Da banca de pastel aos jalecos: o sonho de uma família ligada a Medicina da Ulbra

rmãs transformam o esforço dos pais em inspiração para cuidar de vidas e mostram como dedicação, família e educação podem mudar destinos.


Enquanto muitos conhecem a família Silvestre pela tradicional banca de pastel nas feiras de Palmas (TO), poucos imaginam que foi entre panelas, atendimentos e madrugadas de trabalho que começou a nascer o sonho de formar duas médicas. Hoje, Fernanda e Taynara vivem uma nova rotina, dividida entre livros, laboratórios, estágios e atendimentos na Medicina da Ulbra. Mas a essência permanece a mesma: cuidar das pessoas.


Há quase três décadas, a banca de pastel da família representa muito mais do que uma fonte de renda. É o símbolo de uma história construída com trabalho, renúncias e esperança. Foi ali que as irmãs cresceram observando os pais enfrentarem longas jornadas, sol, chuva e madrugadas para garantir que a educação das filhas jamais deixasse de ser prioridade.


Mais do que sustento, a feira se transformou em uma verdadeira escola de valores. No contato diário com clientes, Fernanda aprendeu lições que hoje considera indispensáveis para a profissão que escolheu. "Desde criança, eu adorava acompanhar minha mãe na feira. Ficava no caixa, ajudava no atendimento e, sem perceber, aprendia valores que carrego comigo até hoje: tratar as pessoas com respeito, servir com dedicação, ter empatia e fazer tudo com amor", relembra.


Para Taynara, cada etapa da graduação carrega o significado do esforço feito pelos pais ao longo dos anos. "O esforço da minha mãe representa a base de tudo o que eu sou. Cresci vendo ela acordar de madrugada, enfrentar sol, chuva e dias difíceis sem nunca desistir. Cada aula que assisto, cada prova que faço e cada conquista dentro da universidade carrega um pouco desse sacrifício."


Da feira para a universidade


Embora compartilhassem o mesmo objetivo, as irmãs trilharam caminhos diferentes até chegarem à Medicina. Fernanda formou-se primeiro em Gastronomia, em São Paulo. Mais tarde, decidiu retornar a Palmas para ficar próxima da família e ajudar no negócio. Iniciou a graduação em Medicina no Paraguai e, posteriormente, conquistou uma vaga para dar continuidade aos estudos no Brasil.


"Escolhi voltar porque queria viver esse sonho ao lado da minha família, que sempre foi minha base e minha maior incentivadora", diz Fernanda.


Já Taynara descreve a aprovação no curso como uma conquista que extrapola o âmbito individual. "Quando finalmente consegui ingressar na Medicina, senti que estava realizando um sonho que não era apenas meu, mas de toda a minha família."


A escolha pela Ulbra Palmas veio acompanhada do desejo de permanecer perto da família e, ao mesmo tempo, receber uma formação conectada às demandas da profissão. Na universidade, encontraram um ambiente que integra ensino, pesquisa e extensão, aproximando os estudantes da prática médica desde os primeiros períodos e fortalecendo uma formação voltada para a realidade da população.


Aprender para cuidar

Os valores cultivados na feira passaram a ganhar novos significados dentro da universidade. Além das atividades em sala de aula e nos laboratórios, Fernanda e Taynara participam de ações de extensão que aproximam os acadêmicos das comunidades e reforçam o compromisso social da formação médica.


Fernanda integrou iniciativas como o Pop Rua Jud, no Taquari, além de ações realizadas no Quilombo do Prata, no Jalapão, e na Aldeia Brejo Comprido, em Tocantínia. Experiências que, segundo ela, ampliaram sua compreensão sobre o verdadeiro sentido da Medicina.


"Essas vivências me mostraram, na prática, a importância de uma Medicina humanizada e reforçaram ainda mais o propósito que tenho de cuidar das pessoas com respeito, empatia e dedicação."


Para Taynara, a universidade vai muito além da formação técnica. "Estudar Medicina exige dedicação, disciplina e renúncias, mas também proporciona experiências que fortalecem ainda mais o desejo de cuidar das pessoas."


Um legado que continua


Enquanto os pais seguem recebendo clientes nas feiras de Palmas, as filhas escrevem um novo capítulo dessa história nos corredores da universidade, entre aulas, estágios e atendimentos.


Os cenários mudaram. O avental deu lugar ao jaleco. Mas os princípios permanecem os mesmos: trabalho, respeito, acolhimento e dedicação ao próximo. Ao olhar para a própria trajetória, Fernanda resume o sentimento que une passado e futuro.


"Espero que, assim como minha mãe transformou vidas por meio do seu trabalho e da sua dedicação, eu também possa transformar vidas por meio da Medicina."


Mais do que uma história de superação, a trajetória das irmãs Silvestre revela como o esforço de uma família pode atravessar gerações e encontrar na educação a oportunidade de transformar sonhos em realidade. Na Ulbra, esse sonho continua sendo construído diariamente, unindo conhecimento científico, prática e compromisso com o cuidado humano.

Análise, Felipe Vieira, Instagram - Ela queria usar os embriões; ele disse não. O que decidiu o TJRS ?

O autor é o jornalista gaúcho Felipe Vieira, principal âncora dos mais importantes telejornais da Band TV e BandNews.

Este material é do Insagram do jornalista

Ela queria usar os embriões; ele disse não. TJRS define quem tem a última palavra após o divórcio. Decisão pode influenciar casos em todo o país.


Uma decisão unânime do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) reacendeu um dos debates mais delicados da bioética e do Direito de Família: afinal, quem decide o destino de embriões congelados quando um casamento chega ao fim?


Ao reformar uma sentença de primeira instância, a 1ª Câmara Especial Cível definiu que embriões criopreservados só podem ser utilizados após o divórcio se houver consentimento livre, atual e inequívoco de ambos os ex-cônjuges. Na prática, o tribunal entendeu que ninguém pode ser obrigado pela Justiça a se tornar pai ou mãe contra a própria vontade depois da dissolução da relação.


O caso envolve um casal que realizou fertilização in vitro durante o casamento e manteve três embriões congelados. Após o divórcio, a ex-esposa pretendia utilizá-los para engravidar, enquanto o ex-marido manifestou expressamente que não desejava mais ter um filho decorrente daquela união e pediu autorização judicial para o descarte do material.


Na primeira instância, a mulher havia obtido autorização para realizar a transferência embrionária mesmo sem a concordância do ex-marido. A decisão, porém, foi revertida pelo TJRS.


Relatora do processo, a desembargadora Gláucia Dipp Dreher afirmou que o consentimento dado durante o casamento não é definitivo e pode ser revogado antes da implantação dos embriões. Segundo ela, a vontade de gerar um filho precisa existir no momento da transferência embrionária e não apenas quando o tratamento foi iniciado.


O acórdão também destaca que o direito à maternidade biológica, embora protegido pela Constituição, não pode se sobrepor ao direito da outra parte de não exercer a paternidade ou maternidade contra sua vontade. Para os magistrados, a autonomia reprodutiva, o planejamento familiar e a paternidade responsável devem prevalecer, garantindo igualdade de direitos entre homens e mulheres.


Outro fundamento relevante do julgamento é que uma eventual gestação, por si só, não asseguraria à criança os direitos e deveres plenos decorrentes da filiação. O acórdão ressalta que ser pai ou mãe vai além do vínculo biológico e envolve afeto, convivência, assistência material, apoio à saúde psicoemocional, além de todos os efeitos civis e patrimoniais inerentes à relação de filiação.


A decisão acompanha o entendimento das normas do Conselho Federal de Medicina, que exigem manifestação atual de vontade dos envolvidos para a utilização de embriões criopreservados. Assim, a autorização assinada anos antes, durante o casamento, deixa de produzir efeitos quando um dos ex-cônjuges revoga expressamente seu consentimento.


Mais do que resolver um conflito entre duas pessoas, o julgamento estabelece um importante precedente sobre os limites da reprodução assistida no Brasil e reforça que a decisão de ter um filho exige a concordância de ambos até o último momento antes da gestação.


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Artigo, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - O tabuleiro eleitoral no RS após as convenções partidárias

Cientista político da Arko Advice pesquisas

E-mail - carloseduardo@arkoadice.com.br

Com o fim do prazo das convenções partidárias está definido o tabuleiro da disputa ao Governo e Senado no Rio Grande do Sul. 

Na eleição ao Palácio Piratini tem três players competitivos. Representando o governo Eduardo Leite (PSD), o vice-governador Gabriel Souza (MDB) concorrerá pela aliança MDB, PSD, Agir, PRD e SD. Seu vice é o deputado estadual Ernani Polo (PSD). Os candidatos ao Senado são o ex-governador Germano Rigotto (MDB) e o deputado estadual Frederico Antunes (PSD).

O espectro da direita rio-grandense será liderado pelo deputado federal Luciano Zucco (PL), tendo a deputada estadual Silvana Covatti (PP) como vice. A chapa representa a coligação PL, PP, União Brasil, Novo, Podemos, Republicanos, DC e Democrata. Disputam o Senado pela aliança os deputados federais Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL).

A esquerda, por sua vez, terá a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT) concorrendo a governadora. Seu vice é o ex-deputado Edegar Pretto (PT). A aliança, que une PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e Avante, terá o deputado federal Paulo Pimenta (PT) e a ex-deputada Manuela D’Ávila (PSOL) concorrendo ao Senado. 

Além desses três players, também disputam o Piratini o ex-prefeito de Guaíba Marcelo Maranata (PSDB); Rejane de Oliveira (PSTU) e Priscila Voigt (UP).

Neste momento, a eleição ao governo gaúcho apresenta um cenário de polarização entre Zucco, ancorado na força do voto bolsonarista, principalmente no interior do Rio Grande do Sul; e Juliana, que atrai a preferência do voto de esquerda e centro-esquerda, sobretudo na região metropolitana de Porto Alegre. 

Gabriel, que é um incumbente da eleição, começa em desvantagem. De acordo com as últimas pesquisas divulgadas, Zucco e Juliana dividem a liderança, concentrando cerca de 50% das intenções de voto. Gabriel fica abaixo dos dois dígitos. 

Este cenário, no entanto, não é definitivo. Devemos observar que Gabriel Souza ainda é um candidato pouco conhecido dos eleitores, apesar de ser o vice-governador. Sua intenção de voto é inferior à avaliação positiva do governo Eduardo Leite, que gira em torno de 1/3. Embora tenha espaço disponível para Gabriel crescer, existe o desgaste da gestão Leite após oito anos de gestão, o que pode representar um obstáculo para o vice-governador. 

Outras variáveis que deixam a disputa ao Piratini em aberto são: 

1) O elevado índice de indecisos – mais de 70% na pesquisa espontânea e cerca de 30% nos cenários estimulados, segundo a última pesquisa Quaest divulgada no Estado; 

2) O histórico de surpresas eleitorais existentes na eleição para o Palácio Piratini – Germano Rigotto (2002); Yeda Crusius (2006); José Ivo Sartori (2014); Eduardo Leite (2018); e a reeleição de Leite (2022), após o governador quase não disputar o segundo turno; e

3) A tendência de uma abstenção eleitoral elevada – o índice foi próximo a 20% em 2022, podendo se repetir em outubro.

Faltando dois meses para as eleições, os três players da eleição têm desafios. Apesar de contar com uma sólida intenção de voto, Luciano Zucco precisa atrair segmentos para além do bolsonarismo. Vale recordar que, em 2022, após ser alavancado pelo voto bolsonarista, Onyx Lorenzoni, mesmo sendo o candidato mais votado no primeiro turno, foi superado por Eduardo Leite no segundo turno.

Juliana Brizola também precisa avançar sobre o centro sem cair em contradição pelo fato de ter o PT como principal aliado, o que será explorado por seus adversários. Outra questão é saber como se dará na campanha a relação entre PT e PDT, pois essa composição foi imposta pelo comando nacional das duas legendas. 

Gabriel Souza, por sua vez, precisará convencer os eleitores de que a gestão Eduardo Leite, em que pese o desgaste registrado, merece mais quatro anos em um Estado cuja alternância de poder é uma característica histórica. 

Ao menos até o início do horário eleitoral – 28 de agosto – podemos esperar a manutenção da polarização entre Luciano Zucco e Juliana Brizola. Gabriel Souza, a partir de setembro, tende a crescer. A incógnita é saber qual será a intensidade desse crescimento, e se ele será suficiente para mudar o atual cenário. 

Eleição imprevisível ao Senado

A disputa pelas duas vagas ao Senado apresenta um cenário de elevada imprevisibilidade. Temos, hoje, seis candidatos com potencial: Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) à direita; Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) ao centro; Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSOL) à esquerda. 

Na direita, Van Hattem é mais competitivo que Sanderson. Ao centro, Rigotto tem mais densidade eleitoral que Frederico. Na esquerda, Manuela e Pimenta têm condições similares de competição. 

Como o Rio Grande do Sul tem votado à direita nos últimos anos, Marcel Van Hattem tem uma vantagem inicial na busca pela primeira vaga. Germano Rigotto, Paulo Pimenta e Manuela D’Ávila dividem a preferência pela segunda vaga. 

Rigotto, por ser uma opção de centro, pode estar em uma posição estratégica na disputa pelo segundo voto. Pimenta e Manuela contam com o voto fiel à esquerda – cerca de 1/3 – como diferencial, mas podem enfrentar dificuldades em conquistar o centro. 

Este cenário parcial, no entanto, não é definitivo. Além de uma fatia do mercado eleitoral não saber que votará em dois nomes para o Senado em outubro, variáveis como o alto índice de indecisos e a ocorrência do “voto útil” podem impactar a eleição para o Senado. Temos, assim, um pleito com elevada imprevisibilidade. 


Artigo, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - Os recados da pesquisa Quaest sobre a sucessão presidencial

Carlos Eduardo Bellini Borenstein

Cientista político da Arko Advice pesquisas

carloseduardo@arkoadice.com.br

A pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje (5) mostra um encurtamento da distância do presidente Lula (PT) para o senador Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, a vantagem de Lula baixou de 12 pontos (40% a 28%) para 9 pontos (39% para 30%). Em um eventual segundo turno, a distância de Lula para Flávio caiu de 8 pontos (45% a 37%) para 5 pontos (44% a 39%).

Embora a preferência das mulheres (38%); do eleitor de renda de menor renda (51%) e da região Nordeste (59%) por Lula sejam pilares importantes do voto lulista, a redução da distância entre Lula e Flávio mostra uma sucessão competitiva.

Além da avaliação do governo Lula dividir a sociedade (48% aprovam e 47% desaprovam); devemos observar que: 

1) 55% afirmam que o presidente não merece ser reeleito e que o país está na direção errada; 

2) 43% consideram que a economia piorou; 

3) 68% avaliam que o preço dos alimentos subiu; 

4) 46% dizem que não sentiram impacto na renda com a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil; 

5) 88% consideram que o programa Desenrola 2.0 não trouxe benefícios; e 

6) 43% entendem que o presidente Lula (PT) foi mal na resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil 

Esses números sugerem a existência de um cansaço com a agenda lulista, sobretudo na economia, podendo indicar ainda que a narrativa em defesa da soberania começa a encontrar limites. 

Soma-se a isso o surgimento de fatos novos envolvendo a abertura de três inquéritos contra Lulinha, filho do presidente, e a revelação de que o ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola, teria recebido repasses da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Esses temas, que dominam o noticiário nas últimas horas, não fizeram parte do campo da pesquisa, pois os questionários da Quaest são anteriores a esses fatos. 

Flávio Bolsonaro, por sua vez, embora competitivo, segue com o desafio de angariar apoios para além do antipetismo, principalmente os chamados eleitores independentes. 

Nesse segmento, Lula tem 24% das intenções de voto no primeiro turno contra 18% de Flávio. No entanto, o percentual de indecisos é elevado: 21%. Na simulação de segundo turno, entre os independentes, Lula atinge 33% contra 30% de Flávio. O percentual de indecisos é de 8%, enquanto 29% admitem não ir votar.  Os independentes são o segmento estratégico da disputa. É um eleitor volátil e que tem o costume de se definir na reta final da eleição. 


Dica do editor - Saiba por que pessoas super ativas têm cérebros mais saudáveis. Saiba como ser super ativo

O jornal The Washington Post de hoje publica reportagem especial, hoje, informando que pessoas super ativas têm cérebros mais saudáveis porque o movimento estimula a circulação de sangue, reduz a inflamação e libera substâncias químicas (como o BDNF e hormônios musculares) que protegem os neurônios, criam novas células de memória no hipocampo e retardam o declínio cognitivo associado à idade.

Mais fluxo sanguíneo: O exercício bombeia oxigênio e glicose extras para as células cerebrais.
Crescimento celular: Ajuda a criar novos neurônios na área da memória, o hipocampo.
Limpeza de toxinas: Facilita a remoção de proteínas ruins ligadas ao Alzheimer.
Manutenção muscular: O tecido muscular ativo libera sinais químicos benéficos para a cognição. 

Como se tornar um "super ativo" - Faça aeróbicos: caminhe rápido, corra ou pedale por cerca de 150 minutos por semana.Treine a força: faça musculação ou exercícios de resistência para construir massa magra. Comece aos poucos: adicione pequenas caminhadas na sua rotina diária se você for sedentário.Seja constante: os benefícios exigem continuidade para manter o cérebro jovem e protegido. 

Suspeitas sobre Lulinha precisam ser esclarecidas

Se Dino autorizou o terceiro inquérito é por ter sido convencido de que há elementos que exigem apuração

Se as suspeitas existem, não há outro caminho senão tirá-las a limpo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um novo inquérito para investigar possível tráfico de influência pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras pessoas terão as condutas analisadas para verificar a suposta busca por vantagens ilícitas em negócios com o governo federal. Outras duas investigações envolvendo Lulinha pedidas pela Polícia Federal foram autorizadas na semana passada pelo ministro André Mendonça. São relacionadas ao Ministério da Saúde e à Dataprev, empresa de tecnologia da Previdência. Essas apurações também vão averiguar se houve crime de corrupção, além de tráfico de influência e outras irregularidades. 

Nos inquéritos sobre o filho do presidente, a personagem comum é a empresária e lobista Roberta Luchsinger, que estaria atrás de contatos privilegiados para intermediar negócios com o governo

É preciso elucidar se Lulinha usou ou não a condição de filho do presidente da República para influenciar ministérios ou órgão do governo em benefício de terceiros e o que teria ganhado com isso. Fábio Luís não deve ter tratamento privilegiado ou mais duro pela filiação e, como qualquer investigado, tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Dino autorizou uma quarta investigação, sobre o vazamento de informações do caso. Mas é notório que, pelas implicações políticas, Lulinha terá de se esforçar em dobro para demonstrar que não cometeu irregularidades. A exploração do caso na campanha eleitoral é natural.

Se Dino autorizou o terceiro inquérito é por ter sido convencido de que há elementos que exigem apuração. Aliás, o fato de um indicado por Lula para o STF ter concordado com a investigação enfraquece a tese de que os dois inquéritos anteriores, assentidos por Mendonça, designado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, teriam fundo político. Cumpre lembrar que há duas semanas Mendonça autorizou apuração para averiguar o destino dos repasses de dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, caso que atinge Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na disputa presidencial.  

Nos inquéritos sobre Lulinha, a personagem comum é a empresária e lobista Roberta Luchsinger, que estaria atrás de contatos privilegiados para intermediar negócios com o governo. Ela prestou serviços ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso em razão do escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias. As investigações sobre Lulinha não são relacionadas ao INSS, mas as suspeitas agora analisadas surgiram ao longo do caso.

O ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, também é implicado nesse terceiro inquérito. Ele recebeu um repasse de dinheiro de Roberta. Alega ter sido um empréstimo, já quitado. As explicações são insuficientes. É preciso comprovar a devolução e demonstrar de forma crível os detalhes da operação. É legítimo estranhar que uma lobista com interesses no governo passe dinheiro a um assessor direto do presidente.

Aguarda-se que as apurações em curso tragam as respostas esperadas pela sociedade. A aproximação das eleições não pode ser motivo para desacelerar nenhuma das investigações que tenham potencial de abalar qualquer uma das candidaturas. 



Artigo, especial, Dagoberto Lima Godoy - Eleição 2026 — voto que o eleitor não confere

A eleição de 2026 se aproxima sem que o Brasil tenha resolvido uma dúvida que ficou mais visível desde 2022: a diferença entre um sistema auditável por técnicos e um sistema verificável pelo próprio eleitor.

A Justiça Eleitoral afirma que a urna eletrônica é segura, testada e fiscalizada por partidos, instituições e especialistas. Ainda assim, muitos brasileiros continuam fazendo uma pergunta simples: se o voto é meu, por que não posso conferi-lo diretamente?

A tentativa de introduzir a impressão do voto já passou por várias etapas. O Congresso aprovou a medida em 2015; o STF suspendeu sua aplicação em 2018 e, em 2020, declarou inconstitucional a obrigatoriedade, alegando riscos ao sigilo e à liberdade do eleitor. Em 2021, a Câmara rejeitou a PEC do voto impresso. Em 2025, a CCJ do Senado voltou ao tema no novo Código Eleitoral, mas a proposta não avançou a tempo de produzir efeitos em 2026, também por causa da regra da anualidade eleitoral.

Assim, o país caminha para outra eleição presidencial com o mesmo impasse: de um lado, um sistema considerado suficiente por quem o administra; de outro, eleitores que não se satisfazem com auditorias institucionais e reivindicam alguma forma de conferência individual.

O relatório do Ministério da Defesa sobre 2022 não apontou fraude, mas pediu apurações adicionais e registrou preocupações técnicas. Para o TSE, nada disso comprometeu o resultado. Para críticos, porém, ficou a percepção de que a transparência oferecida não foi suficiente.

O problema, portanto, não é apenas técnico. É político e institucional. Em eleições, confiança não se impõe por autoridade; constrói-se com regras compreensíveis, fiscalização ampla e debate honesto sobre a tensão entre sigilo do voto e verificabilidade.

Sem uma resposta convincente a essa questão, 2026 corre o risco de repetir 2022: uma eleição juridicamente válida, mas vista por muitos como carente de transparência plena.