Em novembro, o Poder Executivo gastou R$ 232 milhões a
mais com inativos e pensionistas do que com os funcionários que tocam o dia a
dia do setor público estadual
A ampliação dos mecanismos de transparência permite
dissecar a folha de pagamento do Estado e entender por que, cada vez mais, a
crise se aprofunda. Em novembro, o Poder Executivo gastou R$ 576,9 milhões com
o pagamento de 158.838 matrículas de servidores ativos e R$ 632,2 milhões com
152.818 inativos. Com 45.244 pensionistas o gasto foi de R$ 176,7 milhões. Ou
seja: foram R$ 232 milhões a mais com inativos e pensionistas do que com os
funcionários que tocam o dia a dia do setor público estadual.
Como, até o governo de Antônio Britto, os servidores não
contribuíam para a aposentadoria (pagavam apenas uma taxa para plano de saúde
do IPE e outra para a pensão por morte), o rombo não para de crescer. Somente
os nomeados a partir de 2016 terão a aposentadoria limitada ao teto do INSS,
hoje em pouco mais de R$ 5 mil. Quem quiser receber mais do que isso na
inatividade terá de fazer um plano de previdência complementar.
A análise dessas 356.900 matrículas permite concluir que
51,92% ganham menos de R$ 3 mil líquidos. Esses 185.305 consomem R$ 338,1
milhões. O maior volume de gastos está concentrado na faixa de R$ 5 mil a R$ 10
mil, em que o Estado despende R$ 495 milhões para pagar 73.630 pessoas.
Na folha de novembro, o repórter Eduardo Santos fez os
cruzamentos e encontrou 19 pessoas com remuneração líquida acima de R$ 40 mil
no Executivo ou como pensionista do IPE. A campeã é uma pensionista que recebeu,
líquidos, R$ 95.173,34. Abrindo o contracheque dessa senhora, constata-se que o
valor bruto é de R$ 141.468,26, graças ao pagamento de uma cota retroativa de
R$ 114.171,17.
O segundo no ranking, com líquido de R$ 89.507,24, é um
inativo, procurador extraquadro do Instituto de Previdência do Estado. Por
conta de atrasados, o valor bruto no contracheque é de R$ 110.182,98.
Em terceiro lugar vem um coronel da reserva da Brigada
Militar, que recebeu R$ 68.708,36 em sua conta.
Dos 20 maiores pagamentos, oito foram para servidores
ativos, sete para inativos e cinco para pensionistas. Somente com 38 inativos
da Secretaria da Fazenda, o Estado gastou R$ 1,1 milhão em novembro. Com 34
pensionistas, R$ 1,19 milhão.
Aliás
A Secretaria da Educação gasta R$ 197,8 milhões por mês
com o pagamento de servidores em atividade e R$ 298,2 milhões com inativos. A
diferença se explica pela aposentadoria especial dos professores.