Dica do editor - Afinal, o autismo é evitável ou só pode ser minimizado drasticamente ?

Não existe uma cura ou forma de prevenir o autismo no sentido estrito, pois ele é uma condição neurobiológica com forte base genética. No entanto, estudos recentes indicam que intervenções precoces e cuidados na gestação podem alterar a trajetória do desenvolvimento em certos casos, reduzindo sintomas ou impedindo que traços de risco evoluam para um diagnóstico clínico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Aqui estão os pontos principais sobre as alegações científicas recentes:

1. Intervenção Precoce (Antes dos 3 Anos) 

Pesquisadores focam na "plasticidade cerebral" dos primeiros anos de vida. 

Redução da Severidade: Intervenções terapêuticas intensivas (fonaudiologia, terapia ocupacional, comportamental) antes dos 3 anos podem melhorar significativamente as habilidades sociais e de comunicação.

Mudança de Trajetória: Estudos mostraram que, com intervenção precoce em bebês de alto risco, alguns podem apresentar uma redução de sintomas tão significativa que não preenchem mais todos os critérios para o diagnóstico de TEA na idade escolar. 

2. Cuidados Pré-concepção e Gestação

Estudos sugerem que reduzir a exposição a fatores ambientais pode diminuir o risco, embora o fator genético seja predominante. 

Nutrição: Ingestão adequada de ácido fólico antes e durante a gravidez é associada à redução do risco.

Saúde Materna: Evitar infecções, controlar doenças crônicas (como diabetes) e minimizar a exposição a poluição/toxinas na gravidez podem influenciar positivamente o neurodesenvolvimento.

Idade dos Pais: A idade avançada dos pais aumenta o risco de mutações genéticas espontâneas (de novo), que não são herdadas diretamente, mas ocorrem no desenvolvimento do óvulo ou espermatozoide. 

3. O "Modelo de Três Golpes" (Pesquisa de 2026)

Um estudo recente propôs uma teoria onde o autismo pode ser evitado em até 50% dos casos se fatores de risco forem manejados: 

A "Combinação": Suscetibilidade genética + exposição a fatores ambientais (como toxinas) + estresse fisiológico prolongado.

Abordagem: O foco é identificar o risco cedo através de marcadores biológicos (exames de sangue, autoanticorpos) e agir terapeuticamente antes que o TEA se consolide. 

O que é importante saber:

Não é "reversão": A maioria dos especialistas fala em "melhorar o prognóstico" e dar qualidade de vida, e não em "curar" ou "apagar" o autismo.

O fator genético prevalece: Para a maioria dos autistas, o componente genético está presente e não é "evitável".

 Prevenção: As intervenções precoces focam em dar suporte, e não em "eliminar" o autismo da criança. 

Em resumo: A ciência atual busca formas de reduzir o risco e minimizar a intensidade dos sintomas através de cuidados pré-natais e intervenção precoce, mudando a trajetória do desenvolvimento de certas crianças, mas não "evitando" a condição como se evita uma doença infecciosa.

Artigo, Hamilton Mourão - A presença de brasileiros na Guerra da Ucrânia

Hamilton Mourão é senador e general. Este artigo está publicado no Estadão de hoje.

O idealismo e a coragem física, embora respeitáveis, não podem substituir a responsabilidade institucional do Estado e, nessa direção, a guerra da Ucrânia é um alerta duro sobre os rumos do sistema internacional e sobre a necessidade de se pensar e se investir nas capacidades de defesa.

Depois da 2ª Guerra Mundial, a atual guerra em curso no Leste Europeu é um dos episódios mais graves do cenário geopolítico desde o final da Guerra Fria. A criminosa invasão da Ucrânia pela Federação Russa recolocou no centro do debate temas como a capacidade dos organismos internacionais, a relativização da soberania nacional, a autodeterminação dos povos e os limites do uso da força nas relações internacionais. Mas além desse espectro, pouco a pouco nos chama a atenção o incremento numérico da presença de brasileiros que, de forma voluntária, e por vezes até iludidos, aceitam o recrutamento e decidem viajar para atuar no conflito. O que busco aqui não é polemizar, mas sim lançar luzes sobre o fenômeno dos voluntários brasileiros, seus reflexos e possíveis consequências. Destarte, é preciso separar a emoção para não contaminar a lente de uma análise fenomenológica em nível mais estratégico. Por força constitucional e pelo histórico consuetudinário do “modus operandi” de nossa diplomacia, vemos que o Brasil é um país comprometido com a solução pacífica de controvérsias. Não somos, por natureza, uma nação beligerante e nem tínhamos a tradição de exportar combatentes para conflitos externos. Agora, com a hiper conectividade que marca nosso mundo, vivemos uma realidade onde indivíduos, movidos por motivações distintas (convicções ideológicas, necessidade financeira, valores pessoais ou até expectativas equivocadas) tomam decisões de alto risco sem qualquer mediação ou orientação do Estado brasileiro. continua após a publicidade É certo que, na guerra da Ucrânia, os brasileiros que se alistam como voluntários não representam a posição oficial do nosso País, agindo por conta própria e assumindo, individualmente, as consequências incertas de suas escolhas. Não é exagero dizer que muitos o fazem movidos por uma percepção genuína de solidariedade a um povo que resiste à invasão injusta de seu território. Outros, infelizmente, podem ser atraídos por narrativas romantizadas da guerra, sem plena consciência de sua brutalidade, de seus custos humanos e de suas implicações jurídicas. Há, ainda, um aspecto humano que não pode ser ignorado. A guerra não se assemelha aos discursos inflamados das redes sociais; pois produz mortos, mutilados, traumas psicológicos profundos e famílias destruídas. Muitos desses voluntários, quando e se retornarem, voltarão marcados para o resto da vida. Assim, é dever do Estado buscar informações, prevenir-se e, dentro dos limites legais, orientar seus cidadãos para que não se lancem, de forma inconsequente, em uma aventura macabra. Como senador da República, cumpre-me analisar e avaliar qual seria a postura cabível e responsável do Estado brasileiro face a essa realidade. É certo, também, que esse movimento deva ser monitorado pela inteligência de Estado, que precisa saber quem são essas pessoas e o que farão quando retornarem ao Brasil. Não se trata de criminalizar automaticamente esses cidadãos, mas sim de perceber que esses voluntários, ao retornar, poderão sofrer de stress pós traumático, poderão ser cooptados por organizações criminosas e poderão, inclusive, ter vínculos internacionais de caráter suspeito. continua após a publicidade Plumasul R$ 180,82 Travesseiro de Fibra Siliconizada Toque de Pluma Branco 50X70cm Saber mais Além das necessidades da inteligência, o Brasil precisa pensar e avançar no que tange aos sérios riscos legais, diplomáticos e pessoais desse fenômeno. Não se trata de dizer que o Brasil pode ser arrastado, ainda que indiretamente, para uma guerra que não é sua, mas sim de não permitir que ações individuais comprometam a segurança interna e nossa tradicional posição de equilíbrio e diálogo. Por derradeiro, é fundamental e urgente pensarmos no fenômeno dos brasileiros que estão lutando na Ucrânia e nos reflexos futuros dessa realidade. O idealismo e a coragem física, embora respeitáveis, não podem substituir a responsabilidade institucional do Estado e, nessa direção, a guerra da Ucrânia é um alerta duro sobre os rumos do sistema internacional e sobre a necessidade de se pensar e se investir nas capacidades de defesa. Tudo Sobre Ucrânia [Europa] 

Vem aí um Super El Niño ?

Análises recentes dos principais institutos de meteorologia indicam o retorno do fenômeno El Niño em 2026, com início rápido e potencial para ser de intensidade moderada a forte.Espera-se um rápido aquecimento das águas do Pacífico entre maio e julho de 2026, com efeitos significativos no clima a partir de meados do ano. Projeções mostram que o El Niño pode se intensificar entre agosto e outubro, gerando chuvas torrenciais no Sul do Brasil e Argentina.

Comparações com anos anteriores geram preocupação sobre um aquecimento global acentuado, com potenciais eventos extremos de chuva no segundo semestre de 2026 e início de 2027. 

Enquanto o excesso de chuva pode beneficiar algumas culturas, o excesso de umidade no Sul pode causar quebras de safra.

O padrão de chuvas pode impactar o nível dos reservatórios e, consequentemente, o preço da energia. 

Fetransul apresenta pesquisa com usuários sobre concessões rodoviárias

A Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul) apresenta, na próxima semana, os resultados de uma pesquisa realizada com motoristas de caminhão e de automóveis que utilizam os trechos rodoviários incluídos nos Blocos 1 e 2 das concessões estaduais. O estudo reúne a percepção direta dos usuários sobre temas estratégicos para a infraestrutura viária do Rio Grande do Sul.

O levantamento aborda a qualidade da infraestrutura existente, o modelo de cobrança proposto, os impactos logísticos para o transporte de cargas, a segurança viária e os efeitos na competitividade econômica. Os dados oferecem uma leitura técnica sobre como os projetos de concessão são avaliados por quem utiliza diariamente essas rodovias.

Durante o encontro, a Fetransul também apresentará seu posicionamento institucional em relação aos projetos de concessão, com destaque para os principais pontos de atenção identificados pelo setor produtivo. A análise busca contribuir de forma objetiva para o debate público sobre investimentos, eficiência logística e desenvolvimento regional.

A apresentação ocorre no dia 23 de fevereiro, às 10h, na sede da entidade, localizada na Avenida Carlos Gomes, 651, bairro Auxiliadora, em Porto Alegre. A atividade é direcionada à imprensa e a representantes interessados no tema da infraestrutura rodoviária no Estado.


CONTEXTO — A pesquisa integra o esforço da Fetransul de contribuir tecnicamente para a qualificação do debate público sobre logística, infraestrutura rodoviária e desenvolvimento econômico no Rio Grande do Sul. A participação da imprensa é considerada essencial para ampliar a transparência das informações e fortalecer a discussão sobre o futuro das rodovias gaúchas.

Artigo, Santiago Dussan - Anseio por um Bukele na Colômbia

Este artigo foi originalmente publicado no Instituto Juan de Mariana.

A Colômbia está mergulhada em uma crise evidente. Nada de novo sob o sol. Do ponto de vista econômico, o último dado de crescimento é de 0,6%, embora isso não deva surpreender ninguém. A única coisa que o governo de Petro fez até agora foi deixar clara sua intenção de asfixiar boa parte do esforço privado para superar a pobreza, o que, somado ao efeito regressivo de medidas regulatórias adotadas durante o governo anterior, torna ainda mais palpável a sensação de desesperança.


Por outro lado, a imensa maioria dos habitantes do país se sente à mercê dos criminosos comuns, verdadeiras empresas criminosas que desafiam o monopólio de expropriação do próprio estado e que crescem cada vez mais em número e em ousadia. Isso pode ser compreendido, por um lado, pela incapacidade dos indivíduos de se defenderem de forma privada, dado que não existem serviços privados de segurança eficazes e o porte de armas é severamente restringido, e, por outro lado, porque está se tornando cada vez mais atraente, para um número crescente de indivíduos, obter riqueza mais por meio da apropriação violenta do que da criação produtiva. Diante desse estado de coisas, os colombianos começam a olhar para outros países da América Latina onde se experimentam novas estratégias para combater um ou ambos os problemas.


Colômbia e a segurança que não existe

Não creio que isso seja apenas uma impressão, mas sim uma realidade: apenas uma minoria se pergunta quem será o Milei colombiano. Quem é capaz, com uma elevada compreensão do que é o mercado, de como ele funciona, de como ele é destruído e quais são os efeitos dessa destruição, e de como reverter tais medidas para, então, começar a prestar atenção quando decidir falar? Sinceramente, e com pesar, acredito que não há um Milei colombiano, ao menos não por agora.


Para os colombianos, ao que me parece, um personagem como Milei não é tão urgente, uma vez que a Colômbia não é a Argentina, ainda. Não creio que Javier Milei tivesse alcançado tamanho avanço e tamanha atenção dos indivíduos sem uma inflação como a que a Argentina enfrentou, praticamente beirando a hiperinflação; nem tampouco sem um estancamento econômico tão generalizado quanto o que esse país vem sofrendo há décadas. Na Colômbia, arrisco dizer, a maior preocupação na mente das pessoas é a segurança, ou, melhor dizendo, a falta dela nas ruas, dentro das casas, nas cidades, nas áreas rurais, em todos os lugares.


Restaurar a segurança

É bastante comum, diante do aumento da criminalidade nas cidades, que o porte de qualquer tipo de bem, celulares, relógios etc., esteja associado a uma probabilidade relativamente alta de expropriação. O avanço de diferentes grupos subversivos também promete, em um futuro próximo, uma maior quantidade de deslocamentos forçados. Creio que, diante disso, a pergunta que os indivíduos se fazem não é quem será o Milei colombiano, mas sim quem será capaz de utilizar o estado da maneira mais eficaz possível para limitar e reduzir a violência privada na Colômbia.


O que as pessoas se perguntam nas ruas é quem será o deus ex machina que, no último momento e com um triunfo retumbante, chegará para restaurar a tranquilidade de poder voltar a percorrer as estradas sem medo de ser sequestrado; ou de sair para caminhar sem ser assaltado. Diante disso, as pessoas se perguntam: quem será o Bukele colombiano?


O El Salvador de Bukele

Nayib Bukele é presidente de El Salvador desde 2019. Ele é conhecido por seu estilo carismático, sua abordagem jovem nas redes sociais e sua imagem de líder jovem e moderno. Antes de sua presidência, foi prefeito da cidade de San Salvador, onde implementou programas de segurança e de desenvolvimento urbano. Bukele, claramente um populista, gerou controvérsia por suas ações, incluindo confrontos com o Poder Judiciário e o uso da força militar para enfrentar a criminalidade.


Após um ano de estado de emergência, período durante o qual o estado tem a faculdade de restringir os direitos de associação, intervir nas comunicações telefônicas e deter suspeitos por longos períodos sem apresentar acusações, a taxa de homicídios por cem mil habitantes experimentou uma queda drástica, passando de 35,8 em 2019 para 7,8 em 2022. E, sem que isso nos surpreenda muito, durante esse mesmo período o número de pessoas encarceradas aumentou significativamente, passando de 39.646 em 2018 para 97.525 em 2022.


Redução dos homicídios em 78%

Essa redução dos homicídios em uma taxa nada desprezível de aproximadamente 78% foi o resultado de um plano ambicioso por parte de Bukele, colocado em prática quase imediatamente após sua chegada ao poder. A chave desse processo foi a mobilização de recursos. Nas etapas iniciais, o plano de segurança de Bukele conseguiu obter apoio suficiente para mobilizar os recursos necessários por meio de práticas cada vez mais autoritárias.


Por exemplo, desde as eleições legislativas de 2021, Bukele assegurou o controle de pelo menos 64 dos 84 assentos da Assembleia Legislativa, o que lhe permitiu aumentar consideravelmente os gastos com segurança sem encontrar grande resistência. Além disso, Bukele exerce influência sobre a Corte Suprema de Justiça, o que lhe permitiu, ao menos temporariamente, evitar possíveis acusações relacionadas à implementação de seu plano de segurança.


Especificamente, a administração de Bukele elevou os gastos com segurança pública e defesa nacional de uma média anual de US$ 573.136.399 durante o governo de Salvador Sánchez Cerén para US$ 838.450.000, o que representa um aumento de 46,39%. Esse incremento é ainda maior se levado em conta o recente emprego das forças armadas em tarefas de segurança pública.


O que se espera de um estado: produção de segurança

Que um estado, como El Salvador, transfira, diante dos males existentes, o consumo privado para o consumo de fatores de produção destinados à produção da defesa sob seu controle e que, com isso, reduza aquilo que se conhece como crime comum não deveria causar surpresa.


A segurança é um dos monopólios mais caros do estado — e não é gratuita. Mais ainda, o estado pode ser concebido como o monopólio da violência, uma definição amplamente aceita no âmbito do libertarianismo. O estado não é nada além disso: um grupo minoritário de indivíduos que, por meio do monopólio da força que conquistou, extrai riqueza da maioria dos indivíduos que compõem a sociedade, contando, no mínimo, com a aceitação passiva e resignada dessa maioria.


Com a única exceção, talvez, da criação dos Estados Unidos, nenhum estado foi criado para produzir bens públicos, controlar externalidades ou subsidiar bailes populares que deveriam acabar. Apesar de todas as teorias que justificam a existência do estado como condição para a produção de certos benefícios aos cidadãos, nenhum estado foi criado para produzir tais benefícios. Pelo contrário, o estado foi criado como um meio de governar os indivíduos, possibilitando a extração forçada de recursos de seus bolsos.


Uma realidade hobbesiana?

Na desordem descrita por Hobbes, na qual o direito natural dos homens é controlar tudo aquilo que desejarem, a vida se transforma em uma guerra de todos contra todos, desagradável, brutal e breve. Os fortes dominam os fracos, arrebatando-lhes tudo o que possuem, mas os próprios fortes não prosperam na anarquia hobbesiana, pois há pouco a ser tomado. Ninguém produz quando o produto certamente lhe será tomado. Mesmo sob condições mais ordenadas do que a cena hobbesiana, a depredação apresenta um benefício limitado, porque as pessoas que acumularam ativos resistem pela força àqueles que tentam saqueá-las, e as batalhas resultantes consomem recursos tanto dos predadores quanto das vítimas.


A bandidagem desorganizada gera uma situação em que ninguém prospera, porque ninguém tem incentivo para ser produtivo. Se os predadores conseguem se organizar, podem evoluir para pequenas máfias capazes de oferecer certo grau de proteção a seus clientes. Essa evolução criará uma sociedade mais produtiva, com maior renda tanto para os predadores quanto para suas presas, mas as máfias terão de limitar sua apropriação para que esse resultado se concretize. Se a máfia consegue assegurar a seus clientes que, em troca de um pagamento, eles estarão protegidos de outros predadores e poderão conservar uma parte substancial do que produzem, a produção aumentará e a renda de todos poderá crescer. No entanto, as perdas decorrentes das rivalidades entre máfias continuarão a ser suportadas, já que máfias concorrentes têm incentivos para saquear indivíduos que não contratam com elas.


Da máfia ao estado

Se as máfias se organizarem ainda melhor, podem se estabelecer como um estado. Os predadores têm todos os incentivos para deixar de operar como bandidos e passar a operar como estados, porque os bandidos não conseguem garantir para si mesmos um fluxo de receitas de longo prazo proveniente da depredação e porque, quando a bandidagem é desenfreada, as pessoas têm pouco incentivo para produzir riqueza. Os estados tentam convencer os indivíduos de que limitarão sua apropriação e que protegerão seus cidadãos, a fim de fornecer a esses cidadãos um incentivo para produzir. Os estados obtêm mais receitas do que os bandidos porque podem permanecer em um território e receber um fluxo constante de rendas, em vez de saquear uma vez e depois ir embora. Em tal situação, os indivíduos também ganham, de certa forma.


Em resumo, o monopólio que o estado detém sobre a produção de segurança é apenas o resultado de um processo por meio do qual o grupo criminoso do estado adquiriu meios suficientes para proteger seus súditos da concorrência, na expropriação, de outros grupos criminosos, reduzindo a probabilidade de que as receitas obtidas por esse meio diminuam no futuro. O monopólio estatal sobre a produção de segurança é desenhado para reduzir as unidades marginais de crime, de modo que reste apenas um único crime sistemático, com um único ofertante.


El Salvador: a certeza de uma menor liberdade

Assim, sendo a vocação do estado, e de quem o comanda, a de ampliar a segurança estatal para eliminar a concorrência no espólio da riqueza criada pela maioria, Nayib Bukele fez jus a esse papel, recriando-o com carisma estelar. Não sendo alheio ao apelo de aumentar impostos, com a exceção de reduzi-los para inovações tecnológicas, o que seguramente tem relação com aplicativos de iPhone e similares, a arrecadação tributária corrente sob Bukele passou de 18,1% do PIB para 19,4% em 2021 (sendo que, na Colômbia, em 2021, de 14,4%).


O papel crescente da intervenção do estado em El Salvador, sobretudo impulsionado pelo aumento do gasto público destinado à produção de segurança, o que, logicamente, leva os indivíduos a pagarem seus impostos com maior diligência, reflete-se na redução de sua liberdade econômica. Assim, no mais recente índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, Bukele, o “salvador”, conseguiu reduzir a pontuação do país de 61,8 para 56 (sendo a da Suíça, considerada mais livre, 83,8; e a da Colômbia, 63,1).


Quem será o Bukele colombiano nas próximas eleições?

Antes de tudo, resta-nos, então, contemplar a pergunta que hoje se faz nas ruas das cidades colombianas, bem como de forma esporádica em certos meios de comunicação: quem, se é que alguém, será o Bukele colombiano?


Vejamos…


Em um país como a Colômbia, onde todos os partidos políticos têm o estado como a única fonte possível de ordem e de prosperidade econômica; onde a noção da superioridade ética e moral da economia de mercado é descartada como uma piada de mau gosto; onde toda a estratégia política se reduz a abastecer com combustível, de preferência verde, a furiosa locomotiva estatal; e onde aquilo que se apresenta como oposição propõe medidas que os socialistas da Alemanha têm como padrão em suas plataformas programáticas. Na Colômbia, o partido no poder não poupa esforços para demonstrar seu mais latente ódio à liberdade individual.


Quem será o próximo apaixonado pelo poder, que buscará apenas aumentá-lo cada vez mais, contribuindo para a tendência natural do estado de concentrar-se cada vez mais em uma única pessoa, sufocando ainda mais a iniciativa privada do processo de mercado? Qualquer um. Qualquer um quer ser Bukele. Todos sonham com esse papel. Atire-se uma pedra e, com toda certeza, veremos alguém levantar a mão com um fio de sangue na testa.


A pergunta, então, não se reduz àquela, mas a quem será capaz de pintar o cabelo de preto azeviche e de organizar um concurso internacional de beleza. E é aí que encontramos os de sempre, amigos da mesma hipocrisia, que vão de Álvaro Uribe a Gustavo Petro: amigos na oposição essencial à liberdade e no amor adolescente pelo poder estatal.


Este artigo foi originalmente publicado no Instituto Juan de Mariana.

Santiago Dussan 21 de fevereiro de 2026


Nota da edição:


O texto a seguir, apesar de pertinente para discussões sobre a violência na América Latina, traz uma visão estatista sobre a segurança pública, como se esta pudesse apenas ser fornecida pelo estado. Para uma argumentação mais condizente com a visão austro-libertária sobre o assunto recomendamos o texto “A produção privada de serviços de segurança” disponível em nosso site.


A Colômbia está mergulhada em uma crise evidente. Nada de novo sob o sol. Do ponto de vista econômico, o último dado de crescimento é de 0,6%, embora isso não deva surpreender ninguém. A única coisa que o governo de Petro fez até agora foi deixar clara sua intenção de asfixiar boa parte do esforço privado para superar a pobreza, o que, somado ao efeito regressivo de medidas regulatórias adotadas durante o governo anterior, torna ainda mais palpável a sensação de desesperança.


Por outro lado, a imensa maioria dos habitantes do país se sente à mercê dos criminosos comuns, verdadeiras empresas criminosas que desafiam o monopólio de expropriação do próprio estado e que crescem cada vez mais em número e em ousadia. Isso pode ser compreendido, por um lado, pela incapacidade dos indivíduos de se defenderem de forma privada, dado que não existem serviços privados de segurança eficazes e o porte de armas é severamente restringido, e, por outro lado, porque está se tornando cada vez mais atraente, para um número crescente de indivíduos, obter riqueza mais por meio da apropriação violenta do que da criação produtiva. Diante desse estado de coisas, os colombianos começam a olhar para outros países da América Latina onde se experimentam novas estratégias para combater um ou ambos os problemas.


Colômbia e a segurança que não existe

Não creio que isso seja apenas uma impressão, mas sim uma realidade: apenas uma minoria se pergunta quem será o Milei colombiano. Quem é capaz, com uma elevada compreensão do que é o mercado, de como ele funciona, de como ele é destruído e quais são os efeitos dessa destruição, e de como reverter tais medidas para, então, começar a prestar atenção quando decidir falar? Sinceramente, e com pesar, acredito que não há um Milei colombiano, ao menos não por agora.


Para os colombianos, ao que me parece, um personagem como Milei não é tão urgente, uma vez que a Colômbia não é a Argentina, ainda. Não creio que Javier Milei tivesse alcançado tamanho avanço e tamanha atenção dos indivíduos sem uma inflação como a que a Argentina enfrentou, praticamente beirando a hiperinflação; nem tampouco sem um estancamento econômico tão generalizado quanto o que esse país vem sofrendo há décadas. Na Colômbia, arrisco dizer, a maior preocupação na mente das pessoas é a segurança, ou, melhor dizendo, a falta dela nas ruas, dentro das casas, nas cidades, nas áreas rurais, em todos os lugares.


Restaurar a segurança

É bastante comum, diante do aumento da criminalidade nas cidades, que o porte de qualquer tipo de bem, celulares, relógios etc., esteja associado a uma probabilidade relativamente alta de expropriação. O avanço de diferentes grupos subversivos também promete, em um futuro próximo, uma maior quantidade de deslocamentos forçados. Creio que, diante disso, a pergunta que os indivíduos se fazem não é quem será o Milei colombiano, mas sim quem será capaz de utilizar o estado da maneira mais eficaz possível para limitar e reduzir a violência privada na Colômbia.


O que as pessoas se perguntam nas ruas é quem será o deus ex machina que, no último momento e com um triunfo retumbante, chegará para restaurar a tranquilidade de poder voltar a percorrer as estradas sem medo de ser sequestrado; ou de sair para caminhar sem ser assaltado. Diante disso, as pessoas se perguntam: quem será o Bukele colombiano?


O El Salvador de Bukele

Nayib Bukele é presidente de El Salvador desde 2019. Ele é conhecido por seu estilo carismático, sua abordagem jovem nas redes sociais e sua imagem de líder jovem e moderno. Antes de sua presidência, foi prefeito da cidade de San Salvador, onde implementou programas de segurança e de desenvolvimento urbano. Bukele, claramente um populista, gerou controvérsia por suas ações, incluindo confrontos com o Poder Judiciário e o uso da força militar para enfrentar a criminalidade.


Após um ano de estado de emergência, período durante o qual o estado tem a faculdade de restringir os direitos de associação, intervir nas comunicações telefônicas e deter suspeitos por longos períodos sem apresentar acusações, a taxa de homicídios por cem mil habitantes experimentou uma queda drástica, passando de 35,8 em 2019 para 7,8 em 2022. E, sem que isso nos surpreenda muito, durante esse mesmo período o número de pessoas encarceradas aumentou significativamente, passando de 39.646 em 2018 para 97.525 em 2022.


Redução dos homicídios em 78%

Essa redução dos homicídios em uma taxa nada desprezível de aproximadamente 78% foi o resultado de um plano ambicioso por parte de Bukele, colocado em prática quase imediatamente após sua chegada ao poder. A chave desse processo foi a mobilização de recursos. Nas etapas iniciais, o plano de segurança de Bukele conseguiu obter apoio suficiente para mobilizar os recursos necessários por meio de práticas cada vez mais autoritárias.


Por exemplo, desde as eleições legislativas de 2021, Bukele assegurou o controle de pelo menos 64 dos 84 assentos da Assembleia Legislativa, o que lhe permitiu aumentar consideravelmente os gastos com segurança sem encontrar grande resistência. Além disso, Bukele exerce influência sobre a Corte Suprema de Justiça, o que lhe permitiu, ao menos temporariamente, evitar possíveis acusações relacionadas à implementação de seu plano de segurança.


Especificamente, a administração de Bukele elevou os gastos com segurança pública e defesa nacional de uma média anual de US$ 573.136.399 durante o governo de Salvador Sánchez Cerén para US$ 838.450.000, o que representa um aumento de 46,39%. Esse incremento é ainda maior se levado em conta o recente emprego das forças armadas em tarefas de segurança pública.


O que se espera de um estado: produção de segurança

Que um estado, como El Salvador, transfira, diante dos males existentes, o consumo privado para o consumo de fatores de produção destinados à produção da defesa sob seu controle e que, com isso, reduza aquilo que se conhece como crime comum não deveria causar surpresa.


A segurança é um dos monopólios mais caros do estado — e não é gratuita. Mais ainda, o estado pode ser concebido como o monopólio da violência, uma definição amplamente aceita no âmbito do libertarianismo. O estado não é nada além disso: um grupo minoritário de indivíduos que, por meio do monopólio da força que conquistou, extrai riqueza da maioria dos indivíduos que compõem a sociedade, contando, no mínimo, com a aceitação passiva e resignada dessa maioria.


Com a única exceção, talvez, da criação dos Estados Unidos, nenhum estado foi criado para produzir bens públicos, controlar externalidades ou subsidiar bailes populares que deveriam acabar. Apesar de todas as teorias que justificam a existência do estado como condição para a produção de certos benefícios aos cidadãos, nenhum estado foi criado para produzir tais benefícios. Pelo contrário, o estado foi criado como um meio de governar os indivíduos, possibilitando a extração forçada de recursos de seus bolsos.


Uma realidade hobbesiana?

Na desordem descrita por Hobbes, na qual o direito natural dos homens é controlar tudo aquilo que desejarem, a vida se transforma em uma guerra de todos contra todos, desagradável, brutal e breve. Os fortes dominam os fracos, arrebatando-lhes tudo o que possuem, mas os próprios fortes não prosperam na anarquia hobbesiana, pois há pouco a ser tomado. Ninguém produz quando o produto certamente lhe será tomado. Mesmo sob condições mais ordenadas do que a cena hobbesiana, a depredação apresenta um benefício limitado, porque as pessoas que acumularam ativos resistem pela força àqueles que tentam saqueá-las, e as batalhas resultantes consomem recursos tanto dos predadores quanto das vítimas.


A bandidagem desorganizada gera uma situação em que ninguém prospera, porque ninguém tem incentivo para ser produtivo. Se os predadores conseguem se organizar, podem evoluir para pequenas máfias capazes de oferecer certo grau de proteção a seus clientes. Essa evolução criará uma sociedade mais produtiva, com maior renda tanto para os predadores quanto para suas presas, mas as máfias terão de limitar sua apropriação para que esse resultado se concretize. Se a máfia consegue assegurar a seus clientes que, em troca de um pagamento, eles estarão protegidos de outros predadores e poderão conservar uma parte substancial do que produzem, a produção aumentará e a renda de todos poderá crescer. No entanto, as perdas decorrentes das rivalidades entre máfias continuarão a ser suportadas, já que máfias concorrentes têm incentivos para saquear indivíduos que não contratam com elas.


Da máfia ao estado

Se as máfias se organizarem ainda melhor, podem se estabelecer como um estado. Os predadores têm todos os incentivos para deixar de operar como bandidos e passar a operar como estados, porque os bandidos não conseguem garantir para si mesmos um fluxo de receitas de longo prazo proveniente da depredação e porque, quando a bandidagem é desenfreada, as pessoas têm pouco incentivo para produzir riqueza. Os estados tentam convencer os indivíduos de que limitarão sua apropriação e que protegerão seus cidadãos, a fim de fornecer a esses cidadãos um incentivo para produzir. Os estados obtêm mais receitas do que os bandidos porque podem permanecer em um território e receber um fluxo constante de rendas, em vez de saquear uma vez e depois ir embora. Em tal situação, os indivíduos também ganham, de certa forma.


Em resumo, o monopólio que o estado detém sobre a produção de segurança é apenas o resultado de um processo por meio do qual o grupo criminoso do estado adquiriu meios suficientes para proteger seus súditos da concorrência, na expropriação, de outros grupos criminosos, reduzindo a probabilidade de que as receitas obtidas por esse meio diminuam no futuro. O monopólio estatal sobre a produção de segurança é desenhado para reduzir as unidades marginais de crime, de modo que reste apenas um único crime sistemático, com um único ofertante.


El Salvador: a certeza de uma menor liberdade

Assim, sendo a vocação do estado, e de quem o comanda, a de ampliar a segurança estatal para eliminar a concorrência no espólio da riqueza criada pela maioria, Nayib Bukele fez jus a esse papel, recriando-o com carisma estelar. Não sendo alheio ao apelo de aumentar impostos, com a exceção de reduzi-los para inovações tecnológicas, o que seguramente tem relação com aplicativos de iPhone e similares, a arrecadação tributária corrente sob Bukele passou de 18,1% do PIB para 19,4% em 2021 (sendo que, na Colômbia, em 2021, de 14,4%).


O papel crescente da intervenção do estado em El Salvador, sobretudo impulsionado pelo aumento do gasto público destinado à produção de segurança, o que, logicamente, leva os indivíduos a pagarem seus impostos com maior diligência, reflete-se na redução de sua liberdade econômica. Assim, no mais recente índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, Bukele, o “salvador”, conseguiu reduzir a pontuação do país de 61,8 para 56 (sendo a da Suíça, considerada mais livre, 83,8; e a da Colômbia, 63,1).


Quem será o Bukele colombiano nas próximas eleições?

Antes de tudo, resta-nos, então, contemplar a pergunta que hoje se faz nas ruas das cidades colombianas, bem como de forma esporádica em certos meios de comunicação: quem, se é que alguém, será o Bukele colombiano?


Vejamos…


Em um país como a Colômbia, onde todos os partidos políticos têm o estado como a única fonte possível de ordem e de prosperidade econômica; onde a noção da superioridade ética e moral da economia de mercado é descartada como uma piada de mau gosto; onde toda a estratégia política se reduz a abastecer com combustível, de preferência verde, a furiosa locomotiva estatal; e onde aquilo que se apresenta como oposição propõe medidas que os socialistas da Alemanha têm como padrão em suas plataformas programáticas. Na Colômbia, o partido no poder não poupa esforços para demonstrar seu mais latente ódio à liberdade individual.


Quem será o próximo apaixonado pelo poder, que buscará apenas aumentá-lo cada vez mais, contribuindo para a tendência natural do estado de concentrar-se cada vez mais em uma única pessoa, sufocando ainda mais a iniciativa privada do processo de mercado? Qualquer um. Qualquer um quer ser Bukele. Todos sonham com esse papel. Atire-se uma pedra e, com toda certeza, veremos alguém levantar a mão com um fio de sangue na testa.


A pergunta, então, não se reduz àquela, mas a quem será capaz de pintar o cabelo de preto azeviche e de organizar um concurso internacional de beleza. E é aí que encontramos os de sempre, amigos da mesma hipocrisia, que vão de Álvaro Uribe a Gustavo Petro: amigos na oposição essencial à liberdade e no amor adolescente pelo poder estatal.



Acima da Direita e da Esquerda, o STF precisa voltar à caixinha da Constituição

Muito além da disputa ideológica que tenta reduzir qualquer crítica ao Supremo Tribunal Federal a um embate entre Direita e Esquerda, os fatos recentes exigem uma reflexão mais profunda. As revelações sobre a proximidade de ministros da Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro, em meio às controvérsias envolvendo o Banco Master, lançam sombras que não podem ser ignoradas. Não se trata de prejulgamento, mas de reconhecer que a aparência de independência é tão relevante quanto a independência em si. Quando a mais alta Corte do país se vê associada a episódios cercados de questionamentos, o dano institucional ultrapassa qualquer narrativa partidária.


A reação institucional veio com a proposta do presidente do Supremo, ministro Luiz Edson Fachin, de instituir um código de conduta específico para os membros da Corte. A iniciativa é necessária, ainda que tardia. Tribunais de justiça estaduais e cortes superiores já adotam normas dessa natureza, aplicáveis inclusive a magistrados de primeiro grau. Não há inovação alguma na ideia, apenas o reconhecimento de que regras claras são instrumento de proteção da própria instituição. Transparência não fragiliza o Judiciário, ao contrário, o fortalece.


O problema maior não está apenas em encontros ou relações sociais, mas na crescente percepção de que o Supremo tem extrapolado os limites que lhe foram traçados pela Constituição. Decisões monocráticas com efeitos amplos, intervenções em temas de nítido caráter legislativo e posicionamentos que parecem responder ao clima político do momento alimentam a sensação de protagonismo excessivo. O Supremo é guardião da Constituição, não substituto do Congresso Nacional nem ator político de ocasião.


A credibilidade de uma Corte constitucional não se sustenta apenas pela autoridade formal de seus julgados, mas pela confiança pública de que seus integrantes atuam com sobriedade, distanciamento e autocontenção. Quando essa confiança é abalada, instala-se um risco institucional silencioso. A erosão da legitimidade não ocorre de forma abrupta; ela avança gradualmente, a cada episódio mal explicado, a cada gesto que sugere proximidade indevida com interesses privados ou alinhamentos circunstanciais.


O debate que se impõe, portanto, não é ideológico. É institucional. O Supremo precisa se recolocar no espaço que lhe foi reservado pelo constituinte: o de intérprete último da Constituição, não o de protagonista permanente do cenário político. Um código de conduta é um passo, mas não suficiente. É preciso reafirmar limites, restaurar a confiança e lembrar que, acima de qualquer corrente partidária, está a Constituição. Sem essa centralidade, o equilíbrio entre os Poderes deixa de ser cláusula viva e passa a ser apenas promessa escrita.


 () *Fernando Silveira de Oliveira , advogado sócio do Jobim Advogados Associados, consultor de empresas, pós-graduado em Direito Administrativo e Gestão Pública pela Fundação do Ministério Público – RS e vereador reeleito de Santiago

Dica do editor - Conheça o novo método de caminhar, o "Jeffing"

 'Jeffing' é um método de treinamento de corrida que consiste em intercalar intervalos estruturados de corrida e caminhada. Popularizado pelo olímpico Jeff Galloway, o método foi desenhado para reduzir a fadiga, prevenir lesões e permitir que corredores de todos os níveis — desde iniciantes até veteranos — percorram distâncias maiores com mais prazer e menos esforço físico. 

Ao invés de correr até a exaustão, o "Jeffing" utiliza pausas para caminhada planejadas desde o início do treino. 

5 Maneiras de usar o 'Jeffing' para melhorar a saúde do coração

A alternância entre corrida e caminhada funciona como um tipo de "intervalo de intensidade leve" (interval training-lite), que treina o coração para ser mais eficiente. 

Treinamento Intervalado para Controle da Frequência Cardíaca: Utilize proporções de tempo (ex: 3 min correndo / 1 min andando) para manter o coração em uma zona aeróbica saudável, evitando picos de esforço extremo que sobrecarregam o sistema cardiovascular.

Aumento da Capacidade Aeróbica (VO2 Máximo): As pausas para caminhada permitem que você corra por um tempo total maior, o que melhora a eficiência do corpo no uso de oxigênio e aumenta a resistência cardíaca a longo prazo.

Redução do Estresse no Músculo Cardíaco: Ao evitar a fadiga extrema, você diminui a carga de trabalho intensa sobre o coração, permitindo que ele se recupere parcialmente durante as pausas, mantendo o treino sustentável e seguro.

Melhoria na Circulação e Vascularização: A prática regular de Jeffing fortalece o músculo cardíaco e melhora a circulação sanguínea, auxiliando na redução da pressão arterial e no controle do colesterol.

Sustentabilidade e Consistência (Prevenção de Burnout): Como o método é menos exaustivo mental e fisicamente, ele facilita a adesão a longo prazo, garantindo que o exercício se torne um hábito consistente, fundamental para a saúde cardíaca contínua. 

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Como começar?

O método é flexível. Um iniciante pode começar com 15-30 segundos de corrida seguidos por 1-2 minutos de caminhada, repetindo isso por 20-30 minutos.