Neste artigo, intitulado "O primeiro delator", o jornalista Eugênio Esber diz, hoje, na edição de fim de semana de Zero Hora, que o acordo fechado com empresário apontado no caso do escândalo do INSS, tende a acelerar revelações sobre a engrenagem de fraudes no instituto.
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Tão estonteante é a sequência de escândalos no Brasil que alguns deles conseguem trafegar por baixo dos radares da atenção pública. É o caso da Farra do INSS, que surrupiou mais de R$ 6,3 bilhões de aposentados, pensionistas e brasileiros vulneráveis. Na semana passada, enquanto o Brasil queria saber de detalhes picantes do "Vale-Suicinha", que Daniel Vorcaro ofereceu a alguns VIPs que foram prestigiar sua festa londrina em homenagem a Alexandre de Moraes, uma informação fundamental veio a público sem maior impacto no noticiário.
O empresário Maurício Camisotti concluiu acordo de delação em que se compromete a apontar, com provas, os demais implicados no esquema que enriqueceu malandros e oportunistas com acesso aos cofres da Previdência. A delação de Camisotti importa em si, por ser a primeira do caso, e também pela indução que exerce sobre um outro ator fundamental, até agora hesitante: o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Afinal, se esperar mais para contar tudo que fez e tudo que sabe, "Careca" verá reduzido seu poder de barganha com a Justiça porque não terá muito a acrescentar ao que a Polícia já tiver apurado com Camisotti.
Ambos são figuras centrais na sórdida teia de transações que desviou o contadíssimo dinheiro de aposentados e pensionistas, mês a mês, por anos a fio - com um súbito e brutal crescimento da roubalheira a partir de 2023, quando começa o terceiro mandato de Lula e se abre uma janela de oportunidade para sindicalistas com pouco escrúpulo e muita volúpia, sedentos após o desmame forçado do imposto sindical, abolido na gestão Temer. A "Farra do INSS" já derrubou, de saída, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, e levou à prisão dois altos burocratas do ministério.
No relatório de mais de 4 mil páginas da CPMI do INSS, Camisotti, líder de um grupo de mais de 20 empresas, é acusado de engendrar "uma vasta e sofisticada estrutura criminosa" para captar e lavar recursos oriundos dos descontos não autorizados. De "Careca", por sua vez, esperam-se confissões de um lobista que azeitava a máquina de relacionamentos - vale dizer, de pagamentos e de propinas. É dele que pode advir a comprovação de repasses de R$ 300 mil mensais para Fábio Luís Lula da Silva, a partir de uma triangulação com a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e de sua esposa.
O caso está com a PF, sob a supervisão do ministro André Mendonça, relator do processo no STF. Preocupação para Lula, que, diante dos indícios, só pode, mesmo, contar com a tropa de choque do regime PT-STF, hoje sob o comando, para desgosto dos juízes sérios deste país, de um sujeito como Gilmar Mendes.
Outubro se aproxima carregado de tensão e esperança para quem não perdeu o norte. E a vergonha.
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https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/eugenio-esber/noticia/2026/04/o-primeiro-delator-cmo3aup6g028m0174nsbb7ksl.html