Artigo, Ricardo Breier - A toga não é salvo-conduto: o caso Banco Master e os limites do Supremo

Este artigo foi originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo

O autor é advogado, ex-presidente por duas vezes da OAB do RS e ex-diretor para defesa das prerrogativas dos advogados na OAB Nacional. 

A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira de Carnaval, mandados de busca contra agentes públicos de diferentes órgãos investigados por suposto vazamento de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal. A operação, autorizada pelo próprio tribunal que figura como interessado direto no caso, não investiga os vínculos financeiros entre magistrados da Corte e o Banco Master. Investiga quem os revelou. O dado não é apenas circunstancial. Ele revela um momento em que a reação institucional ao escrutínio público passa a ser tão relevante quanto os fatos que motivaram esse escrutínio.

Quando a mais alta instância do Judiciário mobiliza o aparato repressivo do Estado para alcançar aqueles que expõem informações que dizem respeito aos seus próprios integrantes, a questão que se coloca já não é apenas jurídica, mas republicana: quem controla o controlador? Em que medida a proteção da instituição pode se confundir com a proteção de seus membros? E a partir de que ponto a resposta estatal ao questionamento deixa de ser exercício legítimo de autoridade para se tornar mecanismo de dissuasão?

O caso Banco Master reúne elementos que qualquer democracia madura deveria tratar com máxima cautela: contratos superiores a cento e trinta milhões de reais envolvendo familiares de ministros do Supremo e um banco sob investigação criminal, um relator afastado após relatório da Polícia Federal apontar vínculos societários com o investigado e uma nota coletiva de solidariedade divulgada antes de qualquer apuração conclusiva. O tribunal que deveria julgar o escândalo passa, inevitavelmente, a ser percebido à luz dele.

Há uma diferença essencial entre proteger o sigilo fiscal de autoridades públicas e utilizar o poder estatal para restringir o acesso a informações de evidente interesse público. A primeira hipótese é garantia constitucional. A segunda se aproxima perigosamente de censura travestida de direito. Mais do que discutir a legalidade de medidas específicas, impõe-se perguntar que tipo de precedente institucional se constrói quando a transparência passa a ser tratada como ameaça.

Democracias não colapsam apenas por rupturas abruptas. Elas se deterioram quando a instituição que deveria funcionar como último freio ao poder se converte em uma fortaleza imune ao escrutínio que impõe a todos os demais cidadãos. O Supremo exige transparência dos outros Poderes, mas trata suas próprias crises éticas como matérias internas, resolvidas por consenso ou por meio de notas à imprensa.

O risco institucional que emerge desse cenário é significativo. Quando o mesmo órgão concentra a capacidade de investigar, julgar e decidir quem será protegido ou responsabilizado, sem mecanismos externos de controle efetivo, a separação de poderes deixa de operar como princípio republicano e passa a assumir contornos de ficção jurídica. Não se trata de desacreditar o Judiciário como um todo, mas de reconhecer que o Supremo, especificamente, ocupa hoje uma zona de baixa responsabilidade institucional que nenhuma democracia consolidada aceitaria sem questionamento.

A verdadeira defesa das instituições não se constrói pela blindagem, mas pela transparência. Se não há qualquer irregularidade nos vínculos entre ministros da Corte e o setor financeiro, que isso seja demonstrado com publicidade e rigor, e não por meio de operações dirigidas àqueles que trouxeram o tema ao debate público. A dúvida prolongada corrói a credibilidade institucional de forma mais profunda do que qualquer investigação conduzida às claras.

A força de uma Corte constitucional está na confiança que inspira, não na ausência de controle. Quando a transparência é substituída pela autodefesa institucional, o risco não é apenas reputacional, mas estrutural: perde-se a capacidade de distinguir autoridade de infalibilidade.


Raízen

 Com a crise, a Raízen passa a ser observada como termômetro para o setor de bioenergia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, nas últimas semanas, uma reunião em Brasília com executivos e representantes de empresas diretamente envolvidas nas negociações para socorrer a Raízen SA, uma das maiores produtoras globais de açúcar e etanol. O encontro contou com representantes dos co-controladores da Raízen, Cosan SA e Shell Plc, além de Banco BTG Pactual SA, e também com integrantes do governo. 

A Raizen tem endividamento aktíssimo e necessidade de caixa.

Uma das discussões foi passar a Raiaen para Petrobrás, que não quer o negócio. O BNDES, que recentemente botou meio bilhão em ações da empresa, também não quer botar mais dinheiro.

As alternativas discutidas, conforme o material, incluem possíveis injeções de capital e outras medidas para estabilizar o balanço da empresa.


 O prefeito Sebastiâo Melo será um dos palestrantes que daqui a pouco falarão na 5a. edição do Infra Sul GRI 2026, que  é o ponto de encontro dos líderes que constroem o futuro da infraestrutura no Sul do Brasil. Energia, saneamento, transportes e infraestrutura social estarão no centro dos debates. Nesta 5ª edição, a agenda de discussões visa oferecer visões que possam se transformar em projetos, conectando quem decide, financia e faz acontecer. O evento durará o dia todo no Moinhos de Vento.

CLIQUE AQUI para saber o que será discutido e quem falará

CPI do Crime Organizado chama Viviana e Moraes, Toffoli e irmãos, mais Vorcaro

As convocações e cnvites são inéditas na história do STF.

A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira, a convocação dos irmaos do ministro Dias Toffoli, José Carlos e José Eutênio, além de convite para depoimento da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. O banqueiro Daniel Vorcaro também foi convocado.

Todos terão que falar sobre o escândalo do Banco Master.

Os dois ministros foram também convidados.

A CPI resolveu igualmente quebrar o sigilo fiscal da Mardit, controladora do ressort Tayayá, da família Toffoli.

Artigo, Vitor Koch - A Torre Está de Pé — Por Quanto Tempo ?

A Torre de Babel não foi apenas uma construção; foi um projeto deliberado de poder. Movidos pela soberba, homens decidiram erguer uma estrutura que simbolizava centralização, controle e autossuficiência — uma ordem construída à margem de princípios superiores e limites morais.


A orientação era clara: espalhar-se e povoar a Terra. A escolha foi outra: concentrar forças, unificar discursos e consolidar domínio. A resposta veio na forma de confusão. A ruptura da comunicação impediu que a ambição coletiva avançasse sem freios.


A semelhança é inquietantemente atual.


Falamos o mesmo idioma, contudo, o Brasil atravessa um período de ruído institucional. Normas se acumulam, interpretações se contradizem e a previsibilidade do Direito se enfraquece. A insegurança jurídica deixou de ser percepção isolada e tornou-se fator estrutural. O resultado é retração de investimentos, crédito restritivo e desconfiança crescente.


O país encerrou 2025 e iniciou 2026 com mais de 73 milhões de inadimplentes — cerca de 44% da população adulta. Juros elevados, inflação persistente e renda pressionada comprimem famílias e empresas. O risco aumenta, o capital recua e o crescimento projetado torna-se insuficiente para responder às demandas sociais.


A crise, entretanto, é mais profunda do que os indicadores revelam.


Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, raramente se observou tamanho tensionamento entre os Três Poderes. A ampliação de protagonismos institucionais, decisões de forte impacto político e a fragilidade do diálogo republicano alimentam a percepção de desequilíbrio. Quando os limites se tornam elásticos, a estabilidade deixa de ser garantida.


A polarização ideológica substitui o debate técnico. A desinformação corrói a confiança. Mudanças sociais aceleradas ocorrem sem o necessário amadurecimento institucional. Ao mesmo tempo, a sensação de impunidade e a incapacidade estrutural de resposta penal reforçam o distanciamento entre Estado e sociedade.


Babel ensina que unidade sem fundamento ético não produz grandeza, produz dispersão. Estruturas podem ser imponentes, entretanto, se carecem de limites claros, tornam-se frágeis.


O Brasil não sofre por falta de capacidade; sofre pela erosão gradual da previsibilidade, da responsabilidade fiscal e do equilíbrio institucional.


É tempo de restaurar referências, reafirmar limites constitucionais e exigir maturidade dos que exercem poder. Não há estabilidade possível quando cada ator institucional redefine, a seu modo, as regras do jogo.


Torres erguidas sobre vaidade e voluntarismo não resistem. A história é clara — e implacável.


Época de transformar nosso Brasil, antes que Deus o faça, de forma impiedosa.


Vitor Augusto Koch

Administrador 

CRA/RS 042810

Artigo, Jerônimo Goergen - A crise do agro é estrutural e exige responsabilidade estratégica

Jerônimo Goergen é presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil - ACEBRA

A crise que hoje preocupa o agronegócio brasileiro não nasceu na safra 2024/25. Ela é resultado de um ciclo que começou ainda em 2020/21, quando o setor viveu margens extraordinárias impulsionadas por preços internacionais elevados, câmbio favorável e forte demanda global. Aquele momento gerou confiança, expansão de investimentos, aumento de área plantada, aquisição de máquinas, crescimento do crédito e maior alavancagem financeira.


Entre 2021/22 e 2022/23 o cenário ainda era positivo, mas os custos começaram a subir de forma consistente. Fertilizantes, defensivos, energia, logística, máquinas e principalmente o custo do capital passaram a pressionar o Custo Operacional Total. Criou-se uma nova estrutura de despesas que não retornou aos patamares anteriores, mesmo com a posterior normalização dos preços das commodities.


A partir de 2023/24 consolidou-se um ambiente de compressão de margens, redução da receita bruta e maior restrição de crédito, revelando fragilidades acumuladas ao longo do ciclo anterior. O produtor continuou eficiente dentro da porteira, mas passou a enfrentar um cenário financeiro cada vez mais apertado fora dela.


Nas safras 2024/25 e nas projeções para 2025/26, os dados analisados pelo especialista Leonardo Machado indicam aumento contínuo do Custo Operacional Total inclusive em áreas próprias, queda da receita bruta em grande parte dos estados do Centro-Oeste e margens mais estreitas. Mato Grosso do Sul aparece como exceção pontual, sustentado por valorização superior a oito por cento no preço da soja. Goiás mantém o maior custo de produção da região, mas compensa com produtividade elevada, preservando melhor margem líquida. Já Mato Grosso registra queda superior a quarenta por cento na margem líquida, refletindo o impacto simultâneo de alta de custos e retração de receita.


No caso do Rio Grande do Sul, o cenário se agrava ainda mais. Além da pressão de custos e da redução de margens, o estado enfrenta uma sequência de eventos climáticos extremos que variam entre enchentes severas e secas recorrentes. Essa instabilidade compromete produtividade, eleva riscos, aumenta o endividamento e reduz a capacidade de recuperação financeira do produtor, tornando o ambiente ainda mais desafiador.


O quadro geral deixa claro que não enfrentamos uma crise de produção. O produtor brasileiro segue altamente produtivo e tecnificado. O que enfrentamos é uma crise de rentabilidade e de estrutura financeira. Produz-se bem, mas ganha-se menos e com maior exposição ao risco.


O momento exige disciplina estratégica, gestão técnica, planejamento financeiro rigoroso, uso de instrumentos de proteção de preço e revisão criteriosa de investimentos. Também exige ambiente regulatório previsível e políticas de crédito alinhadas à realidade do setor, especialmente em regiões mais impactadas por eventos climáticos extremos.


Compreender que a crise é estrutural e não pontual é condição essencial para evitar diagnósticos superficiais e construir soluções duradouras para um segmento que permanece como um dos pilares da economia nacional, responsável por parcela relevante do PIB, das exportações e da geração de renda no Brasil.



Artigo, especial - O recado de Porecatu

Este material é do Observatório Brasil Soberano

Porecatu, norte do Paraná. 13 mil habitantes. Estrada de terra, poeira que gruda na roupa, sol que queima o asfalto. Cidade que sustenta o Brasil com suor de verdade: soja, gado, comércio pequeno, família que acorda antes do sol nascer pra botar comida na mesa. E mesmo assim, num bar simples chamado Espetininhos e Jantinha da Nimia, o povo se reuniu. Bandeira do Brasil, camisetas verde-amarelas encharcadas de chu va, trabalhadores com mão calejada, donas de casa com filho no colo, jovens que veem o futuro fugir. Sem evento patrocinado, sem drone filmando, sem influencer cobrando cachê. Era o Brasil real dizendo: "Aqui a gente não desiste”. Isso não é romantismo. É fato. Esses encontros acontecem em centenas de cidades esquecidas: em bares de esquina, em praças sem iluminação.. Gente que sente no bolso o preço de viver em um país que maltrata sua gente, que a conta de luz não baixa, que a violência chega perto de casa. Eles não querem discurso bonito de estúdio. Querem quem aparece, ouve, age. Querem lealdade que não some depois da eleição. E é exatamente isso que está sendo cobrado das "estrelas da direita": desçam do pedestal. Priorizam o "eu" acima do "nós": carreira própria, imagem imaculada, cargo garan tido, curtidas que massageiam o ego. Pensam primeiro em resolver a própria vida e esquecem que quem age assim não melhora a vida de ninguém além da própria. Quem se omite na hora de apoiar aliado, de demonstrar união sem medo de dividir holofote, de ouvir cobrança sem bloquear ou xingar... está dividindo o movimento na prática. Crítica não é traição. Debate interno não divide — fortalece. Quando o povo pergunta "cadê você aqui na base?", a resposta não pode ser bloqueio ou acusação de "divisor". Tem que ser trabalho, presença, ação. Representante de verdade absorve o questionamento como ferramenta pra melhorar, não como ameaça pessoal. No Paraná, o caminho certo está sendo mostrado: Filipe Barros rodando o estado sem parar, fortalecendo alianças, priorizando o projeto coletivo pro 2026; é sobre somar forças pra varrer retrocessos, apoiar o escolhido, valorizar o eleitor das pequenas cidades que decidem eleições. É política: lealdade, entrega, união estratégica que coloca o Brasil acima de qualquer biografia individual Enquanto isso, certas "estrelas" aparecem esporadicamente pra posar de salva dores e se irritam visceralmente com qualquer cobrança. Reagem com aspereza, bloqueios rápidos, narrativas de "estão dividindo a direita". Fragilidade pura: con fundem mandato com adoração incondicional. Esquecem que o povo não quer ídolo — quer representante que divide o holofote, soma esforços, coloca o bem comum acima do ego. O Brasil real já está vendo tudo. Milhares de Porecatus existem por aí: cidades que produzem, que pagam a conta do país, que querem seu Brasil de volta sem retro cesso. Elas estão enxergando quem puxa o arado pro mesmo lado — e quem só posa pra foto enquanto o outro lado avança.O recado é claro e urgente, especial mente agora, olhando pra 2026: Seja base de verdade: desça pro chão, ouça as ruas, apoie os aliados sem vaidade. Ou saia do caminho: pare de preservar o ego a custo do movimento. O "nós" tem que esmagar o "eu". Existem milhares de Porecatus no Brasil. Em todas, as pessoas também estão de olho em quem puxa o arado pro mesmo lado.