segunda-feira, 30 de abril de 2018

PGR apresenta ao STF nova denúncia contra Lula e Gleisi Hoffmann


Procuradoria Geral da República (PGR) apresentou nesta segunda-feira (30), nova denúncia por corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; a senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT; os ex-ministros Antônio Palocci e Paulo Bernardo; o empresário Marcelo Odebrecht; e Leones Dall Adnol, chefe de gabinete da senadora.
A denúncia foi encaminhada ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). O G1 e a TV Globo buscam contato com todos os denunciados.
Segundo a PGR, a construtora Odebrecht prometeu em 2010 ao então presidente Lula – e colocou à disposição do PT – R$ 64 milhões em troca de decisões do governo que favorecessem a empresa.
Uma das contrapartidas, segundo a PGR, foi o aumento de um empréstimo concedido a Angola pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 1 bilhão – posteriormente a empresa, contratada pelo país africano, captou parte dos valores. A autorização foi assinada por Paulo Bernardo, então ministro.
A PGR também diz que na campanha de 2014 ao Senado, Gleisi Hoffmann aceitou receber doação não declarada (caixa 2) da Odebrecht no valor de R$ 5 milhões – pelo menos R$ 3 milhões teriam efetivamente recebidos naquele ano.
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirma na denúncia que a acusação é baseada em depoimentos de delatores, documentos apreendidos por ordem judicial, como planilhas e mensagens, quebra de sigilos telefônicos e diligências policiais.
“Há, ainda, confissões extrajudiciais e comprovação de fraude na prestação de informações à Justiça Eleitoral. Ressalte-se que até o transportador das vantagens indevidas foi identificado”, diz um dos trechos do documento.
Na denúncia, a procuradora-geral pede:
• condenação do ex-presidente Lula, dos ex-ministros e do chefe de gabinete por corrupção passiva
• condenação de Gleisi por lavagem de dinheiro
• condenação de Marcelo Odebrecht, por corrupção ativa
• pagamento, por Lula, Bernardo e Palocci, de R$ 40 milhões e outros R$ 10 milhões a título de reparação de danos, material e moral coletivo
• pagamento, por Gleisi, Paulo Bernardo e pelo chefe de gabinete, de R$ 3 milhões como ressarcimento pelo dano causado ao erário.

Débora de Souza Morsch: liquidando patrimônio público para (re)eleição


Débora de Souza Morsch é sócia e diretora da Zenith Asset Management

Um dia útil após a desistência da oferta que venderia as ações excedentes ao controle do Banrisul, foi comunicado que seria feito um leilão em bolsa para a venda das preferenciais do banco. A oferta que foi cancelada seria feita seguindo normas da CVM e com apresentações prévias para investidores estrangeiros com o objetivo de elevar o preço obtido. Já a venda que foi concretizada ocorreu cerca de 24h após o anúncio para o mercado, sem qualquer explicação, apenas com uma definição de preço mínimo de R$ 18 para cada uma das 26 milhões de ações colocadas à venda. Coincidentemente, apenas um comprador levou 70% das ações ofertadas. Parece que alguém fez um bom negócio.

A venda foi concretizada a R$ 18,65 por ação, arrecadando um total de R$ 485 milhões. Poucos dias depois, a ação já atingia R$ 20,52. Ou seja, em poucos dias, o governo deixou na mesa R$ 48 milhões. Que avaliação foi feita para determinar que R$ 18 seria um bom preço de venda?

Em declaração à imprensa, o líder do governo na Assembleia, Gabriel Souza, afirmou que “o que o mercado quer é comprar o patrimônio do banco por preço baixo”, justificando a rapidez no negócio. O prezado deputado está corretíssimo, o que o mercado quer é comprar as ações a preço baixo. E foi exatamente isso que Sartori propiciou ao mercado. Os investidores agradecem, já estão ganhando dinheiro fácil.

Na última sexta-feira, de forma sorrateira, sem qualquer aviso ao mercado ou à população gaúcha, o governo vendeu cerca de 3 milhões de ações ordinárias do Banrisul. A venda ocorreu a R$ 17,65 por ação, 31% abaixo do valor da ação no pregão anterior. Isso mesmo, 31% abaixo. Mais uma vez, o mercado agradece. Enquanto liquida o patrimônio do Estado, o governador trata sua candidatura à reeleição com uma desfaçatez sem precedentes.

Nessas horas fica a dúvida sobre onde estão e para o que realmente servem o Tribunal de Contas e o Ministério Público de Contas. Parecem ter fechado os olhos para essa destruição de valor. O silêncio ensurdecedor da Assembleia também chama atenção. Os nobres deputados que tanto gritam contra privatizações, como no caso recente da CEEE, mostram que, na verdade, pouco se importam com o patrimônio do Estado.

Essa estratégia tacanha e com visão de curto prazo de vender mal o maior e melhor ativo do Rio Grande do Sul tem a clara finalidade de propiciar uma artificial melhora de curto prazo nas finanças, na véspera da eleição, e assim, tentar transparecer para a população que isso ocorreu por mérito do governo do Estado. Essas ações do banco que foram mal vendidas não voltam mais. A população gaúcha e os órgãos de controle de contas ficarão apenas assistindo de camarote a liquidação do resto desse ativo?

Marcelo Aiquel - E ninguém vai fazer nada ?


         Circulou nas redes sociais um vídeo estarrecedor.
         Pois, não é que um sujeito irresponsável - que ocupa o cargo de Presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, o senhor Milton Simas Jr. –  ameaçou um jornalista da TV Record Paraná (Marc Souza), que tentava dar divulgação ao acampamento pró-Lula, em Curitiba.
         O que causa profunda estranheza é o fato do “presidente” do Sindjors, que deveria ser um jornalista, agir assim com relação a um colega que estava desempenhando seu trabalho.
         Mas, se o “presidente” do Sindicato que representa a categoria não for um jornalista profissional, em parte se explica a atitude autoritária exibida.
         O “ameaçador”, além de dar um carteiraço no repórter, identificando-se como “presidente” do Sindicato (o que o vídeo mostra com inteira fidelidade), ainda tentou fazer o papel do constrangedor bonzinho, aquele que “faz de conta” estar protegendo a vítima, mas – no fundo – é igual a quem agride. Um “velho filme” que já nos acostumamos a ver...
         Foi assim que o “constrangedor bonzinho”, acompanhado de dois cães de guarda (aparentemente belicosos), tomou a coragem para “peitar” o repórter que – apenas – tentava realizar seu trabalho.
         Agora, espero – assim como a parcela decente que ainda habita este país – que a Comissão de Ética do Sindjors (se não for somente um braço da presidência) tome as providências necessárias para denunciar o ato abusivo (e antiético) do “presidente”, que demonstrou um enorme desprezo pela classe que “diz” representar.
         É o mínimo que se espera de uma entidade que congrega o bravo jornalismo, um dos pilares da democracia que o senhor Milton Simas Jr. pisoteou de maneira autoritária e covarde.

domingo, 29 de abril de 2018

Adão Paiani - O prêmio da intolerância


                               Tragam um troféu para a direção do Goethe-Institut de Porto Alegre. Alías tragam dois, para o caso deles conseguirem perder o primeiro.
                               A entidade alemã conseguiu proeza digna dos deuses de Valhalla, cultuados pelos nazistas, patrocinando, ao mesmo tempo, um ataque à fé cristã e uma agressão antissemita, sob pretexto de exposição artística.
                                               De forma explícita, a imagem da cabeça decapitada, exposta na fachada da entidade, na capital gaúcha, de um homem que nasceu, cresceu, viveu e morreu como judeu, consegue ofender não apenas seus seguidores e o povo do qual ele se origina, mas a qualquer um com mínimo de bom senso.
                                               Embora a imagem tenha como referência a iconografia do Cristo Pantocrator, típico no cristianismo oriental, os detalhes da fisionomia, a cor da pele, os olhos amarelados e felinos, com pupilas anisocoricas; tudo remete às figuras pérfidas com que os nazistas representavam os judeus em sua propaganda antissemita.
                                               O antissemitismo sempre foi arraigado na cultura alemã, e mesmo após o horror do holocausto, é um sentimento que ainda permanece latente; o que claramente se revela no episódio da filial gaúcha do Goethe-Institut.
                                               Enganam-se os que julgam o acolhimento da sociedade germânica aos refugiados do Islã uma ruptura com seu passado excludente, xenófobo e racista. Esses sentimentos continuam direcionados às vítimas preferidas - os judeus; o que demonstram os ataques sistemáticos contra alvos judaicos na Alemanha, praticados agora não apenas por neonazistas, mas por imigrantes islâmicos.
                                               A opção dos alemães pelo Islã é resultado de uma antiga liança entre duas culturas que, apesar das diferenças, demonstram ter como objetivo comum um mundo sem lugar para judeus e, de preferência, sem cristãos.
                                Albert Speer, arquiteto do Reich, em "Inside the Third Reich", revela que Hitler não escondia a admiração pelo Islã, e desprezo pelo cristianismo, ao dizer que "... nossa desgraça é ter a religião errada. Por que não tivemos a religião dos japoneses, que consideram o sacrifício pela Pátria como o bem supremo? A religião muçulmana também teria sido muito mais compatível conosco do que o cristianismo. Por que tinha de ser o cristianismo com sua mansidão e flacidez?".
                               Referindo-se à França, onde Carlos Martel derrotou os muçulmanos, impedindo a dominação da Europa, Hitler afirmou que "Os povos Islâmicos irão sempre estar mais perto de nós do que, por exemplo, a França". Tal identidade de propósitos levou lideres árabes sugerirem a Hitler levar a “solução final” ao Oriente Médio, o que só não ocorreu pela derrota nazista. 
                               O Goethe-Institut, expondo a imagem de um Cristo decapitado, lembrando a arte nazista, demonstra que certa identidade ideológica e estética permanece viva no coração de alguns de seus colaboradores. No entanto, ao invés de desculpar-se pelo patrocínio a uma violação grosseira de sentimentos étnicos e religiosos, a entidade prefere acusar os ofendidos de intolerância, incitação ao ódio e ameaças à liberdade de expressão.
                               O autor da máxima “uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade”, Joseph Goebbels, deve estar orgulhoso de seu discipulado.
                                Ou o Goethe-Institut revê suas posturas, e se compromete com a sociedade plural, de diversidade étnica, cultural, religiosa e respeito mútuo que buscamos construir, deixando de defender a tolerância com o intolerável, ou será melhor retornar ao seu país. A cada povo bastam os seus próprios conflitos; não precisamos importá-los. Nem mesmo da Alemanha. 

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Nota do Goethe-Institut Porto Alegre


Goethe-Institut Porto Alegre tem recebido nos últimos dias mensagens de ódio referentes ao projeto “Pixo/Grafite – realidades paralelas”, projeto realizado para discutir modalidades de street art. Em nenhum momento foi intenção do projeto ou do Instituto ofender sentimentos religiosos. Respeitamos todas as crenças, manifestações e liberdade de expressão. O Goethe-Institut, como instituição cultural presente em mais de 90 países, dialoga intensamente com as sociedades locais e fomenta a discussão, participação e atuação artística e cultural. Lamentamos manifestações que incitem o ódio e as ameaças à liberdade de expressão. Continuaremos com nossos esforços de incentivo à discussão e ao intercâmbio entre culturas, visões artísticas e diferentes formas do pensar. Continuamos de acreditar que a melhor forma de lutar contra a intolerância é a educação e a promoção do diálogo. Por isso, vamos, em breve, convidar a todos para um debate público no Goethe-Institut, a fim de discutir a ligação entre arte e religião e os desdobramentos que se originam nessa relação. Serão bem-vindos todos as cidadãs e cidadãos que quiserem dialogar e conversar a respeito do tema, tão importante e relevante na nossa sociedade atual.

Marcelo Aiquel - Os profetas e a democracia


        Leio que alguns defensores do Lula da Silva (o ex-presidente condenado pela Justiça), além de fanáticos viraram profetas; adivinhadores.
         Como eu não acredito que, nem a DilmANTA, nem o boquirroto do “puxa-saco mor” Gilberto Carvalho realmente saibam alguma coisa do que disse à PF o ex-ministro e ex-guru da Orcrim petista, Antonio Palocci, concluo que as declarações dos dois não passam de um “blefe”.
         Ou seja, como de costume, os dois ridículos e extravagantes petistas (ops, cometi uma redundância gramatical) se espelharam em si próprios para “imaginar” o que contou (ou contará) o próximo candidato a delatar.
         E, se não agiram com esta lógica, deram azo à máxima: quem tem “C” tem medo!
         Por conhecerem muito bem o Palocci, com certeza imaginaram que o petista preso deverá “entregar” mais ilícitos do grupo.
         Agora, além de criminosos, os membros da Orcrim, também se assumem como “adivinhadores”. Senão, como saberiam que as delações ainda não feitas seriam mentirosas?
         Só há uma única explicação: as consciências pesadas!
         E a “tal” da democracia?
         Bem, existe uma única democracia – a  verdadeira, e outra, que serve sob medida aos interesses da Orcrim.
         Dou um exemplo bem recente: ontem, aqui em Porto Alegre, o Tribunal de Justiça julgou um recurso, cuja decisão determinou a anulação de uma Lei – “inventada” pelo PSOL – que trocaria o nome de uma tradicional via da cidade.
         Ao invés de Avenida Castelo Branco se chamaria Avenida da Legalidade (em homenagem ao ex-governador Brizola) e Democracia (em homenagem à hipocrisia, uma vez que a Democracia do PSOL é bastante distinta de um regime democrático verdadeiro).
         Pois agora, o referido pleito foi derrotado, para tristeza dos adoradores do PSOL e outros esquerdistas. Como é o caso da parcialíssima jornalista gaúcha Rosane de Oliveira (da RBS) que, “saindo da toca”, escreveu no seu twitter pessoal que lamentava a decisão, “um retrocesso para quem tem apreço pela democracia”.
         A qual democracia se refere a jornalista? A de verdade, ou à que serve para a ideologia que defende?
         É simplesmente inacreditável que – em pleno século XXI – tenhamos que conviver com formadores de opinião deste tipo, que não sabe, sequer, ser democrática.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Os 13 projetos

Confira abaixo o resumo das propostas:

1 - Atualização da Planta Genérica de Valores do IPTU: O projeto abrange a reavaliação dos imóveis, redução de alíquotas e simplificação de isenções.
2 - Cadastro de Inadimplentes Municipal (Cadin/Poa): Institui o Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Município de Porto Alegre, o que prevê a inclusão dos devedores da Prefeitura na internet, inclusive de dívidas não tributárias (já em tramitação)
3 - Adequação à Lei Federal do ISS: Revisão de Benefícios Fiscais – Trata-se de adequação à Lei Lei Complementar nº 157/2016, que prevê que nenhum serviço terá uma alíquota inferior a 2%. A medida visa combater a guerra fiscal no País.
4 - Revisão dos avanços automáticos de folha: A medida altera a concessão dos avanços trienais e o adicional de tempo de serviço. Os avanços, que atualmente são de 5% a cada três anos, passariam a ser de 3% a cada cinco anos, com limite de 8 avanços. Já o adicional por tempo de serviço, hoje de até 25%, sendo 15% quando o servidor completa 15 anos de trabalho e outros 10% quando completa 25 anos de trabalho, seria extinto. (já em tramitação)
5 - Extinção de incorporação de gratificações: Todas as funções gratificadas serão incorporadas proporcionalmente ao período em que elas foram exercidas (1/30 por ano para mulher e 1/35 por ano para homem). As mulheres incorporam aos 25 anos de serviço e os homens, aos 30 anos. Atualmente, após o servidor ocupar funções gratificadas por 10 anos, contínuos ou não, ele tem direito a incorporar a gratificação na ativa. (já em tramitação)
6 - Mudança nos regimes de trabalho: Atualmente, servidores que prestaram concurso para 20h de trabalho semanais em geral são chamados para cumprir uma carga maior, de 40h, passando a trabalhar em regime especial de trabalho. Essa gratificação é incorporada após dois anos. As gratificações de regime têm aumentos percentuais equivalentes às vantagens temporais, de avanços e adicionais. O projeto estabelece que a convocação para regime especial de trabalho seja por um ano, podendo ser renovada, a critério da Administração Municipal. As gratificações de regime não terão mais aumentos percentuais equivalentes às vantagens temporais ao longo da vida funcional do servidor.  (já em tramitação)
7 - Fim da licença-prêmio: cada cinco anos trabalhados, o servidor tem direito a três meses de licença, além dos 30 dias de férias. A proposta suprime a licença, medida já foi adotada pela União e aprovada em primeiro turno pelo Estado. (já em tramitação)
8 - Lei de Responsabilidade Fiscal Municipal: Cria mecanismos de controle mais eficientes das receitas e despesas, evitando o desequilíbrio financeiro. Também limita o crescimento das despesas com pessoal enquanto o Município não investir pelo menos 10% da sua receita, inclui as despesas da EPTC, CARRIS, PROCEMPA e IMESF no gasto de pessoal e proíbe a criação de uma nova despesa continuada, sem indicar sua fonte de receita ou sem reduzir outras despesas já existentes. A proposta também responsabiliza os gestores (secretários, diretores e presidentes) por despesas geradas sem “prévio empenho”, e cria Comissão Permanente da Qualidade e Transparência da Gestão Fiscal, incluindo membros da sociedade para monitorar as contas da Prefeitura.
9 – Novo regramento sobre Fundos Públicos Municipais: Busca direcionar a utilização das receitas vinculadas para pagamento das despesas correntes, restringe a criação de novos fundos que possuem como fonte de recurso o Tesouro Municipal e extingue fundos que não possuem mais movimentação ou que não tem mais função.
10 – Previdência: Institui o Regime de Previdência Complementar: Institui a Previdência Complementar no Município de Porto Alegre, a exemplo do que já fizeram o Estado, em 2016, e a União, em 2012. O município garantirá aposentadoria dos servidores somente até o limite do teto do INSS (R$ 5.646). Acima desse valor, o servidor receberá na aposentadoria aquilo que poupar durante a ativa. Vale para todos os novos servidores e os antigos poderão aderir ao novo regime.
11 – Previdência: Altera regras de pensão - Promove adequação da legislação municipal ao regramento federal. Acaba com a pensão vitalícia para a cônjuge com menos de 44 anos. O casamento deverá ter ocorrido no mínimo dois anos antes da morte do servidor. Além disso, cria uma escala para o pagamento da pensão dependendo da idade do cônjuge.
12 – Previdência: Altera regras de aposentadoria - Adequa a legislação federal aplicáveis à Previdência Pública, corrige distorções na concessão de aposentadoria e combate fraudes.
13 – Previdência: Incentivo à não aposentadoria - Permite ao servidor em condições de se aposentar a reduzir sua carga horária em 25% sem redução de salário. A medida pretende manter os bons servidores trabalhando, mesmo que tenham tempo para se aposentar, além de reduzir o custo relativo à reposição de pessoal.

Luiz Felipe Pondé, Folha - O PT na lata de lixo da história


O partido apenas acrescentou à corrupção endêmica certos tons de populismo

O PT é uma praga mesmo. Ele quer fazer do Brasil um circo, já que perdeu a chance de fazer dele seu quintal para pobres coitados ansiosos por suas migalhas. Nascido das bases como o partido de esquerda que dominou o cenário ideológico pós-ditadura, provando que a inteligência americana estava certa quando suspeitava de um processo de hegemonia soviética ou cubana nos quadros intelectuais do país nos anos 1960 e 1970, comportou-se, uma vez no poder, como todo o resto canalha da política fisiológica brasileira.

Vale lembrar que a ditadura no Brasil foi a Guerra Fria no Brasil. Quando acabou a Guerra Fria, acabou a ditadura aqui. E, de lá pra cá, os EUA não têm nenhum grande interesse geopolítico no Brasil nem na América Latina como um todo (salvo imigração ilegal). Por isso, deixa ditadores como Chávez e Maduro torturarem suas populações, inclusive sob as bênçãos da diplomacia petista de então.

O PT apenas acrescentou à corrupção endêmica certo tons de populismo mesclado com a vergonha de ter um exército de intelectuais orgânicos acobertando a baixaria. Esses fiéis intelectuais, sem qualquer pudor, prestam um enorme desserviço ao país negando a óbvia relação entre as lideranças do partido e processos ilegítimos de tráfico de influência. Esse exército vergonhoso continua controlando as escolas em que seus filhos estudam, contando a história como querem, criando cursos ridículos do tipo “golpe de 2016”.

Qualquer um que conheça minimamente os “movimento revolucionários” do século 19 europeu, e que também conheça o pensamento do próprio Karl Marx (1818-1883), sabe que mentir, inventar fatos que não existem ou contá-los como bem entender fazia parte de qualquer cartilha revolucionária.

Acompanhei de fora do Brasil o “circo do Lula” montado pelo PT e por alguns sacerdotes religiosos orgânicos,na falsa missa. Esses sacerdotes orgânicos do PT envergonharam a população religiosa brasileira, fazendo Deus parecer um idiota. Estando fora do país, pude ver a vergonhosa cobertura que muitos veículos internacionais deram do circo do Lula, fazendo ele parecer um Messias traído por um país cheio de Judas.

Eis um dos piores papéis que jornalistas orgânicos fazem: mentem sobre um fato, difamando um país inteiro. Esculhambam as instituições como se fôssemos uma “república fascista das bananas”. Nossa mídia é muito superior àquela dita do “primeiro mundo”.

A intenção de fazer do Lula um Jesus, um Mandela, um Santo Padim Pade Ciço é evidente. Para isso, a falsa missa, com sacerdotes orgânicos rezando para um deus que pensa que somos todos nós cegos, surdos, estúpidos e incapazes de enxergar a palhaçada armada pelo PT foi instrumento essencial para o circo montado.

A própria afirmação de que Lula não seria mais um mero humano, mas uma ideia, é prova do delírio de uma seita desesperada. Um desinformado pensaria estar diante de um Concílio de Niceia (325) perdido no ABC paulista. Se nesses concílios tentava-se decidir a natureza divina e humana de Jesus, cá no ABC tentava-se criar a natureza divina de Lula. Lula, humano e divino, o redentor. Essa tentativa, sim, é típica de uma república das bananas.

Penso que em 2018 o país tem a chance de mostrar de uma vez por todas que não vai compactuar com políticos que querem fazer do Brasil um circo para suas “igrejas”. A praga em que se constituiu o PT pode ser jogada na lata de lixo da história neste ano.

Ninguém aqui é ingênuo de pensar que apenas o PT praticou formas distintas e caras de tráfico de influência. Todas elas são danosas e devem ser recusadas em bloco nas eleições deste ano. Mas há um detalhe muito importante no que se refere ao PT como um tipo específico de agente único de tráfico de influência sistemático no Brasil. Você não sabe qual é? Vou te dizer.

O PT é o único partido que é objeto de investigação por corrupção a contar com um exército de intelectuais, artistas, professores, diretores de audiovisual, jornalistas, sacerdotes religiosos, instituições internacionais, apoiando-o na sua cruzada de continuar nos fazendo escravos de seus esquemas de corrupção. Esse exército nega frontalmente a corrupção praticada pelo PT e destruirá toda forma de resistência a ele caso venha, de novo, a tomar o poder.

No ano de 2018 o país pode, de uma vez por todas, lançar o PT à lata de lixo da história e amadurecer politicamente, à esquerda e à direita.

A insegurança no campo


A insegurança no campo
Ana Amélia Lemos – senadora Progressistas
A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado promove amanhã, dia 27, na Fenasoja em Santa Rosa, audiência pública para debater questão de grande relevância, sobretudo para nosso Estado, que tem no agro 46% do seu PIB: “Segurança no Campo – desafios para a produção”. Ao propor esse debate pretendi debater, com especialistas, medidas para combater os crimes na área rural para proteger as famílias que vivem e trabalham no campo.
A criminalidade assumiu proporções alarmantes em todo o País. Preocupa, de forma mais dramática o meio rural e os pequenos municípios, carentes dos aparatos de segurança. Dados dos últimos dois anos, em apenas três estados, Minas, Goiás e Mato Grosso, registram mais de 70,9 mil casos de furtos e roubos em propriedades rurais. No Rio Grande do Sul não é diferente. Foram mais de 3,3 mil casos de abigeato, ou 70% dos crimes no campo, entre 2015 e 2016. O crime organizado na área rural é responsável, também, por roubos de máquinas, veículos, contrabando e falsificação de sementes e insumos agrícolas, entre outras fraudes. O prejuízo aos produtores, estimado pela Farsul, é superior a R$ 70 milhões, sem contar os riscos à saúde pública.
O Rio Grande do Sul, entretanto, começa a reagir e dá exemplos de como enfrentar esse grave problema. A Frente Parlamentar de Combate aos Crimes Agropecuários, liderada na Assembleia Legislativa pelo deputado Sérgio Turra, já contabiliza resultados positivos, como a instalação, em Bagé e Santiago, das primeiras cinco delegacias especializadas na repressão aos crimes rurais e abigeato. A iniciativa, pioneira no Brasil, é uma reivindicação da Frente Parlamentar. Até então, uma força tarefa da Policia Civil já havia realizado ações por todo o Estado e, graças a isso, só no primeiro bimestre deste ano registrou uma queda de 30% nos furtos e roubos de animais.
No Senado votei favoravelmente à proposta em tramitação para autorizar o porte de arma de fogo na zona rural, de autoria do deputado Afonso Hamm. O produtor que mora longe da zona urbana fica refém dos criminosos e deve ter o direito de se defender. Ao me posicionar dessa forma e avançar nesse debate me incorporo ao esforço, no Senado, para dar prioridade à segurança pública, na agenda legislativa. Não adianta ficar só na retórica e nada fazer, na prática. Passa da hora de estabelecermos também a segurança rural como prioridade das administrações municipais e dos governos federal e estaduais.

Opinião - O mundo muda quando você muda


Título original: A catraca livre

“O professor João Adalberto Guimarães, brasileiro em um intercâmbio na Europa,
entrou numa estação de Metrô em Estocolmo, capital da Suécia.
Ele notou que havia, entre muitas catracas normais e comuns, uma de passagem grátis
livre.
Então questionou à vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente
liberada, sem nenhum segurança por perto.
Ela, então, explicou que aquela era destinada às pessoas que, por qualquer motivo,
não tivessem dinheiro para o bilhete da passagem.
Com sua mente incrédula, acostumada ao jeito brasileiro de pensar, não conteve a
pergunta, que para ele era óbvia:
- E se a pessoa tiver dinheiro, mas simplesmente não quiser pagar?
A vendedora, espremeu seus olhos límpidos azuis, num sorriso de pureza
constrangedora:
- Mas por que ela faria isso?
Sem resposta, ele pagou o bilhete e passou pela catraca, seguido de uma multidão que
também havia pago por seus bilhetes…
A catraca livre continuou vazia.
A honestidade é um dos valores mais libertadores que um povo pode ter. A
sociedade que a tem naturalmente certamente está num patamar de desenvolvimento superior.
Cultive este valor e o transmita a seus filhos, mesmo sem esperar o mesmo da
sociedade.
Seu mundo muda quando você muda.”
Fonte: http://resilienciahumana.tumblr.com

Tito Guarniere - Excesso de Estado, não de mercado


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aos 86 anos, continua ativo na política, na formulação teórica e nas reflexões sobre o país. Agora, vem de produzir uma série de textos - que logo serão transformados em livro - nos quais argumenta a respeito dos nossos impasses: prever um futuro radioso para o Brasil parece estar se transformando em miragem distante.

FHC identifica três entraves da modernização brasileira: o que ele chama de ultramercadismo, a velha esquerda, burocrática e estatista, e o corporativismo.

Se tivermos olhos para ver, se não estivermos empacados no tempo e em certa retórica, concordaremos com ele, quanto às duas últimas razões. Uma pergunta, talvez: há esquerda que não seja burocrática e estatista? Hoje em dia, o que distingue acima de tudo a esquerda é o seu apego do Estado, a crença de que "um Estado conduzido por um partido iluminado pode ser um agente transformador do ser humano e da sociedade".

Quanto ao corporativismo, não há muito a acrescentar. O Estado brasileiro, em todas as suas instâncias, está quebrado. E quem tem a chave do cofre? As corporações do serviço público. É como se os recursos públicos só existissem para pagar a folha de funcionários e inativos. E mesmo para objetivo tão pífio, enfrenta dificuldades que parecem insuperáveis - vejam o Rio de Janeiro e o Rio Grande.

Não sei se FHC vai falar do corporativismo privado na série de artigos. Mas as empresas que têm negócios com o governo também se beneficiam das vantagens corporativistas. É do Estado (e portanto do distinto público) que sai uma parte substancial dos recursos públicos apropriados por empresas privadas, sob a forma de superfaturamentos de obras e serviços, e favores especiais, como financiamentos a juros subsidiados e de desoneração de encargos e obrigações. Neste caso há uma sociedade espúria de interesses de agentes políticos, servidores públicos e empresas privadas.

A meu juízo, entretanto, os argumentos do ex-presidente têm uma falha insanável. É estranho que FHC, com toda a sua bagagem teórica e política, tenha deixado passar em branco a questão. É quando ele atribui ao ultramercadismo a condição de um dos adversários da modernização brasileira.

O ultramercadismo, também chamado de ultraliberalismo, é entendido como o domínio dos interesses do mercado, com base na teoria do Estado mínimo, e na ideia de que tudo funciona melhor sem o Estado. O ultramercadismo tem como gurus pensadores como Milton Friedman e (no Brasil) Roberto Campos.

Ocorre que no Brasil não há nada parecido com isso. Não há nicho, setor, ou subsetor da economia, que não seja asfixiado nas teias extensas, profundas e onipresentes do Estado intervencionista, que fiscaliza, controla, penaliza, regula e cria exigências de toda ordem.

No Brasil não há sobra de mercado, há sobra de Estado. O que há por aqui é ultraestatismo. FHC sabe disso melhor do que ninguém. Ele - acho eu - pretende reabilitar a imagem na academia, no meio intelectual, onde predomina o pensamento de esquerda. É uma bobagem. A esquerda jamais o perdoará pelo governo "neoliberal". FHC tem verdadeiro horror dessa pecha.

titoguarniere@terra.com.br

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Apresentado relatório sobre malfeitos na UFSC

O editor roga que o jornalista Elio Gaspari e seus companheirinhos da mídia amestrada e dos meios políticos e sociais, examinem com atenção os termos do relatório encaminhado ao MPF. 

Mais de sete meses após deflagrar a Operação Ouvidos Moucos, a Polícia Federal indiciará 23 pessoas suspeitas de desvios de verbas em cursos de Educação a Distância (EaD) na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Eles serão indiciados pela PF pelos crimes de concussão, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, além de outras tipificações.

O relatório parcial do inquérito, assinado pelo delegado Nelson Napp em 18 de abril, não indica o montante que teria sido desviado da UFSC, nem a materialidade das condutas e o nexo de casualidade, que, segundo ele, serão expostos em outro relatório a ser oferecido em outra ocasião.

A PF indiciará Gilberto de Oliveira Moritz, Gabriela Gonçalves Silveira Fiates, André Luis da Silva Leite, Mikhail Vieira de Lorenzi Cancellier, Rogério da Silva Nunes, Roberto Moritz da Nova, Denise Aparecida Bunn, Leandro Silva Coelho, Alexandre Marino Costa, Maurício Fernandes Pereira, Marcos Baptista Lopez Dalmau, Eduardo Lobo, Marilda Todescat, Márcio Santos, Sônia Maria Silva Correa de Souza Cruz, Murilo da Costa Silva, Lúcia Beatriz Fernandes, Aurélio Justino Cordeiro, Luciano Acácio Bento, Maria Bernardete dos Santos Miguez, Erves Ducati, Eleonora Milano Falcão e Roseli Zen Cerny.

A investigação da PF contou com o apoio de técnicos da Corregedoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), e entre as tipificações dos indiciados, o relatório da apuração aponta pagamentos de bolsas indevidas, fraude em licitação e direcionamento para contratação de empresas, contratos de trabalho com jornadas fictícias e orçamentos falsos, transações bancárias para dissimular natureza, origem e localização dos valores, entre outros apontamentos.




terça-feira, 24 de abril de 2018

Artigo, Igor Gielow, Folha - Para a população, governo Lula foi o mais corrupto da história do Brasil


Se logrou obter um aumento nas suas intenções de voto na mais recente pesquisa Datafolha, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu seu governo ser avaliado como o que mais registrou corrupção na história no mesmo levantamento. 
Quer saber como acessar mais de 80 palestras exclusivas de Janaína Paschoal, Joice Hasselmann, Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé e outros? Clique aqui! Para 32% dos 2.781 ouvidos na quarta (26) e quinta (27), a gestão Lula (2003-2010) foi campeã no quesito. Em fevereiro de 2016, eram 20%; em dezembro de 2015, 17%; e em fevereiro de 2014, só 12%. Em movimento inverso, a sucessora indicada por Lula, Dilma Rousseff (PT), caiu para o segundo lugar nessa avaliação negativa. Seu governo, eleito em 2010, reeleito em 2014 e impedido em 2016, foi o que mais teve corrupção para 22% dos ouvidos –contra 34% em 2016, 37% em 2015 e 20% em 2014. Antes paradigma na imagem de corrupção, devido ao impeachment de 1992, a gestão Fernando Collor de Mello hoje é vista como a pior no quesito por 11% dos brasileiros, caindo de 29% em 2014. Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002) segue com boa avaliação: caiu de 13% em 2014 para 9% agora. Em 2015, 60% consideravam que o governo Dilma era o que mais tinha investigado corrupção. Lula vinha a seguir, com 10%. Agora, a gestão da petista pontua 48%, com a de seu padrinho político registrando 28%. O mesmo ocorre na percepção de que os corruptos estão sendo mais punidos. Em 2015, 48% achavam que isso ocorria mais sob Dilma e 7%, sob Lula. Agora são 41% e 16%, respectivamente. Isso pode significar que um dos pontos de venda do PT, o de que permitiu e estimulou investigações ao garantir a independência do Ministério Público e da Polícia Federal, vem perdendo apelo. Mas também é preciso considerar que talvez os entrevistados tenham a percepção de que houve mais punição justamente por haver mais casos de corrupção. Em ambos os quesitos, o tucano FHC fica bem atrás: apenas 2% creem que havia mais investigação e punição durante sua gestão. CONGRESSO A imagem da Câmara e do Senado segue ruim, no seu pior nível desde que o Datafolha começou a avaliar legislaturas, em 1990. Para 58% dos entrevistados, os parlamentares são ruins ou péssimos, enquanto 31% os consideram regulares e apenas 7%, ótimos ou bons. Os índices são os mesmos do levantamento de dezembro passado.

Depoimento de Yunes compromete Padilha e Temer


O ex-assessor do Planalto José Yunes afirmou, em depoimento à Polícia Federal na Operação Skala, ter contado ao seu amigo, o presidente Michel Temer (MDB), sobre a entrega de ‘envelope lacrado grosso’ do doleiro Lúcio Funaro a pedido do ministro Eliseu Padilha (MDB). Yunes chegou a ser preso temporariamente no final de março no âmbito da ação da PF relacionada às investigações de suposto benefício concedido à empresa Rodrimar por meio da edição do Decreto dos Portos.

“Como é amigo do presidente, o encontra com certa frequência fora de situações de trabalho, em São Paulo. Sobre os fatos já noticiados relativos ao recebimento de documentos de Lúcio Bolonha Funaro, a pedido de Padilha, lembra-se de que se tratava de envelope lacrado grosso, da espessura de pouco mais de dois centímetros, que não era pesado.”, diz trecho do termo de depoimento de Yunes.


“Na oportunidade, não recebeu nenhuma caixa por parte de Funaro”, seguiu Yunes. “Conhecia o ministro Padilha e tem a esclarecer, que com relação à pessoa de Padilha, tinha um relacionamento amistoso, em consideração ao presidente da República. Essa foi a única vez que Padilha lhe fez esse tipo de pedido. Jamais havia recebido pedidos de outras pessoas para receber encomendas ou documentos em seu escritório.”

Yunes já é réu em processo por suposto envolvimento com o ‘Quadrilhão do PMDB’ na Câmara. A Procuradoria destaca o papel dele no suposto recebimento de R$ 1 milhão do doleiro Lúcio Funaro em seu escritório de advocacia, para a campanha emedebista de 2014.

Ao prestar depoimento no âmbito da Operação Skala, o amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer, José Yunes, voltou a relatar às autoridades sobre o dia em diz ter recebido um ‘envelope grosso’ do doleiro Lúcio Funaro a pedido do ministro Eliseu Padilha. Desta vez, disse ter contado sobre a entrega a Temer.

Ele já havia admitido, em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral, em 2016, o recebimento de R$ 1 milhão em seu escritório, e disse ter sido ‘mula’ de Padilha. O dinheiro teria como origem o departamento de propinas da Odebrecht, segundo afirmam delatores.

Yunes disse que se lembrar ‘de que se tratava de envelope lacrado grosso, da espessura de pouco mais de dois centímetros, que não era pesado e que a oportunidade não recebeu nenhuma caixa por parte de Funaro’. Em delação, o doleiro afirmou ter feito entrega de dinheiro ao ex-assessor em uma caixa de papelão.

O advogado ainda contou que ‘conhecia o ministro Padilha e tem a esclarecer, que com relação à pessoa de Padilha tinha um relacionamento amistoso, em consideração ao Presidente da República e que essa foi a única vez que Padilha lhe fez esse tipo de pedido’.

Yunes diz ter detalhado ‘para Michel Temer sobre o tal pedido, alguns dias depois, e que inclusive falou para Michel Temer que ficou estarrecido com a ‘tal figura delinquencial’, após tomar conhecimento através do Google sobre envolvimento em escândalos por Lúcio Funaro’.

Caem preços de locação e venda de imóveis comerciais em março


No mês, a pesquisa registrou queda em três das quatro capitais monitoradas: Belo Horizonte (-0,15%, para R$ 7.549/m2), São Paulo (-0,16%, para R$ 10.048/m2) e Porto Alegre (R$ 7.825/m2). Já no Rio de Janeiro houve alta de 0,33%, para R$ 10.674/m2.



O mercado de salas e conjuntos comerciais teve queda nos preços anunciados de venda e locação em março, de acordo com pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o site Zap que monitora quatro capitais brasileiras.

O anúncio é desta manhã.

O preço médio anunciado de venda dos imóveis comerciais caiu 0,06% em março, revertendo alta de 0,21% registrada em fevereiro. Nos últimos 12 meses, o setor acumula uma retração de 2,29%.

Locação



O preço médio anunciado de aluguel das salas e conjuntos comerciais diminuiu 0,44% em março, aprofundando a queda de 0,22% registrada em fevereiro. No acumulado dos últimos 12 meses, a baixa atingiu 3,78%. No mês, todas as cidades tiveram recuo nos preços de locação: São Paulo (-0,01%, para R$ 43,47/m2), Porto Alegre (-0,28%, para R$ 31,18/m2), Belo Horizonte (-0,42%, para R$ 30,39/m2) e Rio de Janeiro (-1,45%, para R$ 40,64/m2).

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Manuela será julgada pelo TRE do RS

Alexandrino Alencar relatou que foi Beto Albuquerque, coordenador de campanha de Manuela, quem o procurou em 2008. O encontro ocorreu em um restaurante. Alencar mostrou provas do repasse de caixa 2 para a campanha da comunista, que nega tudo. Alexandrino disse ao juiz Sérgio Moro que Manuela era conhecida como "Avião".

CLIQUE AQUI para ouvir Alexandrino fazer a delação, ao vivo, ao juiz Sérgio Moro.

A citação da comunista Manuela "Avião" Lula D'Ávila no chamado Listão da Odebrecht, foi encaminhado pelo MPF ao TRE do RS. Em 2010, recebeu R$ 360 mil como candidata a prefeito, mas em 2006, para deputada, levou R$ 50 mil, tudo em caixa 2.


O ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar afirmou em depoimento a investigadores da operação Lava Jato que a empreiteira fez doações oficiais e não oficiais, no total de R$ 360 mil, entre 2006 e 2010 para Manuela d'Àvila, hoje deputada estadual no Rio Grande do Sul pelo PCdoB. Manuela consta na lista do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, que solicita investigação pela Procuradoria-Geral da República a partir de delações de ex-executivos da Odebrecht.

Em 2008, a política teria recebido R$ 300 mil de forma ilícita durante campanha para a Prefeitura de Porto Alegre. "Nós doamos para campanha da prefeitura R$ 300 mil via caixa 2", observou o ex-diretor da empreiteira. Alexandrino Alencar era muito chegado ao PT do RS e costumava ser generoso com políticos, jornalistas e publicitários. Sua agência de publicidade mais frequentada era a Escala, onde o atendia Alfredo Fedrizzi, que também atendia as principais contas do governo Tarso Genro.

Artigo, Fernando Gabeira, O Globo -O bloco da saudade


Fica difícil olhar para a frente quando a questão da impunidade não foi resolvida por haver um forte núcleo de resistência no STF Por Fernando Gabeira access_time 23 abr 2018, 07h16 - Publicado em

O verão está no fim. Sinto pela temperatura da água, pelos ventos mais frios. Na Europa, segundo Hermann Hesse, há verão que tem morte
súbita: uma trovoada, dias de chuva e ele não volta mais.

Não é adequado falar das estações do ano numa página de política. Elas nos remetem à passagem do tempo, aos lances da vida passada, e só servem para ressaltar a tristeza do momento no Brasil.

Caminhamos para uma eleição imprevisível não apenas por causa das pessoas que a disputam, mas também pela falta de dados sobre o que farão, caso cheguem ao poder.

Fica difícil olhar para a frente. A questão da impunidade não foi resolvida porque há um forte núcleo de resistência no STF.

Os ministros desse núcleo não consideram o caso encerrado, pelo contrário, estão dispostos a uma luta permanente, a uma guerrilha técnica para soltar os que estão presos e impedir a prisão dos que ainda estão na rua.

Lewandowski e Toffoli são simpáticos ao PT e desprezam a luta contra a corrupção, talvez pela própria análise da esquerda que a considera um fato de pé de página nos livros de história.

Gilmar Mendes não tinha essa posição, mas ao longo desses anos tornou-se um grande adversário da Lava-Jato. Na sua fúria, ele se identifica com a esquerda na medida em que quer soltar os que estão presos e, se possível, prender juízes e procuradores.

Juntam-se a eles Marco Aurélio e Celso de Mello, que parecem comprometidos com uma generosa tese jurídica e pouco se importam com suas consequências catastróficas na vida real brasileira.

Não vou repetir o mantra de que a sociedade está dividida: este mito é um bálsamo para as minorias. A sociedade apoia maciçamente a Lava-Jato e quer punição para os culpados.

Mas o que pode a sociedade contra eles? No seu delírio de mil e uma noites na Al Jazeera, Gleisi Hoffmann disse que a imprensa manda no Supremo. Sabemos que não é assim. A imprensa reflete um clamor social contra a impunidade. O próprio comandante do Exército se viu obrigado a manifestar sua opinião sobre o tema, possivelmente por sentir que o clamor também chega às suas tropas.

Mas falta a dimensão política. O sistema partidário adotou uma posição defensiva. Todas as suas energias se voltam para neutralizar a Lava-Jato. Objetivamente, joga suas esperanças nas tramas do núcleo resistente do Supremo.

Essas duas forças, o sistema político partidário (nos bastidores) e o núcleo do STF (na frente da cena) são os artífices da tentativa de bloquear as mudanças no Brasil.

Nem sempre os políticos atuam apenas nos bastidores. De vez em quando, como aconteceu agora, surge um projeto destinado a limitar investigações e a tornar mais fácil a vida dos gestores corruptos.

Essa aliança de políticos que não dependem do voto de opinião com ministros do STF engajados na defesa da impunidade, ou embriagados nas suas teses generosas, é uma constelação difícil de ser batida.

Ela significa que ainda teremos dias difíceis pela frente. O único grande problema para todos nós será o de manter a raiva popular dentro dos limites pacíficos.

Tanto juízes como políticos envolvidos na sua teia de interesses, míopes diante da realidade que os cerca, não hesitam em colocar em risco a democracia.

Alguns são muito corajosos, outros apenas irresponsáveis. Será difícil buscar o horizonte, se não resolvermos essa questão. Ela está atravessada no futuro imediato do Brasil.

Artigo, J. J. Camargo, Zero Hora - A perigosa morte do respeito


O discurso empoado dos nossos magistrados não ofusca o sentimento de repúdio

Não por acaso, quando se quer ridicularizar a legislação, se diz jocosamente que determinadas leis só servem para punir os ladrões de galinha, quando se considera como delitos equivalentes o pão surrupiado pelo pai da família faminta e o desvio de verba da merenda escolar pelo político corrupto.

A maioria da população, que escapou da sociopatia genética e foi educada sob os preceitos do fazer o que é certo, ou mais rigoroso ainda, seguir a recomendação de Kant ("Tudo o que tiver dificuldade de explicar como fez, não faça!") se sente ultrajada com as discrepâncias legais, com normas para as quais se pode até alegar boa intenção, mas sem obscurecer a obviedade de que nem tudo o que é legal, é ético.

Com o caminho aberto para a canalhice, chegamos ao ponto de festejar a fortuna e a ascensão social de vigaristas habilidosos em arquitetar manobras espetaculares, capazes de colocá-los em patamares de admiração da população mais humilde, visivelmente cansada da humildade. Estamos exaustos da integridade sem recompensa ou assumimos que o lamentável das negociatas é não termos sido convidados, como já advertira o Millôr?

Sempre que deixamos de dizer o que "tinha de ser dito", encolhemosSempre que deixamos de dizer o que "tinha de ser dito", encolhemos
Depois dos 60 anos, a morte continua sendo lamentável, mas deixa de ser espetacularDepois dos 60 anos, a morte continua sendo lamentável, mas deixa de ser espetacular
Os fragmentos escorregadios da memóriaOs fragmentos escorregadios da memória
Quando surge um movimento de depuração coletiva, a reação inicial da canalhada, como se pode presumir, é de pânico. Isso foi observado, com entusiasmo, nos primeiros movimentos da Lava-Jato, e provocou na população geral a ingênua euforia de que agora vamos, e não haveria tapete que bastasse para cobrir tanta sujeita. Com a passagem do tempo, se percebeu que esse sentimento foi se esvaindo com a naturalidade com que os acusados, protegidos pelo biombo do foro privilegiado e por recursos, embargos e embargos dos embargos, negavam acusações completamente documentadas.

Quando ficou visível que mais importante do que ser condenado para o cumprimento de uma pena é saber quem está sendo sentenciado, o desânimo se multiplicou, chegando ao ápice quando se permitiu que alguém com prisão decretada atrasasse a apresentação no cárcere para proferir um discurso etílico/patético, conclamando o pobre povo que lidera a bloquear estradas e seguir com as invasões no campo e na cidade, tudo em seu nome, ou seja, com impunidade assegurada. Naquela tarde, respeito e dignidade foram ridicularizados.

Curiosos, aguardamos a manifestações dos nossos magistrados face a essa aberração jurídica e fomos surpreendidos com a notícia de que a única medida em andamento era a revisão das prisões em segunda instância, com óbvia intenção de abrir as portas da prisão. A mídia, que se omitiu de comentar a bizarrice desse episódio, reconheceu como louvável o envolvimento atual da sociedade, a ponto de muita gente saber o nome da maioria dos ministros, mas foi deprimente descobrir que os votos deles são previsíveis, porque a Suprema Corte parece partidarizada, o que quer dizer que a chamada interpretação da lei nada mais é do que a adequação dela à ideologia de cada um.

Desde sempre se repete que o reconhecimento que um país possa merecer na comunidade das nações depende do apreço que o povo tenha pelo seu sistema judiciário. E como respeito é irmão da confiança, nada poderia ter sido pior do que a morte do respeito. Que começou quando sentimos um impulso incontrolável de vaiar os juízes da nossa Suprema Corte. O discurso empoado dos nossos magistrados, envoltos em togas imponentes, não consegue ofuscar o sentimento de repúdio que brota no íntimo das pessoas mais humildes, que não têm conhecimento das artimanhas legais, mas conservam intacta no coração a noção mais elementar de justiça.

Leia a íntegra da declaração que Lula fez no vídeo


“Eu queria dizer ao povo brasileiro que essa decisão minha de aceitar o cumprimento do mandado [de prisão] é pra provar uma coisa nesse país.

Primeiro: que eu não tenho medo das denúncias contra mim porque eu sou inocente e não sei se meus acusadores são inocentes.

Segundo: eu poderia ter fugido. Eu estive na divisa com o Paraguai com o Brasil. Eu estive em Foz do Iguaçu, vizinha do Uruguai [sic] e da Argentina. Poderia ter saído, ido para uma embaixada. Eu não quis fugir porque quem é inocente não corre; enfrenta. E eu quero provar a minha inocência. Se tem político que não tem honra e não se defende, eu tenho muita honra e quero me defender. É por isso que eu estou muito tranquilo.

Vou a Curitiba para saber o que o seu Moro e o Dallagnol querem. Saber se eles estão dispostos a discutir comigo e debater publicamente os processos. Eu quero provar que eles estão mentindo a meu respeito. Eles sabem que é mentira. E eles estão quase que serviçais da Globo. A Globo é que dá veracidade às mentiras que eles contam. E eu resolvi enfrentá-los.

Então é isso. É por isso que eu estou indo agora para Curitiba. E quero pedir muita vontade de lutar para o povo brasileiro. É isso. Eu estou com a consciência tranquila dos inocentes.”

As exceções


Saiba quais eram as exceções previstas em texto submetido à consulta pública:
É vedada a incidência de mecanismo financeiro de regulação:

I – Nas 4 (quatro) consultas realizadas com médico generalista (pediatria, clínica geral, médico de família, geriatria, ginecologia), a cada 12 meses;

II – Nos exames preventivos, entendendo-se por estes por:

a) Mamografia – mulheres de 40 a 69 anos – 1 exame a cada 2 anos;
b) Citologia oncótica cérvico-uterina – mulheres de 21 a 65 anos – 1 exame por ano;
c) Sangue oculto nas fezes – adultos de 50 a 75 anos – 1 exame ao ano, e repetição acaso o resultado seja positivo;
d) Colonoscopia – em adultos de 50 a 75 anos;
e) Glicemia de jejum – 1 exame ao ano para pacientes acima 50 anos;
f) Hemoglobina glicada – 2 exames ao ano para pacientes diabéticos;
g) Lipidograma – homens acima de 35 anos e mulheres acima de 45 anos – 1 exame/ano;
h) Teste HIV e síflis, em pacientes com vida sexual ativa, no max 1 exame/ano.
III – Nos tratamentos crônicos em qualquer número, entendendo-se estes por hemodiálise (TRS), radioterapia e quimioterapia intravenosa e oral, imunobiológicos para doenças definidas nas DUTs.

IV – Exames do Pré-Natal, entendendo-se por:

a) Sorologia para sífilis, hepatites e HIV;
b) Ferro sérico;
c) Citologia cérvico-uterina;
d) Cultura de urina;
e) Tipagem sanguínea (ABO) e RH;
f) Toxoplasmose;
g) EAS;
h) Glicemia de jejum;
i) Teste de COMBS direto;

Saib ao que muda na reforma trabalhista com a queda da MP


Leia o exaustivo trabalho de reportagem que o site G1 publica hoje sobre as mudanças:

Contratos anteriores à nova lei
Texto original da reforma - A reforma trabalhista não estabelecia que as novas regras valeriam para contratos firmados anteriores à entrada em vigor da lei.
Alteração feita pela MP - A medida provisória previa que a nova lei se aplicaria integralmente para contratos que já estavam vigentes. Esse trecho perde a validade.
Para Estêvão Mallet, a queda da MP não impede que algumas regras da nova lei trabalhista se apliquem aos contratos vigentes, desde que direitos adquiridos sejam respeitados.
 “Podem até valer, mas ressalvados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada”, explicou.
 O advogado Maximiliano Garcez, representante da Associação Latino-Americana de Advogados Laboralistas no Brasil, diz que a retroatividade é “inconstitucional” e fere a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
 Para o procurador do Ministério Público do Trabalho Paulo Joarês, sem a MP, o argumento de que as novas regras não valem para os contratos anteriores à lei fica “mais forte”.
 “Se precisou de uma MP dizendo que se aplicava aos contratos antigos, é porque, pela lei, não deve se aplicar. Será preciso esperar os tribunais superiores adotarem uma posição”, afirmou.

Jornada de 12 por 36 horas
Texto original da reforma - A reforma trabalhista criou a possibilidade de jornadas de 12 horas de trabalho seguidas de 36 horas de descanso serem negociadas diretamente entre empregador e empregado por acordo individual escrito.
Alteração feita pela MP - A MP restringia essa possibilidade a empresas e trabalhadores do setor de saúde. Para as demais categorias, a medida exigia que a negociação fosse feita por meio de convenção ou acordo coletivo de trabalho.
Segundo o advogado trabalhista Carlos Eduardo Cardoso, com a perda da validade da proposta, passa a valer a regra inicial.
“O que vale é o que está na reforma trabalhista – acordo individual e para qualquer setor. Agora, existe aí uma discussão jurídica sobre o cabimento da aplicação dessa regra geral porque contraria alguns argumentos relacionados à segurança do trabalho. Acredito que essa matéria ainda vai ser alvo de bastante discussão”, afirmou Cardoso.

Grávidas e lactantes
Texto original da reforma - A nova legislação também alterou regras para o trabalho de gestantes e lactantes em locais insalubres. A reforma determinou que, no caso de gestantes, o afastamento do local de trabalho só será obrigatório em casos de atividades com grau máximo de insalubridade. Em locais de insalubridade média e mínima, a lei permitiu o trabalho de grávidas, a não ser que sejam apresentados atestados médicos. Lactantes serão afastadas de atividades insalubres em qualquer grau se apresentarem atestado médico recomendando o afastamento no período.
Alteração feita pela MP - A MP estabelecia o afastamento da grávida de qualquer atividade insalubre enquanto durar a gestação – o padrão deixaria de ser a permissão para o trabalho e passaria a ser o afastamento. Mas o texto da medida provisória abria a possibilidade de a gestante trabalhar em locais de graus médio ou mínimo de insalubridade, desde que, voluntariamente, apresentasse atestado médico que autorizasse a atividade.
Antes da reforma trabalhista, as trabalhadoras grávidas eram obrigatoriamente afastadas de locais insalubres, independentemente do grau de insalubridade.
No caso da lactante, tanto a reforma quanto a MP previam a necessidade do atestado para permitir o afastamento, sendo o trabalho da lactante autorizado inclusive no caso de atividades com insalubridade máxima.
Para o advogado trabalhista e professor da Fundação Getúlio Vargas Paulo Sérgio João, a MP era “desnecessária” nesse ponto, uma vez que, na avaliação dele, trata-se de uma questão de “bom senso” do empregador.
“Nenhum empregador em sã consciência vai permitir trabalho [de gestantes e lactantes] em local insalubre. Acho que a lei não forma cultura. Não é razoável, se a atividade é insalubre, que a empregada continue trabalhando. Isso vai se ajustar, as pessoas terão responsabilidade sobre seus atos”, opinou.
Para a advogada Ester Lemes, no entanto, a possibilidade de trabalho em local insalubre é “grave”.
“Sem a MP, as grávidas poderão ser dirigidas para qualquer local de trabalho, inclusive insalubres [de graus médio e mínimo]. Um ponto grave, porque, se ela se recusar, ela vai ser advertida? Vai ser suspensa? Vai ser demitida?”, questionou.
Maximiliano Garcez também criticou a mudança promovida pela lei, que chamou de “grotesca”.
“Essa questão das gestantes e lactantes é uma das questões mais grotescas, fere a dignidade da pessoa humana”, declarou.

Autônomo e exclusividade
Texto original da reforma - A reforma trabalhista criou a possibilidade de cláusula de exclusividade para a contratação de trabalhadores autônomos.
Alteração feita pela MP - A medida provisória proibiu a cláusula, mas, como vai perder a validade, a possibilidade de cláusula de exclusividade vai voltar a valer.
Na avaliação da advogada Ester Lemes, a exclusividade “cairá em desuso”. “É muito complicado, porque uma pessoa não pode ser exclusiva e não ter um vínculo. A partir do momento que é exclusivo, passa a ser subordinado à empresa”, opinou.
Para Estêvão Mallet, nesse ponto, a medida provisória era “desnecessária”. “Sem a MP, fica mais claro – pode haver exclusividade”, disse.
A nova lei trabalhista também prevê que o autônomo não tem a qualidade de empregado, mesmo que preste serviço a apenas uma empresa.

Dano extrapatrimonial
Texto original da reforma - A nova lei trabalhista estabeleceu critérios para reparos de danos morais, à honra, imagem, intimidade, liberdade de ação, autoestima, sexualidade, saúde, lazer e à integridade física. Pela texto aprovado da reforma, o pagamento de indenizações dessa natureza vai variar de 3 a 50 vezes o último salário recebido pelo trabalhador ofendido.
Alteração feita pela MP - A medida provisória mudava o padrão para o pagamento de indenizações. A proposta estabelecia que o valor poderia variar de 3 a 50 vezes o teto do benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – atualmente em R$ 5,6 mil. O valor, de acordo com a MP, variaria conforme a natureza da ofensa, de leve a gravíssima. Como a medida vai perder a vigência, a base de cálculo voltará a ser o último salário recebido pelo trabalhador ofendido.
Para a especialista Ester Lemes, o texto da MP era melhor nesse aspecto porque gerava menos distorções.
“Por exemplo: em uma empresa, temos um diretor que ganha R$ 10 mil e uma outra empregada que ganha R$ 2 mil. O diretor receberá uma indenização maior do que a empregada que recebeu o mesmo dano. Situações iguais com valores diferentes”, comparou.
Estevão Mallet concorda que o texto da MP era melhor, mas, para ele, o parâmetro deveria considerar uma série de fatores.
 “Uma conjugação que levasse em conta o salário, a condição econômica, vários outros fatores, se há reincidência ou se não há reincidência, se é uma lesão que permite reparação ou não”, afirmou.
“Sem a MP, volta a regra antiga, o que prejudica trabalhadores que ganham pouco”, disse o procurador Paulo Joarês.
“É um absurdo. A MP realmente melhorava. Agora, quem ganha mais tem um valor de dignidade maior do que quem ganha menos”, criticou o advogado Paulo Sérgio João.

Representação dos empregados
Texto original da reforma - Pela reforma trabalhista, no caso de empresa com mais de 200 empregados, pode ser eleita uma comissão para representar o conjunto de trabalhadores em negociações com empregadores.
Alteração feita pela MP - A medida provisória assegurava que a comissão não substituiria a função do sindicato de defender os direitos e os interesses da categoria, o que reiterava a participação dos sindicatos em negociações coletivas de trabalho.
Carlos Eduardo Cardoso disse que a inclusão que a MP pretendia fazer era para agradar sindicalistas em troca de apoio à reforma, mas que, na prática, não produziria efeitos.
 Estêvão Mallet lembra que a representação dos trabalhadores é uma prerrogativa dos sindicatos que está na Constituição. “A nova lei trabalhista não pode transferir essa representação para a comissão”, avaliou.

Trabalho intermitente
Texto original da reforma - A reforma trabalhista incluiu, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a modalidade de jornada intermitente, em que o trabalho não é contínuo e a carga horária não é fixa. Pela proposta, o empregador deverá convocar o empregado com pelo menos três dias de antecedência. A remuneração será definida por hora trabalhada e o valor não poderá ser inferior ao valor da hora aplicada no salário mínimo. O empregado terá um dia útil para responder ao chamado. Depois de aceita a oferta, o empregador ou o empregado que descumprir o contrato sem motivos justos terá de pagar à outra parte 50% da remuneração que seria devida.
Alteração feita pela MP - A MP excluiu a multa de 50% da remuneração em caso de descumprimento contratual. E estabeleceu que empregador e trabalhador intermitente poderiam fixar em contrato o formato da reparação no caso de cancelamento de serviço previamente agendado. Como a MP vai perder a validade, a multa voltará a existir. A MP também estabelecia que, até 31 de dezembro de 2020, o empregado demitido que foi registrado por meio de contrato de trabalho por prazo indeterminado não poderá prestar serviços para o mesmo empregador por meio de contrato de trabalho intermitente pelo prazo de 18 meses a partir da data da demissão do empregado. Com a queda da MP, essa quarentena deixará de existir.
Para Estêvão Mallet, a multa é um “exagero” da reforma trabalhista. “É uma sanção muito exagerada e muito desproporcional, que a medida provisória eliminava”, declarou.
Apesar disso, ele acredita que, na prática, serão raras as vezes em que a cobrança da multa vai acontecer.
“Acho difícil que um empresário contrate um advogado, acione a Justiça para receber um valor irrisório da multa, por exemplo, R$ 80. Acho que a intenção do legislador era gerar um efeito pedagógico. Mas, na prática, se um trabalhador não aparecer para trabalhar, o que vai acontecer é que ele não será mais convocado por aquela empresa”, projetou.
Segundo Ester Lemes, a MP trazia uma "segurança maior" para os empregados porque a empresa não poderia demiti-los e contratá-los imediatamente como intermitentes. "Com a MP, tinha uma carência para recontratar de 18 meses. Agora, poderão demiti-los e contratar diretamente como intermitentes”, explicou.
Para o procurador Paulo Joarês, sem a MP, há uma “insegurança muito grande” para o trabalhador intermitente. “O governo terá que fazer algum decreto para tentar regulamentar isso”, avaliou.

domingo, 22 de abril de 2018

Artigo, Alcebíades Crawford - Rosinha de Luxemburgo vai a Curitiba


Queridos. Beijinhos vermelhos a todos. Estou indo para Coritiba (escrevo como o time, pois na nomenclatura oficial, a primeira sílaba me faz lembrar loucuras do passado). Vou visitar o meu mandelinha, meu ghandizinho, que encontrei a última vez na casa do Emilio Odebrecht, tomando Petrus. Que finesse, não levantava aquele dedinho como as pessoas vulgares; depois me contaram que ele não tem o dedo por causa de uma aposentadoria, mas isso deve ser invenção do Bolsonaro, aquele milico ciumento.
Eu o conheci numa das festas do Baby Monteiro Aranha quando era acionista da Volks e curtia os sindicalistas de resultado. O Lulinha acertava as greves, negociava o percentual, dizia que teria que manter um tempo parado, para parecer que não estavam de acordo, enquanto as montadoras iam ao governo pedir alguma vantagem fiscal, depois – como já acertado antes – a greve terminava. Não era um pelego qualquer, mas um vison refinado.
Temos muito em comum, ambos somos esquerda fake e adoramos os poderosos; ele agradava fazendo um tipo naif, que enganava os debaixo a serviço dos de cima. Essa coisa de em cima e embaixo me fez lembrar nossa viagem sindical/chic para a Alemanha, com ele e alguns copains convidados pela Mercedes, foi DGS total (Das grossen sakanagem), very, very crazy. Numa orgia num castelo na Floresta Negra, não sei se era aquele dedinho ou um charuto cubano, mas o sindicalismo penetrou em mim para sempre.
Eu, que já coloquei meu Porsche vermelho nas barricadas de Paris em 68, sempre fui gauche, assim como meus amiguinhos da Lei Rouanet que encontro na Rive droite, pois é charmoso e a mídia adora. Por isso vou lá protestar, ninguém pode ser preso por corrupção, por receber um triplex no Guarujá. (Que ninguém me ouça, até deveria ser enforcado por breguice superlativa, por querer uma coisa horrível daquelas). Corrupção não é crime, basta a gente ficar repetindo, aprendi isso com um prussianozinho chato lá por 1938, quando eu ainda era estudante.
Só espero não ter que encontrar aquela muquirana que fez plástica barata e ficou com nariz-de-cheirar-peido, nem aquela maluca búlgara irritada e irritante que confunde micose com maionese. Busquei minha estrela vermelha com rubis que comprei na Van Cleef, mas vou mentir para a militância que é bijuteria. Por isso me aguardem no camping vermelho de Coritiba. Passei duas semanas no sol em Mykonos e estou negríssima e lá no meio das barracas, vou tirar a roupa e já combinei com o Sebastião Salgado para me fotografar assim. Quero figurar na imprensa internacional, para causar ciúmes no Jet set.
Estou indignada, esse juiz cafona que usa camisa escura – não digo o nome dele - bloqueou os cartões de crédito que eu tinha do Instituto Lula, num acerto da OAS com o Okamoto. O Renan me conseguiu um jatinho e o Youssef vai me buscar no aeroporto, ele vai trocar alguns euros para mim, como sempre fez para os nossos amigos.
Vai comigo um perfumista francês maravilhoso, vou abandonar minha antiga fragrância, por uma nova que ele quer lançar lá em Coritiba, o nome é ótimo: “Corruption”; vou dizer para as companheiras do grelo-duro (odeio essas palavras, mas ele gosta...), que podem usar “corruption”, mas mentir que é “persecutión politique”, que é bem chique e pega muito melhor... Irei passar no corpo quando for até a carceragem. Se conseguir entrar e encontrá-lo, sou capaz até de fazer uma felação premiada.        

sábado, 21 de abril de 2018

Artigo, Flávio Quintela, Gazeta do Povo - Lula continua preso


Artigo, Flávio Quintela, Gazeta do Povo - Lula continua preso 

Ontem pela manhã, eu coloquei o lixo para fora. Lula não pode fazer isso.

Domingo passado, almocei com minha família num restaurante. Lula não pode fazer isso.

Aliás, antes de almoçar, fui jogar tênis com um amigo. Lula não pode fazer isso.

Na segunda-feira, fui à academia. Lula não pode fazer isso.

Ontem à noite, tive de ir à farmácia comprar um remedinho para minha filha. Lula não pode fazer isso.

Hoje cedo, depois de deixar meu filho na creche, levei o carro para lavar. Lula não pode fazer isso.

De vez em quando eu vou até a geladeira, abro as portas e não acho nada que me apeteça. Lula não pode fazer isso.

Um dia desses meu primo me ligou pra bater papo. Lula não pode fazer isso.

Confesso que fiquei meio decepcionado quando soube que Lula ocuparia uma celinha mais chique, com banheiro separado do quarto e até mesmo uma televisão. Afinal, quando a gente imagina alguém preso no Brasil, vêm logo aquelas imagens de 40 detentos dividindo uma única cela (muitos deles com uma ficha criminal menos extensa que a do petista). No caso de políticos como ele, nos lembramos também da Papuda, muito aquém em conforto e amenidades do que a atual morada do etílico ex-sindicalista. Mas, em se tratando de Lula, não dá para não comemorar. Sua prisão trouxe algum sentimento de justiça a milhões e milhões de brasileiros.

Prisão é o cessar da privacidade, é o fim da liberdade de ir e vir, é o confinamento de uma vida até então sem limites geográficos a uma saleta solitária. O preso não escolhe o que vai comer e nem o que vai vestir. O preso não telefona, não olha Facebook, não recebe mensagem em grupo de WhatsApp (pelo menos não deveria), não bate papo com o frentista, não come pão na chapa no balcão da padaria, não pede pizza para entrega. O preso não abraça e não é abraçado, não recebe cafuné, não tem ninguém a quem contar uma piada. O preso quase não fala, porque não há quem ouça.

Você já deve ter ouvido alguém dizer que os políticos corruptos podem até desfrutar de seus crimes, mas que bom mesmo é colocar a cabeça no travesseiro e dormir o sono do justo. Acontece que psicopatas como Lula não sofrem com as desgraças que causam. Esse tipo de ser humano não deixa de pegar no sono porque acabou com a vida de alguém – isso é inerente à psicopatia. A única maneira de conter um psicopata e puni-lo por seus crimes é a prisão. E é por isso que o Brasil se tornou um lugar melhor quando Lula passou sua primeira noite na cama fria da cela: um psicopata a menos nas ruas.

Não sou do tipo que se faz de santo quando alguém como Lula sofre um revés desses. Jamais usarei o discurso piegas e politicamente correto de não tripudiar de bandidos. Lula fez por merecer cada dia que passar preso, cada minuto que passar calado, cada refeição que fizer sem a cachaça de que tanto gosta. Sua vida foi pautada pelos vícios e suas virtudes foram usadas para o mal. Ele defendeu bandidos, ajudou ditadores e cercou-se de gente reprovável. Passou a vida sugando as riquezas da sociedade brasileira, e está chegando ao fim dela com arroubos de megalomania, julgando-se divino.

Vou terminar este parágrafo, dirigir-me ao meu banheiro e tomar um banho gostoso de chuveiro. Depois, colocarei meu filho na cama, contarei uma história para ele, e ficarei ao seu lado até que pegue no sono. Na sequência, deitarei com minha esposa e veremos um pouco de televisão, provavelmente o último capítulo da quarta temporada de Bosch. E, finalmente, dormirei sobre um colchão aconchegante e macio, sabendo que amanhã cedo o sol brilhará lindo por trás das cortinas, e que eu poderei abrir a porta e sair de casa quando em bem entender. Lula continua preso, e tudo isso lhe é vedado. Que continue assim por muito tempo.

Artigo, Igor Oliveira, Zero Hora - A união nem sempre faz inovação


No dia 9 de abril, foi lançada uma iniciativa conjunta de inovação entre as três principais universidades de Porto Alegre. Isso é uma boa notícia? Creio que sim, porque qualquer iniciativa é melhor do que nada. O risco que corremos é de ficarmos perto demais do nada.

Inovação é um fenômeno tão complexo que poucas analogias dão conta de explicá-lo. Uma das mais usadas é a da banda de jazz que se reúne para improvisar. No caso das universidades gaúchas, o que vemos é um contrato entre três tímidos, porém competentes, contrabaixistas que se comprometem em tocar alguns temas no mesmo tom.

É uma banda formada apenas por contrabaixistas, que normalmente assumem o papel de entender e fornecer a matemática por trás da música, ou seja, o conhecimento que sustenta a inovação. Pode resultar em coisa boa, mas não é a formação que costuma funcionar.

Assim como na música improvisada, o que faz a diferença em ecossistemas de inovação é o padrão de interação entre os agentes. Por influência de nossas experiências pessoais, é comum pensarmos que a união é o melhor padrão de interação. Em inovação, não costuma ser assim, porque concorrência, divergência e clusterização, entre outros padrões de interação difíceis de mapear, são muito importantes.

Uma das anedotas mais famosas sobre inovação no século 20 é a da Apple. Um capítulo marcante é a apresentação de Steve Wozniak no Homebrew Computer Club, realizada em Stanford. Eram vários empreendedores (ou trompetistas) tocando na casa de um só baixista. Wozniak percebeu ali outros empreendedores tão avançados quanto a Apple na cruzada pelo primeiro computador pessoal. Mais tarde, seu sócio Steve Jobs conseguiu realizar uma venda para um varejista local, o que os colocou na dianteira novamente. Quem já tocou em banda sabe quão difícil é achar um baterista, aquele cliente importante ou investidor que dispõe do mais volumoso instrumento, e que determina com seu capital o ritmo do desenvolvimento.

O que se aprende com essa narrativa é a importância da fluidez dessas relações entre os diferentes componentes de um ecossistema de inovação. Se não fosse a informalidade de Stanford (oposta à pompa do anúncio entre as universidades gaúchas) e o fácil acesso ao varejista, talvez não tivesse surgido a Apple. Fica meu apelo por mais fluidez no Rio Grande.

Nota de Ana Amélia


Nas minhas manifestações não há qualquer crítica à TV Al Jazeera, com sede no Catar! Minha crítica foi exclusivamente ao manifesto da Presidente do PT por ter denegrido a imagem do Judiciário, do Ministério Público e da imprensa brasileira. Em nenhum momento emiti qualquer opinião sobre a comunidade árabe. Basta ler ou ouvir as minhas manifestações feitas no Senado. Ao contrário, integro a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, onde os temas internacionais são rotineiros e variados e o respeito aos povos é um princípio básico.

Por oportuno informo que hoje assumi a presidência do Grupo Parlamentar Brasil-Reino da Arábia Saudita. No Rio Grande do Sul, que tenho a honra de representar no Senado, a comunidade árabe começou a ser formada com a chegada dos imigrantes sírio-libaneses, no século 18 e mais tarde vieram os palestinos colaborando intensamente com o desenvolvimento econômico, social e cultural, especialmente nas regiões de fronteira com Uruguai e Argentina. No ano passado integrei a comitiva do Ministério da Defesa em missão oficial no Líbano na visita à United Nations Interim Force in Lebanon (Unifil).

Em outra oportunidade, também em caráter oficial, visitei Ramalah (Palestina). Quaisquer avaliações diferentes dessas são, portanto, tentativas de má fé para inverter os fatos, desconstruindo a realidade com notórios fins políticos, às vésperas do processo eleitoral brasileiro.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Eliane Cantanhêde - Dispersão leva à derrota


Depois de Lula, o centro também tenta reaglutinar suas forças políticas

Depois da pulverização desenfreada das candidaturas à Presidência, é hora de começar o movimento inverso, de reaglutinação das forças políticas. O ex-presidente Lula saiu na frente para trazer de volta a tropa unida, mas os articuladores dos demais, particularmente de Geraldo Alckmin e de Joaquim Barbosa, também se mexem. A união faz a força, a dispersão leva à derrota.

No seu comício de despedida antes de voar para Curitiba, naquele que teria sido o ato ecumênico para Marisa Letícia e não foi, Lula encheu Guilherme Boulos (PSOL) de elogios, acariciou o ego de Manuela d’Ávila (PCdoB) e convocou a militância para um projeto comum.

A questão é que Lula se esforça para reunir as esquerdas com a mesma intensidade com que as esquerdas se esforçam para se isolar de todo o resto. A invasão do triplex no Guarujá, comandada por Boulos, apavora a classe média. As investidas internacionais do PT, pela voz de sua presidente, Gleisi Hoffmann, margeiam o patológico e sacodem as redes sociais.

Difícil compreender o objetivo da invasão do apartamento, que só atende as alas mais radicais e imprudentes. Mais difícil ainda é entender o que a senadora petista pretende ao manifestar apoio ao regime calamitoso de Nicolás Maduro e fazer uma conclamação ao mundo árabe pró-Lula e contra o Brasil. O que Lula acha disso?

Nos campos adversários, vislumbram-se movimentos para conter o estouro da boiada que soam como gritos de desespero. Os tucanos, que têm as melhores condições objetivas, até aqui não apenas afastam velhos aliados como continuam digladiando entre eles.

Um movimento esperado, até natural, seria a reunião do MDB e do DEM em torno do PSDB, com Henrique Meirelles e Rodrigo Maia desistindo de suas pretensões presidenciais e, eventualmente, até disputando a vaga de vice de Geraldo Alckmin, com o patrocínio de Michel Temer. Mas com Alckmin asfixiado regionalmente, sem atingir 10% nas pesquisas?

O PSDB envia emissários para atrair o senador Álvaro Dias, que foi tucano, é candidato a presidente pelo Podemos e abre um flanco preocupante para os tucanos no Sul, contraponto ao Nordeste petista. Assediado, Dias dá de ombros. Além disso, há uma questão estrutural no PSDB: a divisão entre Alckmin, José Serra e Aécio Neves, agravada pela Lava Jato e pela guinada radical de Aécio, que deixou de ser um troféu para ser um peso na campanha.

Com esses obstáculos ao PT e ao PSDB, o foco se desvia para Jair Bolsonaro, incapaz até aqui de ampliar seu leque de alianças, Marina Silva, que está na cola de Bolsonaro, mas pilota um teco-teco partidário, o franco-atirador Ciro Gomes, que assusta potenciais parceiros, e Aldo Rebelo, que saiu do PCdoB e concorre pelo Solidariedade.

Todos vão manter as candidaturas até o fim? Improvável. E eles agora têm um alvo: Joaquim Barbosa, que veio da pobreza, como Lula e Marina, é apolítico, como o deputado Bolsonaro diz que é, e não deve à Lava Jato, muito pelo contrário. Joaquim, porém, precisa começar a aglutinação em casa, já que o PSB está dividido entre paulistas pró-Alckmin e pernambucanos pró-Lula. E, como Bolsonaro, precisa dizer o que pensa para a economia, num país em que o populismo fiscal gerou 14 milhões de desempregados.

Se passar por esse três testes – unidade no PSB, programa consistente e fugir do populismo barato, que sai caro –, Joaquim pode ser o barco salva-vidas de partidos e políticos à deriva e de milhões de eleitores sem candidato. Aliás, numa eleição tão pulverizada, a opção que não for radical e demonstrar capacidade de vitória tende a virar uma atração irresistível ainda mais quando ficar claro quem está dentro e quem está fora. É aí, nesse ponto, que a onda se forma e vira tsunami do segundo turno.