CPI do Crime Organizado chama Viviana e Moraes, Toffoli e irmãos, mais Vorcaro

As convocações e cnvites são inéditas na história do STF.

A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira, a convocação dos irmaos do ministro Dias Toffoli, José Carlos e José Eutênio, além de convite para depoimento da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. O banqueiro Daniel Vorcaro também foi convocado.

Todos terão que falar sobre o escândalo do Banco Master.

Os dois ministros foram também convidados.

A CPI resolveu igualmente quebrar o sigilo fiscal da Mardit, controladora do ressort Tayayá, da família Toffoli.

Artigo, Vitor Koch - A Torre Está de Pé — Por Quanto Tempo ?

A Torre de Babel não foi apenas uma construção; foi um projeto deliberado de poder. Movidos pela soberba, homens decidiram erguer uma estrutura que simbolizava centralização, controle e autossuficiência — uma ordem construída à margem de princípios superiores e limites morais.


A orientação era clara: espalhar-se e povoar a Terra. A escolha foi outra: concentrar forças, unificar discursos e consolidar domínio. A resposta veio na forma de confusão. A ruptura da comunicação impediu que a ambição coletiva avançasse sem freios.


A semelhança é inquietantemente atual.


Falamos o mesmo idioma, contudo, o Brasil atravessa um período de ruído institucional. Normas se acumulam, interpretações se contradizem e a previsibilidade do Direito se enfraquece. A insegurança jurídica deixou de ser percepção isolada e tornou-se fator estrutural. O resultado é retração de investimentos, crédito restritivo e desconfiança crescente.


O país encerrou 2025 e iniciou 2026 com mais de 73 milhões de inadimplentes — cerca de 44% da população adulta. Juros elevados, inflação persistente e renda pressionada comprimem famílias e empresas. O risco aumenta, o capital recua e o crescimento projetado torna-se insuficiente para responder às demandas sociais.


A crise, entretanto, é mais profunda do que os indicadores revelam.


Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, raramente se observou tamanho tensionamento entre os Três Poderes. A ampliação de protagonismos institucionais, decisões de forte impacto político e a fragilidade do diálogo republicano alimentam a percepção de desequilíbrio. Quando os limites se tornam elásticos, a estabilidade deixa de ser garantida.


A polarização ideológica substitui o debate técnico. A desinformação corrói a confiança. Mudanças sociais aceleradas ocorrem sem o necessário amadurecimento institucional. Ao mesmo tempo, a sensação de impunidade e a incapacidade estrutural de resposta penal reforçam o distanciamento entre Estado e sociedade.


Babel ensina que unidade sem fundamento ético não produz grandeza, produz dispersão. Estruturas podem ser imponentes, entretanto, se carecem de limites claros, tornam-se frágeis.


O Brasil não sofre por falta de capacidade; sofre pela erosão gradual da previsibilidade, da responsabilidade fiscal e do equilíbrio institucional.


É tempo de restaurar referências, reafirmar limites constitucionais e exigir maturidade dos que exercem poder. Não há estabilidade possível quando cada ator institucional redefine, a seu modo, as regras do jogo.


Torres erguidas sobre vaidade e voluntarismo não resistem. A história é clara — e implacável.


Época de transformar nosso Brasil, antes que Deus o faça, de forma impiedosa.


Vitor Augusto Koch

Administrador 

CRA/RS 042810

Artigo, Jerônimo Goergen - A crise do agro é estrutural e exige responsabilidade estratégica

Jerônimo Goergen é presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil - ACEBRA

A crise que hoje preocupa o agronegócio brasileiro não nasceu na safra 2024/25. Ela é resultado de um ciclo que começou ainda em 2020/21, quando o setor viveu margens extraordinárias impulsionadas por preços internacionais elevados, câmbio favorável e forte demanda global. Aquele momento gerou confiança, expansão de investimentos, aumento de área plantada, aquisição de máquinas, crescimento do crédito e maior alavancagem financeira.


Entre 2021/22 e 2022/23 o cenário ainda era positivo, mas os custos começaram a subir de forma consistente. Fertilizantes, defensivos, energia, logística, máquinas e principalmente o custo do capital passaram a pressionar o Custo Operacional Total. Criou-se uma nova estrutura de despesas que não retornou aos patamares anteriores, mesmo com a posterior normalização dos preços das commodities.


A partir de 2023/24 consolidou-se um ambiente de compressão de margens, redução da receita bruta e maior restrição de crédito, revelando fragilidades acumuladas ao longo do ciclo anterior. O produtor continuou eficiente dentro da porteira, mas passou a enfrentar um cenário financeiro cada vez mais apertado fora dela.


Nas safras 2024/25 e nas projeções para 2025/26, os dados analisados pelo especialista Leonardo Machado indicam aumento contínuo do Custo Operacional Total inclusive em áreas próprias, queda da receita bruta em grande parte dos estados do Centro-Oeste e margens mais estreitas. Mato Grosso do Sul aparece como exceção pontual, sustentado por valorização superior a oito por cento no preço da soja. Goiás mantém o maior custo de produção da região, mas compensa com produtividade elevada, preservando melhor margem líquida. Já Mato Grosso registra queda superior a quarenta por cento na margem líquida, refletindo o impacto simultâneo de alta de custos e retração de receita.


No caso do Rio Grande do Sul, o cenário se agrava ainda mais. Além da pressão de custos e da redução de margens, o estado enfrenta uma sequência de eventos climáticos extremos que variam entre enchentes severas e secas recorrentes. Essa instabilidade compromete produtividade, eleva riscos, aumenta o endividamento e reduz a capacidade de recuperação financeira do produtor, tornando o ambiente ainda mais desafiador.


O quadro geral deixa claro que não enfrentamos uma crise de produção. O produtor brasileiro segue altamente produtivo e tecnificado. O que enfrentamos é uma crise de rentabilidade e de estrutura financeira. Produz-se bem, mas ganha-se menos e com maior exposição ao risco.


O momento exige disciplina estratégica, gestão técnica, planejamento financeiro rigoroso, uso de instrumentos de proteção de preço e revisão criteriosa de investimentos. Também exige ambiente regulatório previsível e políticas de crédito alinhadas à realidade do setor, especialmente em regiões mais impactadas por eventos climáticos extremos.


Compreender que a crise é estrutural e não pontual é condição essencial para evitar diagnósticos superficiais e construir soluções duradouras para um segmento que permanece como um dos pilares da economia nacional, responsável por parcela relevante do PIB, das exportações e da geração de renda no Brasil.



Artigo, especial - O recado de Porecatu

Este material é do Observatório Brasil Soberano

Porecatu, norte do Paraná. 13 mil habitantes. Estrada de terra, poeira que gruda na roupa, sol que queima o asfalto. Cidade que sustenta o Brasil com suor de verdade: soja, gado, comércio pequeno, família que acorda antes do sol nascer pra botar comida na mesa. E mesmo assim, num bar simples chamado Espetininhos e Jantinha da Nimia, o povo se reuniu. Bandeira do Brasil, camisetas verde-amarelas encharcadas de chu va, trabalhadores com mão calejada, donas de casa com filho no colo, jovens que veem o futuro fugir. Sem evento patrocinado, sem drone filmando, sem influencer cobrando cachê. Era o Brasil real dizendo: "Aqui a gente não desiste”. Isso não é romantismo. É fato. Esses encontros acontecem em centenas de cidades esquecidas: em bares de esquina, em praças sem iluminação.. Gente que sente no bolso o preço de viver em um país que maltrata sua gente, que a conta de luz não baixa, que a violência chega perto de casa. Eles não querem discurso bonito de estúdio. Querem quem aparece, ouve, age. Querem lealdade que não some depois da eleição. E é exatamente isso que está sendo cobrado das "estrelas da direita": desçam do pedestal. Priorizam o "eu" acima do "nós": carreira própria, imagem imaculada, cargo garan tido, curtidas que massageiam o ego. Pensam primeiro em resolver a própria vida e esquecem que quem age assim não melhora a vida de ninguém além da própria. Quem se omite na hora de apoiar aliado, de demonstrar união sem medo de dividir holofote, de ouvir cobrança sem bloquear ou xingar... está dividindo o movimento na prática. Crítica não é traição. Debate interno não divide — fortalece. Quando o povo pergunta "cadê você aqui na base?", a resposta não pode ser bloqueio ou acusação de "divisor". Tem que ser trabalho, presença, ação. Representante de verdade absorve o questionamento como ferramenta pra melhorar, não como ameaça pessoal. No Paraná, o caminho certo está sendo mostrado: Filipe Barros rodando o estado sem parar, fortalecendo alianças, priorizando o projeto coletivo pro 2026; é sobre somar forças pra varrer retrocessos, apoiar o escolhido, valorizar o eleitor das pequenas cidades que decidem eleições. É política: lealdade, entrega, união estratégica que coloca o Brasil acima de qualquer biografia individual Enquanto isso, certas "estrelas" aparecem esporadicamente pra posar de salva dores e se irritam visceralmente com qualquer cobrança. Reagem com aspereza, bloqueios rápidos, narrativas de "estão dividindo a direita". Fragilidade pura: con fundem mandato com adoração incondicional. Esquecem que o povo não quer ídolo — quer representante que divide o holofote, soma esforços, coloca o bem comum acima do ego. O Brasil real já está vendo tudo. Milhares de Porecatus existem por aí: cidades que produzem, que pagam a conta do país, que querem seu Brasil de volta sem retro cesso. Elas estão enxergando quem puxa o arado pro mesmo lado — e quem só posa pra foto enquanto o outro lado avança.O recado é claro e urgente, especial mente agora, olhando pra 2026: Seja base de verdade: desça pro chão, ouça as ruas, apoie os aliados sem vaidade. Ou saia do caminho: pare de preservar o ego a custo do movimento. O "nós" tem que esmagar o "eu". Existem milhares de Porecatus no Brasil. Em todas, as pessoas também estão de olho em quem puxa o arado pro mesmo lado.

Dica do editor - RS abre colheita do arroz. RS é o maior produtor do Brasil.

A 36ª Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas foi aberta oficialmente na manhã desta terça-feira (24/2), marcando o início dos três dias de programação do evento, que se estende até quinta-feira (26/2), em Capão do Leão. Estão ali 230 expositores.135 municípios gaúchos produzem arroz, evidenciando a capilaridade e a importância econômica e social da cultura no Estado. O evento ocorre na Arena de Inovação e este ano dará ênfase ao que os organizadores chamam de lavoura de carne. A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas será amanhã, 16h30min.

Produção e consumo

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do Brasil, responsável por cerca de 70% a 80% da produção nacional. O estado lidera com folga o ranking, produzindo em média mais de 7 a 8 milhões de toneladas por safra, concentradas na região sul e em áreas de cultivo irrigado. No Brasil,  produção total e o consumo chega a 10,5 milhões de toneladas, mesmo tamanho da produção. Cada brasileiro consome 34 kg de arroz por ano.

O que é produção em terras baixas

A produção de arroz em terras baixas no Rio Grande do Sul é o cultivo de arroz irrigado por inundação em áreas planas de várzea, caracterizadas por solo com drenagem deficiente. Responsável por cerca de 70% da produção nacional, o estado utiliza técnicas avançadas, alcançando recordes de produtividade, como 9.044 kg/ha. 

Artigo do editor, especial - Entenda quem são os personagens denunciados pelo relator da CPMI do INSS

O editor ouviu, viu, leu, releu e anotou cuidadosamente todo o histórico, contundente e talez o mais devastador discurso feito este ano por qualquer deputado ou senador da República.

Foi ontem, na CPMI do INSS, que investiga os ladrões que roubaram bilhões de reais de aposentados e pensionistas do INSS, entre eles figuras do mais alto escalão da República.

O relator, no caso o deputado Alredo Gaspar, abriu o discurso lembrando seus 24 anos atuando como advogado, promotor e secretário da Segurança Pública de Alagoas -

- Passei 24 anos da minha vida perseguindo bandido. E, quando imaginei que viria para a política para deixar esse passado para trás, nunca estive tão próximo da bandidagem como estou hoje. 

Mas lembgrou - 

- A mentira jamais vencerá o sol da verdade.

O deputado contou que sente ânsias de vômito diante do que acontece no atual regime autoritário comandado pelo consórcio STF+Governo do PT- 

- O Brasil vive uma época que dá vontade de vomitar de manhã, de tarde e de noite. Estamos vivendo o verdadeiro bacanal da corrupção. Não podemos mais ter feriado, não podemos ter intervalos, porque a cada dia que passa o cenário nacional se torna pior do que o anterior.

Vorcaro tem metade da república no Bolso

O deputado estava particularmente revoltado porque o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deveria ter sido ouvido, ontem, mas não foi porque não tinha jatinho para viajar.

- Eu nunca tinha ouvido falar desse cidadão chamado Vorcaro. Não sabia que ele tinha metade da República no bolso — talvez porque eu não tivesse dinheiro para aplicar ou não frequentasse as altas rodas de Brasília. Esse cidadão conseguiu algo que nenhum parlamentar conseguiu até hoje: reunir-se quatro vezes com o presidente da República no Palácio do Planalto fora da agenda oficial. Quatro vezes. Vá qualquer parlamentar tentar ser recebido sem agenda. Há ministros que foram recebidos menos vezes do que Vorcaro. Que prestígio é esse?

O escândalo dos consignados nasceu na Bahia, com o petista Rui Costa, na época governadaor e hoje chefe da Casa Civil de Lula

O deputado explicou que o escândalo dos velhinhos do INSS não é coisa recente 

- Quando analisamos os consignados, precisamos entender onde nasceu essa desordem. Ela nasceu na Bahia. E ali estavam os elementos políticos que permitiram que tudo isso acontecesse, inclusive figuras conhecidas do Partido dos Trabalhadores e integrantes centrais do atual governo.


Enquanto isso, vemos manchetes constrangedoras: o dono do Banco Master pagando de humilde, mas exigindo vir prestar depoimento apenas em jatinho, enquanto tinha meio Brasil no bolso. Que país é esse? Que zona institucional é essa em que transformaram o Brasil?

Este são os nomes blindados pela base governista na CPMI

- Alexandre de Moraes - Surge o nome da senhora Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, talvez o ministro mais poderoso da história do Supremo Tribunal Federal. Porque, segundo alguns, salvou a democracia e, por isso, poderia tudo. Mas ninguém tem coragem de discutir um contrato de 129 milhões de reais firmado sem processo formal. Isso é imoral. Isso tem aparência de pagamento de proteção — e ninguém tem coragem de enfrentar o tema.

- Dias Toffoli -  E vemos ainda situações envolvendo o ministro Dias Toffoli. Perdemos mais de um mês de investigação porque dados essenciais foram negados a esta CPMI, uma instância legítima e constitucional. 

- Lulinha - Fui um dos que votaram a favor da convocação do filho do presidente da República. Mas estou cansado de menino de recado. A Polícia Federal quebrou sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. Medidas cautelares foram adotadas, e parte desta CPMI tentou blindá-lo. 

- Bancos - O sistema financeiro está blindado, e nós temos apenas mais um mês de trabalho. Ainda há muitas pessoas a serem ouvidas. Por isso, reapresentei requerimentos para convocação dessas instituições financeiras. Vamos colocar digitais novamente e descobrir quem defende o interesse público e quem atua como empregado do sistema financeiro.

- Deputado Paulo Pimenta e caterva da base aliada - Também não posso deixar de registrar minha discordância quanto à atuação de parlamentares orientando testemunhas ligadas diretamente aos problemas investigados no caso do Banco Master. A história já mostrou o erro desse tipo de conduta, quando parlamentares tiveram que deixar CPIs após relações impróprias com investigados, como ocorreu no episódio envolvendo Marco Valério (o caso foi com o deputado Paulo Pimenta, flagrado na garagem do prédio da Câmara em conversas com Valério).

Blindagem precisa ser quebrada

Ninguém deve ser blindado, mas a base do governo, o PT, tenta blindar todos os bandidos, segundo o deputado, que denunciou - 

- Agora, é preciso dizer a verdade completa: aqueles que hoje criticam decisões judiciais foram os mesmos que blindaram instituições financeiras nesta CPMI. Blindaram C6, PicPay, Santander, Crefisa e diversos envolvidos. Ninguém blindou mais do que a base do governo. Não deveria existir bandido de estimação, mas é exatamente isso que estamos vendo.Estou cansado da mentira, da hipocrisia e da blindagem institucional. Esta CPMI existe para revelar a verdade ao povo brasileiro. E é isso que nós vamos fazer. 

E avisou -

- Se houver senador envolvido, que seja preso. Se houver deputado, que seja preso. Se houver presidente da República, banqueiro ou qualquer autoridade, que responda. A lei deve valer para todos. Reuniões e articulações por intermédio de estruturas diretamente ligadas aos investigados não são apenas ilegais — são passíveis de investigação.



Discurso – Relator da CPMI - Alfredo Gaspar

 Discurso – Relator da CPMI - Alfredo Gaspar


Quero saudar todos os parlamentares presentes. Passei 24 anos da minha vida perseguindo bandido. E, quando imaginei que viria para a política para deixar esse passado para trás, nunca estive tão próximo da bandidagem como estou hoje. A bandidagem que ataca, que mente, que fabrica narrativas. Mas é justamente essa bandidagem que eu sempre quis enfrentar: a bandidagem do topo da pirâmide. Porque a mentira jamais vencerá o sol da verdade.


É por isso que estamos aqui. Senhor presidente, considero um absurdo não termos hoje sentado nesta cadeira o senhor Daniel Vorcaro. Antes, porém, quero cumprimentar todos em nome de Vossa Excelência, os advogados, os depoentes e, sobretudo, o povo brasileiro.


O Brasil vive uma época que dá vontade de vomitar de manhã, de tarde e de noite. Estamos vivendo o verdadeiro bacanal da corrupção. Um momento extremamente difícil para o país. Não podemos mais ter feriado, não podemos ter intervalos, porque a cada dia que passa o cenário nacional se torna pior do que o anterior.


Eu nunca tinha ouvido falar desse cidadão chamado Vorcaro. Não sabia que ele tinha metade da República no bolso — talvez porque eu não tivesse dinheiro para aplicar ou não frequentasse as altas rodas de Brasília. Mas o que não dá para aceitar é a justificativa apresentada para não comparecer a esta CPMI: só viria depor se fosse em jatinho. Se essa moda pega, ninguém mais será ouvido neste país. Isso é uma esculhambação, e eu não aceito.


Mais grave ainda é que esse cidadão conseguiu algo que nenhum parlamentar conseguiu até hoje: reunir-se quatro vezes com o presidente da República no Palácio do Planalto fora da agenda oficial. Quatro vezes. Vá qualquer parlamentar tentar ser recebido sem agenda. Há ministros que foram recebidos menos vezes do que Vorcaro. Que prestígio é esse?


E deixo claro: não afirmo que Vorcaro tenha relação apenas com o governo atual. Não posso ser leviano. Esta CPMI precisa abrir o leque e investigar todos. Mas o fato é que o presidente da República, que não abre o Planalto para o cidadão comum, abriu suas portas quatro vezes, no escurinho do cinema institucional, para esse personagem.


Quando analisamos os consignados, precisamos entender onde nasceu essa desordem. Ela nasceu na Bahia. E ali estavam os elementos políticos que permitiram que tudo isso acontecesse, inclusive figuras conhecidas do Partido dos Trabalhadores e integrantes centrais do atual governo.


Enquanto isso, vemos manchetes constrangedoras: o dono do Banco Master pagando de humilde, mas exigindo vir prestar depoimento apenas em jatinho, enquanto tinha meio Brasil no bolso. Que país é esse? Que zona institucional é essa em que transformaram o Brasil?


E não para por aí. Surge o nome da senhora Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, talvez o ministro mais poderoso da história do Supremo Tribunal Federal. Porque, segundo alguns, salvou a democracia e, por isso, poderia tudo. Mas ninguém tem coragem de discutir um contrato de 129 milhões de reais firmado sem processo formal. Isso é imoral. Isso tem aparência de pagamento de proteção — e ninguém tem coragem de enfrentar o tema.


Como a verdade incomoda. Basta falar que imediatamente tentam interromper. Mas repito: 129 milhões de reais. E quem garante que esse dinheiro também não tenha origem nos recursos do INSS?


E vemos ainda situações envolvendo o ministro Dias Toffoli. Perdemos mais de um mês de investigação porque dados essenciais foram negados a esta CPMI, uma instância legítima e constitucional. Até hoje não temos acesso pleno às informações, e o Brasil permanece em silêncio.


Fui um dos que votaram a favor da convocação do filho do presidente da República. Mas estou cansado de menino de recado. A Polícia Federal quebrou sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. Medidas cautelares foram adotadas, e parte desta CPMI tentou blindá-lo. Enquanto isso, a Polícia Federal avança nas investigações. O que peço é simples: que haja compartilhamento dos dados, pois é um direito legítimo desta comissão.


Repudio, com respeito institucional, a decisão do ministro André Mendonça que permitiu a ausência do senhor Vorcaro. Contudo, reconheço que o mesmo ministro corrigiu erro gravíssimo ao liberar o acesso aos dados que estavam escondidos. Deu uma no cravo e outra na ferradura.


Agora, é preciso dizer a verdade completa: aqueles que hoje criticam decisões judiciais foram os mesmos que blindaram instituições financeiras nesta CPMI. Blindaram C6, PicPay, Santander, Crefisa e diversos envolvidos. Ninguém blindou mais do que a base do governo. Não deveria existir bandido de estimação, mas é exatamente isso que estamos vendo.


O sistema financeiro está blindado, e nós temos apenas mais um mês de trabalho. Ainda há muitas pessoas a serem ouvidas. Por isso, reapresentei requerimentos para convocação dessas instituições financeiras. Vamos colocar digitais novamente e descobrir quem defende o interesse público e quem atua como empregado do sistema financeiro.


Também não posso deixar de registrar minha discordância quanto à atuação de parlamentares orientando testemunhas ligadas diretamente aos problemas investigados no caso do Banco Master. A história já mostrou o erro desse tipo de conduta, quando parlamentares tiveram que deixar CPIs após relações impróprias com investigados, como ocorreu no episódio envolvendo Marco Valério.


Se houver senador envolvido, que seja preso. Se houver deputado, que seja preso. Se houver presidente da República, banqueiro ou qualquer autoridade, que responda. A lei deve valer para todos. Reuniões e articulações por intermédio de estruturas diretamente ligadas aos investigados não são apenas ilegais — são passíveis de investigação.


Estou cansado da mentira, da hipocrisia e da blindagem institucional. Esta CPMI existe para revelar a verdade ao povo brasileiro. E é isso que nós vamos fazer.