segunda-feira, 6 de julho de 2020

Programa de Recuperação Empresarial proporciona suporte emergencial

Em Pelotas, 30 empresas já estão participando

Em tempos de decisões rápidas, a diferença entre o fechamento e a sobrevivência de um negócio pode estar em uma assessoria técnica especializada para auxiliar na transformação e favorecer o crescimento e o desenvolvimento sustentável. Esta é a proposta do programa de Recuperação Empresarial lançado pelo Sebrae RS com foco no Microempreendedor Individual (MEI) – até R$ 81 mil de faturamento anual - Microempresa (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP), com limite de faturamento de 4,8 milhões/ano.

A gestora do Sebrae RS, Jussara Argoud, afirma que 30 empresas que fazem parte do projeto Conexão Pelotas da Regional Sul estão no programa de Recuperação Empresarial. O objetivo é reduzir a mortalidade dos pequenos negócios através da geração de caixa nas empresas. Um dos participantes é o empreendedor Daniel Amaro, da Companhia de Dança Afro Daniel Amaro. Ele conta que com a pandemia teve de suspender as aulas e espetáculos presenciais e a empresa começou a enfrentar dificuldades. Como já era participante do Conexão Pelotas, resolveu ingressar também no programa de Recuperação Empresarial em busca de alternativas. “Com as consultorias, agora está sendo possível trabalhar usando as redes sociais”, relata o coreógrafo.

“Ficamos três meses sem dar aulas nem vender espetáculos, mas há uma semana começamos a temporada digital do espetáculo Reminiscências dos Tambores do Corpo e já estamos programando workshops online”, revela entusiasmado. Amaro afirma que graças ao plano de ação elaborado com orientação do Sebrae RS a empresa começou a recuperar seu caixa. “Estou muito contente e aconselho a todas as empresas que puderem, que procurem o Sebrae para fazer seu plano de ação”, complementa.

O programa de Recuperação Empresarial é composto por dois pacotes. O pacote Essencial engloba consultorias de Gerenciamento de Crise (12h), Gestão de Caixa (12h) ou Modelagem de Negócios (8h), Mentorias Coletivas com encontros semanais e, para projetos coletivos, encontros digitais segmentados coordenados pelos gestores dos projetos. Já o pacote Premium é desenvolvido por Consultorias de Planejamento para Presença Digital e Consultoria de Coaching. Se o empreendedor se interessar, poderá ainda optar por uma consultoria em design para presença digital e coaching executivo online. Haverá também assessoria em crédito com simulação do impacto do financiamento no negócio.

domingo, 5 de julho de 2020

Artigo,José Aquino Flores de Camargo - Ressuscitem Churchill

- O autor é ex-presidente do Tribunal de Justiça do RS.

Não costumo escrever aqui, mas a angústia dessa tortura que se prorroga provoca a ansiedade. Sou um privilegiado, portanto falar, na minha ótica, significa demonstrar o mínimo de empatia com o drama dos outros.
As pessoas estão esgotadas. Ninguém atura mais esse discurso.
Bandeira vermelha só no Beira Rio. E preta é lá no Corinthians.
O pico já subiu e desceu inúmeras vezes. Isso parece filme pornô. Desculpem a ironia...
Enquanto o vírus era exclusivamente da camada alta da população, exigiu-se solidariedade: todos para casa, para quebrarmos juntos.
Agora, o vírus está na comunidade. Isso seria inevitável cedo ou tarde.
Mandar para casa é exigir que o contágio se dissemine lá mesmo.  E que fiquem à sua própria sorte...
Ninguém pode ignorar a alta densidade populacional na periferia dos centros urbanos. Tampouco passam despercebidas as precárias condições sanitárias de vida.
Mas não é isso que os protocolos de saúde querem evitar: aglomerações em pequenos ambientes fechados?
Agora, além de quebradas, desempregadas, as pessoas ficarão desesperadas.
Depressão traz tristeza, conflito, desesperança e violência.
Pior que o vírus é a falta de saúde mental. Reações desproporcionais serão rotina do comportamento social.
Essa história, portanto, será melhor interpretada logo adiante.
Não pode ser avaliada pelo número absoluto de mortes; será pelos efeitos deletérios e devastadores que ela poderá produzir.
Ate agora, estamos sendo conduzidos como rebanho pela lógica do pensamento único: quem discorda é rotulado por atentar contra valores básicos de vida.
Que falta a humanidade sente de um homem como Winston Churchill. Não se vence uma guerra sem sangue, suor e lágrimas.
Falta-nos o mínimo de enfrentamento.
Deixamos os profissionais da saúde sozinhos. Enquanto eles se arriscam, pouco se produziu para sustentar o povo em pé.
Churchil dizia, reverenciando aos jovens pilotos ingleses: nunca muitos deverão tanto a tão poucos...
O mesmo há de se dizer em relação aos nossos profissionais da saúde.
A diferença é que lá, o resto da população tratou de trabalhar e produzir condições de enfrentamento. Que depois se viu foi a força para destruir o nazismo.
Aqui, ficamos em casa para quebrar, esperando o milagre da vacina. E, dizem, até medicamentos e insumos já estariam faltando...
Que Deus nos ajude, porque nós estamos sentados.
Ninguém imagina irresponsabilidade: proteção aos idosos e vulneráveis. E eu os tenho muito próximos, portanto sou insuspeito. E sei que eles preferem o risco do afeto à ausência da solidão devastadora.
E vamos, aqueles que podem, respeitando os protocolos de saúde, ao trabalho, para ajudar nossos heróis nessa guerra.
Fechar e lacrar não parece mais possível. Definitivamente, a vida tem que seguir. Até em respeito aos que tombaram!

sábado, 4 de julho de 2020

Vitor Koch denuncia campanha de "calúnias e ódios" contra ele. Koch é presidente da Federação de CDLs do RS.

Eis a nota que ele distribuiu ontem a noite:

Há três anos o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul – FCDL-RS, Vitor Augusto Koch, vem sendo vítima de uma campanha de calúnia e ódio que busca destruir a reputação de um homem cuja trajetória de vida pessoal e profissional é extremamente correta. 

Os ataques mentirosos e insanos ao presidente Vitor Augusto Koch têm origem em duas situações:

- A primeira, a partir de 2016, quando a CNDL iniciou sua articulação para retirar o SPC Brasil da base associativa lojista, transformando-o em uma empresa de capital aberto (S.A.). Vitor Augusto Koch, se posicionou contrariamente a este fato e por isto começou a ser desleal e caluniosamente atacado pela Confederação, com o objetivo de afastá-lo da presidência da FCDL-RS;

- A segunda, refere-se à justa cobrança que a FCDL-RS fez à CDL Caxias do Sul por causa da dívida da entidade caxiense, relacionada a sonegação da contribuição social não repassada à Federação, que hoje chega a casa dos R$ 2,5 milhões.

A partir desse processo de cobrança, a CDL Caxias do Sul passou a praticar uma oposição desleal ao presidente Vitor Augusto Koch, promovendo uma série de ataques a sua honra e cooptando de maneira obscura três diretores da Federação: o 1º vice-presidente Jorge Claudimir Prestes Lopes, de Uruguaiana; o vice-presidente Fernando Luis Palaoro, de Farroupilha; e o 1º diretor-financeiro, Moacir Paulo Lodi, de Soledade.

Desde que os cooptou, a CDL Caxias do Sul, custeia os gastos judiciais e presta assistência jurídica aos três em seus ataques, acusações falsas e constrangimentos impostos à FCDL-RS e ao seu presidente. Todas as ações jurídicas por eles promovidas foram recusadas ou indeferidas pelo Poder Judiciário.

E mais:

- Em 2018, o vice-presidente Fernando Palaoro, tentou extorquir da Federação R$ 500 mil para não denunciar às autoridades supostas irregularidades na entidade que ele dizia existir.

- Em 2019, o empresário Pedro Ênio Schneider, prestador de serviço à FCDL-RS, foi levado à força a prestar depoimento inverídico na 17ª DP de Porto Alegre para acusar o presidente Vitor Augusto Koch de cometer irregularidades na Federação, fato este afirmado pelo próprio Pedro.

As gravações de áudio que comprovam estes gravíssimos fatos estão disponíveis a todos os interessados.

Em maio deste ano, Jorge Prestes Lopes, Fernando Palaoro e Moacir Lodi, acompanhados de Giancarlo Ferriche Fonseca, também de Uruguaiana, realizaram novos atos criminosos. Pervertendo uma decisão do Poder Judiciário gaúcho tomaram de assalto a sede da Federação, em Porto Alegre. Na ocasião, Jorge Prestes Lopes chegou a desfaçatez de se autoproclamar presidente da FCDL-RS, forçando o presidente legítimo, Vitor Augusto Koch, a se retirar da sede sob ameaças, especialmente de Fernando Palaoro, que tentou arrombar a porta da sala da presidência.

No dia seguinte a este lamentável evento, os três novamente atacaram, arrombando portas da FCDL-RS, trocando senhas de acesso, desligando as câmeras de segurança e manuseando documentos internos da Entidade. Ata notarial detalha tal ação.

Não é mais possível conviver com tais atos praticados por Jorge Claudimir Prestes Lopes, Fernando Luis Palaoro e Moacir Paulo Lodi, pela CNDL e pela CDL Caxias do Sul, que objetivam a destruição de um cidadão sem máculas éticas, que dedica sua vida à construção do associativismo dos lojistas gaúchos, trajetória esta que inclusive o elegeu Presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE/RS entre 2011 e 2014.

As muitas conquistas que Vitor Augusto Koch obteve para o varejo do Rio Grande do Sul não serão manchadas por pessoas sem nenhum tipo de escrúpulo ou moral. A VERDADE PREVALECERÁ!

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Tratamento precoce de pacientes COVID-19 com hidroxicloroquina e azitromicina: uma análise retrospectiva de 1061 casos em Marselha, França

Resumo
Na França, a combinação hidroxicloroquina (HCQ) e azitromicina (AZ) é usada no tratamento de COVID-19.

Métodos
Relatamos retrospectivamente 1061 pacientes testados positivos para SARS-CoV-2 tratados por pelo menos três dias com o seguinte regime: HCQ (200 mg três vezes ao dia por dez dias) + AZ (500 mg no dia 1 seguido por 250 mg diariamente para o próximos quatro dias). Os desfechos foram óbito, piora clínica (transferência para UTI e internação> 10 dias) e persistência do derramamento viral (> 10 dias).
Resultados
Um total de 1061 pacientes foi incluído nesta análise (46,4% do sexo masculino, idade média de 43,6 anos - faixa de 14 a 95 anos). Bom resultado clínico e cura virológica foram obtidos em 973 pacientes em 10 dias (91,7%). O transporte viral prolongado foi observado em 47 pacientes (4,4%) e foi associado a uma carga viral maior no diagnóstico (p <0,001), mas a cultura viral foi negativa no dia 10. Todos, exceto um, foram limpos por PCR no dia 15. A mau resultado clínico (PClinO) foi observado em 46 pacientes (4,3%) e 8 morreram (0,75%) (74-95 anos). Todas as mortes resultaram de insuficiência respiratória e não de toxicidade cardíaca. Cinco pacientes ainda estão internados (98,7% dos pacientes curados até o momento). O PClinO foi associado a idade avançada (OR 1,11), gravidade da doença na admissão (OR 10,05) e baixa concentração sérica de HCQ. O PClinO foi independentemente associado ao uso de agentes beta-bloqueadores seletivos e bloqueadores dos receptores da angiotensina II (p <0,05). Um total de 2,3% dos pacientes relatou eventos adversos leves (sintomas gastrointestinais ou cutâneos, dor de cabeça, insônia e visão turva transitória).
Conclusão
A administração da combinação HCQ + AZ antes da ocorrência de complicações com COVID-19 é segura e associada a uma taxa de mortalidade muito baixa nos pacientes.
O COVID-19 é uma pandemia, com uma rápida disseminação global de infecção desde janeiro de 2020 [ 1 ]. Quatro estudos demonstraram que o sulfato de hidroxicloroquina (HCQ) inibe a SARS-CoV-2 in vitro [ [2] , [3] , [4] , [5] ]. Um estudo demonstrou que a combinação de HCQ e azitromicina (AZ) inibe a SARS-CoV-2 in vitro [ 6 ].
Vários estudos clínicos abordando a eficácia do HCQ foram conduzidos em pacientes com COVID-19, levando a resultados contraditórios. Três estudos mostraram um efeito favorável [ [7] , [8] , [9] ]. Um estudo de controle randomizado chinês (ECR) realizado em 62 pacientes COVID-19 mostrou um tempo de recuperação da temperatura corporal significativamente reduzido, tempo de remissão da tosse e uma proporção maior de pneumonia melhorada, avaliada por tomografia computadorizada, em pacientes tratados com 400 mg de HCQ por dia durante cinco dias (N = 31) em comparação aos controles (N = 31) [ 7] Outro ECR chinês realizado em 150 pacientes COVID-19 mostrou diferenças favoráveis significativas entre os pacientes tratados com 1200 mg de HCQ / dia por três dias, depois 800 mg / dia por duas a três semanas (N = 75) e controles (N = 75) em relação a alívio dos sintomas e diminuição da concentração de proteína C-reativa [ 8 ]. Um estudo iraniano realizado em uma coorte de 100 pacientes com COVID-19 tratados com 200 mg de HCQ duas vezes ao dia (dose única de 400 mg quando combinada com a administração de lopinavir / ritonavir) concluiu que o HCQ melhorou o resultado clínico dos pacientes [ 9 ].
Um ECR chinês realizado em 30 pacientes com COVID-19 não mostrou diferenças significativas entre os pacientes tratados com 400 mg de HCQ por dia durante cinco dias (N = 15) e os controles (N = 15) em relação ao transporte faríngeo de RNA viral no dia 7 [ 10 ] . Um estudo francês realizado em 181 pacientes com COVID-19 com doença relativamente grave não mostrou diferença entre 84 pacientes tratados com 600 mg de HCQ / dia e 97 controles em relação à transferência para UTI e óbito [ 11 ]. Finalmente, uma análise retrospectiva de dados de pacientes hospitalizados com infecção confirmada por SARS-CoV-2 em todos os centros médicos da Administração de Saúde dos Veteranos dos Estados Unidos não encontrou evidências de que, antes da ventilação, o uso de HCQ com ou sem AZ reduzisse a necessidade de subseqüentes ventilação mecânica [ 12] Nenhum desses estudos foi perfeito. Nos estudos chineses e iranianos, os pacientes receberam vários tratamentos adicionais, incluindo antivirais.
Um ensaio clínico francês não randomizado preliminar conduzido em 36 pacientes com COVID-19 mostrou uma redução significativa no transporte nasofaríngeo viral no dia 6 em pacientes tratados com HCQ a 600 mg por dia durante 10 dias (N = 20, teste de 70% negativo), comparado com controles não tratados (N = 16, 12,5% com teste negativo). Além disso, dos vinte pacientes que foram tratados com HCQ, seis receberam AZ por cinco dias (com o objetivo de evitar superinfecção bacteriana) e todos (100%) foram curados virologicamente no dia 6, em comparação com 57,1% dos restantes 14 pacientes [ 13 ]. Esse efeito sinérgico é a justificativa para usar a combinação HCQ e AZ.
Recentemente, relatamos 80 pacientes usando uma combinação de 200 mg de HCQ três vezes ao dia por dez dias mais AZ (500 mg no dia 1 seguido de 250 mg ao dia nos próximos quatro dias) com bons resultados clínicos e virológicos [ 14 ]. O AZ demonstrou ser ativo in vitro contra os vírus Zika e Ebola [ [15] , [16] , [17] ] e, mais recentemente, contra SARS-CoV-2 [ 5 ].
Em uma recente pesquisa internacional realizada entre pelo menos 7500 médicos em 30 países, a maioria dos médicos questionados considerou que HCQ e AZ são os dois tratamentos mais eficazes entre as terapias disponíveis para o COVID-19 [ 18 ]. Aqui, relatamos uma avaliação retrospectiva de 1061 novos pacientes com COVID-19, tratados por pelo menos 3 dias com HCQ + AZ a partir do momento do diagnóstico e um acompanhamento de pelo menos nove dias. Os resultados foram morte, piora clínica com persistência de derramamento viral.
2 . Materiais e métodos
2.1 . Pacientes e desenho do estudo ( Fig. 1 )
O estudo foi realizado na Assistance Publique-Hôpitaux de Marseille (AP-HM), sul da França, no Institut Hospitalo-Universitaire (IHU) Méditerranée Infection ( https://www.mediterranee-infection.com/ ). Criamos uma triagem maciça e irrestrita por PCR para pacientes com possível COVID-19 e para contatos assintomáticos de casos confirmados. Os dados foram coletados em pacientes incluídos de 3 a 31 de março. Indivíduos com RNA de SARS-CoV-2 documentado por PCR de uma amostra nasofaríngea [ 19], foram prescritos tratamento precoce com HCQ + AZ, como tratamento padrão, com ou sem sintomas, com o início do tratamento em nosso hospital de creche (pacientes internados) ou em nossas unidades de doenças infecciosas (pacientes internados) quando necessário. Os pacientes tratados inicialmente na creche ou que receberam alta das enfermarias de internação convencional antes do dia 10 foram acompanhados na creche (acompanhamento ambulatorial como pacientes ambulatoriais). Os pacientes também foram encaminhados para o IHU de outras unidades de saúde. Pacientes com pelo menos três dias de tratamento e nove dias de acompanhamento são descritos nesta análise. Dados demográficos, condições crônicas e medicações concomitantes foram documentados. Os pacientes descritos em estudos anteriores [ 13 , 14] não foram incluídos no presente trabalho. Em 18 de abril, uma nova avaliação dos dados foi realizada para atualizar os casos fatais e as taxas de mortalidade.
2.2 . Classificação e acompanhamento clínico-radiológico
Detalhes estão disponíveis em nossos estudos anteriores [ 13 , 14 ]. Resumidamente, os pacientes foram agrupados de acordo com a apresentação clínica na admissão (infecções do trato respiratório superior ou sintomas de infecções do trato respiratório inferior) e a gravidade foi avaliada usando o escore nacional de alerta precoce (NEWS) para pacientes COVID-19 na admissão e durante o acompanhamento [ 20] Definimos três categorias de risco para deterioração clínica: pontuação baixa (NEWS 0–4), pontuação média (NEWS 5–6) e pontuação alta (NEWS≥7). O tempo entre o início dos sintomas e o tratamento foi documentado. Os pacientes foram submetidos a tomografia computadorizada de baixa dose (LDCT) do tórax sem melhora e foram classificados em quatro graus (normal, mínimo, intermediário e grave). A necessidade de oxigenoterapia, transferência para a unidade de terapia intensiva (UTI), óbito e tempo total de permanência no hospital (para pacientes internados) foram documentados. O acompanhamento virológico incluiu ≥1 teste (s) realizado sistematicamente nos dias 2, 6 e 10. Pacientes com PCR positivo persistente no dia 10 foram propostos testes adicionais a cada 4 dias até que o teste se tornasse negativo.
2.3 . Tratamento e resultados COVID-19
Pacientes sem contraindicações [ 13 , 14 ] receberam uma combinação de 200 mg de HCQ oral, três vezes ao dia por dez dias, combinados com cinco dias de AZ (500 mg no dia 1, seguidos por 250 mg ao dia nos quatro dias seguintes). A terapia não foi supervisionada. Não foram incluídas crianças <14 anos, gestantes ou pacientes com deficiência de G6PD (apenas com base na declaração do paciente). A investigação sistemática pré-terapia incluiu análise de eletrólitos séricos e um eletrocardiograma com medida corrigida de QT (fórmula de Bazett). Um protocolo de inclusão específico e acompanhamento para torsade de pointesrisco foi projetado. Qualquer medicamento em uso pelo paciente com potencial para prolongar o intervalo QT e medicamentos não vitais que destroem o potássio (diuréticos prescritos para pressão alta) foram sistematicamente interrompidos. Quando os medicamentos que destroem o potássio não podiam ser interrompidos ou em caso de hipocalemia documentada na admissão, era fornecida suplementação de potássio e o HCQ era administrado apenas quando o nível de potássio estava normalizado. O monitoramento da análise eletrolítica sérica foi realizado em pacientes com baixos níveis séricos de potássio no início do estudo. Um eletrocardiograma era realizado rotineiramente 48 horas após o início do tratamento. O tratamento com HCQ foi interrompido quando o intervalo QT corrigido (QTc, fórmula de Bazett) foi> 500ms e a relação risco-benefício do tratamento com HCQ + AZ foram estimadas pelo especialista em doenças infecciosas e acordadas com o cardiologista, entre 460 e 500ms. As indicações para este ECG de controle foram restritas após um exame inicial em 848 ECG de 424 pacientes (no dia 0 e no dia 2 para cada paciente), mostrando que todas as anormalidades contra-indicativas de repolarização foram detectadas no primeiro ECG.
A dosagem de HCQ foi realizada conforme descrito anteriormente [ 14 , 21 ] e uma concentração> 0,1 µg / mL foi considerada na faixa terapêutica [ 22 ]. Antibióticos de amplo espectro (ceftriaxona ou ertapenem) foram adicionados para pacientes com pneumonia e pontuação NEWS ≥ 5. Tratamentos sintomáticos, incluindo notavelmente oxigênio, foram adicionados conforme necessário. Os desfechos primários foram i) um curso clínico agressivo que requer oxigenoterapia, transferência para UTI ou óbito após pelo menos três dias de tratamento e hospitalização prolongada (10 dias ou mais) e ii) contagiosidade avaliada por PCR e cultura.
2.4 . Investigações adicionais em pacientes com falha do tratamento
Os pacientes com falhas clínicas ou virológicas foram caracterizados com precisão e um acompanhamento clínico e viral rigoroso foi realizado horas extras. Definimos um grupo com resultado clínico ruim (PClinO) por morte ou transferência para UTI ou hospitalização por 10 dias ou mais e um grupo com resultado virológico ruim (PVirO) foi definido pela persistência do derramamento viral no dia 10. Finalmente, indivíduos que pertenciam nem ao grupo PClinO nem ao grupo PVirO foram atribuídos a um grupo com um bom resultado (GO). Os fatores associados à falha clínica foram identificados pela comparação do grupo PClinO com o GO e os fatores associados à falha virológica foram identificados pela comparação do grupo PVirO com o grupo GO. Realizamos testes adicionais em pacientes com evolução atípica, incluindo culturas tardias de SARS-CoV-2 em células Vero E6, conforme descrito anteriormente [23 ] e detecção de amplo espectro de outros vírus por PCR multiplex [ 19 ] em amostras respiratórias. Além disso, o cDNA foi transcrito de forma reversa diretamente a partir de amostras totais de rinofaringe do RNA do SARS-CoV-2 viral, seguindo as recomendações do fabricante. Os cDNAs foram purificados usando contas Agencourt AMPure (Beckman Coulter, Villepinte, França). O DNA genômico foi extraído usando o biorobô EZ1 com o kit de tecidos EZ1 DNA (Qiagen, Hilden, Alemanha) e, em seguida, sequenciado em um sequenciador MiSeq (Illumina Inc, San Diego, CA, EUA) com a preparação da amostra Nextera Mate-Pair e o Nextera XT Kits de extremidade emparelhados (Illumina Inc., San Diego, CA, EUA). Os genomas de SARS-CoV-2 foram baixados do NCBI ( https://www.ncbi.nlm.nih.gov/) ou estão disponíveis no EMBL-EBI sob o BioProject: PRJEB37693. A reconstrução filogenética foi realizada usando NEXSTRAIN ( https://nextstrain.org/ ) e GISAID (Global Initiative; https://www.gisaid.org/ ) [ 24 ].
2.5 . Métodos estatísticos
As variáveis contínuas e categóricas foram apresentadas como média (dp), mediana, min-max en (%), respectivamente. Utilizamos o teste t de Student, Mann-Whitney Uteste qui-quadrado ou teste exato de Fisher para comparar diferenças entre os três grupos (GO, PVirO e PClinO), quando apropriado. O grupo GO foi escolhido como o grupo de referência para testes estatísticos (PVirO vs. GO e PClinO vs. GO, respectivamente). Para explorar os fatores de risco associados aos grupos PVirO e PClinO, também realizamos análises multivariáveis usando modelos de regressão logística. Todas as variáveis significativas em p <0,01 nas análises univariadas foram introduzidas no modelo multivariado inicial. Uma abordagem passo a passo foi usada para avaliar a iteração das variáveis e controlar potenciais fatores de confusão (ambos os valores do nível de significância para entrada e permanência foram fixados em 0,05.) Um alfa bilateral de menos de 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. Todas as análises foram realizadas no software estatístico SAS 9.4 (SAS Institute,
2.6 . Declaração de ética
Os dados aqui apresentados foram coletados retrospectivamente dos cuidados de rotina, utilizando o sistema de registro eletrônico de saúde do hospital, de acordo com a metodologia de referência MR-004 para o processamento de dados pessoais. A acessibilidade aos dados é protegida de acordo com o Regulamento Geral Europeu de Proteção de Dados n.o 2016/679. A natureza retrospectiva do estudo foi aprovada por nosso comitê do conselho de revisão institucional (Mediterranée Infection N °: 2020–13). No momento em que o estudo foi realizado, o HCQ foi aprovado para o COVID-19 apenas como parto hospitalar, na França. Para todos os pacientes, a prescrição de HCQ + AZ foi feita durante a internação completa ou na creche por um dos médicos praticantes, independentemente do investigador, após decisão colegiada com base nos dados científicos mais recentes disponíveis e após avaliação da relação benefício / dano do tratamento, de acordo com as disposições do Código de Ética (artigo R. 4127-8 do Código de Saúde Pública). Nenhum monitoramento suplementar ou procedimentos de diagnóstico foram adicionados à prática clínica normal, permitindo a vigilância e o gerenciamento do paciente (monitoramento dos níveis de HCQ e vigilância da carga viral de SARS-CoV-2 e ECG).
3 . Resultados
3.1 . Participantes
Entre 1.411 pacientes elegíveis com dados disponíveis, 350 foram excluídos ( fig. 1 , tabela 1 ). Para a presente análise, um total de 1.061 pacientes foram tratados por pelo menos 3 dias com a combinação de HCQ + AZ na IHU, incluindo 492 homens (46,4%). A idade média foi de 43,6 anos (desvio padrão (dp), 15,6 anos). As condições e sintomas subjacentes declarados pelos pacientes (91,7%) estão descritos na Tabela 2. A maioria (95,0%) dos pacientes apresentou baixa pontuação no NEWS. O tempo entre o início dos sintomas e o primeiro dia de tratamento (dia 0) foi de 6,4 dias (desvio padrão de 3,8 dias). Um total de 469 pacientes (65,7%) apresentou tomografia computadorizada de LD compatível com pneumonia, incluindo 20,5% e 2,2% com escore intermediário e grave, respectivamente. A carga viral média obtida por PCR no swab nasofaríngeo no dia 0 foi de 26,6 Ct com 5,0 como desvio padrão.

Plataforma Unio conecta empreendedores

O novo serviço do Sebrae RS possibilita ampliar a base de clientes e facilita as negociações em um ambiente virtual

A plataforma Unio lançada pelo Sebrae RS funciona como uma vitrine de profissionais que buscam ou oferecem algum tipo de serviço de consultoria e, inicialmente, contempla três categorias: inovação, design e processos, com 14 subcategorias. Até o final do ano, mais categorias serão incorporadas, informa o analista de soluções do Sebrae RS Saulo Roberto Henrich Morschel. A plataforma é um ambiente virtual que possibilita ampliar a base de clientes, facilita as transações financeiras e dá mais segurança para o fechamento de negócios.

A operação é simples. Os prestadores de serviço cadastram-se na Unio e respondem aos pedidos de orçamento; as empresas interessadas solicitam orçamento e escolhem a melhor proposta de trabalho.  A negociação e a contratação acontecem via plataforma, bem como o pagamento, que só é liberado para o prestador quando o trabalho é concluído, o que dá segurança para ambas as partes.

Para se cadastrar basta acessar www.uniosebrae.com.br, ler os Termos de Uso e Política de Privacidade, clicar em “Sou Prestador de Serviço – Quero fazer parte”, no menu superior, e preencher o cadastro completo, que inclui também um portfólio de projetos anteriores. Em seguida, o profissional passa pela curadoria e, sendo aprovado, é só aguardar os pedidos de orçamento que chegam pela plataforma.

Confira as categorias e subcategorias:
Design: design de ambientes, design de embalagens, design estratégico, design gráfico, design de produto, design de serviços, design web

Inovação: gestão da inovação, propriedade intelectual, registro de marca, transformação digital

Processos: estudo de viabilidade técnica, melhorar processos, melhorar produtos

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Muito além das aparências.

Muito além das aparências.

Encoleirado no sofá da sala, vendo o Coronavirus bater na minha janela querendo entrar, me atacar e me destroçar, ainda que esteja provado que a maior contaminação se dá entre aqueles que ficam enfurnados em suas casas, pouco me resta do que mergulhar em leituras estocadas e espairecer deliciando-me com reprises de velhos clássicos do cinema.
Numa destas maratonas cinéfilas, dei de cara com o antigo campeão de bilheteria de 1949, Sansão e Dalilaprotagonizado por Victor Mature e Hedy Lamarr.
Gosto sempre de me inteirar sobre quem foram as personalidades que outrora brilharam nas telonas, o que fizeram em suas vidas, como estão hoje ou até mesmo se ainda estão em nosso meio. No caso de Sansão e Dalila, ambos protagonistas já se despediram a tempos da peregrinação terrena.
Descobri em minhas pesquisas que Hedy Lamarr era o nome artístico de Hedwig Eva Maria Kiesler, nascida em Viena, na Áustria em 9 de novembro de 1914, e falecida em 19 de janeiro de 2000 nos Estados Unidos em Altamonte Springs, Flórida.
De uma beleza deslumbrante, Hedy Lamarr foi considerada pelo diretor e produtor austríaco Max Reinhardt a mulher mais linda da Europa. Foi também a inspiração para Walt Disney desenhar o rosto da Branca de Neve, “a mais bela de todas” em 1937. Em 1933 protagonizou a primeira cena de orgasmo em um filme não pornográfico, Êxtase, o qual foi proibido em muitos países assim como pela própria Igreja Católica.
Enquanto perambulava em minhas pesquisas bibliográficas, tocou o meu celular e, ao apanhá-lo para atender à ligação senti perto de mim a própria Hedy Lamarr. Aquele maravilhoso aparelho que no meu isolamento anti-pandemia permitia que eu me comunicasse com qualquer lugar do globo terrestre eu devia a ela, Heidy Lamarr.
Além de consagrada atriz de beleza deslumbrante, ela foi uma excepcional inventora.
Muitas foram as suas invenções, mas a que mais se destacou e que demonstrou incontestavelmente a genialidade de sua mente criativa, foi aquela que, conjuntamente com o compositor e pianista George Antheil,criou o conceito de frequências variáveis.Avançado demais para a sua época,somente mais de meio século depoisfoi mundialmente reconhecido consagrando-a com justiça no rol dos grandes inventores mundiais. Toda a tecnologia atual da telefonia celular se baseia na invenção de Hedy Lamarr.
Em 1997 Lamarr recebeu do governo dos Estados Unidos menção honrosa “por abrir novos caminhos nas fronteiras da eletrônica”. É considerada mundialmente, com toda a justiça, a mãe do Wi-Fi.
O dia de seu nascimento é comemorado em todo o mundo como o dia do inventor. Em 2014 em Viena foi erigido um túmulo em sua homenagem ainda que suas cinzas tenham sido, a seu pedido, espalhadas pelos bosques de Viena.
Fico pensando em quantas vezes julgamos uma pessoa somente pela sua aparência. Quem diria, assistindo ao filme Sansão e Dalila que aquela garota petulante era, por trás das câmeras, um verdadeiro gênio da ciência?
Quantas pessoas trabalham conosco durante uma vida inteira sem que saibamos, um pouquinho que seja, quem que elas são na vida real?
Quantos músicos, poetas, atletas, líderes comunitários ou religiosos ou até mesmo abnegados voluntários junto a entidades sociais passam todos os dias ao nosso lado e nem sequer nos damos ao desplante de lhes desejar um bom dia?
É de nossa natureza centrarmo-nos em nós mesmos e isto faz com que percamos grande parte daquilo e daqueles que nos rodeiam. Quantas maravilhas e pessoas maravilhosas passam por nós todos os dias sem que ao menos nos apercebamos de sua existência.
Se queremos nos tornar mais felizes e plenos, procuremos descobrir as Hedy Lamarr que se escondem por detrás de rostos às vezes lindos, outras nem tanto. Mas elas estão ocultas ali, bem na nossa frente.
Cabe a nós estimulá-las a se revelarem. E, com certeza, poderemos ter surpresas extremamente gratificantes.

Fabio Freitas Jacques. Engenheiro e consultor empresarial, Diretor da FJacques – Gestão através de Ideias Atratoras e autor do livro “Quando a empresa se torna azul – o poder das grandes ideias”.

Transformação digital da rede varejista gaúcha das Lojas Lebes

Nesta quarta-feira, 1º de julho, ocorre a grande virada SAP da rede de varejo Lojas Lebes. Conhecida como Go Live, a virada é um marco no processo de Transformação Digital da empresa, iniciado em 2018, que contou com investimento de mais de R$ 30 milhões.

“O sucesso da Transformação Digital depende do entrosamento perfeito entre tecnologia, processos e pessoas, e trabalhamos com muita dedicação para chegarmos até aqui. Contornamos diversos obstáculos e desafios, entre eles, a epidemia do Covid-19, fazendo com que realizássemos testes e treinamentos de modo remoto e o próprio Go Live de forma híbrida, com parte restrita do time presencial e a outra parte toda em home office”, comenta Otelmo Drebes, presidente da rede.

Para esse projeto, informa o Diretor de TI Luis Brocca, a Lebes adquiriu a plataforma S/4 Hana Retail, versão mais moderna do SAP, implementada com acesso total via Fiori, tendo sido uma das primeiras varejistas do Brasil a ter essa tecnologia. Para garantir o sucesso desse marco, a Lebes contou com mais de 60 colaboradores dedicados exclusivamente ao projeto, que trabalharam por 10 meses com a metodologia SAP Activate, além de parceiros estratégicos para este desafio.

Destaque para o trabalho da FH, responsável pela implementação do sistema SAP S4/Hana; da GMC, que realizou o gerenciamento da mudança (Change Management); da Consultoria Lozinsky, responsável pela qualidade do projeto (Quality Assurance); da RetailPar, consultoria em Transformação Digital do Varejo; da DBC Company, desenvolvimento da solução de Inteligência de Negócio; da DbServer, responsável pelos testes de software; e da SoftwareAG, responsável pelas integrações.

O primeiro marco da onda digital Lebes aconteceu em 2019 quando foi lançado o App Lebes, que representou a materialização da Transformação Digital. Com uma visão Omnichannel, a Lebes empoderou ainda mais seus clientes e colocou todos os produtos e serviços na palma da mão. A partir de agora, com a virada SAP, a Lebes está ainda mais preparada para outras inovações.

“A virada do SAP marca o início de um novo capítulo da nossa história. A Lebes do futuro já está no presente com ainda mais agilidade, qualidade e transparência”, destaca Otelmo Drebes. E para comemorar este importante marco para a empresa, o presidente da rede de varejo realizou uma Live, na última terça-feira (30), para dividir a grande conquista com colaboradores e parceiros.


Calendário eleitoral

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Artigo, Carlos Alberto di Franco, Gazeta do Povo - STF versus liberdade de expressão

A recente decisão do STF no inquérito das fake news terá importantes consequências
políticas. Neste artigo, no entanto, focarei no seu impacto no campo da
liberdade de expressão. Governos passam, mas fissuras na liberdade de expressão
ficam para sempre. Nesta hora de radicalização, preocupante e crescente, a
única coisa que me resta são os princípios de sempre. Apoio-me nos valores e ideias
que alimentam minhas convicções. A liberdade de expressão é um porto seguro da
democracia. Dela não me afasto.O respeito devido ao Supremo Tribunal Federal e aos demais
poderes da República não pode ser encarado como uma blindagem para abusos
praticados por aqueles que, momentaneamente, integram a corte. O STF não é dono
do Brasil. Seus ministros são servidores públicos. Devem ser guardiões das
normas constitucionais e não ativistas judiciais em defesa de interesses pessoais,
políticos ou ideológicos.Há exatos 15 meses o ministro Dias Toffoli deu o pontapé
inicial para um jogo disfuncional que, aos poucos, foi transformando o STF num
poder absoluto. Monocraticamente, e na contramão da Constituição, censurou a
revista Crusoé por expor seus supostos desvios éticos. Note bem, amigo leitor:
censurou a revista. Mas nunca a processou.De lá para cá, qualquer ofensa, real ou imaginária, passa a
ser resolvida em clima de rito sumário. O ministro “ofendido”, como se não
fizesse parte de um poder democrático, assume o papel de polícia, promotor e
juiz da própria causa. É exatamente isso que, atônitos, estamos vendo no
chamado inquérito das fake news.Aberto pelo presidente Dias Toffoli, com relatoria do
ministro Alexandre de Moraes, o inquérito tem por objetivo alegado investigar a
existência de fake news, ameaças e
denúncias caluniosas, difamantes e injuriantes, que, pretensamente, atingem a
honra e a segurança dos ministros e seus familiares. Desde o seu início, vem
servindo para quase tudo. Fundamentou atos de censura à imprensa, a busca e
apreensão  na  residência de pessoas que levantaram hashtags
contrárias ao trabalho do Supremo, o bloqueio de contas nas redes sociais de
deputados, etc.A rigor o inquérito 4.781 não poderia ter sido sequer
instaurado, pois tem como base o artigo 43 do Regimento Interno do STF, que
estabelece: “Ocorrendo infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal,
o presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade ou pessoa sujeita à
sua jurisdição, ou delegará esta atribuição a outro ministro”. Uma vez que as
alegadas infrações à lei penal teriam consistido -não se sabe ao certo- em
críticas, insultos e deboches sistemáticos dirigidos aos ministros Dias Toffoli
e Alexandre de Moraes no ambiente das redes sociais, não há cabimento para a
instauração desse inquérito.As condutas não podem ser juridicamente qualificadas como fake news, que não é um tipo penal existente (princípio da reserva legal: Constituição, artigo 5.º, XXXIX: “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação penal”).Veja Também:

Coragem para assumir riscos
A gravidade dos vícios de origem do inquérito tem sido
unanimemente apontada por vários juristas, procuradores e estudiosos do
Direito. A relativização disso em face de um problema que se procura combater
significa, neste caso, o abandono completo do princípio de que os fins não
justificam os meios.Se apenas por que o pretenso “inimigo” é alguém cuja conduta
se considera muito reprovável nos damos ao luxo de abandonar, não meras regras
processuais mas princípios basilares da Justiça, impomos não uma vitória contra
o erro, mas uma derrota ao Estado Democrático de Direito.Não se combate fake news com censura ou tutelas do Estado, pois isso pode atingir diretamente a liberdade de expressão. Quem vai dizer o que podemos ou não consumir? Quem vai definir o que é ou não fake news? O Estado?  Transferir para o Estado a tutela da liberdade é muito perigoso. Fake news se combatem não com menos informação, mas com mais informação, e informação mais qualificada. A liberdade de expressão é o oxigênio da democracia.

A omissão nossa de cada dia

Por Renato Sant'Ana

          Ainda são muitos os que têm uma atitude perante a vida que pode ser traduzida assim: "Alguém tem que fazer alguma coisa!"
          "Alguém"? Mas, por que não "eu"? Por que não "nós"? Por que não "todos"?
          Que uma criança abra o berreiro quando não tem suas necessidades satisfeitas é de todo plausível: ela ainda não tem autonomia para bastar-se a si mesma.
          Agora, que adultos só reclamem e não tenham iniciativa, sem se perguntar "O que posso eu fazer para ajudar a que as coisas mudem", ficando naquelas de "já sou do bem", é, no mínimo, debilidade moral.
          Há pelo menos cinco anos, circula apócrifo o texto abaixo transcrito. Mas nunca foi tão oportuno como nestes dias em que, além doutras agressões a valores da democracia, há brasileiros sendo presos por suas manifestações políticas, ao passo que uns quantos aplaudem o arbítrio.
          "Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados", diz Edmund Burke. E é o lema desta coluna.
O texto:
          No primeiro dia de aula, o professor de "Introdução ao Direito" entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
          - Qual é o seu nome?
          - Chamo-me Nélson, senhor.
          - Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor.
          Nélson pareceu desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala. Todos estavam apreensivos e indignados. Mas ninguém falou nada.
          - Agora sim! Vamos começar - disse o professor. E perguntou: - Para que servem as leis?
          Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à pergunta:
          - Para que haja uma ordem em nossa sociedade - disse o primeiro.
          - Não! - retrucou o professor.
          - Para cumpri-las.
          - Não!
          - Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
          - Não! Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
          - Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
          - Até que enfim! É isso, para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?
          Todos começaram a ficar incomodados com aquela atitude tão hostil. No entanto, continuavam respondendo:
          - Para salvaguardar os direitos humanos...
          - Bem, que mais? - perguntava o professor.
          - Para diferenciar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...
          - Ok, não está mal, porém respondam a esta pergunta: Agi com justiça ao expulsar Nélson da sala de aula?
          Todos ficaram calados. Ninguém respondia. Parecia faltar coragem de enfrentar àquele simulacro de autoridade.
          - Quero uma resposta decidida e unânime!
          - Não! - responderam todos a uma só voz.
           - Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
          - Sim!
          - E por que ninguém fez nada a respeito? Para que é que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Agora, vou buscar o Nélson- disse. - Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail sentinela.rs@uol.com.br

Curriculum Vite Brasiliensis

Astor Wartchow
Advogado
Escândalos. E mais escândalos. É como buffet, é só escolher o prato do dia. Pode ser "rachadinha", auxílio emergencial, respiradores, e, vejam só, até currículo pessoal.
Mesmo de menor valor ou conseqüência social, delitos comportamentais não deixam de traduzir uma índole suspeita. Faz tempo, estamos a merecer um apurado estudo de caráter sociológico/psicológico, de modo a esclarecer e complementar teorias sobre o caráter do povo, sobre a natureza (a)ética do brasileiro.
Parênteses histórico. Ensinamentos do mestre Raimundo Faoro (1925-2003), em sua obra clássica, Os Donos do Poder. À época da colonização portuguesa, relembrando, há registros sobre o desembarque de nobres, funcionários públicos, soldados e criminosos. Quase todos solteiros e interessados em grana fácil.
À administração colonial e ao aparelhamento burocrático-estatal é atribuído a responsabilidade pelo nosso subdesenvolvimento. A sociedade de então se adaptou a esta estrutura. Consequentemente, o fruto dessa deformação e adaptação social é o “jeitinho brasileiro”.
Com o passar do tempo, lei e ordem passaram a significar pouco, quase nada. Fraudes, falsificações, desrespeito a contratos, entre outros exemplos, são atitudes que não sofriam reprovação social.
Hoje, não faltam notícias e episódios diários que relacionam a conduta do brasileiro ao famoso estigma de “querer levar vantagem em tudo”. Inúmeras dessas fraudes são praticadas por autoridades e servidores públicos, em conluio com pessoas do povo e da própria comunidade.
Detalhe. Mas nunca o suficiente para inibir a tentação e o oportunismo. Flagrados, abusados e reincidentes, depois da primeira mentira, sucedem-se as demais.
São comportamentos e reações tipicamente humanos. Afinal, ninguém gosta de ser confrontado, de ser chamado a dar explicações, ou, em casos mais graves, de ser acusado.
De um modo ou de outro, a seu tempo, maneira e circunstância, seu autor provavelmente responderá por seus atos e conseqüências. A começar pelas relações pessoais.
Mas quando se trata de questões públicas, que afetam a comunidade como um todo, e cujo ônus, em geral, corre à conta dos cofres e do dinheiro público, isso nem sempre fica claro, urgente e responsabilizável.
Ou porque a autoria, o ato e sua conseqüência são realmente duvidosos e/ou discutíveis, ou porque não é do interesse de alguns o respectivo questionamento.
Logo, esses fora-da-lei e seus parceiros são tão abusados que eu nem sei o que é mais ofensivo para o cidadão, o ato de roubar ou sua ousadia em nos ignorar e desrespeitar! 

Cade libera pagamento por WhatsApp

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) revogou a decisão que suspendia a oferta de pagamento pelo WhatsApp. A superintendência geral da entidade reviu a medida cautelar anunciada na semana passada após analisar as informações prestadas por Facebook e Cielo, parceiras no projeto. Todavia, o lançamento do serviço ainda depende de autorização do Banco Central.
O Cade havia proibido o lançamento do pagamento por WhatsApp no Brasil por receio de que houvesse um acordo de exclusividade entre Facebook e Cielo, o que poderia aumentar ainda mais a concentração no mercado de redes de aquisição e processamento de pagamentos, hoje liderado pela Cielo, com 41% de market share. As duas empresas, por sua vez, argumentaram que seu acordo não envolve uma fusão, aquisição de participação societária ou de ativos, incorporação ou criação de consórcio ou joint-venture, e que não são concorrentes em nenhum mercado relevante objeto do contrato.
Com base nas informações prestadas pelas empresas, a superintendência geral do Cade concluiu que o acordo entre Facebook e Cielo não pressupõe exclusividade. Em comunicado à imprensa, a autarquia explicou: “Após análise das informações apresentadas, a superintendência geral concluiu que a operação, em tese, possibilita a participação de outros agentes do setor, e que não há, por exemplo, limitações para que a Cielo preste seus serviços a concorrentes do Facebook que pretendam ofertar serviço semelhante. Também não haveria restrições a credenciadoras concorrentes para que forneçam ao Facebook os mesmos serviços prestados pela Cielo.”
BC
A bola agora está com o Banco Central, que também na semana passada ordenou a suspensão do serviço para que seus efeitos sobre o mercado de pagamentos possam ser analisados, além de exigir uma autorização para a sua liberação. Conforme apurou Mobile Time, não há prazo para que essa avaliação seja concluída. O mais provável é que o pagamento por WhatsApp só seja liberado após o lançamento do PIX, serviço de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo BC. Não está descartada a integração do WhatsApp ao PIX. O Facebook não se cadastrou para participar do lançamento em novembro, mas a Cielo, sim. Vale ler aqui as principais semelhanças e diferenças entre os dois serviços.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Governo do RS pagará nova parcela de salários dos servidores do Executivo. Será hoje..

O Tesouro do Estado pagará nesta terça-feira (30/6) nova parcela, no valor de R$ 3.750, referente ao salário de maio do Poder Executivo. O novo depósito, que estava previsto para o dia 10 de julho, representa a quitação total para quem ganha líquido até R$ 6.750 (87% dos vínculos) e o pagamento desse valor aos demais que têm rendimentos acima dessa quantia.
A reprogramação do calendário foi possível porque as perdas de arrecadação de junho não se confirmaram no volume previsto. Inicialmente, a Secretaria da Fazenda projetava queda de arrecadação bruta de R$ 700 milhões. Os números foram revistos e as perdas brutas (incluindo as parcelas municipais) devem ficar em torno de R$ 540 milhões.
Com essa nova projeção, o Tesouro do Estado também garante a quitação total da folha de maio para o dia 10 de julho, três dias antes do inicialmente previsto, sem precisar utilizar recursos da segunda parcela do auxílio federal (Lei Complementar 173).
“Sempre foi nosso compromisso que, havendo margem financeira, anunciaríamos novos depósitos. Com a queda de receitas menor do que o esperado em junho, é possível avançarmos no pagamento da folha de maio em relação ao que se previa, embora ainda enfrentemos um momento de grande instabilidade da economia”, afirma o secretário da Fazenda, Marco Aurelio Cardoso.

Calendário de junho
A Secretaria da Fazenda projeta perda bruta de arrecadação em julho de cerca de R$ 450 milhões em relação ao projetado para o período, o que representaria a continuidade da desaceleração das perdas, embora ainda sejam valores expressivos.
O Tesouro do Estado espera dar início ao pagamento dos salários de junho do Poder Executivo no dia 13 de julho, data em que deve ingressar no caixa do Estado a segunda parcela do auxílio federal destinado à recomposição de perdas de arrecadação dos Estados decorrentes da crise da Covid-19.
Nesse dia, prevê-se o depósito para o grupo de servidores que recebem líquido até R$ 1,5 mil, quitando a folha para 23% dos vínculos. Os pagamentos seguintes, para todos os servidores que recebem acima de R$ 1,5 mil, serão no sistema de parcelas. O primeiro depósito em parcelas deverá ser em 14 de julho, no valor de R$ 2,2 mil, representando assim a quitação de 45% dos vínculos.
Em seguida, seriam feitos depósitos nos dias 31 de julho (R$ 800, quitando salários até R$ 3 mil, no qual se enquadram 58% dos vínculos) e em 12 de agosto, ocasião em que se quitaria a folha, em princípio sem precisar utilizar os recursos da terceira parcela do auxílio federal, que deverá entrar no caixa do Estado ao longo desse mesmo dia.

13° salário
A sexta parcela do 13° salário de 2019 também será depositada nesta terça-feira (30/6) na conta de todos os servidores do Poder Executivo.
Texto: Ascom Sefaz
Edição: Secom

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Artigo, Rodrigo Constantino, Zedro Hora - Rebeldes sem causa

"Quando seu bisavô lutou contra escravocratas e os radicais da Klu Klux Klan, quando seu avô lutou contra nazistas e comunistas, e quando seu pai conseguiu prosperar por esforço próprio, deve ser muito duro constatar que sua grande “causa” é colocar um homem dentro de um banheiro feminino!

O mundo é um lugar hostil, o default é a miséria e o tribalismo, o desafio é superar tal condição. A escravidão foi a regra durante séculos, e graças aos valores ocidentais chegou ao fim – mas não em todos os lugares. Ideologias totalitárias como o nazismo e o comunismo derramaram rios de sangue no século XX, e jovens foram enviados para lutar em outro continente para preservar a liberdade. Que coragem! Que sacrifício!

Aí o sujeito de 20 anos, bancado pelo pai, estudante de uma universidade que custa os olhos da cara, descobre que é a melhor alma que já vagou pela Terra porque marcha ao lado do Black Lives Matter, grupo marxista, derrubando estátuas de Washington ou Colombo. A elite branca culpada cospe em policiais negros em nome do combate ao racismo. Seria até cômico, não fosse tão trágico.


A culpa é dos pais, que não souberam impor limites, e dos professores e da mídia, que estimularam uma narrativa invertida que faz o aluno se sentir vítima de um legado terrível e opressor do “homem branco malvado”. Em vez de ser grato por viver na era mais próspera e livre da história, essa turma busca “lugar seguro” contra “microagressão”, sentindo-se ofendida por tudo e demandando reparações e privilégios.

“A cultura em muitos campi universitários tornou-se mais ideologicamente uniforme, comprometendo a capacidade dos scholars de buscar a verdade e dos alunos aprenderem com uma ampla gama de pensadores”, constatam Greg Lukianoff e Jonathan Haidt em “The Coddling of the American Mind”. Os autores apontam a excessiva fragilidade das novas gerações, moldadas nas universidades e nas redes sociais, que criaram uma “cultura de denúncia” que serve para constranger publicamente quem não reza da mesma cartilha politicamente correta.

Em vez de aprender com a história, querem apaga-la. São mimados e ingratos em busca de um pretexto para destruir. Rebeldes, mas sem causa."
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/rebeldes-sem-causa/
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Artigo, Astor Wartchow - Voto Facultativo Extraordinário

Advogado
OAB-RS 25837
Desnecessário repetir os fundamentos legais e históricos que determinam a obrigatoriedade do voto em todos os níveis do processo eleitoral. Aliás, este tema (a obrigatoriedade do voto) tem sido evitado estrategicamente pelo Congresso Nacional.
Explico: possivelmente, a liberação desta obrigação desnudaria matematicamente a realidade acerca dos níveis de prestígio dos parlamentares, sejam vereadores, deputados ou senadores. Talvez, menor risco corressem os candidatos majoritários.
Todavia, invoco o tema da obrigatoriedade neste momento haja vista o debate instalado acerca de prorrogar ou não os atuais mandatos, adiar ou nao adiar as próximas eleições municipais. 
Logo, neste sentido, desejaria que fosse do conhecimento e debate dos congressistas a hipótese de alteração legal que permitisse o voto facultativo extraordinário.
Se não é adequado prorrogar o mandato de prefeitos e vereadores (e concordo com esta inconveniência), e ainda que se prorrogue a data das eleições para novembro, não há o mínimo clima para levar alguém às urnas.
Justifico. Este vírus ficará muito tempo entre nós, à espera de uma vacina. Mesmo que sob corretos argumentos e necessidades hospitalares, isolamentos e quarentenas apenas estão postergando a contaminação e consequente esgotamento de sua capacidade viral.
Mesmo que importantes dentro do processo institucional, as eleições municipais não têm a mesma dimensão das demais, e nem serão indicadores demonstrativos expressivos de eventual desgaste das autoridades estaduais e federais.
Em síntese, que vá às urnas quem deseje, quem considere importante seu voto, seja em relação às questões locais que julgar valiosas e urgentes, seja em relação a eventual amigo e candidato a vereador e/ou prefeito, e/ou seu  partido político predileto.
Dito de outro modo, obrigar alguém a votar neste momento seria um absurdo. E não basta reduzir a idade a partir da qual desobriga o voto (há proposta fixando em 60 anos; hoje está em 70 anos).
O problema é o constrangimento legal. Afinal, não afirmam que o que importa é a vida? Logo, uma obrigação formal (obrigação de votar), ainda que cívica, não pode se sobrepor ao direito de preservar a própria saúde. E nem vou falar do sentimento de medo que a todos contaminou!

Calendário


domingo, 28 de junho de 2020

Artigo, Renato Sant'Ana - Será que o Amapá vai reagir ?

         A maioria dos brasileiros não sabe onde fica o Amapá. Entre os mais jovens, então, Brasil afora, muito poucos sequer sabem que ele existe. E as causas de tal desconhecimento são várias. Mas, entre estas, há uma que, como veremos, pode ser superada pelo povo amapaense.
          Desmembrado do Pará, o Amapá virou território em 1943. E adquiriu autonomia como Estado em 1988: faz 32 anos. Autonomia?
          Com status de território federal, ele era mantido pela União com o dinheiro dos impostos que, do Oiapoque ao Chuí, todo mundo paga. Virando Estado, deveria viver dos próprios recursos. Porém, segundo a historiadora Maura Leal da Silva, o Amapá segue sendo sustentado com o suado dinheirinho de todos os brasileiros. E por que não decola?
          Em parte, explica-se pela qualidade de seus representantes em Brasília, para os quais a política é um negócio, incapazes que são de planejar o futuro do Estado. Nesses 32 anos, por exemplo, o Amapá deu três mandatos de senador a José Sarney, que nem amapaense é e nunca morou lá. E que, ao se aposentar, deu lugar a Davi Alcolumbre, que é réu em vários processos - coisa que, tudo indica, os amapaenses não sabem.
          Só no STF (Supremo Tribunal Federal), Alcolumbre é investigado em dois inquéritos por crimes eleitorais, contra a fé pública e uso de documento falso. Um deles (n. 4677) traz detalhes da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal do Amapá, apontando irregularidades em sua campanha de 2014. Um segundo corre em segredo de Justiça. Há outros.
          Mas, além de ruim para o Amapá, ele faz mal ao Brasil: hoje, Alcolumbre preside o Senado, exatamente o órgão legitimado para fiscalizar a conduta do STF. Ocorre que, usando anomalias regimentais, ele engaveta qualquer processo contra a Suprema Corte. Chegou ao ponto de dar uma espécie de habeas corpus preventivo aos ministros.
          Sim, em 13/04/19, entrevistado pelo Estadão, ele garantiu que vai usar a sua atual condição de presidente do Senado para barrar qualquer reclamação contra ministros do STF (como tem feito). É como se um juiz desse uma sentença antes de conhecer as razões das partes.
          E como se conduz o STF? Em outubro de 2019, entrevistado por Rogério Mendelski, então na Rádio Guaíba, Porto Alegre, o Sen. Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que o presidente do STF, Dias Toffoli, costuma ir ao Senado para "conversações" - leia-se "defender interesses difusos".
          Com efeito, o STF faz o que bem entende. Até já proibiu a polícia de entrar numa área conflagrada do Rio de Janeiro, atropelando o executivo local e fixando área livre para bandidos. Agora, violando a Constituição e parodiando o AI-5, instaurou o famigerado "Inquérito das Fake News", fazendo papel de polícia, de Ministério Público e de julgador, acumulando uma penca de atos ilegais.
          O mecanismo é este: Alcolumbre tem, contra si, processos que gostaria de trancar até prescrever. E aquele que poderá vir a julgá-lo, Dias Toffoli, é dado a frequentar gabinetes do Senado.
          Alcolumbre é, pois, fiador do pior que pode suceder ao país: a ditadura da toga. E vale recordar a advertência de Rui Barbosa: "A pior ditadura é a do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer." E é o que se está desenhando no Brasil. Até quando?
          Para Alcolumbre, porém, está bom. Como a maioria dos seus pares, ele vive para o autointeresse: o Amapá só serve para, nas urnas, garantir-lhe o mar de rosas do Senado; e a vassalagem ao STF alimenta-lhe a expectativa de ficar livre dos processos.
          Hoje, o melhor que pode acontecer para fazê-lo parar de enganar o eleitor e de causar danos ao Brasil é o povo amapaense, que lhe deu procuração para "operar" em Brasília, reagir e dizer "basta!" a seu descompensado egoísmo e à sua mal dissimulada esperteza.
          A palavra-chave para a superação do Amapá (o seu salto para o futuro) é "protagonismo". E seria um bom começo o povo nas ruas, dando limites a Alcolumbre, o que serviria de recado também para os demais políticos.
          Só falta saber se o amapaense está a fim de escolher entre "ser dependente" e "ser protagonista", quer dizer, entre "seguir ignorado" e "entrar de vez no mapa do Brasil".

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: sentinela.rs@uol.com.br

sábado, 27 de junho de 2020

Artigo, Alon Feuerwerker, FSB - Missão nada trivial

O Datafolha  e o DataPoder360 , com metodologias diferentes, dão o mesmo resultado: Jair Bolsonário estável em seu cerca de um terço de fiéis (ótimo+bom), com a coluna regular algo emagrecida em favor do ruim+péssimo.
Um quadro com jeito de parado neste momento.
Há algumas movimentações, como certa troca que o presidente faz de um eleitorado de maior instrução por um de menor. Mas tampouco é tendência aparecida agora. E era até esperado.
Se um governo tem políticas para os mais pobres isso se reflete na popularidade. Até onde Bolsonaro avançará nessa camada social?
Será suficiente para contrabalançar a corrosão que parece progressiva na outra ponta do espectro?
E a pergunta mais importante. Considerando que o chamado auxílio emergencial é insustentável no tempo no volume atual, conseguirá a política econômica produzir crescimento e prosperidade saudáveis em prazo suficientemente curto para que a transição seja suave?
E portanto sem perda de capital político? Uma missão nada trivial para a equipe econômica

Brasil terá vacina contra o vírus chinês. Serão 100 milhões de doses para começar.

O governo anunciou neste sábado uma parceria para produzir 100 milhões de doses da vacina contra o coronavírus que é desenvolvida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido. “Fomos convidados e assinamos uma carta de intenções”, disse o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco. O governo está organizando o cumprimento de sua parte  do acordo, segundo ele.

A vacina desenvolvida pela instituição britânica com o laboratório AstraZeneca está começando a ser testada em humanos. O Ministério da Saúde afirma que essa é a vacina mais promissora entre as que estão em estudos no mundo.

O acordo custará US$ 127 milhões (cerca de R$ 700 milhões na cotação de 27 de junho), segundo a pasta. Inclui a produção, no 1º momento, de cerca de 30 milhões de doses e transferência de tecnologia. Essas doses serão feitas no Brasil, com insumos importados.

O negócio embute 1 risco. Existe a possibilidade de a vacina não ter eficácia comprovada. “Numa encomenda tecnológica, no desenvolvimento de uma encomenda tecnológica, existe risco”, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros.

Ele afirmou que, caso a vacina não possa ser aplicada em pacientes, o dinheiro não é todo perdido. A transferência de tecnologia e o conhecimento adquirido poderiam ser aproveitados de outras formas.

“É possível que até outubro ou novembro tenhamos dados preliminares da vacina”, disse a diretora Camile Giaretta Sachetti.

A ideia do governo é evitar que, quando a substância estiver disponível no mercado, o Brasil tenha vantagem. No início da pandemia, o país teve problemas na importação de produtos necessários para lidar com o coronavírus por causa da alta demanda mundial.

“Busca-se evitar que a população brasileira seja privada do acesso a uma vacina em tempo oportuno, uma vez que há grande demanda global”, escreveu Pazuello em ofício ao embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan. Leia a íntegra do documento (129 Kb).

As 30 milhões de doses devem ser entregues em dezembro deste ano e em janeiro de 2021, de acordo com a pasta. Arnaldo Correira de Medeiros diz que, tendo as doses, a aplicação seria realizada em no máximo algumas semanas.

Caso a vacina se mostre eficaz, poderão ser produzidas mais 70 milhões. A produção seria da Fiocruz, ligada ao ministério. O custo seria de US$ 2,30 cada dose. O IFA (ingrediente farmacêutico ativo) poderá ser feito no Brasil futuramente.

De acordo com o Ministério da Saúde, essas 100 milhões de doses seriam suficientes para cobrir todos os idosos e pessoas em grupos de risco como profissionais de saúde, indígenas, detentos e aquelas que têm comorbidades. Os locais de aplicação prioritários dependeriam de quais regiões do Brasil estiverem com mais problemas por causa da doença.

A semana silenciosa

O editor postou a postagem ao lado porque ela é reveladora do silêncio com que a mídia tradicional brasileira e até mesmo boa parte dos blogs e sites de todo gênero, trataram acontecimentos relevantes desta semana.

Oliveira Lima alinha 5 eventos importantíssimos:

- A prisão do jornalista Oswaldo Eustáquio.
-  A nomeação de um professor negro para ministro da Educação.
- A aprovação do marco regulatório do saneamento.
- A transposição do São Francisco e a chegada da água ao Ceará.

É possível alinhar mais eventos relevantes.

É isto.

"A velhofobia sempre existiu e agora está mais explícita, perversa", diz pesquisadora da UFRJ, Miriam Goldberg, 93 anos

"A velhofobia sempre existiu e agora está mais explícita, perversa", diz pesquisadora da UFRJ, Miriam Goldberg, 93 anos

Esta entrevista assinada pela jornalista Larissa Rosso é primorosa e foi publicada no jornal Zero Hora. Ele está disponível para assinantes do jornal, mesmo no formato digital. O editor é assinante e recomenda que os leitores também assinem, ainda que tenham restrições ao jornal, como é o caso do próprio editor. Leia tudo:

Pergunte a idade de Mirian Goldenberg e não se espante com a resposta: 93. Paulista radicada no Rio, a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acha perfeitamente adequado extrapolar o número em três décadas. Mirian estuda a velhice e o envelhecimento há tempo, mas, nos últimos cinco anos, sua dedicação chegou a tal nível que ela passou a se definir como “nativa” – termo da antropologia para definir os objetos de estudo do pesquisador. Ela transformou um grupo de nonagenários, com quem convive intensamente, em seus novos melhores amigos.

A antropóloga está tão envolvida com eles neste período de distanciamento social durante a pandemia do coronavírus que esta entrevista teve de ser feita em partes, por meio do envio de áudios de WhatsApp, a partir de uma solicitação dela. Seu telefone não para: está sempre falando com um e outro, compartilhando passatempos a distância, dando e recebendo apoio.

– Só vivo com eles, só converso com eles, só saio com eles, só vou ao supermercado com eles. Na quarentena, a minha vida se tornou a vida deles. Me tornei igual a eles – explica.

Mirian condena a “velhofobia” e faz um apelo: é preciso escutar os idosos.

Você estuda o envelhecimento e a velhice, convivendo com idosos há anos. Quando falávamos sobre a melhor forma de fazer essa entrevista, você comentou que tem tido muitas demandas nesse período. O que mais tem chamado a sua atenção no comportamento deles?
Tenho falado, diariamente, com de 10 a 12 homens e mulheres de mais de 90 anos. Meus melhores amigos são o Guedes, que tem 97 anos, a Thaís, 95, a Gete, 92, a Nalva, 92, o Nobolo, 96. O que percebo é que o maior sofrimento deles é não saber quando isso vai terminar. Eles tinham uma vida muito ativa fora de casa: iam ao supermercado, à farmácia, ao banco, encontravam os amigos, davam a volta na praça. Ser independente era a coisa que eles mais valorizavam na vida, e por isso eles chegaram tão bem a essa idade. Há cerca de três meses, estão se sentindo muito aprisionados dentro de casa, sabendo que não podem sair e tomando todos os cuidados necessários. O que tenho percebido, nesses meus amigos queridos, é a tentativa de fazer algo útil, produtivo, em casa. A gente conversa, faz joguinhos de palavras, de memória, o Guedes me lê ou fala de cor trechos de Os Lusíadas. Eles cantam, a Nalva me liga e toca piano, a Gete escreve orações lindas. Apesar do sofrimento, eles fazem tudo o que é possível para viver este momento de uma forma útil, positiva e produtiva. E eles têm me ajudado muito a não sucumbir ao medo, à depressão e, principalmente, ao pânico. Se não fosse essa energia e esse cuidado deles, dificilmente eu estaria fazendo tudo o que estou fazendo agora.

Quais são as principais queixas deles?
Eles estão absolutamente revoltados, indignados com a insanidade do que está acontecendo no Brasil, com a corrupção, os desmandos, a loucura a que estão assistindo. Esses dias o Guedes me ligou revoltado porque uma pessoa do governo comprou respiradores defeituosos. Isso prejudica muito a saúde mental deles porque, além da pandemia, eles estão se sentindo completamente vulneráveis à irracionalidade e à loucura a que estão assistindo. E, como assistem muito à TV e como leem muito jornal, estão acompanhando tudo. Isso provoca mais sofrimento.

Como os idosos formam o principal grupo de risco para o coronavírus, grande parte da propaganda e do conteúdo de mídia foi focada na necessidade de distanciamento social dessa faixa etária, o que gerou uma série de reações negativas na direção dessas pessoas. Frases como “vai para casa!”, quando alguém avistava uma pessoa de idade na rua ou no comércio, tornaram-se corriqueiras. Isso a surpreendeu?
Esse tipo de comportamento é o que eu chamo de “velhofobia”. É a violência, a agressividade, o xingamento, o desrespeito, a intolerância com relação aos mais velhos que vêm dos discursos de políticos, empresários, economistas. Tem também esses memes, essas brincadeiras ofensivas, desrespeitosas, agressivas. Fico horrorizada. Tenho escrito muito sobre velhofobia exatamente por testemunhar algo que sempre existiu e que agora está cada vez mais explícito, perverso e cruel.

Quase 90% da violência contra os idosos está dentro de casa. E vem de quem? Dos filhos. Em mais de 50% dos casos, são os filhos que praticam a violência: física, verbal, psicológica, abuso financeiro, xingamentos, desrespeito, negligência. A casa e a família não são esse lugar de acolhimento e amor como tantos idealizam, e isso é o que mais me preocupa neste momento.
Quando bem dosado e não ultrapassa a barreira do respeito, o humor não pode ser uma saída para suavizar as dificuldades do envelhecimento?
Geralmente, não gosto dos memes. Não acho graça, pelo menos dos que eu vi. Acho desrespeitosos. Sempre acho que algo, para ser engraçado ou para as pessoas acharem que é realmente uma piada legal, todo mundo tem de rir. Não estou rindo e não estou vendo os mais velhos rirem. Até agora, não vi nada que me parecesse motivo para as pessoas rirem. Vejo essas brincadeiras como um tipo de violência que não faz nada bem, nem aos mais velhos, nem a quem quer proteger e cuidar dos mais velhos.

Sofremos restrições de deslocamento e comportamento há cercade trêsmeses. Os idosos estão mal informados? O que justifica a insistência de um número significativo deles em sair de casa ou sair sem máscara?
Não é verdade que há um número tão significativo assim de pessoas idosas desrespeitando o isolamento. Tem muito, muito, muito mais jovens desrespeitando. Aí eu acho que não é uma questão de idade, mas de valores, de postura, de desrespeito com todos. Cada um que está se expondo ao vírus não só pode se contaminar como pode contaminar muitos outros. Esse é um comportamento de total desrespeito à vida humana. Não concordo que são os velhos que estão fazendo isso. Se existe um ou outro que faz isso, estatisticamente, não representam a maioria dos que estão se cuidando e, na maior parte das vezes, até cuidando dos mais jovens. Não se pode esquecer de que esses velhos, principalmente os “meus”, que já têm mais de 90 anos, têm filhos de 60, 70 anos. Eles são responsáveis e estão cuidando não só deles, mas também dos filhos, dos netos.

Pensando de forma geral, não só agora, em tempo de pandemia, mas também na normalidade: o Brasil trata mal seus idosos. Por quê?
Acompanho a violência contra os idosos, fora e dentro de casa, há quase 20 anos. Quase 90% dessa violência está dentro de casa. E vem de quem? Dos filhos. Em mais de 50% dos casos, são os filhos que praticam a violência: física, verbal, psicológica, abuso financeiro, xingamentos, desrespeito, negligência. Em segundo lugar, os netos. Quase 10% dessa violência praticada contra os velhos vem dos netos. A casa e a família não são esse lugar de acolhimento e amor como tantos idealizam, e isso é o que mais me preocupa neste momento. Quando os velhos estão em casa, alguns estão sozinhos, mas muitos estão com os filhos – não porque eles estão sendo cuidados pelos filhos, mas porque estão cuidando dos filhos, inclusive financeiramente.

Por que essa violência doméstica tem índices tão altos? Como impedir que isso se perpetue de geração em geração?
Essa violência decorre de valores disseminados na nossa cultura: o velho não serve para nada, é imprestável, é um peso. A verdade é que, hoje, os velhos sustentam grande parte das famílias, os velhos é que são produtivos, os velhos é que cuidam. A violência ocorre em função da existência da velhofobia. Os velhos são descartáveis para essas pessoas violentas, velhofóbicas. Enquanto nós não mudarmos os valores sociais e mostrarmos que não é apenas a juventude que é um valor, que é uma riqueza, que é produtiva, que é bela, que todas as fases da vida devem ser assim... Isso depende de uma transformação social. A velhofobia vai continuar existindo, a violência vai continuar existindo e os velhos vão continuar se sentindo um peso. É isso que temos de transformar: os valores sociais, os valores da nossa cultura e os valores que estão introjetados dentro de cada um de nós.

Há idosos que são infantilizados, tratados como se não tivessem mais autonomia e independência – de ação, de pensamento, de tomada de decisão. Isso também é um desrespeito com uma pessoa que tem toda uma história e, muitas vezes, muito a ensinar. O que pensa a respeito?
Os filhos têm muita dificuldade de respeitar a independência, a autonomia, a liberdade, a sabedoria dos mais velhos. Uns porque querem protegê-los e acham que sabem o que é certo e o que é errado, outros porque querem controlá-los, querem que eles obedeçam a ordens como se fossem crianças. Isso também exige uma transformação muito grande, tanto daqueles que querem controlar quanto dos que querem proteger e cuidar, porque nós precisamos escutar. Eles têm voz, sabem o que querem, sabem o que é saudável para eles. Temos de compreender, conversar e, com eles, encontrar os melhores caminhos. Não é tratando-os como crianças indefesas e sem racionalidade que vamos transformar a realidade velhofóbica que existe no país. É preciso dizer que essas brincadeirinhas, esses memes, ou mesmo pessoas que dizem “eles são teimosos, eles estão nas ruas”, isso tudo está alimentando a velhofobia, a violência contra os velhos. Não podemos tratar os velhos nem como um peso social, descartável, nem como crianças teimosas porque não é isso a verdade, não é isso a realidade, não é o que eles são. Escutar, compreender, conversar e compartilhar. Juntos. É o que nós podemos e somos obrigados a fazer, agora mais do que nunca, para combater a velhofobia e a violência contra os velhos.A gente tem de escutar, compreender, amar e cuidar. O que sinto é que cada um de nós pode fazer isso, e eles também podem fazer isso. Tenho vários amigos de mais de 90 anos que ligam para os seus amigos de mais de 90 anos todos os dias. Eles cuidam, escutam, conversam. Hoje o que mais importa é a gente mostrar que está junto, mesmo que seja por telefone, por FaceTime, por WhatsApp.

Do que mais precisam os idosos?
A gente tem de escutar, compreender, amar e cuidar, e a gente pode fazer isso por telefone, mesmo não estando presente fisicamente. O meu projeto, a minha vida nesses últimos anos – não é de agora, na pandemia –, tem sido conviver, escutar, compreender, principalmente mostrar para esses nonagenários que eles são muito importantes, muito especiais, muito amados. O que sinto é que cada um de nós pode fazer isso, e eles também podem fazer isso. Tenho vários amigos de mais de 90 anos que ligam para os seus amigos de mais de 90 anos todos os dias. Eles cuidam, escutam, conversam. Hoje o que mais importa é a gente mostrar que está junto, mesmo que seja por telefone, por FaceTime, por WhatsApp. É isso o que tenho dito para os jovens e para os mais velhos – porque eles também estão cuidando, e não só sendo cuidados. Eles podem também cuidar de muita gente.

O que você sugere para pessoas que acabaram solitárias, por afastamento ou morte dos familiares, e não contam com uma boa rede de apoio para esse momento tão difícil?
O que tenho aconselhado e o que tem dado certo é tentar se conectar e compartilhar com as pessoas que a gente ama, com os amigos. Não precisa ser só com os familiares, mas com as pessoas de quem a gente gosta, as pessoas que precisam. Conexão emocional e amorosa pode ser feita por telefone. Muitos dos meus amigos nonagenários não têm nem celular com WhatsApp e internet, e a gente se fala por telefone. Uma coisa que eles fazem e que eu faço e que é maravilhosa: ler um trecho de um livro. Pega um livro que fez bem para a alma. Tire essas pessoas da televisão, vendo notícias o tempo todo, que só massacram, que só desesperam, que só provocam pânico, e se conecte com uma música. Meu amigo Guedes, todos os dias, cantarola para mim. A Nalva toca piano para mim. Conecte-se com coisas que alimentam a alma. Se você tiver um único amigo, uma pessoa que você ama, você pode fazer dessa conexão uma forma de sobrevivência física, mental e psicológica. É isso que tenho feito o dia inteiro: uma conexão amorosa. Dentro dos nossos limites, sempre podemos encontrar alguém que a gente ama, que possa cuidar da gente. E o mais importante: que a gente possa cuidar deles. Escutar é uma forma de cuidar.

Por que é tão importante escutar os mais velhos?
A incapacidade e a falta de vontade de escutar estão disseminadas atualmente. Tenho escrito muito sobre isso. O meu livro Liberdade, Felicidade & Foda-se (editora Planeta, 2019) saiu em Portugal e vai sair agora na Coreia do Sul. Falo das coisas que pesquiso aqui no Brasil. Para você entender que essa falta de escuta não é algo só do Brasil. Estamos em um momento individualista, em que vejo as pessoas só preocupadas com o próprio umbigo, só no celular, olhando para elas mesmas, para o grupinho igual a elas, sem escuta. E sem escuta é sem aprendizado, é sem crescimento, é sem realização, porque você só fica no próprio umbigo. Quanta gente não está passando essa pandemia voltada para o próprio umbigo? Reclamando de tédio, que está chato lavar a louça, que está chato ficar em casa, que está chato cozinhar, e não está olhando para fora, e não está escutando do que as outras pessoas estão precisando. Quanta coisa a gente pode fazer agora se simplesmente escutar as pessoas que ama! É o que estou fazendo nas 24 horas do meu dia: escutando, simplesmente, os meus amigos nonagenários. Estou fazendo um bem enorme para eles, e eles estão fazendo um bem enorme para mim. Simplesmente escutando. A escuta é uma forma de crescimento, de olhar os outros de uma forma mais amorosa, de cuidar. Acho que escutar é o que as pessoas menos fazem porque elas querem ouvir a si mesmas, falar. E assim ninguém aprende nada, ninguém cresce, ninguém realiza nem pode ter um propósito na vida. A falta de escuta não é algo só do Brasil. Estamos em um momento individualista, em que vejo as pessoas só preocupadas com o próprio umbigo, só no celular, olhando para elas mesmas. Quanta gente não está passando essa pandemia reclamando de tédio, que está chato lavar a louça, ficar em casa, cozinhar, e não está olhando para fora, e não está escutando do que as outras pessoas estão precisando.

Tiraremos algo de bom dessa pandemia?
Não consigo achar que existe algo de bom porque é uma situação extremamente dramática. Mas o que vejo é que, apesar do drama, apesar do enorme sofrimento, apesar do pânico e do desespero, tem bastante gente tentando usar o seu tempo de uma forma útil, produtiva, amorosa, criativa. E tem muita gente que não está fazendo nada disso, está olhando para o próprio umbigo, reclamando de tédio, reclamando de lavar a louça, reclamando de fazer comida, odiando e destruindo coisas. Acho que agora estamos vivendo um momento muito delicado, difícil, assustador. A única forma de sobrevivência mental é tentar fazer algo positivo para quem amamos. É isso que tenho tentado fazer.

Com quantos anos você está?
Estou com 93 anos.

Não, né? (Risos.)
Pode escrever aí: 93 anos! Não tem mulher que mente a idade para menos? Desde que conheci os meus nonagenários, que foi em março de 2015, eu só vivo com eles, só converso com eles, só saio com eles, só vou ao supermercado com eles. Agora, na quarentena, só falo com eles, todos os dias. Antes, eu fazia academia de terceira idade com eles. A minha vida se tornou a vida deles. Me tornei “nativa”, como dizem os antropólogos. Na antropologia, os nossos objetos de estudo são os nativos. Desde que comecei a viver com eles, me sinto igual a eles. Penso como eles, gosto de fazer as coisas que eles gostam, gosto de fazer as coisas só com eles. Como as idades deles são 98, 97, 95, 92, 90, resolvi que tenho 93 anos já há um bom tempo. Se as mulheres podem omitir ou mentir ou ter medo de assumir a idade, eu, ao contrário, valorizo muito a idade que eles têm e que passei a ter com eles.