A Invest RS, agência de desenvolvimento do Rio Grande do Sul, amplia sua atuação internacional com a abertura de uma representação permanente na China. A iniciativa faz parte da estratégia do Estado de intensificar a atração de investimentos estrangeiros e criar novas oportunidades comerciais para empresas gaúchas em um dos mercados mais relevantes do mundo.
O lançamento da representação ocorrerá durante missão da Invest RS à China, que terá agendas em Xangai e Pequim. No dia 25 de agosto, será realizado um evento de lançamento com representantes de empresas e instituições brasileiras e chinesas.
Mais do que estabelecer uma presença institucional no país asiático, a iniciativa busca criar um canal permanente entre o Rio Grande do Sul e investidores, empresas e instituições financeiras chinesas.
Desde que iniciou suas operações, em dezembro de 2024, a Invest RS vem intensificando a presença do Estado nos principais centros de decisão econômica. A agência já realizou diversas missões à China e estabeleceu também uma estrutura em São Paulo para aproximar o Rio Grande do Sul de investidores, instituições financeiras e empresas com poder de decisão sobre novos projetos.
"A atração de investimentos exige presença, relacionamento e continuidade. Queremos estar onde as decisões de investimento são tomadas e construir uma interlocução permanente com empresas e investidores. A representação na China é um passo importante para posicionar o Rio Grande do Sul de maneira mais competitiva na disputa pelo capital global”, afirma Rafael Prikladnicki, presidente da Invest RS.
China como uma das prioridades da estratégia
A China é uma das prioridades da estratégia internacional do Rio Grande do Sul. O país é o maior destino das exportações gaúchas e tem papel relevante, especialmente para produtos do agronegócio. Ao mesmo tempo, a expectativa é que a China se consolide, nos próximos anos, como a principal origem de investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil, ampliando as oportunidades para atração de novos projetos ao Estado.
A estratégia da Invest RS tem, portanto, duas frentes complementares: atrair investimentos chineses para o Rio Grande do Sul e ampliar as oportunidades de exportação das empresas gaúchas para o mercado chinês.
Na atração de investimentos, a agência pretende concentrar esforços inicialmente em setores nos quais há convergência entre a capacidade produtiva do Estado e o movimento de internacionalização das empresas chinesas. Entre eles estão energia, indústria automotiva, semicondutores e serviços digitais. Na frente comercial, o agronegócio ocupa posição de destaque, incluindo grãos e proteínas animais.
A escolha da data também busca conectar a agenda chinesa a um dos principais eventos econômicos do Rio Grande do Sul, a Expointer. A estratégia prevê ampliar a interlocução entre empresas e entidades gaúchas e parceiros chineses durante o período do evento.
Porta de entrada para capital e novos investimentos
Outro eixo da estratégia é o relacionamento construído pelo Rio Grande do Sul com bancos de fomento internacionais, entre os quais se destaca o Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), banco multilateral com sede em Pequim. Essa aproximação já começa a se traduzir em operações concretas de financiamento, especialmente em projetos ligados à infraestrutura, à resiliência climática e à recuperação econômica do Estado.
As tratativas entre o BRDE e o AIIB fazem parte da estratégia do banco regional de diversificar suas fontes de funding. A primeira operação, no valor de US$ 300 milhões, foi aprovada em outubro de 2025 para financiar projetos de infraestrutura. Desse total, US$ 100 milhões serão destinados ao Rio Grande do Sul, especialmente para apoiar a reconstrução e a retomada da economia após os eventos climáticos que atingiram o Estado. O financiamento integra o Programa de Desenvolvimento e Resiliência para a Região Sul e contempla três grandes frentes: projetos públicos e privados que contribuam para a recuperação econômica do Rio Grande do Sul e favoreçam o comércio baseado em exportações; investimentos em transição energética e infraestrutura sustentável, incluindo energia renovável, investimentos climaticamente positivos, mobilidade urbana sustentável e infraestrutura que facilite o comércio; e subprojetos de resiliência climática nos setores público e privado.
Pelo modelo da operação, o AIIB delega ao BRDE responsabilidades relacionadas à seleção, avaliação, aprovação e monitoramento dos subprojetos locais, de acordo com os critérios e padrões socioambientais estabelecidos para o programa. Entre as áreas que poderão receber financiamento estão infraestrutura relacionada à água, gestão de cheias, geração de energia, mobilidade urbana, transporte e outras frentes consideradas essenciais para a recuperação social e econômica da Região Sul.
A operação com o AIIB foi aprovada em outubro de 2025. No Brasil, segundo o BRDE, já recebeu o aval da Comissão de Financiamento Externo (Cofiex) e está nas etapas finais de tramitação junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
A operação exemplifica como o aprofundamento das relações com instituições chinesas pode abrir novas frentes de financiamento e investimento para o Rio Grande do Sul. Esse movimento ocorre em um contexto de expansão da presença econômica chinesa no Brasil e de uma relação comercial já consolidada entre a China e o Estado.
Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o Brasil foi em 2025 o principal destino global do investimento estrangeiro direto (IED) chinês, concentrando 11% de todo o investimento externo do país asiático — US$ 6,1 bilhões, o maior volume desde 2017 e um crescimento de 369% desde 2022.
O Rio Grande do Sul acompanha esse movimento: é o sexto estado brasileiro em número de projetos de investimento chinês no acumulado entre 2007 e 2025, com 20 projetos, e ocupou a sétima posição em 2025, com quatro novos projetos.
Na frente comercial, a China é o principal parceiro comercial do Rio Grande do Sul desde 2013 e o principal destino das exportações gaúchas desde 2008. Entre 2021 e 2025, o comércio entre o Estado e o país somou US$ 39 bilhões. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 5,1 bilhões para a China — quase três vezes o volume enviado aos Estados Unidos, seu segundo maior destino, com US$ 1,7 bilhão. O Estado também mantém superávit comercial com a China desde pelo menos 1997.
Soja é o principal produto gaúcho exportado ao mercado chinês, respondendo por 69% do valor embarcado em 2025. Tabaco, pastas químicas de madeira e carne bovina completam a lista dos principais produtos, somando outros 22%.
Nova estratégia de desenvolvimento
A internacionalização da Invest RS integra uma estratégia mais ampla para acelerar o crescimento econômico do Rio Grande do Sul.
Criada no final de 2024, a agência atua como braço de atração de investimentos e promoção comercial do Estado. Sua estrutura é de direito privado, com equipe técnica e gestão orientada para resultados, e sua atuação está alinhada às prioridades definidas para o desenvolvimento econômico gaúcho. Desde o início de suas operações, a Invest RS já realizou ações de promoção comercial em 25 países, ampliando a presença do Estado em mercados estratégicos e aproximando empresas gaúchas de potenciais parceiros e investidores.
Essa atuação também é organizada por meio do Promove RS, iniciativa que reúne e divulga o calendário anual de participação do Estado em feiras, missões e eventos nacionais e internacionais. A agenda busca apoiar a ampliação de mercados e a geração de negócios para empresas gaúchas, além de divulgar as potencialidades do Rio Grande do Sul, o ambiente de negócios e as oportunidades para investimentos estrangeiros no Estado.
Entre os setores considerados estratégicos estão transição energética, indústria automotiva e metalmecânica, máquinas agrícolas, saúde, semicondutores, tecnologia e serviços digitais e atividades ligadas ao agronegócio.
O Rio Grande do Sul reúne vantagens competitivas como disponibilidade de fontes renováveis de energia, cadeias industriais consolidadas, mão de obra qualificada, ecossistema de inovação e tecnologia e uma base agroindustrial relevante.
Ao mesmo tempo, o Estado busca responder a desafios estruturais, como o crescimento econômico abaixo do potencial nas últimas décadas, os impactos recorrentes de eventos climáticos e a necessidade de elevar a produtividade de sua economia.
Fundo Estratégico
Uma das iniciativas previstas para apoiar essa transformação é a criação do Fundo Estratégico do Rio Grande do Sul. O projeto foi apresentado na Semana do Brasil de Nova York e prevê inicialmente cerca de R$5 bilhões em recursos do Estado. A estrutura deverá funcionar como um mecanismo de fundos voltado ao desenvolvimento econômico, com o objetivo de atrair capital adicional de instituições multilaterais, bancos de desenvolvimento e investidores privados. A Deloitte foi contratada como consultoria para apoiar o desenvolvimento do fundo.
A ambição é alcançar uma alavancagem de até cinco vezes o capital inicial, mobilizando potencialmente cerca de R$ 25 bilhões.
A partir dessa estrutura, poderão ser desenvolvidos instrumentos financeiros específicos para diferentes setores da economia, adequando financiamento e compartilhamento de riscos às características de cada atividade.
A combinação entre presença internacional, instrumentos financeiros e atuação direta junto a investidores integra a estratégia da Invest RS para reposicionar o Rio Grande do Sul na disputa por novos projetos.
"O Rio Grande do Sul decidiu assumir uma postura mais ativa na atração de investimentos. Queremos apresentar nossos ativos, construir soluções para os investidores e estar presentes nos mercados onde o capital está sendo alocado. Nossa ambição é fazer do Estado um destino cada vez mais relevante para investimentos nacionais e internacionais”, conclui Prikladnicki.