Condenada a 14 anos por Alexandre de Moraes, dona de casa deposita esperança em novo julgamento

RAQUEL DEREVECKI 30 JANEIRO 2024 | 6min de leitura

Desde que seu caso foi divulgado pela Gazeta do Povo na última semana, dona Jupira Silvana da Cruz Rodrigues, de 57 anos, tem recebido apoio e voz. “Pessoas estão me visitando e muita gente tem enviado mensagens para senadores, deputados e ministros a respeito da minha situação”, relata a mineira, que segue com tornozeleira eletrônica, é obrigada a apresentar-se no fórum semanalmente e está proibida de manifestar-se em redes sociais.


“Não posso falar por lá, mas muitos estão falando por mim, então quero agradecer a cada um”, disse em entrevista à Gazeta do Povo, citando também a atitude do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que pediu na última segunda-feira (2) que o julgamento seja presencial. Essa solicitação evitou que dona Jupira fosse condenada em plenário virtual a 14 anos de pena e ao pagamento de uma indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 30 milhões de reais — valor que deve ser dividido entre os sentenciados.


Em seu pedido, Mendonça argumentou “ser importante o exame do caso com maior detença" em função das "peculiaridades fáticas e das circunstâncias pessoais da acusada”. A ação é uma tentativa de individualizar a conduta dos réus do 8/1 e as penas recebidas, um “princípio constitucional”, e faz com que o advogado de defesa fale presencialmente no julgamento. O mesmo destaque foi concedido pelo ministro à agente comunitária Nilma Lacerda Alves, que também já tinha maioria de votos no STF para a mesma condenação.

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O que aconteceu com ela no dia 8/1?

Segundo ela, sua filiação ao Partido Liberal (PL) ocorreu em 2011, mas a luta em prol da família e das crianças começou bem antes. “Meu foco principal sempre foram as crianças porque sou mãe, avó, e não aguento ver maldade contra os pequenos”, afirma a mineira, que participou das manifestações realizadas em Brasília na tentativa de lutar por um país melhor para as futuras gerações.


“Fui outras vezes e sempre era muito pacífico, com orações e hinos. Se eu imaginasse o que ia acontecer no 8/1, jamais teria ido”, relata, ao contar um pouco do que viveu naquele dia. “Muitas pessoas tinham saído antes, e eu fui na segunda ou terceira leva que saiu do acampamento”, lembra.


Além disso, ela informa que todos passavam por uma revista com detectores de metal para retirar qualquer item considerado perigoso. “Até alicates de unha eram apreendidos”, recorda, ao afirmar que na sua mala tinham roupas e uma garrafinha de água. “Essa que encontraram com as minhas digitais e com as de outro rapaz porque ofereci para um moço tomar quando vi ele passando mal.”


Ainda de acordo com ela, a caminhada até o gramado foi longa e não havia lugar para se proteger. “Então, quando os policiais começaram a jogar bombas [de gás lacrimogênio] em nós, todo mundo, aquela massa, começou a procurar abrigo, e era muita gente. As câmeras poderiam mostrar tudo, se elas fossem reveladas.”


Em meio à confusão, Jupira conta que entrou no prédio mais próximo, e as cenas que viveu ali foram assustadoras. “Tinha muita gente vomitando, nossos olhos queimavam, e não dava para respirar direito devido à inalação do gás”, recorda, afirmando que os policiais continuavam atirando balas de borracha contra as pessoas. “Tanto que os vidros estavam intactos quando cheguei, mas foram quebrados por esses tiros.”


“Tanto que os vidros estavam intactos quando cheguei, mas foram quebrados por esses tiros”


Inclusive, uma cena que não sai de sua memória é a de um homem que ela viu se ajoelhar diante dos policiais, enrolado com a bandeira do Brasil e pedindo que os militares não atirassem. “A bandeira ficou vermelha de sangue, e eu só queria fugir dali.”


Diante da situação, mesmo sabendo das bombas fora do prédio, ela afirma que tentou sair do local três vezes, mas foi impedida pela força policial. “Fui obrigada a ficar ali dentro, fugindo das balas de borracha enquanto tentava ajudar pessoas que precisavam, como o rapaz que teve uma convulsão e tomou água da minha garrafinha.”


Após sete meses na prisão, saiu preventivamente com tornozeleira

Jupira foi presa dentro do Planalto e ficou sete meses encarcerada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. “Meu filho casou dia 21 de janeiro e eu não pude participar, um trauma psicológico que levarei para sempre”, lamenta a mineira, ao lembrar que passou essa data em oração com as demais detentas do 8/1.


Ela também não teve oportunidade de acompanhar o crescimento do netinho mais novo, hoje com um ano de idade, e soube que a neta de cinco anos chegou a pensar que ela havia morrido. “Eu sumi de verdade, e isso foi muito forte para ela.”


Agora, Jupira está em liberdade condicional com tornozeleira eletrônica e todas as suas contas bancárias seguem bloqueadas. “Inclusive, sou curadora de um rapaz com transtorno mental irreversível que perdeu a mãe atropelada, e até a pensão por morte que ele recebe foi travada por estar no meu nome”, revela. “Estamos sofrendo muito sem eu ter cometido nenhum crime.”


“Sou curadora de um rapaz com transtorno mental irreversível que perdeu a mãe atropelada, e até a pensão por morte que ele recebe foi travada por estar no meu nome”


Ela também comenta das idas semanais ao fórum da cidade para se apresentar ao juiz — regra imposta aos presos do 8/1. De acordo com a dona de casa, a situação lhe traz imensa tristeza, pois ela sempre entrou no local como uma “pessoa de bem” para atuar como jurada. “E para você ser jurado você tem que conduta honesta, coerente, e eu já participei aqui em Betim (MG) muitas vezes”, afirma, ao citar que hoje é obrigada a ouvir o detector de metais apitar devido ao uso da tornozeleira.


“Fora isso, eu não consigo mais dormir, tenho consultas com psiquiatra para lidar com tudo e tenho visto meu neto mais velho, de nove anos, desolado e me perguntando o tempo todo quando vou tirar isso. Eu só falo que será logo”, relata a mulher, ao pedir justiça.


“Há tantos criminosos que têm seus direitos resguardados pelos defensores dos direitos humanos, mas eu que não sou criminosa perdi todos os meus direitos, e ninguém fala nada. Quero que a verdade seja ouvida, nada mais que a verdade”, pede dona Jupira.


Leia estas contrarrazões de A. de Moraes no caso Carlos Bolsonaro

 CLIQUE AQUI para ler e entender - ou não entender.

A leitura atenta da decisão mostra enormes ambiguidades. Uma delas, ressaltada hoje por reportagem especial do site Poder360, denuncia que Moraes usou um conteúdo de mensagem trocada entre o ex-chefe da Abin com uma assessora de Carlos Bolsonaro, seria de 2020, quando na verdade ocorreu em 2022, quando Ramagem já estava fora da agência e tinha sido eleito deputado pelo rio. CLIQUE AQUI para ler tudo.

Vazou intencionalmente a íntegra da decisão de Moraes sobre a Operação da Polícia Federal que investiga a participação do filho de Jair Bolsonaro em suposto esquema de espionagem ilegal da Abin.

 A ação investiga a participação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em uma suposta implementação do que o ministro chama de Abin Paralela.

A PF, com apoio de Moraes, narra uma série de Núcleos do que chamam de organização criminosa para usar a Abin. O Núcleo Político seria constituído por Carlos Bolsonaro e a principal prova que a decisão de Moraes apresenta é uma conversa por texto entre uma assessora do vereador, Priscila Ferreira, e a delegada federal Isabela Ferreira, pedindo informações da Abin. Tudo por texto.

O conteúdo da decisão de Moraes é irrelevante do ponto de vista jurídico e legal, mas demonstra a determinação da Polícia Federal de devassar os arquivos da Abin.

Fuga de cubanos

 Em dois anos, pelo menos 533.000 cubanos chegaram aos Estados Unidos, um número equivalente a 4,8% dos 11,1 milhões de habitantes da ilha. Isso sem contar as entradas com outros tipos de vistos sobre as quais não há números oficiais disponíveis.

Nos últimos dois anos, 2022 e 2023, a fuga de cubanos para os Estados Unidos e outros Países, sobretudo espanha, alcançou níveis recordes. Uma sangria sem precedentes desde o início da Revolução em 1959 e motivada pela grave crise econômica da ilha, segundo reportagem da Associated Press.

O êxito sem precedentes ocorre em meio a uma inflação galopante, do colapso da produção agrícola e de uma lenta recuperação do turismo em seu país, o que provoca rápida deterioração da situação econômica.

No sábado, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos revelou que em 2023 registrou mais de 153.000 entradas irregulares de cubanos ao país. Outros 67.000 voaram diretamente ao território americano graças ao programa conhecido como Parole, implementado há um ano pela administração de Joe Biden.

Juntamente com os mais de 313.000 que entraram sem documentos em 2022, isso "representa o maior número de migrantes cubanos já registrado em dois anos corridos desde o começo do êxodo cubano pós-revolucionário em 1959", disse Jorge Duany, diretor do Instituto de Pesquisas Cubanas da Universidade Internacional da Flórida.

"Uma perda substancial"

Apenas a onda migratória de Mariel supera esta. Na década de 1980, 130.000 cubanos deixaram o país, seguida pelos "balseros" em 1994 com 35.000 e a fuga por razões políticas entre 1960 e 1963 de 300.000 no início da revolução.



STF retomará quinta-feira julgamento sobre revisão da vida toda

O Supremo Tribunal Federal retomar-a nesta quinta-feira o julgamento sobre a revisão da vida toda de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O julgamento foi suspenso em dezembro do ano passado e será um dos processos previstos para análise em fevereiro.

Em 2022, o Supremo validou a revisão da vida toda e permitiu que aposentados que entraram na Justiça possam pedir o recálculo do benefício com base em todas as contribuições feitas ao longo da vida.Pela decisão da Corte, ficou reconhecido que o beneficiário pode optar pelo critério de cálculo que renda o maior valor mensal, cabendo ao aposentado avaliar se o cálculo da vida toda pode aumentar ou não o benefício.Segundo o entendimento, a regra de transição que excluía as contribuições antecedentes a julho de 1994, quando o Plano Real foi implementado, pode ser afastada caso seja desvantajosa ao segurado.

Apesar do entendimento do STF, a revisão da vida toda ainda não é aplicada devido a um recurso do INSS. O órgão entrou com o recurso para restringir os efeitos da validade da revisão.