Artigo, João Darzone - Modernização cadastral ou oneração fiscal em São Leopoldo, RS.

- O título original é Modernização cadastral ou oneração fiscal  ? O impacto do geoprocesamento no IPTU de São Leopoldo, RS.

- O autor é advogado.
joao@bdgadvogados.com.br


A decisão do prefeito Ary Vanazzi de implantar o sistema de geoprocessamento em São Leopoldo transcende uma simples atualização tecnológica; ela representa, de fato, uma estratégia que impactará profundamente o bolso dos contribuintes. 


O geoprocessamento, apesar de suas promessas de modernidade e eficiência, surge como um cavalo de Troia para um aumento agressivo do IPTU, camuflado sob o véu do progresso e da necessidade de alinhamento dos valores imobiliários à realidade de mercado.


O investimento milionário na aquisição dessa tecnologia, que coloca a cidade no mesmo patamar de metrópoles internacionais, não deixa de ser uma ironia quando comparado com a realidade local dos moradores, que possivelmente não estão preparados para o choque fiscal que se anuncia. A administração municipal, ao se equipar com tal ferramenta, não apenas vislumbra uma modernização cadastral, mas também engendra uma arquitetura fiscal que, sem dúvida, tem como objetivo principal maximizar a receita sem o devido debate público.


A natureza quase autocrática da PEC 45/2019, que permite a atualização da base de cálculo do IPTU por decreto, é particularmente alarmante. A falta de intermediação da Câmara Municipal neste processo é uma faceta preocupante, pois restringe o espaço democrático de discussão e ponderação sobre os impactos sociais e econômicos dessa majoração tributária. O geoprocessamento, portanto, pode ser visto não somente como um instrumento de atualização cadastral, mas também como um mecanismo que pode ser usado para impor aumentos tributários sem a devida transparência e participação popular.


O recadastramento e a atualização dos valores venais dos imóveis, embora necessários, trazem consigo uma carga crítica: eles abrem as portas para uma elevação desmedida e potencialmente insustentável do IPTU. Os residentes de São Leopoldo, que deveriam ser os principais beneficiários de melhorias na infraestrutura e serviços urbanos, agora se veem frente a um futuro de maiores encargos, o que pode comprometer o orçamento doméstico de muitas famílias.


Em síntese, a implementação do geoprocessamento, sob a égide da eficácia administrativa e da justiça fiscal, não deixa de ser uma estratégia contundente para o aumento da arrecadação. Essa medida, embora revestida de modernidade, carrega consigo uma série de questionamentos sobre a equidade e a sustentabilidade fiscal a longo prazo. 


A gestão atual, ao priorizar a ampliação da arrecadação sem um diálogo aberto e participativo, pode estar não só sobrecarregando os contribuintes, mas também desconsiderando as nuances e as capacidades contributivas da população leopoldense.


De novo em São Paulo, Eduardo Leite ataca as redes sociais. Ops !!

Eduardo Leite viajou de novo para São Paulo neste final de semana. Ontem, ele participou do 6o Encontro Nacional de  Liderança e Gestão Pública, do Centro de Liderança Pública (CLP), em São Paulo, junto com a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (Cidadania), dosgovernadores do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e da Paraíba, João Azevedo (PSB).

O governador gaúcho, que vem se incomodando com as redes sociais e o tom declaradamente severo de boa parte da mídia sobre sua proposta de Tarifaço, voltou a atacar o povo que se manifesta pelas redes sociais.  Ele chegou ao ponto de declarar que as plataformas digitais representam um perigo para a democracia, afirmando que as redes sociais podem distorcer a opinião pública, influenciando a tomada de decisão de agentes políticos em favor de grupos específicos. 

O que falou o tucano:

- As plataformas digitais introduziram um novo perigo à democracia, permitindo que líderes políticos sejam influenciados por uma opinião pública distorcida gerada por algoritmos ou ações planejadas.


Artigo, Facundo Cerúleo - O vice-campeonato e perguntas nunca respondidas

O Grêmio é vice-campeão brasileiro de 2023, só dois pontos atrás do Palmeiras, o campeão inconteste! E algumas perguntas são inevitáveis.


- Qual seria a condição do Grêmio hoje se não houvesse perdido, jogando em casa, saliente-se, para Corinthians e Botafogo e, na Vila Belmiro, para o Santos (três jogos em que "brilhou" a inépcia do seu treinador, nove pontos jogados no lixo)? Nem vou falar doutros pontos perdidos em derrotas e empates com nabas do campeonato.


- Como se explica que o Grêmio não haja apresentado uma única jogada ensaiada durante todo este ano de 2023? (É o único time da 1ª divisão que não tem jogada ensaiada.)


- Como justificar que um time que ganhou três Libertadores, um título mundial, cinco Copas do Brasil e dois títulos nacionais (hoje com uma folha acima dos R$ 12 milhões) agora não tenha um mínimo de eficácia nas cobranças de escanteio?*


- A contratação de Luis Suáres, junto com outros altos empreendimentos, terá sido apenas para garantir permanência na 1ª divisão? Que sentido tem a narrativa dos bajuladores da imprensa dizendo que foi além das expectativas o resultado de 2023, alegando que recém o Grêmio voltou da segundona? Será proibido a quem recém subiu almejar título?


- Será que algum desses bajuladores vulgares é capaz de apontar a existência de um esquema treinado pelo técnico para o Grêmio aproveitar ao máximo o talento de Suárez?


- Em 2023 o Grêmio levou 56 gols. Em 2021, ano do rebaixamento, levou 51. Como teria terminado 2023 sem o subaproveitado Suárez, que tantas vezes foi quem salvou o time com sua genialidade?


- Acaso nalguma das 38 rodadas do campeonato foi possível notar uma razoável articulação entre o meio-campo e a defesa do Grêmio? E não terá sido essa falta de articulação a causa de sofrer tantos gols?


- Por que os velhacos da imprensa se recusam a tocar nessas questões?


É nojenta a viralatice que tomou conta do pessoalzinho da imprensa (com as honrosas exceções). Um picareta, na rádio, fez o mais baboso culto à personalidade do treinador gremista dizendo "Renato agora se tornou incontestável", "Renato fez uma façanha!", creditando a um improvisador o mérito do vice-campeonato. E ainda fez coro à vigarice segundo a qual o Grêmio só não é campeão porque o juiz não marcou a "mão" do jogador do Corinthians (Yuri Alberto), não dando o pênalti. O idiota (ou coisa pior) nãocontabiliza os muitos pontos que foram desperdiçados por pura incompetência de Renato Portaluppi (o Invicto!).


Outro iluminado justificou o surto de arrogância do Invicto depois do jogo com o Fluminense, dizendo que era uma resposta a quem supostamente falava que "quando perdia era culpa do Renato, quando vencia era mérito do Suárez". Essa gente não tem senso de dignidade, cascalho!


O Brasileirão terminou. As próximas semanas serão para um planejamento que já deveria ter começado há meses. É imprescindível que a direção reúna cabeças pensantes que entendam de futebol para programar 2024 (em que haverá Libertadores). E uma das tarefas é prospectar no mercado (com inteligência!) jogadores que possam dar boa resposta e caibam no orçamento do clube.


Não há como não advertir: Portaluppi já deu todas as demonstrações de ser o pior conselheiro em matéria de futebol. Foi ouvindo palpites dele que Romildo Bolzan, além de arruinar as finanças do clube, rebaixou o Grêmio: gastou milhões para contratar e depois para demitir cascudos que não deram nenhum resultado. A direção atual até pode reincidir no erro, mas saberá que a maioria silenciosa da torcida vai repudiá-la por isso.


Eu ainda aposto na dignidade do presidente Alberto Guerra. Mas está nas mãos dele mostrar se é um homem lúcido, que coloca a instituição acima de seus vínculos pessoais ou se é um irresponsável que fará a manutenção de um treinador que, embora seja o preferido da imprensa, está muito aquém das ambições de um clube da grandeza do Grêmio.



*Entre no link e dê uma olhadinha em coluna anterior:


https://blogdopolibiobraga.blogspot.com/2023/12/artigo-facundo-ceruleo-so-nao-ve-quem.html