Este artigo é do Observatório Brasil Soberano
Há semanas que passam pelo calendário sem deixar marca. Outras acabam de finindo o rumo de uma eleição. A que termina com a convenção do PL no dia 25 parece ser uma delas. A candidatura de Flávio Bolsonaro tira a direita da zona de conforto. Até aqui, mui ta gente conseguiu adiar uma definição, esperar o cenário mudar ou alimentar a expectativa de que apareceria um nome capaz de unir todo o campo conservador. Esse tempo acabou. O Brasil atravessa uma rara janela de mudança. A chance de recuperar a segurança jurídica, fortalecer o Congresso e proteger as liberdades talvez não volte tão cedo. Mesmo assim, uma parte da direita continua parada. Não por falta de espaço para par ticipar nem porque tenha construído uma alternativa nacional mais consistente. Em muitos casos, a razão é bem menos nobre: uma resistência quase pessoal a Flávio. É curioso observar esse movimento. Há quem queira o eleitor bolsonarista, mas não queira o bolsonarismo. Quer herdar sua força eleitoral, mas sem carregar o peso político que ela traz. Quer os dividendos, mas não aceita o investimento. Ninguém precisa concordar com tudo o que Flávio faz. Política não funciona assim. Divergências são naturais e continuarão existindo. O problema aparece quando a crítica deixa de servir para melhorar uma candidatura e passa a servir apenas para justificar a própria omissão. Eleição se vence com forças políticas reais, não com candidatos imaginários. Flá vio representa hoje uma dessas forças. Tem identidade política, base social con solidada e um eleitorado que permaneceu mobilizado, mesmo depois de anos de ataques, isolamento e hostilidade institucional. Quem acredita que existe um caminho melhor tem todo o direito de defendê-lo. Mas precisa mostrar votos, es trutura, capilaridade e capacidade de liderar uma disputa nacional. O curioso é que alguns já parecem fazer contas para 2030 antes mesmo de decidir o que farão em 2026. Como se o Brasil pudesse entrar em modo de espera durante quatro anos. Como se o desgaste do país criasse, automaticamente, uma oportunidade melhor lá na frente. É um cálculo confortável para quem pensa na própria carreira. Contudo, para o restante dos brasileiros, a conta chega muito antes. Quatro anos passam rápido na política e devagar na vida de quem trabalha. Em presas fecham, investimentos deixam de vir, empregos desaparecem e decisões institucionais criam efeitos que não somem na posse do governo seguinte. País nenhum aperta um botão e volta ao ponto de partida. Por essa razão, sempre causa estranheza quem enxerga vantagem em deixar o país piorar para depois apresentar um projeto de reconstrução. Conservadorismo nunca foi isso. O conservador procura preservar o que ainda funciona, limitar os danos e impedir que o problema cresça. Apostar na deterioração para colher divi dendos políticos mais adiante é outra lógica. A semana que termina no dia 25 começa a separar quem pretende disputar o Brasil de quem ainda prefere disputar espaço dentro da própria direita. Flávio não precisa ser tratado como um candidato perfeito. Precisa ser reconhecido como o nome que hoje reúne as melhores condições para unificar esse campo e transformar essa força em maioria. Se tal oportunidade for desperdiçada, dificilmente a explicação estará na falta de um candidato ideal. Estará na incapacidade de parte da direita de entender que, em política, o momento certo também passa. E, quando passa, não costuma voltar