Green card mais difícil

 O Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) emitiu um memorando exigindo que a maioria dos solicitantes de green card que já está em solo americano retorne ao seu país de origem para fazer o pedido por meio de processamento consular.vA prática conhecida como Adjustment of Status (Ajuste de Status) agora será restrita apenas a casos excepcionais. O USCIS informou que a mudança visa cumprir a lei original de imigração e liberar recursos da agência.

Os principais impactos e detalhes da nova política incluem:

O Fim da Prática Comum: historicamente, estrangeiros com vistos temporários (como turismo, intercâmbio ou trabalho) que se qualificavam para a residência permanente podiam solicitar a mudança legalmente sem sair dos Estados Unidos.
Risco de Punição Severa: especialistas em imigração alertam que, se o solicitante deixar os EUA para o processamento consular, ele poderá ficar sujeito a proibições automáticas de reentrada de 3mou 10 anos, dependendo do tempo de permanência irregular prévia no país.
Suspensão Consular: a situação tornou-se ainda mais complexa porque o Departamento de Estado dos EUA também está aplicando uma pausa administrativa na emissão de vistos de imigrante para cidadãos de 75 países (incluindo o Brasil), exigindo reavaliações estruturais.

Leilão do Bloco 2 confirmado para 10 de junho

 O leilão de concessão das rodovias do chamado Bloco 2 (frequentemente referido como Lote 2) no Rio Grande do Sul está marcado para o dia 10 de junho de 2026. A sessão ocorrerá às 14h na sede da B3 (Bolsa de Valores), em São Paulo.Os principais detalhes e parâmetros atualizados do projeto incluem:📍 

Rodovias Abrangidas
O lote engloba 409 km de extensão, abrangendo trechos de seis estradas no Vale do Taquari e na região Norte do estado:ERS-128ERS-129ERS-130ERS-135ERS-324RSC-452.

Tarifas e Investimentos
Após auditoria e recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), o edital foi reajustado:Tarifa por quilômetro: reduzida de R$ R$ 0,19 para R$ 0,18.
Investimento total: estimado em R$ 6 bilhões ao longo de 30 anos de contrato. Desse total, R$ 1,5 bilhão é proveniente de aporte público do Estado (via Funrigs).

Melhorias Previstas
O projeto determina a execução de obras importantes, como:182 km de duplicações,71,5 km de terceiras faixas, instalação do sistema de pedágio eletrônico free flow (sem praças físicas de cobrança)

A entrega e o credenciamento dos envelopes com as propostas das empresas interessadas ocorreram no dia 3 de junho, entre 10h e 12h.

Análise

 O ceticismo da agência de classificação de risco Moody's em relação ao Brasil está ligado à rigidez dos gastos públicos e à lenta estabilização da dívida. Em paralelo, análises da Meta sobre o mercado corporativo brasileiro indicam atrasos na adoção de IA e governança incipiente nas empresas.Os impactos dessas análises dividem-se em duas frentes:1. Moody's e o Risco Fiscal BrasileiroA agência mantém a nota soberana do Brasil em Ba1 (um degrau abaixo do tão desejado investment grade), mas adotou uma postura mais cautelosa.Pontos de Atenção: A agência aponta uma deterioração na capacidade de pagamento do país, travada pela rigidez do orçamento e dificuldades em cumprir o arcabouço fiscal com folga.Potencial da IA: Em relatório, a agência destacou que a IA poderia aumentar a produtividade brasileira em até \(1,4\%\) ao ano, mas a concretização desse cenário depende de reformas.2. Análise da Meta sobre IA nas EmpresasPesquisa da Meta realizada em parceria com a Fundação Dom Cabral revelou que a adoção da Inteligência Artificial no Brasil ainda engatinha.Baixo Orçamento: Cerca de \(43,3\%\) das empresas brasileiras destinam menos de \(1\%\) do seu orçamento para projetos de IA.Falta de Governança: O estudo mostra que \(68,3\%\) das companhias não possuem um núcleo interno dedicado à governança de IA.Desafios: A falta de profissionais qualificados e a subutilização de dados atrasam a institucionalização da tecnologia, impactando a competitividade a longo prazo.

STF decide se corruptos podem concorrer

O Supremo Tribunal Federal começou a julgar mudanças na Lei da Ficha Limpa que podem reduzir prazos de inelegibilidade e abrir caminho para o retorno às urnas de políticos condenados por corrupção.


E o julgamento ocorre no plenário virtual.


Sem debate presencial. Sem confronto público de argumentos. Sem ministros defendendo suas posições diante do país.


Entre os possíveis beneficiados aparecem nomes como Sérgio Cabral, condenado a mais de 400 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Mesmo após confissões públicas e escândalos bilionários, políticos condenados seguem encontrando brechas jurídicas, reduzem punições, deixam a prisão e agora podem voltar ao cenário eleitoral.


A Lei da Ficha Limpa nasceu de uma mobilização popular histórica contra corrupção e impunidade. Por isso, uma discussão dessa dimensão deveria ocorrer às claras, diante da sociedade brasileira.


O plenário virtual pode servir para temas técnicos. Não para uma decisão que interfere diretamente na credibilidade das instituições e na moralidade da política brasileira.

Dica do editor - Saiba como a Fiocruz produzirá remédio de alto custo contra esclerose para o SUS

O medicamento de alto custo cladribina oral, que já é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com esclerose múltipla, passará a ser produzido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Com isso, os custos de aquisição devem cair, permitindo que mais pacientes recebam a medicação. 

Acompanhe texto de hoje da Agência Brasil, assinado pela repórter Tâmara Freire.

Sob o nome comercial Mavenclad, a medicação foi incorporada ao SUS em 2023 para o uso de pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) altamente ativa, ou seja, que apresentam surtos frequentes ou progressão rápida da doença, apesar de já utilizarem a terapia de base. 


Atualmente, o custo médio do tratamento para cada paciente é de quase R$ 140 mil em cinco anos. A estimativa é de que cerca de 3,2 mil pessoas apresentem a doença com alta atividade no país. 


No entanto, mais de 30 mil brasileiros convivem com a esclerose múltipla do tipo remitente-recorrente, o mais comum, caracterizado por episódios de surtos, intercalados com períodos de remissão. 


A esclerose múltipla é uma doença crônica degenerativa que afeta o cérebro e a medula espinhal. Ela pode evoluir de forma lenta ou rápida e os pacientes apresentam graus de comprometimento diversos. Em algumas pessoas, as consequências podem ser bastante severas, como cegueira, paralisia e perda das funções cognitivas. 


A cladribina é o primeiro tratamento oral de curta duração, com eficácia prolongada no controle da EMRR. Por isso, foi incluída na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde. 


Resultados de estudos recentes, apresentados no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS), mostraram que os pacientes que fizeram uso do remédio tiveram a lesão neuronal reduzida em dois anos. Outras pesquisas verificaram que 81% deles conseguiram andar sem nenhum apoio e mais da metade não necessitou de mais nenhum outro medicamento.

Arrecadação federal foi recorde em abril

 Impulsionado por carga de impostos cada vez maiores, o governo federal arrecadou R$ 278,8 bilhões em impostos, contribuições e demais receitas em abril. É o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1995. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (21) pela Receita Federal e mostram crescimento real de 7,82% em relação a abril de 2025, descontada a inflação.

O aumento é incompativel com o pífio crescimento da economia, +1,3% no primeiro trimestre, conforme IBC-Br do Banco Central.

No acumulado de janeiro a abril, a arrecadação chegou a R$ 1,05 trilhão, alta real de 5,41% na comparação com o mesmo período do ano passado. Também é o maior valor já registrado para um primeiro quadrimestre desde o início da série histórica.

Leia o que diz reportagem desta manhã da Agência Brasil:

Principais números:

Arrecadação em abril: R$ 278,8 bilhões (7,82% acima da inflação);

Arrecadação no ano: R$ 1,05 trilhão (5,41% acima da inflação);

 IRPJ e CSLL: R$ 64,8 bilhões (7,73%);

 Receita previdenciária: R$ 62,7 bilhões (4,83%);

 IR sobre rendimentos de capital: R$ 13,2 bilhões (25,45%);

 Alta da arrecadação do petróleo e gás: R$ 11,4 bilhões (541% em abril).

O que puxou

Segundo a Receita Federal, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento da arrecadação previdenciária, relacionado ao aumento do trabalho formal.


O crescimento também foi motivado pelo Programa de Integração Social (PIS) e pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ligados ao consumo.


Também contribuíram para a alta o Imposto de Renda sobre aplicações financeiras, reformulado no ano passado, e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cujas alíquotas sobre operações cambiais aumentaram em 2025.


Outro fator importante foi a reoneração gradual da folha de pagamentos de alguns setores e da contribuição patronal dos municípios, retomada desde janeiro de 2025.


A arrecadação com Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) somou R$ 64,8 bilhões em abril, com crescimento real de 7,73%.


De acordo com a Receita, houve aumento na tributação de empresas enquadradas em diferentes regimes, como estimativa mensal, lucro presumido e balanço trimestral.


O avanço indica que as empresas tiveram maior lucro tributável e ampliaram o recolhimento de impostos federais.


Previdência Social

A receita previdenciária arrecadou R$ 62,7 bilhões em abril, crescimento real de 4,83%.


O resultado foi influenciado pelo aumento da massa salarial do país, que cresceu 3,61% em março na comparação anual. Também houve expansão de 9,18% na arrecadação previdenciária ligada ao Simples Nacional.


Na prática, mais empregos formais e salários maiores aumentam automaticamente a contribuição recolhida ao INSS.


Investimentos

O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital arrecadou R$ 13,2 bilhões, com crescimento real de 25,45%.


A Receita atribui o resultado ao aumento da tributação sobre aplicações de renda fixa e ao salto na arrecadação com Juros sobre Capita

Artigo, especial -Dagoberto Lima Godoy - O Brasil e o espectro de Roma

Há comparações históricas que, tomadas literalmente, mais confundem do que esclarecem, mas há outras que funcionam como advertência. A analogia entre a degenerescência político-moral do Brasil e a queda do Império Romano pertence a essa segunda categoria. Não porque o Brasil esteja destinado a repetir Roma, nem porque os estados da federação sejam equivalentes às antigas províncias imperiais, mas há um ponto de contato inquietante: quando a autoridade central perde legitimidade moral, capacidade administrativa e força simbólica, a unidade política pode continuar existindo formalmente enquanto, por dentro, se enfraquece.

É aqui que a comparação com o Brasil ganha sentido. O risco brasileiro talvez não seja uma queda espetacular, uma ruptura súbita, uma dissolução imediata da federação. O risco mais plausível é mais insidioso: uma degradação por acomodação. O país não se desmancha porque todos querem destruí-lo, mas porque muitos aprenderam a sobreviver — e até a prosperar — dentro de sua disfunção. Todos criticam os privilégios, desde que não sejam os seus. Todos condenam a corrupção, mas muitos toleram a pequena vantagem, a proteção corporativa, a exceção conveniente, o favor político, a esperteza administrativa. O resultado é uma decadência sem dramaticidade: uma lenta perda de energia moral.

A degenerescência brasileira manifesta-se na substituição do interesse público por pactos de sobrevivência, na captura do orçamento por grupos organizados, na transformação do adversário em inimigo moral, na judicialização excessiva da política e na percepção de que a lei é rigorosa para alguns, negociável para outros e irrelevante para os mais poderosos. Essa situação não equivale ainda ao colapso. Mas produz algo talvez mais perigoso: a normalização do anormal. 

Ainda assim, nenhuma comparação histórica deve servir apenas ao pessimismo. Roma é advertência, não sentença. A reforma do prédio ainda é possível se as rachaduras da estrutura ainda não chegam à falência. O Brasil não está condenado, embora já não possa se permitir a ilusão de que suas fissuras são superficiais.

A reabilitação nacional exigirá recomposição moral e institucional: restauração da responsabilidade, recuperação do sentido republicano, reforma do federalismo, reconstrução da educação como projeto civilizacional, enfrentamento da ilegalidade organizada e da ilegalidade tolerada, além de uma linguagem pública capaz de distinguir adversário de inimigo.

A pergunta, portanto, não é se repetiremos Roma. É se teremos lucidez suficiente para reconhecer os sinais de exaustão antes que eles se convertam em normalidade definitiva.  Um país não se salva apenas por indignação contra sua decadência. Salva-se quando transforma a indignação em responsabilidade, a crítica em reforma e a esperança em ações eficazes.