Sistema imunológico em dia

 O jormal The Washington Post de hoje conta de que modo você pode operar pasra manter o seu sistema imunológico saudável e funcionando bem no dia a dia. Basta dotar hábitos simples e consistentes:

• Alimentação equilibrada: Coma frutas, verduras, legumes, cereais integrais e proteínas magras. Inclua fontes de vitaminas (como C, A, D, E) e minerais como zinco (presente em ovos, carnes e sementes). Evite excessos de ultraprocessados, açúcar e gorduras.

• Boa hidratação: Beba água regularmente ao longo do dia (cerca de 2 litros diários) para ajudar o organismo e a circulação das células de defesa.

• Sono de qualidade: Durma entre 6h30 e 8 horas por noite. É durante o repouso que o corpo se recupera e libera substâncias essenciais para as defesas do organismo.

• Exercício físico regular: Pratique atividades físicas de intensidade moderada de forma constante para melhorar a circulação e diminuir o estresse.

• Exposição ao sol: Tome de 15 a 20 minutos de sol por dia para auxiliar na síntese natural de vitamina D, fundamental para a imunidade.

• Controle do estresse e estilo de vida: Reduza a ansiedade e evite o cigarro e o consumo excessivo de álcool, que podem prejudicar a resposta de defesa do corpo.

• Vacinação em dia: Mantenha as vacinas atualizadas para treinar o seu sistema imunológico contra vírus e bactérias.

Nota: Especialistas lembram que o termo correto não é "aumentar a imunidade", mas sim manter as defesas do corpo em condições normais e saudáveis por meio do estil

Fuga de médicos

 O resultado das eleições presidenciais fez disparar o interesse de médicos brasileiros em fazer residência ou trabalhar fora do Brasil, de acordo com a RD Medicine, escola que prepara médicos brasileiros para validar o diploma e fazer residência nos Estados Unidos. Somente nas primeiras 48 horas após a confirmação da reeleição do presidente Lula, o número de consultas recebidas pela empresa igualou o volume total do mês anterior.

Nesta segunda-feira (26) e terça-feira (27), a RD Medicine atendeu cerca de 2 mil potenciais novos clientes por dia. Antes, o fluxo normal do escritório era de cerca de 4 mil consultas por mês.

“Antes das eleições, recebíamos, em média, de 100 a 150 contatos por dia de médicos interessados em validar o diploma nos Estados Unidos. Desde o resultado do segundo turno, passamos a receber cerca de 2 mil por dia, mais de dez vezes o habitual. Em dois dias, recebemos o que normalmente chega em um mês inteiro. É o maior volume que já registramos em tão pouco tempo”, afirma Rafael Duarte, médico e fundador da RD Medicine.

'Eleição foi empurrão, não causa'

“A eleição acelerou uma decisão que muitos médicos já vinham amadurecendo. A procura já crescia antes, por razões estruturais", explica Duarte. "A eleição foi o empurrão, não a causa", completa.

Segundo ele, hoje são cerca de 635 mil médicos no país, e a projeção é que esse número irá ultrapassar 1,15 milhão em 2035, praticamente o dobro em dez anos, com quase 450 cursos de medicina e mais de 48 mil vagas de graduação por ano. 

"As vagas de residência não acompanham esse ritmo: em 2024, o país formou cerca de 32 mil médicos, e as vagas de residência de acesso direto para esses formandos ficaram em torno de 16 mil. Na prática, há vaga para metade dos formandos. É esse médico que passa a olhar para os Estados Unidos como projeto de carreira, e não como plano B", afirma.

Fundada em 2021, a RD Medicine prepara médicos brasileiros para validar o diploma e fazer residência nos Estados Unidos. Ela oferece preparação para as provas de licenciamento americanas (USMLE), mentoria para o processo seletivo de residência e curso de inglês médico. 

A empresa faz parte do grupo educacional Gesher, que também prepara médicos para a residência no Brasil, com o Residia.

Rafael Duarte é formado pela UERJ e anestesiologista pelo INCA, que validou o diploma e fez residência em Medicina Interna na Filadélfia. Hoje a empresa tem mais de 5.000 alunos, mais de 100 colaboradores e escolas presenciais em Celebration (Flórida), São Paulo e Rio de Janeiro

Rio Grande do Sul ganha primeira universidade projetada para o empreendedorismo

Em cerimônia de instalação realizada em Passo Fundo, Atitus se torna universidade e consolida modelo que integra ensino, pesquisa, inovação e empreendedorismo.

 A Atitus realizou, nesta quinta-feira (29), em Passo Fundo, o lançamento oficial da Universidade Atitus. A transformação, autorizada pelo Ministério da Educação (MEC), consolida a instituição como a primeira universidade privada gaúcha projetada para o empreendedorismo e conectada ao mercado. A Atitus também alcançou um marco no ensino superior brasileiro ao obter autorização para se tornar universidade diretamente da categoria de faculdade, sem passar por centro universitário, feito inédito em mais de duas décadas.

 A solenidade marcou a posse da Reitoria e do Conselho Universitário. O fundador da instituição, Eduardo Capellari, assumiu como Reitor. Luciano Reolon, até então Vice-Presidente Acadêmico, tomou posse como Pró-Reitor Acadêmico, e Raquel Schmitz, como Pró-Reitora de Planejamento e Operações. A nova estrutura tem como missão consolidar o modelo universitário da Atitus e ampliar sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul.

 A programação do lançamento oficial também reuniu lideranças e a comunidade acadêmica em encontros dedicados à inovação e ao empreendedorismo. O painel “Norte Gaúcho: um território de inovação, conexões e oportunidades” contou com Bárbara Fritzen, Eduardo Capellari, Ricardo Fantinelli e Márcia Capellari, sob mediação da jornalista Giane Guerra. À noite, o empreendedor social Giva Pereira, um dos idealizadores da Favela Brasil Xpress (FBX), compartilhou sua trajetória de Paraisópolis ao empreendedorismo de impacto, em conversa mediada pelo Pró-Reitor Acadêmico, Luciano Reolon, exclusiva para estudantes e egressos da Atitus.

 Fundada em 2004, em Passo Fundo, a instituição reúne cerca de 4,2 mil estudantes em seus campi de Passo Fundo e Porto Alegre. Sua atuação está estruturada em três pilares: Ensino; Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação; e Empreendedorismo. Organizada em quatro Escolas - Saúde, Agronegócio, Direito e Politécnica -, oferece 17 cursos de graduação, quatro mestrados e três doutorados, além do CNEX, plataforma de formação de executivos.

 "Conhecemos a fundo a realidade socioeconômica nacional e regional e usamos esse conhecimento, com dados e com a visão de quem está no mercado, para estruturar nossas Escolas em verticais de grande relevância e potencial”, destaca Eduardo Capellari, fundador e Reitor da Universidade Atitus.

 Por meio do Atitus Learning System, modelo acadêmico proprietário, os estudantes resolvem desafios reais de empresas desde o primeiro semestre, em disciplinas assinadas por empresas parceiras e orientadas por Conselhos Consultivos formados por lideranças de referência em cada setor. 

“A universidade do futuro precisa medir seus resultados por impacto real: quantas empresas ajudou a desenvolver e quantas soluções criou para os desafios da saúde, da indústria, do agronegócio e das cidades. O Rio Grande do Sul tem na educação uma de suas maiores forças, e o futuro do Estado depende da nossa capacidade de formar pessoas que criem oportunidades”, afirma Capellari.

 Na pesquisa, centros temáticos voltados ao agronegócio, à transição energética e bioeconomia, à inovação clínica e às cidades, aliados a laboratórios de inteligência artificial, dados, bioprocessos e pesquisa clínica, desenvolvem projetos com potencial de se transformar em produtos, soluções e empresas. 

 No empreendedorismo, hubs de inovação com pré-incubação, incubação e aceleração de negócios nas verticais Health, Legal, Smart Cities e Agro já investiram em empresas como SolarZ, Webmed e Omni Saúde. Pela Atitus Ventures, estudantes podem desenvolver negócios ainda durante a formação, com apoio e investimentos da universidade, de professores e de empresários parceiros, incluindo aporte de smart money.

 Os resultados também aparecem na trajetória dos estudantes. A Atitus registra 93% de trabalhabilidade, com 79% dos estudantes empregados atuando na área de formação, índices superiores às médias nacionais de 85,5% e 65,8%, respectivamente, conforme o Indicador ABMES/Symplicity de Empregabilidade 2025 (IASE). A renda média dos egressos é 79% maior, segundo levantamento institucional. Em 2025, a instituição também conquistou nota máxima no Conceito Institucional do MEC em Passo Fundo e Porto Alegre.

 A Universidade Atitus foi uma das fundadoras do Instituto Caldeira, em Porto Alegre, integra o Instituto Aliança Empresarial, no norte gaúcho, e o Cubo Itaú, em São Paulo, além de participar de iniciativas de transformação econômica e social, como o Transforma RS. Com atuação regional e conexões nacionais e internacionais, a instituição tem como ambição ser reconhecida, até 2036, entre as 100 universidades jovens mais empreendedoras do mundo.

 Sobre a Universidade Atitus

A Universidade Atitus é uma instituição de ensino superior privada com método proprietário e inovador voltado à formação de uma nova geração de profissionais, preparada para um mundo cada vez mais dinâmico. Fundada em 2004, no Rio Grande do Sul, está presente em Porto Alegre (campus Mont’Serrat) e em Passo Fundo (nos campi Santa Teresinha, Hospital de Clínicas e do Agronegócio) e oferece 17 cursos de graduação, organizados em quatro escolas – Agronegócio, Direito, Politécnica e Saúde –, além de programas de pós-graduação Stricto Sensu, com mestrados e doutorados, e a frente de formação e desenvolvimento de executivos para liderança - o CNEX. 

Comprometida em transformar vidas por meio de uma educação inovadora que gera prosperidade, foi uma das instituições fundadoras do Instituto Caldeira, em Porto Alegre, e integra hubs como Instituto Aliança Empresarial, no norte do Estado, e Cubo Itaú, em São Paulo. A Atitus também participa ativamente de importantes movimentos de transformação econômica e social do Rio Grande do Sul, a exemplo do Transforma RS, e investe diretamente em startups e em negócios de impacto por meio da Atitus Ventures e do Eleva.


El Niño

 A imagem compartilhada mostra um alerta meteorológico do Jornal de Gramado destacando que o fenômeno El Niño está próximo ao seu pico de intensidade, concentrando as maiores preocupações no Sul do Brasil durante o mês de novembro.

Principais Alertas Indicados:

• Chuva volumosa: Tendência de acumulados excessivos e acima da média na Região Sul.
• Riscos climáticos: Alta probabilidade de tempestades severas e vendavais.
• Intensidade do fenômeno: De acordo com dados da MetSul Meteorologia, o aquecimento do Pacífico Equatorial atingiu patamares excepcionalmente elevados neste período, o que potencializa a frequência de frentes frias e bloqueios atmosféricos que alimentam os temporais na parte meridional do país.

 A previsão está correta e está alinhada com o consenso dos principais órgãos de meteorologia para este mês de novembro.

O boletim emitido conjuntamente pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e pelo CPTEC/Inpe confirma os seguintes pontos:

• Pico do El Niño: O fenômeno está atingindo patamares excepcionais de aquecimento nas águas do Oceano Pacífico Equatorial (com anomalias extremas registradas), o que potencializa drasticamente seus efeitos globais.

• Chuva muito acima da média: O Sul do Brasil (especialmente o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná) continua sendo o ponto de maior atenção no país devido ao bloqueio atmosférico que joga frentes frias e umidade constante sobre a região.

• Alerta para desastres naturais: Devido ao solo que já se encontra severamente encharcado por meses seguidos de chuvas intensas, o risco de novas enchentes, transbordamento de rios e deslizamentos de terra é considerado muito alto pelas autoridades ao longo deste mês.

Artigo, especial, Leandro Rushel - As eleições que podem paralisar Trump e abrir caminho para a esquerda radical em 2028

Na terça-feira, os americanos decidem o Congresso. O que está em jogo vai muito além dos próximos dois anos.

Na próxima terça-feira, 3 de novembro, os Estados Unidos renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. São 33 disputas regulares e duas eleições especiais, em Ohio e na Flórida, para as vagas deixadas por JD Vance e Marco Rubio. Ou seja, a Câmara inteira e pouco mais de um terço do Senado.

O ponto de partida é uma maioria republicana estreita. Na Câmara, são 218 republicanos, 214 democratas, um independente (Kevin Kiley, da Califórnia, que deixou o partido, mas continua na bancada republicana) e duas vagas abertas. A maioria exige 218 votos. No Senado, os republicanos têm 53 cadeiras, contra 47 do bloco democrata, que inclui dois independentes. Para virar o Senado, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras, já que um empate de 50 a 50 é desempatado pelo vice-presidente Vance.

O histórico joga contra quem governa

As eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, acontecem a cada quatro anos, dois anos depois da eleição presidencial. E funcionam quase sempre como um plebiscito sobre o presidente. Desde a Segunda Guerra Mundial, o partido que ocupa a Casa Branca perdeu cadeiras na Câmara em praticamente todas as midterms. As exceções foram 1998 e 2002. O próprio Trump sentiu isso em 2018, quando os democratas ganharam 41 cadeiras e retomaram a Câmara.

As pesquisas confirmam a tendência. A média do Silver Bulletin, atualizada em 30 de outubro, aponta vantagem democrata de 8,9 pontos na intenção de voto para o Congresso, ou 9,1 pontos entre os eleitores mais prováveis. A pesquisa Fox News de meados de outubro registrou 54% a 45% para os democratas entre eleitores registrados. O Cook Political Report já fala em até 240 cadeiras democratas na Câmara, e o mercado de previsões Kalshi projeta número semelhante.

Mas há bons motivos para desconfiar dos números. Nas três eleições que tiveram Trump na cédula, as pesquisas erraram, e erraram para o mesmo lado. Em 2020, segundo a própria associação dos pesquisadores americanos (AAPOR), as pesquisas nacionais superestimaram a vantagem de Biden em 3,9 pontos, o maior erro em 40 anos. Nas disputas para o Senado e para os governos estaduais, inflaram os democratas em 6 pontos, em média. Em 2016 e em 2024, o eleitor de Trump também apareceu menos nas pesquisas do que nas urnas. Ou seja, o tamanho de uma eventual derrota republicana ainda é uma incógnita. A medida real só começa a aparecer na terça-feira à noite, com o fechamento das urnas. E, nas disputas mais apertadas, pode demorar mais: a Califórnia leva dias para contar os votos pelo correio, e no Alasca a apuração do voto ranqueado costuma sair semanas depois da eleição.

A Câmara, portanto, é o terreno em que a derrota republicana parece mais provável. A guerra de verdade está no Senado. Pela classificação do Cook, seis cadeiras republicanas estão em situação de empate técnico (Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Ohio e Texas), além da vaga aberta da Carolina do Norte, que já pende para os democratas. Do outro lado, a cadeira democrata mais ameaçada é a de Michigan. No Alasca, aliás, a disputa ganhou nesta semana um ingrediente que diz muito sobre os métodos do adversário: a revelação, pelo New York Times, de que a campanha democrata ajudou a recrutar um segundo "Dan Sullivan" para confundir o eleitor do senador republicano de mesmo nome.

Quem vota e como se vota

Segundo o Pew Research Center, cerca de 250 milhões de cidadãos adultos estão aptos a votar em 2026. É o eleitorado potencial, não o número de registrados: nos Estados Unidos, o registro não é automático e o voto não é obrigatório.

A eleição também não é centralizada. Cada estado define suas regras de registro, voto antecipado, voto pelo correio e equipamento. Na eleição de 2024, a referência consolidada mais recente, cerca de 30% dos eleitores votaram pelo correio, segundo a comissão eleitoral federal (EAC). Mais de dois terços votaram presencialmente, divididos quase meio a meio entre o voto antecipado e o dia da eleição.

E vale uma explicação para o leitor brasileiro: o "voto eletrônico" americano não tem nada a ver com a urna brasileira. O padrão é a cédula de papel, preenchida à mão e lida por scanner. Onde há máquina, ela imprime um registro físico que pode ser auditado. A quase totalidade das jurisdições trabalha com cédula ou comprovante em papel. Quem poderia imaginar que a democracia mais rica do planeta confia no papel...

Por que Trump chega mais fraco

A primeira razão é o bolso. A inflação anual voltou a subir em setembro e chegou a 3,7%, puxada pela energia, que ficou 20,4% mais cara em um ano. A gasolina subiu 34,2% no período. Segundo a AAA, o galão custa em média US$ 4,33, contra US$ 2,98 antes da guerra com o Irã, e o diesel bateu recorde de US$ 6,29 no fim de setembro.

O choque tem duas origens externas. A primeira é a guerra com o Irã e a instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo. O Brent voltou a tocar US$ 110 em meados de outubro. A segunda é a campanha de drones ucranianos contra refinarias russas, que derrubou o refino da Rússia ao menor nível em mais de duas décadas. Mesmo sob sanções, a Rússia era uma das grandes fornecedoras de diesel do mundo, e hoje proíbe a própria exportação. Quem paga a diferença é o caminhoneiro americano, e com ele toda a cadeia de preços.

Por trás disso há um problema estrutural que nenhum dos dois partidos enfrentou: o déficit. O governo federal fechou o ano fiscal de 2026 com um rombo de cerca de US$ 2 trilhões, segundo o CBO. O descontrole acelerou com a pandemia e nunca mais foi corrigido. Um Estado que gasta muito mais do que arrecada alimenta a inflação, e a inflação que corrói o salário desde 2021 é a mesma que hoje corrói a popularidade do presidente.

O resultado aparece nas pesquisas. Na Fox News, a aprovação de Trump caiu para 36%, a menor já registrada pelo instituto em qualquer dos seus mandatos. Na inflação, a aprovação é de apenas 22%.

A segunda razão é a imigração. Fechar a fronteira e moralizar o caos herdado de Biden, que abriu as portas para todo tipo de ilegal, continua popular. Mas uma parcela relevante do eleitorado acha que o governo pesou a mão na repressão. Em fevereiro, 52% disseram à AP-NORC que Trump "foi longe demais" nas deportações, e 62% disseram o mesmo sobre o envio de agentes federais para as grandes cidades.

A terceira razão é a de sempre: uma imprensa e todo um aparelho de esquerda que atacam Trump 24 horas por dia, sete dias por semana. Não por ignorância, mas por método. A piada corrente nos Estados Unidos é que, se Trump curasse o câncer, a militância de redação daria um jeito de transformar isso em notícia ruim.

Trump chega mais fraco do que em 2024. Não tanto quanto a imprensa diz, mas mais fraco.

O que muda se os democratas vencerem

Uma derrota nas duas Casas seria muito negativa para o governo. Com a Câmara, a oposição controla o orçamento, as comissões de investigação e o ritmo de tudo o que precisa de aprovação legislativa. Com o Senado, controla as confirmações: ministros, embaixadores, juízes federais e, sobretudo, qualquer eventual vaga na Suprema Corte.

Uma ressalva importante: os democratas não poderiam impor sua agenda nos próximos dois anos. Trump mantém o poder de veto, e derrubá-lo exige dois terços das duas Casas. O que está em jogo em 2026 é a paralisia do governo Trump. O que está em jogo em 2028 é outra coisa.

O partido que a esquerda radical está tomando

Porque o Partido Democrata de 2026 não é mais o de Bill Clinton. Está sendo tomado por dentro por figuras ligadas aos Democratic Socialists of America, o DSA, um movimento abertamente socialista que cresceu à sombra de Bernie Sanders e de Alexandria Ocasio-Cortez.

O símbolo dessa transformação é Zohran Mamdani, prefeito de Nova York desde janeiro. Ele chegou ao cargo prometendo uma sobretaxa sobre quem ganha mais de US$ 1 milhão, aumento do imposto sobre empresas, congelamento de aluguéis, ônibus de graça e supermercados municipais. O imposto sobre milionários foi barrado pela governadora Kathy Hochul, que é democrata. Mas o congelamento de aluguéis passou: em junho, um conselho em que Mamdani nomeou seis dos nove integrantes congelou os aluguéis de cerca de um milhão de apartamentos. E a prefeitura já reservou US$ 70 milhões para os supermercados estatais. Controle de preços, mais impostos e mais gasto público: a velha receita, agora no coração financeiro do capitalismo mundial.

E as ambições do DSA vão muito além de Nova York. A plataforma lançada pelo movimento em julho propõe abolir o Senado e substituí-lo por uma legislatura única, e extinguir a Suprema Corte, trocandoa por um Judiciário "subordinado ao Congresso". Até Bernie Sanders, quando perguntado se apoiava a ideia, respondeu apenas: "Não".

Na ala mais tradicional do partido, a agenda é menos espalhafatosa, mas aponta na mesma direção. A primeira proposta é o fim do filibuster, a regra que exige 60 dos 100 votos do Senado para encerrar o debate e levar a voto a maioria dos projetos de lei. É a trava que obriga a maioria a negociar com a minoria. A segunda é transformar Washington, D.C., hoje um distrito federal, e Porto Rico, hoje um território, em estados, o que criaria quatro novas cadeiras no Senado, quase certamente democratas. A Câmara democrata já aprovou a criação do estado de D.C. em 2020 e em 2021. A terceira é aumentar o número de juízes da Suprema Corte para desfazer a maioria conservadora. Somadas, as três mudanças dariam a uma maioria simples o poder de reescrever as regras do jogo sem depender de ninguém.

O DSA ainda não manda no partido. Um levantamento da Brookings mostrou que seus candidatos a cargos estaduais e ao Congresso venceram menos da metade das primárias de 2026. Mas venceram onde importa. Em Nova York, Darializa Avila Chevalier derrubou o deputado democrata Adriano Espaillat na primária. Em Michigan, o candidato democrata ao Senado é Abdul El-Sayed, um nome da ala de Sanders, numa disputa considerada empatada.

Há ainda um componente que a militância de redação prefere ignorar: a aliança entre a esquerda radical e o fundamentalismo islâmico, a mesma que se vê no mundo inteiro. Em 2025, no segundo aniversário do 7 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou Mamdani de agir como "porta-voz da propaganda do Hamas". Neste ano, já prefeito da cidade com a maior população judaica fora de Israel, ele repetiu a fórmula: chamou o massacre de "crime de guerra horrível" e dedicou o restante da declaração a acusar Israel de "genocídio". Questionado, recusou-se a mudar uma vírgula.

Em Michigan, o problema tem nome e sobrenome. Abdul El-Sayed, o candidato democrata ao Senado numa disputa empatada, passou as últimas semanas tentando se explicar sobre suas ligações com a Irmandade Muçulmana, a matriz do islamismo político e do próprio Hamas, que nasceu como seu braço palestino. A Irmandade é um grupo terrorista. Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes a classificam assim há mais de uma década. Em janeiro, o governo americano designou como terroristas os braços egípcio, jordaniano e libanês, este último incluído na lista de organizações terroristas estrangeiras do Departamento de Estado. Os braços egípcio e jordaniano foram enquadrados, segundo Washington, por dar apoio material ao Hamas. Segundo o Washington Free Beacon, o pai dele, o imã Mohammed El-Sayed, integra o conselho da Life for Relief and Development. A entidade pagou US$ 780 mil em acordo com o Tesouro americano por ter enviado dinheiro ao Iraque de Saddam Hussein, sob sanções, e teve o escritório revistado pelo FBI em 2006. Seu diretor-executivo aparece numa lista de líderes da Irmandade nos Estados Unidos, anexada pela Promotoria federal ao processo da Holy Land Foundation, o maior caso de financiamento ao terrorismo da história americana. Posts de 2010 da meia-irmã do candidato, resgatados nesta campanha, afirmam que a mãe e a família eram "há muito tempo" ligadas à Irmandade. El-Sayed nega qualquer vínculo e diz repudiar o grupo. Mas, quando a Fox News lhe perguntou, em abril, se o mundo não estaria melhor

sem os radicais que governam o Irã, preferiu dizer que "radicalismo de qualquer tipo é ruim" e emendar um ataque ao "movimento MAGA".

2028 no horizonte

Enquanto Trump estiver na Casa Branca, essa agenda continua contida. Mas a esquerda radical não está mirando em 2026. Está mirando em 2028, na eleição que define quem governa a partir de janeiro de 2029.

E o cenário é revelador. Numa pesquisa da AtlasIntel de maio, Ocasio-Cortez apareceu em primeiro lugar na disputa pela candidatura democrata, com 26%, à frente do governador da Califórnia, Gavin Newsom (21,2%), e de Kamala Harris (12,9%). Nos mercados de previsão, ela também já ultrapassou Newsom.

Vale lembrar que, em 2016, o establishment democrata fechou fileiras em torno de Hillary Clinton justamente para barrar Bernie Sanders. Dez anos depois, a herdeira política de Sanders é quem lidera as pesquisas. O partido que antes continha sua ala socialista agora pode ser liderado por ela.

Elon Musk, o maior doador individual destas midterms, com mais de US$ 440 milhões aplicados para manter o Congresso nas mãos dos republicanos, resumiu o risco nesta sexta-feira. Em posts no X, disse que sua maior preocupação é uma vitória democrata completa: Câmara e Senado agora, Presidência em 2028. E listou o que viria em seguida: transformar D.C. e Porto Rico em estados para garantir a maioria no Senado, legalizar os imigrantes ilegais para garantir uma maioria duradoura e aumentar a Suprema Corte para ter maioria imediata. São as mesmas peças descritas acima, com o acréscimo da anistia, que fabrica milhões de futuros eleitores. O resultado, escreveu, seria "um Estado de partido único permanente e o fim da democracia em qualquer sentido significativo da palavra".

Seria, nas palavras dele, "game over" para os Estados Unidos.

Para Musk, uma única condição impede esse desfecho: 51 senadores republicanos em 2029. E é por isso que o Senado é a disputa decisiva de terça-feira. Os senadores eleitos agora têm mandato de seis anos, até 2033. Ou seja, são eles que estarão sentados no Senado quando o próximo presidente tomar posse. Cada cadeira perdida em 2026 é uma trava a menos contra o partido único em 2029.

Uma vitória democrata na terça-feira não entrega o país ao DSA. Mas paralisa o último governo que hoje se opõe a ele, e dá à esquerda radical dois anos de palanque, comissões e manchetes para chegar a 2028 com o caminho aberto.

O farol

Na terça-feira não se decide apenas o Congresso. Começa a se decidir se o último grande bastião da liberdade no Ocidente continuará de pé.

Os Estados Unidos não são apenas a maior economia do planeta. São a única grande nação fundada sobre uma ideia: a de que os direitos do indivíduo são dados pelo Criador, não concedidos pelo governo. Liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda, propriedade protegida, poder dividido entre instituições que se vigiam mutuamente. É exatamente esse desenho que o DSA quer desmontar, a começar pelo Senado e pela Suprema Corte que Madison ajudou a criar.

Para o resto do mundo, isso não é detalhe. No Reino Unido, gente é presa por post. No Brasil, o Supremo censura, persegue e prende opositores, e a pressão mais concreta contra esse regime veio de Washington. Por toda parte, quando a censura avança, é para os Estados Unidos que os perseguidos olham. Milhões de pessoas, entre elas muitos brasileiros, encontraram ali a liberdade que perderam em casa.

Se a esquerda radical tomar o país que serve de farol, ela não apaga apenas o futuro dos americanos.

Apaga a última luz para todos os que vivem sob regimes que já se renderam.

E, se o farol se apagar, não haverá outro lugar para onde correr.

PEC da Segurança

  A base aliada do governo no Senado articula votar os dois turnos da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública nedsta terça-feira. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou a votação para a próxima terça-feira (3).

A PEC da Segurança está na pauta do Senado em 15 de outubro.

O principal impasse é a questão da maioridade penal. A Oposição quer reduzi-la.No Senado, a oposição apresentou uma emenda que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos na para todos os crimes e para 14 anos para os hediondos. A emenda é de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN) e foi assinada por outros parlamentares, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O que prevê a PEC

A PEC da Segurança prevê mecanismos de integração entre União, estados, Distrito Federal e municípios, incluindo forças-tarefa conjuntas, compartilhamento de informações e provas e integração de sistemas. O texto também amplia as atribuições da PRF (Polícia Rodoviária Federal), que poderá atuar no policiamento de ferrovias e hidrovias federais. A PEC prevê regras mais rigorosas para líderes e integrantes de facções criminosas, organizações paramilitares e milícias, com medidas relacionadas à posição hierárquica dos envolvidos.

Susp

Entre as medidas previstas estão regras específicas para o cumprimento de penas, restrições à progressão de regime e a benefícios processuais, possibilidade de confisco de bens ligados à atividade criminosa e responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas. O texto também prevê proteção a denunciantes e familiares.

 As eleições que podem paralisar Trump e abrir caminho para a esquerda radical em 2028

Na terça-feira, os americanos decidem o Congresso. O que está em jogo vai muito além dos próximos dois anos.

Na próxima terça-feira, 3 de novembro, os Estados Unidos renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. São 33 disputas regulares e duas eleições especiais, em Ohio e na Flórida, para as vagas deixadas por JD Vance e Marco Rubio. Ou seja, a Câmara inteira e pouco mais de um terço do Senado.

O ponto de partida é uma maioria republicana estreita. Na Câmara, são 218 republicanos, 214 democratas, um independente (Kevin Kiley, da Califórnia, que deixou o partido, mas continua na bancada republicana) e duas vagas abertas. A maioria exige 218 votos. No Senado, os republicanos têm 53 cadeiras, contra 47 do bloco democrata, que inclui dois independentes. Para virar o Senado, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras, já que um empate de 50 a 50 é desempatado pelo vice-presidente Vance.

O histórico joga contra quem governa

As eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, acontecem a cada quatro anos, dois anos depois da eleição presidencial. E funcionam quase sempre como um plebiscito sobre o presidente. Desde a Segunda Guerra Mundial, o partido que ocupa a Casa Branca perdeu cadeiras na Câmara em praticamente todas as midterms. As exceções foram 1998 e 2002. O próprio Trump sentiu isso em 2018, quando os democratas ganharam 41 cadeiras e retomaram a Câmara.

As pesquisas confirmam a tendência. A média do Silver Bulletin, atualizada em 30 de outubro, aponta vantagem democrata de 8,9 pontos na intenção de voto para o Congresso, ou 9,1 pontos entre os eleitores mais prováveis. A pesquisa Fox News de meados de outubro registrou 54% a 45% para os democratas entre eleitores registrados. O Cook Political Report já fala em até 240 cadeiras democratas na Câmara, e o mercado de previsões Kalshi projeta número semelhante.

Mas há bons motivos para desconfiar dos números. Nas três eleições que tiveram Trump na cédula, as pesquisas erraram, e erraram para o mesmo lado. Em 2020, segundo a própria associação dos pesquisadores americanos (AAPOR), as pesquisas nacionais superestimaram a vantagem de Biden em 3,9 pontos, o maior erro em 40 anos. Nas disputas para o Senado e para os governos estaduais, inflaram os democratas em 6 pontos, em média. Em 2016 e em 2024, o eleitor de Trump também apareceu menos nas pesquisas do que nas urnas. Ou seja, o tamanho de uma eventual derrota republicana ainda é uma incógnita. A medida real só começa a aparecer na terça-feira à noite, com o fechamento das urnas. E, nas disputas mais apertadas, pode demorar mais: a Califórnia leva dias para contar os votos pelo correio, e no Alasca a apuração do voto ranqueado costuma sair semanas depois da eleição.

A Câmara, portanto, é o terreno em que a derrota republicana parece mais provável. A guerra de verdade está no Senado. Pela classificação do Cook, seis cadeiras republicanas estão em situação de empate técnico (Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Ohio e Texas), além da vaga aberta da Carolina do Norte, que já pende para os democratas. Do outro lado, a cadeira democrata mais ameaçada é a de Michigan. No Alasca, aliás, a disputa ganhou nesta semana um ingrediente que diz muito sobre os métodos do adversário: a revelação, pelo New York Times, de que a campanha democrata ajudou a recrutar um segundo "Dan Sullivan" para confundir o eleitor do senador republicano de mesmo nome.

Quem vota e como se vota

Segundo o Pew Research Center, cerca de 250 milhões de cidadãos adultos estão aptos a votar em 2026. É o eleitorado potencial, não o número de registrados: nos Estados Unidos, o registro não é automático e o voto não é obrigatório.

A eleição também não é centralizada. Cada estado define suas regras de registro, voto antecipado, voto pelo correio e equipamento. Na eleição de 2024, a referência consolidada mais recente, cerca de 30% dos eleitores votaram pelo correio, segundo a comissão eleitoral federal (EAC). Mais de dois terços votaram presencialmente, divididos quase meio a meio entre o voto antecipado e o dia da eleição.

E vale uma explicação para o leitor brasileiro: o "voto eletrônico" americano não tem nada a ver com a urna brasileira. O padrão é a cédula de papel, preenchida à mão e lida por scanner. Onde há máquina, ela imprime um registro físico que pode ser auditado. A quase totalidade das jurisdições trabalha com cédula ou comprovante em papel. Quem poderia imaginar que a democracia mais rica do planeta confia no papel...

Por que Trump chega mais fraco

A primeira razão é o bolso. A inflação anual voltou a subir em setembro e chegou a 3,7%, puxada pela energia, que ficou 20,4% mais cara em um ano. A gasolina subiu 34,2% no período. Segundo a AAA, o galão custa em média US$ 4,33, contra US$ 2,98 antes da guerra com o Irã, e o diesel bateu recorde de US$ 6,29 no fim de setembro.

O choque tem duas origens externas. A primeira é a guerra com o Irã e a instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo. O Brent voltou a tocar US$ 110 em meados de outubro. A segunda é a campanha de drones ucranianos contra refinarias russas, que derrubou o refino da Rússia ao menor nível em mais de duas décadas. Mesmo sob sanções, a Rússia era uma das grandes fornecedoras de diesel do mundo, e hoje proíbe a própria exportação. Quem paga a diferença é o caminhoneiro americano, e com ele toda a cadeia de preços.

Por trás disso há um problema estrutural que nenhum dos dois partidos enfrentou: o déficit. O governo federal fechou o ano fiscal de 2026 com um rombo de cerca de US$ 2 trilhões, segundo o CBO. O descontrole acelerou com a pandemia e nunca mais foi corrigido. Um Estado que gasta muito mais do que arrecada alimenta a inflação, e a inflação que corrói o salário desde 2021 é a mesma que hoje corrói a popularidade do presidente.

O resultado aparece nas pesquisas. Na Fox News, a aprovação de Trump caiu para 36%, a menor já registrada pelo instituto em qualquer dos seus mandatos. Na inflação, a aprovação é de apenas 22%.

A segunda razão é a imigração. Fechar a fronteira e moralizar o caos herdado de Biden, que abriu as portas para todo tipo de ilegal, continua popular. Mas uma parcela relevante do eleitorado acha que o governo pesou a mão na repressão. Em fevereiro, 52% disseram à AP-NORC que Trump "foi longe demais" nas deportações, e 62% disseram o mesmo sobre o envio de agentes federais para as grandes cidades.

A terceira razão é a de sempre: uma imprensa e todo um aparelho de esquerda que atacam Trump 24 horas por dia, sete dias por semana. Não por ignorância, mas por método. A piada corrente nos Estados Unidos é que, se Trump curasse o câncer, a militância de redação daria um jeito de transformar isso em notícia ruim.

Trump chega mais fraco do que em 2024. Não tanto quanto a imprensa diz, mas mais fraco.

O que muda se os democratas vencerem

Uma derrota nas duas Casas seria muito negativa para o governo. Com a Câmara, a oposição controla o orçamento, as comissões de investigação e o ritmo de tudo o que precisa de aprovação legislativa. Com o Senado, controla as confirmações: ministros, embaixadores, juízes federais e, sobretudo, qualquer eventual vaga na Suprema Corte.

Uma ressalva importante: os democratas não poderiam impor sua agenda nos próximos dois anos. Trump mantém o poder de veto, e derrubá-lo exige dois terços das duas Casas. O que está em jogo em 2026 é a paralisia do governo Trump. O que está em jogo em 2028 é outra coisa.

O partido que a esquerda radical está tomando

Porque o Partido Democrata de 2026 não é mais o de Bill Clinton. Está sendo tomado por dentro por figuras ligadas aos Democratic Socialists of America, o DSA, um movimento abertamente socialista que cresceu à sombra de Bernie Sanders e de Alexandria Ocasio-Cortez.

O símbolo dessa transformação é Zohran Mamdani, prefeito de Nova York desde janeiro. Ele chegou ao cargo prometendo uma sobretaxa sobre quem ganha mais de US$ 1 milhão, aumento do imposto sobre empresas, congelamento de aluguéis, ônibus de graça e supermercados municipais. O imposto sobre milionários foi barrado pela governadora Kathy Hochul, que é democrata. Mas o congelamento de aluguéis passou: em junho, um conselho em que Mamdani nomeou seis dos nove integrantes congelou os aluguéis de cerca de um milhão de apartamentos. E a prefeitura já reservou US$ 70 milhões para os supermercados estatais. Controle de preços, mais impostos e mais gasto público: a velha receita, agora no coração financeiro do capitalismo mundial.

E as ambições do DSA vão muito além de Nova York. A plataforma lançada pelo movimento em julho propõe abolir o Senado e substituí-lo por uma legislatura única, e extinguir a Suprema Corte, trocandoa por um Judiciário "subordinado ao Congresso". Até Bernie Sanders, quando perguntado se apoiava a ideia, respondeu apenas: "Não".

Na ala mais tradicional do partido, a agenda é menos espalhafatosa, mas aponta na mesma direção. A primeira proposta é o fim do filibuster, a regra que exige 60 dos 100 votos do Senado para encerrar o debate e levar a voto a maioria dos projetos de lei. É a trava que obriga a maioria a negociar com a minoria. A segunda é transformar Washington, D.C., hoje um distrito federal, e Porto Rico, hoje um território, em estados, o que criaria quatro novas cadeiras no Senado, quase certamente democratas. A Câmara democrata já aprovou a criação do estado de D.C. em 2020 e em 2021. A terceira é aumentar o número de juízes da Suprema Corte para desfazer a maioria conservadora. Somadas, as três mudanças dariam a uma maioria simples o poder de reescrever as regras do jogo sem depender de ninguém.

O DSA ainda não manda no partido. Um levantamento da Brookings mostrou que seus candidatos a cargos estaduais e ao Congresso venceram menos da metade das primárias de 2026. Mas venceram onde importa. Em Nova York, Darializa Avila Chevalier derrubou o deputado democrata Adriano Espaillat na primária. Em Michigan, o candidato democrata ao Senado é Abdul El-Sayed, um nome da ala de Sanders, numa disputa considerada empatada.

Há ainda um componente que a militância de redação prefere ignorar: a aliança entre a esquerda radical e o fundamentalismo islâmico, a mesma que se vê no mundo inteiro. Em 2025, no segundo aniversário do 7 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou Mamdani de agir como "porta-voz da propaganda do Hamas". Neste ano, já prefeito da cidade com a maior população judaica fora de Israel, ele repetiu a fórmula: chamou o massacre de "crime de guerra horrível" e dedicou o restante da declaração a acusar Israel de "genocídio". Questionado, recusou-se a mudar uma vírgula.

Em Michigan, o problema tem nome e sobrenome. Abdul El-Sayed, o candidato democrata ao Senado numa disputa empatada, passou as últimas semanas tentando se explicar sobre suas ligações com a Irmandade Muçulmana, a matriz do islamismo político e do próprio Hamas, que nasceu como seu braço palestino. A Irmandade é um grupo terrorista. Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes a classificam assim há mais de uma década. Em janeiro, o governo americano designou como terroristas os braços egípcio, jordaniano e libanês, este último incluído na lista de organizações terroristas estrangeiras do Departamento de Estado. Os braços egípcio e jordaniano foram enquadrados, segundo Washington, por dar apoio material ao Hamas. Segundo o Washington Free Beacon, o pai dele, o imã Mohammed El-Sayed, integra o conselho da Life for Relief and Development. A entidade pagou US$ 780 mil em acordo com o Tesouro americano por ter enviado dinheiro ao Iraque de Saddam Hussein, sob sanções, e teve o escritório revistado pelo FBI em 2006. Seu diretor-executivo aparece numa lista de líderes da Irmandade nos Estados Unidos, anexada pela Promotoria federal ao processo da Holy Land Foundation, o maior caso de financiamento ao terrorismo da história americana. Posts de 2010 da meia-irmã do candidato, resgatados nesta campanha, afirmam que a mãe e a família eram "há muito tempo" ligadas à Irmandade. El-Sayed nega qualquer vínculo e diz repudiar o grupo. Mas, quando a Fox News lhe perguntou, em abril, se o mundo não estaria melhor

sem os radicais que governam o Irã, preferiu dizer que "radicalismo de qualquer tipo é ruim" e emendar um ataque ao "movimento MAGA".

2028 no horizonte

Enquanto Trump estiver na Casa Branca, essa agenda continua contida. Mas a esquerda radical não está mirando em 2026. Está mirando em 2028, na eleição que define quem governa a partir de janeiro de 2029.

E o cenário é revelador. Numa pesquisa da AtlasIntel de maio, Ocasio-Cortez apareceu em primeiro lugar na disputa pela candidatura democrata, com 26%, à frente do governador da Califórnia, Gavin Newsom (21,2%), e de Kamala Harris (12,9%). Nos mercados de previsão, ela também já ultrapassou Newsom.

Vale lembrar que, em 2016, o establishment democrata fechou fileiras em torno de Hillary Clinton justamente para barrar Bernie Sanders. Dez anos depois, a herdeira política de Sanders é quem lidera as pesquisas. O partido que antes continha sua ala socialista agora pode ser liderado por ela.

Elon Musk, o maior doador individual destas midterms, com mais de US$ 440 milhões aplicados para manter o Congresso nas mãos dos republicanos, resumiu o risco nesta sexta-feira. Em posts no X, disse que sua maior preocupação é uma vitória democrata completa: Câmara e Senado agora, Presidência em 2028. E listou o que viria em seguida: transformar D.C. e Porto Rico em estados para garantir a maioria no Senado, legalizar os imigrantes ilegais para garantir uma maioria duradoura e aumentar a Suprema Corte para ter maioria imediata. São as mesmas peças descritas acima, com o acréscimo da anistia, que fabrica milhões de futuros eleitores. O resultado, escreveu, seria "um Estado de partido único permanente e o fim da democracia em qualquer sentido significativo da palavra".

Seria, nas palavras dele, "game over" para os Estados Unidos.

Para Musk, uma única condição impede esse desfecho: 51 senadores republicanos em 2029. E é por isso que o Senado é a disputa decisiva de terça-feira. Os senadores eleitos agora têm mandato de seis anos, até 2033. Ou seja, são eles que estarão sentados no Senado quando o próximo presidente tomar posse. Cada cadeira perdida em 2026 é uma trava a menos contra o partido único em 2029.

Uma vitória democrata na terça-feira não entrega o país ao DSA. Mas paralisa o último governo que hoje se opõe a ele, e dá à esquerda radical dois anos de palanque, comissões e manchetes para chegar a 2028 com o caminho aberto.

O farol

Na terça-feira não se decide apenas o Congresso. Começa a se decidir se o último grande bastião da liberdade no Ocidente continuará de pé.

Os Estados Unidos não são apenas a maior economia do planeta. São a única grande nação fundada sobre uma ideia: a de que os direitos do indivíduo são dados pelo Criador, não concedidos pelo governo. Liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda, propriedade protegida, poder dividido entre instituições que se vigiam mutuamente. É exatamente esse desenho que o DSA quer desmontar, a começar pelo Senado e pela Suprema Corte que Madison ajudou a criar.

Para o resto do mundo, isso não é detalhe. No Reino Unido, gente é presa por post. No Brasil, o Supremo censura, persegue e prende opositores, e a pressão mais concreta contra esse regime veio de Washington. Por toda parte, quando a censura avança, é para os Estados Unidos que os perseguidos olham. Milhões de pessoas, entre elas muitos brasileiros, encontraram ali a liberdade que perderam em casa.

Se a esquerda radical tomar o país que serve de farol, ela não apaga apenas o futuro dos americanos.

Apaga a última luz para todos os que vivem sob regimes que já se renderam.

E, se o farol se apagar, não haverá outro lugar para onde correr.