Delator cita R$ 14 mi de propina paga a Fernando Pimentel

Alan Marques -/Folhapress


Apontado como operador do governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT), o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, afirmou que a Odebrecht e a OAS pagaram R$ 14,5 milhões em propina ao petista.
O relato foi feito aos investigadores da Operação Acrônimo em sua delação, que foi homologada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Pimentel já foi denunciado ao STJ por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo o depoimento do empresário, as tratativas com a Odebrecht começaram em maio de 2013, quando a empreiteira indicou que estaria disposta a financiar a campanha de Pimentel ao Palácio da Liberdade em 2014.
Bené disse que ouviu de Eduardo Serrano, que foi chefe de gabinete de Pimentel e era conhecido como "He-Man", que deveria procurar João Nogueira, que seria executivo da Odebrecht, para as negociações.
Segundo Bené, Pimentel pediu que o acerto ficasse entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões, diante das demandas da empreiteira no Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio e no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
A cúpula da Odebrecht, ainda segundo o empresário, só autorizou o pagamento de R$ 12 milhões. Entre junho de 2013 e junho de 2014, foram pagos R$ 11,5 milhões em espécie, em hotéis de São Paulo. Para efetuar o repasse, era acertado o uso de senhas com nomes de árvores e plantas.
Segundo o delator, o interlocutor da Odebrecht precisava do aval de Marcelo Odebrecht para aprovação do fluxo de dinheiro, sendo que Pimentel e o empreiteiro chegaram a se encontrar para que a negociação andasse.
Em maio, a revista "Época" revelou que a Polícia Federal investigava se a Odebrecht pagou propina por empréstimos do BNDES no exterior, por meio de intervenção junto à Secretaria de Comércio Exterior do MDIC e ao BNDES.
O objetivo seria aprovar e liberar recursos para financiamento de obras fora do país, como metrô de Buenos Aires e uma obra da empresa na África. Bené confirmou o esquema.
Além da Odebrecht, o operador disse que foi avisado, no início de 2013, por um assessor de Pimentel que a OAS iria participar do financiamento da campanha do petista.
Bené afirmou que tratou da questão com o próprio governador, que lhe explicou que a medida seria contrapartida por ter intermediado um interesse da empreiteira na construção de um gasoduto no Uruguai.
O intermediário da OAS teria confirmado que a ajuda ao petista seria de R$ 3 milhões. O empresário disse que informou o valor a Pimentel, que achou pouco e pediu que chegassem aos R$ 5 milhões, mas a OAS não teria aceitado. Bené disse que participou da definição do cronograma de entrega do dinheiro, prevista em seis datas e que outros interlocutores, então, assumiram a negociação.
CAIXA DOIS
O empresário afirmou ainda que Pimentel "participou e o incumbiu de arrecadar contribuições para o caixa dois da campanha ao governo de Minas Gerais.
Segundo ele, Pimentel "tinha ciência de que os valores arrecadados e as despesas da campanha eleitoral de 2014 foram globalmente subfaturadas na prestação de contas" da Justiça Eleitoral.
A campanha de Pimentel declarou que arrecadou R$ 53,4 milhões e gastou R$ 52,1 milhões. Bené disse estimar as despesas em R$ 80 milhões.
OUTRO LADO
O advogado do governador Fernando Pimentel (PT), Eugênio Pacelli, afirmou, em nota enviada à Folha, que as informações da delação do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto "são absolutamente falsas" e que demonstram "desespero de quem está disposto a alimentar o imaginário acusatório e de prévia condenação que assola o Brasil".
Afirmou ainda que "delações como essas constituem o cardápio principal servido nas prisões nacionais" e que, como consequência, "nos próximos dias sairá mais um para prisão domiciliar com pequeníssima devolução do que subtraiu".
A defesa de Pimentel também tem afirmado que ele jamais cometeu qualquer irregularidade à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Procuradas, as assessorias das empreiteiras Odebrecht e da OAS não se manifestaram.
Os ex-presidentes da Odebrecht e da OAS atualmente estão presos devido a suspeitas de envolvimento em esquema de corrupção na Petrobras e negociam acordos de delação premiada.
A assessoria do MDIC informou que a Secretaria de Comércio Exterior não tem competência sobre o tema de financiamentos internacionais.

Os demais citados não foram localizados.

Jorge Viana chama Moro de bandido

JORGE: Talvez.. olha a minha ideia.. falei até com o DAMOUS. Talvez seja a única oportunidade que o presidente tem de por fim a essa perseguição, essa caçada contra ele. Se numa segunda-feira, por exemplo, reflitam sobre isso, ele chamar uma coletiva e comprar e estabelecer uma relação, um diálogo com seu MORO pela, ao vivo, MORO, PROMOTORES, DELEGADOS, dizendo que ele não aceita mais que ele persiga a família dele porque ele tá agindo fora da lei, os promotores fulano e ciclano estão agindo fora da lei, os delegados fulano e ciclano e quem age fora da lei é bandido e que se ele quiser agora vim prendê-lo, que venha, mas não venha prender minha mulher, prender meus netos, nem meus filhos.. E forçar a mão nele pra ver se ele tem coragem de prender por desacato a autoridade, porque aí, aí eles vão ter uma comoção no país, porque ele vai tá defendendo a família dele, a honra dele.. dizer: olha, eu estou defendendo a minha honra, você está agindo fora da lei, quem age fora da lei é bandido.. me sequestraram, me colocaram.. eu não sei, tinha que pensar algo parecido com isso e dar uma coletiva e provocar e dizer que não vai aceitar mais..

ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito.

JORGE: Não aceita, em hipótese nenhuma.. se rebelar.. greve de fome, alguma situação.. você tem também alguma insubordinação judicial, não aceito mais ser investigado por esse bando que tá agindo fora da lei e querendo alcançar minha família, minha mulher, meus filhos e meus netos. Não aceito mais. Me prendam. Se prenderem ele, aí vão prender e tornar um preso político, aí nós fazemos esse país virar de cabeça pra baixo. Fora disso eu não vejo saída (ininteligível)

ROBERTO TEIXEIRA: É.. mas isso, mas viu, JORGE, ele anunciou isso, falou isso, ele disse que vai varrer o Brasil inteiro, vai denunciar isso o tempo todo..

JORGE: Isso não funciona.

ROBERTO TEIXEIRA: E agora..

JORGE: Não tem clima no interior do Brasil pra ele vir, pra ele andar. Ele tem que fazer uma ação ao vivo chamando coletivas, isso é mais forte do que ele fazer comício, fazer coisa.. gente, o clima tá muito ruim contra nós, não há uma comoção. Ele tem que botar a família dele, fazer a defesa e virar a fazer..

ROBERTO TEIXEIRA: Entendi.

JORGE: E fazer um confronto direto com eles. Se não fizer isso agora, não tem clima pra andar no Brasil.

ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito.

JORGE: Esses caras tão trabalhando há muito tempo esse ambiente. (ininteligível).

JORGE: Diga: me prenda, eu estou aqui. Vou ficar nesse endereço esperando a chegada dos seus subalternos com o mandado de prisão. Se ele prender, o LULA vira um preso político e vira uma vítima, se não prender, ele também se desmoraliza. Tem que virar o jogo agora. Esse negócio de andar o Brasil, de falar, isso não vai funcionar, isso foi num passado distante. Tem clima, e isso tem que ser feito urgente, porque senão no dia 13 vai ter milhões de pessoas na rua querendo a prisão do LULA. Eu to dando um toque, eu to no andar de baixo andando e é só mais pra vocês refletirem um pouco se puder.

ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito. Vamo, vamo refletir sim, vamo transferir isso aqui. Ele agora vai estar num ato aqui dos bancários, que ele vai agora falar pro povo, né? E..


JORGE: Eu não sei, mas você fala, diz: ó, foi uma possibilidade, LULA, existe greve de fome quando alguém se rebela e não aceita determinadas coisas, na parte judicial, porque ninguém do Supremo vai dar colhida mais ao LULA, mas tem muitas manifestações favoráveis. Se o LULA colocar como o defensor da família dele, da mulher, dos filhos e desafiar e dizer que eles tão agindo fora da lei, como agiram hoje fora da lei, quem age fora da lei é bandido e dizer: vocês são bandidos, agiram foram da lei. Só vai ter uma saída: ou o cara prende ele ou fica desmoralizado. Não aceito mais. Que o judiciário ponha um juiz isento pra me investigar, ponha um promotor isento pra me investigar, ponha é.. é.. delegado da polícia federal isento.. esse MOSCARDI veio aqui no Acre, fez uma operação contra o PT, nós denunciamos pro ZÉ EDUARDO CARDOSO, entramos com uma representação há seis anos contra esse delegado que pegou o presidente hoje. Ele é um inimigo do PT e tava lá. Agora, o presidente não tem outra oportunidade. Pra mim ele tem que fazer no máximo até segunda-feira, chamar uma coletiva e insubordinar e dizer que não aceita mais, não aceita mais e dizer: olha, vocês estão agindo fora da lei, e quem age fora da lei é bandido (ininteligível) o senhor está agindo como bandido, e o senhor não tem moral de me apurar de me investigar, eu to falando como cidadão, não é como ex-presidente, cidadão. Aqui está a constituição. Pense nisso. Reflita, porque nós não vamos ter outra oportunidade igual ao dia de hoje, não.

Artigo, Marcelo Aiquel- A delação de Cerveró

       O Jornal Nacional (aquele mesmo noticiário que já foi um bálsamo para os lulopetistas) de hoje – 06 de junho – divulgou um vídeo, onde o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró acusa diretamente a nossa pobre guerrilheira injustiçada Dilma Rousseff de estar ciente de todos os passos da compra da refinaria de Pasadena.
      Ora, o que ele declarou é apenas o óbvio. Pois, se ela não soubesse de nada, teria sido – além de uma péssima presidente do Conselho de Administração da empresa – uma administradora com atuação flagrantemente nociva aos interesses da Cia. e de seus acionistas.
      E se isto não representa um “crime de responsabilidade” (e ela praticou dúzias), então passarei a engrossar o grito de GOLPE.
      Porque, aos dirigentes das sociedades anônimas, especialmente aquelas de capital aberto, como a Petrobras, é exigido um comportamento absolutamente diligente na defesa da empresa e dos seus milhares de investidores/acionistas.
      Na hipótese da ex-presidente Dilma haver sido imprudente na condução dos negócios da Petrobras, para o que recebia um robusto salário no cargo diretivo que ocupava, deve ser responsabilizada civilmente segundo o artigo 158 da Lei 6.404/76.
      Isto quer dizer que – no mínimo – a ANTA terá que responder pelos prejuízos que ajudou a causar. E esta indenização sinaliza – também no mínimo – na devolução dos valores do referido prejuízo.
      Para alguém que gasta – sem qualquer parcimônia – o dinheiro público, este tipo de condenação seria um princípio da moralidade aplicada ao administrador irresponsável. Especialmente um administrador mentiroso e hipócrita como a nossa guerrilheira Dilma.
      Mentira e hipocrisia que sobraram nas justificativas ridículas apresentadas para contestar as denúncias do Cerveró.
      Disse a ANTA, entre outras pérolas, que nunca privou da intimidade do denunciante. Como se isso fosse determinante para inocentá-la da acusação de cumplicidade com o crime praticado.
      As desculpas apresentadas nos remetem ao reino da fantasia, e nos toma – a todos – como crianças. Ou ingênuos que acreditam em Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa ou na Fada do Dente...
      Apesar de que os que ainda acreditam em GOLPE, são dissimulados o suficiente para dar crédito à inocência da figura.

      Só eles...

"Economia brasileira está como a de um país em guerra civil", diz professor do MIT

Entrevista de Veja com  Roberto Rigobon, professor do MIT - Economia brasileira está como a de um país em guerra civil
O Brasil não está em guerra civil, mas o estado atual de sua economia é como o de um país conflagrado, de acordo com Roberto Rigobon, professor de economia aplicada do Massachusetts Institute of Technology (MIT). "Em uma guerra civil é assim: há muita inflação e a economia se estanca", diz. "Na economia, o governo Dilma foi catastrófico."
Rigobon, que é venezuelano, define como "patética" a política externa adotada pelo Brasil nos últimos anos. O país, avalia, se omite em momentos em que ele deveria assumir um papel que lhe seria natural, o de líder da América Latina. "Parece que o Brasil tem medo de se comprometer e tomar decisões e ações duras, que cabem a um líder", afirma. Em vez disso, argumenta Rigobon, o Brasil gosta de se cercar "do pior do mundo" - e ele põe na lista Argentina, Rússia e sua Venezuela natal. "Só falta firmar um acordo de intercâmbio com a Coreia do Norte", ironiza.
Confira trechos da entrevista do professor ao site de VEJA.
O Brasil acaba de mudar seu governo. O senhor acredita que isso pode favorecer a economia do país? Depende de como essa mudança acontecerá em termos concretos. Acredito que uma gestão que suceda um impeachment é diferente da eleita pelo povo. Por enquanto, parece haver um otimismo exagerado. Em geral, na história mundial, observamos uma quantidade pequena de presidentes efetivamente culpados por corrupção. Antes de se tornar pública, quando se faz uma investigação, como a da Petrobras, por exemplo, a polícia pode investir todo o tempo na apuração do caso. Nesse contexto, é mais fácil chegar às provas dos crimes cometidos. Depois de vir à tona na mídia, os desafios aumentam, e isso se torna mais difícil. Já imaginou o que aconteceria se o Congresso resolvesse que não há evidências claras de que Dilma esteja envolvida em crime de responsabilidade? A lei prevê que ela volte ao poder, não é? Ainda que o mercado atribua "chance zero", acredito que existe o risco de o Congresso brasileiro não encontrar evidências suficientes para depor a presidente ou obrigá-la a renunciar. O fato de ter havido uma votação para abrir o processo não significa, necessariamente, que houve crimes. Isso complica o cenário.
Como o senhor avalia o papel do Estado na economia brasileira no governo Dilma? Foi catastrófico. Tão ruim quanto ter uma guerra civil, período em que os países não crescem e, ao mesmo tempo, têm inflação, em um quadro típico de "estagflação". Esse quadro é piorado, em grande parte, por medidas tomadas do lado da oferta, como a intervenção brutal do Estado, expropriações, em um cenário em que o setor privado tem medo de investir. Em uma guerra civil é assim: há muita inflação e a economia se estanca.
Qual o peso da crise externa para esse cenário? Nenhum. Esta inflação, por exemplo, tem raízes totalmente internas. Foi, portanto, causada pela incompetência do governo brasileiro. Em 2009, o mundo todo estava em crise, mas o Brasil não foi afetado. Esta é uma evidência clara de que os problemas que começaram a aparecer no país foram provocados pela acumulação de ineficiência e ideologia do governo anterior.
Como o senhor avalia a premissa de que o Brasil só pode negociar acordos comerciais junto com o Mercosul? Quando o Mercosul foi criado, há mais de vinte anos, ele trouxe muitos benefícios a Brasil, Argentina e Uruguai. Esses países adotaram diversas medidas pró-mercado, fazendo com que suas empresas buscassem atingir o mesmo nível, de uma maneira justa. Mas, como em todos os acordos, as partes têm que evoluir. Depois de ter desenvolvido bastante sobretudo a indústria, os países do bloco deveriam procurar outros parceiros, que fossem melhores que eles. A única forma de melhorar é incluir no clube nações mais desenvolvidas que as que já estão. Falo de Estados Unidos e países europeus. Isso forçaria o Mercosul a seguir evoluindo.
Mas o bloco optou por tomar outro rumo, certo? Sim. Há muito o que melhorar em termos de política externa. No caso do Brasil, a política externa foi patética nos últimos anos. Parece que o país gosta de se cercar do pior do mundo - Venezuela, Argentina, Rússia. Só falta afirmar um acordo de intercâmbio com a Coreia do Norte. O Brasil é muito covarde para investir em acordos internacionais, considerando o tamanho e a importância que tem.
Qual seria o passo natural para a evolução do bloco? Depois de incluir os países desenvolvidos, como EUA, Inglaterra, Alemanha, Espanha, União Europeia, o passo seguinte é: os países que não estiverem de acordo com essa ideia, devem ficar com suas ideologias - e deixar o grupo.
O Brasil, como grande potência do bloco, deveria assumir uma liderança nesse processo? Sim, mas o Brasil falhou nessa missão. Ele deveria ser o líder da região, posto que é compartilhado por Chile e Colômbia. Quando olham para a vanguarda da modernização, social política, econômica, da América do Sul, as pessoas não veem o Brasil. O país nunca quis, por razões que desconheço, assumir esse papel de líder. As empresas brasileiras não têm a visibilidade e a liderança que deveriam ter, dado o tamanho e a importância do Brasil. É muito triste. Parece que o Brasil tem medo de se comprometer e tomar decisões e ações duras, que cabem a um líder. Mas nunca é tarde. É importante que o Brasil seja líder da América Latina. Tem todas as condições. Só mencionam o Brasil para fazer a seguinte comparação: o Brasil, geograficamente, equivale a todos os outros países somados. Os países líderes da região deveriam ser Argentina e Brasil.
E os BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)? Isso durou muito pouco. As razões, novamente, se relacionam com a falta de decisão e vontade do Brasil de ser líder neste espaço.
Como a comunidade externa percebe o momento das crises política e econômica do Brasil? Os desdobramentos dos escândalos de corrupção têm um aspecto positivo, de mostrar que as instituições estão funcionando e estão punindo corruptos. Nesse sentido, é muito positivo. Por outro lado, há ainda muita incerteza sobre quem será o próximo presidente, o que preocupa. Mas, em geral, o saldo é positivo.
O senhor é venezuelano e se mostra bastante crítico dos caminhos tomados por seu país. Que saída econômica o senhor vê para a Venezuela? Acredito que a Venezuela vai enfrentar uma hiperinflação ainda maior do que a atual. Se isso acontecer, a parte econômica é mais fácil de resolver. Há que considerar que ela é muito ruim, pois produzem muita pobreza e dor. O aspecto positivo é que ela elimina todas as distorções do mercado, incluindo os preços de diversos contatos. Depois que isso acontecer, terá de haver uma mudança radical de governo. A atual gestão é muito ideológica, o que torna os desafios mais difíceis de ser superados. O governo venezuelano tem a maturidade de uma criança de 3 anos, especialmente no quesito teimosia. Por isso, em vez de se chamar "Maduro", deveria se chamar "Imaduro" (risos).
O que um novo governo teria de fazer? Se há uma hiperinflação, em novas eleições outro governo deveria ser eleito - e um que considere, em suas políticas, todos os venezuelanos. Um governo que reconheça que o chavistas são um grupo grande da população, que, de alguma forma, devem ser considerados e respeitados. Algo que se aprendeu com o governo Chavista - e que é uma lição para todos os países da América Latina - é que os programas sociais têm de ser mais ambiciosos.
Em que sentido? Há 50 anos, pensava-se que fazer algo pelos pobres já era suficiente. Hoje em dia, está claro que não temos que fazer algo, mas muito. O fenômeno de Chávez, na Venezuela, de Lula, no Brasil, dos Kirchner, na Argentina, de Morales, na Bolívia, tem em comum ideologias muito esquerdistas, antiquadas, algumas da Idade Média. Elas são resultado de uma frustração muito grande na sociedade, que reflete a falha dos sistemas democráticos na hora de suprir os cidadãos mais pobres. Espero que os últimos 15 anos de desastre na região sejam usados como aprendizado, para entender que o modelo de desenvolvimento futuro tem de incluir programas sociais muito mais ambiciosos que os do passado - que atendam os pobres e lhes deem oportunidades. Os próximos governos, tanto na Venezuela quanto no Brasil, não podem esquecer dos erros cometidos no passado.


Opinião do editor - A verdade sobre a EBC

O presidente Michel Temer precisou compor com Eduardo Cunha para estruturar seu Governo e uma das principais peças está na subchefia da Casa civil para assuntos jurídicos, com o advogado Gustavo Rocha, que acumula as atividades de advogado privado do PMDB e Conselheiro do CNMP, o que lhe assegura maior blindagem na Casa civil, pois julga os membros do Ministério Público por atos praticados no desempenho de suas funções. Essa qualidade dá um especial status ao subchefe jurídico da Casa civil e um trânsito junto aos membros do MPF, especialmente junto a Janot, segundo ele próprio alardeia. Gustavo Rocha vem assessorando Temer na Casa civil, para preparação das Medidas Provisórias e atos jurídicos, o que remete ao caso EBC e também a uma série de conflitos com o novo AGU, Fábio Medina Osório, por discordâncias jurídicas e de metodologia nos trabalhos. Existe ainda uma peculiaridade na origem desses conflitos: Gustavo Rocha tinha ambição de controlar também a AGU, através de seu candidato, quase eleito, Luis Martins, procurador da fazenda nacional, seu amigo íntimo. O projeto foi abortado pelo Ministro Eliseu Padilha, amigo de Medina Osório, que o indicou para AGU. Medina Osório, no entanto, em função do pesado jogo político, precisou compor com Gustavo,  e assim indicou Luis Martins para ser seu vice-AGU, cargo que atualmente ocupa, e do qual Luis Martins se vale para, juntamente com Gustavo, conspirar para prejudicar as atividades do AGU em favor dos interesses de Eduardo Cunha no governo, o que vem perturbando os trabalhos de Medina. Surgem daí alguns ruídos importantes para atual gestão de Medina, que podem ser eliminados com a saída de Luis Martins, um conspirador notório, e se o governo também fizer a sua parte extirpando da Casa Civil a nefasta participação de Gustavo Rocha, que é representante de Cunha neste núcleo político de Temer. Feito este parêntesis, retornarei ao assunto EBC.

O caso EBC foi simples: a mudança foi orquestrada juridicamente por Gustavo Rocha, e assim foi feita a demissão do presidente da EBC. Impetrou-se mandado de segurança no STF e só a partir daí o AGU entrou, segurando o deferimento da liminar. O Relator, Ministro Dias Toffoli, entendeu que ao caso se aplicam precedentes relativos às agencias reguladoras, e que o mandato nao poderia ser interrompido. A responsabilidade pela nota técnica da defesa originária é do jurídico da Casa civil. O AGU, recolhendo os elementos do primeiro despacho, informou ao advogado Gustavo Rocha que a melhor tese seria o desvio de finalidade, tese na qual acredita. Houve, ao seu ver, desvio na conduta de Dilma, a qual somente nomeou o presidente dois dias antes da votação do impeachment, quando ja sabia que perderia. E deu-lhe um mandato cheio, quando o anterior havia cumprido 8 meses de seu mandato (antes da renúncia). Logo, a tese seria desvio de finalidade. No entanto, Gustavo Rocha escreveu duas linhas ou dois parágrafos a respeito. E Toffoli não gostou, deferindo a liminar. Osório chamou a atenção para este erro, e o jurídico da casa civil tenta responsabiliza-lo.


No entanto, o certo é que nenhum Ministro da AGU  vai cair por conta de qualquer  erro processual. Erros acontecerão, advogados ganham e perdem. O que está por trás desse debate é algo maior. Os motivos listados na mídia para suposta saída do AGU são ridículos. Em realidade, Medina Osório ajuizou ações bilionárias contra empreiteiras no início de junho, e alinhou suas ações com a força tarefa da operação lava jato. Recebeu elogios de Sérgio Moro. Esteve reunido com a Associação Nacional dos Procuradores Federais para discutir o novo marco regulatório dos acordos de leniência. Será necessário que Michel Temer demonstre seu compromisso com o combate à corrupção, fortalecendo Medina Osório à frente da AGU. Não é crível que sua iniciativa contra José Eduardo Cardozo - que tem sido considerada exitosa e motivo de aplausos junto aos senadores - possa motivar críticas nos bastidores. É hora de Michel Temer ganhar um centroavante neste governo, alguém que atue com força, e respaldado por seu núcleo político, sem ciumeiras e sem fogo amigo. =

Cerveró diz que Lula escalou José Eduardo Dutra para esvaziar a CPI da Petrobrás

m delação premiada, tornada pública pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nessa quinta, o ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou que, em 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou o ex-senador José Eduardo Dutra (PT-SE) para "esvaziar" a Comissão Parlamentar de Inquérito aberta para investigar desvios na estatal petrolífera.

Dutra foi presidente da Petrobras (2003-2005) no primeiro mandato do petista e exerceu mandato de senador pelo PT entre 1995 e 2003. No período de 2010 a 2011 foi presidente do partido. Dutra morreu no ano passado, aos 58 anos.

"Em 2009, foi instalada no Congresso Nacional uma CPI sobre a Petrobras", relatou Cerveró, no dia 7 de dezembro de 2015. "Na época, José Eduardo Dutra era o presidente da BR Distribuidora. Em razão da CPI, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a José Eduardo Dutra a missão de participar do 'esvaziamento' da CPI da Petrobras."

"Que, então, para cumprir essa missão, José Eduardo Dutra deixou a presidência da BR Distribuidora", diz o termo de declaração de Cerveró. Segundo o delator, Dutra, embora não fosse mais senador, "era muito bem conceituado como político, tendo facilidade de diálogo, inclusive com a oposição".

Pagamento de R$ 10 milhões

Outro delator da Lava Jato, o engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, revelou aos investigadores que mandou pagar R$ 10 milhões a um dos integrantes da CPI, o ex-senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), morto em 2014. A CPI foi encerrada em 18 de dezembro de 2009. Guerra era um dos 11 integrantes do colegiado - três eram da oposição e acusaram, na ocasião, o governo de impedir as apurações.

Ao ser instalada, a CPI mirava em sete empreendimentos da Petrobras, entre eles as obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco - primeiro alvo da Lava Jato na Petrobras. A revelação de Cerveró sobre o suposto empenho de Lula em "esvaziar" a CPI da Petrobras está no Termo de Colaboração 11/12, que aborda o tema "Indicação para a Diretoria da BR Distribuidora e distribuição de atividades na BR Distribuidora".

Nesse trecho da delação de Cerveró, os investigadores registram que, em 2008, o executivo foi exonerado da Diretoria Internacional da Petrobras, mas, em razão de Cerveró ter viabilizado a contratação da Schahin como operadora da sonda Vitória 10.000 - quando ainda ocupava aquele posto -, "havia um sentimento de gratidão do Partido dos Trabalhadores para com o declarante".

Empréstimo

Cerveró apontou detalhes desse capítulo emblemático do PT, alvo de uma das etapas da Lava Jato - o empréstimo de R$ 12 milhões que o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, tomou no banco Schahin, em outubro de 2004. Segundo Bumlai, o PT foi o destinatário do montante. A força-tarefa da Lava Jato afirma que, em troca, a Schahin ganhou contrato com a Petrobras de US$ 1,6 bilhão, em 2009, para operar o navio-sonda Vitória 10.000.


"Essa contratação objetivava a quitação de um empréstimo do PT, perante o banco Schahin, garantido por José Carlos Bumlai", diz o termo de declaração de Cerveró. "Como reconhecimento da ajuda do declarante nessa situação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu indicar o declarante para uma diretoria da BR, a Diretoria Financeira e de Serviços." A reportagem procurou o Instituto Lula, mas não obteve resposta.