Dagoberto Lima Godov - Se é para abrir o portão, para que Forças Armadas?

A recente declaração do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, segundo a qual, diante de uma hipotética invasão dos Estados Unidos, seria melhor “abrir o portão”, porque o Brasil não teria condições militares de enfrentá-los, merece reflexão para além da evidente ironia da frase.

É possível que o ministro tenha utilizado a comparação para defender maiores investimentos na Defesa e, principalmente, maior previsibilidade orçamentária para projetos militares de longo prazo. Mesmo considerado esse contexto, porém, a frase continua profundamente infeliz.

Há coisas que um cidadão pode dizer em tom de brincadeira, mas que adquirem outro significado quando pronunciadas pelo ministro da Defesa.

Ninguém razoavelmente imagina que o Brasil possa enfrentar os Estados Unidos em uma guerra convencional de igual para igual. Pouquíssimos países poderiam fazê-lo. Mas daí não decorre que, diante de uma potência militar superior, a única alternativa seja a rendição.

Essa conclusão ofende os brios da nação e desconsidera a própria essência da defesa moderna.

Forças Armadas não existem para assegurar que um país consiga derrotar qualquer adversário. Existem, antes de tudo, para dissuadir: tornar uma agressão tão difícil, demorada e custosa que o potencial agressor prefira não realizá-la.

O Brasil não precisa ter poder militar equivalente ao dos Estados Unidos, da China ou da Rússia. Precisa possuir meios suficientes para proteger seu território, suas fronteiras, sua imensa costa, a Amazônia, suas reservas naturais, sua infraestrutura estratégica e, sobretudo, para tornar extremamente cara qualquer tentativa de ocupação.

O artigo 142 da Constituição estabelece que Marinha, Exército e Aeronáutica se destinam, em primeiro lugar, à defesa da Pátria. É essa sua razão fundamental de existir.

Por isso, se diante de uma agressão externa relevante a resposta imaginável é “abrir o portão”, alguma coisa precisa ser revista: a dimensão das Forças, sua organização, sua doutrina, seus equipamentos ou a maneira como os recursos da Defesa estão sendo empregados.

Há ainda uma questão mais delicada.

As Forças Armadas devem, evidentemente, estar subordinadas ao poder civil e à Constituição, mas não existem para servir ao governo de turno. Devem cumprir ordens legais, dentro das funções que a Constituição lhes atribui. Há uma diferença essencial entre subordinação ao Estado democrático e instrumentalização pelo governo.

Afinal, parece incontestável que um país continental, rico em recursos naturais e com a projeção internacional do Brasil precise de Forças Armadas. Estas, porém, devem ser modernas, profissionais, tecnologicamente avançadas, afastadas das disputas político-partidárias e verdadeiramente preparadas para sua missão primordial: defender a Pátria. 

E devem ser capazes de fazer com que qualquer potência pense muitas vezes antes de agredir o Brasil e, sobretudo, de deixar claro que o portão não está aberto.


Artigo, Felipe Vieira - O Embaixador do Agro: da beira do Taquari-Mirim aos campos do mundo

Felipe Vieira é jornalista e ancora dos principais telejornais da Rede Band de TV. Este artigo é do Instagram do jornalista.


Antes de conhecer ministros, presidentes da República e líderes do agronegócio mundial, Francisco Turra conheceu o barulho das águas do Taquari-Mirim, o calor do fogão a lenha e a voz de um rádio que lhe apresentou um mundo que parecia existir apenas na imaginação.


Essa trajetória, que começa na simplicidade do interior gaúcho e atravessa algumas das mais importantes páginas da história recente do agronegócio brasileiro, ganha agora um registro à sua altura em "O Embaixador do Agro", biografia que percorre a vida pública e pessoal de um dos personagens mais respeitados do setor. Mais do que reconstituir cargos e realizações, o livro procura explicar como um menino da zona rural de Marau se tornou uma referência nacional sem jamais perder as raízes que o formaram.


Foi naquele pedaço de Marau onde a infância começava antes do amanhecer, cortando lenha, alimentando os animais, ajudando os pais e os irmãos no trabalho da pequena propriedade, que nasceu um menino acostumado a não afrouxar o garrão — expressão tão gaúcha que acabou se transformando também numa filosofia de vida.


Enquanto entregava, um a um, os tocos de lenha para a mãe manter aceso o fogão onde fervia a polenta e fritava a carne, Francisco aprendia que nenhuma tarefa era pequena quando feita com dedicação. Mais tarde, seria o rádio — aquela grande caixa de madeira que chegava às casas do interior como uma janela para o mundo — que mudaria seu destino. Pelas ondas do rádio vieram as notícias, os debates políticos, as campanhas eleitorais e as vozes de homens públicos. Pela primeira vez, o menino percebeu que existia um Brasil muito maior do que as margens do rio onde crescera. E começou a imaginar que também poderia fazer parte daquela história.


É bonito perceber que O Embaixador do Agro não tenta fabricar um herói. Faz algo muito mais difícil: procura explicar como um menino do interior gaúcho foi sendo moldado pelo trabalho, pela disciplina, pela curiosidade e pela capacidade de ouvir.


Talvez seja justamente essa última característica que mais me impressione.


Ao longo da minha carreira, entrevistei Francisco Turra em praticamente todas as etapas de sua vida pública. Conversei com ele quando era prefeito de Marau, deputado estadual, deputado federal, presidente do Banrisul, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ministro da Agricultura e dirigente das principais entidades do agronegócio brasileiro. Hoje, continua sendo uma das vozes mais respeitadas do agro e uma fonte imprescindível para o meu trabalho sempre que preciso compreender os desafios do setor. Conhece profundamente praticamente todos os segmentos da produção brasileira. E, quando a resposta não está exatamente com ele, sabe imediatamente quem pode esclarecê-la. Mais do que indicar um nome, aponta o caminho.


Nunca encontrei personagens diferentes. O homem é sempre o mesmo.


Há pessoas que concedem entrevistas olhando para o relógio. Francisco Turra olha para quem está fazendo a pergunta.


Escuta com atenção. Raramente interrompe. Pensa antes de responder. Quando discorda, faz isso sem elevar a voz. Quando explica um assunto complexo, procura torná-lo compreensível. Nunca confundiu conhecimento com arrogância, nem autoridade com distância.


Essa talvez seja a razão de ter construído tantos consensos ao longo da vida.


O livro mostra o administrador que recuperou a Conab quando poucos acreditavam que aquilo fosse possível. Mostra o ministro que ajudou a organizar políticas que impulsionaram o agronegócio brasileiro. Mostra o dirigente que percorreu o mundo abrindo mercados para a proteína animal produzida no Brasil e ajudou a transformar o país numa potência mundial do setor.


Mas, para mim, as páginas mais bonitas parecem ser outras.


São aquelas que voltam para a casa simples à beira do Taquari-Mirim. Para os pais, Abel e Maria. Para os irmãos. Para o seminário que o fez deixar a família ainda menino. Para o rádio que lhe abriu horizontes. Para Marau, cidade que ele nunca deixou para trás, mesmo quando passou a negociar com ministros, embaixadores e chefes de Estado.


O livro também reserva um espaço generoso para a família. A esposa, os filhos e os netos não aparecem apenas como personagens da biografia, mas como parte da identidade de Francisco Turra. São eles que ajudam a compreender um homem que, mesmo depois de percorrer o Brasil e o mundo, continua encontrando no convívio familiar o seu ponto de equilíbrio.


Ricamente ilustrada, a obra reúne fotografias de diferentes momentos da vida pública e privada de Turra. Há registros históricos da trajetória política, encontros com autoridades brasileiras e estrangeiras, viagens, homenagens e muitas imagens da intimidade familiar. Entre todas, confesso que uma me conquistou de imediato: Francisco Turra, no campo, saboreando uma bergamota e, como nós gaúchos dizemos, lagarteando ao sol. A fotografia resume muito do personagem. Mesmo depois de uma vida inteira ocupando cargos importantes, permanece ali o homem que nunca afrouxou o garrão e nunca deixou de pertencer ao lugar onde aprendeu os valores que levaria para a vida inteira.


Existe uma coerência rara nessa trajetória. O garoto que aprendeu cedo que era preciso ouvir antes de agir tornou-se o homem que faz do diálogo seu principal instrumento de liderança. Talvez por isso tenha conseguido unir setores que tantas vezes pareciam inconciliáveis.


Quem conhecer O Embaixador do Agro provavelmente terminará a leitura com uma admiração ainda maior por Francisco Turra. Não apenas pela dimensão da sua trajetória pública, mas pela coerência com que atravessou cada uma de suas etapas.


Porque cargos terminam. Mandatos passam. Presidências de entidades chegam ao fim.


O que permanece é o caráter.


E Francisco Turra pertence a uma geração de homens públicos que continua acreditando que o respeito se conquista na maneira como se tratam as pessoas, e não no tamanho da autoridade que se exerce.


É essa herança que O Embaixador do Agro preserva: não apenas a história de um dos líderes mais importantes do agronegócio brasileiro, mas o retrato de um homem que nunca perdeu a capacidade de ouvir, de dialogar e de permanecer fiel às raízes que o levaram da beira do Taquari-Mirim aos campos do mundo.


Editado pela Critério Editorial, O Embaixador do Agro foi lançado durante o SIAVS, em São Paulo, e terá um novo encontro com os leitores durante a Expointer 2026. Francisco Turra participará de uma sessão de lançamento e autógrafos no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, oportunidade para que o público conheça de perto a obra que reúne sua trajetória de vida e de serviço ao Brasil.


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Saiba o que é como funciona o Discord

 O Discord é um aplicativo gratuito de comunicação por voz, vídeo e texto. Ele permite criar comunidades chamadas "servidores" para conversar em tempo real. É muito usado por gamers, grupos de estudo e amigos. Você pode usá-lo no celular, no computador ou pelo navegador.

Como o Discord Funciona

Servidores: São espaços próprios divididos por temas. Cada um cria ou entra em um servidor para falar de um assunto.Canais de Texto: Locais para enviar mensagens, fotos, links e figurinhas.
Canais de Voz e Vídeo: Espaços onde você entra e sai para falar com quem está lá dentro na hora, sem precisar discar.
Compartilhamento de Tela: Permite mostrar sua tela ou jogos para o grupo.
Principais RecursosCargos e Permissões: O dono do servidor define regras e dá cargos para organizar os membros.
Integrações: Conecta com contas como Spotify, Xbox e PlayStation.
Gratuito com extras: É de graça, mas tem a opção paga Nitro para melhorias visuais.

Conheça o caso do suicídio de Lívia

O caso refere-se à Operação Lívia, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A ação foi motivada pela trágica morte de Lívia, uma adolescente de 13 anos, moradora de Naviraí (MS), que tirou a própria vida em 22 de julho durante uma transmissão ao vivo no aplicativo Discord. O caso é investigado como homicídio qualificado e organização criminosa, uma vez que a vítima foi psicologicamente manipulada, coagida e induzida ao suicídio por um grupo articulado na internet.

Detalhes das Investigações e Prisões
Como o grupo agia: Os criminosos abordavam crianças e adolescentes em redes sociais abertas e os atraíam para comunidades fechadas no Discord e no Telegram. Lá, as vítimas sofriam chantagens após enviarem fotos íntimas, e eram forçadas a cumprir desafios cruéis envolvendo automutilação, violência e maus-tratos a animais.
Estrutura organizada: A polícia identificou que a rede operava como uma verdadeira organização criminosa, com hierarquia rígida, divisão de cargos e um sistema de "passo a passo" para subir de nível na comunidade através do cumprimento de tarefas violentas.Suspeitos detidos: No início de agosto, a polícia cumpriu mandados em cinco estados (Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio de Janeiro). Ao todo, cinco adolescentes (entre 13 e 17 anos) foram apreendidos e um homem de 18 anos foi preso.
O líder da rede: As investigações apontam que o líder intelectual do grupo é um adolescente de apenas 14 anos, localizado e apreendido na cidade do Rio de Janeiro.

Repercussão e Falhas de Moderação
As autoridades que coordenaram a operação descreveram as transmissões como um "espetáculo de horrores". O Laboratório de Operações Cibernéticas apontou graves falhas nos mecanismos de moderação de conteúdo do Discord, alegando que o aplicativo demorou horas para derrubar o evento, mesmo com denúncias em tempo real feitas por grupos de monitoramento e pela polícia. O episódio reacendeu as discussões sobre segurança de menores no ambiente digital e a responsabilidade das redes sociais, ampliando pressões políticas sobre a necessidade de regulação rigorosa ou suspensão dessas plataformas.

Balança comercial

 No acumulado de janeiro a julho, a balança comercial registrou superávit de US$ 49 bilhões, com expansão tanto das importações quanto das exportações, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Com exportações de US$ 34,1 bilhões e importações de US$ 27,1 bilhões, o Brasil registrou pouco mais de US$ 7 bilhões de superávit na balança comercial ao longo do mês de julho. A corrente de comércio (soma de exportações e importações) totalizou US$ 61,17 bilhões no período, o que representa um crescimento de 6,8% na comparação com julho de 2025. Tanto as exportações (6,2%) quanto as importações (7,6%) registraram aumento em relação ao mesmo período do ano passado.

No período de janeiro a julho de 2026:
Exportações: US$ 218,6 bilhões (+10,5%)
Importações: US$ 169,5 bilhões (+5,5%)
Corrente de comércio: US$ 388,1 bilhões (+8,2%)
Saldo comercial: superávit US$ 49 bilhões

Das exportações, segundo o Mdic, houve crescimento 9,3% em agropecuária, impulsionado principalmente pelas vendas de soja, que avançaram cerca de US$ 870 milhões; na indústria extrativa, com ampliação nas negociações de óleo bruto de petróleo (+US$ 960 milhões); e na indústria de transformação, especialmente venda de óleos combustíveis (+US$ 960 milhões). No caso dos combustíveis, o aumento percentual nas exportações superou 63%. Já as importações de julho foram puxadas principalmente pelo aumento nas compras de óleos combustíveis de petróleo (+US$ 500 milhões); máquinas de processamento automático de dados e suas unidades (+US$ 320 milhões); medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários (+US$ 320 milhões); válvulas e tubos termiônicos, de cátodo frio ou foto-cátodo, diodos, transistores (+US$ 290 milhões).

Parceiros comerciais

De acordo com os resultados da balança de julho, o principal parceiro comercial do Brasil segue sendo a China, que concentrou quase um terço das exportações brasileiras no mês passado, somando mais de US$ 10,7 bilhões, um aumento de 8,6% em relação a julho de 2025.

Em seguida, aparecem os Estados Unidos (EUA), destino de 10,7% das exportações brasileiras no mês passado, o que representou uma queda de 5% na comparação com julho de 2025. O recuo nas exportações aos EUA em julho ainda não abrange os efeitos do novo tarifaço do governo norte-americano, que só começou a valer no dia 22 de julho e deverá impactar as vendas em agosto, cujos resultados serão divulgados no início de setembro.





Da banca de pastel aos jalecos: o sonho de uma família ligada a Medicina da Ulbra

rmãs transformam o esforço dos pais em inspiração para cuidar de vidas e mostram como dedicação, família e educação podem mudar destinos.


Enquanto muitos conhecem a família Silvestre pela tradicional banca de pastel nas feiras de Palmas (TO), poucos imaginam que foi entre panelas, atendimentos e madrugadas de trabalho que começou a nascer o sonho de formar duas médicas. Hoje, Fernanda e Taynara vivem uma nova rotina, dividida entre livros, laboratórios, estágios e atendimentos na Medicina da Ulbra. Mas a essência permanece a mesma: cuidar das pessoas.


Há quase três décadas, a banca de pastel da família representa muito mais do que uma fonte de renda. É o símbolo de uma história construída com trabalho, renúncias e esperança. Foi ali que as irmãs cresceram observando os pais enfrentarem longas jornadas, sol, chuva e madrugadas para garantir que a educação das filhas jamais deixasse de ser prioridade.


Mais do que sustento, a feira se transformou em uma verdadeira escola de valores. No contato diário com clientes, Fernanda aprendeu lições que hoje considera indispensáveis para a profissão que escolheu. "Desde criança, eu adorava acompanhar minha mãe na feira. Ficava no caixa, ajudava no atendimento e, sem perceber, aprendia valores que carrego comigo até hoje: tratar as pessoas com respeito, servir com dedicação, ter empatia e fazer tudo com amor", relembra.


Para Taynara, cada etapa da graduação carrega o significado do esforço feito pelos pais ao longo dos anos. "O esforço da minha mãe representa a base de tudo o que eu sou. Cresci vendo ela acordar de madrugada, enfrentar sol, chuva e dias difíceis sem nunca desistir. Cada aula que assisto, cada prova que faço e cada conquista dentro da universidade carrega um pouco desse sacrifício."


Da feira para a universidade


Embora compartilhassem o mesmo objetivo, as irmãs trilharam caminhos diferentes até chegarem à Medicina. Fernanda formou-se primeiro em Gastronomia, em São Paulo. Mais tarde, decidiu retornar a Palmas para ficar próxima da família e ajudar no negócio. Iniciou a graduação em Medicina no Paraguai e, posteriormente, conquistou uma vaga para dar continuidade aos estudos no Brasil.


"Escolhi voltar porque queria viver esse sonho ao lado da minha família, que sempre foi minha base e minha maior incentivadora", diz Fernanda.


Já Taynara descreve a aprovação no curso como uma conquista que extrapola o âmbito individual. "Quando finalmente consegui ingressar na Medicina, senti que estava realizando um sonho que não era apenas meu, mas de toda a minha família."


A escolha pela Ulbra Palmas veio acompanhada do desejo de permanecer perto da família e, ao mesmo tempo, receber uma formação conectada às demandas da profissão. Na universidade, encontraram um ambiente que integra ensino, pesquisa e extensão, aproximando os estudantes da prática médica desde os primeiros períodos e fortalecendo uma formação voltada para a realidade da população.


Aprender para cuidar

Os valores cultivados na feira passaram a ganhar novos significados dentro da universidade. Além das atividades em sala de aula e nos laboratórios, Fernanda e Taynara participam de ações de extensão que aproximam os acadêmicos das comunidades e reforçam o compromisso social da formação médica.


Fernanda integrou iniciativas como o Pop Rua Jud, no Taquari, além de ações realizadas no Quilombo do Prata, no Jalapão, e na Aldeia Brejo Comprido, em Tocantínia. Experiências que, segundo ela, ampliaram sua compreensão sobre o verdadeiro sentido da Medicina.


"Essas vivências me mostraram, na prática, a importância de uma Medicina humanizada e reforçaram ainda mais o propósito que tenho de cuidar das pessoas com respeito, empatia e dedicação."


Para Taynara, a universidade vai muito além da formação técnica. "Estudar Medicina exige dedicação, disciplina e renúncias, mas também proporciona experiências que fortalecem ainda mais o desejo de cuidar das pessoas."


Um legado que continua


Enquanto os pais seguem recebendo clientes nas feiras de Palmas, as filhas escrevem um novo capítulo dessa história nos corredores da universidade, entre aulas, estágios e atendimentos.


Os cenários mudaram. O avental deu lugar ao jaleco. Mas os princípios permanecem os mesmos: trabalho, respeito, acolhimento e dedicação ao próximo. Ao olhar para a própria trajetória, Fernanda resume o sentimento que une passado e futuro.


"Espero que, assim como minha mãe transformou vidas por meio do seu trabalho e da sua dedicação, eu também possa transformar vidas por meio da Medicina."


Mais do que uma história de superação, a trajetória das irmãs Silvestre revela como o esforço de uma família pode atravessar gerações e encontrar na educação a oportunidade de transformar sonhos em realidade. Na Ulbra, esse sonho continua sendo construído diariamente, unindo conhecimento científico, prática e compromisso com o cuidado humano.

Análise, Felipe Vieira, Instagram - Ela queria usar os embriões; ele disse não. O que decidiu o TJRS ?

O autor é o jornalista gaúcho Felipe Vieira, principal âncora dos mais importantes telejornais da Band TV e BandNews.

Este material é do Insagram do jornalista

Ela queria usar os embriões; ele disse não. TJRS define quem tem a última palavra após o divórcio. Decisão pode influenciar casos em todo o país.


Uma decisão unânime do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) reacendeu um dos debates mais delicados da bioética e do Direito de Família: afinal, quem decide o destino de embriões congelados quando um casamento chega ao fim?


Ao reformar uma sentença de primeira instância, a 1ª Câmara Especial Cível definiu que embriões criopreservados só podem ser utilizados após o divórcio se houver consentimento livre, atual e inequívoco de ambos os ex-cônjuges. Na prática, o tribunal entendeu que ninguém pode ser obrigado pela Justiça a se tornar pai ou mãe contra a própria vontade depois da dissolução da relação.


O caso envolve um casal que realizou fertilização in vitro durante o casamento e manteve três embriões congelados. Após o divórcio, a ex-esposa pretendia utilizá-los para engravidar, enquanto o ex-marido manifestou expressamente que não desejava mais ter um filho decorrente daquela união e pediu autorização judicial para o descarte do material.


Na primeira instância, a mulher havia obtido autorização para realizar a transferência embrionária mesmo sem a concordância do ex-marido. A decisão, porém, foi revertida pelo TJRS.


Relatora do processo, a desembargadora Gláucia Dipp Dreher afirmou que o consentimento dado durante o casamento não é definitivo e pode ser revogado antes da implantação dos embriões. Segundo ela, a vontade de gerar um filho precisa existir no momento da transferência embrionária e não apenas quando o tratamento foi iniciado.


O acórdão também destaca que o direito à maternidade biológica, embora protegido pela Constituição, não pode se sobrepor ao direito da outra parte de não exercer a paternidade ou maternidade contra sua vontade. Para os magistrados, a autonomia reprodutiva, o planejamento familiar e a paternidade responsável devem prevalecer, garantindo igualdade de direitos entre homens e mulheres.


Outro fundamento relevante do julgamento é que uma eventual gestação, por si só, não asseguraria à criança os direitos e deveres plenos decorrentes da filiação. O acórdão ressalta que ser pai ou mãe vai além do vínculo biológico e envolve afeto, convivência, assistência material, apoio à saúde psicoemocional, além de todos os efeitos civis e patrimoniais inerentes à relação de filiação.


A decisão acompanha o entendimento das normas do Conselho Federal de Medicina, que exigem manifestação atual de vontade dos envolvidos para a utilização de embriões criopreservados. Assim, a autorização assinada anos antes, durante o casamento, deixa de produzir efeitos quando um dos ex-cônjuges revoga expressamente seu consentimento.


Mais do que resolver um conflito entre duas pessoas, o julgamento estabelece um importante precedente sobre os limites da reprodução assistida no Brasil e reforça que a decisão de ter um filho exige a concordância de ambos até o último momento antes da gestação.


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