Conheça as vantagens da compra compartilhada do seu imóvel

 Propriedade compartilhada reduz custo e facilita férias. Modelo permite ter uma fração de um imóvel de lazer, dividir despesas e garantir períodos de uso; veja o que avaliar antes de comprar.

Comprar um imóvel em um destino turístico costuma envolver uma conta que vai além do preço de aquisição. Condomínio, manutenção, impostos, limpeza e conservação continuam pesando no orçamento mesmo quando a casa ou o apartamento permanece fechado durante boa parte do ano. 

Para quem pretende usar o imóvel apenas nas férias, a propriedade compartilhada aparece como uma alternativa à compra convencional. O modelo permite que diferentes pessoas sejam proprietárias de um mesmo imóvel, cada uma com direito de uso durante determinado período. No Brasil, a multipropriedade é regulamentada pela Lei nº 13.777/2018, que estabeleceu o regime de propriedade compartilhada por frações de tempo.

A lógica é diferente a de uma hospedagem tradicional. Em vez de pagar uma diária sempre que viajar, o consumidor adquire uma fração do imóvel e passa a ter direito de utilizá-lo nos períodos previstos em contrato. A modalidade pode ser encontrada em empreendimentos de lazer, resorts e residências voltadas para férias.

A MME Vacation Club, que atua no segmento de férias compartilhadas no litoral alagoano, tem empreendimentos nos modelos de multipropriedade e de direito de uso, como o Ipioca Mar Resort, que está em fase de vendas e tem previsão de entrega para 2030.

O custo é dividido entre os proprietários

Uma das principais vantagens está no valor de entrada. Como o consumidor não precisa comprar uma unidade inteira, o desembolso para ter acesso a um imóvel de férias tende a ser menor. O mesmo princípio vale para despesas relacionadas à propriedade, que são divididas entre os coproprietários conforme as regras do empreendimento.

A economia pode ser relevante para quem não pretende morar no imóvel nem utilizar durante todo o ano. Em uma segunda residência convencional, o proprietário assume sozinho os custos de um patrimônio que pode permanecer vazio por meses. Na multipropriedade, a utilização é compartilhada e os gastos são distribuídos.

A MME aponta justamente a redução do custo de aquisição e a divisão das despesas entre os proprietários como características do modelo. A empresa também destaca que a proposta permite acesso a estruturas de lazer que poderiam exigir um investimento maior caso o imóvel fosse comprado integralmente.

Isso não significa, porém, que a propriedade compartilhada seja isenta de despesas. Condomínio, manutenção, impostos e eventuais custos extraordinários precisam entrar na conta. A vantagem está na divisão desses valores, e não na eliminação deles.

Outro aspecto é que o comprador paga pelo período de uso que efetivamente terá. Para uma família que costuma viajar uma ou duas vezes por ano para o mesmo destino, a conta pode ser diferente daquela de quem mantém uma casa de praia própria durante 12 meses.

Menos preocupação com manutenção

Manter uma casa de férias à distância pode ser trabalhoso. É preciso acompanhar limpeza, pequenos reparos, conservação de equipamentos, contas e preparação do imóvel antes da chegada da família. Em uma propriedade compartilhada administrada profissionalmente, essas tarefas ficam sob responsabilidade da gestão do empreendimento.

No Ipioca Beach Residence, segundo a MME, a empresa administra a operação e a manutenção dos apartamentos. A proposta é que o proprietário não precise cuidar da rotina de uma segunda residência quando estiver longe do imóvel.

A administração também organiza a utilização dos períodos, outro ponto que diferencia o modelo de uma casa de férias convencional. Em vez de manter o imóvel disponível o ano inteiro, cada proprietário possui um calendário de uso definido pelas regras do empreendimento.

Para quem vive em outra cidade ou estado, essa estrutura pode ser especialmente relevante. A distância deixa de significar a necessidade de contratar alguém para verificar o imóvel ou resolver problemas enquanto ele está vazio.

Férias com mais previsibilidade

A possibilidade de programar antecipadamente os períodos de utilização é outro benefício. Em destinos turísticos disputados durante férias escolares, feriados e alta temporada, encontrar hospedagem nas datas desejadas pode representar um custo maior ou exigir planejamento antecipado.

Na propriedade compartilhada, o período de utilização está previsto no contrato ou segue o sistema de reservas estabelecido pelo empreendimento. Isso permite que o proprietário organize as férias com antecedência.

A vantagem, nesse caso, está menos em viajar de forma espontânea e mais em ter uma programação recorrente. Para famílias que costumam viajar todos os anos no mesmo período, a previsibilidade pode ser um dos principais argumentos para optar pelo modelo.

É também nesse ponto que a propriedade compartilhada se aproxima da ideia de uma segunda residência. O proprietário retorna ao mesmo empreendimento ao longo dos anos, mas sem precisar assumir sozinho a compra e a manutenção de toda a unidade.

Estrutura de resort sem comprar o imóvel inteiro

Outro benefício está relacionado à infraestrutura. Empreendimentos de propriedade compartilhada podem estar inseridos em resorts ou condomínios com piscinas, áreas de lazer, espaços para crianças, restaurantes e outros serviços.

A MME trabalha com empreendimentos em Ipioca, em Maceió, incluindo o Ipioca Beach Residence & Resort, já em operação, e o Ipioca Beach Home Collection, em construção. A empresa também mantém o Ipioca Mar Resort All Inclusive, que utiliza o modelo de direito de uso, e não de multipropriedade.

Nesse formato, a propriedade não se resume ao apartamento. O consumidor compra o direito de utilizar a unidade durante determinado período e pode usufruir da estrutura comum do empreendimento, conforme as condições estabelecidas.

Para famílias, isso pode representar uma diferença em relação ao aluguel de uma casa de temporada. Além do espaço privativo, há uma estrutura compartilhada de lazer e serviços.

Possibilidade de conhecer outros destinos

A propriedade compartilhada também pode ser associada a programas de intercâmbio de férias. Os empreendimentos da MME participam de redes internacionais de intercâmbio, como a RCI (Resort Condominiums International), permitindo que os períodos adquiridos sejam utilizados, conforme disponibilidade e regras do programa, em outros destinos.

A possibilidade reduz uma das limitações mais lembradas por quem pensa em comprar uma propriedade de férias: a obrigação de voltar sempre ao mesmo endereço. Com o intercâmbio, a semana ou período disponível pode ser trocado por hospedagem em outro empreendimento participante.

É importante, no entanto, observar que a troca depende da disponibilidade das unidades e das condições estabelecidas pela rede. Não significa que qualquer destino estará disponível na data escolhida.

Ainda assim, para quem gosta de viajar para lugares diferentes, o recurso pode ampliar a utilização da propriedade. O comprador mantém uma base de férias, mas pode eventualmente utilizá-la para conhecer outros destinos.

Para quem o modelo pode fazer sentido

A propriedade compartilhada tende a atender melhor quem já tem o hábito de viajar para um determinado destino e pretende manter essa rotina ao longo dos anos. Também pode interessar a quem deseja uma estrutura de férias própria, mas não quer assumir sozinho os custos de um imóvel que ficará fechado durante parte do ano.

Outro perfil é o de famílias que valorizam previsibilidade. Ter períodos de utilização definidos reduz a necessidade de começar a procurar por hospedagem do zero a cada temporada.

Antes de comprar, entretanto, é necessário comparar o custo da fração com outras alternativas, como aluguel de temporada e compra de um imóvel inteiro. A conta deve incluir o valor de aquisição, condomínio, manutenção, impostos, taxas e o número de dias efetivamente utilizados por ano.

O contrato também merece atenção. É nele que estarão as regras de utilização, reservas, transferência, locação, intercâmbio e divisão das despesas.

A propriedade compartilhada, portanto, não substitui todas as formas de hospedagem. Ela funciona a partir de uma lógica diferente: o consumidor abre mão de parte da flexibilidade em troca de ter uma relação mais permanente com um imóvel de férias, dividir os custos e contar com uma estrutura de gestão.

Para quem a propriedade compartilhada não é indicada

O modelo pode não ser adequado para quem não costuma viajar com frequência, prefere mudar de destino a cada férias ou precisa de liberdade para decidir as datas das viagens de última hora.

Também exige cautela de quem está procurando principalmente rentabilidade financeira. A própria MME afirma que a multipropriedade deve ser entendida como um produto voltado ao lazer, e não como uma aplicação financeira.

Outro perfil que deve avaliar alternativas é o de quem não quer assumir despesas recorrentes ou prefere não ter qualquer compromisso de longo prazo com um empreendimento.

Antes de fechar negócio, vale colocar na ponta do lápis quanto custa a fração, quanto será gasto por ano para mantê-la e quantos dias de uso serão efetivamente aproveitados. Se a utilização for baixa ou incerta, o aluguel de temporada pode oferecer mais flexibilidade.

Artigo, especial - O afastamento de Andrei e a hora em que o Supremo precisa olhar para dentro

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano.

O caso que levou André Mendonça a afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal é maior do que uma disputa entre ministros.

Mendonça estava no centro da investigação sobre o Banco Master. Ao analisar o material apreendido com Daniel Vorcaro, encontrou mensagens que exigiam explicações. Entre elas, conversas nas quais o banqueiro menciona Alexandre de Moraes e pede ajuda envolvendo “Andrei e Paulo” — referências apontadas pela PF como sendo Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

Uma mensagem de Vorcaro não prova que Andrei tenha atendido a qualquer pedido. Mas tampouco pode ser tratada como detalhe. Quando o dono de um banco investigado fala em acionar o diretor-geral da PF para tentar adiar uma operação, a pergunta é inevitável: havia alguma porta aberta dentro da instituição?

A pergunta precisa ser investigada.


O problema é que, enquanto Mendonça avançava sobre essas questões, apareceu um relatório da própria Polícia Federal que o colocava sob investigação. Segundo Mendonça, documentos de inteligência passaram a monitorar sua atuação e a do advogado-geral da União, Jorge Messias, inclusive tentando estabelecer uma relação entre os dois a partir da fé religiosa compartilhada por eles.

Se isso estiver correto, é muito grave.

Mendonça reagiu. Afastou Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, e determinou que a Corregedoria apure a produção dos relatórios.

Mendonça não está sendo contestado porque descobriu pouco. Está sendo contestado depois de mexer em uma estrutura que deveria prestar contas no processo que ele relata. É legítimo discutir os limites de uma decisão monocrática. O que não pode acontecer é transformar a própria investigação em problema.

Andrei tem direito de se defender. Seu nome aparecer em mensagens de Vorcaro não permite concluir que tenha cometido irregularidades. Mas ele também precisa explicar o que há para explicar. O cargo de diretor-geral da PF não pode ser escudo.


E Alexandre de Moraes precisa responder às perguntas que surgiram das mensagens. Os contatos com Vorcaro e os pedidos feitos pelo banqueiro precisam ser esclarecidos. Isso é investigação.

Há um precedente que não pode ser esquecido. Nos últimos anos, o Supremo ampliou o alcance de decisões individuais sobre outros Poderes e instituições. Muitas vezes, a justificativa foi a defesa das próprias instituições. Ou alguém esqueceu que Jair Bolsonaro foi proibido de escolher o diretor da mesma PF, mesmo sendo prerrogativa dele como presidente?

Agora o precedente voltou para dentro da Corte.

Um ministro afastou o chefe da Polícia Federal porque entendeu que uma estrutura de inteligência teria ultrapassado seus limites e atingido o próprio ministro. O STF terá de dizer se Mendonça agiu dentro de suas competências.

Mas terá de enfrentar uma pergunta: quem fiscaliza uma instituição quando ela investiga o próprio fiscal?

O pedido de vista de Gilmar Mendes interrompeu o julgamento da Segunda Turma. Antes disso, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam Mendonça, formando maioria pela manutenção do afastamento. A decisão segue valendo.


O caso pode chegar ao plenário, e talvez seja exatamente onde deva estar. Não para escolher lados ou blindar ninguém, mas para estabelecer limites.

Poder excepcional, quando vira rotina, deixa de ser excepcional. E o precedente fica. Por isso, a pergunta não é quem venceu. É se as instituições conseguem investigar a si mesmas sem que o investigador vire o investigado.

Mendonça abriu essa porta. Agora o Supremo terá de decidir se olha para dentro ou fecha essa porta.

Artigo, especial, Renato Sant'Ana - O que nos faz a cabeça

O caso é interessante. Dá o que pensar. E convém pensar. Mas, antes de fazer a anatomia dos fatos, é preciso ponderar alguns aspectos.


A política, no sentido estrito da "busca do poder", só funciona com, ao menos, alguma dose de falácia. Gostaríamos que fosse diferente. Mas quem for honesto e falar tudo o que pensa não se elegerá. Frise-se bem, nem todos os que estão na política são canalhas. Mas não são raros os que só fazem política à base de dissimulação, ou seja, só com falácia.


Segundo Caldas Aulete, "falácia" vem do latim "fallacia", com o sentido de "trapaça" e tem estas acepções: (1) raciocínio ou afirmação falsa ou errônea com aparência de verdadeira; (2) qualidade de falaz, falsidade; e (3) raciocínio logicamente plausível, mas enganoso.


Juliana Brizola, candidata ao governo do Rio Grande do Sul, tem dito em sua campanha que fez aliança com vários partidos, prova, segundo ela, de que está habilitada a fazer um governo de diálogo. Só não diz que esses partidos, em vários momentos, já se mostraram como um saco de gatos. Nem reconheceria que é impossível dialogar com extremistas, isto é, com a estirpe com a qual ela se aliou para fins eleitorais.


O vice, na chapa de Juliana Brizola, é Edgar Pretto, PT. E o é porque, em surdina, Lula e Carlos Lupe - chefes do PT (de Pretto) e do PDT (de Juliana) - encontraram conveniência que assim fosse e o impuseram. O que Pretto queria era ser governador. Mas teve de submeter-se à decisão.


Pretto formou sua mentalidade no MST, do qual seu pai, Adão Pretto, foi um dos fundadores. Pretto está afinado com um grupo formado para agir à margem da lei (inclusive, o MST não tem CNPJ, o que, às vezes, impede a responsabilização civil e criminal de seus atos plenos de ilegalidade). Quer dizer, Pretto é um brigão profissional, que "luta" com elegância e virulência. Pode ser hábil em negociação, mas não em diálogo.


Do combo de Juliana também fazem parte Manuela d'Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT), candidatos ao Senado, que não têm a elegância de Preto.


Na propaganda, eles têm o peito de falar de diálogo e até de liberdade. Mas quando não temem perder voto, pregam a revolução e não ocultam sua simpatia por ditadores como Daniel Ortega (o tiranete que acabou com as eleições na Nicarágua), Hugo Chávez e Nicolás Maduro (que deram causa à maior crise humanitária na ex-riquíssima Venezuela) e, vejam lá!, por Kim Jong-un (o psicopata que faz sangrar o povo da Coreia do Norte). E acham que a ditadura da china (na qual, até o Google é proibido) serve de modelo para o Brasil. Nem vou falar do paraíso deles: Cuba.


Para essa turma, quem não apoia a esquerda é logo rotulado de extrema direita ou de fascista. Aliás, parece piada, ouvir, na propaganda, Edgar Pretto e Paulo Pimenta insinuarem ter intimidade com a agricultura, os dois tentando uma "paquera" com o agronegócio, quando se sabe que PT, PSOL e afins já tacharam o agronegócio de fascista, desprezando o fato de o agro carregar a economia do Brasil nas costas.


Aí vem Juliana Brizola falar de diálogo só porque tem várias siglas na chapa. Ela propõe um raciocínio plausível do ponto de vista lógico, mas enganoso. Enganoso porque grupos agressivos e sectários são incapazes de dialogar. Isso porque, para esses grupos, adversários são inimigos, o embate político é um vale tudo e todo e qualquer meio é justificado pelo fim revolucionário da "luta". Daí, falar de diálogo é falácia rotunda!


Aqui nos devemos perguntar: por que é tão difícil (às vezes, impossível) atuar na política de modo sincero? Por que será "proibido", sob pena de não se eleger, ter honestidade intelectual e falar com franqueza?


Entre nós, são muitos os que preferem mentiras doces a verdades amargas. E são muitos os que não ligam para o debate de ideias e que se deixam guiar por sentimentos de simpatia ou antipatia. É para esse perfil de eleitor que se fazem discursos sedutores e falaciosos.


Teríamos outro ambiente político se, entre nós, o padrão fosse buscar a verdade em vez de adotar bandeiras; e assumir a responsabilidade de quem sabe que os atos de cada um, inclusive as omissões, têm efeito político.


É fácil apontar um dedo acusador para os políticos. Mas devemos admitir que todos nós, de algum modo, ajudamos a produzir a política que temos. E lembrar que ainda somos livres para olhar para além da boa cara que os candidatos exibem na TV. Que ser manipulados com falácias, no mais das vezes, é reflexo de escolhas erradas como: em vez de fazer autocrítica, optar pela comodidade de apontar o dedo acusador; em vez do trabalhoso que é ter opinião informada, agarrar-se a uma opinião sentimentalizada, que nada mais é do que a adoção, por pura simpatia, de crenças (não de conceitos) que outros apregoam com esperteza.


 


Leia aqui a coluna anterior:


https://blogdopolibiobraga.blogspot.com/2026/09/artigo-especial-renato-santana-o.html

FIERGS, Farsul e Fecomércio-RS divulgam manifesto: “Ninguém está acima da lei”

Três das principais entidades empresariais do Rio Grande do Sul decidiram falar juntas sobre o momento institucional do país. FIERGS, Farsul e Fecomércio-RS divulgaram nesta terça-feira (8) um manifesto em defesa da Constituição, da estabilidade das instituições e do respeito às regras democráticas.


O texto é curto, mas não economiza nas palavras. Logo na abertura, as entidades afirmam que o Brasil depende de instituições fortes e do cumprimento das regras do jogo. Na sequência, fazem uma cobrança direta: autoridade, dizem, precisa ser sustentada por transparência, imparcialidade e respeito à Constituição. E acrescentam que essa obrigação alcança também aqueles que têm a missão de protegê-la.


Há outro ponto bastante claro no documento. As três federações defendem investigação quando houver fatos a esclarecer, mas rejeitam condenações antecipadas. Também cobram igualdade perante a lei e criticam qualquer tipo de privilégio.


“Defendemos apuração, não condenação prévia. Igualdade perante a lei, não privilégios”, diz um dos trechos do manifesto.


FIERGS, Farsul e Fecomércio-RS também levam a discussão para um terreno que conhecem bem: a economia. O alerta é de que crises institucionais não ficam restritas a Brasília. Elas chegam às empresas, aos investimentos e ao mercado de trabalho.


Para as entidades, instabilidade política e institucional produz insegurança econômica, afasta investimentos e dificulta a geração de empregos. É por isso que o manifesto procura tirar o assunto da disputa convencional entre governo e oposição, direita e esquerda. Na avaliação das federações, trata-se de uma questão de Estado.


O fechamento resume o recado sem rodeios: “Nenhuma instituição está acima da Constituição. Ninguém está acima da lei.”


A manifestação conjunta ganha peso pelo perfil de quem a assina. FIERGS representa a indústria gaúcha, Farsul reúne o setor agropecuário e Fecomércio-RS representa o comércio de bens e serviços. São três setores diferentes da economia estadual falando, desta vez, com a mesma voz.


E o recado escolhido por eles é simples: instituições precisam ser respeitadas, mas o respeito à Constituição vale para todos.


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Análise, especial, Carlos Edurdo Bellini Borenstein - Conjuntura está mais favorável a Flávio Bolsonaro

Cientista Político da Arko Advice

carloseduardo@arkoadvice.com.br

A nova rodada da pesquisa Quaest divulgada ontem (7) mostra que a disputa entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) continua acirrada. No entanto, a análise em profundidade da pesquisa mostra números mais favoráveis à Flávio pelos seguintes aspectos: 

1) No cenário estimulado de primeiro turno, a distância de Lula (PT) para Flávio Bolsonaro (PL) baixou de 8 pontos (37% a 29%) para 7 pontos (36% a 29%). Na simulação de segundo turno, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados com 41% das intenções de voto. No início de agosto, a vantagem em favor de Lula era de 8 pontos. Mantida a atual tendência, Flávio pode ultrapassar Lula na próxima rodada da Quaest – a pesquisa Nexus/BTG, divulgada hoje (8), mostra que Flávio ultrapassou Lula no segundo turno: 46% a 45%;


2) No segundo turno, Flávio está numericamente à frente de Lula entre os eleitores independentes (32% a 28%), segmento que será o fiel da balança da disputa;


3) O medo da reeleição de Lula cresceu cinco pontos (38% para 43%) em relação a julho. Nesse mesmo período, o medo em relação à eleição de Flávio caiu três pontos (46% para 43%). Além disso, disparou entre os jovens – 16 a 34 anos – o medo em relação a um novo mandato de Lula, chegando aos 51%;


4) A desaprovação do governo Lula subiu dois pontos (48% para 50%) enquanto a aprovação baixou dois pontos (45% para 43%) em uma semana. Hoje, Lula tem um saldo negativo de popularidade de sete pontos;


5) A desaprovação ao governo chegou aos 56% no Sudeste, região que concentra o maior contingente de eleitores. No Sudeste, apenas 36% aprovam o governo;


6) 33% dos entrevistados dizem que a renda aumentou tanto quanto o custo de vida; outros 33% afirmam que a renda não aumentou; 


7) As principais preocupações do eleitorado – violência (31%); corrupção (20%); e economia (19%) – são adversas a Lula. Vale observar que a segurança pública coloca o governo na defensiva faz algum tempo, o mesmo ocorre com a corrupção, principalmente após os inquéritos abertos contra Lulinha, filho do presidente, e a grave crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF), “colando” o ministro Alexandre de Moraes em Lula. Soma-se a isso a decisão do ministro André Mendonça de determinar o afastamento de Andrei Rodrigues da Polícia Federal (PF), agravando a crise. Sobre a economia, 49% dos entrevistados dizem que houve uma piora nos últimos 12 meses. 

A sucessão está muito acirrada e assim tende a continuar. No entanto, o empate entre Lula e Flávio; o aumento do medo em relação a um novo mandato de Lula; o crescimento da desaprovação do governo; e a piora da percepção em relação a renda combinado somado a preocupação com a segurança e a corrupção estabelecem na opinião pública um clima político mais favorável a oposição.


LIVRO MEIN KAMPF, 08.09.2026

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Minha luta

Eu nasci em Blumenau, me criei em Jaraguá do Sul, vivi em Florianópolis, no Rio, depois de novo em Jaraguá do Sul e em seguida em Florianópolis mais suma vez, de onde sai no dia 31 de março de 1964 para Porto Alegre, onde fiz família, me graduei em Direito e faço jornalismo há 62 anos, considerando-se 2026 incluído.

 O "Adolfo" que carrego no nome veio do meu avô materno, Adolfo Radtke, pai da minha mãe, filha de colonos alemães de Blumenau, do Morro do Aipim, às margens do rio Itajaí Açu. Já o "Políbio", herdei do meu avô paterno, um cearense de cabeça chata, marido da paraense Elisa, minha avó.

Nunca vi nenhum deles, a não ser Adolfo e Rosa, já idosos, ainda assim através de uma foto esmaecida pelo tempo.

E assim me tornei Políbio Adolfo Braga.

Meu pai, Lauro, um cearense que virou catarinense ao se casar com a operária da Hering, Maria Magdalena, foi entregue ainda criança para os padrinhos, que moravam em Fortaleza. O casal mudou mais tarde para o Espírito Santo e de lá meu pai, com 13 anos, fugiu  para o Rio, virou engraxate, ficou conhecido dos senadores do Palácio Monroe e o capixaba Charles Lindenberg encaixou-o numa vaga de Auxiliar de Veterinária do Ministério da Agricultura. Foi nesta condição que acabou em Blumenau, Santa Catarina, numa missão do Ministério da Agricultura, focada no  combate à febre aftosa que atingia o escasso rebanho bovino dos colonos do  Vale do Itajaí.

Depois de casados, Lauro e Magdalena, com três filhos no colo, mudaram para Jaraguá do Sul, onde viveram, formaram uma família com mais três filhos, morreram e estão ali sepultados. Meu pai voltou a casar depois da morte da minha mãe e teve outros dois filhos.

Não sei nada dos antepassados dos meus pais. Apesar disto, conheci os três irmãos homens e a única irmã da minha mãe, no caso José, Fritz, Franz e Ana. A respeito dos irmãos do meu pai, só fiquei sabendo do nome de um deles, Washington, que teria se matado com um tiro no peito, no interior de Minas, durante a Revolução de 30. Ainda criança, fiquei sabendo que meu irmão mais velho (somos oito irmãos), Toni, que no iício da década de 50 serviu na FAB, conheceu a família de um dos irmãos do meu pai. Lembro da foto de dois priminhos sentados no pé da escada de uma das favelas dos morros cariocas.

Foi só.

Até tentei armar minha árvore genealógica.

Com este objetivo, em 1963 levei meu pai ao Ceará para rever os padrinhos, seus pais de criação, que ele não via desde os 13 anos de idade. O casal já estava bem velhinho. Da casa dos padrinhos, durante 15 dias visitamos parentes distantes. Meu pai não conseguiu reconhecer ninguém, nem mesmo a cidade de Fortaleza. Ele saiu dali em 1913 e nunca mais voltou. Me arrependi de tê-lo levado ao Ceará. Suas memórias nunca mais foram as mesmas a partir dessa viagem.

Quando o avião levantou vôo do aeroporto de Fortaleza, de volta para o Sul, eu e meu pai sentimos que não voltaríamos mais ali. Uma página importante da vida dele tinha virado: a volta ao lar da infância fora apenas melancólica, mas para mim serviu para desfazer mitos que ele nos contava como verdades. Nada de grave, mas apenas pequenas alterações  de rota na história de um rapaz que fugira cedo de casa para a cidade grande e que nunca mais voltaria a ela.

 No caso da minha mãe, mais tarde fui algumas vezes até a Alemanha, tentei encontrar os antepassados, mas nem ela e nem parente algum sabiam de fato de onde eram os Radtke do meu avô e os Barth da minha avó materna. Muitas vezes, décadas de 60 e 70, examinei os catálogos telefônicos de Bonn e de Hannover, mas foi apenas tempo perdido.

Eu nunca aprendi a língua alemã, embora minha mãe fosse fluente no idioma e o alemão fosse uma língua de uso corrente em Jaraguá e em Blumenau, como de resto em todas as regiões de colonização.

Minha mãe e meu pai não chegaram a completar o 2o ano do fundamental, que na época era conhecido como curso primário, formatado para um total de 4 anos.

Cresci numa Jaraguá do Sul de cinco mil habitantes na década de 1940, um lugar onde não existia uma única rua calçada para contar a história. Eram tudo colônias de filhos e netos de imigrantes alemães, italianos, poucos poloneses e húngaros, além de meia dúzia de moradores afro-descedentes, todos espalhados nas margens dos rios Itapocuzinho e Jaraguá, mais os morros do extenso Vale do Itapocu,  duas horas de Blumenau e uma hora de Joinville. 

Nas monções, os dois rios provocavam enchentes memoráveis, pelo menos na minha memória e na memória da garotada da época, que aproveitava os dias de cheia do rio Itapocuzinho para enfiar balaios nas bocas de lobo e apanhar cardumes inteiros de cará, piavas, jundiás e até alguns cascudos expulsos das suas tocas. E depois era tratar de jogar bola em campinhos encharcados, além de chapinhar na lama dos lodaçais dos quintais das casas. 

Era neste rio Itapocuzinho que navegávamos em jangadas que nós mesmos construíamos com troncos de bananeira, todos presos com bambus roliços e cipós do meio do mato.

Jaraguá do Sul, na década de 1950 era isto e mais poeira e lama. 

Minha família era muito pobre, católica, e minha infância foi vivida perto de um campinho de futebol de terra batida. Na minha casa alugada, logo depois da II Guerra, ouvíamos histórias mal contadas pelo meu pai Lauro e as fantasias deliciosas, tomadas como verdadeiras, como as narrativas da minha mãe sobre potes de ouro existentes nas pontas coloridas dos arco-íris, mas só para quem conseguisse chegar até lá.

Se hoje me chamam de brigão no jornalismo e na política, a verdade é que sempre fui brigão. Todos os dias eu saía no soco com alguém daquele campinho existente ao lado da minha casa. Eu me achava o dono da bola; jogava no gol — era um goleiro péssimo, diga-se de passagem —, mas quando a coisa não ia do meu jeito, pegava a bola debaixo do braço e saía correndo enquanto os outros guris vinham atrás para me bater e tomar a bola.

Achava-me imbatível, mas principalmente escorado na ajuda de dois irmãos mais velhos, Antonio e Claudio, que eram bons de briga. 

Batia em todo mundo, até o dia em que um garoto me desafiou. Lembro-me como se fosse hoje: olhei para ele com desdém e disse: "Não quero bater em ti porque vou te quebrar todo". O garoto insistiu, fomos para a briga e tomei uma surra histórica. Ali aprendi uma lição fundamental para o restante da minha vida: eu também podia apanhar, mas nunca deixei de ser resiliente, mesmo nas piores adversidades.

Comecei a trabalhar cedo, aos 14 anos. 

Tudo começou no dia em que procurei meu pai para que ele comprasse uma bola de futebol. Quando fiz o pedido, ele nem vacilou na  resposta curta e direta: "Vai trabalhar para comprar". Desta forma procurei e consegui meu primeiro emprego, numa fábrica de flores artificiais. Depois do primeiro salário, comprei a bola e pedi demissão.

O gosto pela escrita também nasceu nessa época. 

Meu caso com o jornalismo começou quando minha irmã Elisa Rosa ia se casar. Foi em 1957 e eu tinha 16 anos. Eu gostava demais dela e resolvi escrever um artigo em sua homenagem. Esse texto foi publicado no Correio do Povo, um jornalzinho local de Jaraguá que existe até hoje. 

No colégio, tirava boas notas em redação, mas nunca fui um bom aluno.

Terminado o curso ginasial, os irmãos maristas do colégio onde eu estudava , o Ginásio São Luiz, me entregaram o diploma e me expulsaram no mesmo dia. O motivo ? No discurso de formatura, na condição de orador da turma, desferi um ataque severo contra a conduta dos próprios religiosos. Eles não tiveram como me negar o diploma, mas me dispensaram.

Foi  em Jaraguá, que a primeira parte da minha vida se encerrou. 

Peguei minhas poucas coisas e fui para Joinville estudar e trabalhar.

O Lider Estudantil e a Mudança para o Rio

Cheguei em  Joinville com 17 anos incompletos, 1958, para procurr um emprego, me alistar no Exército, no 13o Batalhão de Caçadores, e iniciar as aulas do que na época era conhecido como colegial, atualmente, 2026, equivalente ao 1o ano do ensino médio. Como teria que trabalhar de dia para conseguir renda e pagar os estudos, fui parar no único curso colegial disponível para o horário noturno, o curso de Técnico de Contabilidade, no único colégio masculino da cidade, o Bom Jesus, que era e ainda é laico, mas na época bastante ligado à comunidade luterana. No 13o, os militares não quiseram saber de conversa e me mandaram embora com um certificado de 3a. categoria, ou seja, de dispensa.

Jaraguá do Sul não tinha ensino médio, minha família era muito pobre e eu fui ob4rigado a ir embora, trabalhar e pagar pelos estudos. Isto também aconteceu com quase todos os meus irmãos.

Durante muitos meses fiz de trem, lerdas Marias Fumaças, e  de litorina, o percurso de 1 hora entre Jaraguá do Sul e Joinville, 48 quilômetros, mas apenas aos finais de semana e sempre para visitar meus pais. Eu preferia as litorinas, que eram trens de passageiros leves e automotrizes, geralmente de uma só unidade, possuíam motor próprio e não precisavam de uma locomotiva separada para movê-las. Criadas na década de 1930 na Itália, elas serviam para ligar pequenas e médias cidades de forma rápida, prática e barata. O nome surgiu como um apelido após o modelo ser apresentado na cidade italiana de Littoria (atual Latina), sem relação direta com o mar.

 No começo daquele ano, 1958, morei com um irmão e, mais tarde, fui para uma pensão. 

Eu era bom datilógrafo — com 15 anos, aprendi a dedilhar com os dez dedos numa Remington comprada pelas freiras de Jaraguá do Sul, as únicas que mantinham cursos pagos de datilografia  —, peguei uma bicicleta emprestada e, em dois dias, depois de bater na porta de dezesseis empresas, consegui emprego. Fui contratado como faturista da Malharia Arp, onde trabalhei por três anos, até ser posto para a rua. Na mesma época, convidado por Augusto Sílvio Prodohl — o único intelectual que Jaraguá do Sul já produziu e exportou para Joinville — passei também  a colaborar com o Jornal de Joinville, na época um dos diários que o mago Assis Chateaubriand montou para os Diários Associados em todo o País. Augusto Sylvio escreveu vários livros. O de maior sucesso foi O Engenheiro Misael, publicado em 1956.

No ano seguinte, 1959, numa participação exitosa num concurso público municipal de oratória, fiquei conhecido rapidamente pelos estudantes de Joinville e isto me levou à presidência da União Joinvillense dos Estudantes Secundários, a UJES. Um dos concorrentes impugnou os resultados, alegando que eu declamei uma poesia e não pronunciei um discurso próprio.

E era verdade, mas o regramento do concurso não fazia diferença.

Acabei levando o troféu, uma caneta Parker 21 de presente e o diploma.

Na época, 1960, aproximava-se a eleição para o governo de Santa Catarina: Celso Ramos pelo PSD, contra Irineu Bornhausen pela UDN. As famílias Ramos e Bornhausen dominavam a cena política catarinense desde a Revolução de 1930. 

Eu detestava a UDN, não apenas porque minha família fazia oposição ao Partido, mas desde que fui obrigado pela direção do Ginásio São Luiz a comparecer ao velório do ex-Prefeito Arthur Muller, o maior líder udenista da minha cidade, Jaraguá do Sul. Os irmãos maristas, meus professores, obrigaram os alunos a tocar as mãos gélidas do defunto. Foi tudo muito assustador.

Como meu pai era ligado ao PSD, o pessoal do Partido me procurou com uma proposta: queriam que os estudantes organizassem uma campanha forte em favor da criação de um ginásio público em Joinville, porque isto favoreceria a campanha de Celso Ramos. Havia uma lei que mandava criar o colégio, mas os governadores anteriores a ignoravam. A lei era de autoria de um Deputado do PTB, Agostinho Mignoni, que se notabilizou em Joaçaba, Oeste de Santa Catarinas, ao ser preso durante manifestações de protesto, resultou torturado e nas suas costas nuas, solados criminosos usaram a baioneta para gravar esta frase monstruosa:

- A PM é a maior.

Mais tarde fiquei amigo e aliado de Mignoni.

 A pauta era perfeita para os estudantes e servia aos interesses eleitorais de Celso Ramos. Eles me usaram, mas eu também os usei.

Fizemos um barulho enorme e Celso Ramos venceu a eleição, não apenas em Joinville, que é o mais populoso município de Santa Catarina, mas também em todo o Estado. Logo após a posse, os mesmos políticos que tinham me procurado, iniciaram uma conversa dissuasória e me avisaram: "Ó, agora você fica quieto porque nós já ganhamos a eleição". Respondi imediatamente: "Não, agora eu quero o colégio público". Ameaçaram falar com o meu pai, e eu desdenhei: 

- Podem falar até com a minha mãe, não vou parar".

A batalha pelo ensino público custou mais caro, porque passei a ser visto como "comunista" e "agitador". Um dos meus detratores foi o bispo Dom Gregório Warmeling, que num sermão de domingo, na igreja matriz, não me poupou, chamando-me de comunista, algo que na época eu considerava extrema injúria. Indignado, procurei um advogado da cidade, o Dr. Carlos Adauto Vieira, porque minha ideia era processar Dom Gregório por injúria,  calúnia e difamação, mas ele me desanimou:

- Chamar alguém de comunista não é crime. O que podes fazer é chamá-lo de hipócrita que não respeita o próprio  celibato.

Fiquei perplexo:

- Aí, é ele quem me processa.

O dr. Adauto terminou a conversa da seguinte forma:

- Teremos como provar, mas antes disto ele buscará um acordo contigo.

Foi o que aconteceu.

O sistema me dispensou depois que realizei uma bem sucedida Marche au Flambeaux, tudo para protestar contra uma inacreditável consulta popular bancada pelos controladores da poderosa Fundição Tupi, ligad aos udenistas, e destinada a me remover da presidência da UJES. 

O colégio particular, laico,  de Joinville, o Bom  Jesus, onde eu estudava, me expulsou, pois a criação de um colégio público criaria concorrência direta para eles. Pensaram que me calariam, mas a resposta foi o oposto: elegi-me vice-presidente e secretário-geral da união dos estudantes de toda Santa Catarina, no âmbito de uma aliança que costurei com um amigo que fiz na época e que mantenho até hoje, no caso o atual Advogado de Joaçaba, Oreste Vidal Guerreiro. Em 2026, como editor, publiquei o livro "Minhas Memórias", do próprio Oreste Vidal Guerreiro.

Eu já tinha sido posto para fora do emprego na Malharia Arp e expulso do Colégio Bom Jesus. 

Apesar disto, só saí de Joinville no dia em que o governador Celso Ramos foi pessoalmente dobrar os joelhos e colocar a pedra fundamental do ginásio público.

Era hora de ir embora de Joinville para nunca mais voltar.

Em 1962, morando, trabalhando e fazendo política estudantil em Florianópolis, fui eleito presidente da União Brasileira de Estudantes Secundários (UBES), tudo no decorrer de um movimentadíssimo congresso nacionl realizado em Passo Fundo, Rio Grande do Sul. Na disputa, derrotei o líder estudantei gaúcho Aloísio Parguassu,, que mais tarde viria a ser meu amigo e Deputdo Federal. Eleito, mudei para o Rio de Janeiro. Me acomodei na sede da UNE, na Praia do Flamengo 198. O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) na época era o jovem José Serra. 

Era hora de viver minha "segunda vida"

 A vida de liderança estudantil de projeção nacional durou apenas um ano, julho de 1962 a julho de 1963. mas aconteceu em meio a um turbilhão de acontecimentos e de emoções incompráveis, porque passei a viver e operar em meio a um caldeirão político e social efervescente, explosivo, revolucionário, tudo no âmbito de um cambaleante governo João Goulart, que acabara de emergir na esteira da renúncia do Presidente Jânio Quadros, seu vice, mas adversário político. Na época, vices poderiam concorrer fora da chapa liderada pelo candidato a Presidente. O companheiro de chapa de Jango, o general Teixeira Lott, perdeu, mas João Goulart venceu Milton Campos.

O Presidente Jânio Quadros governou apenas 7 meses, tentou um golpe de Estado mal articulado,  

através de uma renúncia que não deu certo

Eu me alinhava ao que se chamava de "esquerda independente". Nunca fui comunista de carteirinha, embora meu aliado natural nas lutas estudantis fosse o PCB. 

No final do mandato na UBES, 1963, fui convidado e viajei para Cuba, que 4 anos antes tinha mudado de regime. Queria conhecer e conheci Sierra Maestra, ciceroneado pelo então Ministro da Educação, Armando Art. Sierra Maestra foi onde operou o Quartel General dos barbudos guerrilheiros de Fidel Castro.

Muitos anos depois, voltei duas vezes a Cuba., mas eu já não era mais o mesmo e Cuba era outra e pior.

Depois de Cuba, voltei para Jaraguá do Sul e em seguida para Florianópolis. 

Para mim, tudo mudou na madrugada de 31 de março para 1º de abril de 1964, ano no qual eu tinha voltado a estudar, trabalhar em jornal e assessorar o Deputado Paulo Wright, que tinha dupla nacionalidade, brasileira e americana, irmão do pastor presbiteriano Jaime Wrightg que mais tarde virou comunista da linha chinesa. Ele esteve exilado em Cuba, voltou de lá em 1972, foi capturado e assassinado pelo regime militar, sem que seu corpo jamais tenha sido encontrado. Na clandestinidade, Paulo chegou a me procurar em Porto Alegre, mas não era mais o homem que eu tinha conhecido. Com o livrinho vermelho em mãos, tentou me atrair para a Ação Popular, tentei dissuadi-lo, mas tive que repeli-lo.

Quando o levante militar iniciou em Minas, em 31 de março de 1964. não pensei duas vezes: peguei um ônibus em Florianópolis, onde morava e trabalhava e embarquei para o Rio Grande do Sul, onde achei que seria possível resistir na defesa da legalidade.

Mas a realidade de 64 era abissalmente diferente de 61. 

Em 61, eu morava e era agitador estudantil em Joinville, o governo Jânio Quadros era conservador, enquanto em 64 o governo Jango era de esquerda, rumava com certeza para um regime comunista e a economia estava terrivelmente degradada. O mais importante: em 61, Leonel Brizola era o governador do Rio Grande do Sul e comandava a Cadeia da Legalidade a partir do Palácio Piratini; em 64, Brizola era apenas deputado federal pela Guanabara e o governador gaúcho era seu arqui-inimigo, Ildo Meneghetti. Não havia base institucional de apoio. A resistência armada evaporou-se antes de começar.

Em 1961, com a renúncia de Jânio, e em 1964, mais tarde, com a queda de Jango, o cenário internacional era o de Guerra Fria, configurava um quadro geopolítico fatal para a esquerda brasileira e seus aliados, já que o chamado sistema era umbilicalmente ligado ao poderio político e militar do Governo dos Estados Unidos, do qual era aliado fiel.

E foi aí que começou a minha terceira vida, a atual

Sem poder retornar a Santa Catarina, onde minha prisão já fora decretada, passei dois anos clandestino em Porto Alegre. O jornal onde eu trabalhava em Florianópolis, a Folha Catarinense, que era empreendimento bancada pelo PCB do Prestes (O Partidão, de Luiz Carlos Prestes) sem carteira assinada, embora profisisonalmente, tinha sido empastelado nas primeiras horas do dia 1o de abril de 1964 e todo mundo tinha fugido ou sido preso.

No dia 31 de março de 1964, percebi pelo noticiário da Rádio Diário da Manhã, sob controle da UDN, que o General Mourão Filho levantra em  armas a IV Divisão do Exército, Juiz de Fora, Minas. Eram 14h da tarde e  o noticiário, na época, era transmitido por alto-falantes instalados na principal praça da Capital. Eu estava ali com meu pai, que tinha viajado de Jaraguá do Sul para me ver. Mandei meu pai voltar pra casa e achei melhor procurar o Deputado Paulo Wright, com quem trabalhava. Paulo tinha gabinete na Assembleia. Procuramos o Presidente Ivo Silveira, que alcançou o dinheiro para as passagens. Consegui embgarcar na mesma noite e viajei para Porto Alegre, onde já estavam Jango e Brizola, ao que parecia ser um movimento de resistência. Comigo, viajaram dois líderes estudantes universitários, Francisco Mastella, mais tarde eleito Deputado Estadual, e Ivo Eckiert. 

Na manhã do dia 1o de abril de 1964, ao desembarcarmos do ônibus, fomos até a Prefeitura de Porto Alegre, onde resistia o Prefeito Sereno Chaise, PTB, que depois seria preso e cassado. Ao descermos a Avenida Borges de Medeiros, bombas de gás lacrimogênio espocavam para dissuadir qualquer resistência. Acabamos, o trio, escondidos num tambo de leite localizado nas cercanias do Aeroporto, tudo com a ajuda do professor Francisco Fiori e do estudante José Newton Machado. Fiori era professor da UFRGS, ligado à Ação Popular, a AP, que na época era aparelho político da Igreja Católica, mas Machado era homem do PTB.

Após alguns dias, comprando o jornal oposicionista Correio da Manhã todos os dias no aeroporto, que ficava perto do tambo de leite, Francisco Mastella e Ivo Eckiert resolveram voltar para Santa Catarina. Lá foram presos, interrogados e libertados.

Anos mais tarde, em 1968, o destino me levou à chefia de redação da sucursal do Correio da Manhã em Porto Alegre.

Eem abril de 1964, sem a companhia de Eckert e Mastella, saí do esconderijo do tambo de leite e fui parar na casa da Juventude Universitária Católica (JUC 3), na descida da rua Mostardeiro, no elegante bairro Moinhos de Vento. 

A Polícia do regime me procurava no Brasil inteiro, enquanto eu trabalhava, praticamente clandestino, em jornais como A Plateia, Livramento, Zero Hora e Rádio Gaúcha, Porto Aleagre.

Em 1966, finalmente me pegaram. 

Fui levado por uma patrulha militar da Polícia do Exército, Porto Alegre, para Curitiba, onde passei seis meses encarcerado. Aquela ainda era uma fase "romântica" da repressão: não cheguei a apanhar, mas viajei algemado até Caxias do Sul, onde o Sargento Kowalsky e os dois soldados que faziam a custódia, entenderam que eu não era perigoso e soltaram as amarras. Na viagem de 12 horas até Curitiba, só fizemos refeições e paradas em uartéis do Exército.

Em todos os quartéis, o sargento e os dois soldados eram saudados efusivamente como heróis nacionais.

Antes das minhas prisões, eu já havia conhecido a Raquel. Ela era filha de um estivador comunista, e nós dois compartilhávamos das mesmas ideias de esquerda na juventude. Assim que saí da cadeia em Curitiba, fui procurá-la para saber se continuava solteira. Em três meses estávamos casados. Digo sempre, em tom de brincadeira, que depois que me casei nunca mais fui preso pela ditadura — provavelmente achavam que um homem casado não causaria mais problemas. Antes de csar fui preso várias vezes. Minha última detenção no regime militar ocorreu por ocasião da tentativa de sequestro do cônsul americano em Porto Alegre. Eu não tinha a menor participação naquele plano terrorista, mas os sujeitos que tentaram executar a ação moravam na mesma casa que eu. Quando eles quiseram me contar o que pretendiam fazer, cortei na hora: "Não me contem nada, porque não concordo com essa ação e, se me levarem para o pau de arara e me torturarem, eu vou contar tudo! Eu não resisto à tortura!".

Quando a polícia estourou o lugar, fui parar na prisão como o primeiro da lista. Ninguém acreditava que eu morava com eles e não sabia dos detalhes. Quem me tirou do calabouço foi o jornalista Alberto André. Ele liderou uma comitiva da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) até o gabinete do Secretário de Segurança Pública, o general Jaime Mariath, e exigiu minha libertação. O general olhou para mim e disse: "Olha, o dr. Alberto André e esses jornalistas estão pedindo para soltar o senhor. Vou soltar, mas eles estão assumindo total responsabilidade pelo que o senhor fizer daqui para frente. Se for preso de novo, trago todos eles para a cadeia junto com o senhor".

Paralelamente a esses sobressaltos políticos, minha carreira no jornalismo profissional dava os primeiros passos acidentados. 

Em Florianópolis, 1960, passei a escrever para o Diário da Tarde, de propriedade do deputado Osmar Cunha, PSD. Era um jornalzinho modesto.. Eu carregava o chumbo de carrinho de mão pela rua Felipe Schmidt em direção às máquinas.

Certo dia, um terrível acidente tirou a vida dos três únicos jornalistas que compunham a redação. Fiquei absolutamente sozinho. O deputado, que estava em Brasília — vir de Brasília naquela época demorava o equivalente a vir da China —, ligou desesperado dizendo que eu tinha de assumir a chefia do jornal. Eu não sabia nada daquilo, mas assumi junto com a ajuda do colunista social.

Minha estreia na chefia foi catastrófica: escrevi um artigo injurioso, atacando o comandante do 14º Batalhão de Caçadores. /Depois disto, minha carreira de Diretor Geral acabou ali. Tive de me esconder na então inacessível Praia dos Ingleses, praia isolada, até o deputado voltar de Brasília e me demitir sumariamente no momento em que pisou na cidade.

No dia 1o de abril de 1964 cheguei a Porto Alegre para resistir, como já tinha feito com a Legalidade em 1961, mas desta vez o tiro saiu pela culatra. Como estava clandestino e sem dinheiro, procurei trabalha em algjuma redação. Fui contratado pela Zero Hora sob o pseudônimo de Adolfo Braga. Para disfarçar a fisionomia, passei a usar um óculos de grau sem precisar e deixei crescer um bigodinho. O pesadelo é que o meu chefe de redação era o delegado de polícia Wuilde Pacheco — um homem do regime que trabalhava com uma metralhadora em cima da mesa. Na redação, trabalhavam nomes brilhantes como Tarso de Castro, Marcos Faermann e João Souza. Mas olhando para aquela metralhadora diariamente, pensei: "Daqui a pouco esse cara descobre quem eu sou e me dá um tiro".

Quem me salvou foi o jornalista Hélio Gama, que tinha conseguido uma vaga na Rádio Gaúcha, mas no mesmo dia foi chamado  para integrar a equipe fundadora da revista Veja. Ele preferiu ir para São Paulo e me ofereceu sua vaga na Gaúcha. Aceitei na hora. Fiquei bem longe da metralhadora do delegado. Meu chefe direto era Dilamar Machado, homem de esquerda do PTB. Dilamar Machado foi depois Vereador de Porto Alegre, deputado estadual e Secretário de Estado.

Logo na primeira noite na rádio, o chefe do Dilamar, Ivan Castro, me ligou às dez da noite dando ordens sobre uma notícia. Respondi de pronto: "Não vou fazer coisa nenhuma! Meu chefe é o Dilamar!". Ele esbravejou que era o diretor e que ia me botar na rua, e eu rebati: "Bota nada!". Eu nem sabia quem ele era. Essa foi a tônica da minha vida nas redações: entrei e saí da Rádio Gaúcha cinco vezes; da Zero Hora, seis vezes; do Correio do Povo, umas dez vezes; da TV Piratini e da Band, outras tantas. Sempre brigado, ou porque pediam a minha cabeça, ou porque eu mandava os donos às favas.

Minha experiência mais duradoura e completa foi no  grupo RBS, da Família Sirotsky. Por ali trabahei na Rádio Gaúcha, na RBS TV, no Ano Econômico e no jornal Zero Hora, tudo entre os anos de 1964 e 1986.

Durante os anos em que fui editor da página mais importante de Zero Hora, o Informe Especial, vivenciei na pele o cinismo das grandes empresas de comunicação. Eu apurava, redigia e entregava a página pronta ao diretor-editor Lauro Schirmer. No dia seguinte, abria o jornal e via que metade das notas que eu tinha escrito tinham sido cortadas e, no lugar delas, constavam notas que eu jamais escrevera, defendendo posições diametralmente opostas ao meu pensamento.

Quando ia reclamar com a direção, a resposta era descarada: "Mas Políbio, é assim mesmo. A coluna não é assinada, tu és apenas um dos redatores e essa é a linha editorial do jornal". Eu esbravejava: "Como, redator v? Eu sou o editor da página!". Cortavam notas contra empresas que anunciavam no jornal e proibiam ataques a políticos estimação da direção. Na RBS, o jornalista de opinião tinha, como acontece até hoje, de adivinhar o rumo do vento, tudo para não pisar nos calos dos patrocinadores e dos aliados do poder.

Ainda nos tempos de Maurício Sirotsky Sobrinho, houve uma convenção de editores com os editores, em Santa Maria e eu fui chamado a participar. Durante os debates, foi criada uma comissão para unificar a linguagem de todos os veículos do grupo, composta por mim, Carlos Bastos, Lauro Schirmer e Roberto Appel. Fiquei como relator. Após quatro horas de discussões estéreis e que não chegavam a lugar algum, peguei o papel e redigi um relatório definitivo, de apenas duas cínicas linhas:

"A linha editorial dos diversos veículos da RBS será estabelecida diariamente no início da manhã, numa reunião entre o editor-chefe de Zero Hora e o proprietário, senhor Maurício Sirotsky Sobrinho. Ponto. Acabou."

O relatório foi aprovado por unanimidade. E digo sem nenhum pudor: essa é a gênese real da linha editorial de absolutamente todos os grandes veículos de comunicação do Brasil. O resto é conversa para boi dormir.

O jornal Zero Hora até chegou a elaborar um elegante Código de Ética, mas no fundo é como o cãozinho da RCA Victor: vale a voz do dono.

Episódio exemplar da voz decisiva, anos mais tarde comprovei numa conversa que tive com o brilhante jornalista Paulo Henrique Amorim. Nós estávamos num táxi. Eu acompanhava Paulo Henrique ao Aeroporto de Porto Alegre conversávamos sobre nossas atividades. Na época, ele era colunista de O Globo e eu de Zero Hora. Quando reclamei da interferência da direção no meu trabalho, Paulo Henrique falou com aquele sotaque carregado de carioca:

- Não esquenta. Uma vez, fui reclamar com o dr. Roberto Marinho no seguinte tom queixoso: "Dr. Roberto, mexeram na minha coluna". Ele nem me olhou e respondeu curto e grosso, escandindo cada palavra para não deixar dúvida sobre seu estado de ânimo: "Sua coluna ? Fique sabendo que eu sou o dono do jornal, portanto dono da sua coluna".


O Bastidor do Poder, Brizola, Collares e a Ruptura

Se há algo que aprendi ao longo de décadas circulando nos bastidores da política e da imprensa é que o jornalismo tradicional brasileira sempre viveu  numa simbiose hipócrita com o poder. Ao longo da minha carreira, atuei como jornalista e como agente político. Transitei entre redações e gabinetes governamentais. Cheguei a ser consultor jurídico do Banerj, Rio de Janeiro, nomeado por Leonel Brizola. Antes disto, junho de 1988, fui Secretário da Indústria e Comércio, Secretário da Fazenda, sendo que em 1992 assumi a chefia da Casa Civil no governo estadual de Alceu Collares (PDT).

O episódio da saída ruidosa da Casa Civil, 1992, significou o fim da minha atividade em governos.

Alceu Collares era um mestre na arte da hipocrisia política. Numa determinada manhã, ele me chamou ao seu gabinete no Palácio Piratini, tirou um papel da gaveta e disse que havia recebido um "dossiê anônimo" com denúncias contra mim. Queria que eu investigasse o caso. Olhei bem para a cara dele, peguei o documento e disse de cara: "Não vou tocar nisso aí. Eu conheço o teu jogo, Collares. Sei perfeitamente que foi você quem mandou a P-2 da Brigada Militar armar esse dossiê contra mim. Estou me demitindo do cargo agora. Vou sair desta sala e vou te denunciar para a imprensa".

Ele se levantou furioso: "Eu sou o governador e você me respeita!". Retruquei na mesma moeda: "Desde quando vou te respeitar? Tu não te dás ao respeito!". Saí do gabinete, chamei os repórteres no corredor do Piratini e escancarei a manobra. As acusações do tal dossiê eram ridículas: diziam que eu tinha concedido uma passagem de ônibus para o presidente da Fracab ir a um congresso no Rio de Janeiro e que tinha feito um churrasco de aniversário num clube da Brigada Militar com verba pública. Tudo armação barata da P-2.

O Governador já tinha feito exatamente a mesma canalhice com outros companheiros do PDT: armou dossiês falsos contra Milton Zuanazzi na CRT, contra Leonid Streliaev na TVE, contra o professor Eduardo Dutra Aydos na Fundação de Recursos Humanos, contra Aldo Pinto na Secretaria da Agricultura e contra Newton Alves na Cohab. O modus operandi era sempre o mesmo: ele fabricava a acusação via serviço de inteligência e espalhava notinhas caluniosas nos jornais através de jornalistas chapa-branca que se prestavam ao serviço de recusa do governo de plantão. Um desses jornalistas era da RBS. Na época, levei a denúncia documentada ao Diretor de Redação da época, o jornalista Augusto Nunes, atraído pela Família Sirotsky ao Rio Grande do Sul para transformar o diário Zero Hora num grande jornal do Brasil, o que conseguiu. 


A Ilusão da Esquerda e o Surmento do Petismo

Muita gente me pergunta como um homem que passou a juventude na esquerda, combatendo a ditadura e sofrendo prisões, tornou-se um dos mais ferrenhos opositores da esquerda e do Partido dos Trabalhadores. A resposta é simples: até os meus quarenta anos, eu acreditava genuinamente que a esquerda lutava por liberdade, por pluralismo e pelo restabelecimento do Estado Democrático de Direito. ILUSÃO.

A minha grande decepção não foi uma mudança repentina de valores individuais, mas a constatação fática de que a esquerda brasileira carrega em seu DNA um viés autoritário, incapaz de conviver com o contraditório e com a imprensa livre. Quando combatíamos o regime militar, eu estava ao lado da esquerda não-armada defendendo a liberdade de expressão. Pensei que eles queriam o mesmo. Tolo engano. Na verdade, eles não queriam destruir a ditadura para instalar a democracia; queriam derrubar a ditadura militar para colocar no lugar uma ditadura de esquerda. Eu não queria ditadura nenhuma.

A história do Brasil nos mostra que governos de centro ou de esquerda tradicional do passado não agiam com o fel e o aparelhamento destrutivo que o PT introduziu no País. Getúlio e Jango enfrentaram oposições ferozes de jornais e rádios, mas jamais orquestraram uma patrulha sistemática para estrangular financeiramente veículos ou cassar o sustento de jornalistas. Eles não cortavam publicidade oficial de jornais para exigir a demissão de críticos, não usavam a polícia para intimidar repórteres nem acionavam a máquina do Judiciário em bloco para falir profissionais.

O PT, não. O PT transformou a gestão pública num trator de perseguição ideológica. E tudo isso não começou em Brasília com o governo Lula em 2003; começou muito antes, no dia 1º de janeiro de 1989, quando Olívio Dutra assumiu a Prefeitura de Porto Alegre.

Porto Alegre e o Rio Grande do Sul foram os laboratórios onde o PT testou a engenharia do autoritarismo e da censura oblíqua que mais tarde tentaria implantar no Brasil inteiro. As propostas de "controle social da mídia" e o natimorto "Conselho Nacional de Jornalismo", tentados pelo governo Lula no plano federal, nada mais foram do que a cópia amarelada daquilo que nós, jornalistas gaúchos, já havíamos enfrentado e combatido nos anos 1990 em Porto Alegre e no Palácio Piratini.

Quem estudou a história do comunismo — como eu estudei —, quem leu as biografias de Stalin e examinou as entranhas dos regimes totalitários na União Soviética, em Cuba ou na China (países que visitei diversas vezes), reconhece o figurino de imediato. Nesses países não existe imprensa livre; os jornalistas são reles funcionários do Estado e do Partido Único, e a informação é totalmente tutelada.

Quando vejo dirigentes petistas reclamando de suposta perseguição da mídia, sou obrigado a rir para não chorar. O que a esquerda realmente quer não é uma imprensa justa; quer uma imprensa totalmente amordaçada e curvada aos seus projetos de poder.

O Cerco e o Laboratório Petista em Porto Alegre (1989–1998)

A minha guerra contra o aparelhamento petista começou no primeiro mês da administração de Olívio Dutra na Prefeitura de Porto Alegre, em 1989. O governo municipal resolveu intervir brutalmente nas empresas de transporte coletivo da capital. Fiz críticas duríssimas àquela medida truculenta na minha coluna no Correio do Povo. A resposta do prefeito Olívio foi imediata: moveu uma ação judicial cível contra mim baseada na antiga Lei de Imprensa.

Antes de mover o processo, Olívio tentou me amansar. Convidou-me para um almoço no restaurante Treviso, no Mercado Público. Quando ele me ligou fazendo o convite, respondi no meu estilo meio brincalhão, meio sério: "Só aceito se tu te comprometeres a não me envenenar durante o almoço!". Tivemos uma conversa socialmente agradável — Olívio é um sujeito de trato pessoal afável quando fala de assuntos irrelevantes —, mas na política era implacável. O processo dele contra mim acabou caindo por um erro crasso do advogado dele, o doutor Marco Túlio de Rose, e nem chegou a ser julgado no mérito.

Logo em seguida, o Secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre, Caio Lustosa, me processou duas vezes consecutivas pela Lei de Imprensa por causa de notas críticas que publiquei. Na primeira, cometeu erro processual; na segunda, fui levado a julgamento e absolvido. Quando me preparei para voltar à carga contra a secretaria, a direção do Correio do Povo, amedrontada com o contexto político, censurou minhas notas dizendo que "já era demais".

A máquina de comunicação da Prefeitura de Porto Alegre foi transformada numa monstruosa engrenagem de propaganda e patrulhamento. Durante as quatro gestões petistas na capital (1989–2004), a Coordenação de Comunicação Social virou um feudo com mais de 110 profissionais, entre servidores, cargos em comissão e estagiários. Nomes como Félix Valente, Vera Spolidoro, Ilza do Canto e Ayrton Kanitz revezavam-se no comando desse aparelho.

No último ano do governo João Verle, a verba publicitária da prefeitura atingia o equivalente a mais de R$ 8 milhões de reais em valores atualizados. Esse dinheiro irrigava agências companheiras como  era torrado na produção de um único programete semanal de rádio e TV, o "Cidade Viva", produzido sucessivamente pela Cooperativa de Vídeo, Eixo Z, Radioativa e Competence. Era a utilização da máquina pública para construir uma hegemonia cultural e sufocar as vozes dissonantes.

Enquanto os grandes veículos de comunicação do centro do País — e parte da mídia paulista — fechavam os olhos ou aplaudiam o "modelo de Porto Alegre", nós, um pequeno grupo de jornalistas gaúchos, fazíamos o enfrentamento diário por nossa conta e risco. A maioria da imprensa tradicional gaúcha e das lideranças empresariais capitulou ou preferiu se omitir diante dos abusos, deixando a defesa da liberdade de expressão nas mãos de poucos profissionais que recusavam o cabresto.

O Terrorismo de Estado no Governo Olívio Dutra (1999–2002)

Se a experiência na Prefeitura foi o laboratório, a chegada de Olívio Dutra ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em 1999, representou a deflagração de uma guerra aberta contra a imprensa independente. O homem forte da comunicação do Palácio Piratini era o jornalista Guaracy Cunha, que se tornou o czar absoluto da área. Ele não apenas patrulhava o conteúdo dos jornalistas gaúchos, mas utilizava a verba publicitária do Estado como chibata para premiar os submissos e punir exemplarmente os críticos.

Como minha relação com o PT já era de hostilidade declarada desde 1989, a minha recepção no governo estadual foi a inclusão imediata do meu nome num verdadeiro Index da Secretaria de Comunicação do Governo. A inclusão nesse Index trazia consequências dramáticas para o meu trabalho diário:

  1. Fui proibido de receber qualquer release ou informação oficial de todas as secretarias e órgãos do governo estadual.
  2. Tive o acesso cortado a qualquer autoridade do Estado. Não adiantava solicitar entrevistas com secretários, diretores de autarquias ou com o governador: a porta estava trancada.
  3. Fui sumariamente banido da lista de convidados para todos os atos oficiais e não-oficiais. Solenidades, coletivas de imprensa, cafés da manhã ou almoços de trabalho: eu era considerado persona non grata.

Durante os quatro longos anos do Governo Olívio Dutra, não pisei no Palácio Piratini e nem em nenhuma repartição pública estadual. A única exceção ocorreu quando fui intimado a prestar depoimento numa Delegacia de Polícia da Polícia Civil, na condição de investigado.

O motivo da intimação? Escrevi uma nota denunciando perseguições políticas no Banrisul. Os diretores petistas do banco, irritados, acionaram o Ministério Público Estadual para forçar a Polícia a arrancar o nome da minha fonte. Compareci à delegacia constrangido. O delegado, de forma muito cortês, me disse: "Olha, Políbio, estou constrangido de te perguntar isso, mas recebi o pedido do Ministério Público e sou obrigado a cumprir".

Olhei para o delegado e respondi firmemente: "O senhor nem poderia me fazer essa pergunta. A Constituição Federal me garante categoricamente o direito ao sigilo da fonte". Ele insistiu que era sua obrigação formal perguntar, e eu, obviamente, não abri o sigilo. Não abro sigilo de fonte em hipótese alguma. (Nesse mesmo período conturbado, a Polícia Federal também me intimou a prestar depoimento para tentar me arrancar a fonte de uma reportagem que fiz sobre esquemas nos Correios, e mantive a mesma postura inabalável).

Mas a perseguição policial e governamental do PT não parou por aí. Guaracy Cunha e a cúpula do Piratini foram diretamente aos veículos de comunicação onde eu trabalhava para exigir a minha cabeça. Foram à direção da Rádio Bandeirantes e da Gazeta Mercantil e aplicaram uma chantagem financeira sórdida: cortaram 100% da publicidade estatal nesses dois veículos e condicionaram o retorno dos anúncios à minha imediata demissão.

Resultado: fui demitido simultaneamente e sucessivamente da Gazeta Mercantil e da Rádio Bandeirantes por pressão direta do Palácio Piratini. O mesmo terrorismo econômico foi praticado contra o Novo Jornal, de Caxias do Sul, para onde eu escrevia. O Governo Olívio asfixiou o jornal cortando todas as verbas publicitárias até obrigar o veículo a fechar as portas definitivamente.

A tática petista era a destruição total do indivíduo. O governo fez comigo tudo o que estava ao alcance da máquina estatal:

  • Cortou minhas fontes de suprimento de informação;
  • Cassou meus empregos no rádio e na imprensa escrita;
  • Intimou-me em delegacias policiais;
  • Moveu dezenas de processos judiciais cíveis e criminais para tentar me colocar na cadeia e tomar o meu patrimônio familiar através de indenizações pesadas.

A única coisa que faltou Olívio Dutra fazer comigo foi mandar me matar ou me trancar fisicamente numa cela, porque o resto ele tentou de tudo. E essa crueldade não foi aplicada só contra mim; estendeu-se a duas dezenas de profissionais corajosos, como Érico Valduga, Hélio Gama, Diego Casagrande, Gilberto Simões Pires e José Barrionuevo.

No final do governo Olívio, a situação de sufocamento financeiro e profissional era tão desesperadora que eu costumava dizer, com meu humor ácido, que só não pedi socorro à Associação Protetora dos Animais porque o Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, liderado por Jair Krischke, acudiu a mim e aos colegas a tempo, dando-nos suporte moral e institucional para manter a dignidade.

O Desagravo na OAB e a Estratégia dos Processos em Massa

No dia 10 de dezembro de 2000, às 20 horas, vivi um dos momentos mais emblemáticos dessa resistência. O auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio Grande do Sul estava lotado por um público apreensivo e nervoso. Havia um clima de tensão palpável no ar, agravado pelo fato de o então presidente da OAB gaúcha, Nelson Batista, ter se recusado a compor a mesa e a ceder formalmente a casa, decidindo, na prática, agravar ainda mais os jornalistas perseguidos.

Com vinte minutos de atraso, Jair Krischke abriu os trabalhos da sessão de desagravo público aos doze jornalistas perseguidos pelo Governo Olívio Dutra. Cada um de nós — eu, Érico Valduga, Hélio Gama, Diego Casagrande, Gilberto Simões Pires, José Barrionuevo e outros companheiros de luta — recebeu uma pomba de acrílico transparente, uma obra de arte belíssima concebida pelas mãos do artista plástico uruguaio Mario Cladera.

Aquele ato não era apenas uma cerimônia simbólica; era o grito de socorro de uma imprensa acossada pela sombra do autoritarismo estatal. Muitos outros profissionais do interior e da capital pagaram preços altíssimos, no anonimato, por acreditarem que podiam criticar o PT com a mesma liberdade com que criticavam qualquer outro governo democrático.

Derrotado nas urnas e desmascarado publicamente, o petismo mudou de tática nos anos seguintes: passou a utilizar a metralhadora de processos judiciais coordenados. Entre 2005 e 2006, fui vítima de um verdadeiro cerco jurídico orquestrado. A cada dois meses, brotava uma nova ação judicial contra mim. Cheguei a responder a 19 processos simultâneos!

A orquestração era evidente: os advogados das partes eram os mesmos, e os autores eram sempre figuras do PT, parlamentares ou entidades sindicais aparelhadas.

  • Tive processos movidos pelo deputado Frei Sérgio Göergen (PT) — caso em que me baseei numa fonte que se provou falsa, admiti o erro, mas fui condenado nas duas instâncias a indenização e pena de prisão, convertida por ser primário;
  • Fui processado por quatro diretores petistas do Banrisul;
  • Duas ações movidas pela organização do Fórum Social Mundial (fui absolvido no crime e condenado no cível);
  • Processos movidos pelo CPERS, pela agência de publicidade Intelig, pelo Sinttel (Sindicato dos Telefônicos) e por cinco diretores dos Correios do RS;
  • Recebi e-mails com ameaças veladas de processos vindas de Eliezer Pacheco (marido da deputada Maria do Rosário) e do ex-procurador-geral do município, Rogério Favretto, ambos instalados em cargos poderosos no Palácio do Planalto durante o governo Lula.

Diante dessa avalanche, tomei uma decisão radical que mudou minha vida: demiti meus advogados e passei a fazer a minha própria defesa em juízo. Como sou formado em Direito, percebi que os advogados que eu contratava estavam perdendo uma causa atrás da outra. Pensei comigo: "Se é para perder e ir para a cadeia, que seja comigo me defendendo! Pelo menos economizo dinheiro e não perco tempo". Assumi a minha defesa e o resultado foi surpreendente: passei a ganhar a esmagadora maioria das ações, somando absolvições sucessivas na primeira e na segunda instâncias.

A Reinvenção na Internet e a Criação do Portal

Quando o PT conseguiu me varrer simultaneamente da Gazeta Mercantil e da Rádio Bandeirantes, vi-me num momento de profundo isolamento profissional. Olhei para o mapa dos veículos de comunicação de Porto Alegre e perguntei a mim mesmo: "Para onde posso ir agora?".

A RBS não me contrataria nem com banda de música; a Caldas Júnior não me queria nem pintado de ouro; a Band fechara as portas. Os donos de jornais sabiam que, se me colocassem para dentro da redação, eu criaria uma confusão dos diabos em menos de 24 horas. Cheguei a considerar seriamente a hipótese de abandonar o jornalismo e me dedicar exclusivamente à advocacia.

Mas eu sou um homem ativo. Não tenho espaço para vitimismo na minha vida. Pode me acontecer a pior desgraça do mundo que eu não vou me deitar no chão para chorar ou achar que estou liquidado. Eu sempre caminho para a frente. E foi no meio desse cerco sufocante que enxerguei a luz de uma revolução tecnológica que estava apenas começando: a internet.

Minha história com a rede vem de longe. Quando surgiu o Via-RS — o primeiro provedor de internet do Rio Grande do Sul, há mais de uma década —, eu fui o primeiro jornalista gaúcho a assinar e manter uma coluna diária na internet. Se um dia alguém se der ao trabalho de escrever a história do jornalismo digital neste País, vai ter de encontrar o meu nome na gênese.

Anos mais tarde, quando eu ainda estava na Rádio Bandeirantes, o diretor Bira Valdez sugeriu que eu criasse um site para a emissora abrigar a minha coluna. Criei o projeto do zero. A coluna na página da Band começou a dar um retorno espetacular. Um dia, um leitor ligou para a rádio e perguntou: "Por que o Políbio não cria um sistema de assinatura para mandar essa coluna por e-mail?". Eu nem sabia como funcionava aquilo. Fui pesquisar, descobri a ferramenta do e-mail em massa e lancei a ideia. A resposta dos leitores superou todas as expectativas.

Quando rompi com a Bandeirantes — após o Bira Valdez passar a me assediar moralmente no ar para agradar ao governo Olívio que cortara as verbas da rádio —, levantei da mesa no meio do programa ao vivo, peguei meu casaco e minha pasta e nunca mais voltei. Quando vieram me oferecer o acerto financeiro, mandei uma resposta fulminante: "Peguem esse dinheiro e mandem para uma ONG de caridade ligada ao PT! Não quero esse dinheiro sujo do Palácio Piratini!". Levei a rádio para a Justiça do Trabalho e arranquei uma bolada.

Livre das amarras de patrões e de governos, fundei o meu próprio veículo: o site [www.polibiobraga.com](https://www.polibiobraga.com).br.

A internet me deu o que a grande mídia sempre me negou: LIBERDADE ABSOLUTA. Se antes as minhas denúncias eram limadas pelos diretores e editores medrosos dos jornais, agora o dono do negócio era eu mesmo. Lancei a minha newsletter diária, que atingiu a marca impressionante de mais de 90 mil assinantes diretos. Passei a publicar absolutamente tudo o que apurava. O volume e a gravidade das denúncias contra os desmandos do PT cresceram em progressão geométrica. Afinal, durante o governo Olívio, o que acontecia no Rio Grande do Sul era coisa para se escrever um livro por dia.

Ironicamente, a perseguição e o ódio do PT foram os melhores combustíveis para a minha carreira. Todas as vezes que eles conseguiram me colocar na rua de um veículo, fui para outro, ganhando o dobro; quando me fecharam as portas da imprensa tradicional, fui para a internet e construí minha independência financeira e editorial. Costumo dizer: se o PT ficasse mais vinte anos no poder me perseguindo, eu acabaria virando milionário! Eles me obrigaram a me reinventar.

Métodos de Trabalho, Ideologia e o Futuro

Hoje, olho para a minha mesa de trabalho abarrotada de documentos, relatórios e livros densos. Não consigo escrever uma única linha sobre qualquer assunto sem antes investigar a gênese, a origem histórica daquilo. Quantas vezes perdi a chance de dar um "furo" jornalístico apressado só porque me recusei a publicar antes de compreender profundamente a raiz do problema?

Defino meu estilo de trabalho com clareza: sou um jornalista minucioso, trabalhador, brigão e profundamente indignado com a degradação ética do Brasil. Vivo intensamente ao lado da minha esposa Raquel e acompanho com orgulho a trajetória dos meus dois filhos, Frederico e Pedro Mariano. Continuo escrevendo diariamente para o meu portal e assinando minha coluna no jornal O Sul, do grupo Pampa, onde encontrei espaço para trabalhar sem as amarras cínicas do passado.

Minha rotina de autopublicação no site hoje passa por um filtro curioso: escrevo absolutamente tudo o que quero, do jeito mais incisivo e visceral possível. Depois, sento na cadeira do editor, leio o meu próprio texto e começo a cortar os excessos. Aprendi a me autocensurar para não dar munição fácil aos canalhas, mas sem jamais perder a contundência.

Politicamente, não tenho pudor em dizer: dentro das categorias vigentes, sou um homem de direita. Minha bronca com o PT ultrapassou a esfera política tradicional e virou uma questão quase psiquiátrica: eles são ressentidos comigo e eu sou visceralmente ressentido com eles. Cheirou a militante ou dirigente petista perto de mim, a briga está formada no ato.

Assistimos no Brasil a uma degradação moral, ética e institucional sem precedentes. O cidadão de bem está encurralado pela impunidade, pela violência e pelo mal exemplo que vem de cima. Como dizia o Cardeal de Retz: "Quando os de cima se desmoralizam, os de baixo perdem o respeito". As elites políticas que governam o Brasil atual são as piores que já vi em toda a minha vida.

O brasileiro está exausto da inversão de valores, de bandido protegido e de discurso politicamente correto. Acredito firmemente na lei, na ordem e no cumprimento rigoroso das regras. Elas são para todos. 

Sou um sobrevivente das prisões da ditadura militar e do terrorismo econômico-judicial das ditaduras disfarçadas da esquerda. Nunca me vergaram. Continuo aqui, no meu escritório, de pé, firme, com a caneta  e o teclado afiados, sempre pronto para a próxima briga. Porque enquanto houver alguém querendo amordaçar a verdade, atentando contra a liberdade de expressão, eu não vou me calar.