Artigo, especial - O Itaú e a sua sobreloja de Poá

Artigo, especial - O Itaú e a sua sobreloja de Poá

Este comentário é do Observatório Brasil Soberano.

O maior banco privado da América Latina é também o maior devedor da cidade de São Paulo Em fevereiro de 2019, vereadores da CPI da Sonegação Tributária da Câmara Municipal de São Paulo viajaram até Poá, na Grande São Paulo, para conhecer a sede do Itaucard, braço de cartões do Itaú. O endereço registrado era uma sala de 14 metros quadrados na sobreloja de um supermercado. Em outro imóvel, onde deveriam funcionar cerca de vinte empresas do grupo, encontraram meia dúzia de funcionários cercados por fileiras de mesas vazias. O relatório da CPI concluiu que o ambiente parecia preparado para aparentar uma operação que, na prática, não existia. 

O motivo da mudança era tributário. Enquanto São Paulo cobrava 2% de ISS, Poá cobrava apenas 0,25%. A lei permite que uma empresa transfira sua sede para outro município. O que não é permitido é transferir apenas o endereço. Na CPI, os diretores do banco foram perguntados, sob compromisso legal, quan tos já haviam estado em Poá. Nenhum levantou a mão. 

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Artigo, Jerônimo Goergen - Chega de fazer de conta

Mais uma vez, a Seleção Brasileira decepcionou. A derrota para a Noruega não é apenas um resultado esportivo. É um retrato simbólico de um país que, há muito tempo, acostumou-se a aceitar que a aparência vale mais do que a realidade.


Durante décadas, o Brasil foi sinônimo de excelência no futebol. Hoje, acumulamos justificativas, discursos e promessas, enquanto os resultados ficam cada vez mais distantes da nossa história.


Talvez seja exatamente essa a principal lição que o futebol nos oferece.


Não se vence apenas com tradição. Não basta vestir uma camisa pesada ou viver das glórias do passado. É preciso organização, mérito, planejamento, liderança e compromisso com resultados.


O mesmo vale para o Brasil.


Somos um país com uma das agriculturas mais eficientes do planeta, mas que insiste em tratar o agro como um problema, quando deveria enxergá-lo como uma de suas maiores soluções para gerar riqueza, emprego e desenvolvimento.


Somos uma nação de empreendedores que enfrentam diariamente burocracia, insegurança jurídica e uma carga tributária sufocante, enquanto o Estado cresce sem entregar serviços na mesma proporção.


Assistimos, há anos, a sucessivas ondas de corrupção, desperdício de recursos públicos e promessas que nunca se concretizam. E, muitas vezes, nos acostumamos a isso como se fosse inevitável.


Não é.


O Brasil precisa parar de maquiar seus problemas. Não adianta trocar o técnico se o modelo continua errado. Não adianta mudar os discursos se as práticas permanecem as mesmas.


Precisamos recuperar o valor do mérito, da responsabilidade, da liberdade para produzir e da boa gestão dos recursos públicos. Precisamos de instituições fortes, de segurança jurídica e de um ambiente que premie quem trabalha, investe e gera oportunidades.


Nenhuma seleção volta a ser campeã apenas porque um dia foi. Nenhum país se torna desenvolvido vivendo das lembranças de seu potencial.


O Brasil continua sendo um gigante. Tem território, recursos naturais, um povo trabalhador e uma capacidade extraordinária de produzir riqueza. Mas potencial, sozinho, não vence partidas nem transforma nações.


Talvez a derrota da Seleção sirva como um alerta.


Chega de fazer de conta.


Chega de acreditar que marketing substitui competência.


Chega de imaginar que narrativas resolvem problemas reais.


O Brasil precisa voltar a jogar para vencer. E isso começa quando deixamos de aceitar a mediocridade como destino e voltamos a exigir seriedade, eficiência e resultados.


O verdadeiro adversário nunca foi a Noruega.


É a nossa acomodação.


Jerônimo Goergen

Advogado

Saiba quem são os coordenadores e os marqueteiros das campanhas de Zucco, Juliana, Gabriel e Maranata

O jorna Zero Hora de hoje lista os nomes dos principais coordenadores e esponsáveis pelo marketing dos quatro principais candidatos ao governo do RS:

Luciano Zucco (PL) - Coordenador político da coligação é o presidente do Podemos, Everton Braz, enquanto o jornalista
Marketing - Cleber Benvegnú, ex-chefe da Casa Civil do governador Sartori, MDB.

Juliana Brizola (PDT) - Vieira da Cunha é o responsável pela coordenação-geral. Coordenador da bancada do PDT na Assembleia Legislativa, Jonatas Ouriques responde pela chefia executiva da campanha.
Marketing - Tiago Brum.

Gabriel Souza (MDB) - A articulação política foi dividida entre MDB e PSD, com um representante de cada partido. Ex-chefe da Casa Civil e secretário-geral de Governo, Artur Lemos (PSD) divide as funções com o prefeito de Campo Bom, Giovani Feltes (MDB). A coordenação executiva está a cargo de Janir Branco.
Marketing - Fábio Bernardi.

Marcelo Maranata (PSDB) - Presidente do PSDB, Moisés Barboza coordena a ação política, com o ex-vereador Kevin Krieger chefiando a logística eleitoral.
Marketing - Zeca Honorato

Empregos da semana no RS

 As Agências FGTAS/Sine oferecem 3.314 vagas de emprego no Rio Grande do Sul. Desse total, 84% são efetivas e 15%, temporárias. Ainda, 75% aceitam Pessoas com Deficiência; 76% não exigem experiência e 29% não exigem escolaridade. Por outro lado, 24% exigem Ensino Fundamental completo e 13%, Médio completo.

No que tange ao setor econômico, 36% das vagas pertencem à indústria; 33%, aos serviços; 21%, ao comércio; 8%, à construção e 1%, à agropecuária. A remuneração de 67% das oportunidades de trabalho varia de 1 a 1,5 salários mínimos.

Entre as ocupações com os maiores números de oportunidades abertas no estado, o destaque fica para alimentador de linha de produção, com 539 postos, seguido por auxiliar de logística (454), operador de caixa (145), atendente de lojas e mercados (133), faxineiro (130) e salsicheiro (100). Já em relação aos municípios, as Agências FGTAS/Sine com as maiores quantidades de vagas disponíveis são Erechim, com 490 postos, Nova Santa Rita (451), Teutônia (125), Canoas (121), Novo Hamburgo (105) e Tramandaí (104).

Para se candidatar às vagas de emprego, basta comparecer à Agência FGTAS/Sine mais próxima com documento que contenha CPF e foto. Também é possível candidatar-se pelo portal Emprega Brasil e pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital. Os endereços da rede de atendimento da FGTAS estão disponíveis no site.

Porto Alegre instala nova comporta contra cheias

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) instala neste domingo, 5, a nova estrutura móvel de proteção da comporta 12 do sistema de proteção contra cheias. Localizada no dique da avenida Castelo Branco, a passagem terá as obras de modernização concluídas nos próximos dias (confira o serviço de trânsito abaixo). 

"Além de suportar uma carga hidrodinâmica superior à da estrutura anterior, com base em um projeto elaborado após a cheia histórica de 2024, o novo equipamento contará com um sistema de fechamento mais moderno. Com isso, a operação será mais rápida, mais segura e demandará menos esforço humano", explica o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone. 

A comporta 11, que também está em fase de modernização, chegará a Porto Alegre nesta segunda-feira, 6. A previsão é que a instalação seja realizada no mesmo dia, permitindo o primeiro teste de fechamento das duas novas barreiras de proteção. 

Nos últimos dois anos, mais de R$ 11 milhões foram investidos na modernização das comportas de Porto Alegre. Das 14 passagens existentes em 2024, oito foram substituídas por estruturas permanentes em concreto armado: 35, 78, 9, 10, 13 e 14. Essas passagens haviam sido concebidas para facilitar o acesso ao porto, mas tiveram sua utilização reduzida ao longo dos anos. 

As comportas 1, 24 e 6 passaram por um processo completo de modernização, incluindo o recondicionamento das estruturas de concreto armado junto ao Muro da Mauá. As barreiras móveis de aço foram submetidas à usinagem e receberam novas peças fabricadas sob medida. O objetivo das intervenções é ampliar a eficiência do sistema na contenção da água durante eventuais episódios de cheia. 

Trânsito - Para garantir a segurança viária dos trabalhos na rua João Moreira Maciel, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) informa que, a partir desta segunda-feira, 6, a circulação estará liberada apenas para acesso local, a partir da avenida Ernesto Neugebauer, no bairro Humaitá. Os acessos entre a rua Voluntários da Pátria e a avenida Portuária, através das comportas 11, pela avenida São Pedro, e 12, na altura da avenida Cairu, permanecem fechados. A EPTC orienta que os condutores redobrem a atenção à sinalização e às indicações dos agentes de trânsito e, sempre que possível, planejem seus deslocamentos com antecedência para minimizar os impactos no tráfego da região. 

Acompanhe o estágio de outras obras do sistema de proteção contra cheias: 

Pôlderes 7 e 8 - As obras imediatas para proteção da área localizada entre os bairros Anchieta e Sarandi, na Zona Norte, foram iniciadas há dez diasEquipes atuam na construção de um dique, com 100 metros de extensão, entre o Arroio Passo das Pedras e o Rio Gravataí. Além disso, será instalado um sistema móvel de fechamento das galerias que ligam o Arroio Areia ao manancial. A previsão é de conclusão das intervenções, que têm investimento de R$ 47 milhões, até o final de agosto. 

Condutos forçados - As obras de proteção contra cheias realizadas nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Miguel Couto e Areia estão na fase final. Nesta etapa, o Dmae atua na instalação das novas tampas herméticas responsáveis pela vedação das estruturas. A previsão é de conclusão até o final de julho. 

Usina do Gasômetro - A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) trabalha na contratação das correções pontuais no prédio da Usina do Gasômetro, no Centro Histórico, visando à proteção da estrutura em caso de cheia do Guaíba. As obras, já iniciadas, serão concluídas até o final de agosto. 

Ebab Moinhos de Vento - A Estação de Bombeamento de Água Bruta (Ebab) Moinhos de Vento também passa por obras de proteção contra cheias. O objetivo é corrigir as falhas que possibilitaram a entrada da água do rio pela unidade operacional durante a cheia histórica de 2024. A previsão é de conclusão em julho. 

Malha ferroviária - Os trilhos da empresa Rumo, que fragilizam o sistema de proteção contra cheias na avenida Ernesto Neugebauer, receberão obras do Dmae nas próximas semanas. A previsão é de que as melhorias sejam concluídas em menos de um mês após o início das intervenções. 

Dupla alimentação de energia - As Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) dos bairros Sarandi e Anchieta, na Zona Norte, estão sendo ligadas à rede de energia que atenderá exclusivamente as estruturas operadas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). As casas de bombas 6, 9, 10, 20 e 21 fazem parte da quarta etapa das obras contratadas junto à CEEE Equatorial, que devem ser concluídas em novembro. 

Além do lote 4, que já se encontra na fase de implantação dos novos postes, também está em andamento o lote 3, ainda na etapa de projetos. Os dois primeiros já foram entregues, garantindo a dupla alimentação de energia elétrica às Estações de Tratamento de Água (ETAs) Moinhos de Vento, São João, Menino Deus e Tristeza, bem como à Ebap 7, localizada na avenida Sertório. 

Casas de bombas - Permanece em andamento a elaboração e consolidação dos projetos executivos das obras de resiliência climática nas Ebaps 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20. A etapa antecede o início das intervenções civis - que incluem a qualificação das estruturas prediais, além do fornecimento e da instalação de novos equipamentos eletromecânicos. 

Parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados para operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados, e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente nas unidades. Já a licitação para as obras de resiliência climática nas estações 1, 3 e 4, na área central, está em fase de análise das propostas recebidas. 

Diques - Equipes da prefeitura, lideradas pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab) e pelo Escritório da Reconstrução, seguem trabalhando no acolhimento das famílias que residem na área do trecho 3 do Dique do Sarandi. A última etapa de intervenções na estrutura de proteção contra cheias, contemplando dois quilômetros de extensão, será iniciada assim que a área estiver liberada. 

Os trechos 1 e 2 do dique já tiveram a reconstrução concluída, totalizando 1,5 quilômetro de estrutura com cota superior a 5,8 metros em relação ao rio Gravataí. O mesmo ocorreu no dique localizado junto à sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), que passou por obras entre julho de 2024 e janeiro de 2025. O Muro da Mauá, no Centro Histórico, também recebeu intervenções, com revisão estrutural e correção das patologias identificadas.

Dica do editor - Nova lei amplia direitos de pessoas com diabetes tipo 1

Pessoas com diabetes tipo 1 passam a ter novos direitos nas áreas de saúde, educação e trabalho. A Lei 15.439/26 garante acesso a medicamentos e insumos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), permite o uso de equipamentos para controle da doença em escolas e empresas e estabelece medidas de proteção contra a discriminação.

A legislação assegura o porte e o uso de glicosímetros, sistemas de monitoramento contínuo de glicose e bombas de insulina. Também permite pausas durante aulas, jornadas de trabalho e provas de concursos públicos para medir a glicemia, aplicar insulina e se alimentar. Escolas e ambientes profissionais deverão ainda adotar adaptações quando necessárias.

O texto prevê cardápios escolares adequados, horários flexíveis para alimentação e apoio psicossocial às pessoas com diabetes tipo 1 e seus responsáveis. Outra mudança é a validade por tempo indeterminado do laudo médico que comprova o diagnóstico da doença.

A nova lei também proíbe qualquer forma de discriminação relacionada ao diabetes tipo 1 ou ao uso de equipamentos de controle da glicemia em ambientes públicos e privados. Informações de saúde poderão ainda ser incluídas na Carteira de Identidade Nacional para facilitar o atendimento em situações de emergência.

O enquadramento da pessoa com diabetes tipo 1 como pessoa com deficiência, porém, não será automático. O reconhecimento dependerá do cumprimento dos critérios estabelecidos pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência.

O presidente Lula vetou o trecho que condicionava a concessão de benefícios financeiros a uma avaliação biopsicossocial específica sobre incapacidade para o trabalho ou vulnerabilidade socioeconômica. Segundo o governo, a exigência poderia criar uma barreira adicional ao acesso aos benefícios.

Dica do editor - El Niño ameaça oferta global e acende alerta nos mercados agrícolas

El Niño pode reduzir a oferta global de trigo e óleo de palma e ampliar a volatilidade dos mercados 

Fenômeno climático tende a prejudicar a produção de trigo na Austrália e de óleo de palma no Sudeste Asiático, enquanto pode favorecer as safras de trigo nos Estados Unidos e na Argentina, aponta análise da Hedgepoint Global Markets 

A confirmação de um novo ciclo de El Niño para o segundo semestre de 2026 volta a colocar o clima entre os principais fatores de atenção para os mercados agrícolas globais. Entre as commodities mais sensíveis ao fenômeno estão o trigo e o óleo de palma, que historicamente apresentam respostas às mudanças nos padrões de temperatura e precipitação provocadas pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. 

Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, o evento climático pode trazer desafios relevantes para importantes regiões exportadoras de trigo e para os dois maiores produtores mundiais de óleo de palma, ampliando os riscos para a oferta global e aumentando a volatilidade dos mercados nos próximos meses. 

Austrália concentra os principais riscos para o mercado de trigo

Entre os principais exportadores globais de trigo, a Austrália é historicamente o país mais vulnerável aos eventos de El Niño. O fenômeno costuma estar associado à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas durante fases críticas do desenvolvimento da cultura, especialmente nas regiões produtoras do oeste e do sudeste australiano. 

Como consequência, aumentam os riscos de estresse hídrico, perda de produtividade e deterioração da qualidade dos grãos. Em episódios mais intensos, a produção australiana pode sofrer quedas expressivas, reduzindo a disponibilidade exportável para os mercados asiáticos e contribuindo para a sustentação dos preços internacionais. 

A relevância da Austrália no comércio global faz com que qualquer alteração significativa em sua produção seja rapidamente incorporada às expectativas dos participantes do mercado. 

Estados Unidos e Argentina podem compensar parte das perdas

Enquanto a Austrália costuma enfrentar condições mais adversas, os impactos do El Niño tendem a ser mais favoráveis para outros importantes produtores mundiais de trigo. 

Nos Estados Unidos, o fenômeno geralmente beneficia o trigo de inverno cultivado nas Planícies, região que engloba estados como Kansas, Oklahoma e Texas. A maior regularidade das chuvas favorece a reposição da umidade dos solos e reduz os riscos de seca durante o desenvolvimento das lavouras. 

Embora possam ocorrer problemas pontuais relacionados ao excesso de precipitação em determinadas áreas, o histórico mostra que o saldo para a produção norte-americana costuma variar entre neutro e positivo. 

A Argentina também aparece entre os países que tradicionalmente se beneficiam do fenômeno. O aumento da frequência e da regularidade das chuvas durante o ciclo da cultura tende a melhorar as condições de estabelecimento, desenvolvimento e enchimento de grãos, elevando o potencial produtivo. 

Após ciclos marcados por seca ou condições neutras, o El Niño frequentemente contribui para uma recuperação significativa da produção argentina e do excedente exportável. 

Com isso, o país costuma ampliar sua participação no comércio internacional, especialmente em mercados da América do Sul e do Norte da África. 

Óleo de palma pode sentir os efeitos mais intensos em 2027

Além do trigo, o mercado global acompanha os possíveis impactos do El Niño sobre o óleo de palma, commodity altamente sensível às condições climáticas do Sudeste Asiático. 

Como aproximadamente 80% da produção mundial está concentrada na Indonésia e na Malásia, alterações no regime de chuvas no Sudeste Asiático têm potencial para afetar significativamente o balanço global de óleos vegetais. 

O El Niño costuma provocar redução das chuvas, aumento das temperaturas e intensificação do estresse hídrico nas áreas produtoras. Diferentemente de culturas anuais, porém, os efeitos sobre as palmeiras normalmente aparecem com alguma defasagem. 

O estresse provocado pela seca afeta a formação dos cachos e o desenvolvimento fisiológico das plantas, mas a redução mais significativa da produção costuma ser observada entre seis e doze meses após o pico do fenômeno. 

Historicamente, eventos moderados e fortes de El Niño resultaram em menor produção na Indonésia e na Malásia, redução dos estoques globais e aumento dos preços internacionais do óleo de palma. 

Efeitos podem se espalhar por todo o complexo de óleos vegetais

Os impactos do El Niño sobre o óleo de palma não costumam ficar restritos a essa commodity. 

Quando a oferta global diminui, consumidores e indústrias frequentemente aumentam a demanda por substitutos, especialmente óleo de soja, óleo de canola e óleo de girassol. Como resultado, um evento climático mais intenso pode gerar efeitos de sustentação em todo o complexo global de óleos vegetais, aumentando a competição entre os segmentos de alimentos, biocombustíveis e uso industrial. 

Segundo Luiz Fernando Gutierrez Roque, Coordenador de Inteligência de Mercado na Hedgepoint, o efeito líquido do El Niño sobre o mercado global de trigo dependerá do equilíbrio entre as perdas potenciais observadas na Austrália e os ganhos produtivos registrados nos Estados Unidos e na Argentina. Já no caso do óleo de palma, os riscos permanecem concentrados no Sudeste Asiático e podem se tornar mais evidentes ao longo de 2027. 

“O fenômeno El Niño pode trazer problemas para o desenvolvimento da safra de trigo da Austrália (chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas), ao mesmo tempo que pode ser benéfico para as safras do cereal nos EUA e na Argentina (chuvas acima da média). Dessa forma, o efeito líquido sobre o mercado global depende do equilíbrio entre as perdas australianas e os ganhos observados nas Américas, embora eventos de El Niño mais intensos frequentemente sustentem os preços internacionais devido à relevância da Austrália no comércio mundial de trigo”, afirma.