Saiba o que significa fechar o Estreito de Ormuz, segundo consulta deste blog à IA da Meta

Segundo correspondentes internacionais o porto/canal de Ormuz  no Oriente Médio já está parcialmente bloqueado, mas o bloqueio poderá ser rompido a qualquer momento pela força militar israelo-americana.

Além do petróleo e gás natural, navios carregando diversas outras mercadorias, incluindo alimentos e carnes, atravessam o Estreito de Ormuz. 

Embora o petróleo (cerca de 20% do consumo mundial) e o gás natural liquefeito (GNL) sejam os principais produtos que transitam por essa rota estratégica, o estreito é uma via de navegação comercial geral que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. 

Pontos importantes sobre o comércio não-petroleiro em Ormuz:

Importações Alimentares: Muitos países do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, são grandes importadores de alimentos, e grande parte desses produtos (incluindo carnes congeladas, grãos e produtos perecíveis) chega através de navios cargueiros que passam pelo estreito.

Comércio Geral: Navios de contêineres e navios de carga geral (que transportam alimentos, máquinas e produtos manufaturados) utilizam as mesmas rotas marítimas, especialmente o corredor de tráfego de saída.

Riscos de Bloqueio: Se o Irã bloquear o estreito, o impacto não será apenas no preço da gasolina, mas também na cadeia de suprimentos de alimentos e outros produtos essenciais para os países da região. 

Portanto, o Estreito de Ormuz é vital tanto para a energia mundial quanto para o comércio geral, incluindo o abastecimento de alimentos na regiã

𝐂𝐨𝐦𝐨 𝐞𝐱-𝐚𝐮𝐱𝐢𝐥𝐢𝐚𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐏𝐚𝐮𝐥𝐨 𝐆𝐮𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐦𝐨𝐧𝐭𝐚𝐦 𝐧𝐚𝐫𝐫𝐚𝐭𝐢𝐯𝐚 𝐝𝐚 '𝐡𝐞𝐫𝐚𝐧ç𝐚 𝐦𝐚𝐥𝐝𝐢𝐭𝐚'

Desde o fim do governo Bolsonaro, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes tem se mantido na sombra. Convencido de que não tem nada a ganhar ao responder às acusações feitas à sua gestão pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ele não deu até hoje uma única entrevista nos mais de três anos desde que deixou o cargo, apesar dos pedidos constantes da imprensa.

Seus ex-colaboradores têm seguido a mesma estratégia, mas um ex-colagorador do ministro mandou a mensagem a seguir para o jornalista Jose Fucs, pedindo para não ser identificado.


1. Gastos públicos


No governo Lula, de 2023 a 2025, o crescimento real (descontada a inflação) da despesa primária (excluídos os juros da dívida pública) chegou a 4,7%, em média, ao ano. Entre 2019 e 2022 a taxa ficou em 2,8% ao ano. Apenas para efeito de comparação, no período de 1998 a 2018 o crescimento real médio da despesa primária foi de 5,2% ao ano.


2. Despesa primária em relação ao PIB


Entre dezembro de 2018 e dezembro de 2022, houve uma redução de 1,4 ponto percentual do PIB (Produto Interno Bruto) na despesa primária, enquanto entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025 houve um aumento de 0,8 ponto percentual. Cada ponto do PIB corresponde em valores atuais a cerca de R$ 130 bilhões.


3. Despesa primária com a Previdência


Em 2025, o gasto do governo com a Previdência foi de R$ 1 trilhão. Em 2022, a despesa foi de R$ 926 bilhões —12% a menos. Em relação ao PIB, o aumento dos gastos neste quesito no governo Lula chegou a 0,8% contra uma queda de 0,5% no governo Bolsonaro.


4. Custo da máquina pública


Em 2022, o custeio da máquina pública, excluída a despesa com pessoal, consumiu R$ 60,2 bilhões, enquanto no governo Lula 3 ela chegou a R$ 72,7 bilhões —um aumento real de 20,9% em apenas três anos. No período de 2019 a 2022, houve uma redução de R$ 8,2 bilhões nos gastos com a máquina— o equivalente a 12% da despesa realizadas no governo Temer na área.


5. Restos a pagar (RAP)


Nesta rubrica do Orçamento, os valores foram de R$ 291,7 bilhões na virada de 2022 para 2023, segundo o "zap" enviado pelo ex-colaborador de Guedes. Mesmo de 2020 para 2021, no pico da pandemia, os restos a pagar atingiram R$ 303,4 bilhões. Já de 2025 para 2026, os valores rolados de um ano para o outro chegaram a R$ 391,5 bilhões —34% a mais que em 2022. Na atual gestão, os restos a pagar voltaram praticamente ao nível atingido de 2014 para 2015, no governo Dilma, um dos piores momentos da economia na história recente do país.


6. Rombo nas estatais


Em 2022, o resultado primário das estatais alcançou um superávit de R$ 6,1 bilhões, excluídos os grupos Petrobras e Eletrobras, enquanto em 2025 as empresas públicas tiveram um déficit de R$ 5,9 bilhões - uma diferença significativa de R$ 12 bilhões.


7. Dívida líquida


No período 2023 a 2025, a dívida líquida do setor público explodiu, devido à gastança sem lastro promovida pelo governo Lula. O nível de endividamento bateu recorde, atingindo 65,3% do PIB em 2025 —um salto de 9,2 pontos percentuais do PIB ou um aumento nominal de R$ 2,7 trilhões em três anos.


8. Dívida bruta


No fim da gestão de Guedes, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) era equivalente a 71,7% do PIB e fechou 2025 em 78,7% do PIB ou R$ 10 trilhões, com um aumento de sete pontos percentuais do PIB só no governo Lula. De outubro de 2020, no auge da pandemia, quando a dívida bruta chegou a 86,7% do PIB, a dezembro de 2022, houve um corte de 16 pontos percentuais do PIB na dívida pública, mas ela voltou a subir em ritmo acelerado desde 2023.


9. Taxa de juros


A taxa de juros implícita na Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou 12,7% em 2025. No total, o gasto com juros superou a casa de R$ 1 trilhão no ano passado, o equivalente a quase R$ 2 bilhões por minuto. Em 2022, a taxa de juros implícita era 10,8%, enquanto a média de 2019 a 2022 foi de 7,7% ao ano. No caso da dívida líquida, o indicador atingiu 13,8% em 2025 ante 11,6% em 2022 e uma média de 9,8% ao ano no governo anterior. Na gestão de Guedes, houve uma redução de 3,6 pontos percentuais do PIB na dívida e não um aumento significativo, como o que está ocorrendo com Lula.


10. Resultado fiscal estrutural


O indicador —que desconsidera receitas não recorrentes no diagnóstico fiscal do país e é tido como o mais adequado para avaliar resultados e entregas de governos— aponta que houve um superávit estrutural de 0,3% do PIB em 2022, mesmo dado apurado pela IFI (Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado), ante um déficit de 0,9% do PIB em 2025. Na gestão de Guedes, a variação em relação ao resultado herdado do governo Temer foi positiva em 2,3 pontos percentuais do PIB, enquanto na gestão de Haddad foi negativa em 1,2 pontos do PIB em relação ao que herdou de seu antecessor. O resultado de Haddad até agora só é melhor do que o apresentado na gestão do ex-ministro Guido Mantega na Fazenda, no governo Dilma.


Como mostram os indicadores acima, Lula e Haddad podem até iludir quem não acompanha os números de perto, ao "dourar" os dados do atual governo na área fiscal e compará-los ao seu modo com os do governo anterior. Mas, para quem tem uma noção básica dos principais indicadores relacionados às contas públicas, a narrativa petista não resiste ao teste da realidade.


Na hora que subir a rampa do Palácio do Planalto em 1º de janeiro de 2027, o próximo presidente, seja ele quem for, terá de lidar com uma bomba fiscal e com um nível de endividamento recorde que narrativa nenhuma poderá apagar.

CNN mudará de lado

 Hoje pela manhã, na sede da CNN em New York, o edifício Hudson Yards, o clima era de velório.

Mais: de pânico.

A razão: a Netflix, que defende transgêneros e a volta de Obama, esperada pela esquerda como compradora da Warner Brothers, dona da CNN, desistiu oficialmente da compra.

O motivo do pânico -que acabou indo ao ar hoje pela manhã nos noticiários da CNN e CBS- é mais do que justificado: o novo dono do maior império midiático do mundo agora é a Paramount, de David Ellison, conservador e cuja família é totalmente alinhada a Donald Trump.

A Netflix desistiu oficialmente quando sua oferta de 72 bilhões de dólares foi superada pelos 81 bilhões da Paramount.

Há muito, Trump tem rotulado a CNN como um dos veículos que mais dissemina notícias falsas nos EUA, e tem afirmado sua intenção de reformular totalmente a empresa.

A compra, evidentemente, promete demissões brutais em toda a empresa.

Trump é apoiado integralmente por Ellison, agora dono  de uma enorme rede de franquias, que inclui, além da CNN, dezenas de outras como O Senhor dos Anéis, Batman, Superman e DC Comics.

O comunicado oficial foi feito hoje pelo Departamento de Justiça americano e pela Netflix, e manchetes se alastraram pela mídia de esquerda afirmando que 'Trump e seus aliados pretendem transformar a emissora em canal pró-MAGA.'

Os reflexos dessa guinada nos rumos da mídia mundial vão se espalhar por todo o mundo, e inclusive no Brasil, onde a CNN poderá, sob uma orientação conservadora, virar uma pedra no sapato da rede globo, conhecida por seu 'jornalismo' de ocasião e alugado a quem paga mais.

Fato é que a nefasta onda woke estimulada pela esquerda, que invadiu o mundo, vai agonizar.

Para alívio do planeta, cansado desse lixo.

A própria Netflix deverá, a partir de agora, rever suas posições duvidosas, diante da realidade...e da concorrência.

Good news, especialmente no caso do Brasil, em ano eleitoral e sujeito a uma imprensa totalmente comprada por lula e seus asseclas.

Quem viver verá

Artigo, especial - O Brasil dono do Brasil

Este asrtigo é do Observatório Brasil Soberano

A história das nações que alcançaram o topo do desenvolvimento demonstra uma verdade frequentemente ignorada: a prosperidade é produto da vontade política consciente e de uma visão de Estado de longo prazo. Para o Brasil romper o ciclo de subdesenvolvimento, é fundamental abandonar a visão puramente contábil da economia e adotar uma estratégia de Estado Soberano, onde o crescimento econômico seja o meio e o fortalecimento da nação seja o fim. Ao nos resignarmos como exportadores de riqueza bruta e importadores de inteligência, aceitamos uma renúncia silenciosa à nossa autonomia. Um gigante que entrega matéria-pri ma para comprar de volta o fruto da tecnologia alheia torna-se, inevitavelmente, refém de decisões tomadas em capitais estrangeiras e de fluxos financeiros sem compromisso com o Brasil. A economia deve subordinar-se aos objetivos permanentes da nação. Isso exi ge uma hierarquia moral do dinheiro, onde o capital que realmente importa é aquele que se fixa no território, constrói indústrias e gera empregos dignos. O trabalho é o cimento da ordem social, o fundamento da dignidade humana e o pilar de sustentação da coesão familiar. São ferramentas de pacificação social e de fortalecimento da identidade do povo. Essa soberania é indissociável da se gurança pública e do controle do território. Não existe país soberano quando o Estado transfere, por omissão ou leniência, sua autoridade a facções criminosas que prosperam sob a inversão de valores. Um Estado forte protege o cidadão e trata o crime organizado como uma ameaça, aplicando tolerância zero contra quem atenta contra a lei e a ordem. Outra questão fundamental é como o produtor é tratado. Aceitar passivamente o rótulo de “celeiro do mundo” é uma sentença de estagnação que ignora que a verdadeira riqueza reside na agregação de valor. Exportar minério e petróleo bru to para importar aço e combustíveis processados é uma transferência direta de riqueza nacional para o exterior. O Brasil possui escala para dominar suas cadeias produtivas estratégicas, da segurança alimentar à tecnologia de defesa. A rein dustrialização é um imperativo de defesa nacional; em um mundo de incertezas geopolíticas, quem não fabrica suas próprias ferramentas de proteção está sob o arbítrio alheio. Precisamos superar o modelo centralizador que asfixia a produção e investir em logística — ferrovias, portos e infraestrutura moderna — que conecte o interior produtivo ao litoral de forma eficiente. Nossa matriz energética abun dante deve servir como vantagem competitiva, e não como um peso tarifário que pune quem produz. No cenário global, o Brasil deve pautar suas relações por um pragmatismo absolu to. O acesso ao nosso mercado consumidor e às nossas riquezas é uma moeda de troca valiosa que exige contrapartidas em tecnologia e reciprocidade comercial. Hoje, normas internacionais e “pautas verdes” de fachada são utilizadas como instrumentos para ferir o produtor nacional e nossa soberania sobre a Amazônia. Para termos um “Brasil dono do Brasil” só com um Estado estrategista e muscu loso —— não inchado pela burocracia — que não peça licença para crescer e que projete poder através da autossuficiência. O futuro não pode ser decidido por burocratas internacionais, mas pela nossa capacidade de converter recursos em desenvolvimento real. • Estado estrategista: Economia subordinada aos objetivos permanentes da nação, capital produtivo enraizado no território e crescimento orientado pela soberania. • Reindustrialização e valor agregado: Superação do papel de exportador de matéria-prima, domínio das cadeias estratégicas, logística eficiente e energia como vantagem competitiva. • Autoridade e autonomia: Combate f irme ao crime organizado, controle efetivo do território e política externa pragmática baseada em reciprocidade e tecnologia. Pág. 1 O Brasil precisa comandar a própria história.

Estas são as bases militares secretas da China no Brasil, segundo o Congresso dos EUA

Exército, Marinha e Aeronáutica nada comentam.

Um arquivo divulgado pelo Congresso dos Estados Unidos nessa quinta-feira acusa o Brasil, assim como outros países da América Latina, de possuírem bases militares chinesas para lançamentos especiais. A base no Brasil seria em Salvador, na Bahia, na sede da Ayla Space, uma empresa brasileira do setor aeroespacial. No documento, a base é intitulada como 'Tucano Ground Station'. Esse projeto é feito pela Ayla ao lado da empresa aeroespacial chinesa Beijing Tianlian Space Technology Co. Ltd. Seu desenvolvimento foi para analisar dados de satélites em observação da Terra para monitoramento dentro do Brasil. Além da base, outra citação é de um laboratório de radioastronomia entre Brasil e China na Serra do Urubu, que focaria no desenvolvimento de tecnologia avançada.'O laboratório se concentrará no desenvolvimento de tecnologia de ponta para apoiar a observação astronômica e a exploração do espaço profundo

Dentro do relatório, o Brasil é citado em quinze ocasiões. Algumas com outros países da América do Sul como de influência e outras vezes de forma mais específica.

Intitulado 'Atraindo a América Latina para a Órbita da China', o relatório descreve as supostas estratégias multifacetadas nas áreas diplomática, econômica, tecnológica e militar que a China tem empregado para aprofundar sua influência na América Latina e no Caribe.

Cenário econômico do RS em 2025

 Os dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul em 2025 mostram um cenário complexo e de recuperação, com forte volatilidade ao longo do ano devido a fatores climáticos e de reconstrução. 

Aqui estão os pontos principais com base nos dados disponíveis até o final de 2025/início de 2026:

Acumulado do Ano (Resultados Preliminares): Informações de fevereiro de 2026 indicaram que a economia do Rio Grande do Sul cresceu 1,7% em 2025. Esse desempenho ficou abaixo da média nacional, que foi estimada em 2,2% no mesmo período.

Volatilidade Trimestral: O ano foi marcado por grandes oscilações. Após uma queda no segundo trimestre de -2,7%, afetado pela estiagem e quebra na safra de soja, o estado teve uma forte recuperação no terceiro trimestre, crescendo 4,5% na comparação com o trimestre anterior.

Fatores de Impacto:

Agropecuária: Teve um desempenho negativo no acumulado devido à quebra de safra.

Indústria e Serviços: Lideraram a recuperação, impulsionados pela reconstrução e pela indústria de transformação (máquinas e implementos) após as enchentes de 2024, apresentando crescimento acima da média no terceiro trimestre.

Comparativo com o Brasil: Embora o resultado de 1,7% acumulado tenha ficado abaixo de algumas expectativas, o terceiro trimestre de 2025 (4,5%) mostrou o estado crescendo bem acima da média nacional (0,1%) no mesmo período. 

Portanto, o crescimento de 1,7% reflete um ano de "recuperação desigual", com a agropecuária prejudicada pela estiagem, enquanto a indústria e os serviços buscaram impulsionar a economia após os impactos das enchentes do ano anterior. 


Editorial da RBS - Investigações sobre Lulinha são um teste de solidez institucional e de maturidade política

A RBS está cada vez mais animada na sua virada de lado pela crítica ao autoritarismo do regime que sempre defendeu. Em seu editorial publicado hoje no jornal Zero Hora, a RBS atreve-se até mesmo a investir contra o presidente que ajudou a colocar no cargo.

Leia todo o editorial:

Não é de hoje que familiares de presidentes se veem envoltos em desconfianças

O avanço da investigação das fraudes no INSS sobre o filho do presidente Lula, Fábio Luis Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha, representa um novo teste para a solidez das instituições democráticas do país e para a maturidade política de expoentes do governo e da oposição. É evidente que, em ano eleitoral, a possível implicação do filho do presidente e candidato à reeleição em um escândalo bilionário tem o poder de influenciar a disputa pelo Planalto. Por isso, é crucial que o trabalho da Polícia Federal e do sistema de Justiça seja pautado por absoluta liberdade de ação e critérios técnicos que não deixem dúvida sobre a lisura das apurações e a eventual culpa ou inocência de quem integra o círculo mais íntimo do atual chefe do Executivo.

O tumulto entre parlamentares em uma sessão da CPI do INSS ilustrou o quanto as suspeitas envolvendo o filho de Lula atiçam os ânimos

Na quinta-feira, o tumulto entre parlamentares em uma sessão da CPI do INSS ilustrou o quanto as suspeitas envolvendo Lulinha atiçam os ânimos de defensores e adversários do governo. Questionamentos à contagem de votos que acabou por autorizar a quebra de sigilo bancário e fiscal do filho do presidente escalaram para um confronto físico que desonra o Congresso. Ninguém ignora que comissões parlamentares de inquérito são palco de embates partidários e interesses nem sempre republicanos, mas devem manter o mínimo de legalidade e civilidade.

O episódio teria implodido um "pacto de não agressão" entre lulistas e bolsonaristas, costurado nos bastidores, destinado a evitar convocações e quebras de sigilos sensíveis para o governo federal ou para a família Bolsonaro. Enquanto a própria existência desse tipo de acerto obscuro já é um indício de subversão do funcionamento de uma importante ferramenta da democracia, seu rompimento não deve levar ao extremo oposto: tentativas desesperadas de incriminação de parte a parte, que podem atrapalhar em vez de garantir o justo esclarecimento dos fatos.

Não é de hoje que familiares de presidentes se veem envoltos em desconfianças. No final do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) reabriu investigação para averiguar se Jair Bolsonaro, durante o mandato, atuou para interferir na Polícia Federal e barrar apurações envolvendo filhos e aliados. 

Entre os governistas, já há quem questione a "lealdade" do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao Palácio do Planalto por ter solicitado ainda em janeiro a quebra do sigilo de Lulinha – concedida em segredo pelo ministro do STF André Mendonça antes da confusão na CPI. Outra ala palaciana respalda Rodrigues sob justificativa de que o próprio presidente defende as averiguações.

Opinião do editor - O papel pedagógico das redes sociais no caso do desembargador mineiro

Foi exemplar a reação inicial das redes sociais ao denunciarem a decisão inaceitável do desembargador Magid Nauef Láuar, ao absolver um acusado de estuprador em Minas, alegando que a relação dele com a menina de 12 anos foi consentida e que eles estão casados. O magistrado foi afastado do cargo pelo CNJ e, ontem, agentes da Polícia Federal (PF) fizeram buscas e apreenderam objetos no gabinete de Láuar na sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Ele também foi denunciado como assediador sexual (CLIQUE AQUI para ler as denúncias).

O papel das redes sociais foi pedagógico.

Não tem por que ser tolerante com estuprador de crianças. Lugar de estuprador de crianças é na cadeia. A pena de morte é com seus companheiros de cela.

A sentença do desembargador fere frontalmente o Código Penal, que estabelece que a conjunção carnal ou a prática de atos libidinosos com menores de 14 anos configura estupro de vulnerável. Contraria também a Súmula 593, que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) publicou em 2017, estabelecendo que a prática de atos sexuais com menores de 14 anos é crime, sendo irrelevante o eventual consentimento da vítima, o fato dela ter algum tipo de relacionamento amoroso com o estuprador ou ter sido abusada anteriormente.

Depois da reação, Magid Nauef Láuar recuou, mas era tarde.


Empreendedores gaúchos lançam Puerto Madero em Jurerê

A incorporadora CBA Empreendimentos, fundada por Cíntia Pereira e Vinícius Billmann em Cachoeira do Sul (RS) mas que hoje tem sede em Florianópolis (SC), acabade lançar o Puerto Madero, com plantas lineares e duplex, layout sofisticado e unidades com precificação média de US$ 7.000 por metro quadrado.  60% das unidades  já foram comercializadas, sendo 40% delas adquiridas por estrangeiros da Argentina, Alemanha, Estados Unidos e Portugal. O lançamento da Companhia CBA Empreendimentos fica em Jurerê, no terreno quadrilátero que fica a apenas 150 metros da praia. 

“O Puerto Madero materializa nossa visão de alto padrão com identidade e propósito”, afirma a presidente da Companhia CBA, Cíntia Pereira. “Florianópolis é uma ilha dos sonhos e Jurerê é a cereja do bolo”, completa.

Florianópolis é uma das cinco cidades com maior valor do metro quadrado no Brasil. 

O projeto Puerto Madero, segundo o nome, é inspirado no bairro argentino Puerto Madero.

Com conceito de casas suspensas, os apartamentos têm de duas a quatro suítes e medem entre 80m² e 292m².

A arquitetura leva a assinatura de Leo Maia, que propõe traços precisos e releitura contemporânea do clássico.

Os interiores são assinados por Taty Iriê, com foco em sofisticação, funcionalidade e acolhimento. O paisagismo é da JA8, de Juliana Castro e Clarice Wolowski, referência nacional em street scape e placemaking, com criação de espaços voltados à permanência e convivência.

CBA: estrutura, governança e expansão

Composta pelas empresas CBA Empreendimentos e Viva Corp, a Companhia CBA foi criada em 2015 por Cíntia Pereira e Vinícius Billmann. Com 10 empreendimentos e 600 chaves entregues, tem ainda nove canteiros ativos, totalizando 1.500 unidades em obras. Com a marca CBA Empreendimentos, atua no segmento de luxo e superluxo, atraindo compradores de todo o Brasil e do exterior. Já a Viva Corp desenvolve projetos de alto padrão para o público jovem e aspiracional dos níveis 3 e 4 do programa Minha Casa, Minha Vida. 

Com mais de 120.000 metros em construção e VGV de R$ 1,03 bilhão em 2025, a Companhia CBA trabalha com a expectativa de triplicar nos próximos três anos, a depender da absorção do mercado. Para isso, está ancorada em governança sólida, opera com processos desenhados com a Falconi Consultoria, auditoria da PwC e presença no mercado de capitais. Também está entre as maiores incorporadoras em atuação junto à Caixa Econômica Federal, assegurando transparência, liquidez e segurança nas entregas.



Artigo, Geraldo Pereira Jot5z - Os efeitos da maçã

Geraldo Pereira Jotz*

* Médico e Professor Universitário. Titular do CORLAS (Collegium Oto Rhino Laryngologicum Amicitiae Sacrum). 

Email: geraldo.jotz@terra.com.br

O efeito da "maçã podre” no poder público está intimamente ligado ao impacto corruptor que contamina todo o sistema (cesto). Comportamentos inadequados influenciam negativamente o conjunto, espalhando a corrupção ou ineficiência, exigindo ação rápida da gestão para evitar o apodrecimento generalizado. Assim como o gás etileno acelera o apodrecimento das frutas, um funcionário público ou político corrupto influencia negativamente aos demais, gerando uma cultura de “vícios”, distanciando-se das virtudes. A responsabilidade não é apenas da "maçã" (agente), mas da liderança que a mantém. Quando a "maçã podre" está no alto escalão, cabe à sociedade utilizar-se de instrumentos democráticos para promover a “limpeza da fruteira". Não é só a fruta apodrecida que deteriora o todo, mas também a omissão de quem não a remove. O silêncio de alguns poderes da República e dos Estados Brasileiros os compromete: ou por concordarem ou por não terem a coragem devida de, democraticamente, discordar. Cabe lembrar que subordinação não significa subserviência, pois pode vir a confundir-se com conivência. A promoção da retidão na sociedade visa alcançar os mais altos princípios éticos e morais nas ações pessoais e, consequentemente, na convivência social. Quando se observa o Brasil na atualidade, algumas instituições destacam-se sobremaneira e, dentre elas, a Polícia Federal, um órgão de Estado, desenvolvendo seu papel constitucional, com olhar atento no combate a corrupção, independente da esfera de poder. Como especialista na área da voz, posso afirmar que a maçã, por ser rica em pectina, atua como adstringente, limpando a faringe e a boca, reduzindo as secreções que dificultam a vibração das pregas vocais. Talvez esteja faltando o efeito adstringente da maçã nas notáveis e marcantes vozes do nosso país.  Atribui-se a Martin Luther King uma frase sempre atual: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. Onde estão as “memoráveis vozes” das instituições Brasileiras?


Artigo, especial, Claudia Woellner Pereira - Intimidação fantasiada de cultura

No quesito originalidade, a escola de samba Acadêmicos de Niterói entrou na avenida derrotada. Por quê? Perseguição a cristãos não é novidade, é coisa antiga. Foi assim desde o princípio. Atirados a covas de leões, queimados, crucificados, mutilados. O que mudou de lá pra cá? O método de perseguição e cancelamento, cada vez mais fantasiado de cultura, liberdade e justiça.

Na China, Coreia do Norte, alguns países africanos e do Oriente Médio expressar publicamente a fé cristã é considerado ato criminoso sujeito aos tipos mais sórdidos de punição: confisco de bens, perda de nacionalidade, prisão, tortura, mutilação, estupro, morte.  Horrores que não se restringem ao Oriente:  já estão presentes em países da América Latina, como Cuba, Nicaraguá, conforme relata documento da ACN (sigla inglesa para Fundação Pontifícia da Igreja Católica Ajuda à Igreja que Sofre), organização que monitora os avanços da afronta a direitos humanos e perseguição a cristãos no mundo.

Os países que acirram a perseguição a cristãos estão reconhecidamente sob regimes ditatoriais. Mas o que esperar de países que se disfarçam de guardiões da liberdade enquanto encarceram o pensamento e o espírito do povo?  

O desfile de Carnaval 2026 no Brasil escancarou uma prática cada vez mais agressiva: o uso da cultura como instrumento ideológico. Primeiro, a escola Acadêmicos de Niterói assassinou a história do país com inverdades, deboches e sarcasmo. Setores produtivos do país foram desqualificados. Depois, os cristãos foram retratados como se fossem o atraso da espécie humana.

 Tomar o Carnaval 2026 por pura festa e diversão é renunciar à capacidade de pensar e criticar a realidade. O que fica ainda mais grave se o folião se disser cristão. Andarão dois juntos se não estiverem de acordo?, está escrito em Amós 3:3, e Acaso podem brotar da mesma fonte água doce e água amarga?, traz Tiago 3:11. Apenas dois pequenos lembretes que deveriam acender o desconfiômetro de qualquer cristão. Comprar a fidelidade de um cristão com benefícios sociais emitidos por gente que ataca a fé cristã, a vida humana, os valores da família, por gente que exige liberdade e respeito, mas que não oferece o mesmo tratamento aos outros, é igual a engordar o peru durante todo o ano para destrinchá-lo e devorá-lo no fim do ano.

A avenida e trens elétricos foram intencionalmente transformados em palanques adiantando o período eleitoral. E o aviso foi explícito: bombardear a bancada da Bíblia. Desperta, ó tu que dormes, diz em Efésios 5:14. Ingenuidade, omissão, indiferença e alianças equivocadas põem em risco o país e a liberdade que ainda existe. É tempo de escolher com visão e estratégia.



Artigo, Ricardo Breier - A toga não é salvo-conduto: o caso Banco Master e os limites do Supremo

Este artigo foi originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo

O autor é advogado, ex-presidente por duas vezes da OAB do RS e ex-diretor para defesa das prerrogativas dos advogados na OAB Nacional. 

A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira de Carnaval, mandados de busca contra agentes públicos de diferentes órgãos investigados por suposto vazamento de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal. A operação, autorizada pelo próprio tribunal que figura como interessado direto no caso, não investiga os vínculos financeiros entre magistrados da Corte e o Banco Master. Investiga quem os revelou. O dado não é apenas circunstancial. Ele revela um momento em que a reação institucional ao escrutínio público passa a ser tão relevante quanto os fatos que motivaram esse escrutínio.

Quando a mais alta instância do Judiciário mobiliza o aparato repressivo do Estado para alcançar aqueles que expõem informações que dizem respeito aos seus próprios integrantes, a questão que se coloca já não é apenas jurídica, mas republicana: quem controla o controlador? Em que medida a proteção da instituição pode se confundir com a proteção de seus membros? E a partir de que ponto a resposta estatal ao questionamento deixa de ser exercício legítimo de autoridade para se tornar mecanismo de dissuasão?

O caso Banco Master reúne elementos que qualquer democracia madura deveria tratar com máxima cautela: contratos superiores a cento e trinta milhões de reais envolvendo familiares de ministros do Supremo e um banco sob investigação criminal, um relator afastado após relatório da Polícia Federal apontar vínculos societários com o investigado e uma nota coletiva de solidariedade divulgada antes de qualquer apuração conclusiva. O tribunal que deveria julgar o escândalo passa, inevitavelmente, a ser percebido à luz dele.

Há uma diferença essencial entre proteger o sigilo fiscal de autoridades públicas e utilizar o poder estatal para restringir o acesso a informações de evidente interesse público. A primeira hipótese é garantia constitucional. A segunda se aproxima perigosamente de censura travestida de direito. Mais do que discutir a legalidade de medidas específicas, impõe-se perguntar que tipo de precedente institucional se constrói quando a transparência passa a ser tratada como ameaça.

Democracias não colapsam apenas por rupturas abruptas. Elas se deterioram quando a instituição que deveria funcionar como último freio ao poder se converte em uma fortaleza imune ao escrutínio que impõe a todos os demais cidadãos. O Supremo exige transparência dos outros Poderes, mas trata suas próprias crises éticas como matérias internas, resolvidas por consenso ou por meio de notas à imprensa.

O risco institucional que emerge desse cenário é significativo. Quando o mesmo órgão concentra a capacidade de investigar, julgar e decidir quem será protegido ou responsabilizado, sem mecanismos externos de controle efetivo, a separação de poderes deixa de operar como princípio republicano e passa a assumir contornos de ficção jurídica. Não se trata de desacreditar o Judiciário como um todo, mas de reconhecer que o Supremo, especificamente, ocupa hoje uma zona de baixa responsabilidade institucional que nenhuma democracia consolidada aceitaria sem questionamento.

A verdadeira defesa das instituições não se constrói pela blindagem, mas pela transparência. Se não há qualquer irregularidade nos vínculos entre ministros da Corte e o setor financeiro, que isso seja demonstrado com publicidade e rigor, e não por meio de operações dirigidas àqueles que trouxeram o tema ao debate público. A dúvida prolongada corrói a credibilidade institucional de forma mais profunda do que qualquer investigação conduzida às claras.

A força de uma Corte constitucional está na confiança que inspira, não na ausência de controle. Quando a transparência é substituída pela autodefesa institucional, o risco não é apenas reputacional, mas estrutural: perde-se a capacidade de distinguir autoridade de infalibilidade.


Raízen

 Com a crise, a Raízen passa a ser observada como termômetro para o setor de bioenergia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, nas últimas semanas, uma reunião em Brasília com executivos e representantes de empresas diretamente envolvidas nas negociações para socorrer a Raízen SA, uma das maiores produtoras globais de açúcar e etanol. O encontro contou com representantes dos co-controladores da Raízen, Cosan SA e Shell Plc, além de Banco BTG Pactual SA, e também com integrantes do governo. 

A Raizen tem endividamento aktíssimo e necessidade de caixa.

Uma das discussões foi passar a Raiaen para Petrobrás, que não quer o negócio. O BNDES, que recentemente botou meio bilhão em ações da empresa, também não quer botar mais dinheiro.

As alternativas discutidas, conforme o material, incluem possíveis injeções de capital e outras medidas para estabilizar o balanço da empresa.


 O prefeito Sebastiâo Melo será um dos palestrantes que daqui a pouco falarão na 5a. edição do Infra Sul GRI 2026, que  é o ponto de encontro dos líderes que constroem o futuro da infraestrutura no Sul do Brasil. Energia, saneamento, transportes e infraestrutura social estarão no centro dos debates. Nesta 5ª edição, a agenda de discussões visa oferecer visões que possam se transformar em projetos, conectando quem decide, financia e faz acontecer. O evento durará o dia todo no Moinhos de Vento.

CLIQUE AQUI para saber o que será discutido e quem falará

CPI do Crime Organizado chama Viviana e Moraes, Toffoli e irmãos, mais Vorcaro

As convocações e cnvites são inéditas na história do STF.

A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira, a convocação dos irmaos do ministro Dias Toffoli, José Carlos e José Eutênio, além de convite para depoimento da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. O banqueiro Daniel Vorcaro também foi convocado.

Todos terão que falar sobre o escândalo do Banco Master.

Os dois ministros foram também convidados.

A CPI resolveu igualmente quebrar o sigilo fiscal da Mardit, controladora do ressort Tayayá, da família Toffoli.

Artigo, Vitor Koch - A Torre Está de Pé — Por Quanto Tempo ?

A Torre de Babel não foi apenas uma construção; foi um projeto deliberado de poder. Movidos pela soberba, homens decidiram erguer uma estrutura que simbolizava centralização, controle e autossuficiência — uma ordem construída à margem de princípios superiores e limites morais.


A orientação era clara: espalhar-se e povoar a Terra. A escolha foi outra: concentrar forças, unificar discursos e consolidar domínio. A resposta veio na forma de confusão. A ruptura da comunicação impediu que a ambição coletiva avançasse sem freios.


A semelhança é inquietantemente atual.


Falamos o mesmo idioma, contudo, o Brasil atravessa um período de ruído institucional. Normas se acumulam, interpretações se contradizem e a previsibilidade do Direito se enfraquece. A insegurança jurídica deixou de ser percepção isolada e tornou-se fator estrutural. O resultado é retração de investimentos, crédito restritivo e desconfiança crescente.


O país encerrou 2025 e iniciou 2026 com mais de 73 milhões de inadimplentes — cerca de 44% da população adulta. Juros elevados, inflação persistente e renda pressionada comprimem famílias e empresas. O risco aumenta, o capital recua e o crescimento projetado torna-se insuficiente para responder às demandas sociais.


A crise, entretanto, é mais profunda do que os indicadores revelam.


Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, raramente se observou tamanho tensionamento entre os Três Poderes. A ampliação de protagonismos institucionais, decisões de forte impacto político e a fragilidade do diálogo republicano alimentam a percepção de desequilíbrio. Quando os limites se tornam elásticos, a estabilidade deixa de ser garantida.


A polarização ideológica substitui o debate técnico. A desinformação corrói a confiança. Mudanças sociais aceleradas ocorrem sem o necessário amadurecimento institucional. Ao mesmo tempo, a sensação de impunidade e a incapacidade estrutural de resposta penal reforçam o distanciamento entre Estado e sociedade.


Babel ensina que unidade sem fundamento ético não produz grandeza, produz dispersão. Estruturas podem ser imponentes, entretanto, se carecem de limites claros, tornam-se frágeis.


O Brasil não sofre por falta de capacidade; sofre pela erosão gradual da previsibilidade, da responsabilidade fiscal e do equilíbrio institucional.


É tempo de restaurar referências, reafirmar limites constitucionais e exigir maturidade dos que exercem poder. Não há estabilidade possível quando cada ator institucional redefine, a seu modo, as regras do jogo.


Torres erguidas sobre vaidade e voluntarismo não resistem. A história é clara — e implacável.


Época de transformar nosso Brasil, antes que Deus o faça, de forma impiedosa.


Vitor Augusto Koch

Administrador 

CRA/RS 042810

Artigo, Jerônimo Goergen - A crise do agro é estrutural e exige responsabilidade estratégica

Jerônimo Goergen é presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil - ACEBRA

A crise que hoje preocupa o agronegócio brasileiro não nasceu na safra 2024/25. Ela é resultado de um ciclo que começou ainda em 2020/21, quando o setor viveu margens extraordinárias impulsionadas por preços internacionais elevados, câmbio favorável e forte demanda global. Aquele momento gerou confiança, expansão de investimentos, aumento de área plantada, aquisição de máquinas, crescimento do crédito e maior alavancagem financeira.


Entre 2021/22 e 2022/23 o cenário ainda era positivo, mas os custos começaram a subir de forma consistente. Fertilizantes, defensivos, energia, logística, máquinas e principalmente o custo do capital passaram a pressionar o Custo Operacional Total. Criou-se uma nova estrutura de despesas que não retornou aos patamares anteriores, mesmo com a posterior normalização dos preços das commodities.


A partir de 2023/24 consolidou-se um ambiente de compressão de margens, redução da receita bruta e maior restrição de crédito, revelando fragilidades acumuladas ao longo do ciclo anterior. O produtor continuou eficiente dentro da porteira, mas passou a enfrentar um cenário financeiro cada vez mais apertado fora dela.


Nas safras 2024/25 e nas projeções para 2025/26, os dados analisados pelo especialista Leonardo Machado indicam aumento contínuo do Custo Operacional Total inclusive em áreas próprias, queda da receita bruta em grande parte dos estados do Centro-Oeste e margens mais estreitas. Mato Grosso do Sul aparece como exceção pontual, sustentado por valorização superior a oito por cento no preço da soja. Goiás mantém o maior custo de produção da região, mas compensa com produtividade elevada, preservando melhor margem líquida. Já Mato Grosso registra queda superior a quarenta por cento na margem líquida, refletindo o impacto simultâneo de alta de custos e retração de receita.


No caso do Rio Grande do Sul, o cenário se agrava ainda mais. Além da pressão de custos e da redução de margens, o estado enfrenta uma sequência de eventos climáticos extremos que variam entre enchentes severas e secas recorrentes. Essa instabilidade compromete produtividade, eleva riscos, aumenta o endividamento e reduz a capacidade de recuperação financeira do produtor, tornando o ambiente ainda mais desafiador.


O quadro geral deixa claro que não enfrentamos uma crise de produção. O produtor brasileiro segue altamente produtivo e tecnificado. O que enfrentamos é uma crise de rentabilidade e de estrutura financeira. Produz-se bem, mas ganha-se menos e com maior exposição ao risco.


O momento exige disciplina estratégica, gestão técnica, planejamento financeiro rigoroso, uso de instrumentos de proteção de preço e revisão criteriosa de investimentos. Também exige ambiente regulatório previsível e políticas de crédito alinhadas à realidade do setor, especialmente em regiões mais impactadas por eventos climáticos extremos.


Compreender que a crise é estrutural e não pontual é condição essencial para evitar diagnósticos superficiais e construir soluções duradouras para um segmento que permanece como um dos pilares da economia nacional, responsável por parcela relevante do PIB, das exportações e da geração de renda no Brasil.



Artigo, especial - O recado de Porecatu

Este material é do Observatório Brasil Soberano

Porecatu, norte do Paraná. 13 mil habitantes. Estrada de terra, poeira que gruda na roupa, sol que queima o asfalto. Cidade que sustenta o Brasil com suor de verdade: soja, gado, comércio pequeno, família que acorda antes do sol nascer pra botar comida na mesa. E mesmo assim, num bar simples chamado Espetininhos e Jantinha da Nimia, o povo se reuniu. Bandeira do Brasil, camisetas verde-amarelas encharcadas de chu va, trabalhadores com mão calejada, donas de casa com filho no colo, jovens que veem o futuro fugir. Sem evento patrocinado, sem drone filmando, sem influencer cobrando cachê. Era o Brasil real dizendo: "Aqui a gente não desiste”. Isso não é romantismo. É fato. Esses encontros acontecem em centenas de cidades esquecidas: em bares de esquina, em praças sem iluminação.. Gente que sente no bolso o preço de viver em um país que maltrata sua gente, que a conta de luz não baixa, que a violência chega perto de casa. Eles não querem discurso bonito de estúdio. Querem quem aparece, ouve, age. Querem lealdade que não some depois da eleição. E é exatamente isso que está sendo cobrado das "estrelas da direita": desçam do pedestal. Priorizam o "eu" acima do "nós": carreira própria, imagem imaculada, cargo garan tido, curtidas que massageiam o ego. Pensam primeiro em resolver a própria vida e esquecem que quem age assim não melhora a vida de ninguém além da própria. Quem se omite na hora de apoiar aliado, de demonstrar união sem medo de dividir holofote, de ouvir cobrança sem bloquear ou xingar... está dividindo o movimento na prática. Crítica não é traição. Debate interno não divide — fortalece. Quando o povo pergunta "cadê você aqui na base?", a resposta não pode ser bloqueio ou acusação de "divisor". Tem que ser trabalho, presença, ação. Representante de verdade absorve o questionamento como ferramenta pra melhorar, não como ameaça pessoal. No Paraná, o caminho certo está sendo mostrado: Filipe Barros rodando o estado sem parar, fortalecendo alianças, priorizando o projeto coletivo pro 2026; é sobre somar forças pra varrer retrocessos, apoiar o escolhido, valorizar o eleitor das pequenas cidades que decidem eleições. É política: lealdade, entrega, união estratégica que coloca o Brasil acima de qualquer biografia individual Enquanto isso, certas "estrelas" aparecem esporadicamente pra posar de salva dores e se irritam visceralmente com qualquer cobrança. Reagem com aspereza, bloqueios rápidos, narrativas de "estão dividindo a direita". Fragilidade pura: con fundem mandato com adoração incondicional. Esquecem que o povo não quer ídolo — quer representante que divide o holofote, soma esforços, coloca o bem comum acima do ego. O Brasil real já está vendo tudo. Milhares de Porecatus existem por aí: cidades que produzem, que pagam a conta do país, que querem seu Brasil de volta sem retro cesso. Elas estão enxergando quem puxa o arado pro mesmo lado — e quem só posa pra foto enquanto o outro lado avança.O recado é claro e urgente, especial mente agora, olhando pra 2026: Seja base de verdade: desça pro chão, ouça as ruas, apoie os aliados sem vaidade. Ou saia do caminho: pare de preservar o ego a custo do movimento. O "nós" tem que esmagar o "eu". Existem milhares de Porecatus no Brasil. Em todas, as pessoas também estão de olho em quem puxa o arado pro mesmo lado.

Dica do editor - RS abre colheita do arroz. RS é o maior produtor do Brasil.

A 36ª Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas foi aberta oficialmente na manhã desta terça-feira (24/2), marcando o início dos três dias de programação do evento, que se estende até quinta-feira (26/2), em Capão do Leão. Estão ali 230 expositores.135 municípios gaúchos produzem arroz, evidenciando a capilaridade e a importância econômica e social da cultura no Estado. O evento ocorre na Arena de Inovação e este ano dará ênfase ao que os organizadores chamam de lavoura de carne. A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas será amanhã, 16h30min.

Produção e consumo

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do Brasil, responsável por cerca de 70% a 80% da produção nacional. O estado lidera com folga o ranking, produzindo em média mais de 7 a 8 milhões de toneladas por safra, concentradas na região sul e em áreas de cultivo irrigado. No Brasil,  produção total e o consumo chega a 10,5 milhões de toneladas, mesmo tamanho da produção. Cada brasileiro consome 34 kg de arroz por ano.

O que é produção em terras baixas

A produção de arroz em terras baixas no Rio Grande do Sul é o cultivo de arroz irrigado por inundação em áreas planas de várzea, caracterizadas por solo com drenagem deficiente. Responsável por cerca de 70% da produção nacional, o estado utiliza técnicas avançadas, alcançando recordes de produtividade, como 9.044 kg/ha. 

Artigo do editor, especial - Entenda quem são os personagens denunciados pelo relator da CPMI do INSS

O editor ouviu, viu, leu, releu e anotou cuidadosamente todo o histórico, contundente e talez o mais devastador discurso feito este ano por qualquer deputado ou senador da República.

Foi ontem, na CPMI do INSS, que investiga os ladrões que roubaram bilhões de reais de aposentados e pensionistas do INSS, entre eles figuras do mais alto escalão da República.

O relator, no caso o deputado Alredo Gaspar, abriu o discurso lembrando seus 24 anos atuando como advogado, promotor e secretário da Segurança Pública de Alagoas -

- Passei 24 anos da minha vida perseguindo bandido. E, quando imaginei que viria para a política para deixar esse passado para trás, nunca estive tão próximo da bandidagem como estou hoje. 

Mas lembgrou - 

- A mentira jamais vencerá o sol da verdade.

O deputado contou que sente ânsias de vômito diante do que acontece no atual regime autoritário comandado pelo consórcio STF+Governo do PT- 

- O Brasil vive uma época que dá vontade de vomitar de manhã, de tarde e de noite. Estamos vivendo o verdadeiro bacanal da corrupção. Não podemos mais ter feriado, não podemos ter intervalos, porque a cada dia que passa o cenário nacional se torna pior do que o anterior.

Vorcaro tem metade da república no Bolso

O deputado estava particularmente revoltado porque o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deveria ter sido ouvido, ontem, mas não foi porque não tinha jatinho para viajar.

- Eu nunca tinha ouvido falar desse cidadão chamado Vorcaro. Não sabia que ele tinha metade da República no bolso — talvez porque eu não tivesse dinheiro para aplicar ou não frequentasse as altas rodas de Brasília. Esse cidadão conseguiu algo que nenhum parlamentar conseguiu até hoje: reunir-se quatro vezes com o presidente da República no Palácio do Planalto fora da agenda oficial. Quatro vezes. Vá qualquer parlamentar tentar ser recebido sem agenda. Há ministros que foram recebidos menos vezes do que Vorcaro. Que prestígio é esse?

O escândalo dos consignados nasceu na Bahia, com o petista Rui Costa, na época governadaor e hoje chefe da Casa Civil de Lula

O deputado explicou que o escândalo dos velhinhos do INSS não é coisa recente 

- Quando analisamos os consignados, precisamos entender onde nasceu essa desordem. Ela nasceu na Bahia. E ali estavam os elementos políticos que permitiram que tudo isso acontecesse, inclusive figuras conhecidas do Partido dos Trabalhadores e integrantes centrais do atual governo.


Enquanto isso, vemos manchetes constrangedoras: o dono do Banco Master pagando de humilde, mas exigindo vir prestar depoimento apenas em jatinho, enquanto tinha meio Brasil no bolso. Que país é esse? Que zona institucional é essa em que transformaram o Brasil?

Este são os nomes blindados pela base governista na CPMI

- Alexandre de Moraes - Surge o nome da senhora Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, talvez o ministro mais poderoso da história do Supremo Tribunal Federal. Porque, segundo alguns, salvou a democracia e, por isso, poderia tudo. Mas ninguém tem coragem de discutir um contrato de 129 milhões de reais firmado sem processo formal. Isso é imoral. Isso tem aparência de pagamento de proteção — e ninguém tem coragem de enfrentar o tema.

- Dias Toffoli -  E vemos ainda situações envolvendo o ministro Dias Toffoli. Perdemos mais de um mês de investigação porque dados essenciais foram negados a esta CPMI, uma instância legítima e constitucional. 

- Lulinha - Fui um dos que votaram a favor da convocação do filho do presidente da República. Mas estou cansado de menino de recado. A Polícia Federal quebrou sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. Medidas cautelares foram adotadas, e parte desta CPMI tentou blindá-lo. 

- Bancos - O sistema financeiro está blindado, e nós temos apenas mais um mês de trabalho. Ainda há muitas pessoas a serem ouvidas. Por isso, reapresentei requerimentos para convocação dessas instituições financeiras. Vamos colocar digitais novamente e descobrir quem defende o interesse público e quem atua como empregado do sistema financeiro.

- Deputado Paulo Pimenta e caterva da base aliada - Também não posso deixar de registrar minha discordância quanto à atuação de parlamentares orientando testemunhas ligadas diretamente aos problemas investigados no caso do Banco Master. A história já mostrou o erro desse tipo de conduta, quando parlamentares tiveram que deixar CPIs após relações impróprias com investigados, como ocorreu no episódio envolvendo Marco Valério (o caso foi com o deputado Paulo Pimenta, flagrado na garagem do prédio da Câmara em conversas com Valério).

Blindagem precisa ser quebrada

Ninguém deve ser blindado, mas a base do governo, o PT, tenta blindar todos os bandidos, segundo o deputado, que denunciou - 

- Agora, é preciso dizer a verdade completa: aqueles que hoje criticam decisões judiciais foram os mesmos que blindaram instituições financeiras nesta CPMI. Blindaram C6, PicPay, Santander, Crefisa e diversos envolvidos. Ninguém blindou mais do que a base do governo. Não deveria existir bandido de estimação, mas é exatamente isso que estamos vendo.Estou cansado da mentira, da hipocrisia e da blindagem institucional. Esta CPMI existe para revelar a verdade ao povo brasileiro. E é isso que nós vamos fazer. 

E avisou -

- Se houver senador envolvido, que seja preso. Se houver deputado, que seja preso. Se houver presidente da República, banqueiro ou qualquer autoridade, que responda. A lei deve valer para todos. Reuniões e articulações por intermédio de estruturas diretamente ligadas aos investigados não são apenas ilegais — são passíveis de investigação.



Discurso – Relator da CPMI - Alfredo Gaspar

 Discurso – Relator da CPMI - Alfredo Gaspar


Quero saudar todos os parlamentares presentes. Passei 24 anos da minha vida perseguindo bandido. E, quando imaginei que viria para a política para deixar esse passado para trás, nunca estive tão próximo da bandidagem como estou hoje. A bandidagem que ataca, que mente, que fabrica narrativas. Mas é justamente essa bandidagem que eu sempre quis enfrentar: a bandidagem do topo da pirâmide. Porque a mentira jamais vencerá o sol da verdade.


É por isso que estamos aqui. Senhor presidente, considero um absurdo não termos hoje sentado nesta cadeira o senhor Daniel Vorcaro. Antes, porém, quero cumprimentar todos em nome de Vossa Excelência, os advogados, os depoentes e, sobretudo, o povo brasileiro.


O Brasil vive uma época que dá vontade de vomitar de manhã, de tarde e de noite. Estamos vivendo o verdadeiro bacanal da corrupção. Um momento extremamente difícil para o país. Não podemos mais ter feriado, não podemos ter intervalos, porque a cada dia que passa o cenário nacional se torna pior do que o anterior.


Eu nunca tinha ouvido falar desse cidadão chamado Vorcaro. Não sabia que ele tinha metade da República no bolso — talvez porque eu não tivesse dinheiro para aplicar ou não frequentasse as altas rodas de Brasília. Mas o que não dá para aceitar é a justificativa apresentada para não comparecer a esta CPMI: só viria depor se fosse em jatinho. Se essa moda pega, ninguém mais será ouvido neste país. Isso é uma esculhambação, e eu não aceito.


Mais grave ainda é que esse cidadão conseguiu algo que nenhum parlamentar conseguiu até hoje: reunir-se quatro vezes com o presidente da República no Palácio do Planalto fora da agenda oficial. Quatro vezes. Vá qualquer parlamentar tentar ser recebido sem agenda. Há ministros que foram recebidos menos vezes do que Vorcaro. Que prestígio é esse?


E deixo claro: não afirmo que Vorcaro tenha relação apenas com o governo atual. Não posso ser leviano. Esta CPMI precisa abrir o leque e investigar todos. Mas o fato é que o presidente da República, que não abre o Planalto para o cidadão comum, abriu suas portas quatro vezes, no escurinho do cinema institucional, para esse personagem.


Quando analisamos os consignados, precisamos entender onde nasceu essa desordem. Ela nasceu na Bahia. E ali estavam os elementos políticos que permitiram que tudo isso acontecesse, inclusive figuras conhecidas do Partido dos Trabalhadores e integrantes centrais do atual governo.


Enquanto isso, vemos manchetes constrangedoras: o dono do Banco Master pagando de humilde, mas exigindo vir prestar depoimento apenas em jatinho, enquanto tinha meio Brasil no bolso. Que país é esse? Que zona institucional é essa em que transformaram o Brasil?


E não para por aí. Surge o nome da senhora Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, talvez o ministro mais poderoso da história do Supremo Tribunal Federal. Porque, segundo alguns, salvou a democracia e, por isso, poderia tudo. Mas ninguém tem coragem de discutir um contrato de 129 milhões de reais firmado sem processo formal. Isso é imoral. Isso tem aparência de pagamento de proteção — e ninguém tem coragem de enfrentar o tema.


Como a verdade incomoda. Basta falar que imediatamente tentam interromper. Mas repito: 129 milhões de reais. E quem garante que esse dinheiro também não tenha origem nos recursos do INSS?


E vemos ainda situações envolvendo o ministro Dias Toffoli. Perdemos mais de um mês de investigação porque dados essenciais foram negados a esta CPMI, uma instância legítima e constitucional. Até hoje não temos acesso pleno às informações, e o Brasil permanece em silêncio.


Fui um dos que votaram a favor da convocação do filho do presidente da República. Mas estou cansado de menino de recado. A Polícia Federal quebrou sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. Medidas cautelares foram adotadas, e parte desta CPMI tentou blindá-lo. Enquanto isso, a Polícia Federal avança nas investigações. O que peço é simples: que haja compartilhamento dos dados, pois é um direito legítimo desta comissão.


Repudio, com respeito institucional, a decisão do ministro André Mendonça que permitiu a ausência do senhor Vorcaro. Contudo, reconheço que o mesmo ministro corrigiu erro gravíssimo ao liberar o acesso aos dados que estavam escondidos. Deu uma no cravo e outra na ferradura.


Agora, é preciso dizer a verdade completa: aqueles que hoje criticam decisões judiciais foram os mesmos que blindaram instituições financeiras nesta CPMI. Blindaram C6, PicPay, Santander, Crefisa e diversos envolvidos. Ninguém blindou mais do que a base do governo. Não deveria existir bandido de estimação, mas é exatamente isso que estamos vendo.


O sistema financeiro está blindado, e nós temos apenas mais um mês de trabalho. Ainda há muitas pessoas a serem ouvidas. Por isso, reapresentei requerimentos para convocação dessas instituições financeiras. Vamos colocar digitais novamente e descobrir quem defende o interesse público e quem atua como empregado do sistema financeiro.


Também não posso deixar de registrar minha discordância quanto à atuação de parlamentares orientando testemunhas ligadas diretamente aos problemas investigados no caso do Banco Master. A história já mostrou o erro desse tipo de conduta, quando parlamentares tiveram que deixar CPIs após relações impróprias com investigados, como ocorreu no episódio envolvendo Marco Valério.


Se houver senador envolvido, que seja preso. Se houver deputado, que seja preso. Se houver presidente da República, banqueiro ou qualquer autoridade, que responda. A lei deve valer para todos. Reuniões e articulações por intermédio de estruturas diretamente ligadas aos investigados não são apenas ilegais — são passíveis de investigação.


Estou cansado da mentira, da hipocrisia e da blindagem institucional. Esta CPMI existe para revelar a verdade ao povo brasileiro. E é isso que nós vamos fazer.

Boi na colheita do arroz: Arena Pecuária amplia espaço no evento arrozeiro

 Boi na colheita do arroz: Arena Pecuária amplia espaço no evento arrozeiro


Pecuária retorna à programação da Abertura da Colheita do Arroz para discutir mercado, integração e pecuária intensiva. Lançamento do Fundocarne é destaque


Com programação diária e a proposta de encontro e debates entre produtores, pecuaristas e indústrias, a Arena Pecuária terá o dobro de espaço em relação à primeira participação na Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas. O evento ocorre entre 24 e 26 de fevereiro de 2026, na estação da Embrapa em Capão do Leão (RS), e tem o espaço dedicado à bovinocultura sob a organização do Instituto Desenvolve Pecuária e do Universo Pecuária.


O objetivo é trazer à discussão a estabilidade que a integração entre as atividades permite. Para a coordenadora executiva do Universo Pecuária, Marcela Santana, a agricultura depende muito mais da questão de clima e de preço. “Já com a pecuária, o produtor consegue ter um sistema em que se ele não conseguiu ganhar tanto no momento da lavoura, pode investir mais na pecuária para ter esse lastro, essa segurança de estabilidade financeira. Se estivesse com todas as fichas na lavoura em um ano ruim, é perda total.”  Para isso, são necessárias estratégias e não apenas colocar o gado no campo, alerta. “Por isso, a presença de produtores, frigoríficos e pecuaristas no mesmo evento permitirá a troca para entender as necessidades e possibilidades de cada um”, explica


Para a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli, a presença da Arena no evento consolida a pecuária não como uma atividade secundária, mas como um pilar estratégico de sustentabilidade econômica. “A integração é o exemplo máximo de eficiência. Não estamos mais falando de escolher entre o grão ou o boi, mas de como a pecuária profissionalizada potencializa o resultado da lavoura e vice-versa.” Ainda conforme Antonia, a intenção da Arena é mostrar que a intensificação do manejo e a gestão focada em dados transformam o campo em uma lavoura de carne, “capaz de entregar proteína de alta qualidade com rentabilidade o ano todo”.


Debates Técnicos


A programação da Arena Pecuária concentra-se em rodas de debates, realizadas diariamente das 10h às 12h. A agenda técnica propõe uma visão 360 graus da cadeia produtiva. No dia 24 de fevereiro o painel "Mercado da Carne" abre os trabalhos, focando na comercialização e desafios junto a mercados internacionais. Já no dia 25, o tema "Integração Lavoura-Pecuária" ocupa o centro das discussões e o manejo do sistema misto, ponto central para produtores que visam transformar a propriedade em uma fazenda com atividades nos doze meses do ano. No dia 26, o encerramento ocorre com o painel sobre "Pecuária Intensiva", discutindo tecnologias e métodos para aumentar a produtividade por hectare.


Todos os dias, após o conteúdo técnico, a programação prevê a "Hora da Carne", momento destinado à degustação de cortes especiais, fomentando o relacionamento entre pecuaristas, agricultores e técnicos presentes. Esta atividade é realizada com a parceria de frigoríficos. 


Fundocarne


No dia 24 será lançado o Fundocarne, Fundo de Promoção da Carne Gaúcha. O fundo contará com a contribuição de produtores, liderados e incentivados pelo Instituto Desenvolve Pecuária e também de pelo menos dez frigoríficos capitaneados pelo Sicadergs, Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul. Para o presidente executivo do Sicardergs, Ronei Lauxen, a atuação do fundo será uma oportunidade de aliar pecuaristas e indústrias para conjuntamente superar obstáculos “e não apenas divulgar a qualidade da carne gaúcha, mas fomentar o aumento da produtividade e da qualidade no campo e na indústria”.

OPINIÃO - Governo Lula recua nas hidrovias e confirma: não há projeto para o Brasil; por Felipe Vieira*

O governo Lula revogou o decreto que incluía as hidrovias do Tapajós, Tocantins e Madeira no Programa Nacional de Desestatização.


A justificativa oficial é o “diálogo com os povos indígenas”. Mas o que faltou foi diálogo antes. Se havia impacto sobre comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, essa conversa precisava ter ocorrido previamente. Consulta prévia não é detalhe formal. É condição básica para qualquer projeto de infraestrutura na Amazônia.


Nenhum governo sério anuncia concessão de estrutura estratégica sem estudos ambientais consolidados, negociação antecipada e sustentação política mínima, conversando com todos, inclusive e principalmente com os povos indígenas. O governo Lula fala em protagonismo climático, em liderança ambiental internacional, em compromisso com a agenda sustentável. Mas, na prática, demonstra falta de coordenação e ausência de planejamento quando precisa transformar discurso em ação concreta.


Publica o decreto. Não constrói base política. Não antecipa conflito. Sente o desgaste. E recua. Isso é amadorismo convertido em método.


E o mais grave: os próprios números do governo mostram o tamanho do erro. Segundo dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos e pelo Plano Nacional de Logística, o chamado Arco Norte, que depende diretamente dessas hidrovias, já responde por mais de 35% das exportações brasileiras de soja e milho. A meta oficial é elevar esse percentual para acima de 40% nos próximos anos.


A hidrovia do Madeira movimenta cerca de 25 milhões de toneladas por ano. A do Tapajós, entre 15 e 20 milhões de toneladas anuais, sendo rota estratégica para o escoamento da produção do Mato Grosso. O próprio governo afirma que a ampliação da navegação pode reduzir em até 20% o custo logístico em relação às rotas tradicionais do Sudeste.


Além disso, o transporte hidroviário emite até 60% menos CO₂ por tonelada transportada quando comparado ao transporte rodoviário, argumento frequentemente usado pelo próprio governo Lula ao defender uma matriz logística mais sustentável. O Plano Nacional de Logística prevê ampliar a participação das hidrovias de cerca de 13% da matriz de transportes para algo entre 20% e 25% até 2035, reduzindo a dependência do modal rodoviário, que hoje supera 60%.


São números oficiais. São metas anunciadas pelo próprio governo. Diante desses dados, o recuo se torna ainda mais absurdo.


Se as hidrovias são estratégicas para reduzir custo Brasil, fortalecer a balança comercial, integrar o Norte ao restante do país e diminuir emissões, como pode o próprio governo abandonar o projeto no primeiro impasse político? Se as hidrovias são estratégicas para integrar o Norte ao restante do país e fortalecer a logística nacional, o governo deveria ter estruturado o projeto com técnica, segurança jurídica e diálogo consistente. Se não havia segurança política para avançar, não deveria ter iniciado o processo.


O recuo transmite instabilidade decisória. Investidores observam. O setor produtivo recalcula risco. Comunidades percebem que a pressão substitui o planejamento prévio. Não se trata de desconsiderar direitos indígenas ou a preservação ambiental. Trata-se de exigir seriedade na condução de projetos estruturais.


Revela que o governo Lula reage aos fatos em vez de conduzi-los.

O episódio expõe um governo mais preocupado em administrar desgaste imediato do que em sustentar decisões estratégicas de longo prazo. Quando o cálculo eleitoral passa a orientar a infraestrutura do país, o resultado é paralisia, insegurança e improviso. O Brasil precisa de planejamento, não de movimentos táticos para agradar circunstâncias momentâneas.


Esse caso é mais um exemplo da ausência de um projeto consistente de desenvolvimento nacional sustentável do governo Lula.


Redes sociais: @felipevieirajornalista*

Exortação ao SINDIFISCO NACIONAL

 Exortação ao SINDIFISCO NACIONAL

Marcus Vinicius Gravina

OAB-RS 4.949


Nunca imaginei que algum dia eu me colocaria ao lado dos agentes públicos fiscais da arrecadação do nosso dinheiro.  


Pois, encontrei um bom motivo para isto. Os Auditores Fiscais estão sendo escorraçados por um inimigo comum do povo brasileiro, abrigado, covardemente, em uma fortaleza: o STF. 


Ministro do STF não goza de imunidade fiscal. É um dos raros casos em que se exige a apresentação prévia da declaração de bens e rendas para o exercício de função no Poder Judiciário, ou seja, no STF.  Além disso, deve se comprometer com a declaração de ajuste anual do Imposto de Renda (IRPF). 


O ajuste anual é para que o TCU acompanhe a evolução patrimonial dos ministros. 


Não é somente de notável saber jurídico e de conduta ilibada que o sabatinado pelo Senado - indicado pelo presidente da República -  precisa demonstrar e comprovar.


Prestem atenção ao artigo 1º, inc. V, da Lei Federal 8.730/1993: “ É obrigatória a apresentação de declaração de bens, com a indicação de fontes de renda NO MOMENTO DA POSSE...” 


Continua a lei dizendo que a relação dos bens deve conter,  pormenorizadamente, os bens imóveis, móveis, semoventes, títulos e valores imobiliários, direitos sobre veículos automóveis, embarcações ou aeronaves e dinheiro ou aplicações que no país ou no exterior constituam separadamente o patrimônio do declarante e de seus dependentes. 


Ainda, os bens serão declarados, discriminadamente, pelos valores da transferência da propriedade, concomitantemente de seus valores venais. 


O valor da aquisição dos bens existentes no exterior será declarado na moeda do país a que estiverem localizados. 


Atenção redobrada no que vem a seguir: “ A não apresentação da declaração por ocasião da posse, implicará a não realização do ato de posse ou em sua nulidade, se celebrado sem o requisito essencial da apresentação da declaração de bens.“  Há mais a hipótese de implicação de crime de responsabilidade. 


A obrigação imposta a quem quiser ser ministro do STF não configura violação de intimidade, sigilo fiscal, bancário ou exposição de informações pessoais. 


PARTE II – Obrigação do TCU e suas Instruções Normativas.


O TCU, para a mesma lei, não será apenas o depositário das Declarações dos ministros indicados ao STF pelo presidente da República.  O legislador ordenou-lhe a missão de acompanhar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). 


Anualmente, até o prazo de 30 dias após a data limite fixada pela Receita Federal para a entrega da DIRPF, o TCU deverá ter acesso às declarações dos ministros. 


O ministro obriga-se, no ato da posse, a autorizar o TCU - com validade para todo o mandato - a requisitar da Receita Federal a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física de cada ministro do STF.   

Sua missão é reportar-se, quando solicitado ou por iniciativa própria  ao  Congresso Nacional, especialmente ao Senado. Trata-se de um órgão público que age como auxiliar do Congresso em situações atípicas de oscilação para maior do patrimônio dos ministros. Sem esta ação conjunta a um poder maior,  como é o Congresso Nacional, sua competência “dá xabu”.  


PARTE III  -  Prepotência espantosa


Sem o mínimo respeito ao Devido Processo Legal, quatro agentes estão sendo investigados cumprindo restrições de mobilidade e forçados a usarem tornozeleiras. Nada foi provado contra eles. 


Agiu corretamente o presidente do Sindicato dos Agentes Fiscais ao se pronunciar contrário ao abuso de poder de um ministro do STF. 


Os Agentes do TCU têm tudo a aprender com a atitude altiva do presidente do SINDIFISCO NACIONAL. 


Os Sindicatos dos Agentes Fiscais da Receita Federal, sobre a declaração de bens e rendas dos ministros do STF, podem dar a resposta a perseguição aos quatro agentes da Receita Federal, dirigindo-se ao Senado Federal para saber se o TCU está cumprindo o seu dever diante da Lei 8.730/1993 e suas Instruções Normativas, a começar pela de n.87/2020.


Os cidadãos brasileiros têm o direito de conhecer a declaração de bens dos ministros do STF.  A Lei Especial veio para este fim. 


Em Instruções Normativas recentes do TCU inovou-se o processo de recebimento de cópia da declaração de bens na forma impressa ou digitalizada. Agora pode ser por envio do Sistema e-DBR desenvolvido pelo TCU. 


É muito grave o que foi exposto, em síntese, neste artigo. Os ministros que, por qualquer razão, deixaram de cumprir com a obrigação da citada lei, podem estar funcionando ilegalmente no STF, sujeitando seus votos a declaração de nulidade e eles próprios a crime de responsabilidade.


Este artigo segue a lógica de um adágio popular, face a insistência do autor: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. 


Caxias do Sul, 23.02.2026



  


 



Editorial, RBS - Um desfecho para um inquérito sem fim no STF

OAB está correta ao condenar a “elasticidade excessiva” do escopo da investigação, além de sua “natureza perpétua”

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou nesta segunda-feira (23) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma manifestação sóbria em que pede uma conclusão e o encerramento do chamado inquérito das fake news. A investigação está prestes a completar sete anos aberta, sem perspectiva de desfecho. O documento é assinado pelo presidente em exercício do Conselho Federal da entidade, Felipe Sarmento Cordeiro, e pelos membros do Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais. 

Investigações parecem agora ter como fim apenas a sua existência, um escudo a proteger ministros do Supremo dos críticos

A carta, ao mesmo tempo que é respeitosa e contém um inequívoco propósito colaborativo, é consistente em apontar as excepcionalidades do inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo e o tom diplomático, em meio à profusão de críticas à Corte ou parte de seus membros, fazem com que o posicionamento da OAB mereça gerar reflexão na Corte, especialmente de Moraes, relator do caso, que tramita sob sigilo.

Está correta a entidade ao condenar a “elasticidade excessiva” do escopo do inquérito, além de sua “natureza perpétua”. A amplitude e a maleabilidade demasiadas, ao bel-prazer do relator, são ilustradas pelo caso recente do presidente da Associação Nacional dos Auditores da Receita Federal (Unafisco), Kléber Cabral, que passou a ser investigado em um desdobramento da apuração após tecer críticas ao STF. Como a opacidade é mais uma das anomalias, não há informação concreta sobre a razão de Cabral tornar-se alvo. É lógico inferir que seria devido ao juízo que fez da atuação de Moraes no caso que apura o acesso indevido a dados fiscais de ministros e seus familiares por servidores públicos. Confirmada essa hipótese, seria uma afronta à liberdade de expressão e clara tentativa de amedrontamento de detratores.

O inquérito das fake news foi criado em 2019, pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, devido a ataques e ameaças que o Supremo e ministros recebiam de bolsonaristas. Foi aberto de ofício, sem a provocação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Moraes foi designado relator sem sorteio. Foram excentricidades também atribuídas, à época, à passividade da PGR enquanto emergiam sinais de escalada autoritária. 

A própria OAB avalia que o inquérito surgiu em um ambiente de tensão institucional e de ameaça à segurança de ministros e ressalta o papel do STF na proteção da democracia brasileira. As circunstâncias extraordinárias de então, porém, ficaram para trás. Chega o momento de retornar ao leito da normalidade constitucional. “A persistência desse quadro alimenta um tom intimidatório incompatível com o espírito democrático, republicano e institucional consagrado pela Constituição de 1988”, diz a OAB. 

As exceções do inquérito das fake news e seus desdobramentos passaram a ser métodos recorrentes. É o caso da apuração sobre o vazamento de dados fiscais, instaurada de ofício por Moraes e em que ele mesmo determina diligências, é possível vítima e depois julgaria o caso. São investigações que parecem agora ter como fim apenas a sua existência, como uma espécie de escudo a proteger ministros de seus críticos. Como se conectam com o caso Master, em que ministros como Moraes e Dias Toffoli devem explicações, corroem ainda mais a reputação da Corte. 


Doenças raras

 O Palácio Piratini está iluminado com as cores lilás, rosa, azul e verde desde a noite desta segunda-feira , como forma de conscientização para o Dia Mundial das Doenças Raras (foto de Luís André, Secom).

Criado em 2008 pela Organização Europeia para Doenças Raras (Eurordis), o Dia Mundial das Doenças Raras tem como data de mobilização o último dia de fevereiro — 28 nos anos comuns e 29 anos bissextos —, escolhida de forma simbólica por representar uma condição rara também no calendário. Essas doenças acometem cerca de 65 pessoas a cada 100 mil habitantes. Somente no Brasil, estimativa divulgada em 2018 aponta para 13 milhões de indivíduos nessa condição. As causas são majoritariamente genéticas, representando 80% dos casos, enquanto o restante é resultado de fatores ambientais. Das aproximadamente 6 mil a 8 mil doenças raras estimadas, 95% ainda não possuem tratamento específico. 

No RS, o governo estadual mantém desde 2023 um convênio com a Casa dos Raros, em Porto Alegre. A parceria permite o atendimento de mais de mil pacientes, entre crianças e adultos, encaminhados pela atenção primária à saúde dos municípios. O convênio inclui dez especialidades.

Dica do editor - Afinal, o autismo é evitável ou só pode ser minimizado drasticamente ?

Não existe uma cura ou forma de prevenir o autismo no sentido estrito, pois ele é uma condição neurobiológica com forte base genética. No entanto, estudos recentes indicam que intervenções precoces e cuidados na gestação podem alterar a trajetória do desenvolvimento em certos casos, reduzindo sintomas ou impedindo que traços de risco evoluam para um diagnóstico clínico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Aqui estão os pontos principais sobre as alegações científicas recentes:

1. Intervenção Precoce (Antes dos 3 Anos) 

Pesquisadores focam na "plasticidade cerebral" dos primeiros anos de vida. 

Redução da Severidade: Intervenções terapêuticas intensivas (fonaudiologia, terapia ocupacional, comportamental) antes dos 3 anos podem melhorar significativamente as habilidades sociais e de comunicação.

Mudança de Trajetória: Estudos mostraram que, com intervenção precoce em bebês de alto risco, alguns podem apresentar uma redução de sintomas tão significativa que não preenchem mais todos os critérios para o diagnóstico de TEA na idade escolar. 

2. Cuidados Pré-concepção e Gestação

Estudos sugerem que reduzir a exposição a fatores ambientais pode diminuir o risco, embora o fator genético seja predominante. 

Nutrição: Ingestão adequada de ácido fólico antes e durante a gravidez é associada à redução do risco.

Saúde Materna: Evitar infecções, controlar doenças crônicas (como diabetes) e minimizar a exposição a poluição/toxinas na gravidez podem influenciar positivamente o neurodesenvolvimento.

Idade dos Pais: A idade avançada dos pais aumenta o risco de mutações genéticas espontâneas (de novo), que não são herdadas diretamente, mas ocorrem no desenvolvimento do óvulo ou espermatozoide. 

3. O "Modelo de Três Golpes" (Pesquisa de 2026)

Um estudo recente propôs uma teoria onde o autismo pode ser evitado em até 50% dos casos se fatores de risco forem manejados: 

A "Combinação": Suscetibilidade genética + exposição a fatores ambientais (como toxinas) + estresse fisiológico prolongado.

Abordagem: O foco é identificar o risco cedo através de marcadores biológicos (exames de sangue, autoanticorpos) e agir terapeuticamente antes que o TEA se consolide. 

O que é importante saber:

Não é "reversão": A maioria dos especialistas fala em "melhorar o prognóstico" e dar qualidade de vida, e não em "curar" ou "apagar" o autismo.

O fator genético prevalece: Para a maioria dos autistas, o componente genético está presente e não é "evitável".

 Prevenção: As intervenções precoces focam em dar suporte, e não em "eliminar" o autismo da criança. 

Em resumo: A ciência atual busca formas de reduzir o risco e minimizar a intensidade dos sintomas através de cuidados pré-natais e intervenção precoce, mudando a trajetória do desenvolvimento de certas crianças, mas não "evitando" a condição como se evita uma doença infecciosa.

Artigo, Hamilton Mourão - A presença de brasileiros na Guerra da Ucrânia

Hamilton Mourão é senador e general. Este artigo está publicado no Estadão de hoje.

O idealismo e a coragem física, embora respeitáveis, não podem substituir a responsabilidade institucional do Estado e, nessa direção, a guerra da Ucrânia é um alerta duro sobre os rumos do sistema internacional e sobre a necessidade de se pensar e se investir nas capacidades de defesa.

Depois da 2ª Guerra Mundial, a atual guerra em curso no Leste Europeu é um dos episódios mais graves do cenário geopolítico desde o final da Guerra Fria. A criminosa invasão da Ucrânia pela Federação Russa recolocou no centro do debate temas como a capacidade dos organismos internacionais, a relativização da soberania nacional, a autodeterminação dos povos e os limites do uso da força nas relações internacionais. Mas além desse espectro, pouco a pouco nos chama a atenção o incremento numérico da presença de brasileiros que, de forma voluntária, e por vezes até iludidos, aceitam o recrutamento e decidem viajar para atuar no conflito. O que busco aqui não é polemizar, mas sim lançar luzes sobre o fenômeno dos voluntários brasileiros, seus reflexos e possíveis consequências. Destarte, é preciso separar a emoção para não contaminar a lente de uma análise fenomenológica em nível mais estratégico. Por força constitucional e pelo histórico consuetudinário do “modus operandi” de nossa diplomacia, vemos que o Brasil é um país comprometido com a solução pacífica de controvérsias. Não somos, por natureza, uma nação beligerante e nem tínhamos a tradição de exportar combatentes para conflitos externos. Agora, com a hiper conectividade que marca nosso mundo, vivemos uma realidade onde indivíduos, movidos por motivações distintas (convicções ideológicas, necessidade financeira, valores pessoais ou até expectativas equivocadas) tomam decisões de alto risco sem qualquer mediação ou orientação do Estado brasileiro. continua após a publicidade É certo que, na guerra da Ucrânia, os brasileiros que se alistam como voluntários não representam a posição oficial do nosso País, agindo por conta própria e assumindo, individualmente, as consequências incertas de suas escolhas. Não é exagero dizer que muitos o fazem movidos por uma percepção genuína de solidariedade a um povo que resiste à invasão injusta de seu território. Outros, infelizmente, podem ser atraídos por narrativas romantizadas da guerra, sem plena consciência de sua brutalidade, de seus custos humanos e de suas implicações jurídicas. Há, ainda, um aspecto humano que não pode ser ignorado. A guerra não se assemelha aos discursos inflamados das redes sociais; pois produz mortos, mutilados, traumas psicológicos profundos e famílias destruídas. Muitos desses voluntários, quando e se retornarem, voltarão marcados para o resto da vida. Assim, é dever do Estado buscar informações, prevenir-se e, dentro dos limites legais, orientar seus cidadãos para que não se lancem, de forma inconsequente, em uma aventura macabra. Como senador da República, cumpre-me analisar e avaliar qual seria a postura cabível e responsável do Estado brasileiro face a essa realidade. É certo, também, que esse movimento deva ser monitorado pela inteligência de Estado, que precisa saber quem são essas pessoas e o que farão quando retornarem ao Brasil. Não se trata de criminalizar automaticamente esses cidadãos, mas sim de perceber que esses voluntários, ao retornar, poderão sofrer de stress pós traumático, poderão ser cooptados por organizações criminosas e poderão, inclusive, ter vínculos internacionais de caráter suspeito. continua após a publicidade Plumasul R$ 180,82 Travesseiro de Fibra Siliconizada Toque de Pluma Branco 50X70cm Saber mais Além das necessidades da inteligência, o Brasil precisa pensar e avançar no que tange aos sérios riscos legais, diplomáticos e pessoais desse fenômeno. Não se trata de dizer que o Brasil pode ser arrastado, ainda que indiretamente, para uma guerra que não é sua, mas sim de não permitir que ações individuais comprometam a segurança interna e nossa tradicional posição de equilíbrio e diálogo. Por derradeiro, é fundamental e urgente pensarmos no fenômeno dos brasileiros que estão lutando na Ucrânia e nos reflexos futuros dessa realidade. O idealismo e a coragem física, embora respeitáveis, não podem substituir a responsabilidade institucional do Estado e, nessa direção, a guerra da Ucrânia é um alerta duro sobre os rumos do sistema internacional e sobre a necessidade de se pensar e se investir nas capacidades de defesa. Tudo Sobre Ucrânia [Europa] 

Vem aí um Super El Niño ?

Análises recentes dos principais institutos de meteorologia indicam o retorno do fenômeno El Niño em 2026, com início rápido e potencial para ser de intensidade moderada a forte.Espera-se um rápido aquecimento das águas do Pacífico entre maio e julho de 2026, com efeitos significativos no clima a partir de meados do ano. Projeções mostram que o El Niño pode se intensificar entre agosto e outubro, gerando chuvas torrenciais no Sul do Brasil e Argentina.

Comparações com anos anteriores geram preocupação sobre um aquecimento global acentuado, com potenciais eventos extremos de chuva no segundo semestre de 2026 e início de 2027. 

Enquanto o excesso de chuva pode beneficiar algumas culturas, o excesso de umidade no Sul pode causar quebras de safra.

O padrão de chuvas pode impactar o nível dos reservatórios e, consequentemente, o preço da energia. 

Fetransul apresenta pesquisa com usuários sobre concessões rodoviárias

A Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul) apresenta, na próxima semana, os resultados de uma pesquisa realizada com motoristas de caminhão e de automóveis que utilizam os trechos rodoviários incluídos nos Blocos 1 e 2 das concessões estaduais. O estudo reúne a percepção direta dos usuários sobre temas estratégicos para a infraestrutura viária do Rio Grande do Sul.

O levantamento aborda a qualidade da infraestrutura existente, o modelo de cobrança proposto, os impactos logísticos para o transporte de cargas, a segurança viária e os efeitos na competitividade econômica. Os dados oferecem uma leitura técnica sobre como os projetos de concessão são avaliados por quem utiliza diariamente essas rodovias.

Durante o encontro, a Fetransul também apresentará seu posicionamento institucional em relação aos projetos de concessão, com destaque para os principais pontos de atenção identificados pelo setor produtivo. A análise busca contribuir de forma objetiva para o debate público sobre investimentos, eficiência logística e desenvolvimento regional.

A apresentação ocorre no dia 23 de fevereiro, às 10h, na sede da entidade, localizada na Avenida Carlos Gomes, 651, bairro Auxiliadora, em Porto Alegre. A atividade é direcionada à imprensa e a representantes interessados no tema da infraestrutura rodoviária no Estado.


CONTEXTO — A pesquisa integra o esforço da Fetransul de contribuir tecnicamente para a qualificação do debate público sobre logística, infraestrutura rodoviária e desenvolvimento econômico no Rio Grande do Sul. A participação da imprensa é considerada essencial para ampliar a transparência das informações e fortalecer a discussão sobre o futuro das rodovias gaúchas.

Artigo, Santiago Dussan - Anseio por um Bukele na Colômbia

Este artigo foi originalmente publicado no Instituto Juan de Mariana.

A Colômbia está mergulhada em uma crise evidente. Nada de novo sob o sol. Do ponto de vista econômico, o último dado de crescimento é de 0,6%, embora isso não deva surpreender ninguém. A única coisa que o governo de Petro fez até agora foi deixar clara sua intenção de asfixiar boa parte do esforço privado para superar a pobreza, o que, somado ao efeito regressivo de medidas regulatórias adotadas durante o governo anterior, torna ainda mais palpável a sensação de desesperança.


Por outro lado, a imensa maioria dos habitantes do país se sente à mercê dos criminosos comuns, verdadeiras empresas criminosas que desafiam o monopólio de expropriação do próprio estado e que crescem cada vez mais em número e em ousadia. Isso pode ser compreendido, por um lado, pela incapacidade dos indivíduos de se defenderem de forma privada, dado que não existem serviços privados de segurança eficazes e o porte de armas é severamente restringido, e, por outro lado, porque está se tornando cada vez mais atraente, para um número crescente de indivíduos, obter riqueza mais por meio da apropriação violenta do que da criação produtiva. Diante desse estado de coisas, os colombianos começam a olhar para outros países da América Latina onde se experimentam novas estratégias para combater um ou ambos os problemas.


Colômbia e a segurança que não existe

Não creio que isso seja apenas uma impressão, mas sim uma realidade: apenas uma minoria se pergunta quem será o Milei colombiano. Quem é capaz, com uma elevada compreensão do que é o mercado, de como ele funciona, de como ele é destruído e quais são os efeitos dessa destruição, e de como reverter tais medidas para, então, começar a prestar atenção quando decidir falar? Sinceramente, e com pesar, acredito que não há um Milei colombiano, ao menos não por agora.


Para os colombianos, ao que me parece, um personagem como Milei não é tão urgente, uma vez que a Colômbia não é a Argentina, ainda. Não creio que Javier Milei tivesse alcançado tamanho avanço e tamanha atenção dos indivíduos sem uma inflação como a que a Argentina enfrentou, praticamente beirando a hiperinflação; nem tampouco sem um estancamento econômico tão generalizado quanto o que esse país vem sofrendo há décadas. Na Colômbia, arrisco dizer, a maior preocupação na mente das pessoas é a segurança, ou, melhor dizendo, a falta dela nas ruas, dentro das casas, nas cidades, nas áreas rurais, em todos os lugares.


Restaurar a segurança

É bastante comum, diante do aumento da criminalidade nas cidades, que o porte de qualquer tipo de bem, celulares, relógios etc., esteja associado a uma probabilidade relativamente alta de expropriação. O avanço de diferentes grupos subversivos também promete, em um futuro próximo, uma maior quantidade de deslocamentos forçados. Creio que, diante disso, a pergunta que os indivíduos se fazem não é quem será o Milei colombiano, mas sim quem será capaz de utilizar o estado da maneira mais eficaz possível para limitar e reduzir a violência privada na Colômbia.


O que as pessoas se perguntam nas ruas é quem será o deus ex machina que, no último momento e com um triunfo retumbante, chegará para restaurar a tranquilidade de poder voltar a percorrer as estradas sem medo de ser sequestrado; ou de sair para caminhar sem ser assaltado. Diante disso, as pessoas se perguntam: quem será o Bukele colombiano?


O El Salvador de Bukele

Nayib Bukele é presidente de El Salvador desde 2019. Ele é conhecido por seu estilo carismático, sua abordagem jovem nas redes sociais e sua imagem de líder jovem e moderno. Antes de sua presidência, foi prefeito da cidade de San Salvador, onde implementou programas de segurança e de desenvolvimento urbano. Bukele, claramente um populista, gerou controvérsia por suas ações, incluindo confrontos com o Poder Judiciário e o uso da força militar para enfrentar a criminalidade.


Após um ano de estado de emergência, período durante o qual o estado tem a faculdade de restringir os direitos de associação, intervir nas comunicações telefônicas e deter suspeitos por longos períodos sem apresentar acusações, a taxa de homicídios por cem mil habitantes experimentou uma queda drástica, passando de 35,8 em 2019 para 7,8 em 2022. E, sem que isso nos surpreenda muito, durante esse mesmo período o número de pessoas encarceradas aumentou significativamente, passando de 39.646 em 2018 para 97.525 em 2022.


Redução dos homicídios em 78%

Essa redução dos homicídios em uma taxa nada desprezível de aproximadamente 78% foi o resultado de um plano ambicioso por parte de Bukele, colocado em prática quase imediatamente após sua chegada ao poder. A chave desse processo foi a mobilização de recursos. Nas etapas iniciais, o plano de segurança de Bukele conseguiu obter apoio suficiente para mobilizar os recursos necessários por meio de práticas cada vez mais autoritárias.


Por exemplo, desde as eleições legislativas de 2021, Bukele assegurou o controle de pelo menos 64 dos 84 assentos da Assembleia Legislativa, o que lhe permitiu aumentar consideravelmente os gastos com segurança sem encontrar grande resistência. Além disso, Bukele exerce influência sobre a Corte Suprema de Justiça, o que lhe permitiu, ao menos temporariamente, evitar possíveis acusações relacionadas à implementação de seu plano de segurança.


Especificamente, a administração de Bukele elevou os gastos com segurança pública e defesa nacional de uma média anual de US$ 573.136.399 durante o governo de Salvador Sánchez Cerén para US$ 838.450.000, o que representa um aumento de 46,39%. Esse incremento é ainda maior se levado em conta o recente emprego das forças armadas em tarefas de segurança pública.


O que se espera de um estado: produção de segurança

Que um estado, como El Salvador, transfira, diante dos males existentes, o consumo privado para o consumo de fatores de produção destinados à produção da defesa sob seu controle e que, com isso, reduza aquilo que se conhece como crime comum não deveria causar surpresa.


A segurança é um dos monopólios mais caros do estado — e não é gratuita. Mais ainda, o estado pode ser concebido como o monopólio da violência, uma definição amplamente aceita no âmbito do libertarianismo. O estado não é nada além disso: um grupo minoritário de indivíduos que, por meio do monopólio da força que conquistou, extrai riqueza da maioria dos indivíduos que compõem a sociedade, contando, no mínimo, com a aceitação passiva e resignada dessa maioria.


Com a única exceção, talvez, da criação dos Estados Unidos, nenhum estado foi criado para produzir bens públicos, controlar externalidades ou subsidiar bailes populares que deveriam acabar. Apesar de todas as teorias que justificam a existência do estado como condição para a produção de certos benefícios aos cidadãos, nenhum estado foi criado para produzir tais benefícios. Pelo contrário, o estado foi criado como um meio de governar os indivíduos, possibilitando a extração forçada de recursos de seus bolsos.


Uma realidade hobbesiana?

Na desordem descrita por Hobbes, na qual o direito natural dos homens é controlar tudo aquilo que desejarem, a vida se transforma em uma guerra de todos contra todos, desagradável, brutal e breve. Os fortes dominam os fracos, arrebatando-lhes tudo o que possuem, mas os próprios fortes não prosperam na anarquia hobbesiana, pois há pouco a ser tomado. Ninguém produz quando o produto certamente lhe será tomado. Mesmo sob condições mais ordenadas do que a cena hobbesiana, a depredação apresenta um benefício limitado, porque as pessoas que acumularam ativos resistem pela força àqueles que tentam saqueá-las, e as batalhas resultantes consomem recursos tanto dos predadores quanto das vítimas.


A bandidagem desorganizada gera uma situação em que ninguém prospera, porque ninguém tem incentivo para ser produtivo. Se os predadores conseguem se organizar, podem evoluir para pequenas máfias capazes de oferecer certo grau de proteção a seus clientes. Essa evolução criará uma sociedade mais produtiva, com maior renda tanto para os predadores quanto para suas presas, mas as máfias terão de limitar sua apropriação para que esse resultado se concretize. Se a máfia consegue assegurar a seus clientes que, em troca de um pagamento, eles estarão protegidos de outros predadores e poderão conservar uma parte substancial do que produzem, a produção aumentará e a renda de todos poderá crescer. No entanto, as perdas decorrentes das rivalidades entre máfias continuarão a ser suportadas, já que máfias concorrentes têm incentivos para saquear indivíduos que não contratam com elas.


Da máfia ao estado

Se as máfias se organizarem ainda melhor, podem se estabelecer como um estado. Os predadores têm todos os incentivos para deixar de operar como bandidos e passar a operar como estados, porque os bandidos não conseguem garantir para si mesmos um fluxo de receitas de longo prazo proveniente da depredação e porque, quando a bandidagem é desenfreada, as pessoas têm pouco incentivo para produzir riqueza. Os estados tentam convencer os indivíduos de que limitarão sua apropriação e que protegerão seus cidadãos, a fim de fornecer a esses cidadãos um incentivo para produzir. Os estados obtêm mais receitas do que os bandidos porque podem permanecer em um território e receber um fluxo constante de rendas, em vez de saquear uma vez e depois ir embora. Em tal situação, os indivíduos também ganham, de certa forma.


Em resumo, o monopólio que o estado detém sobre a produção de segurança é apenas o resultado de um processo por meio do qual o grupo criminoso do estado adquiriu meios suficientes para proteger seus súditos da concorrência, na expropriação, de outros grupos criminosos, reduzindo a probabilidade de que as receitas obtidas por esse meio diminuam no futuro. O monopólio estatal sobre a produção de segurança é desenhado para reduzir as unidades marginais de crime, de modo que reste apenas um único crime sistemático, com um único ofertante.


El Salvador: a certeza de uma menor liberdade

Assim, sendo a vocação do estado, e de quem o comanda, a de ampliar a segurança estatal para eliminar a concorrência no espólio da riqueza criada pela maioria, Nayib Bukele fez jus a esse papel, recriando-o com carisma estelar. Não sendo alheio ao apelo de aumentar impostos, com a exceção de reduzi-los para inovações tecnológicas, o que seguramente tem relação com aplicativos de iPhone e similares, a arrecadação tributária corrente sob Bukele passou de 18,1% do PIB para 19,4% em 2021 (sendo que, na Colômbia, em 2021, de 14,4%).


O papel crescente da intervenção do estado em El Salvador, sobretudo impulsionado pelo aumento do gasto público destinado à produção de segurança, o que, logicamente, leva os indivíduos a pagarem seus impostos com maior diligência, reflete-se na redução de sua liberdade econômica. Assim, no mais recente índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, Bukele, o “salvador”, conseguiu reduzir a pontuação do país de 61,8 para 56 (sendo a da Suíça, considerada mais livre, 83,8; e a da Colômbia, 63,1).


Quem será o Bukele colombiano nas próximas eleições?

Antes de tudo, resta-nos, então, contemplar a pergunta que hoje se faz nas ruas das cidades colombianas, bem como de forma esporádica em certos meios de comunicação: quem, se é que alguém, será o Bukele colombiano?


Vejamos…


Em um país como a Colômbia, onde todos os partidos políticos têm o estado como a única fonte possível de ordem e de prosperidade econômica; onde a noção da superioridade ética e moral da economia de mercado é descartada como uma piada de mau gosto; onde toda a estratégia política se reduz a abastecer com combustível, de preferência verde, a furiosa locomotiva estatal; e onde aquilo que se apresenta como oposição propõe medidas que os socialistas da Alemanha têm como padrão em suas plataformas programáticas. Na Colômbia, o partido no poder não poupa esforços para demonstrar seu mais latente ódio à liberdade individual.


Quem será o próximo apaixonado pelo poder, que buscará apenas aumentá-lo cada vez mais, contribuindo para a tendência natural do estado de concentrar-se cada vez mais em uma única pessoa, sufocando ainda mais a iniciativa privada do processo de mercado? Qualquer um. Qualquer um quer ser Bukele. Todos sonham com esse papel. Atire-se uma pedra e, com toda certeza, veremos alguém levantar a mão com um fio de sangue na testa.


A pergunta, então, não se reduz àquela, mas a quem será capaz de pintar o cabelo de preto azeviche e de organizar um concurso internacional de beleza. E é aí que encontramos os de sempre, amigos da mesma hipocrisia, que vão de Álvaro Uribe a Gustavo Petro: amigos na oposição essencial à liberdade e no amor adolescente pelo poder estatal.


Este artigo foi originalmente publicado no Instituto Juan de Mariana.

Santiago Dussan 21 de fevereiro de 2026


Nota da edição:


O texto a seguir, apesar de pertinente para discussões sobre a violência na América Latina, traz uma visão estatista sobre a segurança pública, como se esta pudesse apenas ser fornecida pelo estado. Para uma argumentação mais condizente com a visão austro-libertária sobre o assunto recomendamos o texto “A produção privada de serviços de segurança” disponível em nosso site.


A Colômbia está mergulhada em uma crise evidente. Nada de novo sob o sol. Do ponto de vista econômico, o último dado de crescimento é de 0,6%, embora isso não deva surpreender ninguém. A única coisa que o governo de Petro fez até agora foi deixar clara sua intenção de asfixiar boa parte do esforço privado para superar a pobreza, o que, somado ao efeito regressivo de medidas regulatórias adotadas durante o governo anterior, torna ainda mais palpável a sensação de desesperança.


Por outro lado, a imensa maioria dos habitantes do país se sente à mercê dos criminosos comuns, verdadeiras empresas criminosas que desafiam o monopólio de expropriação do próprio estado e que crescem cada vez mais em número e em ousadia. Isso pode ser compreendido, por um lado, pela incapacidade dos indivíduos de se defenderem de forma privada, dado que não existem serviços privados de segurança eficazes e o porte de armas é severamente restringido, e, por outro lado, porque está se tornando cada vez mais atraente, para um número crescente de indivíduos, obter riqueza mais por meio da apropriação violenta do que da criação produtiva. Diante desse estado de coisas, os colombianos começam a olhar para outros países da América Latina onde se experimentam novas estratégias para combater um ou ambos os problemas.


Colômbia e a segurança que não existe

Não creio que isso seja apenas uma impressão, mas sim uma realidade: apenas uma minoria se pergunta quem será o Milei colombiano. Quem é capaz, com uma elevada compreensão do que é o mercado, de como ele funciona, de como ele é destruído e quais são os efeitos dessa destruição, e de como reverter tais medidas para, então, começar a prestar atenção quando decidir falar? Sinceramente, e com pesar, acredito que não há um Milei colombiano, ao menos não por agora.


Para os colombianos, ao que me parece, um personagem como Milei não é tão urgente, uma vez que a Colômbia não é a Argentina, ainda. Não creio que Javier Milei tivesse alcançado tamanho avanço e tamanha atenção dos indivíduos sem uma inflação como a que a Argentina enfrentou, praticamente beirando a hiperinflação; nem tampouco sem um estancamento econômico tão generalizado quanto o que esse país vem sofrendo há décadas. Na Colômbia, arrisco dizer, a maior preocupação na mente das pessoas é a segurança, ou, melhor dizendo, a falta dela nas ruas, dentro das casas, nas cidades, nas áreas rurais, em todos os lugares.


Restaurar a segurança

É bastante comum, diante do aumento da criminalidade nas cidades, que o porte de qualquer tipo de bem, celulares, relógios etc., esteja associado a uma probabilidade relativamente alta de expropriação. O avanço de diferentes grupos subversivos também promete, em um futuro próximo, uma maior quantidade de deslocamentos forçados. Creio que, diante disso, a pergunta que os indivíduos se fazem não é quem será o Milei colombiano, mas sim quem será capaz de utilizar o estado da maneira mais eficaz possível para limitar e reduzir a violência privada na Colômbia.


O que as pessoas se perguntam nas ruas é quem será o deus ex machina que, no último momento e com um triunfo retumbante, chegará para restaurar a tranquilidade de poder voltar a percorrer as estradas sem medo de ser sequestrado; ou de sair para caminhar sem ser assaltado. Diante disso, as pessoas se perguntam: quem será o Bukele colombiano?


O El Salvador de Bukele

Nayib Bukele é presidente de El Salvador desde 2019. Ele é conhecido por seu estilo carismático, sua abordagem jovem nas redes sociais e sua imagem de líder jovem e moderno. Antes de sua presidência, foi prefeito da cidade de San Salvador, onde implementou programas de segurança e de desenvolvimento urbano. Bukele, claramente um populista, gerou controvérsia por suas ações, incluindo confrontos com o Poder Judiciário e o uso da força militar para enfrentar a criminalidade.


Após um ano de estado de emergência, período durante o qual o estado tem a faculdade de restringir os direitos de associação, intervir nas comunicações telefônicas e deter suspeitos por longos períodos sem apresentar acusações, a taxa de homicídios por cem mil habitantes experimentou uma queda drástica, passando de 35,8 em 2019 para 7,8 em 2022. E, sem que isso nos surpreenda muito, durante esse mesmo período o número de pessoas encarceradas aumentou significativamente, passando de 39.646 em 2018 para 97.525 em 2022.


Redução dos homicídios em 78%

Essa redução dos homicídios em uma taxa nada desprezível de aproximadamente 78% foi o resultado de um plano ambicioso por parte de Bukele, colocado em prática quase imediatamente após sua chegada ao poder. A chave desse processo foi a mobilização de recursos. Nas etapas iniciais, o plano de segurança de Bukele conseguiu obter apoio suficiente para mobilizar os recursos necessários por meio de práticas cada vez mais autoritárias.


Por exemplo, desde as eleições legislativas de 2021, Bukele assegurou o controle de pelo menos 64 dos 84 assentos da Assembleia Legislativa, o que lhe permitiu aumentar consideravelmente os gastos com segurança sem encontrar grande resistência. Além disso, Bukele exerce influência sobre a Corte Suprema de Justiça, o que lhe permitiu, ao menos temporariamente, evitar possíveis acusações relacionadas à implementação de seu plano de segurança.


Especificamente, a administração de Bukele elevou os gastos com segurança pública e defesa nacional de uma média anual de US$ 573.136.399 durante o governo de Salvador Sánchez Cerén para US$ 838.450.000, o que representa um aumento de 46,39%. Esse incremento é ainda maior se levado em conta o recente emprego das forças armadas em tarefas de segurança pública.


O que se espera de um estado: produção de segurança

Que um estado, como El Salvador, transfira, diante dos males existentes, o consumo privado para o consumo de fatores de produção destinados à produção da defesa sob seu controle e que, com isso, reduza aquilo que se conhece como crime comum não deveria causar surpresa.


A segurança é um dos monopólios mais caros do estado — e não é gratuita. Mais ainda, o estado pode ser concebido como o monopólio da violência, uma definição amplamente aceita no âmbito do libertarianismo. O estado não é nada além disso: um grupo minoritário de indivíduos que, por meio do monopólio da força que conquistou, extrai riqueza da maioria dos indivíduos que compõem a sociedade, contando, no mínimo, com a aceitação passiva e resignada dessa maioria.


Com a única exceção, talvez, da criação dos Estados Unidos, nenhum estado foi criado para produzir bens públicos, controlar externalidades ou subsidiar bailes populares que deveriam acabar. Apesar de todas as teorias que justificam a existência do estado como condição para a produção de certos benefícios aos cidadãos, nenhum estado foi criado para produzir tais benefícios. Pelo contrário, o estado foi criado como um meio de governar os indivíduos, possibilitando a extração forçada de recursos de seus bolsos.


Uma realidade hobbesiana?

Na desordem descrita por Hobbes, na qual o direito natural dos homens é controlar tudo aquilo que desejarem, a vida se transforma em uma guerra de todos contra todos, desagradável, brutal e breve. Os fortes dominam os fracos, arrebatando-lhes tudo o que possuem, mas os próprios fortes não prosperam na anarquia hobbesiana, pois há pouco a ser tomado. Ninguém produz quando o produto certamente lhe será tomado. Mesmo sob condições mais ordenadas do que a cena hobbesiana, a depredação apresenta um benefício limitado, porque as pessoas que acumularam ativos resistem pela força àqueles que tentam saqueá-las, e as batalhas resultantes consomem recursos tanto dos predadores quanto das vítimas.


A bandidagem desorganizada gera uma situação em que ninguém prospera, porque ninguém tem incentivo para ser produtivo. Se os predadores conseguem se organizar, podem evoluir para pequenas máfias capazes de oferecer certo grau de proteção a seus clientes. Essa evolução criará uma sociedade mais produtiva, com maior renda tanto para os predadores quanto para suas presas, mas as máfias terão de limitar sua apropriação para que esse resultado se concretize. Se a máfia consegue assegurar a seus clientes que, em troca de um pagamento, eles estarão protegidos de outros predadores e poderão conservar uma parte substancial do que produzem, a produção aumentará e a renda de todos poderá crescer. No entanto, as perdas decorrentes das rivalidades entre máfias continuarão a ser suportadas, já que máfias concorrentes têm incentivos para saquear indivíduos que não contratam com elas.


Da máfia ao estado

Se as máfias se organizarem ainda melhor, podem se estabelecer como um estado. Os predadores têm todos os incentivos para deixar de operar como bandidos e passar a operar como estados, porque os bandidos não conseguem garantir para si mesmos um fluxo de receitas de longo prazo proveniente da depredação e porque, quando a bandidagem é desenfreada, as pessoas têm pouco incentivo para produzir riqueza. Os estados tentam convencer os indivíduos de que limitarão sua apropriação e que protegerão seus cidadãos, a fim de fornecer a esses cidadãos um incentivo para produzir. Os estados obtêm mais receitas do que os bandidos porque podem permanecer em um território e receber um fluxo constante de rendas, em vez de saquear uma vez e depois ir embora. Em tal situação, os indivíduos também ganham, de certa forma.


Em resumo, o monopólio que o estado detém sobre a produção de segurança é apenas o resultado de um processo por meio do qual o grupo criminoso do estado adquiriu meios suficientes para proteger seus súditos da concorrência, na expropriação, de outros grupos criminosos, reduzindo a probabilidade de que as receitas obtidas por esse meio diminuam no futuro. O monopólio estatal sobre a produção de segurança é desenhado para reduzir as unidades marginais de crime, de modo que reste apenas um único crime sistemático, com um único ofertante.


El Salvador: a certeza de uma menor liberdade

Assim, sendo a vocação do estado, e de quem o comanda, a de ampliar a segurança estatal para eliminar a concorrência no espólio da riqueza criada pela maioria, Nayib Bukele fez jus a esse papel, recriando-o com carisma estelar. Não sendo alheio ao apelo de aumentar impostos, com a exceção de reduzi-los para inovações tecnológicas, o que seguramente tem relação com aplicativos de iPhone e similares, a arrecadação tributária corrente sob Bukele passou de 18,1% do PIB para 19,4% em 2021 (sendo que, na Colômbia, em 2021, de 14,4%).


O papel crescente da intervenção do estado em El Salvador, sobretudo impulsionado pelo aumento do gasto público destinado à produção de segurança, o que, logicamente, leva os indivíduos a pagarem seus impostos com maior diligência, reflete-se na redução de sua liberdade econômica. Assim, no mais recente índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, Bukele, o “salvador”, conseguiu reduzir a pontuação do país de 61,8 para 56 (sendo a da Suíça, considerada mais livre, 83,8; e a da Colômbia, 63,1).


Quem será o Bukele colombiano nas próximas eleições?

Antes de tudo, resta-nos, então, contemplar a pergunta que hoje se faz nas ruas das cidades colombianas, bem como de forma esporádica em certos meios de comunicação: quem, se é que alguém, será o Bukele colombiano?


Vejamos…


Em um país como a Colômbia, onde todos os partidos políticos têm o estado como a única fonte possível de ordem e de prosperidade econômica; onde a noção da superioridade ética e moral da economia de mercado é descartada como uma piada de mau gosto; onde toda a estratégia política se reduz a abastecer com combustível, de preferência verde, a furiosa locomotiva estatal; e onde aquilo que se apresenta como oposição propõe medidas que os socialistas da Alemanha têm como padrão em suas plataformas programáticas. Na Colômbia, o partido no poder não poupa esforços para demonstrar seu mais latente ódio à liberdade individual.


Quem será o próximo apaixonado pelo poder, que buscará apenas aumentá-lo cada vez mais, contribuindo para a tendência natural do estado de concentrar-se cada vez mais em uma única pessoa, sufocando ainda mais a iniciativa privada do processo de mercado? Qualquer um. Qualquer um quer ser Bukele. Todos sonham com esse papel. Atire-se uma pedra e, com toda certeza, veremos alguém levantar a mão com um fio de sangue na testa.


A pergunta, então, não se reduz àquela, mas a quem será capaz de pintar o cabelo de preto azeviche e de organizar um concurso internacional de beleza. E é aí que encontramos os de sempre, amigos da mesma hipocrisia, que vão de Álvaro Uribe a Gustavo Petro: amigos na oposição essencial à liberdade e no amor adolescente pelo poder estatal.