Mensagens de um atentado


Mensagens de um atentado
A intolerância por trás da mente doentia do homem que ouvia a voz de Deus, “comunicava-se” com Lula e, por muito pouco, não mudou o rumo da história
Por Thiago Bronzatto access_time 12 out 2018, 07h00 more_horiz


No dia 1º de setembro, o garçom Adélio Bispo de Oliveira abriu sua página no Facebook e enviou a seguinte mensagem a Jair Bolsonaro: “Espero que esta sua valentia realmente exista no dia em que você me vê (sic)”. Num português claudicante, Bolsonaro é chamado de “marionete do capitalismo” e de “bonequinha de Washington”. Por fim, o garçom faz uma ameaça: “Vc merece tomar um tia (tiro) nesta cabeça de b… q vc tem”. Cinco dias depois dessa mensagem, Oliveira provou que não estava blefando. Ele foi ao encontro do candidato em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais, e tentou matá-lo com uma facada no abdômen. Preso, disse que praticara o crime em razão de suas divergências ideológicas e religiosas com o candidato do PSL — sobretudo por causa do discurso “racista e antissemita” do deputado.

Cinco meses antes de atacar Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira também enviou mensagens ao ex-presidente Lula. Em uma delas, manifestou seu apoio à candidatura do petista. “Se estão tentando barra (sic) sua candidatura, claro que é pq sabem dos riscos de se perder o poder em uma disputa democrática”, escreveu. O texto foi postado na página do Facebook chamada Lula Oficial. O título da mensagem era: “Adelio Bispo de Oliveira para Lula Presidente 2018”. Em seu comentário, o garçom fez um apelo ao ex-presidente: “O mundo comunista e até parte do mundo capitalista te agradeceria se vc escrevesse sua biografia e colocasse claramente os elos de ligações entre seus inimigos e a maldita maçonaria (sic)”. E alertou o petista para tomar cuidado com uma conspiração: “E verá que não são meramente homens que se declaram (…) seus inimigos, mas um sistema nazista secreto que existe no Brasil já a (sic) muito tempo”. Ao final, desejou sorte ao ex-presidente.

 ÓDIO –  Dias antes do atentado, Oliveira escreveu uma mensagem a Bolsonaro, dizendo que ele merecia um tiro na cabeça. A conta não era do candidato
ÓDIO –  Dias antes do atentado, Oliveira escreveu uma mensagem a Bolsonaro, dizendo que ele merecia um tiro na cabeça. A conta não era do candidato (Mauro Pimentel/AFP)

O garçom também enviou três mensagens à presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann. Numa delas, de março deste ano, deu palpites sobre a escolha do candidato petista a presidente: “Caso Lula não venha realmente concorrer, espero vê (sic) vc na disputa, segunda alternativa o Mercante (refere-se a Aloizio Mercadante)”. E “alertou” para o fato de que, assim que as candidaturas fossem anunciadas, haveria uma caçada aos candidatos ordenada pelo juiz Sergio Moro e por “toda a maçonaria”. Oliveira ainda se opôs à possibilidade de uma aliança do PT com o candidato Ciro Gomes, do PDT, hipótese discutida na pré-campanha. Disse que Jaques Wagner estava “equivocado” quando pedia que o PT cedesse, pois, no seu raciocínio, o partido cedeu ao chegar ao poder “e deu no que deu”.

A aparente proximidade com o PT, a ameaça encaminhada a Bolsonaro e o apoio a Lula, que na época do crime ainda era o candidato oficial do PT à Presidência da República, poderiam sugerir uma relação de causa e consequência quando se busca compreender a motivação do atentado. Em vez disso, as mensagens são apenas o retrato doloroso de uma mente perturbada, pois elas nem sequer chegaram aos pretensos destinatários. Durante as investigações, a Polícia Federal quebrou o sigilo telemático do garçom e encontrou suas mensagens endereçadas a Bolsonaro e a Lula. Só que os perfis com os quais Oliveira se comunicava — “Jair Messias Bolsonaro” e “Lula Oficial” — são falsos e, portanto, não pertencem a nenhum dos dois.


 ALERTA – O criminoso escreveu mensagens de apoio à candidatura do ex-presidente, advertindo para uma “conspiração”. A conta não era de Lula
ALERTA – O criminoso escreveu mensagens de apoio à candidatura do ex-presidente, advertindo para uma “conspiração”. A conta não era de Lula (Mauro Pimentel/AFP)

A polícia concluiu que Oliveira tentou matar Jair Bolsonaro sem a ajuda de outras pessoas. VEJA teve acesso à íntegra do inquérito que investigou a tentativa de assassinato. São 567 páginas de depoimentos, laudos e informações que reconstituem os passos de Oliveira desde o momento em que ele teria tomado a decisão de tirar a vida do candidato do PSL até o instante em que o atacou.

O crime começou a se materializar com uma coincidência. Oliveira estava em Juiz de Fora à procura de emprego quando soube pelos jornais que o deputado faria campanha na cidade. Segundo ele, já havia algum tempo que “vozes” o instruíam sobre o que precisava ser feito. Era a oportunidade perfeita para atender às instruções que ouvia mentalmente. Dois dias antes da visita, o garçom começou a fotografar e filmar lugares por onde provavelmente o presidenciável passaria. Os policiais encontraram em seu celular imagens da Câmara Municipal, da praça central e de um hotel, roteiros previstos na agenda de Bolsonaro. Para cometer o crime, ele escolheu uma faca de cerca de 30 centímetros de um jogo de duas peças que comprara em Florianópolis, Santa Catarina. Sua intenção inicial, como escreveu na mensagem, era matar o candidato com um tiro na cabeça. Chegou até a treinar os disparos, mas, como não havia tempo nem tinha dinheiro para comprar um revólver, optou por uma solução mais simples.

 DELÍRIO – O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, é apontado por Oliveira como membro de um “grupo da maçonaria” por trás de uma conspiração
DELÍRIO – O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, é apontado por Oliveira como membro de um “grupo da maçonaria” por trás de uma conspiração (Fabio Motta/Estadão Conteúdo)

Com tudo esquematizado em sua mente, Oliveira partiu para a execução do plano às 10h08 de 6 de setembro. Naquele momento, deixou a pensão onde estava hospedado, foi até uma lan house no centro da cidade e acessou sua conta no Facebook. Vinte minutos depois, deixou a loja e rumou para o lugar onde Bolsonaro começaria a cumprir sua agenda na cidade. Passava do meio-dia quando Oliveira chegou a um shopping, a 100 metros do hotel onde o candidato do PSL almoçava com empresários locais. O garçom gravou vídeos do hall de entrada, da reunião dos apoiadores do candidato e exibiu até o jornal que, mais tarde, usou para esconder a arma do crime. Para não chamar atenção, ele se juntou a um grupo de manifestantes que protestava em frente ao hotel. Às 15h12, menos de vinte minutos antes do crime, gravou as últimas imagens, que mostram o instante em que tentava se aproximar do presidenciável — Bolsonaro, nesse momento, já estava nos ombros dos apoiadores. O vídeo tem apenas cinco segundos.

A partir daí, para reconstituir o atentado, a Polícia Federal analisou mais de 150 horas de imagens feitas por manifestantes ou gravadas por dezoito câmeras de segurança instaladas em dez pontos do trajeto feito por Bolsonaro no centro de Juiz de Fora. Minutos antes do ataque, o candidato do PSL chegou à Praça Halfeld, acenou para os militantes e se dirigiu à escadaria da Câmara Municipal. A manifestação seguiu adiante, com o candidato sendo carregado pelos militantes. A cada passo, Adélio tentava se aproximar mais de seu alvo, buscando a melhor oportunidade para atacá-lo, já com o jornal numa das mãos escondendo a faca. Para forçar a aproximação, dizia que queria tirar uma foto de Bolsonaro e até gritava frases de apoio ao presidenciável — protegido por um cordão de quase vinte seguranças. Após várias tentativas, Oliveira conseguiu furar o cerco e atingir Bolsonaro com a faca.

 PALPITES – A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann: estratégia e sugestão de nomes para compor a chapa petista que disputaria as eleições
PALPITES – A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann: estratégia e sugestão de nomes para compor a chapa petista que disputaria as eleições (Renato S.Cerqueira/)

Crimes assim naturalmente alimentam teorias de conspiração. Mas afinal por que Oliveira quis matar Bolsonaro? As explicações foram apresentadas em três depoimentos prestados por ele à Polícia Federal. No último deles, gravado em vídeo onze dias depois do crime, Adélio reafirma que praticou o atentado por motivos ideológicos e religiosos e também “respondendo às ameaças que ele (Bolsonaro) tem feito, pelas ideologias que ele acredita, por ameaças de morte a pessoas” (veja o quadro abaixo). A Polícia Federal concluiu a primeira parte da investigação, conduzida pelo delegado Rodrigo Morais Fernandes, e constatou que no dia do ataque Oliveira agiu por conta própria. Acusado de cometer crime contra a segurança nacional, ele poderá ser condenado a até dez anos de prisão. Por precaução, um segundo inquérito foi instaurado, para apurar se houve alguma conspiração, se outras pessoas participaram do atentado ou o influenciaram, incluindo suspeitas sobre o envolvimento de uma organização criminosa. Preocupada com o acirramento da disputa no segundo turno das eleições, a PF também reforçou a segurança dos candidatos, que agora contarão com uma escolta de 35 agentes, e intensificou a vigilância sobre as redes sociais.

 VIOLÊNCIA – A faca, de 30 centímetros, que Oliveira usou para ferir Bolsonaro: a ideia inicial era disparar um tiro
VIOLÊNCIA – A faca, de 30 centímetros, que Oliveira usou para ferir Bolsonaro: a ideia inicial era disparar um tiro (//Divulgação)

Em Sergipe e São Paulo, duas pessoas foram intimadas a prestar esclarecimentos sobre mensagens postadas nas redes sociais que incitavam atos de violência contra os candidatos e eleitores de Haddad e Bolsonaro. Num dos casos, uma garota sugeriu num vídeo um novo atentado contra Bolsonaro antes do segundo turno. No Paraná, um homem gravou uma imagem do momento em que estava na urna pressionando o número de Bolsonaro com a ponta de uma arma. A filmagem se tornou um viral. Os policiais passaram a apurar a identidade do eleitor que violou o próprio voto. Usando técnicas modernas de reconhecimento facial, descobriram o transgressor: era um marceneiro do Paraná, que virou alvo de mandado de busca e apreensão. A arma era de brinquedo, mas o fanfarrão passou pelo constrangimento de ter sua casa invadida pelos federais. Casos como esses estão sendo monitorados pela área de inteligência da PF.

O atentado contra Bolsonaro foi a mais violenta e dramática demonstração de intolerância ocorrida na eleição presidencial. Mas, infelizmente, não foi a única. Nos últimos dias, foram registrados vários casos de violência política. E o mais sério de todos ocorreu em Salvador, onde o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, de 63 anos, foi assassinado com doze facadas nas costas na segunda-feira 8, em uma discussão de bar. O agressor, Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, confessou o crime e disse que matou por motivação política. Testemunhas relataram que ele se identificou como eleitor de Jair Bolsonaro. Depois da discussão, Santana deixou o bar, foi para sua casa, onde pegou uma faca. Voltou para o local e desferiu os golpes contra a vítima, que morreu ali mesmo. Santana foi preso.

 INTOLERÂNCIA – Em Porto Alegre, uma mulher foi marcada com a suástica a canivete. Na Bahia, Romualdo da Costa foi morto a facadas
INTOLERÂNCIA – Em Porto Alegre, uma mulher foi marcada com a suástica a canivete. Na Bahia, Romualdo da Costa foi morto a facadas (//Divulgação)

No Recife, uma jornalista foi atacada e ameaçada de estupro ao sair de um local de votação no dia da eleição. Dois agressores se aproximaram e afirmaram que ela era “riquinha” e “de esquerda” e utilizaram um canivete para feri-la no braço e no queixo. Um deles, segundo relatos, vestia a camiseta do candidato Bolsonaro. Em Porto Alegre, outro caso repulsivo: uma garota de 19 anos procurou uma delegacia e denunciou ter sido agredida por três homens. Segundo ela contou à polícia, o motivo da agressão foi o fato de estar usando uma mochila com o adesivo #Elenão, símbolo do movimento contra Bolsonaro. A vítima disse ter recebido um soco e, na sequência, os agressores usaram um canivete para tatuar a suástica nazista em seu corpo. A polícia ainda investiga a versão da mulher e trabalha com a hipótese de um ataque homofóbico.

“Deus me ordenou”
VEJA teve acesso ao depoimento em vídeo prestado por Adélio Bispo de Oliveira à Polícia Federal. A seguir, as explicações que deu para ter perpetrado o atentado contra Bolsonaro.

 VOZES – O mapa do inquérito: a rota de Oliveira até o local do crime
VOZES – O mapa do inquérito: a rota de Oliveira até o local do crime (Google Maps/.)

MOTIVO DO ATENTADO
“Por divergências ideológicas e respondendo às ameaças que ele tem feito, pelas ideologias que ele acredita, por ameaças de morte… contra pessoas que têm ideologias diferentes das dele. Dos muitos discursos. Discursos racistas, quando fala de negros, quando fala de quilombolas. Tem muita coisa. Tem discursos antissemitas. A gente já ouviu o discurso dele. Discursos contra o povo árabe, basicamente como se todos fossem terroristas, como se o Brasil não pudesse ter relacionamento com o povo árabe, enquanto temos um árabe governando o país, um libanês (refere-se a Michel Temer).”

O PLANEJAMENTO
“A responsabilidade é inteiramente minha, de mais ninguém. (…) Me veio à cabeça. Quando vi nos jornais que ele estaria (em Juiz de Fora). Dois, três dias antes, eu acho. Nem acreditei. Já estava em cima. Resolvi jogar na loteria, digamos assim. Talvez eu conseguisse, talvez eu não conseguisse (atacar Bolsonaro).”

EM NOME DA RELIGIÃO
“Essa é a segunda razão pela qual eu fiz. Esse bom Deus, esse meu Deus que me ordenou a fazer. O Bolsonaro… Ele é um impostor. É meio cristão, mas não é cristão… Está tentando puxar o público evangélico, recrutar os evangélicos para ser o presidente da República, mas ele é um impostor infiltrado pela maçonaria no meio protestante. Ele não tem nada… Basta fazer uma pergunta para ele em relação à Bíblia.”

A ARMA DO CRIME
“Parte de um jogo que comprei, para uso doméstico. Tentei levá-la comigo (refere-se à faca), escondida no corpo, escondida na roupa. Tava enrolada num papel de jornal.”

NA HORA H
“Um pouco antes, sim (refere-se ao fato de ter ouvido vozes), mas teve um momento que eu quase desisti porque achei que seria impossível a aproximação. Era impossível se aproximar. Quase desisti.”

Colaboraram Laryssa Borges e Hugo Marques

Artigo, José Maurício de Barcellos - Lições do primeiro turno


- O autor é advogado.

Eram exatamente 17h00min horas do último domingo 07 de outubro, quando em uma tela de televisão de um restaurante de estrada, onde parei para almoçar ao retornar para o Rio de Janeiro, surgiu um casal de famosos apresentadores da “Rede Goebells”, entrando triunfalmente em um luxuoso palco para dar início ao circo que armaram para transmitir os resultados da tal pesquisa de “Boca de Urna”.
Reparei de plano, o semblante daqueles desprezíveis serviçais de um dos mais nocivos Conglomerados da Comunicação do País. Estampavam um sorriso sarcástico e afrontoso como que quisessem dizer: já sabemos – e já sabiam mesmo – do resultado da eleição para Presidente da República e daqui a algumas horas o Brasil constatará a força do nosso poder descomunal de influir e influenciar a opinião pública ao sabor de nossos inconfessáveis e espúrios interesses. Pensei comigo mesmo. Certamente que esta horda de sanguessugas da Nação Verde e Amarela conseguiu mais uma vez.
Não deu outra coisa. Os patifes da comunicação profissional, ajudados por seus “cativos penas de aluguel” e pelos famosos canastrões da telinha, haviam feito jus às suas descomunais remunerações pagas com o que os Barões da Comunicação arrancam dos cofres públicos e, depois de quase seis meses trabalhando para destruir a imagem do único candidato à Presidência da República que temem e odeiam, atingiram seu objetivo, qual seja: investindo e promovendo vários comparsas do “Ogro Encarcerado” das formas mais vis e execráveis possíveis, haviam logrado com isso contribuir decisivamente para que fosse alcançado um segundo turno destas eleições presidenciais que, a rigor, já estava há muito sepultado pela legítima expressão da maioria da vontade popular.
Desta maneira ganharam folego para tentar colocar no Planalto um patife que, tal como faria seu mentor preso em Curitiba, não vai retirar as mãos sujas de seus “donos” dos cofres oficiais.
Quem quer que acesse a Rede Mundial de Computadores bem sabe o tanto que gritaram nas ruas e nas avenidas pelo Brasil a fora e o quanto sacudiram as cidades, as praças e os aeroportos, todos os cidadãos do bem assim como os honrados homens de família e os patriotas, externando toda sua repugnância contra a esquerda ladra e delinquente. O que mais poderiam fazer e o que mais queriam os poderosos que o povo fizesse para que ficasse evidente que esta Nação rejeita a corja petista e a “peste vermelha” que dizimou o sentimento de amor a Pátria de gerações inteiras?
A imprensa profissional e toda a grande mídia riem e escarnecem de nós, os bobocas e insignificantes que nenhum poder têm contra o poderio deles. Passam por cima de qualquer coisa, torcem e distorcem, manipulam e escondem tudo quanto possa atrapalhar seus perversos planos de dominação e vão continuar fazendo o diabo para não ceder um milímetro de suas odiosas posições.
E se o caro leitor pensa que depois de tudo quanto fizeram para contornar o legítimo anseio e a última esperança de nossa gente para destruir a esquerda socialista ou comunista no Brasil, aqueles patifes vão ceder estão terrivelmente enganados. Percebam como são sórdidos.
No dia seguinte, os principais jornalões do País deixaram transparecer em primeira página aquilo que um ninho de esquerdopatas de rapinas de um matutino de São Paulo disseminou insidiosamente em seu “site” principal, no sentido de que todos nós poderíamos dormir tranquilos quanto à vitória final do candidato líder na pesquisa, pois “Nunca antes houve no Brasil “uma virada” de Segundo Turno”. Ah sorrateiros traidores da Pátria de uma figa! Além de estarem preparando o golpe certeiro contra os patriotas, ainda querem total liberdade para agir na sombra, sem que se ofereça um combate à altura. Pois que esperem sentados. Não caiam nessa cantilena. Isto é “papo de inimigo”.
E a farsa continua. Ainda nesta quarta feira que passou a grande mídia publicou o resultado das pesquisas para o 2º turno, que compraram do “Datalula”. Visando espalhar que o “ladrãozinho de Ogro” ainda tem chance de ser Presidente da República dizem os jornalões que Bolsonaro tem 58% de intenções de voto e o petista 42%. Comparem. No território livre da Rede Mundial de Computadores, uma pesquisa impossível de ser manipulada – postada em https://desafiodaverdade.com/ – diz que Bolsonaro tem 84% e Haddad 16%. Certamente que diante do resultado final aparecerão os calhordas da telinha alegando que “ocorreu um movimento brusco dos eleitores”, para justificar seu erro. Velhacos, sem verniz!
Nas redes sociais só se fala de fraude nas urnas no primeiro tuno destas eleições. Tem vídeo de todo lado filmado por gente simples do povo impugnando milhares de urnas pelo Brasil inteiro, registrando tudo e chamando a polícia. A gritaria diz respeito sempre às fraudes contra o candidato líder nas pesquisas, nunca contra o bandido do PT, comparsa de Lula e alvo da Lava Jato. Alou Ministério Público! Quero saber se tudo restará apurado ou, tal como na eleição de Dilma, empurrado para debaixo do tapete?
Para se tentar impedir qualquer exame mais acurado acerca da pública e notória fraude nas urnas eletrônicas surgiu do nada uma Missão da OEA – Organização dos Estados Americanos (conhecido reduto de comunistas) – para observar o pleito eleitoral deste ano. A tal missão já se apressou a dizer pressurosamente que tudo que se vê nas Redes Sociais quanto aos incidentes fraudulentos em favor do PT são meras visagens ou falsas postagens. Aquela vigarice está sendo liderada pela chefe da tal missão, a “cucaracha” Laura Chinchilla da Costa Rica, a mesma que aprece nas Redes abraçada com os assassinos Castro, Chaves e Maduro e com o larápio petista. Nem seria preciso dizer mais nada, mas lembrem-se da “jogada armada” pelos petralhas com um “orgãozinho” da ONU objetivando tentar livrar o larápio petista do xilindró.
Atenção! Como dizem os jovens: “não vamos dar mole”. Na cabine de votação, caso o prezado Leitor tecle o número 1 e apareça o 13 ou tecle o 17 e não apareça Bolsonaro ou, ainda, na hipótese de ver sua votação se encerrar antes do voto para Presidente e do “gravando” final, consintam uma sugestão: a) não deixe a cabine de forma alguma; b) dali mesmo peça o registro no boletim de urna; c) caso alguém negue o registro permaneça na cabine e peça que se chame a Polícia Militar ou a Federal; d) solicite a alguém na fila de votação que filme tudo revelando o local, a zona e a seção; e) encaminhe o vídeo e tudo o mais para: contato@psl.org.br ou para imprensa@psl.org.br e finalmente enfatizo, “não saia da cabine”.
Vamos entupir no segundo turno as urnas de votos contra o bandido do PT e de tal forma que se ousarem fraudar ou por mais que roubem na apuração não conseguiram seu intento. Contudo, se der zebra, se os facínoras de Lula ganharem, aí iremos para as ruas e os tiraremos do poder com o desforço pessoal que a Constituição nos garante. Aqui as Forças Armadas estarão ao lado do povo. Tenho certeza.
O Brasil amanheceu triste e perplexo com o resultado das urnas. Nem de longe era o que se esperava ou o que o Mundo esperava desta eleição para presidente da república, bem definida por duas partes que se apresentaram: de um lado os verdes e amarelos, lutando pela Pátria, pela família, pela fé cristã e contra aqueles que promoveram o maior saque dos cofres públicos da história da humanidade; de ouro os vermelhos, bandidos e traidores da Pátria. É isto que aconteceu e se antes, no primeiro turno, alguém ainda poderia se justificar por conta de uma opção pelos “Amoedos” da vida, quem não votar no único candidato que jamais foi acusado de corrupto ou de aliado das quadrilhas de Sarney a Temer é vilão de sua Pátria, é conivente, por omissão, com os ladrões e ponto final. Façam como quiser, procedam como bem entenderem, mas desta pecha nunca mais se livrarão e estamos conversados.
Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br.

Nota da Igreja Universal


A Igreja Universal do Reino de Deus repudia as declarações caluniosas e preconceituosas do candidato Fernando Haddad, proferidas nesta sexta-feira (12).

Com sua fala criminosa, o ex-prefeito de São Paulo desrespeita não apenas os mais de 7 milhões de adeptos da Universal apenas no Brasil, mas todos os brasileiros católicos e evangélicos que não querem a volta ao poder de um partido político que tem como projeto a destruição dos valores cristãos, como a família, a honra e a decência.

Quando o Bispo Edir Macedo apoiou o Partido dos Trabalhadores (PT) e o ex-presidente Lula, o apoio era muito bem-vindo. Agora, quando o líder espiritual da Universal declara que seu candidato é Jair Bolsonaro, o Bispo Macedo deve ser ofendido de forma leviana?

Atacando uma das maiores lideranças evangélicas do País, Haddad tenta incitar uma guerra religiosa ao dar essa declaração em um local sagrado aos católicos, em pleno feriado católico.

Charlatão é o candidato que mente para o povo para ser eleito.

Fome de dinheiro tem o partido político que assalta estatais e os cofres públicos para sustentar uma estrutura que a Justiça definiu como “organização criminosa”.

Em 2017, os programas sociais da Universal atenderam 9 milhões de brasileiros invisíveis aos governos: moradores de rua, viciados em drogas, presidiários e seus familiares, mulheres vítimas de violência doméstica, idosos abandonados, policiais militares oprimidos, jovens da periferia das grandes cidades, empresários falidos. Toda essa assistência é prestada a custo zero aos cofres públicos.

O candidato responderá na Justiça pelo ódio religioso que tenta espalhar e por suas calúnias.

De resto, o povo saberá dar resposta a ele.

Artigo, Antonio Britto - Nós, os constituintes de 1988, fracassamos


Artigo, Antonio Britto - Nós, os constituintes de 1988, fracassamos

O país onde a realidade é inacreditável esmerou-se em 72 horas, de 6ª feira a domingo (5 a 7 de outubro de 2018). O Brasil comemorou 30 anos da Constituição que implantou a democracia. Realizou eleições em que o tema foi a fragilidade da mesma democracia. Escolheu como únicas opções para fortalecê-la por meio de reformas (que exigem consenso) os maiores campeões em rejeição.
É mais do que hora de aqueles que sonharam e construíram o período democrático confessem seus erros e assumam seus fracassos.
Nós, os constituintes de 1988, erramos porque legislamos para trás. Tudo o que fosse oposto à ditadura, nós aprovamos como bom ou necessário. Para cada acerto em favor da sociedade e de mecanismos de controle do Estado, constitucionalizamos a fragilização do setor público e sua submissão às corporações.
Enfraquecemos o setor público, confundindo o Estado autoritário (que mais do que nunca é necessário abominar) com o Estado ineficiente e corrompível, também ele inimigo da democracia.
Nós, os democratas, permitimos que a expressão máxima do regime das liberdades –eleições, partidos e Congresso Nacional– fossem em grande parte transformados em estabelecimentos comerciais entregues a frequentadores contumazes das páginas policiais. E a eles conferimos imunidade.
Nós, a alternativa respeitável da social-democracia, transformamos o que poderia ter sido um grande, sério e confiável partido nacional –o PSDB– em um camarim para a disputa de vaidades paulistas. Silenciosas diante da corrupção. Covardes diante do governo Temer a ponto de este ter feito o governo Dilma sumir do debate eleitoral dois anos depois de seu histórico fracasso, como se nunca tivesse existido.
Nós, a alternativa de uma esquerda moderna e séria, condenamos o que parecia ser um partido popular e transformador –o PT– a tornar-se o maior gerador de corrupção da história do país. E, pior: acabamos construindo um biombo de esquerda para a mais velha e reacionária das práticas –um caudilhismo que também o país ainda não tinha vivido.
Nós, os liberais, por oportunismo ou medo, abandonamos a pauta conservadora pela agenda do ódio. Passamos gradualmente a construir um caminho de rejeição à primeira das regras democráticas: o respeito à diversidade, o prazer na pluralidade e a convivência com as minorias.
Fizemos pior. Fechamos os olhos à inaceitável proliferação e ao poder de algumas igrejas que, na verdade, são estabelecimentos comerciais. Mais recentemente, concluímos a obra conservadora fazendo com que o país voltasse a conhecer e discutir o nome de militares.
Nós, os que trabalhamos ou dependemos do Direito, tivemos muito medo de dizer que caberia ao menos preservar o Judiciário, diante das crises dos partidos, do Congresso e do Executivo.
Situado a metros do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a harmonia dos Poderes aconselhava solidariedade no pior. E igualou-se no descrédito.
Passamos os 30 anos comemorados na 6ª feira construindo o resultado de ontem. Não faltarão agora os que buscarão na miséria de grande parte dos brasileiros (sem emprego e saúde) e na insegurança da outra parte (diante da violência e da falta de eficiência dos governos) a explicação para o que aconteceu. Como se deles fosse a responsabilidade pelo dia de ontem.
Será mais um –e o pior erro de quem é democrata. Os brasileiros, de forma repetitiva, quase monótona, aprovam a democracia, exigem a liberdade, mas querem governos que funcionem gerando o básico. Voltam-se ao populismo em busca de comida. Ou deslizam para o autoritarismo em busca de segurança.
Já sabemos o que esperar de quem vencer nesse 2º turno. E não parece nada bom. Mas o que esperar de quem perdeu ontem, foi humilhado pelas urnas e condenado pelos 30 últimos anos, não importa o partido?
Há um sabor extremamente amargo deixado por esse domingo para todos que tenham bom senso. Cabe agora esperar que as três próximas semanas, de forma quase milagrosa, desmintam os maus presságios. E cabe cobrar com veemência que os expulsos da vida política ontem façam com atraso o reconhecimento do quanto erraram, surdos diante de um sentimento que se explodiu ontem e que vinha sendo construído lentamente ao longo desses últimos anos.

Antônio Britto
Antônio Britto Filho, 66 anos, é jornalista, executivo e político brasileiro. Foi deputado federal, ministro da Previdência Social e governador do Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente é presidente do Conselho Consultivo da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa).

O suicídio de um Partido


• Por Pedro Luiz Rodrigues
• Embaixador e Jornalista 

Caso fatos notáveis não venham a ocorrer, o Partido dos Trabalhadores deverá sofrer amarga derrota no segundo turno das eleições presidenciais, no próximo dia 28 de outubro.
Era apenas uma questão de tempo para que o partido começasse a se esboroar. Como desde sua criação (1980) viveu de contradições, de meias-verdades e de falsas aparências, nunca transitou com desenvoltura no ambiente da democracia. Como em obras que desabam, sobrou areia, faltou cimento.

A partir de quando o PT deixou der oposição e se tornou governo, suas bandeiras originais – que por vinte anos  haviam seduzido massas de jovens idealistas – foram sendo jogadas na lata de lixo.

Honestidade, decência, transparência, todas deixaram de ser qualidades admiradas e praticadas por seus dirigentes. Os jovens idealistas, não mais tão jovens assim, perceberam (pelo menos alguns deles) que não haviam  sido usados apenas como massa de manobra.

Fazer o quê? Quem nasceu para tubarão não pode pretender ser golfinho. O PT diz que é democrata, mas não pode ser, porque seu objetivo final é a implantar uma ditadura (a do proletariado). Lula já jurou que o partido não é marxista, mas os intelectuais da agremiação dizem seguir a pauta marxista-gramscianam que rejeita a alternância democrática.

O povo não é burro e quem não espera prebendas ou favores do petismo tem razões para morrer de rir com a notícia de que o PT, juntamente com seus aliados (PCdoB, PSOL e outros), estariam para formar uma “frente democrática” para contrapor-se à candidatura de Jair Bolsonaro.

Falsear, mudar de cara, é o que a dobradinha PT-PCdo B está fazendo agora, mais uma vez. Um de seus anúncios de campanha do primeiro turno era  do tipo tradicional, muito vermelho, e os dois candidatos secundados pela imagem de Luiz Inácio Lula da Silva. Na versão para o segundo turno o vermelho deu lugar ao verde, ao amarelo e ao azul e Lula, no melhor estilho soviético, foi simplesmente eliminado da fotografia.

Para o PT a derrota que se avizinha será estrondosa e definitiva; vai ser a pá de cal no túmulo de um partido que vem se suicidando aos poucos, desde 2005, quando o Mensalão revelou à sociedade que o PT falseara sua credenciais morais para chegar e se manter no poder.

Esse falseamento moral foi necessário para a participação do PT num regime democrático, onde as regras do jogo pressupõem a aceitação da diversidade ideológica, a alternância no poder e a máxima lisura na defesa dos interesses legítimos do Estado.

O PT não aceita a democracia, nem a diversidade ideológica nem a alternância no poder. Quanto ao Estado, cuidaram de aparelhá-lo partidariamente – inclusive o Itamaraty, instituição à qual pertenço – privilegiando a lealdade ou subserviência ao partido à qualidade e méritos profissionais.

Se saíram do poder no impeachment de Dilma ( “o golpe, o golpe, o golpe”,  do refrão partidário),  serão definitivamente escorraçados agora,  no final de outubro, pelo voto popular.

O PT não teve forças para corromper as instituições brasileiras, muito mais fortes do que as da Venezuela, país próspero que os aliados do PT conseguiram levar à ruína.

Reportagem de Carlos Rollsing, Zero Hora - "Não me faz essa pergunta", diz Simon sobre voto em Bolsonaro

A entrevista vai na íntegra, para que o leitor não tenha dúvida alguma sobre as palavras do ex-senador.


Depois de o MDB gaúcho e o governador e candidato à reeleição José Ivo Sartori terem anunciado apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno das eleições presidenciais, emedebistas históricos, forjados nos tempos em que o partido era resistência ao autoritarismo, passaram a ser procurados e pressionados para aderir ao mesmo caminho.

A aproximação com Bolsonaro, que teve 52,63% dos votos no Rio Grande do Sul, é vista como um trunfo para Sartori na disputa com Eduardo Leite (PSDB). Nesta entrevista, o ex-senador e ex-governador Pedro Simon, liderança maior do MDB gaúcho, diz que vai acatar a decisão do partido, mas assegura que não irá participar da campanha.

E mais: pede, com certo constrangimento, que não seja questionado sobre a confirmação do seu voto no candidato do PSL. Ex- companheiro de Ulysses Guimarães, Simon reconhece que a adesão ao capitão da reserva não é coerente com a sua história e com a da legenda.   

O senhor definiu uma posição, depois das reuniões com partidários, sobre o segundo turno da eleição presidencial?

Simon — Estamos em momento muito importante e muito difícil. Na verdade, não é nem o problema de escolher o melhor, mas o menos ruim. Eu reconheci valores na luta do PT ao longo da história, mas hoje a situação é muito complicada. No momento em que eles não fizeram autocrítica, não aceitam o resultado da Justiça, não nos dão a garantia de que vão cumprir as decisões da Lava-Jato. O próprio presidente do PT a ser eleito (Fernando Haddad) daria o perdão ao presidente Lula, o tiraria da prisão. Fica uma situação muito difícil. Do outro lado também, eu tinha grande desconfiança com a vida pregressa do outro candidato (Jair Bolsonaro). Interrogações com relação a identificação dele com a democracia, com as liberdades, mas ultimamente ele vem fazendo afirmativas que detonam o seu respeito pela liberdade.

Quando o candidato a vice-presidente, o general (Hamilton Mourão), diz que tem que terminar com 13º salário e com as férias, que seriam más ao país, ele (Bolsonaro) desautoriza e rejeita. Diz que são direitos sagrados do trabalhador. Ele fala que seu governo não aceitará troca-troca de cargos em troca de vantagens. Reconheço que a situação é muito difícil e complexa. O apoio será crítico (a Bolsonaro), com grandes divergências. Estaremos em alerta permanente em defesa da democracia e da liberdade. O Brasil vive, hoje, na operação Lava-Jato, com a decisão de que o condenado em segunda instância vai para a cadeia, um momento definitivo. Se extinguirá o país da impunidade, indo para um caminho em que o lugar de corrupto é na cadeia. Isso está acontecendo.

Pelo o que entendi da sua manifestação, o senhor vai acatar a decisão do MDB gaúcho de apoiar Bolsonaro, mas fico em dúvida se o senhor vai apoiar ele pessoalmente e se vai votar nele. Como será?

Eu vou ficar fora da campanha. Não participo.

O que o senhor vai fazer então? O que significa apoiar criticamente?

Eu não sei, respeito a decisão do partido, está feito, mas eu fico fora da campanha.

Não é um apoio explícito então?

É um apoio crítico.

E o que significa um apoio crítico?

Não vou participar da campanha. Vou fazer essas análises de um e de outro lado, que eu acho que devem ser feitas.

Mas o senhor vai votar no candidato Bolsonaro?

Não me faz essa pergunta (risos). Eu peço, por favor, que não me faça essa pergunta.

O senhor citou positivamente momentos em que Bolsonaro desautorizou pessoas da campanha dele diante de polêmicas como o fim do 13º salário. Como avalia outras passagens da campanha como a declaração do general Mourão sobre autogolpe e a proposta de Bolsonaro de dobrar o número de ministros do Supremo Tribunal Federal?

O negócio do Mourão ele desautorizou. Desautorizou o autogolpe, a convocação de Constituinte e também desautorizou aquele grupo de intelectuais que se reuniriam para fazer uma nova Constituição. Sobre a outra questão (STF com o dobro de ministros), é um dos absurdos. Se tem uma coisa que não precisamos, é aumentar o Supremo de 11 para 21 (ministros). O Supremo americano funciona com nove, desde o início da República americana, e vai muito bem. É um absurdo. E isso também não passa só por ele, teria de mandar para o Congresso. Não sei se o Congresso apoiaria. Realmente tem que dar uma sacudida no Supremo, mas também não vamos esquecer que foi o Supremo, com todas as suas complicações, que decidiu que o condenado em segunda instância vai para a cadeia em todo o Brasil. Em 150 anos, nenhum político, nenhum empresário, nenhum agente importante e com dinheiro ia para a cadeia. Só ia para a cadeia ladrão de galinha. Agora, depois dessa decisão, todo mundo tá indo para a cadeia. É o Lula, o presidente da Câmara, presidente do Banco do Brasil, empresários dos mais importantes estão na cadeia. Eu, com toda a sinceridade, não acho que é colocando 21 pessoas no Supremo que vai melhorar.

O senhor participou daquela reunião histórica, em 1964, com o João Goulart em Porto Alegre, nos últimos momentos antes de ele rumar ao exílio em consequência do golpe militar. O senhor acha que aquele período tem comparação com o atual em termos de acirramento de ânimos e polarização?

Sim, participei. Naquela época, o Brasil vivia numa democracia, mas naquele momento, inclusive com a força da igreja, as caminhadas por Deus, pátria e família, contra a corrupção, mar de lama, o Brasil está perto do comunismo, o João Goulart quer implantar o comunismo, roubalheira total. Falavam, falavam, mas não tinha nada. Não provaram nada. Tanto que derrubaram o Jango, ficaram 21 anos, e não apresentaram nenhum fato com relação ao Jango relacionado à corrupção. Agora, não. O povo nunca teve liberdade como agora: rádio, jornal, televisão, todos os candidatos falaram no primeiro turno. Tem as redes sociais. Está tudo sendo debatido franca e abertamente. Hoje a experiência e a participação do povo é muito maior. Naquela época, na hora em que eles fizeram o golpe, não aconteceu nada, a não ser os que queriam luta armada. Agora o povo está debatendo, participando, cobrando. Isso que está acontecendo hoje, no fundo, é uma rebelião social. A sociedade está contra a política tradicional. É uma rebeldia popular que, a esta altura, é contra o que é tradicional, contra o que já existe, contra os partidos que estão aí. O Bolsonaro entrou nessa onda e está levando a melhor sobre políticos que já eram tradicionais. Ele nunca foi nada.

Mas eu lhe pergunto sobre um paralelo com o clima de 1964, por conta dos enfrentamentos que ocorreram naquele período, e que hoje estão acontecendo também. A tensão social dos períodos são comparáveis?

Acho que hoje a sociedade conhece mais as questões. O grande compromisso que precisamos ter é manter a democracia e manter a liberdade. Se isso não acontecer, aí vai ser uma desgraça. Se a operação Lava-Jato for para o beleléu, se soltarem os que estão presos e arquivarem os processos contra os processados com ameaça de prisão, isso vai ser um caos. Aí entraremos numa ingovernabilidade e será imprevisível o que poderá acontecer.

O senhor fez sua trajetória junto com o MDB na resistência pacífica à ditadura. O senhor conviveu com Ulysses Guimarães, autor da célebre frase no ato da promulgação da Constituição, quando disse ter 'ódio e nojo' da ditadura. O senhor também esteve diariamente convivendo com outros grandes nomes, como Mário Covas, figuras históricas do antigo MDB. O senhor acha que esse apoio ao Bolsonaro agora, que tem saudosismo à ditadura e já relativizou atos como a tortura, é coerente com a história do senhor e do MDB?

Não. Acho que hoje, realmente, eu fico me perguntado o que o doutor Ulysses estaria fazendo. A hora é muito complicada e muito difícil. Por isso eu acho que o nosso compromisso com a democracia e com as instituições é absolutamente sagrado. Eu sou o mesmo Pedro Simon, com as mesmas ideias e, se tiver de começar tudo de novo, eu começo tudo de novo. Queremos democracia? Sim. Queremos liberdade? Sim. O que não queremos é 'dando que se recebe' e soltar todo mundo.   

O plano de Lula para o Lulil


É a terceira vez que os petistas tentam cravar esse punhal nas costas da nossa democracia

* FERNÃO LARA MESQUITA, O Estado de S.Paulo

Programa de governo é como termo de uso de aplicativo. Ninguém lê. Mas esse “O Brasil feliz de novo” é uma declaração à praça que não pode passar em branco. Embora políticos, intelectuais, artistas e até a maior parte dos jornalistas se mostrem firmemente decididos a não acreditar no que ele diz, Lula nunca escondeu o que quer ser quando crescer. Depois da esfrega do 1.º turno ele ordenou ao candidato laranja que se faça de bonzinho e renegue tudo, mas a coisa já está registrada no TSE como o programa oficial do governo ... de quem mesmo? É a terceira vez que eles tentam cravar esse punhal nas costas da democracia brasileira. A primeira foi na véspera do Natal de 2009, no apagar das luzes do governo Lula, quando ela foi batizada de “Plano Nacional de Direitos Humanos”; depois em 2014, na véspera da Copa e de um recesso extraordinariamente longo do Congresso quando Dilma o rebatizou de “Decreto 8.243”. Não vão desistir nunca. Essa é a receita oficial de golpe do Foro de São Paulo que fez o seu début mundial com Hugo Chávez “tomando o poder” na Venezuela com ele, à la José Dirceu. 

“O Brasil feliz de novo” não especifica se manterá o Congresso aberto, mas é certo que ele deixaria de ter qualquer função, pois tudo passaria a ser decidido por “plebiscitos convocados pelo presidente da República” e decididos por “novos mecanismos deliberativos” a cargo de “movimentos sociais” e “representantes da sociedade civil organizada”. “Todos os poderes da União e do Ministério Publico”, assim como os do Judiciário, estariam submetidos a esse tipo de “controle social”. Todos os instrumentos da Lava Jato (delações premiadas, prisão na 2.ª instância, etc.) seriam revogados e o “controle da mídia” se faria “com a atuação da Anatel e da Polícia Federal para impedir perseguições”. Todas as “reformas do golpe” aprovadas pelo Congresso seriam revogadas. Haveria um “novo pacto federativo” em que literalmente todas as entidades municipais e estaduais passariam a ser subordinadas a entidades nacionais. Todos os insumos, indústrias e estruturas básicas seriam estatais, ficando para o “empreendedorismo” apenas o que é “micro”. O “grande agronegócio” passaria por reforma agrária. A política externa seria “altiva e ativa” significando privilegiar, inclusive com financiamentos, países da América Latina, do Caribe, da África e do Oriente Médio.
“A juventude” seria objeto de “direitos universais, geracionais e singulares que buscarão permanentemente a autonomia”. Quer dizer, da escolha dos banheiros na primeira escola dos seus filhos à reeducação dos professores, da água da bica ao petróleo, dos povos das florestas aos povos das metrópoles, da polícia única prendendo menos às penitenciárias soltando mais, do esporte à programação de shows, da contenção de encostas aos furacões do Caribe (!), para tudo e para cada coisa, para todos os brasileiros e para cada um, e não só para eles (a lista acima é literal, mas está longe de ser completa), haverá um “plano nacional”, acoplado a um “sistema único” e a um “novo marco regulatório” aprovado por gente que não elegemos que terá por referência “transversal” “o privilégio dos povos da floresta, dos quilombolas, dos negros e das negras, e o combate à LGTBIfobia”, em nome dos quais toda violência moral ou institucional será justificada. 
Todo esse discurso delirantemente sinistro começa com a frase “Lula é uma ideia e agora um programa”, e repete 150 vezes que, nesse Lulil que já não seria Brasil, ele cuidaria pessoalmente de tudo. 
E, no entanto, o País atravessou o 1.º turno inteiro assombrado pela ameaça à democracia encerrada na candidatura Bolsonaro sem que ninguém interrogasse o candidato laranja sobre essa preciosidade. Mas como o Brasil é bem melhor que suas elites, a decisão do 1.º turno deu-se totalmente à revelia dos debates. Eles simplesmente deixaram de interessar porque todo mundo - menos o intuitivo Jair Bolsonaro - fingia que a natureza do regime é uma questão resolvida, quando absolutamente não é. 
Planos de gestão da economia e da administração pública, mesmo os sérios, são luxos para quem já tem o principal resolvido, e aqui, como no resto do planeta, é meio grau mais para a direita ou meio grau mais para a esquerda ou você cai no caos, como nós caímos. Por isso nem os mais patéticos entre os candidatos patéticos que tomaram nosso tempo nos debates conseguiram inventar coisa muito diferente nessa matéria.
Na falta de melhor tudo passou, então, a girar em torno da corrupção. Mas também o combate à corrupção está corrompido. Todo mundo sabe que existe uma diferença e todo mundo sabe que diferença é essa, mas é impossível traduzi-la numa tipificação jurídica. É por isso que nas democracias dignas do nome só quem elege tem o poder de deseleger e, então, entregar o ladrão à Justiça comum, que é igual para todos. Se for só juiz - e ainda por cima intocável - a controlar essa porteira, mais bandido municiando a imprensa para atingir outro bandido em disputas pelo controle de “bocas”, vira o Brasil...
O 2.º turno permitirá que o País se interrogue sobre onde é que vai parar o governo que promete começar revogando todo o Poder Judiciário que prende ladrão que resta, soltando Lula da cadeia, para ficarmos só com aquele que só solta, criado por ele, e que já vive anulando “monocraticamente” votações do Congresso Nacional inteiro. 
Como faremos para que cada Poder da República volte aos seus limites? Que limites são esses, que nós já nem lembramos? Quem poderá restabelecê-los depois do estrago feito pelo lulismo? E como fazer isso com o próximo governo instalando-se à sombra do vulcão de um déficit explosivo por baixo da espada do crime de responsabilidade e sob a sede de vingança da seita que pediu impeachment de todos os governos desde a redemocratização, menos o seu próprio?
Tirar o lulismo do caminho é a condição para essa conversa começar. Mas o Brasil que sangra vai precisar da união de todo o campo democrático - o da esquerda inclusive - para sair dessa enrascada.
* JORNALISTA, ESCREVE EM WWW.VESPEIRO.COM