correto registro dos gastos eleitorais.

Sanderson pede que o TCU verifique se esses requisitos foram observados na transmissão realizada por Lula.

Pedido de preservação das provas

Além da apuração dos eventuais custos para os cofres públicos, Sanderson solicita a preservação de documentos e registros relacionados à transmissão, incluindo registros de acesso ao Palácio da Alvorada, escalas de servidores, ordens de serviço, registros de segurança, manutenção, infraestrutura de tecnologia, telecomunicações, contratos, notas fiscais e demais documentos administrativos.

Também foi solicitada a preservação da íntegra da transmissão realizada em 13 de setembro, incluindo gravações originais e demais elementos que possam auxiliar na reconstrução dos fatos.

“Não podemos ter dois pesos e duas medidas”

Para Sanderson, a discussão ultrapassa a disputa partidária e envolve a necessidade de garantir igualdade de condições entre os candidatos e respeito ao patrimônio público.D

“O patrimônio público não pertence ao governante de plantão. Ele pertence à sociedade brasileira. Se houve utilização de estrutura, serviços ou recursos públicos para favorecer uma campanha eleitoral, isso precisa ser apurado e, se for o caso, responsabilizado.”

O candidato afirma ainda que sua iniciativa não busca antecipar qualquer conclusão sobre responsabilidade, mas garantir que os fatos sejam devidamente investigados pelo órgão competente.

“O que estamos pedindo é simples: fiscalização. Se não houve utilização irregular de recursos públicos, que isso seja demonstrado. Mas não podemos aceitar que uma campanha eleitoral tenha acesso a uma estrutura pública que não está disponível aos demais candidatos.”

Na representação, Sanderson também solicita que, caso sejam identificados fatos com possível repercussão eleitoral, os resultados sejam encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério Público Eleitoral.

SANDERSON — Vice-líder da Oposição na Câmara dos Deputados Candidato ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul

Artigo, Fernando Schuller, Estadão - O dia "D" da democracia brasileira

Fernando Schüler é gaúcho, cientista político, doutor em Filosofia (UFRGS) e professor do Insper.

 Sessão do STF da próxima terça-feira será o exame de uma tradição: somos mesmo o país do "estamento" ou temos esperança de sermos uma república de iguais?

 "Apagar dados do celular indica consciência sobre a ilegalidade dos atos praticados", escreveu o ministro Alexandre de Moraes, em um dos argumentos para condenar a cabeleireira Débora dos Santos a 14 anos de prisão. E explicou: "se o indivíduo tivesse convicção de sua inocência, não teria motivo para eliminar registros que poderiam confirmar sua versão dos fatos". O Brasil é um país curioso. Agora é uma conta com o nome do ministro, vejam só, que aparece com o modo de visualização única, feito para apagar conteúdo, interagindo com as 52 mensagens de Vorcaro, logo antes de sua prisão. E aqui estamos, em um drama nacional para ver se alguma coisa, afinal de contas, será investigada.

Não acho que isto incomode muita gente. Débora é uma brasileira comum. E é do "outro lado". Ficou cerca de dois anos presa, por uma cautelar do próprio ministro, distante dos filhos de 6 e 10 anos, pelo rabisco com o batom naquela estátua. Seu caso é similar ao de Alcides Hahn, o "colono" de Corupá, no interior de Santa Catarina, também condenado a 14 anos, dessa vez sem ir a Brasília, pelo Pix de R$ 500. Nos anos recentes, escrevi muito sobre estas histórias. A pior talvez seja a do Clezão, morto como um zé-ninguém em um presídio de Brasília, depois de meses sem que o ministro se desse o trabalho de despachar um pedido de liberdade, "sob risco de morte", para tratar da saúde.

São histórias difíceis e quase infinitas. Elas não tratam apenas de um longo rastro de abuso de poder. De pessoas comuns "julgadas" diretamente pelo Supremo, sem os direitos mais elementares ao juiz natural, instância devida e graus de recurso. Tratam do "use a sua criatividade" para atingir alvos pré-definidos; da censura aos empresários, por nada, em um grupo de WhatsApp; de um sujeito, o Filipe Martins, preso por meses por uma "fuga" do País que jamais existiu.

Elas contam uma história de brutal assimetria na cidadania brasileira. Algo que sempre me faz lembrar do dualismo moral descrito por Roberto DaMatta em seu "Você sabe com quem está falando?". Da ideia de que somos uma sociedade em que, no papel e na retórica, somos todos iguais. Todos "indivíduos" sujeitos a um regramento abstrato e imparcial. Mas que, no mundo real, nas hierarquias, no estamento e nas sombras do poder, somos "pessoas" com status pateticamente distintos.

Para uns, apagar mensagens ou fazer um Pix de 500 reais pode ser crime de lesa-pátria, sujeito a 14 anos de prisão; para outros, o contrato de uma centena de milhões e a suspeita de trabalhar para um banqueiro fraudador sequer parecem razão suficiente para que a República autorize uma investigação. Para uns, a exceção jurídica; para outros, um tipo de supergarantismo, autoconfiante e feito da ausência de limites.

No fundo, é disso que se trata a sessão do STF, nesta terça-feira, dia 15. Não é apenas uma reunião difícil para autorizar ou não uma investigação. É o exame de uma tradição. Para saber se somos mesmo o país do "estamento", onde a lei funciona primeiro perguntando "com quem você está falando", ou se ainda temos alguma esperança de sermos uma república de iguais. Confesso meu desânimo com tudo isso. Mas posso estar enganado, e logo ali adiante teremos a resposta.


Preços do petróleo sobem mais de 3% nesta segunda-feira

 O preço do barril de petróleo está operando em forte alta nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026. O Petróleo Brent (referência global) está cotado na faixa de US$ 107,50 a US$ 108,30, enquanto o WTI (referência americana) está avaliado entre US$ 102,40 e US$ 103,20. 

A commodity registrou um salto superior a 3% apenas no dia de hoje, consolidando uma disparada iniciada na semana passada, quando os preços romperam a barreira psicológica dos US$ 100.

A movimentação de preços atual é explicada por um grave choque geopolítico de oferta estrutural. Os principais fatores de mercado operando hoje são:

1. O Fator Crítico: Fechamento do Oleoduto Leste-Oeste Saudita. A Arábia Saudita foi forçada a paralisar temporariamente o seu oleoduto estratégico Leste-Oeste após sofrer novos ataques de drones reivindicados pelas forças Houthis do Iêmen. Esse oleoduto era a principal rota alternativa utilizada pelo reino para exportar petróleo sem precisar passar pelas águas instáveis do Golfo Pérsico.

2. Crise de Duplo Bloqueio Marítimo (Ormuz e Bab el-Mandeb) - O prêmio de risco geopolítico disparou devido à ameaça real ao fluxo marítimo global de energia. Navios comerciais foram atingidos por projéteis na costa do Irã, gerando incêndios e evacuações.

3. Estreito de Bab el-Mandeb -  As forças Houthis assumiram o controle da estratégica ilha de Perim, ameaçando uma rota que transporta cerca de 4% a 5% do suprimento global.

4. Colapso da Diplomacia no Golfo - As tentativas de aliviar a tensão falharam no fim de semana. Omã adiou oficialmente a reunião de cúpula que aconteceria hoje entre o Irã e os seis integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Sem o avanço nas negociações para garantir a segurança da navegação, o mercado financeiro reagiu imediatamente comprando contratos futuros para se proteger de uma potencial escassez