Artigo, especial, Renato Sant'Ana - Uma fábula para a criança que vive na alma do adulto

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: releituras21@gmail.com

Num pedaço de floresta à beira de um rio, os bichos viviam que nem num condomínio, cada um no seu canto. No dia de eleger um novo síndico, dois candidatos se apresentaram: a onça e o jacaré. Quem perdesse a eleição iria embora dali. O bicho-preguiça não quis votar, porque os dois eram predadores e uma preguiça era presa para aqueles carnívoros: não votaria em quem queria devorá-la. A coruja tentou demovê-la. Explicou que a onça sobe em árvore, onde preguiças moram, o jacaré não sobe. Mas a preguiça, teimosa, não votou. A onça ganhou e a preguiça virou jantar da síndica.

Essa fábula, sem a graça de Esopo, criei-a para Sofia, de seis anos, que tem muita vivacidade e muitas ganas de aprender e descortinar a vida.

A mãe da Sofia acha que políticos são todos iguais. E como nenhum é como ela, isto é, pessoa virtuosa, nenhum merece seu voto. Mas alguém há de eleger-se, com ou sem o voto dela.

Sofia entendeu. Mesmo quando não gostamos dos candidatos e até quando os tememos, ainda se pode ter um critério de escolha. Pode não ser o que se aponte como melhor: pode ser só o que ameaça menos.

A pequena Sofia, por sua doce juventude, ainda não tem noção do que é política. A mãe dela, por motivo que não tento explicitar, parece ter ideia muito precária do que é política. Nem por isso deixará de sofrer os efeitos inevitáveis dos rumos da política no país.

Não vou provocá-la. Mas se fosse ter uma interlocução com ela - e, em seu sentido mais elevado, a política é interlocução para que o dissenso derive para um consenso -, lhe apontaria, modestamente, algumas questões que me parecem úteis para chegar ao melhor candidato dentro do quadro que se apresenta. Em política, convém a sabedoria de sonhar com o ideal e aceitar o possível.

Não sendo cientista político, vou tateando em busca da melhor escolha.


- Qual é o candidato que, não seduzido pela ideologia do coletivismo, defende a liberdade e a autodeterminação como valores inegociáveis?

(O coletivismo, sob o pretexto de combater o individualismo, pretende esvaziar as pessoas de sua individualidade para moldá-las ao interesse de um modelo de Estado inevitavelmente autoritário.)

- Qual demonstra compreender que, em todos os sentidos, o progresso de uma sociedade faz-se com pessoas que agem com autonomia e que exercem a liberdade de escolha e de iniciativa

- Qual candidato, tendo real preocupação com a população mais pobre, tem ideias para estimular a autonomia e emancipação das pessoas, em vez de mantê-las refém do assistencialismo estatal?

- Qual tem verdadeiro apreço pelas pessoas que, com aptidão para empreender, são as responsáveis pela vitalidade da economia?

- Qual candidato tem o entendimento de que a intromissão do Estado na vida privada deve ser reduzida e bem controlada por regras claras para que haja, de fato, a garantia dos "direitos fundamentais"?

- Na mesma lógica, qual entende que eu (e ninguém mais) posso educar os meus filhos no que se refere aos valores que formam o caráter e definem como eles conduzirão a própria vida? (Discurso de campanha não vale.)

- Qual se mostra mais propenso a respeitar o dinheiro do contribuinte, isto é, não descambar para a gastança populista, o que é imprescindível para enxugar a máquina pública e racionalizar o emprego das verbas do Estado? (Quem for esclarecido e honesto saberá que, no trato da coisa pública, deve prevalecer a lógica da escassez, não a da abundância.)

- E se é do Executivo que se trata, qual parece mais propenso a procurar cercar-se dos mais competentes em cada função, dado que ninguém governa sozinho e o governante precisa contar com quem saiba fazer?

Pode ser que nenhum candidato preencha todos os requisitos. Pode ser que todos estejam longe do que gostaríamos, caso em que convém ir contra a preguiça e votar no jacaré: dos males, o menor.

Leia neste blog "Os eleitores passivos da Bahia:


https://blogdopolibiobraga.blogspot.com/2026/10/artigo-especial-renato-santana-os.html


CPMC

 O projeto de  R$ 27 bilhões faz parte da estratégia de longo prazo da empresa, voltada a consolidar ainda mais a posição da companhia entre os principais atores globais da indústria de celulose.

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) concedeu oficialmente a Licença Prévia ao Projeto Natureza da CMPC. A iniciativa prevê a implantação de uma nova unidade de produção de celulose a ser instalada na cidade de Barra do Ribeiro. O projeto faz parte da estratégia de longo prazo da CMPC, orientada ao fortalecimento de seus negócios principais: florestal, celulose e produtos de consumo, com foco em maior escala, eficiência e competitividade.

A Licença Prévia reconhece a viabilidade ambiental do projeto na localização proposta. Sua obtenção permite avançar para as próximas etapas do processo de aprovação ambiental, que incluem a Licença de Instalação e Licença de Operação. Paralelamente, a CMPC desenvolverá uma série de ações voltadas à otimização do investimento no projeto, bem como de sua estratégia comercial, financeira e de gestão de riscos.

“A Licença Prévia é um passo importante e reflete o trabalho técnico das autoridades, das instituições do Estado, das comunidades e da companhia. O Natureza é um projeto estratégico e de futuro para a CMPC, que nos permitirá continuar competindo globalmente com um elevado nível de eficiência”, destacou o diretor-geral da CMPC Celulose Brasil, Antonio Lacerda.

O projeto Natureza contempla uma capacidade estimada de produção de 2,5 milhões de toneladas anuais de celulose de fibra curta e busca ampliar a escala produtiva da CMPC. O empreendimento e prevê a geração de 12 mil postos de trabalho durante as obras e cerca de 6.000 durante a operação. Ainda, contribuirá para melhorias nas condições logísticas do Estado, incluindo investimentos nos portos de Rio Grande e Pelotas. Além da implantação de um novo parque ecológico na RPPN Barba Negra, conciliando conservação ambiental e educação ambiental com acesso aberto à comunidade. Paralelamente, a companhia segue avançando na otimização dos investimentos com fornecedores, na análise de mercados e clientes e na avaliação de alternativas de financiamento.


Sobre a CMPC


A CMPC é uma empresa centenária do setor florestal que atua em três segmentos de negócio: celulose, itens de higiene pessoal (tissue) e embalagens. A companhia é uma representante da bioeconomia e possui suas operações alicerçadas na sustentabilidade e na economia circular. Presente no Brasil desde 2009, a CMPC possui operações em sete estados. O grupo CMPC conta com mais de 27 mil colaboradores, 53 unidades produtivas e cerca de 34 mil clientes atendidos ao redor do mundo. Em 2023, conquistou a 1ª posição do ranking de sustentabilidade corporativa da S&P Global. Em 2025 foi apontada pela terceira vez consecutiva como a Empresa Florestal Mais Sustentável do Mundo pelo Índice Dow Jones de Sustentabilidade e, com o BioCMPC, de forma inédita no Brasil, a CMPC levantou o Prêmio PMI Awards de Projeto do Ano de Engenharia, Construção e Infraestrutura, o reconhecimento mais importante do setor em nível global. O CEO do Grupo CMPC, Francisco Ruiz-Tagle, foi eleito pela Council of the Americas o CEO do Ano (2023) em Sustentabilidade.  Em 2024, Ruiz-Tagle recebeu o título de CEO do Ano pela Fastmarkets Forest Products PPI Awards, que também elegeu a CMPC como líder mundial em Sustentabilidade. Outras informações estão no site:   https://cmpcbrasil.com.br/. 



 

Análise, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - Pesquisas mostram cenário estável com vantagem de Flávio

Carlos Eduardo Bellini Borenstein

Cientista Político

carloseduardo@arkoadvice.com.br

Faltando quatro dias para o segundo turno, a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) está acirrada. Analisando oito pesquisas de intenção de voto divulgadas ao longo do segundo turno – AtlasIntel; PoderData; Nexus; Futura; Quaest; Datafolha; Ipespe; e Gerp – constatamos duas questões importantes: 

1) As variações nas intenções de voto em Flávio e Lula, comparando a primeira com a última pesquisas realizadas até esta quarta-feira (21), estão dentro da margem de erro, indicando uma estabilidade na disputa, o que favorece quem está na frente: Flávio Bolsonaro; e

2) Em todas as pesquisas, Flávio está em situação de vantagem numérica sobre Lula

No AtlasIntel (13 a 18/Out), Flávio registra 49,8% das intenções de voto contra 47,6% de Lula. Uma vantagem de 2,2 pontos em favor do senador. Na série de pesquisas do segundo turno, Flávio oscilou 1,3 pontos, enquanto Lula variou positivamente 1,9 pontos. As oscilações estão levemente acima da margem de erro – 1 ponto percentual para mais ou para menos. 

No PoderData (19/Out), Flávio aparece estável com 49%. Lula registra 46%, uma distância de 3 pontos. Na série de pesquisas do segundo turno, Flávio teve variação de 0 ponto, enquanto Lula variou positivamente dois pontos. As oscilações estão dentro da margem de erro – 1,8 ponto percentual para mais ou para menos. 

Na Nexus (16 a 18/Out), Flávio Bolsonaro aparece com 46,5% contra 45,9% de Lula, distância de apenas 0,6 ponto. Na sequência de pesquisas do segundo turno, Flávio teve uma variação negativa de 1,5 pontos, enquanto Lula variou positivamente 0,9 ponto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 

Na Futura (19 a 20/10), Flávio registra 48,9% contra 46,8% de Lula, uma distância de 2,1 pontos. Na série de pesquisas do segundo turno, Flávio teve uma variação negativa de 1,1 ponto, enquanto Lula oscilou positivamente 0,2 ponto. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.


Na Quaest (17 a 20/10), Flávio aparece com 45% contra 44% de Lula, distância de 1 ponto. Comparando as pesquisas do instituto, Flávio oscilou negativamente 1 ponto, enquanto Lula ficou estável. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 

No Datafolha (13 a 14/10), Flávio registrou 47% contra 45% de Lula, uma vantagem para o senador de 2 pontos. Ao longo do segundo turno, Flávio variou negativamente 2 pontos, enquanto Lula ficou estável. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. 

No Ipespe (13 a 15/10), Flávio aparece com 48% contra 46% de Lula, distância de 2 pontos. Ao longo do segundo turno, Flávio teve uma oscilação negativa de 1 ponto, enquanto Lula variou positivamente 2 pontos. 

No Gerp (19, 20 e 21/10), Flávio tem 50% contra 45% de Lula, uma vantagem de 5 pontos. Durante o segundo turno, Flávio cresceu 4 pontos, mesma variação de Lula. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Apesar da vantagem de Flávio na reta final, a eleição não está decidida, já que a campanha de Lula tenta criar fatos novos como, por exemplo, o desafio envolvendo a abertura da quebra dos sigilos dos candidatos. O objetivo de movimentos como esse é deslocar a discussão eleitoral do governo Lula (PT) para outros temas. Embora provoque “barulho” no noticiário, não deve a alterar o curso da eleição. 

O grande evento desta reta final será o debate da Rede Globo, onde o desempenho de Flávio e Lula pode impactar nas últimas 48 horas antes do pleito. 

Mesmo que a pesquisa Quaest tenha indicado um aumento de indecisos entre as mulheres e os independentes na menção espontânea, por ora, não temos indicativos de que esses eleitores migrarão para Lula. Ao que tudo indica, isso ocorreu por um aumento da insatisfação provocada pelo debate da Rede Bandeirantes, consequência do forte embate entre Flávio e Lula.

Apesar da eleição não está decidida, Flávio chega em melhores condições na reta final, pois:

1) Lidera, mesmo que numericamente, todas as pesquisas; 

2) O saldo de popularidade do governo Lula segue negativo; 

3) A abstenção tende a continuar alta, reduzindo o espaço de crescimento de Lula; 

4) A eleição transcorre em um ambiente de mudança, o que beneficia a oposição; e

5) Até o momento, não há fatos novos que impactem o humor dos eleitores a ponto de provocar uma mudança na tendência capturada pelas pesquisas



Dica do editor

 O jornal The Washington desta quinta-feira ensina que um diagnóstico errado de esclerose múltipla (EM) acontece porque não existe um único exame definitivo para confirmar a doença, e os sintomas clínicos podem ser facilmente confundidos com os de outras condições neurológicas ou autoimunes. Segundo especialistas, como a neurologista Dr. Marwa Kaisey e outros profissionais da área, os principais fatores que levam ao erro incluem:

• Ausência de um teste exclusivo: O diagnóstico exige seguir critérios formais e avaliar um conjunto de informações clínicas (histórico, exames físicos e de imagem), e não um simples exame de sangue.

• Sobreposição de sintomas: Sinais comuns da EM — como fadiga, formigamento, dormência, fraqueza, desequilíbrio e alterações visuais — também aparecem em várias outras doenças.

• Confusão com outras condições: Outras patologias imitam a EM ou geram lesões parecidas na ressonância magnética, como:

• Distúrbios do espectro da neuromielite óptica (NMO)

• Lúpus e outras doenças autoimunes inflamatórias

• Enxaqueca

• Miastenia gravis

• Condições neurodegenerativas raras ou hereditárias (como alguns tipos de ataxias ou adrenoleucodistrofia)

• Interpretação isolada da ressonância magnética: Manchas e lesões no cérebro ou na medula espinhal podem ser vistas na ressonância por outros motivos que não a esclerose múltipla, exigindo rigor para não fechar um diagnóstico prematuro.

Secretariado

 Corre solto o lobby para que Zucco aproveite até mesmo gente que participa do atual governo Leite. É o caso dos padrinhos de Izabel Matte, que querem mantê-la na secretaria de Obras.


O deputado Guilherme Pasin é hoje o mais cotado para assumir a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, segundo informa, hoje, a editora de Política da RBS, Rosane Oliveira. Ele é ex-prefeito de Bento. Se Pasin for nomeado, assumirá o suplente da bancada estadual, Sandro Covatti, irmão da vice-governadora Silvana Covatti.

Rosane diz que a pasta também incluirá a área de turismo.

O PP, segundo informações do editor, também quer a secretaria da Agricultura, mas com porteira fechadas, ou seja, com quadros seus em todo o entorno da secretaria. A vice-governadora Silvana Covatti poderá voltar ao comando da Agricultura. Zucco resiste.

É praticamente certo que os deputados Claudio Branchieri e Capitão Martim, assumam a Fazenda a Defesa Civil, respectivamente. Também parecem certos Cesar Schirmer na Casa Civil, Cleber Benvegnu na Comunicação e Leonardo Pascoal no Planejamento. A secretaria da Educação irá para o paranaense Roni Miranda Vieira.

Sondagens para estatais também já acontecem. O advogado Sebastian Watengerg, por exemplo, foi convidado para uma diretoria do Banrisul.

Zucco faz campanha aberta na Grande Porto Alegre

 O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco está nas ruas da Grande Porto Alegre, desde segunda-feira, reunindo prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, líderes políticos e eleitores, inclusive nas ruas,  fazendo campanha aberta pelo candidato Flávio Bolsonaro.

Ontem - No final da tarde, bandeiraço e adesivaço no cruzamento das ruas João Corrêa e Independência, são Leopoldo. A mobilização durou mais de uma hora e contou com a presença do prefeito Heliomar.

Hoje - Bandeiraço e adesivaço no Calçadão de Novo Hamburgo, mais almoço com prefeitos dos vales do Sinos, Caí e Paranhana.  em Porto Alegre, com a presença da senadora Tereza Cristina (Progressistas). 

Quinta-feira (22) - Grande ato ao meio-dia na Esquina Democrática, no Centro de Porto Alegre. No final da tarde, Zucco tem previstas mobilizações em Alvorada, às 17h30, e em Viamão, às 18h45.

Sexta-feira - A  agenda prevê uma caminhada pelo Centro de Porto Alegre, passando pela região dos terminais de ônibus e da Rodoviária, a partir das 17h.

Sábado - Último dia de campanha, está programada uma grande motociata, com concentração às 14h30 no Sítio do Laçador, em Porto Alegre, e percurso em direção a Canoas. A mobilização terminará no Parcão, onde, a partir das 16h30, será realizado o "Bloco do 22", reunindo apoiadores e lideranças políticas no encerramento da campanha no Rio Grande do Sul.

Artigo, especial - A verdadeira face de uma doença chamada petismo

Durante a campanha eleitoral, o campo petista espalhou mentiras sobre o fim do Bolsa Família, da Farmácia Popular, da CLT e até do SUS. O medo foi a principal ferramenta eleitoral. E quando parece que a mentira é o limite, surge algo com um requinte de crueldade ainda maior.

No dia 18 de outubro, o youtuber Felca publicou:: “Eu me escondi por tempo demais”. Anunciou um vídeo para a madrugada do dia 20. Isso bastou para que parte da militância de esquerda decretasse que viria uma denúncia contra Flávio Bolsonaro, capaz de ajudar Lula no segundo turno. Influenciadores e celebridades comemoraram antes de saber do que se tratava.

O vídeo foi sobre outra coisa: “Fobia Social”. Felca falou do bullying que enfrenta desde os 12 anos, do diagnóstico de fobia social, dos períodos em que recorria ao álcool para conseguir sair de casa e do isolamento depois da repercussão de seu trabalho sobre a adultização de crianças. Ele escolheu falar de si, não de candidatos.

A reação do petismo foi, mais uma vez, reveladora. A suposta bomba eleitoral não veio e a expectativa se transformou em ataques irados. Nas redes sociais, insultos, acusações de narcisismo e tentativas de desqualificar o relato. Felipe Neto - aquele mesmo que mandava as pessoas ficarem em casa durante a pandemia enquanto jogava futebol - criticou a publicação e disparou suas ofensas. Houve ainda comentários que chegavam a sugerir suicídio.

Felca não prometeu apoio a candidatos nem denúncia eleitoral. A militância inventou uma história, acreditou nela e resolveu cobrar do personagem real o roteiro que havia escrito sozinha. 

Essa disposição para desumanizar o outro não nasceu nesta eleição. Na década passada, manifestações foram marcadas pela infiltração de black blocs e por episódios de depredação que transformaram protestos em cenas de violência. Mais recentemente, a Avenida Paulista voltou a registrar vandalismo após um ato de apoio a Lula. 

Nas ruas, a intolerância pode aparecer na destruição do patrimônio. Na internet, no linchamento virtual. 

O mais perturbador no episódio de Felca é a contradição. Não que surpreenda. Quem vive discursando sobre acolhimento e cuidado com saúde mental não conseguiu respeitar um depoimento sobre fobia social. Quem condena o bullying incentivou ou tolerou a humilhação de quem falava sobre isso. A empatia durou até o momento em que Felca deixou de ser útil. A dor de uma pessoa foi tratada como uma oportunidade desperdiçada de propaganda eleitoral, sem o menor constrangimento.

Há uma cultura de instrumentalização no petismo. Artistas precisam servir à campanha. Influenciadores precisam mobilizar seguidores. Jornalistas precisam confirmar expectativas. Até uma confissão íntima passa a ser avaliada pelo benefício que pode trazer a um candidato.

Não são todos os eleitores de Lula. É a militância que posa de humanitária enquanto trata pessoas como peças descartáveis.

Felca falou da própria dor. Não pediu voto, não atacou ninguém e não deu explicações a quem esperava uma denúncia política.

No fim, o vídeo revelou mais do que seus autores imaginavam. Felca expôs a fobia social que diz sofrer. Parte da militância petista expôs algo que deveria causar vergonha: a facilidade com que abandona qualquer princípio de humanidade quando não consegue tirar proveito político de alguém.