Mocinho ou vilão? Veja prós e contras do uso de celular e como ele afeta a saúde dos idosos

Com a presença do celular no dia a dia, os idosos conseguem se comunicar com mais facilidade com parentes e amigos, além de ter acesso a serviços, informações e entretenimento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 80,3% dos brasileiros idosos tinham um aparelho para uso pessoal em 2025, 18,3% a mais do que no ano anterior. Mas, além dos benefícios, o uso frequente e os movimentos repetitivos das mãos, como digitar, deslizar a tela e segurar o celular por períodos prolongados, podem favorecer o surgimento ou agravamento de lesões. Embora o uso não seja o único responsável pelas dores, o desconforto também pode ser sentido em outras áreas do corpo como o punho e até no pescoço. 

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Roberto Luiz Sobania, os esforços dos idosos ao usar o celular merecem mais atenção do que nos jovens. 

“As pessoas idosas já gastaram mais as articulações e perderam um pouco de massa muscular. Sendo assim, o uso excessivo do celular tem uma chance maior de causar dor, desconforto e de fazer com que eles tenham que fazer pausas mais frequentes”, explica o especialista. 

O problema pode ser ainda maior em quem já apresenta artrose, principalmente nas articulações próximas às pontas dos dedos e no polegar. O ato de segurar o celular com os dois polegares pode aumentar o desconforto e dores nessas regiões. O pescoço também é uma das outras áreas que podem ser afetadas com o uso contínuo do aparelho, podendo ficar sobrecarregado se o idoso ficar com a cabeça inclinada para olhar a tela. Os braços e as mãos também fazem esforço ao segurar o aparelho por muito tempo. 

Apesar disso, Sobania reforça que os idosos não precisam abandonar a tecnologia e explica que algumas medidas podem auxiliar na redução da sobrecarga das mãos. 

“A recomendação é adaptar a maneira com que usa o aparelho e respeitar os sinais do corpo. O idoso pode fazer algumas pausas durante o uso, alternar as atividades e substituir a digitação por gravação de mensagens de áudio e digitação por voz”, explica o presidente da SBCM. 

Outra indicação do ortopedista é mudar a forma de digitar: em vez de segurar o aparelho com as duas mãos e utilizar os dois polegares, o idoso pode segurar apenas com uma e usar o dedo indicador da outra mão para tocar na tela. E, durante atividades mais longas, a orientação é, sempre que possível, optar pelo computador, pois a tela maior permite uma posição mais adequada, com os pés apoiados no chão, coluna apoiada e antebraços sobre a mesa. 

Atenção redobrada 

Sentir dor após uso prolongado e repetição dos movimentos pode melhorar com descanso e redução do tempo diante do celular. Entretanto, se o desconforto persistir ou começar a atrapalhar atividades simples do dia a dia do idoso, como segurar outros objetos, girar chaves ou abrir potes e garrafas, é necessário procurar uma avaliação médica. E se já existir deformidades nos dedos ou sinais que podem indicar alterações articulares anteriores e maior possibilidade de agravamento, a atenção deve ser ainda maior. 

Outra medida, além de alterar o jeito de segurar o celular e reduzir o uso do aparelho, é a realização de exercícios na rotina. O alongamento das mãos e dos punhos além dos movimentos de fortalecimento podem ajudar a preservar a musculatura e proteger as articulações. 

“A tecnologia deve facilitar a vida e não se transformar em fonte de dor”, conclui. 

Apesar das dores e desconfortos, os idosos que usam celulares parecem levar mais vantagem quando o assunto é saúde do cérebro. Estudos realizados por pesquisadores da Universidade do Texas e da Universidade Baylor, ambas nos Estados Unidos, indicam taxas mais baixas de declínio cognitivo em idosos que utilizam celulares, tablets e outros dispositivos digitais no dia a dia. 

Os resultados indicam que os usuários das tecnologias digitais apresentam 58% menos chances de desenvolver declínio cognitivo e uma taxa 26% menor de perda das funções cognitivas ao longo do tempo. 

Com a análise que foi feita em 57 estudos já publicados, que examinaram o uso da tecnologia e as habilidades mentais em 411.430 adultos mais velhos ao redor do mundo, com média de idade de 69 anos, os pesquisadores descobriram que pessoas com mais de 50 anos que utilizavam dispositivos digitais apresentam menor risco de comprometimento cognitivo. Os detalhes foram publicados na revista Nature Human Behaviour. 

“Acreditamos que os três Cs podem ser importantes: complexidade, conexão e comportamentos compensatórios. As ferramentas podem ajudar as pessoas a se envolverem em atividades complexas e a fortalecerem suas conexões sociais, o que parece ser benéfico para o cérebro em processo de envelhecimento”, diz Jared Benge, neuropsicólogo clínico do Centro de Memória Abrangente da UT Health Austin, ao jornal The Guardian. 

No artigo, os autores ainda sugeriram que os prós e os contras dos smartphones e outros dispositivos para o cérebro em processo de envelhecimento dependem de como são utilizados. 

“Usar dispositivos digitais da mesma forma que usamos televisões – passivamente e de forma sedentária, tanto física quanto mentalmente – provavelmente não será benéfico. Mas nossos computadores e smartphones também podem ser mentalmente estimulantes, proporcionar conexões sociais e compensar as habilidades cognitivas que declinam com a idade. Esses últimos tipos de uso são considerados benéficos para o envelhecimento cognitivo há muito tempo”, afirmou o coautor do estudo, Michael Scullin, neurocientista cognitivo da Universidade Baylor, no Texas. 

Não está claro no estudo, porém, se o uso de tecnologias contribui para evitar o declínio mental ou se as pessoas com melhores habilidade tendem a usar mais esses dispositivos. No entanto, os cientistas afirmam que as descobertas questionam a alegação de que o tempo gasto em frente às telas causa a “demência digital”. As informações são do jornal Extra.

Vorcaro pagou R$ 1,2 milhão por imóvel ligado ao presidente da Febraban

Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que o banqueiro pagou R$ 1,2 milhão ao antigo proprietário de um duplex de 410 metros quadrados na Vila Olímpia, em São Paulo, posteriormente comprado por Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A informação foi divulgada pelo UOL nesta quinta-feira (15). O imóvel foi negociado por R$ 7,3 milhões, em novembro de 2020, mas os pagamentos atribuídos a Vorcaro não aparecem discriminados na escritura pública. Sidney afirma desconhecer esses valores e nega ter recebido qualquer benefício indevido.

Três pagamentos somaram R$ 1,2 milhão 

De acordo com as mensagens descritas pela reportagem, os pagamentos foram realizados em três etapas. A primeira, de aproximadamente R$ 535 mil, quitou um financiamento que o antigo proprietário mantinha com o Itaú. O boleto foi pago por Vorcaro em 17 de novembro de 2020. A segunda transferência, de R$ 534 mil, foi destinada à construtora Yuny como sinal pela compra de outro imóvel pelo vendedor. O comprovante foi enviado pelo ex-banqueiro em 22 de dezembro daquele ano. A terceira operação, de R$ 131 mil, foi feita diretamente para a conta de Eduardo Barcellos, antigo proprietário do duplex. 

As conversas também indicam que Barcellos cobrou de Vorcaro um saldo de R$ 665 mil e demonstrou preferência por receber antes da assinatura da escritura, alegando que o valor não estava documentado. A escritura foi assinada em 27 de novembro de 2020 e registrou a quitação do financiamento do imóvel, mas não identificou quem havia efetuado o pagamento. Procurado pelo UOL, Barcellos disse não se lembrar da venda e encerrou a ligação após ser confrontado com os detalhes das mensagens. 

Vorcaro também teria custeado parte do aluguel 

A reportagem aponta que a relação financeira envolvendo o imóvel começou antes da compra. Em 2019, Vorcaro negociou diretamente com o proprietário a locação do apartamento para Isaac Sidney, que então atuava como advogado para o Banco Máxima, nome anterior do Master. Embora o aluguel solicitado fosse de R$ 50 mil mensais, o contrato formal registrou R$ 15 mil por mês, valor atribuído à parte paga por Sidney. O dirigente teria antecipado R$ 174 mil referentes ao primeiro ano, enquanto, segundo as conversas, Vorcaro assumiria a diferença durante 18 meses, além dos impostos. O valor estimado dessa parcela era de R$ 946 mil, com pagamentos realizados entre março e abril de 2019. 

Naquele período, Sidney já havia deixado o Banco Central e prestava serviços jurídicos ao Banco Máxima. Ele assumiu a vice-presidência da Febraban em maio de 2019 e chegou à presidência da entidade em março de 2020. O aluguel pago por Vorcaro teria abrangido também parte do período em que Sidney já ocupava cargo na federação. O presidente da Febraban afirma que o contrato foi firmado antes de sua entrada na entidade e que as despesas iniciais com moradia em São Paulo foram pagas a título de honorários advocatícios, sem qualquer vantagem indevida. 

Compra incluiu financiamento de R$ 5,5 milhões pelo Master 

A escritura do duplex registra que Sidney pagou R$ 1,8 milhão com recursos próprios e financiou os R$ 5,5 milhões restantes junto ao Banco Master. Segundo o UOL, o empréstimo foi quitado 13 meses depois, antes do vencimento da primeira parcela, em razão de um período de carência de um ano. Sidney declarou ter utilizado ativos para liquidar a dívida, que, segundo ele, havia sido cedida a um terceiro. Questionado pela reportagem, não especificou quais ativos foram utilizados. 

O dirigente sustenta que o preço do imóvel e as condições da negociação correspondem integralmente ao que consta na escritura e na declaração do Imposto de Renda. Sobre o pagamento do boleto do Itaú, afirmou que acompanhou a operação porque a quitação do saldo devedor era necessária para que o imóvel pudesse ser utilizado como garantia em um novo crédito imobiliário. Ele diz que não participou dos acertos financeiros entre Vorcaro e o antigo proprietário. 

Mensagens mostram conversas sobre assuntos regulatórios 

Além das transações imobiliárias, a reportagem descreve mensagens entre Vorcaro e Sidney sobre temas relacionados ao Banco Máxima, ao Banco Master e a processos regulatórios. Em uma das conversas, Sidney encaminhou ao banqueiro um despacho da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) relacionado a uma investigação sobre suspeita de operação fraudulenta com debêntures. Em agosto de 2020, também enviou um parecer técnico contrário a um acordo proposto por Vorcaro e comentou que havia considerado o documento rigoroso. 

As conversas prosseguiram nos anos seguintes. No fim de 2023, quando o Banco Central preparava mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), Vorcaro reclamou da falta de atenção de Sidney. O presidente da Febraban respondeu que havia saído em defesa do banqueiro em conversas com dirigentes do Banco Central. Em outra mensagem, afirmou: “Lealdade é o maior prestígio que posso lhe oferecer”. Em abril de 2024, Sidney relatou a Vorcaro ter conversado com o ex-ministro Henrique Meirelles, que buscava referências sobre o Master, e disse acreditar que havia conseguido desfazer ressalvas sobre o banco. 

Sidney afirma que essas conversas refletiam interlocuções institucionais e que, quando foi procurado por Meirelles, recomendou que ele buscasse a área de fiscalização do Banco Central. Também sustenta que a Febraban alertou a autoridade monetária sobre a concentração de captações garantidas pelo FGC e que foi um dos primeiros dirigentes do setor a apoiar a liquidação do Master. 

Proposta de delação foi rejeitada por falta de provas 

Na proposta de delação apresentada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Vorcaro atribuiu a compra do apartamento a uma suposta contrapartida pela influência de Sidney junto ao Banco Central em favor do banqueiro e do Master. Segundo a versão apresentada pelo ex-controlador, o dirigente teria apoiado a aprovação da mudança de controle acionário do Banco Máxima e facilitado sua aproximação com integrantes do órgão regulador. 

A proposta de delação foi rejeitada pela PF e pela PGR por falta de provas. A alegação de Vorcaro, portanto, não foi comprovada apenas pela existência das mensagens e dos pagamentos descritos na reportagem. Sidney nega ter recebido qualquer bem ou vantagem em troca de influência sobre o Banco Central e afirma que a transferência do controle do Banco Máxima para Vorcaro foi autorizada em outubro de 2019, quase seis meses após sua saída do escritório de advocacia. Também declarou que jamais recebeu propriedade do ex-controlador do Master. 

O caso levanta questionamentos sobre os pagamentos feitos fora da escritura, o custeio de parte do aluguel e a interlocução entre o banqueiro e o dirigente da Febraban em assuntos relacionados à regulação bancária. A apuração jornalística, contudo, não equivale a uma decisão judicial sobre eventual irregularidade. Até o momento, Sidney nega favorecimento, e a acusação de que os pagamentos teriam sido contrapartida por influência junto ao Banco Central permanece sem comprovação pública conclusiva. 

Artigo - William Waack: Pacote eleitoral enfrenta alta rejeição do governo

O problema é o contraste entre medidas pontuais, de última hora, e os fatores mais abrangentes que explicam o primeiro turno para as eleições presidenciais, estaduais e especialmente o Legislativo. 

A Câmara e o Senado correram nesta quarta-feira (14) para aprovar matérias que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera importantes para a reeleição.

O Senado dedicou-se à tramitação do fim da escala 6x1, com o apoio também do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Pois o Brasil é prisioneiro da ideia de que um populismo – o de Lula – só se consegue combater com outro.

Seja como for, a lista eleitoreira desta quarta feira (14) incluiu um aumento para o faturamento do MEI, o Microempreendedor Individual, perdão de dívidas com a União para o mesmo segmento, aumento da contratação de funcionários, transferência de R$ 5 mil para novos negócios.

Com mais essas benesses eleitoreiras, o governo Lula leva para uns R$ 300 bilhões a gastança para conseguir votos.

Para parte disso sequer há previsão orçamentária.

É a essência do populismo: a festa é hoje, alguém paga a conta amanhã. No caso das eleições, a pergunta é: as benesses levam Lula a virar sobre a desvantagem com a qual saiu do primeiro turno? Até aqui não – ou ainda não?

O problema é o contraste entre medidas pontuais, de última hora, e os fatores mais abrangentes que explicam o primeiro turno para as eleições presidenciais, estaduais e especialmente o Legislativo.

É o cansaço generalizado do eleitor e a persistente alta taxa de reprovação do governo. Esse, digamos, "climão geral" continua o mesmo. Fazendo com que continue bem difícil a empreitada da campanha de Lula.

Espaço para uma virada continua existindo, mas continua bem apertado.

Fim da escala 6x1: empresário paga a conta ou repassa ao consumidor

A discussão sobre o fim da escala 6x1 vai muito além da jornada de trabalho: ela também envolve os custos das empresas e o preço que o consumidor paga nas prateleiras dos supermercados. Em artigo publicado no Estadão, Camila Farani, investidora, presidente da G2 Capital e CEO da FEN Educação para Negócios, chama a atenção para a necessidade de fazer as contas antes de aprovar mudanças nas regras trabalhistas. Para quem mantém um negócio, a redução da jornada sem uma diminuição proporcional dos custos pode representar um novo desafio financeiro. 

Na avaliação apresentada por Farani, se um funcionário passar de 176 para 150 horas mensais, mantendo-se o mesmo salário, o custo por hora trabalhada aumentará aproximadamente 17,3%, e não apenas 10%. Isso significa que o empresário precisará encontrar alternativas para compensar a redução das horas disponíveis de trabalho: contratar mais funcionários, investir em automação ou absorver o aumento das despesas. Em atividades com margens apertadas, como supermercados, restaurantes, comércio e serviços, parte desse custo adicional poderá ser repassada aos preços, pressionando o orçamento das famílias. 

Outro risco apontado no debate é o crescimento da informalidade e das contratações sem carteira assinada, especialmente entre pequenos negócios com menor capacidade financeira para absorver novos custos. Embora os efeitos dependam das regras aprovadas, da produtividade e das condições de cada setor, a discussão exige avaliar não apenas os benefícios pretendidos para os trabalhadores, mas também as consequências econômicas da mudança. A questão central é quem pagará a conta: o empresário, o consumidor ou o próprio trabalhador, caso a medida reduza oportunidades de emprego formal? 

Fonte: Camila Farani, em artigo publicado no Estadão.

*Assista ao vídeo de Camila Farani e entenda os impactos econômicos que o fim da escala 6x1 pode gerar para empresas, trabalhadores e consumidores: https://www.estadao.com.br/economia/camila-farani/a-escala-6x1-deve-ser-votada-hoje-voce-ja-fez-a-conta/

Artigo - Lula cobra experiência de Flávio, mas quando se elegeu era torneiro mecânico

por Rodrigo Alves, jornalista.

Lula se agarra à experiência, mas Flávio Bolsonaro tem currículo acadêmico mais robusto 

Lula tenta transformar a experiência política em seu principal trunfo eleitoral contra Flávio Bolsonaro, como se décadas de vida pública fossem, por si só, um certificado de competência para governar. 

O argumento, entretanto, tem um ponto fraco: antes de chegar à Presidência, em 2002, Lula não tinha experiência em cargos executivos de governo nem formação universitária. Torneiro mecânico formado pelo Senai e ex-líder sindical, construiu sua trajetória na política até conquistar o Planalto na quarta tentativa. Sua história é conhecida, mas ela também demonstra que não era necessário ter sido presidente ou possuir uma longa experiência administrativa para disputar e vencer a eleição. 

No campo da formação acadêmica e profissional, Flávio Bolsonaro apresenta um currículo mais robusto. Advogado, empresário e senador da República pelo Rio de Janeiro, reúne graduação em Direito, especialização em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV). 

Se Lula reivindica a experiência acumulada ao longo de seus mandatos, Flávio pode apresentar uma formação acadêmica mais extensa e diversificada. É um contraste legítimo, sobretudo quando o próprio presidente utiliza a experiência como argumento para convencer o eleitor de que estaria mais preparado para governar. 

A questão central, portanto, é por que a experiência de Lula deveria ser considerada um diferencial absoluto, enquanto a formação e a trajetória profissional de seu adversário seriam insuficientes para disputar a Presidência. Lula também chegou ao poder sem ter ocupado anteriormente o cargo de presidente e sem experiência na chefia do Executivo federal. Sua eleição não foi impedida por essas limitações. 

Se o argumento é que experiência se constrói ao longo da trajetória, Lula não pode tratar esse atributo como um privilégio exclusivo nem como uma credencial que encerra o debate. O eleitor deve comparar currículos, propostas, capacidade de gestão e resultados, sem aceitar que a experiência passada, isoladamente, substitua a discussão sobre o futuro do país. 

Além da discussão sobre currículos, Lula precisa enfrentar o desgaste provocado pelos problemas de seu governo: o peso das despesas públicas, a dificuldade de equilibrar as contas federais, a pressão dos juros elevados sobre o crédito e o custo de vida que afeta o orçamento das famílias. No campo político, a polarização permanece intensa, enquanto disputas com o Congresso dificultam a construção de consensos duradouros. Na área social, persistem desafios históricos, como a desigualdade, a insegurança alimentar e a precariedade dos serviços públicos em diversas regiões. 

A experiência que Lula tanto reivindica deveria ser cobrada também pelos resultados que entrega: afinal, depois de tantos anos na política e de vários mandatos presidenciais, o que realmente melhorou na vida dos brasileiros?

Imprensa sob suspeita: a seleção de manchetes favorece Lula na cobertura eleitoral?

Às 13h50 desta quarta-feira (14), a seção Poder Eleições 2026, do Poder360, reunia oito chamadas com enfoques variados, mas várias delas destacavam mobilizações favoráveis a Lula, ações de seu governo ou episódios envolvendo aliados e plataformas digitais. 

Entre os títulos estavam “Atos por virada de Lula lotam ruas em ao menos 37 cidades”, “PT recria propaganda sobre Hitler e compara Flávio a Collor” e “Com perdão para dívidas de MEIs, Lula completa R$ 248,7 bi de bondades”. 

Leitores vêm questionando, nas últimas semanas, se a seleção e a hierarquia dessas manchetes oferecem espaço equilibrado aos dois candidatos. 

A discussão ganhou outro componente com a divulgação da pesquisa PoderData/Aya, cuja manchete foi “Lula reage e vai a 49% contra 51% de Flávio, diz PoderData”. O resultado, apresentado com diferença de dois pontos percentuais, chama a atenção para a importância de analisar a metodologia, a margem de erro e o contexto do levantamento. 

O PoderData pertence ao grupo de comunicação responsável pelo Poder360, o que também torna relevante distinguir a divulgação editorial da pesquisa e a interpretação política de seus números. 

Veículos como Poder360, UOL e MSN são frequentemente percebidos por parte do público como fontes de informação apartidárias. Entretanto, a imparcialidade não depende apenas da veracidade de cada notícia, mas também da escolha dos assuntos, do destaque dado a cada personagem e da diversidade de perspectivas. 

A seleção de manchetes de um único horário não comprova, isoladamente, favorecimento político, mas constitui um ponto de partida para cobrar transparência nos critérios editoriais e avaliar, ao longo do tempo, se a cobertura oferece tratamento proporcional aos diferentes lados da disputa.

Matérias de hoje no Poder Eleições 2026:

  1. Atos por virada de Lula lotam ruas em ao menos 37 cidades  - 7h18
  2. Lula reage e vai a 49% contra 51% de Flávio, diz PoderData/Aya  - 7h15
  3. Caetano Veloso convoca ato-show pela democracia no Rio no domingo  - 7h45
  4. PT recria propaganda sobre Hitler e compara Flávio a Collor  - 13h
  5. Com perdão para dívidas de MEIs, Lula completa R$ 248,7 bi de bondades  - 13h23
  6. Com Exército do Lula fora do ar, Janones migra para o Instagram - 6h
  7. Meta bloqueia “Lula 13” mas libera “Flávio 22” na IA do WhatsApp - 13h23
  8. Lula usa óculos futuristas estilo cyberpunk em vídeo com jovens - 12h18

Dica do editor - Azeite de oliva pode ajudar a preservar a saúde do cérebro

Artigo analisa o papel do azeite de oliva na redução do declínio cognitivo 

Uma revisão de pesquisas recente examina como a adesão à dieta mediterrânea e o consumo de azeite de oliva extravirgem podem afetar positivamente a saúde cognitiva. Com base em metanálises envolvendo 730 mil participantes e evidências recentes de imagens por ressonância magnética, os pesquisadores concluíram que muitos dos mecanismos pelos quais o consumo de azeite de oliva e a dieta mediterrânea promovem a saúde cardiovascular e reduzem a inflamação também atenuam os impactos do comprometimento cognitivo leve, da doença de Alzheimer e da demência vascular. 

Ao analisar os dados, os pesquisadores investigaram os impactos da adesão à dieta mediterrânea sobre os fatores de risco cardiovasculares, os efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes do azeite de oliva extravirgem, o papel do azeite de oliva na prevenção do AVC e vários outros indicadores de saúde. 

“Em resumo, o estudo mostra que o azeite de oliva e a dieta mediterrânea contêm polifenóis anti-inflamatórios e outros componentes que geram uma resposta sistêmica para atenuar os fatores de risco vasculares, ao mesmo tempo em que oferecem efeitos neuroprotetores diretos para ajudar a prevenir o início da demência”, afirmou Aitor González-Cidad, principal autor do estudo e estudante do sexto ano de medicina na Universidade do País Basco. 

No entanto, os pesquisadores enfatizaram a necessidade de ensaios clínicos adicionais controlados por placebo para confirmar o papel nutricional benéfico do azeite de oliva extravirgem no declínio cognitivo associado à idade em idosos. 

“Pesquisas futuras devem determinar como esses mecanismos se traduzem na prática clínica, isolando o azeite de oliva extravirgem e seus polifenóis”, escreveram eles. 

Começando pelo papel da melhoria da saúde cardiovascular no comprometimento cognitivo, os pesquisadores descobriram que os pacientes que seguiam a dieta mediterrânea com azeite de oliva extravirgem apresentavam menor risco de hipertensão e obesidade, ambas fortemente associadas a doenças cardiovasculares e a sintomas de doenças vasculares ligados ao comprometimento cognitivo. 

Além disso, os pesquisadores indicaram que a dieta mediterrânea influencia diretamente os principais fatores patogênicos de uma das principais causas de doenças cardiovasculares, a aterosclerose, que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da demência vascular.  

A adesão à dieta mediterrânea alcançou isso por meio da redução da pressão arterial, da melhora dos perfis lipídicos e da redução da inflamação. 

Os pesquisadores também investigaram o papel da dieta mediterrânea e do azeite de oliva extravirgem na saúde vascular, cuja deterioração está diretamente associada à demência vascular, o segundo tipo mais comum de demência, depois da doença de Alzheimer. 

De acordo com a literatura científica, as doenças cerebrovasculares, incluindo acidente vascular cerebral, isquemia cerebral crônica e doença dos pequenos vasos subcorticais, são a principal causa da demência vascular. 

Os pesquisadores descobriram que a adesão à dieta mediterrânea está associada à prevenção do AVC isquêmico e hemorrágico, o que, por sua vez, reduz a incidência de demência vascular, acrescentando que a dieta mediterrânea ajuda a preservar a integridade e a função cerebrovasculares ao melhorar esses parâmetros metabólicos. 

Os pesquisadores destacaram ainda o papel específico do azeite de oliva extravirgem nessa proteção, observando que um estudo observacional com 239 pacientes com AVC isquêmico mostrou taxas mais elevadas de recanalização arterial completa com o consumo de azeite de oliva extravirgem do que com a adesão geral à dieta mediterrânea. 

Essa descoberta sugeriu que o azeite de oliva extravirgem produz efeitos vasculares únicos, distintos daqueles obtidos apenas com a dieta mediterrânea. 

Separadamente, os pesquisadores identificaram a redução do estresse oxidativo como um dos mecanismos mais significativos por meio dos quais a dieta mediterrânea e o consumo de azeite de oliva extravirgem impactam positivamente a saúde cognitiva. 

Eles observaram que o estresse oxidativo é um fator-chave no envelhecimento cerebral e na neurodegeneração, tornando-se um alvo importante para intervenções destinadas a retardar o declínio cognitivo.  

A literatura científica identificou que o acidente vascular cerebral e a isquemia cerebral, que ocorrem quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é reduzido, podem agravar ainda mais o estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial, processos associados a danos neuronais e à doença de Alzheimer. 

Por meio de sua análise, os pesquisadores descobriram que a dieta mediterrânea pode ajudar a combater esses efeitos por meio de seus compostos antioxidantes, incluindo as vitaminas C e E, que reduzem o estresse oxidativo e têm sido associadas a melhores resultados cognitivos.  

Os pesquisadores destacaram o papel do ácido oleico, do hidroxitirosol e do oleocanthal na redução do estresse oxidativo, no aprimoramento da função endotelial e na modulação das cascatas inflamatórias implicadas na doença dos pequenos vasos cerebrais, que está “intimamente relacionada” à patogênese da demência vascular. 

Eles acrescentaram que os efeitos positivos do azeite de oliva extravirgem sobre a circunferência da cintura, os triglicerídeos, a glicemia em jejum, a lipoproteína de alta densidade (HDL) e os fatores inflamatórios sistêmicos também estão diretamente ligados à redução do risco cerebrovascular. 

Os pesquisadores também descobriram que o azeite de oliva extravirgem atua como um potente potenciador da saúde mitocondrial, aumentando a geração de ATP e melhorando os índices cognitivos em modelos com ratos. 

Além disso, acrescentaram que a adesão à dieta mediterrânea tem sido associada a um menor risco de acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos devido à redução da inflamação e à melhora da função endotelial. O acidente vascular cerebral é uma das principais causas da demência vascular. 

Analisando especificamente o papel do consumo de azeite de oliva extravirgem e do comprometimento cognitivo, os pesquisadores confirmaram ainda que os mecanismos anti-inflamatórios de dietas ricas em ácidos graxos monoinsaturados, antioxidantes e polifenóis presentes no azeite de oliva extravirgem reduzem significativamente a interleucina-6, uma citocina pró-inflamatória associada à doença de Alzheimer. 

Demonstrando como as associações positivas do azeite de oliva extravirgem com a saúde cognitiva estão interligadas, os pesquisadores afirmaram que esses compostos melhoram a função mitocondrial, o que também reduz o estresse oxidativo e melhora a função endotelial.  

A melhora na função endotelial, por sua vez, leva o corpo a fenótipos metabólicos mais saudáveis e modula a expressão de genes relacionados ao metabolismo lipídico e à sensibilidade à insulina, entre outros mecanismos

Voltando ao papel do azeite de oliva extravirgem no comprometimento cognitivo, os pesquisadores destacaram que ensaios pré-clínicos mostram que os polifenóis podem influenciar a hiperfosforilação da proteína tau e as agregações de beta-amilóide, dois mecanismos fisiopatológicos centrais da doença de Alzheimer. 

Os pesquisadores também investigaram a relação entre os polifenóis do azeite de oliva extravirgem e o declínio cognitivo.  

Eles descobriram que o hidroxitirosol, o oleocanthal, a oleuropeína e a luteolina foram todos associados, em estudos pré-clínicos, à modulação de mecanismos-chave da doença de Alzheimer. 

Mais especificamente, eles descobriram que o oleocanthal e a oleuropeína inibem a formação de oligômeros e fibrilas neurotóxicas da proteína beta-amilóide e facilitam a desagregação de estruturas amilóides pré-formadas.

Também foi demonstrado que o oleocanthal ativa o processo autofágico, que ajuda a eliminar detritos celulares e a melhorar a função mitocondrial, protegendo contra a doença de Alzheimer. 

Esses polifenóis reduziram de forma semelhante a fosforilação e a agregação da proteína tau, enquanto outros compostos fenólicos demonstraram reduzir a neuroinflamação crônica ao diminuir a ativação microglial e reduzir os níveis de citocinas inflamatórias. 

Esses compostos fenólicos também demonstraram inibir as vias da p38 MAPK, que estão envolvidas no estresse oxidativo e na neurodegeneração, e ajudar a quebrar o ciclo de toxicidade amilóide, reduzindo a morte neural.Do altamente científico ao mais cotidiano, os pesquisadores também examinaram o impacto da dieta mediterrânea no sono e no humor. 

Eles descobriram que uma maior adesão à dieta mediterrânea estava associada a melhor qualidade do sono e a um sono mais estável, “proporcionando um mecanismo plausível para a neuroproteção”, já que o sono de má qualidade tem sido associado ao comprometimento cognitivo e ao risco de demência. 

Eles acrescentaram que a adesão à dieta mediterrânea melhora os marcadores de inflamação e estresse oxidativo, sugerindo um impacto benéfico na apneia do sono e na melhoria da circulação glinfática durante o sono, o que favorece a função cognitiva. 

Com novas pesquisas sobre o assunto previstas para serem publicadas nos próximos meses, os pesquisadores afirmaram que os médicos deveriam considerar mais seriamente a incorporação da dieta mediterrânea aos programas de tratamento para pessoas em risco de comprometimento cognitivo. 

“A dieta mediterrânea deve ser enfatizada pelos médicos em futuras estratégias alimentares e não farmacológicas especificamente concebidas para mitigar os principais fatores de risco para a demência”, escreveram eles. 

“Embora os benefícios gerais da dieta mediterrânea estejam bem documentados, há a necessidade de sintetizar os dados mais recentes, que datam de 2020, sobre os mecanismos neuroprotetores específicos do azeite de oliva extravirgem e como essas intervenções se correlacionam com resultados clínicos mensuráveis”, concluíram os pesquisadores. 

Por Daniel Dawson | Site Olive Oil Times