quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Equipe de transição, área econômica de Bolsonaro

Paulo Guedes – PHD pela Universidade de Chicago, um dos fundadores do banco Pactual. Futuro Ministro da Economia.
Adolfo Sachsida – Doutor em economia pela Universidade de Brasília e pós-doutor pela Universidade do a Alabama. É pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Tem vários artigos publicados na área econômica.
Carlos da Costa – Foi diretor de planejamento, crédito e tecnologia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Antes disso, presidiu o Instituto de Performance e Liderança, foi executivo residente no JP Morgan e sócio-diretor do Ibmec Educacional. Atuou como consultor em empresas e programas de governo, em especial nas áreas relacionadas a desenvolvimento, produtividade e mercado de capitais. Mestre e PHD pela UCLA, economista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Marcos Cintra – Possui graduação em economia pela Harvard College, mestrado e metrado em planejamento regional na mesma universidade. Atualmente é professor titular e vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas. Já foi Secretário de Planejamento do Município de São Paulo, vereador e deputado federal, com experiência na área econômica, com ênfase em política tributária.
Abraham Weintraub – Trabalhou na iniciativa privada, no Banco Votorantim por 18 anos onde foi economista-chefe e diretor.
Arthur Weintraub – É formado em direito pela USP. Especializado em previdência com 14 livros publicados.
Hussein Kalout – Secretário especial de assuntos estratégicos do atual governo, cientista político, professor de relações internacionais e pesquisador licenciado de Harvard. Na administração pública foi secretário de relações internacionais do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consultor das Nações Unidas, secretário-geral da Comissão conjunta de Poderes Judiciários de America Latina, Caribe e União Europeia.
Roberto Castello Branco – Doutor em economia pela FGV e pós doutorado na mesma área pela Universidade de Chicago. Foi professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Presidente Executivo do IBMEC, diretor do Banco Central, Economista chefe da Vale do Rio Doce.
Waldery Rodrigues Junior – Doutor em economia, tem graduação em engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Fez mestrado em economia na Universidade de Michigan e doutorado pela Universidade de Brasília. É coordenador-geral na Secretaria de Política Econômica (SPE

Nota do Colégio Rosário, Porto Alegre


NOTA DE ESCLARECIMENTO

*Atualizado dia 30/10, às 12h30

​As manifestações que ocorreram no Colégio Marista Rosário estritamente durante os intervalos da manhã, nos dias 29 e 30/10, foram organizadas de forma espontânea e voluntária por grupos de estudantes, indicando posições distintas sobre o desfecho eleitoral. As fotos e vídeos veiculados nas redes sociais e imprensa não foram publicadas pela instituição.

Acompanhamos as duas atividades a fim de zelar pelo clima de tranquilidade e liberdade de expressão. Nos dois dias, previamente, buscamos coletar elementos visíveis que remetiam a partidos políticos. No decorrer dos dois atos, reconhecemos a ocorrência de situações em desacordo com o que é previsto em tópicos das Normas de Convivência como, por exemplo, uso obrigatório do uniforme, organização de eventos sem autorização e promoção de política partidária. Ressaltamos o nosso compromisso no cumprimento dessas normas e nos manteremos atentos para evitar a ocorrência de novos atos.

Somos apartidários. Reiteramos que não nos vinculamos a nenhum candidato ou partido político. Salientamos a importância de espaços de diálogo para discussão sobre a promoção e a defesa dos direitos, fortalecendo a nossa missão de formar cidadãos comprometidos com a promoção da vida e da cultura de paz. Algumas iniciativas foram adotadas para reforçar tais propósitos, como o atendimento de estudantes e famílias desde segunda-feira, 29/10.

Além disso, a partir desse contexto, serão realizados trabalhos pedagógicos em sala de aula ressaltando a relevância da cidadania. O cuidado com posicionamentos políticos e ideológicos já é uma pauta sistemática junto aos educadores.

Estamos priorizando o atendimento presencial aos familiares e seguimos à disposição para o diálogo, entendendo que esse é o caminho para a construção de uma sociedade fraterna e pacífica.


terça-feira, 30 de outubro de 2018

Os quatro nós que Bolsonaro e sua equipe terão que desatar


Há exatamente quatro anos, logo após a reeleição de Dilma Rousseff (alguém ainda se lembra da dona?), este Instituto Mises publicou um artigo relatando o que nos aguardava pelos próximos quatro anos. Eis alguns trechos:

Aparentemente, o ano de 2015 já está perdido. O estrago feito nos últimos anos foi enorme e o conserto não será nem rápido e nem indolor. 
O trio Guido Mantega (Fazenda), Arno Augustin (Tesouro) e Márcio Holland (Secretária de Política Econômica) deixou um legado desastroso. [...]
A situação real das contas públicas do Brasil está entre as piores do mundo. O superávit primário (receitas menos despesas, sem incluir o pagamento de juros da dívida) deixou de existir, e agora os déficits primários, que não ocorriam desde 1997, passaram a ser a norma. [...]
Dilma terá de limpar a bagunça que ela própria criou. E terá de fazer isso tomando medidas impopulares. Mais ainda: terá de tomar medidas impopulares ao mesmo tempo em que 1) passa por uma crescente insatisfação popular, 2) vê o acirramento de ânimos e a difusão de movimentos secessionistas, e 3) está sob a iminência de um processo de impeachment.
Caso ela seja bem sucedida em todos os desafios listados neste artigo, o máximo que ela irá conseguir é retornar o país ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011.
Que avanço.
Olhando em retrospecto, a previsão foi até um tanto otimista. O ano de 2015 não foi apenas "perdido"; foi de forte retrocesso. Assim como também o foi o ano de 2016.
E o Brasil não retornou "ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011". Foi pior. Voltamos ao ponto em que estávamos em 2010.
Embora sejam números trágicos, a realidade é que eles eram inevitáveis. Como este Instituto nunca se cansou de repetir, é inevitável que a economia — qualquer economia — passe por um período de profunda correção após vários anos seguidos de manipulações e intervenções estatais. É impossível sair de um período de crescimento econômico artificialmente turbinado por políticas heterodoxas (como ocorreu de 2010 em diante) sem que haja uma forte correção de todos os fundamentos econômicos que foram distorcidos por esse artificialismo.
E a recessão nada mais é do que essa correção.
Desde o final de 2008, o governo federal brasileiro, de maneira cada vez mais intensa, praticou uma política que envolvia medidas simultaneamente contraditórias: uma grande expansão do crédito dos bancos estatais e controle de preços; gastos públicos crescentes e desonerações pontuais; redução das taxas de juros e aumento das tarifas de importação e da exigência de conteúdo nacional (ambas criam reserva de mercado e permitem a prática de preços mais altos).
A esse conjunto de medidas esdrúxulas foi dado o nome de Nova Matriz Econômica, e seu legado foi o que vivenciamos desde 2015.
A principal lição que fica disso tudo é que nenhuma intervenção do estado na economia passa impune. No final, a economia sempre se ajusta. E a intensidade desse ajuste (a recessão) vai depender da intensidade das intervenções que foram praticadas. Considerando que o governo brasileiro "microgerenciou" a economia desde 2009, e de maneira cada vez mais intensa, o período de correção (cujos efeitos sentimos até hoje) não tinha como ser indolor.
O "trabalho sujo"
No entanto, há um consolo: desde a queda de Dilma em abril de 2016, algumas alterações de rumo foram feitas pelo governo Temer. Todas elas de extrema importância, mas cujos efeitos benéficos só serão sentidos daqui a vários anos (levando-se em conta, é claro, que elas sejam mantidas e respeitadas).
Dentre as principais podemos citar:
* a aprovação do teto de gastos;
* a reforma trabalhista;
* a queda da inflação de preços de quase 11% para 4,50%, tendo ficado um bom tempo em torno de 3% (o que, para o Brasil, é uma façanha);
* a reforma do ensino médio;
* a lei da terceirização;
* o fim da obrigatoriedade de a Petrobras participar do pré-sal (além da própria recuperação da Petrobras, que foi destruída pelo controle de preços praticado pelo governo);
* a reestruturação do setor elétrico (que também foi destruído pelo controle de preços praticado pelo governo);
* a Lei da Governança nas estatais;
* e, principalmente, uma maior restrição à atuação dos bancos estatais, principalmente do BNDES. Com suas políticas de empréstimos subsidiados pelo Tesouro (ou seja, por nós), os bancos estatais foram os principais responsáveis pela desarrumação da economia.
Os bancos estatais eram obrigados, pelo governo, a direcionar empréstimos a juros bem abaixo da SELIC para alguns setores escolhidos pelo governo — como o setor imobiliário, o setor rural, o setor exportador, as empreiteiras e os barões do setor industrial. Quem bancava tudo isso éramos nós, os pagadores de impostos. O governo arrecadava nosso dinheiro via impostos e empréstimos (vendas de títulos do Tesouro), repassava para os bancos estatais, e estes então emprestavam esse dinheiro — a juros abaixo da SELIC — para empreiteiras, para compradores de imóveis, para o setor industrial etc.
Observe no gráfico abaixo que, em decorrência desta política, o crédito no Brasil foi efetivamente estatizado a partir de 2013, quando o volume de crédito dos bancos estatais ultrapassou o dos bancos privados.
Esta acentuada expansão do crédito estatal foi o cerne de toda a desarrumação da economiadesde 2008, e o fato de este crédito estar agora em retração, principalmente o do BNDES, é digno de nota. E de comemoração. Uma das causas do atual bom comportamento da inflação de preços é exatamente a contração deste crédito.
Mas ainda há muito a ser feito.
O Brasil que Bolsonaro herda
Eleito em 28 de outubro de 2018 com mais de 55% dos votos válidos (quase 11 milhões a mais que seu oponente, Fernando Haddad, do PT), Jair Bolsonaro (PSL) herda uma economia que, embora esteja longe de estar plenamente operante e ainda possua vários problemas estruturais, ao menos está razoavelmente estabilizada.
Eis alguns pontos que jogarão a favor de Bolsonaro.
Juros e inflação de preços, que eram o principal problema em 2015, estão hoje em cifras historicamente baixas (em nível de Brasil). 
A taxa de câmbio, após disparar a partir de maio e alcançar seu maior valor em setembro (quando o dólar esbarrou em R$ 4,20), voltou a cair e se estabilizar em torno de R$ 3,65. 
O setor elétrico, como dito, foi reorganizado e, ao menor por ora, não apresenta risco de colapso.
A redução no endividamento total das famílias (fenômeno conhecido como 'desalavancagem') em conjunto com a redução do comprometimento da renda delas com o pagamento do serviço desta dívida são outros dois fenômenos dignos de nota.

Artigo, Fábio Jacques - Como acabar com o PT.


O mapa da distribuição dos votos desta eleição mostra claramente que o grande reduto petista continua sendo o nordeste.
O nordestino, ainda que segundo Euclides da Cunha seja, “antes de tudo um forte”, continua sendo um povo sofrido vítima da seca e do populismo.
O medo do nordestino do sertão e do agreste, de perder o auxílio governamental materializado através do “bolsa família”, o qual, ainda que minimamente, tem atenuado as agruras provocadas pela impiedosa mão madrasta da natureza, faz com que procure manter no governo aqueles que se dizem detentores do poder de lhes distribuir estas migalhas.
Em todos os recantos foi disseminada a mensagem de que, saindo o PT acabaria este benefício. Esta mensagem já havia sido espalhada durante a campanha de 2014, inclusive aqui mesmo em Porto Alegre. Bastava ligar para os diretórios do PT para ficar sabendo que o Aécio acabaria com o “bolsa família”. Agora ocorreu o mesmo com o Bolsonaro.
Pois bem. Bolsonaro prometeu depurar os desmandos que acorrem neste programa de distribuição de renda e, com a eliminação dos carrapatos criminosamente incluídos no rol dos realmente necessitados, proporcionar um décimo terceiro aos que realmente merecem o auxílio. Acho muito justo.
Mas a grande sacada é implementar outra promessa, muito mais impactante que é a importação da tecnologia de cultivo no deserto desenvolvida, com grande sucesso, pelos israelenses nos seus kibutz. E Israel quer colaborar.
O clima de Israel é semelhante ao do agreste brasileiro e a produção de alimentos é tão abundante que sobra para exportar para vários países da Europa.
Garantindo o “bolsa família” incrementado pelo décimo terceiro e disseminando a tecnologia da irrigação por gotejamento e do máximo aproveitamento da água, o nordestino fatalmente chegará à conclusão que, ao invés de ajuda-lo, os governos anteriores o mantiveram vivos apenas como uma escrava fonte de votos populistas.
Se conseguir fazer com que o nordestino do agreste e do sertão realmente comecem a sair da extrema miséria por seu próprio trabalho, secará a fonte dos votos “do medo” e o PT e seus puxadinhos ficarão reduzidos aos pseudo- intelectuais e aos grupos radicais de esquerda.

O autor é CEO da Jacques - Gestão através de Ideias Atratoras, Porto Alegre, www.fjacques.com.br. fabio@fjacques.com.br

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Bolsonaro vence em 97% das cidades mais ricas e Haddad em 98% das pobres


Entre os mil municípios com os maiores IDHs do País, Bolsonaro venceu em 967, enquanto Haddad conquistou 33. Já nas mil cidades menos desenvolvidas, Haddad ganhou em 975 e Bolsonaro em 
  
Texto: Luiz Fernando Toledo e Cecília do Lago / Dados: Vinicius Sueiro / Infografia: Bruno Ponceano

Apesar de ter perdido a eleição, o candidato petista Fernando Haddad teve mais votos na maioria dos municípios brasileiros. O petista ganhou em 2.810 cidades, ante 2.760 de Bolsonaro. Ainda assim, a diferença de votos entre eles foi de 10,7 milhões.

Os dados levantados pela reportagem mostram ainda que, quanto menor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município, maior foi a votação em Haddad – e quanto maior, mais votos para Bolsonaro. O indicador mede a qualidade de vida da população com métricas de acesso à educação, longevidade e renda.

Em São Caetano do Sul (SP), cidade com maior IDH do País, o militar da reserva venceu com 75,1% dos votos. Já o pequeno município de Melgaço (PA), com menos de 10 mil habitantes e o menor IDH do País, deu vitória a Haddad por 75,6% dos votos.

A correlação é semelhante à estabelecida a partir das eleições presidenciais de 2006, quando o candidato petista era Lula e o antipetista era Geraldo Alckmin, do PSDB. A onda Bolsonaro praticamente substituiu o protagonismo do PSDB. Alckmin teve votação abaixo do esperado, mesmo no principal reduto do partido, o Estado de São Paulo.

A cidade de Nova Pádua, no Rio Grande do Sul, deu a maior vitória de Bolsonaro – 93% de seus 1.904 habitantes o escolheram como novo presidente. Guaribas, no Piauí, deu 98% de seus 2.938 votos a Haddad.

DESEQUILÍBRIO
Haddad conquistou mais municípios, porém com menos eleitores
Apesar de ter conquistado maioria em menos municípios, Bolsonaro foi vitorioso em cidades muito mais populosas do que Haddad – como São Paulo, por exemplo, que tem o maior eleitorado no País. Em votos válidos, a diferença de Bolsonaro para Haddad foi de 10,7 milhões de votos.

Os resultados do segundo turno mostram que o presidente eleito venceu em menos cidades do Nordeste – no primeiro turno ele teve mais votos em 38 de 1.377 municípios da região e no segundo, em 23. Haddad foi o que mais teve votos na região – ele venceu em todos os nove Estados nordestinos. Mas o militar da reserva teve vitória com larga diferença em Estados como São Paulo, Acre e Santa Catarina.

Em São Paulo, Bolsonaro conseguiu vencer com folga – teve 67,97% dos votos, ganhando na grande maioria dos municípios. O governador eleito no Estado, João Doria (PSDB), deixou de lado a figura do presidente de seu partido Geraldo Alckmin, que não decolou na eleição presidencial, e colou no nome do militar da reserva para se alavancar com pedidos de voto “Bolsodoria”. Ele e Márcio França (PSB) vinham polarizando fortemente desde que o socialista ultrapassou Paulo Skaf (MDB) e conseguiu ir ao segundo turno. Doria venceu com 10,9 milhões (51,75%) de votos válidos.

Nos três Estados do Sul, a vitória de Bolsonaro foi ainda mais expressiva. No Rio Grande do Sul, ele teve 63,24% dos votos válidos, ante 36,76% de Haddad. No Paraná, Bolsonaro ficou com 68,43% dos válidos, ante 31,57% de Haddad. Mas o Estado que mais deu votos para o presidente eleito na região foi Santa Catarina, com 75,92% dos válidos, contra 24,08% de Fernando Haddad.

Mudança. Alguns municípios mudaram de lado entre um turno e outro. Bolsonaro conseguiu converter 25 municípios de Fernando Haddad, seis deles em São Paulo, mas a resposta do petista foi maior. Haddad “virou” a disputa em 120 municípios onde o capitão reformado tinha sido o vencedor no primeiro turno, sendo que 41 deles estão em Minas Gerais, 19 em Goiás e 17 no Rio Grande do Sul.

Além disso, Haddad herdou a vitória em todos os 103 municípios em que Ciro Gomes (PDT) tinha obtido maior parte dos votos, todos na região Nordeste do País. No Estado do Ceará, que é reduto político de Ciro, o petista teve um de seus melhores desempenhos no Brasil e ficou com 71% dos votos válidos.

Essa transferência de votos de Ciro para Haddad já era prevista na série de pesquisas Estado/Ibope/TV Globo divulgadas durante o segundo turno, a partir do dia 15 de outubro, mesmo com o pedetista não declarando apoio formal a Haddad. O ex-governador do Ceará teve 13,3 milhões de votos no primeiro turno (12,47%) e ficou em terceiro lugar na disputa

O fenômeno Bolsonaro


O fenômeno Bolsonaro

Outro dia assisti a um documentário na Netflix sobre a Guerra do Vietnã. Realmente impressionante!
Entre 1965 e 1975, período de maior engajamento norte-americano no conflito, morreram 58 mil solados americanos. Ou seja, 5.800 mortos por ano em média. Este morticínio levou a sociedade americana a um total repúdio à guerra, com grandes manifestações por todo país. Foi um trauma que os norte-americanos nunca esqueceram e, até hoje, tem dificuldade de tocar no assunto.
Isso me levou a fazer uma comparação com o Brasil. Por aqui, morrem 63 mil pessoas assassinadas por ano e o governo não dá a menor importância. Ou seja, enquanto nos EUA seis mil mortos por ano é considerado uma taxa inaceitável, por aqui, dez vezes mais não causa nenhum assombro no governo ou na mídia. A mídia só se manifesta quando morre alguém importante (um médico famoso, por exemplo) ou com a qual tenha afinidade ideológica, como foi o caso de Marielle Franco. Se o “Zé das Couves” foi assassinado no subúrbio e deixou sua família desamparada, ninguém em absoluto dá a menor atenção. Mas imaginar que essa opressão não provoque profunda indignação na sociedade, tal como ocorreu nos EUA, demonstra apenas falta de sensibilidade política.
Vamos imaginar que desses 63 mil mortos, a metade seja constituída por criminosos pelos quais ninguém vai derramar uma lágrima. Restam os outros 31.500 cidadãos de bem, muitos deles policiais, que foram assassinados por motivos fúteis, tais como um celular, uma mochila ou uma bicicleta. Ainda assim é uma taxa anual seis vezes maior que a cobrada pela Guerra do Vietnã. A sociedade brasileira está profundamente marcada por essa violência criminosa. Não há uma família sequer que não tenha sido atingida pela mão do crime. Traficantes e milicianos dominam comunidades inteiras criando áreas de exclusão onde a polícia não pode entrar. Se antes era uma característica das grandes cidades, hoje o crime campeia livremente no interior e a população mora entre muros, cercada por grades e com medo de andar nas ruas.
O que fizeram os governos proto-socialistas desde FHC até hoje para enfrentar essa calamidade? A solução milagrosa tirada do fundo da cartola por FHC e entusiasticamente defendida por Lula e seus seguidores foi o desarmamento civil, medida esta que se provou contraproducente em todos os países onde foi anteriormente adotada.
Mas nossos governantes foram além no descaso com a sociedade. No referendo de outubro de 1985 o povo teve a chance de manifestar sua desaprovação em relação ao desarmamento civil e, mesmo assim, o recado foi ignorado pelo governo. Outras medidas totalmente absurdas, tais como redução de penas, indulto natalino, saída no dia das mães, bolsa presidiário, audiência de custódia, etc. provocaram profunda indignação na população. A sensação geral é de que o crime compensa.
Agravando esse quadro, intelectuais identificados com o governo proclamam que o Brasil prende demais e que prisão não é solução. Os grupos de Direitos Humanos mostram-se muito preocupados com a integridade dos presidiários, mas não demonstram nenhuma compaixão para com as vítimas e seus familiares. No campo, milícias invadem e destroem propriedades e empresas e só podem ser retirados por ordem judicial de reintegração de posse. O Estatuto da Criança e do Adolescente, aprovado por Collor em 1990, criou uma categoria de intocáveis, cuja ficha criminal é apagada ao completar 18 anos de idade, independentemente do que tenham feito antes.
Nesse cenário de completo descalabro e anomia, surge um político que proclama o óbvio: que bandido não é cidadão; que as penas devem ser cumpridas até o fim; que o Estatuto do Desarmamento deve ser revisto; que menor de idade não é irresponsável; que aluno deve respeitar professor; que invasores devem ser expulsos pela polícia; que prisão é bom porque tira o criminoso da sociedade e que qualquer um tem o direito de defender sua vida, de seus familiares e sua propriedade – inclusive com o recurso a armas de fogo. É o típico “óbvio ululante” de que falava Nelson Rodrigues: estava diante dos olhos e ninguém via.
Bolsonaro não é um fenômeno. Se há algo de fenomenal no Brasil é a insensibilidade e a incompetência de nossa classe política.

Leonardo Arruda

Artigo, Marcelo Aiquel - O resultado das eleições

        Finalmente, terminou a campanha eleitoral! Uma campanha marcada pelas mentiras e baixarias patrocinadas – como sempre – pelos “desesperados” PT; PSOL e PCdoB.
         Escrevo novamente (desta vez me despedindo definitivamente. Sim, este deverá ser meu último artigo sobre política) para dizer que – independente do que gostariam alguns – o capitão Bolsonaro venceu. Apesar da tentativa de fraude! E houve!
         E acrescentar que o sucesso dele (Bolsonaro) deveu-se, em grande parte, á soberba e a arrogância dos militantes defensores do Luladrão, condenado sem gópi e com provas, sim. Muitas, por sinal.
         Ah, também por causa da cegueira hipócrita e seletiva dos seus admiradores, que não cansaram – ao longo da campanha eleitoral – de argumentar (ou tentar) com teses pra lá de duvidosas e um palavreado “chulo” (não é mesmo, Doutor Sílvio, de Santos/SP? Mais um “raivoso” adorador dos políticos ladrões) ofendendo graciosamente todos os seus opositores.
         Como as boas lições raramente são aprendidas (é absolutamente necessário ser humilde e inteligente para tal) sei que dizendo isso estou “batendo em ponta de faca”... Ops, faca não! Isto é especialidade do “desempregado abonado”, e agora “doente mental”, do assassino confesso Adélio. Evidentemente, do PSOL, outro membro da ORCRIM!
         Concluindo: Como as boas lições raramente são aprendidas, continuem (os fanáticos e os dependentes) a saudar um psicopata bêbado e comprovadamente ladrão, enquanto o Brasil caminhará para a frente.
         Agradeço a todos, recomendando apenas: andem na linha e na ordem que nada de mal lhes acontecerá. Afinal, as leis são para todos! Dura lex, sed lex...

        Saudações e até qualquer dia.

domingo, 28 de outubro de 2018

Editorial, Estadão - Sem terceiro turno


O próximo presidente e aqueles que estarão na oposição devem ter a grandeza de compreender que o País não pode ficar em campanha eleitoral permanente

Depois de uma campanha eleitoral especialmente truculenta, em que a baixaria atingiu níveis inéditos e houve até atentado a faca contra um dos candidatos, os eleitores irão hoje às urnas praticamente sem saber o que de fato os dois postulantes à Presidência da República pretendem fazer para resolver os gravíssimos problemas nacionais.
A pobreza das propostas foi escamoteada pela troca de insultos e pela histeria, num clima de briga de torcidas que contaminou até mesmo as relações familiares e de amizade - não foram poucos os brasileiros que romperam contato com parentes e conhecidos em razão de suas opções políticas.
Ou seja, a campanha eleitoral que hoje termina foi muito além do tradicional e algumas vezes agressivo embate de programas para o País, quase sempre superado assim que as urnas fecham; o que se viu, por todos os lados, foi a completa recusa de ouvir a opinião alheia, de reconhecer a legitimidade de quem pensa de modo diferente e de usar a razão em vez da emoção. Provavelmente o desfecho da eleição não desanuviará de imediato tal clima de hostilidade.
Pode avizinhar-se, portanto, um terceiro turno, pois o resultado da eleição talvez não seja suficiente para aplacar os ânimos. Mas é preciso esquecer os discursos inflamados em que um lado falava em “metralhar” os simpatizantes do rival e o outro tratava o adversário como um ditador em potencial. Espera-se que a proclamação do vencedor seja capaz de encerrar a contenda eleitoral, a despeito da virulência da campanha. Afinal, o País necessita urgentemente de estabilidade e de medidas concretas para superar seus profundos desequilíbrios fiscais e estruturais, algo que só será possível por meio de um amplo acordo político.
Não se chega ao estado de espírito que presidiu a campanha por acaso. Foram anos de corrupção, desmandos e desfaçatez por parte do grupo político que, capitaneado pelo hoje presidiário Lula da Silva, chegou ao poder disposto a dali nunca mais sair - e do qual o candidato Haddad é herdeiro consagrado. A reação a essa ofensiva antidemocrática - materializada na Operação Lava Jato -, se deve ser louvada por ter exposto o assalto que estava sendo cometido aos cofres públicos, por outro lado demonstrou lamentável inclinação para a ribalta e o messianismo. Todos os políticos passaram a ser considerados igualmente corruptos até prova em contrário, instaurando-se um clima de caça às bruxas que só poderia resultar na emergência de políticos oportunistas que se apresentaram como “antissistema” - caso do candidato Bolsonaro. Pouco importavam suas propostas para o País - que, aliás, ninguém sabe quais são, pois elas não foram explicitadas, limitando-se a bravatas e slogans.
O outro lado tampouco ajudou. Ao contrário: Lula abastardou a campanha eleitoral ao usá-la escandalosamente em sua estratégia para tentar sair da cadeia, lançando como candidato um mero preposto, Fernando Haddad, e induzindo seus fanáticos seguidores a conflagrar ainda mais a Nação.
Quem realmente se importa com o País deve aceitar o dia de hoje, quando se encerra a eleição, como o ponto final desse enredo de horror. Urge que a classe política, a começar pelos partidos que disputam o segundo turno, deixe de lado a irresponsabilidade e se esforce para colocar o interesse público em primeiro lugar. Não é hora senão da reconciliação, e o exemplo deve partir dos líderes políticos. Uma vez encerrada a votação e conhecido o vencedor, o próximo presidente e aqueles que estarão na oposição devem ter a grandeza de compreender que o País não pode ficar em campanha eleitoral permanente. 
Há muito trabalho a ser feito, e uma parte significativa desse trabalho - como as reformas constitucionais - só poderá ser realizada se houver amplo consenso. Para isso, o compromisso com a democracia, proclamado durante a campanha pelos dois candidatos, não pode ser da boca para fora. Tanto quem ganhar como quem perder deve ser capaz de conviver com seu adversário, reconhecendo-lhe a legitimidade. Mais de uma década sob governos de um partido que dividiu o País em “nós” e “eles” e cujos líderes nunca desceram do palanque foi o bastante para sabermos o mal que isso faz.

A direita saiu do armário


Bolsonaro deu forte sinal de que adotará política mais liberalizante que a maioria dos governos desde 

José Márcio Camargo*, O Estado de S.Paulo

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais surpreendeu os analistas. A grande renovação do Congresso Nacional, o crescimento inesperado do partido do candidato Jair Bolsonaro, o PSL, e a obtenção pelo candidato de 46% dos votos válidos foram as principais surpresas do primeiro turno. Somente um fato inesperado conseguirá tirá-lo da cadeira presidencial.

Caso este resultado se efetive, o Brasil “corre o risco” de ter um governo conservador na pauta de costumes (família, gênero, religião, etc.) e liberal na pauta econômica, o que será uma importante inversão em relação ao passado recente, quando os governos adotaram pautas liberais nos costumes e estatizantes na economia.

Em razão do histórico de votações e declarações do candidato do PSL, muitos analistas colocam em dúvida o caráter liberal da política econômica que será por ele adotada, caso eleito. Entretanto, ao escolher para coordenar seu programa um dos economistas mais liberais do País e dar a ele liberdade para desenhar o programa e compor a equipe, o presidenciável deu forte sinal de que deverá adotar uma política econômica liberalizante. Provavelmente, não tanto quanto seu economista preferido gostaria, porém mais liberalizante que a maioria dos governos pelo menos desde 1930.

Nossa expectativa é de uma política baseada na redução do tamanho do Estado e do déficit público, privatizações de empresas estatais (o candidato já descartou a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, empresas por ele consideradas “estratégicas”), manutenção das reformas liberais aprovadas pelo governo Michel Temer (teto para o gasto público, reforma trabalhista, terceirização, Taxa de Longo Prazo – TLP, entre outras), dar prosseguimento a reformas já enviadas ao Congresso (cadastro positivo, lei das agências reguladoras, etc.) e, em especial, implementar uma substancial reforma da Previdência Social.

Seria bastante positivo se o futuro governo apoiasse o projeto de reforma da Previdência que se encontra em discussão na Câmara dos Deputados, o que poderia viabilizar sua aprovação nesta Casa ainda este ano. Ainda que, aparentemente, este não seja o projeto dos sonhos da equipe do novo presidente, sua aprovação traria mais otimismo para os investidores e daria um fôlego adicional para o futuro governo.

A inflexão não deverá se restringir à economia. Ao longo da campanha, o Partido dos Trabalhadores (PT) tentou colar no candidato a pecha de fascista, racista, misógino e homofóbico. A menos que os eleitores brasileiros tenham essas preferências político-ideológicas, o resultado do primeiro turno mostrou que o esforço foi em vão.

A tentativa do PT de criar uma “frente democrática” contra Jair Bolsonaro no segundo turno, aglutinando os partidos derrotados, fracassou. O histórico de busca de hegemonia durante os 13 anos de poder, a leniência com a impunidade, o desprezo pelo Poder Judiciário e a campanha internacional difamatória contra as instituições democráticas brasileiras deixaram claro o perfil autoritário do partido, inviabilizaram a “frente” e geraram um forte sentimento anti-PT na sociedade.

Para a população, os destaques do programa de Jair Bolsonaro não são a misoginia, a homofobia, o fascismo, mas o fim da impunidade para crimes contra o cidadão, a propriedade e o Estado, a defesa do conservadorismo nos costumes e a redução do papel do Estado na economia. Foi esta plataforma, verdadeira ou não, que angariou o apoio de importantes setores da sociedade, tirou a direita do armário, trouxe de volta o contraditório – ausente há décadas no País – e reforçou a democracia. Afinal, sem contraditório não há democracia.

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais surpreendeu os analistas. A grande renovação do Congresso Nacional, o crescimento inesperado do partido do candidato Jair Bolsonaro, o PSL, e a obtenção pelo candidato de 46% dos votos válidos foram as principais surpresas do primeiro turno. Somente um fato inesperado conseguirá tirá-lo da cadeira presidencial.

Caso este resultado se efetive, o Brasil “corre o risco” de ter um governo conservador na pauta de costumes (família, gênero, religião, etc.) e liberal na pauta econômica, o que será uma importante inversão em relação ao passado recente, quando os governos adotaram pautas liberais nos costumes e estatizantes na economia.

Em razão do histórico de votações e declarações do candidato do PSL, muitos analistas colocam em dúvida o caráter liberal da política econômica que será por ele adotada, caso eleito. Entretanto, ao escolher para coordenar seu programa um dos economistas mais liberais do País e dar a ele liberdade para desenhar o programa e compor a equipe, o presidenciável deu forte sinal de que deverá adotar uma política econômica liberalizante. Provavelmente, não tanto quanto seu economista preferido gostaria, porém mais liberalizante que a maioria dos governos pelo menos desde 1930.

Nossa expectativa é de uma política baseada na redução do tamanho do Estado e do déficit público, privatizações de empresas estatais (o candidato já descartou a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, empresas por ele consideradas “estratégicas”), manutenção das reformas liberais aprovadas pelo governo Michel Temer (teto para o gasto público, reforma trabalhista, terceirização, Taxa de Longo Prazo – TLP, entre outras), dar prosseguimento a reformas já enviadas ao Congresso (cadastro positivo, lei das agências reguladoras, etc.) e, em especial, implementar uma substancial reforma da Previdência Social.

Seria bastante positivo se o futuro governo apoiasse o projeto de reforma da Previdência que se encontra em discussão na Câmara dos Deputados, o que poderia viabilizar sua aprovação nesta Casa ainda este ano. Ainda que, aparentemente, este não seja o projeto dos sonhos da equipe do novo presidente, sua aprovação traria mais otimismo para os investidores e daria um fôlego adicional para o futuro governo.

A inflexão não deverá se restringir à economia. Ao longo da campanha, o Partido dos Trabalhadores (PT) tentou colar no candidato a pecha de fascista, racista, misógino e homofóbico. A menos que os eleitores brasileiros tenham essas preferências político-ideológicas, o resultado do primeiro turno mostrou que o esforço foi em vão.

A tentativa do PT de criar uma “frente democrática” contra Jair Bolsonaro no segundo turno, aglutinando os partidos derrotados, fracassou. O histórico de busca de hegemonia durante os 13 anos de poder, a leniência com a impunidade, o desprezo pelo Poder Judiciário e a campanha internacional difamatória contra as instituições democráticas brasileiras deixaram claro o perfil autoritário do partido, inviabilizaram a “frente” e geraram um forte sentimento anti-PT na sociedade.

Para a população, os destaques do programa de Jair Bolsonaro não são a misoginia, a homofobia, o fascismo, mas o fim da impunidade para crimes contra o cidadão, a propriedade e o Estado, a defesa do conservadorismo nos costumes e a redução do papel do Estado na economia. Foi esta plataforma, verdadeira ou não, que angariou o apoio de importantes setores da sociedade, tirou a direita do armário, trouxe de volta o contraditório – ausente há décadas no País – e reforçou a democracia. Afinal, sem contraditório não há democracia.

*PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC/RIO, É ECONOMISTA DA GENIAL INVESTIMENTOS

Corrida Contra o AVC reúne mais de 500 participantes em Porto Alegre


Evento apoiado pelo Hospital Moinhos de Vento marcou o Dia Mundial de Combate ao AVC

O que são chuva forte e vento gelado em uma manhã de fim de semana para quem já superou dois acidentes vasculares cerebrais e, aos 72 anos, esbanja alegria de viver? “É ainda mais motivação para superar desafios e correr por uma vida saudável”, responde o aposentado João Guedes. Ele foi um dos mais de 500 participantes da 4ª edição da Corrida Contra o AVC, realizada no Parque da Redenção, na Capital, neste sábado (27).

Com apoio do Hospital Moinhos de Vento, uma das instituições de referência no Brasil no atendimento a vítimas da doença, a ação promovida pela Secretaria Municipal de Saúde busca conscientizar e informar a população sobre fatores de risco, sintomas e formas de lidar. A iniciativa também marcou o Dia Mundial de Combate ao AVC, celebrado nesta segunda-feira (29), e integra a campanha apoiada nacionalmente pelo Moinhos e que ocorre em mais de 100 cidades brasileiras.

Dentre os principais sintomas e fatores de risco ao AVC estão: pressão alta, diabetes, colesterol elevado, arritmia cardíaca, fumo, obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada. Embora a faixa etária que registre mais casos é a acima dos 65 anos, a doença pode atingir até mesmo crianças.

Tendo um percurso de cinco quilômetros para a corrida e três para a caminhada, sendo ambos os trajetos dentro do Parque da Redenção, a Corrida Contra o AVC reuniu gente de todas as idades. O primeiro colocado na prova, por exemplo, foi Matheus da Silva, de 18 anos, que sonha em ser corredor profissional. Já a pessoa de mais idade a participar foi a aposentada de Esteio Edi Menezes da Costa, 78 anos. “Corro há 15 anos. Fui olhar uma corrida e me apaixonei. Às vezes, os mais jovens não querem fazer nada, mas tem de se mexer sim”, ensina a atleta, que já disputou inclusive maratonas, em que o percurso é de 42 quilômetros.


Neurologista do Moinhos 
é especialista na doença reconhecida mundialmente

Eleita este mês vice-presidente da World Stroke Organization, a organização mundial de AVC, e presidente da Rede Brasil AVC, Sheila Martins enfatiza a importância de eventos como a corrida deste sábado. “Mais de 90% dos casos podem ser prevenidos se as pessoas conhecerem os seus fatores de risco, mas o AVC ainda é uma doença desconhecida. Saber reconhecer os sinais de alerta e chamar rapidamente o socorro pode salvar uma vida ou, pelo menos, diminuir as sequelas. Por isso, chamar a atenção, divulgar e informar as pessoas é tão importante, além da prática de exercícios diminuir os riscos”, explica a neurologista, uma das maiores especialistas mundiais na área.

Para demonstrar a importância e o impacto da doença, ela aponta alguns dados e números preocupantes: são cerca de 400 mil casos de AVC por ano no Brasil, sendo que mais de um quarto desses pacientes acaba morrendo. Somente no Rio Grande do Sul, aproximadamente 8 mil pessoas morrem todos os anos vítimas de acidente vascular cerebral.

Sheila Martins, contudo, destaca que quase 80 milhões de pessoas no mundo são sobreviventes da doença e “precisam de suporte da família, dos amigos e das instituições para que possam melhorar e se reintegrar à sociedade”.

sábado, 27 de outubro de 2018

"Uma chance para consertar o estrago


"Uma chance para consertar o estrago

O PT governou o país por quase 14 anos e deixou uma “herança maldita” que persiste mesmo dois anos e meio após o impeachment de Dilma Rousseff"

"O Brasil vai às urnas neste domingo para escolher o próximo presidente da República e tem, mais uma vez, a oportunidade de dizer um inequívoco “não” ao grupo político que governou o país por quase 14 anos, deixando uma “herança maldita” que persiste mesmo dois anos e meio após o impeachment de Dilma Rousseff, e que ainda deve levar alguns bons anos até ser definitivamente expurgada da vida nacional.

A expressão “herança maldita” foi uma introdução do ex-presidente e atual presidiário Lula, para se referir ao Brasil que lhe tinha sido legado por Fernando Henrique Cardoso. Mas ela é perfeita para descrever o que o PT nos deixou, porque o estrago atingiu dimensões superlativas. Não se trata apenas dos maiores escândalos de corrupção da história do país, nem da maior crise econômica de que se tem notícia. O lulopetismo promoveu uma degradação moral completa, relativizando crimes, negando a dignidade humana, estimulando rivalidades, promovendo mentiras, subvertendo a democracia.

A própria ideia lulista de “herança maldita” propagada por Lula já era uma mentira, pois FHC, ao passar a faixa presidencial, entregou ao petista um país economicamente estabilizado, apesar de alguns solavancos durante os oito anos de governo tucano. Lula manteve o tripé macroeconômico de FHC e teve, a seu favor, a boa conjuntura internacional e a forte demanda estrangeira por commodities, o que não tinha ocorrido antes. O resultado foi a melhora em vários indicadores sociais – uma evolução que acabou quase toda anulada pela crise, fruto da “nova matriz econômica” iniciada no fim do segundo mandato de Lula e mantida durante todo o governo Dilma. A expansão irresponsável do crédito funcionou no curto prazo, camuflando por algum tempo as consequências desastrosas de uma política expansionista. Mas, no médio prazo, os juros reduzidos na marra, a tolerância com a inflação, as canetadas intervencionistas no setor elétrico e a contenção artificial de preços administrados, especialmente os dos combustíveis, levaram à recessão e ao desemprego que ainda hoje lutamos para superar. O petismo quer que o Brasil tenha memória seletiva: que recorde os “bons tempos” e esqueça que a crise e a recessão também foram obra de Lula e Dilma.

A oportunidade de negar ao petismo a possibilidade de voltar à Presidência não pode ser desperdiçada


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Como prova de que todos os aspectos do desastre petista estão interligados, foi justamente a bonança do início do governo Lula que permitiu ao PT trabalhar nas sombras para consolidar seu projeto de poder. Enquanto todos só tinham olhos para os bons indicadores, o partido deu início ao aparelhamento amplo, geral e irrestrito de todas as instituições de governo, para que elas passassem a servir não ao povo, mas ao partido; e culminou com a montagem do primeiro grande escândalo de corrupção da passagem do PT pelo Planalto, o mensalão. E aqui temos um exemplo da decadência moral petista: pego com a boca na botija, o partido bateu todos os recordes de indecência na forma como tratou os protagonistas do escândalo. O PT respondeu não com repúdio ou expulsão das fileiras partidárias, mas com atos de desagravo em que todos eram aclamados como “guerreiros do povo brasileiro”. Enquanto isso, o líder máximo dizia que não sabia de nada, depois alegou que tinha sido traído pelos seus assessores mais próximos, e terminou simplesmente negando o esquema. Lula escapou do mensalão, mas não teve a mesma sorte com a Lava Jato, e hoje cumpre pena em Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro, enquanto o petismo em massa proclama sua inocência.

O mensalão e o petrolão foram a demonstração do desprezo que o PT nutria pela independência entre poderes, com sua pretensão de comprar o Poder Legislativo. Quando os mensaleiros foram a julgamento, o Supremo Tribunal Federal foi tratado como “tribunal de exceção”, como se estivéssemos em uma ditadura; e, quando chegou a vez do chefão, o petismo armou um circo que poderia ter terminado em derramamento de sangue (da militância, nunca dos líderes) para resistir à ordem de prisão expedida pela Justiça. Tudo isso porque, na moral petista, não é o partido que se submete às instituições e às leis, mas estas que devem servir o partido – é assim que funciona na Venezuela ditatorial bolivariana, que o petismo sempre apoiou incondicionalmente.

Com o partido nas cordas, Lula e os demais líderes petistas reagiram com o discurso de que o PT era perseguido pela elite porque havia ajudado o povo. Os ricos não suportavam ver os pobres viajando de avião, os brancos não queriam que os negros tomassem seu lugar nas universidades, dizia Lula. Tudo para jogar ricos contra pobres, negros contra brancos, homens contra mulheres, homossexuais contra heterossexuais, esgarçando o tecido social brasileiro, estimulando ressentimentos e colocando a máquina do governo em ação para negar e combater praticamente todos os valores caros à maioria da população brasileira: o petismo desprezou a dignidade humana ao promover o aborto, inverteu valores ao desculpar bandidos como “vítimas da sociedade”, usou as políticas identitárias para promover a ideologia de gênero apesar da rejeição maciça da sociedade, quis tratar como criminosos aqueles que têm opinião crítica ao comportamento homossexual, transformou salas de aula em centros de doutrinação político-partidária.

Por tudo isso a oportunidade de negar ao petismo a possibilidade de voltar à Presidência da República não pode ser desperdiçada. O Brasil tem espaço para uma esquerda democrática, economicamente responsável, eticamente correta e comprometida com o respeito à dignidade humana, mas o petismo está muito longe dessa descrição, por tudo o que fez e continua fazendo, mesmo estando longe do Planalto há dois anos e meio. O país ainda sente as consequências da crise e do desemprego, as estruturas de governo continuam repletas de militantes para quem o importante é trabalhar pela volta do PT, o partido continua negando os crimes de seus corruptos, os valores do brasileiro continuam a ser cotidianamente desrespeitados na educação e na cultura. Consertar todo esse estrago será um trabalho longuíssimo, que exige uma profunda mudança cultural e uma limpeza nas estruturas de poder. O 28 de outubro não será o ponto culminante desse processo, mas o seu início – se assim o eleitor o desejar, e esta é nossa esperança."

O Brasil velho está unido


A grande mídia que vive de verba do governo está unida aos artistas que vivem de fazer filme ruim financiado por estatais através da lei Rouanet.

Estes estão unidos aos movimentos sociais que ganham boas verbas governamentais para manter sua estrutura de arregimentar pessoas.

Esses últimos estão unidos com categorias de funcionários que trabalham em estatais, com benefícios especiais.

Juntam se a esses, os políticos com algum risco de serem alcançados pela Lavajato.

Tem também os bandidos ja condenados em primeira instância que esperam reverter o entendimento de prisão em segunda instância.

Tem os jornalistas, que faturam com blogs e emissoras de TV financiados com empresas públicas , ou indiretamente através de grandes empresas prestadoras de serviço para estatais e governo.

Tem também uma multidão de cientistas que viajam pelo mundo apresentando trabalhos científicos inúteis, financiados por agências científicas públicas , que se preocupam mais em números de publicações , do que com resultados efetivos das suas pesquisas para a sociedade.

Ia me esquecendo de professores de universidades públicas que arrumam qualquer projeto científico, como pretexto, para reduzir a carga horária em sala de aula.

Tem aquele empresário que consegue financiamentos baratos com bancos de fomento publico.

Um grupo forte que também faz parte dessa grande união, são aposentados, que ganham mega aposentadorias ou que esperam ganhar uma num futuro próximo.

Faltou alguém ?

Falta você , que é empregado na iniciativa privada, que tem que entregar parte do seu dinheiro para o FGTS, impostos e um INSS que sustenta os super bem aposentados, mas que só vai lhe pagar no máximo o teto de 5.645,61 Reais.

Falta você que pegou suas economias, e investe num pequeno negócio, e trabalha duro pelo seu sonho, até ter o pesadelo , de cruzar com o governo e ele fazer o possível para lhe multar, ou cobrar alguma taxa de licença, meramente burocrática.

Falta você que abre seu pequeno comércio todo dia , e fica rezando que algum cliente apareça, para no final do mês, conseguir honrar seus pagamentos com fornecedores e funcionários.

Falta você que não tem emprego, e quando alguém pensa em lhe contratar, desiste porque tem medo que a complexa legislação torne a contratação muito perigosa para o seu pequeno negocio. Freitas Solich

TRF4 julga embargos sobre cumprimento de pena de ex-gerente da Petrobrás


O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) julgou, na última semana, o recurso de embargos infringentes e de nulidade interposto pelo engenheiro naval e ex-gerente da área internacional da Petrobras Eduardo Costa Vaz Musa. Ele foi condenado pela prática de corrupção passiva e de pertinência à organização criminosa em processo penal no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. O recurso contestava as formas de cumprimento da pena pelo réu em relação à obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica, a limitação de horários durante os finais de semana e o ressarcimento de valores para a reparação do dano dos crimes.
Vaz Musa foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), em março de 2016. Ele foi acusado de participar de organização criminosa dedicada à prática de crimes, com recebimento de vantagens indevidas, no âmbito da Petrobrás e da empresa Sete Brasil Participações S/A, responsável pelo fornecimento de sondas para utilização da estatal. Segundo a denúncia, Vaz Musa teria recebido propinas sobre o valor de diversos contratos celebrados por essas duas empresas com grupos e consórcios de empreiteiras.
Em fevereiro de 2017, o juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, o condenou pelos crimes de corrupção passiva e de pertinência à organização criminosa. O juiz federal Sérgio Fernando Moro, sentenciou o réu a uma pena de oito anos e dez meses de reclusão, em regime inicialmente fechado.
No entanto, como Vaz Musa realizou acordo de delação premiada com o MPF que foi homologado pela Justiça Federal paranaense, ele foi condenado a cumprir a pena nos termos acertados na colaboração, ou seja, dois anos em regime aberto diferenciado com prestação mensal de trinta horas de serviços comunitários a entidade pública ou assistencial, recolhimento domiciliar nos finais de semana, apresentação bimestral de relatórios de atividades, além de comunicação e justificação ao juízo de qualquer viagem internacional nesse período.
Também ficou estabelecido que, como condição de manutenção dos benefícios, o réu deveria restituir o produto do crime e pagar uma indenização cível acertada com o MPF no acordo de delação.
A defesa de Vaz Musa recorreu ao TRF4 apenas para afirmar a validade e eficácia do acordo de colaboração homologado. Na apelação criminal, foi requerido que o cumprimento dos dois anos de pena ocorresse nos termos acordados. Segundo o réu, o regime aberto diferenciado acertado inclui a limitação de final de semana nos termos do artigo 48 do Código Penal, ou seja, com cinco horas diárias em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado e a dispensa do uso de controle e monitoramento eletrônico através de tornozeleira.
A 8ª Turma do tribunal, em novembro de 2017, por maioria decidiu negar provimento ao recurso. O relator dos processos relativos à Lava Jato no TRF4, desembargador federal João Pedro Gebran Neto, manteve o cumprimento de pena como foi determinado pela primeira instância.
Gebran entendeu que “as medidas assinadas pelo magistrado de primeiro grau revelam-se razoáveis e proporcionais, pois, de um lado, substituem a severa penalidade corporal originalmente imposta ao réu nesta ação penal - atendendo à contraprestação devida ao acusado por sua efetiva colaboração -, e, de outro, buscam dar eficácia às sanções, de acordo com a realidade brasileira, no que diz respeito às execuções penais”.
Como a decisão da 8ª Turma foi formada por maioria e não por unanimidade, a defesa de Vaz Musa impetrou o recurso de embargos infringentes e de nulidade. Com esse recurso, o réu procurava obter a reforma do acórdão para prevalecer o entendimento do voto de outro integrante da Turma, o desembargador Victor Luiz dos Santos Laus, que lhe foi mais favorável.
Além de reafirmar os pedidos para o cumprimento da limitação de final de semana em casa de albergado por cinco horas diárias aos sábados e domingos e da dispensa do uso de monitoramento eletrônico, os embargos infringentes também requisitaram a não aplicação do parágrafo 4º do artigo 33 do Código Penal que determina que o condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.
O recurso foi julgado pela 4ª Seção do tribunal, órgão colegiado formado pelas duas turmas do TRF4 especializadas em Direito Criminal (7ª e 8ª). Sobre o uso da tornozeleira, a Seção entendeu, por maioria, conceder Habeas Corpus de ofício ao réu para afastar a imposição de monitoramento eletrônico já que tal determinação não constou da sentença condenatória.
Sobre a forma de cumprimento da medida de limitação de finais de semana, a relatora dos embargos, desembargadora federal Cláudia Cristina Cristofani, entendeu que essa questão é de competência do juízo responsável pela execução penal, mas ressaltou que a opção de recolhimento domiciliar não representa uma violação do acordo de delação premiada.
“Dessa forma, possível fazer constar que os votos majoritários, ao remeter a questão ao juízo das execuções, possibilitam que, como pediu a defesa, a limitação de final de semana se dará em casa de albergado e, alternativamente, em regime domiciliar - porém não consiste este último em qualquer desvio dos termos do acordo”, declarou a magistrada.
Quanto à aplicação do parágrafo 4º do artigo 33 do Código Penal, Cláudia manteve a determinação da sentença de obediência a esse dispositivo. “Com efeito, mantida a condenação do réu, torna-se certa a obrigação de reparar o dano que, devidamente estabelecido no julgado”, destacou.
A desembargadora acrescentou que “vale consignar que o dispositivo foi incluído no Código Penal pela Lei nº 10.763, de 12/11/2003, estando, assim, em vigor há mais de dez anos e o dano a ser reparado é plenamente aferível, tornando, tanto mais, hígido o ressarcimento do valor mínimo para a reparação dos danos”.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Sinais, fortes sinais!


* ZANDER  NAVARRO, O Estado de S.Paulo 24 Outubro 2018 | 05h00
Peço licença ao candidato Eymael para utilizar o seu bordão no título acima. Ele, Cabo Daciolo e Vera Lúcia, do PSTU, formaram o time simpático do pleito. Certamente porque foram minúsculos os seus tempos de exposição. Foi impossível não sorrir ao vê-los na propaganda, pois representaram a face sonhadora da disputa. Pareciam sinceros, talvez porque sem terem a chance de maiores explicações. Quem não se divertiu ao ouvir Vera Lúcia afirmar que iria estatizar as cem maiores empresas do País? Somos gratos ao trio, eles suavizaram com suas utopias a hipocrisia de quase todo o processo eleitoral, banhado em promessas absurdas, bravatas e inúmeras falsidades, à direita e à esquerda.
Uma eleição extraordinária, quase espetacular, um definitivo divisor de águas em nossa História. E sua marca principal é alvissareira, pois introduz, finalmente, os sinais de algum amadurecimento político dos eleitores. Esse otimismo tem explicação concreta e não se relaciona diretamente às escolhas realizadas, mas aos movimentos ocorridos. Nos anos deste século, um silencioso processo vem mudando a amplitude das informações disponíveis e, assim, a capacidade dos eleitores de escaparem das armadilhas e da manipulação dos partidos. É o espantoso fenômeno das “redes sociais”, a grande mudança nos vetores da interação e da ação social, incluindo as preferências dos cidadãos. Some-se o fato à crescente escolarização e estaria dada a receita que explica, ao menos em parte, a essência da disputa eleitoral.
A eleição parece ter sepultado o papel da propaganda obrigatória na televisão. Esta teria tido reduzida influência nos resultados e não condicionou a decisão na boca da urna. Tudo se passou nas redes sociais, na grande conversa mantida entre os eleitores, em seus diferentes e amplíssimos espaços de convivência virtual. E em tempo real, permitindo decisões rapidíssimas. São espaços ainda animados por invencionices, é verdade, contudo a educação política, gradualmente, vai aperfeiçoar esses ambientes de diálogos sociais e, com o tempo, a capacidade de difundir mentiras acabará por diminuir drasticamente.
A eleição, uma vez decantada pelos analistas, vai apresentar outros fortes sinais, respondendo às inúmeras perguntas que estão surgindo. Por exemplo: a fragmentação dos partidos é o resultado de quais fatores? Seria porque os partidos são apenas um negócio ou porque, também, há um processo generalizado de desideologização em curso e, portanto, as diferenças entre programas partidários vêm desaparecendo, gerando os partidos dedicados a focos minimalistas? Se a hipótese for verdadeira, uma boa parte da crise da esquerda se explicaria, pois as grandes narrativas transformadoras deixaram de seduzir a maioria do eleitorado. Contrariamente, é o imediatismo, cada vez mais, o condutor do imaginário coletivo.
Ancorados nessa vasta teia de conversações, os eleitores resolveram usar a racionalidade da punição. Não obstante a monumental crise econômica que nos aflige, decidiram castigar aqueles que viram como sendo os responsáveis: a política em geral, os partidos e os caciques conhecidos, notadamente os citados na Lava Jato. Poucos escaparam da metódica vingança dos cidadãos. Se o clã dos Calheiros sobreviveu, em Alagoas, no Maranhão a família Sarney foi dizimada, assim como os donos do MDB em muitos Estados, sendo igualmente revelador que os três candidatos a senador da elite petista fracassaram no Sudeste.
24/10/2018 Sinais, fortes sinais! - Opinião - Estadão
https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,sinais-fortes-sinais,70002560561 2/3
Quase tudo foi virado do avesso, ampliando a fragmentação partidária e o inesperado aparecimento de novos personagens, modestos no início, para depois subirem aos céus vertiginosamente. Em síntese, os eleitores deixaram o recado claro: “Basta!”. E para assim decidirem, precisavam estar informados sobre a vida política e seus atores. Portanto, talvez pela primeira vez, os cidadãos agiram com irrepreensível lucidez política, lembrando a famosa eleição de senadores em 1974, quando o antigo MDB se vitoriou em 16 dos 22 Estados, abalando a ditadura militar.
Ante tais escolhas, os méritos de Bolsonaro são limitadíssimos, sendo mais o personagem que, para sua sorte, estava no lugar certo e no momento apropriado. A relação direta entre os resultados e o candidato tem baixa correlação e a inteligência política, de fato, está nas mãos dos milhões que decidiram, nas urnas, gritar a plenos pulmões que não é mais possível aceitar a continuidade do descalabro que rege o nosso cotidiano. Seja a violência desmedida ou o desempenho pífio da economia, sejam as tantas iniciativas fortemente controvertidas que vêm caracterizando o Brasil, especialmente após a chegada do campo petista ao poder. Sobretudo, a sensação de sufocamento causada pela corrupção. O Brasil transformou-se numa bizarra sociedade, de um presidente que recebe escroques a altas horas à maluquice da narrativa do “golpe” que nunca existiu, não deixando de citar a alta Corte de Justiça, que age movida pelo narcisismo de seus membros.
Algum dia haveria uma reação. As eleições trouxeram esse reposicionamento, culminando a fermentação que fora iniciada em 2013. Não é uma onda conservadora e, menos ainda, autoritária, mas apenas a afirmação do conjunto de valores sociais que são dominantes entre nós, os quais encontraram um momento específico e definido de manifestação.
Por esse ângulo, os partidos mais tradicionais e que julgavam defender um ideário mais consistente, como o PT e o PSDB, foram os grandes derrotados. Os demais foram menos afetados, pois nenhum tem algum programa conhecido. E o período adiante nos reservará um reordenamento partidário monumental. Surgirão novos partidos e definharão alguns outros. E mudarão fortemente as caras visíveis da política.
São sinais promissores, pois o eleitorado parece ter acordado de um torpor de cinco séculos. Acautelemse os políticos!
* SOCIÓLOGO E PESQUISADOR EM CIÊNCIAS SOCIAIS. E-MAIL: Z.NAVARRO@UOL.COM.BR

Nota do candidato José Ivo Sartori sobre fake news

Os fatos que passaram a ocorrer nas redes sociais são muito graves. O candidato Eduardo Leite agora passa a atacar-me pela suposta manipulação de uma foto de sua família. Diz-se vítima de fake news. E, em seguida, é ajudado por Luciana Genro, Roberto Robaina e alguns dos meus principais opositores. Todos se unem para carimbar-me com adjetivos desairosos, que nunca fizeram parte da minha trajetória. Criam uma espécie de roteiro de novela, como se algo tivesse partido de mim ou de minha campanha. Sem nenhuma prova! Fazem isso também com outras denúncias. A partir disso, tentam transformar o candidato adversário numa vítima.
A gurizada me disse que isso é “fake news” de “fake news”, uma artimanha para criar engajamento. Eu chamo também de vitimismo, uma armação para criar caso a três dias da eleição. Ora, percebam: não é por acaso que alguns integrantes do PT e do PSOL começaram a difundir imediatamente essa novela criada pela campanha do Eduardo. Que aliança lamentável!
Mas se o uso manipulado de uma foto de sua família realmente aconteceu, Eduardo, peço que procure a Polícia e a Justiça imediatamente. Porque, concordo, é muito grave! Peça a abertura de uma investigação profunda. Foi isso que fiz quando passei por situação semelhante, mas nunca causei alarde – porque sabia que isso exporia ainda mais as pessoas que eu amo. A propósito, é a primeira vez que falo sobre isso.
Eu sei o que significa família, Eduardo. E respeito muita a sua, embora nem sempre tenha tido a mesma reciprocidade. Então, não fique acusando a mim ou à minha candidatura por algo que jamais fizemos ou sequer autorizamos. Sou um homem democrático, respeito a diversidade e a liberdade de escolha.
Sou atacado ferozmente há quatro anos, e sempre tive maturidade para lidar com isso. Não me meça pela sua régua, Eduardo. Tenha respeito. Minha dignidade está muito acima desta ou de qualquer eleição, e eu não a perderei.
Chega de fazer chicana nas redes sociais! Estejamos à altura do que os gaúchos esperam de seus candidatos a governador do Estado. Vamos falar de saúde, segurança, educação. Vamos falar de futuro. Os desafios da vida real é que precisam mover nossas energias

Quem é L ?, Adão Paiani


O título original é "Quem é “L”?"
*Adão Paiani
A Polícia Civil gaúcha divulgou o resultado das investigações sobre o suposto atentado sofrido por uma jovem de 19 anos, alegadamente militante do movimento LGBT e lésbica, que relatou ter sido atacada, segundo seu depoimento, por “neonazistas ligados a campanha de Jair Bolsonaro”, e que teriam marcado em sua pele uma suástica, ou cruz gamada, utilizando um canivete.
A conduta da jovem desde o início levantou suspeitas, uma vez que seu depoimento apresentou muitas contradições, não quis representar criminalmente seus agressores e não colaborou com a realização do exame de corpo de delito e demais procedimentos periciais necessários para comprovar suas alegações.
O Laudo Pericial agora divulgado comprova o que eu, particularmente, já suspeitava desde o dia em que o episódio se tornou público: uma lesão auto infringida.
Na ocasião, de posse das fotos da jovem e da lesão, as quais tive acesso, consultei um dos mais renomados peritos criminais do Brasil, o Dr. Domingos Tocchetto que, por sua vez, consultando um colega médico-legista e professor de medicina legal, igualmente concluíram pela total plausibilidade da tese de que a lesão teria sido produzida pela própria pretensa vítima, ou com a ajuda de terceiros com sua colaboração.
Dada a gravidade da denúncia realizada por “L”, a enorme exploração político eleitoral sobre o caso, e a certeza de que o mesmo fazia parte de uma ação criminosa organizada no país inteiro pelas quadrilhas petista/comunista/psolista que sustentam a candidatura do preposto do presidiário de Curitiba, Fernando Haddad; levei diretamente ao governador José Ivo Sartori, as conclusões dos peritos, mesmo em caráter extra-oficial, solicitando que as investigações pudessem transcorrer com a maior celeridade possível.
Felizmente, graças à competência dos técnicos-científicos do Instituto-Geral de Perícias do RS (IGPRS), colocados dentre os mais conceituados do Brasil, e internacionalmente reconhecidos pela sua enorme qualificação, o resultado das investigações pôde ser divulgados antes do segundo turno da eleição presidencial, desnudando a farsa utilizada criminosamente por Fernando Haddad, Manuela D’Ávila e seus comparsas no horário eleitoral.
A ação orquestrada pelos criminosos políticos que integram a campanha do candidato petista à Presidência da República, e de sua vice comunista, visava criar no país um falso clima de violência política, imputando falsamente práticas de agressões ao seu adversário e seus apoiadores; com a cumplicidade de setores majoritários de uma imprensa canalha, idiotizada e ideologizada e que não teve sequer a decência (salvo raras e honrosas exceções) de buscar apurar a veracidade dos fatos antes de apontar, de maneira sórdida e vil, a sua autoria.
A revelação da farsa, agora, como era de se esperar, não ocupa o mesmo destaque nos veículos de comunicação que prontamente divulgaram a versão mentirosa e criminosa da pretensa vítima.
O fato é que a pessoa identificada por “L”, cometeu o delito de falsa comunicação de crime, movimentando toda uma estrutura pública na esfera policial, pericial, e no judiciário, para tentar validar uma estória mentirosa com o objetivo de beneficiar politicamente seu grupo ideológico, causado um dano objetivo e comum a todos os demais cidadãos.
Os recursos humanos, financeiros, materiais, técnicos e operacionais gastos pelo estado para apurar a denúncia falsa de “L”, certamente fazem falta, numa estrutura policial sabidamente deficiente, no atendimento de cidadãos realmente vítimas de violências das mais diversas, e realmente em situação de vulnerabilidade; o que somente demonstra de parte da “militante” profunda insensibilidade social, falta de senso ético e moral, fanatismo político e conduta marginal, tendente à criminalidade, que não pode permanecer impune, até para não servir de estímulo a ações semelhantes.
Sendo assim, o que não se compreende é a razão pela qual a Polícia Civil gaúcha mantém a identidade da criminosa sob sigilo, referindo-se a ela somente pela letra “L”, uma vez que trata-se de pessoa maior de idade, que não se presume em situação de vulnerabilidade ou risco, e que pode e deve responder pelos seus atos.
Não existe qualquer justificativa para que a identidade de “L” não seja divulgada, até porque já se encontram encerradas as investigações, sendo incontestes a autoria e materialidade do delito de falsa comunicação de crime.
Assim, o mínimo que a sociedade gaúcha - aquela que paga a conta, e sustenta com seus impostos a máquina pública – exige da sua Polícia Civil, que até aqui tem agido com a competência que lhe é característica na apuração de delitos; é que forneça a identificação da criminosa, sob pena de pairar dúvida sobre os motivos pelos quais se encontra protegida indevidamente, e se esses não se fundamentam em razão de questões alheias ao interesse público.
O povo do Rio Grande quer e exige saber: quem é “L”?
*Advogado

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Mano Brown faz a autocrítica que o PT nunca fez


Mano Brown faz a autocrítica que o PT nunca fez
“O que mata a gente é a cegueira e o fanatismo”
O cara nem tinha nada com isso. Não foi culpa dele, e ele podia ter ficado em casa.
Mas Mano Brown resolveu proclamar sua verdade – e fez, ontem à noite, a melhor sugestão de autocrítica para o PT, o partido historicamente incapaz de admitir qualquer erro.
Chamado ao palco de um comício pró-Haddad na Lapa, no centro do Rio, Mano Brown precisou apenas de três minutos e meio para explicar como e por que o PT está destinado a perder esta eleição para Jair Bolsonaro, o candidato cujo maior mérito é ser o anti-PT.
Ao final do primeiro turno, muita gente esperou que o PT corresse para o centro o mais rápido possível.
Esperaram sentados.
Em vez de entrarem correndo pela porta deixada entreaberta por Fernando Henrique, em vez de fazerem o mea culpa do petrolão, em vez de reconhecerem que sua agenda na economia prometia desenvolvimento, mas entregou desemprego, em vez de aprenderem com tudo isso e criar uma agenda nova, Lula e Haddad escolheram continuar vestindo o mesmo figurino de sempre: os radicais donos da verdade dogmática.
Para azar do PT, o radicalismo e o dogma são um cantinho cada vez mais solitário- assim como será a vida do próximo Presidente se ele insistir em vestir o figurino da direita raivosa, que funcionou bem na campanha, mas não lhe servirá de nada no Planalto.

No final, a sabedoria política de que o Brasil precisa não morava em Higienópolis nem no Leblon- e sim no Capão Redondo, o berço de Mano Brown, a periferia sofrida que o PT deixou de representar, e que agora aposta suas poucas fichas em Bolsonaro.
A fala de Mano Brown vai entrar para a HISTÓRIA:
“Boa noite”.
Eu vim aqui representar a mim mesmo. Não vim representar ninguém.
Eu não gosto do clima de festa. A cegueira que atinge lá atinge a nós também. Isso é perigoso.
Não tá tendo motivo pra comemorar.
Tem – sei lá – quase 30 milhões de votos para alcançar aí. Não temos nem expectativa nenhuma para alcançar aí, para diminuir essa margem. Não estou sendo pessimista, sou realista.
[Referindo-se à demonização de eleitores de Bolsonaro] Eu não consigo acreditar que pessoas que me tratavam com tanto carinho, pessoas que me respeitavam, me amavam, me serviam café de manhã, que lavavam meu carro, que atendiam meu filho no hospital, se transformaram em monstros. Eu não posso acreditar nisso. Eu não posso acreditar nisso.
[Apontando para trás, onde estavam Haddad e Manuela} Se em algum momento a comunicação do pessoal daqui falhou, vai pagar o preço. Por que a comunicação é alma. Se não tá conseguindo falar a língua do povo vai perder mesmo, certo?

Vagas no Feirão do Total


Captar RH – salários de R$ 1,1 mil a R$ 4 mil

Operadora de loja – 25 vagas
Operadora de caixa – 12 vagas
Auxiliar de inventários – 60 vagas
Auxiliar de serviços gerais – 15 vagas
Auxiliar de logística – 27 vagas
Promotoras – 23 vagas
Porteiros – 17 vagas
Auxiliar de estoque – 35 vagas
Auxiliar financeiro – 3 vagas
Chefe de cozinha – 1 vaga
Auxiliar de manutenção – 5 vagas
Vendedor externo – 7 vagas
Auxiliar de produção – 10 vagas
Assistente de designer – 2 vagas
Assistente de vendas técnico – 2 vagas
Soldador – 5 vagas
Caldeireiro – 4 vagas
Operador de teleatendimento – 5 vagas

Sindivagas POA – salários de R$ 1 mil a R$ 3,5 mil

Administrativo/cadastro – 1 vaga
Administrativo/compras – 1 vaga
Administrativo/contábil – 1 vaga
Administrativo/DP – 1 vaga
Administrativo/financeiro – 1 vaga
Administrativo/recepção – 2 vagas
Analista programador(a) – 1 vaga
Assistente de departamento fiscal – 1 vaga
Assistente de loja – 1 vaga
Assistente de vendas – 1 vaga
Atendente de balcão – 1 vaga
Atendente de loja – 3 vagas
Auxiliar de loja – 1 vaga
Auxiliar de serviços Gerais – 1 vaga
Auxiliar de vendas – 2 vagas
Confeiteiro (a) – 2 vagas
Consultor (a) de vendas – 2 vagas
Coordenador (a) – 1 vaga
Costureiro (a) piloteiro (a) – 1 vaga
Desenvolvedor gráfico – 2 vagas
Estágio – Área Comercial – 1 vaga
Estoquista – 4 vagas
Fiscal de loja – 1 vaga
Gerente de loja – 7 vagas
Gerente de vendas – 1 vaga
Operador(a) de caixa – 7 vagas
Professor(a) de inglês – 2 vagas
Repositor – 1 vaga
Representante comercial – 1 vaga
Revendedor (a) de cosméticos – 2 vagas
Secretária – 2 vagas
Sub gerente de loja – 1 vaga
Técnico contábil – 1 vaga
Técnico de informática – 2 vagas
Televendas – 2 vagas
Vendedor(a) – 56 vagas
Vendedor(a) Externo – 9 vagas
Vendedor/telemarketing – 4 vagas

Na Folha, Gleisi compara Bolsonaro a Hitler


Presidente de um Partido cujo líder está preso como ladrão, a senadora Gleisi Hoffman, que sequer disputou a reeleição porque iria perder (ela foi eleita deputada), teve a ousadia de comparar Jair Bolsonaro com Hitler, subvertendo qualquer utilização de história comparada e cometendo uma falsidade ideológica sem paralelo. Conhecida como "A Amante" nos livretos de corrupção da Odebrecht, que revelou os subterrâneos corruptos mais imundos de toda a história brasileira. Gleisi não se cansa de produzir provocações intoleráveis.

Gleisi Hoffmann, na Folha de S. Paulo, comparou Jair Bolsonaro a Hitler. Leia os absurdos produzidos por ela:

A serpente fascista rompeu a casca do ovo e já não tenta disfarçar sua natureza. Pensa estar ‘com a mão na faixa presidencial’ e já exerce seu reinado de ódio e perseguição, incitando a violência contra pessoas e instituições, o que é intolerável numa democracia.

A história nos ensina o que aconteceu na Alemanha dos anos 1930: numa profunda crise social e econômica, um ex-cabo do Exército manipulou o desespero e a insegurança da população, com um discurso de ódio que prometia pôr o país em ordem.

Sua ordem foi perseguir e matar os judeus, os estrangeiros, os homossexuais, os ciganos e os negros. Foi o império do terror, em que filhos delatavam os pais, com a imposição do trabalho escravo e uma guerra que matou 50 milhões de pessoas.

Colaboraram para a ascensão do nazismo a omissão, a leniência e até o oportunismo das instituições políticas e republicanas, inclusive o Judiciário. O Brasil está maduro o bastante para não repetir aquele erro. Nossas instituições têm de reagir com vigor e urgência à serpente fascista, antes que seja tarde demais.

Artigo, Leonardo Arruda - Conseguirá Bolsonaro chegar ao fim do mandato?

Escrevo essas linhas faltando ainda alguns dias para o segundo turno da eleição. Mas, assim como todo mundo, já dou como certa a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República de 2019 a 2022.
Também eu, assim como todo mundo, já me preocupo com o “day after”.
Nunca na história deste país um presidente assumirá o mandato com uma oposição tão ferrenha já afiando suas armas e preparando suas estratégias. Ouso dizer que o que aconteceu (e está acontecendo) com Trump nos EUA é café pequeno comparado ao que veremos aqui com Bolsonaro.
Nosso futuro presidente enfrentará a oposição das ONGs ambientalistas, indigenistas e desarmamentistas; Enfrentará o bombardeio incessante da imprensa falada, escrita e televisada (nacional e internacional); Enfrentará a oposição de toda classe política esquerdista; Enfrentará oposição religiosa promovida pela CNBB da Igreja Católica, assim como das igrejas protestantes filiadas ao CMI (Conselho Mundial de Igrejas); Enfrentará os movimentos LGBT, etc.
Além das facções acima listadas, Bolsonaro enfrentará uma resistência inédita no país que é a reação do “estado profundo” (deep state) - a máquina pública doutrinada pela filosofia socialista desde meados do século passado e que tudo fará para expulsar o “corpo estranho”. Este será, sem dúvida, seu maior problema. Notar que não será apenas uma oposição ideológica. Todos sabemos que o déficit da previdência é causado principalmente pelo setor público. Além disso, para diminuir o déficit orçamentário, é de se esperar um rigoroso corte nas mordomias dos três poderes. Ou seja, mais que uma oposição ideológica será também uma oposição corporativa ao presidente da República.
Todos esses problemas podem ser enfrentados com sucesso se duas condições forem observadas:
A primeira condição é o estabelecimento de uma conexão direta com a população brasileira contornando a mídia tradicional. Trump, nos EUA, tem usado o Twiter para esta função. A meu ver esta não é uma boa opção dada as limitações dessa mídia. Aqui no Brasil nós temos a EBC – Empresa Brasileira de Comunicação, responsável pela Voz do Brasil nas rádios. Esse pessoal pode ser direcionado a produzir um vídeo semanal para a internet com os argumentos do presidente. Mais ou menos o que ele já faz hoje de forma amadorística, mas com maior aprimoramento técnico e tratamento jornalístico adequado. Sua forma direta e simples de se comunicar com o povão poderá neutralizar a oposição feroz da mídia de forma eficaz.
A segunda condição é mais importante e também a mais difícil de ser atingida: dinheiro no bolso! A verdade é que com dinheiro no bolso ninguém vai dar a menor bola para a oposição. Ou seja: se o plano econômico de Bolsonaro produzir resultados visíveis para a população, a gritaria da oposição será simplesmente ignorada. Por outro lado, se a crise econômica permanecer (ou se agravar), a tendência é que a argumentação da oposição seja progressivamente mais aceita, o que resultará no aumento da rejeição ao governo, na impossibilidade de sua reeleição ou mesmo de fazer seu sucessor. Em última instância Bolsonaro poderá perder o mandato sendo impedido (impeachment), tal como aconteceu com a presidente Dilma.

Artigo, Astor Wartchow - Uma eleição para esquecer

Advogado 
Não há adjetivos negativos suficientes para classificar este melancólico e deprimente segundo turno presidencial, cuja marca mais deplorável é a generalizada e recíproca falta de respeito entre um expressivo grupo de pessoas, acerca de suas opiniões e prováveis votos.
Esta eleição se transformou em um plebiscito sobre negações e violações, uma incansável e inesgotável narrativa sobre os defeitos do outro. De um lado vigora o “ele não” e do outro o “PT nunca mais”.
De um lado denigre-se uma pessoa, no caso o candidato Bolsonaro, dito que vocacionado para a grosseria e a tirania, a julgar por suas dezenas de temerárias e desqualificadas declarações.
De outro lado, não menos desqualificado, e também com farto material probatório de condutas pessoais e coletivas negativas, uma instituição e seus principais líderes, alguns já condenados e presos, no caso o Partido dos Trabalhadores.
O mais surpreendente é o seguinte: o esforço de cada lado em rotular e insistir que os defeitos do outro são piores que os que o adversário lhe atribui.  E que o futuro que o outro (se eleito)  nos acena e promete será desastroso. 
Então, o que sucede é que os dois candidatos somam e representam (quase que na totalidade de votos alcançados e potenciais) não as próprias virtudes, mas sim a soma dos defeitos do outro. Logo, não é possível identificar, nem valorizar, eventuais virtudes de parte a parte.
Faz sentido. Afinal, são os dois extremos e lados negativos da mesma moeda. Frutos da longa e repetitiva semeadura inconseqüente e agora absurda e dolorosa colheita.
Outro aspecto. Um efeito colateral deste circo dos horrores comportamentais. Haverá um número gigantesco de votos nulos e brancos. Afinal, as convicções de muitos cidadãos não admitem uma opção compulsória, constrangedora e intolerante, uma exceção por baixo de suas réguas ético-políticas. Pertinente e respeitoso compreender suas motivações, suas razões e, finalmente, seus votos.
Finalmente, cabe perguntar: se tão notórios tantos defeitos de parte a parte, como imaginar e esperar que algum deles – pessoas e partidos em questão - possa oferecer e assegurar um processo de pacificação social e uma pauta de  desenvolvimento?
E não bastará pacificar e promover o desenvolvimento. Há urgentes e graves reformas estruturais a serem realizadas, infelizmente adiadas governo após governo, e que demandam amplo apoio popular e parlamentar.
Não bastassem nossas dificuldades, tudo indica que o cenário internacional imediato – social e econômico – entrará em estado de alta fervura e resultará por agudas transformações. Há ameaças de recessão mundial. As migrações não param. O desemprego mundial cresce e se torna sem solução. Dias dramáticos virão!    

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Leonardo Barreto e Beth Cataldo, Abrasce - Variáveis de um eventual governo Bolsonaro

A uma semana do segundo turno da eleição presidencial, as pesquisas mostram um quadro consolidado em favor do candidato Jair Bolsonaro (PSL). Com pequenas variações entre os institutos, o deputado federal tem 60% contra 40% das intenções de voto de Fernando Haddad (PT).  Não há sinais de que o cenário possa mudar. Segundo dados da pesquisa FSB/BTG, divulgados nesta segunda-feira (22), para 94% dos eleitores de Bolsonaro, a decisão já tomada é irreversível. O indicador de consolidação de Haddad é de 90%. A rejeição de Bolsonaro é de 38% e a de Haddad de 52%. A alta probabilidade de vitória de Bolsonaro já faz com que stakeholders importantes virem a página e passem a discutir cenários do próximo governo. Nessa dinâmica, movimentos de personagens do entorno de Bolsonaro já passam a ter consequências sobre o equilíbrio político do próximo governo. Há seis pontos de atenção na agenda.
(i) Os nomes que comporão o primeiro ministério. (ii) A relação com o Congresso Nacional e o Judiciário. (iii) A qualidade da transição entre o governo atual e o futuro. (iv) A receptividade de Bolsonaro às demandas dos setores da economia. (v) A relação com a imprensa. (vi) A relação com o exterior.
Os primeiros quatro grupos de agendas são, à rigor, variáveis da mesma equação. Para Bolsonaro, definir os nomes que ocuparão os ministérios é o caminho para pavimentar a questão mais crucial para sua situação política no médio prazo, qual seja, o timing de aprovação das reformas mais difíceis. Entidades empresariais já estão encontrando Bolsonaro e seus interlocutores para apresentarem, cada uma, sua lista de demandas para poderem retomar a rota de crescimento. Na medida em que esses atores também possuem largas conexões com o Congresso Nacional, os articuladores presidenciais podem vincular apoios mútuos entre agendas comuns e setoriais para viabilizar as reformas. A relação com a imprensa se anuncia como uma tarefa difícil para Bolsonaro. A combinação de falta de experiência no assunto e a estratégia bem-sucedida até aqui de fazer o enfrentamento é um ponto de fragilidade do próximo governo. Em corridas de tiro curto, como uma campanha eleitoral, a estratégia de enfrentamento pode funcionar, como aconteceu de fato. Entretanto, o exercício de um mandato presidencial equivale a uma maratona e o enfrentamento constante pode acelerar processos de desgaste e fadiga política. Na mesma direção, declarações desencontradas sobre a agenda externa antecipam problemas de relação com outros países. Bolsonaro, taxado de extrema direita pelo mainstream da mídia internacional, deve iniciar sua gestão já com déficit de imagem. Sem base parlamentar consistente, Bolsonaro viverá dos seus resultados e consequente popularidade obtida ou não a partir deles. Se as reformas devolverem confiança aos agentes econômicos e a recuperação ocorrer rapidamente, o futuro presidente terá condições de avançar um pouco mais.