O IGP-M de janeiro registrou alta de 0,01%, conforme divulgado há pouco pela FGV.
O resultado veio alinhado com o esperado pelo mercado (0,00%).
A aceleração em relação a dezembro, quando o índice registrou deflação de 1,08%, refletiu, principalmente, o avanço do IPA Industrial, que registrou queda menos intensa que a registrada anteriormente (-0,12%, contra -1,77% em dezembro). O movimento foi influenciado, majoritariamente, pelos preços de minério de ferro e combustíveis. Também merece destaque a menor deflação do preço de gasolina, que caíram 3,53% (ante -13,6%). Entretanto, esperamos recuo mais acentuado desse produto nas próximas divulgações, diante dos anúncios recentes de reajustes para baixo da Petrobras. Além disso, a depreciação cambial verificada anteriormente impulsionou o preço de produtos químicos, fazendo com que o núcleo do IPA industrial acelerasse, voltando ao campo positivo. No mesmo sentido, o IPA Agrícola apresentou deflação de menor magnitude no período (-0,71% para -1,35%), puxado pelos preços de feijão e mandioca. O IPC, por sua vez, registrou alta de 0,58%, acima da elevação de 0,04% do mês anterior – tendência que deverá ser observada também no IPCA de janeiro. Por fim, o INCC variou 0,40%, conforme sugerido pela sazonalidade.
Front externo continua otimista sobre economia sob Bolsonaro
Os primeiros resultados consolidados sobre o desempenho
da economia brasileira em 2018 começam a aparecer.
Informações sobre emprego e inflação abriram a agenda.
Recentemente, vieram detalhes da situação fiscal e, daqui a pouco, será a vez
do PIB – o IBGE divulgará em março.
Esse conjunto de dados e o pós-Davos são o que, neste
momento, ajudam a calibrar as percepções externas sobre 2019.
A comunidade internacional costuma observar a conjuntura
brasileira com especial atenção, mas neste ano o olhar está mais apurado do que
nunca.
O foco de curto prazo mira 1) os passos do Congresso
renovado e 2) a capacidade de o novo governo superar os obstáculos e fazer
valer sua proposta de reforma da Previdência.
A sensação que prevalece até agora entre os organismos
multilaterais – FMI à frente – é de que o Brasil tem um razoável potencial de
crescimento encomendado para este ano.
Pelas previsões, haverá alguma perda de fôlego da
economia global e a América Latina poderá sofrer com a incerteza política em
países importantes.
Apesar disso, a visão otimista de quem está de fora se
mantém.
- Esta análise, inclusive o texto, é da FSB.
Entenda em detalhes o que Marchezan faz hoje em Brasília. Vale a pena ler tudo.
O prefeito Nelson Marchezan Júnior estará nesta
quarta-feira, 30, em Brasília participando de reunião dos dirigentes da Frente
Nacional de Prefeitos (FNP). Na pauta: rodada de reuniões com os ministros
Paulo Guedes, da Economia, e Luiz Henrique Mandetta, da Saúde. Os prefeitos têm
como objetivo apresentar as demandas municipais mais urgentes para que seja
possível alinhá-las à diretriz “Mais Brasil, menos Brasília”, adotada pelo
governo Jair Bolsonaro.
Às 15h, está prevista audiência com o ministro Paulo
Guedes, no Ministério da Economia, onde será tratada a retomada do
desenvolvimento econômico do país. Para isso, destacarão como fundamental o
investimento público, especialmente nas cidades. De acordo com dados do Anuário
Multi Cidades, da FNP, considerando dez anos, de 2008 a 2017, é possível
verificar que os municípios foram responsáveis por 36,3% dos investimentos, os
estados por 36,2% e a União ficou com a fatia de 27,5%. As reformas da
Previdência e Tributária também estarão na pauta da reunião.
Saúde - Às 17h, o encontro será com o ministro da Saúde,
Luiz Henrique Mandetta, no Ministério da Saúde, com quem irão tratar dos custos
da Saúde, políticas para a prevenção da Aids e o Programa Mais Médicos. As
informações do Anuário também vão subsidiar o diálogo. Na audiência, os
governantes voltarão a pleitear melhor distribuição de recursos, já que os
municípios têm ampliado sua participação financeira na área, em detrimento da
União.
Com relação às receitas vinculadas aos serviços públicos
de saúde, observa-se que, desde 2002, o percentual de aplicação só aumentou,
chegando a 24,2% em 2017, o que representou R$ 31,12 bilhões acima do mínimo
constitucional exigido. Apenas o montante aplicado acima do mínimo indicado foi
superior ao total da receita do IPVA, de R$ 20,13 bilhões, somada à arrecadação
do ITBI, de R$ 9,95 bilhões.
Outro movimento relativo ao financiamento da saúde
pública no Brasil é a ampliação da participação dos entes subnacionais, principalmente
dos municípios. Considerando-se apenas a despesa com saúde realizada com
recursos próprios de cada ente, em 2017, enquanto os municípios arcaram com
31%, os estados realizaram 25,7% e a União, 43,3%. Em 2002, os percentuais eram
de 25,3%, 22,6% e 52,1%, respectivamente.
Para as audiências, estão confirmados, além de Nelson
Marchezan Júnior, vice-presidente de Ciência, Tecnologia e Inovação, Jonas
Donizette, prefeito de Campinas (SP) e presidente da FNP; Edvaldo Nogueira,
prefeito de Aracaju (SE) e vice-presidente de Relações com Fóruns e Redes;
Cécio Luís, prefeito de Macapá/ (AP) e vice-presidente de Dívida Pública;
Socorro Neri, prefeita de Rio Branco/ (AC) e vice-presidente de Cultura e
Tradições Populares, além de Eduardo Pimentel, vice-prefeito de Curitiba (PR) e
Julio Pinheiro, vice-prefeito de São Luís (MA).
Artigo, Renato Sant'Ana - Direito sem juridiquês
Quem disse que ter noções de Direito é exclusividade de bacharéis?
Oh, não! Há conceitos e valores que todo e qualquer cidadão responsável
deveria cultivar. E não precisa incorrer no "juspedantismo", aquela
língua estranha dos operadores do Direito. Vejamos em casos concretos.
São dois. No primeiro, uma senhora, que morava perto da linha do
trem, chamou um marceneiro para prestar um serviço.
"Quando o trem passa", disse ela ao artífice, "o
meu roupeiro faz um barulho muito estranho, chega a dar medo."
Depois de examinar o móvel, ele propôs: "Vou entrar no
roupeiro e, quando o trem passar, verei por dentro o que
ocorre." E assim fez.
Aos poucos minutos, antes do trem, chegou o marido da senhora,
que, por acaso, foi logo abrindo o roupeiro.
"Ah, meu amigo", disse o marceneiro, "se eu lhe
disser que estou aqui esperando o trem, o senhor não vai
acreditar!" E se lamentou: "Como poderei provar a verdade?"
Pois é. Às vezes, o que parece só parece, mas não é. Eis por que a Constituição Federal é pressurosa ao garantir aos litigantes e aos
acusados em geral "o contraditório e ampla
defesa": liberdade para apresentar provas e um terceiro imparcial
para julgar.
No segundo caso, o marido foi advertido de que a patroa todo dia
recebia uma visita de calças, chapéu e bigode. E decidiu dar
uma incerta, voltando para
casa em hora inesperada
- indo direto ao roupeiro.
Ali, entre vestidos e blusas da mulher, ele encontrou uma figura
de calças, chapéu e bigode. Mas os suspeitos logo passaram
a negar tudo!
Entrevista, dr. Paulo Niemeyer Filho, revista Poder - "Precisamos incluir em nosso check-up um exame que se chama investigação cerebral."
Chegar à casa do neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, no
alto da Gávea, no Rio de Janeiro, é uma emoção. A começar pela vista
deslumbrante da cidade, passando pelos macacos que passeiam pelos galhos até
avistar as orquídeas que caem em pencas das árvores, colorindo todo o jardim.
Ou seja: a competência desse médico, com 33 anos de
profissão, que dedicasua vida à medicina com a paixão de um garoto, pode ser
contada em flores. E são muitas.
Filho do lendário neurocirurgião Paulo Niemeyer, pioneiro
da microneurocirurgia no Brasil, e sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, Paulo
escolheu a medicina ainda adolescente. Aos 17 anos, entrou na Universidade
Federal do Rio de Janeiro. Quinze dias depois de formado, com 23 anos, mudou-se
para a Inglaterra, onde foi estudar neurologia na Universidade de Londres. De
volta ao Brasil, fez doutorado na Escola Paulista de Medicina. Ao todo,sua
formação levou 20 anos de empenho absoluto. Mas a recompensa foi à altura. Apaixonado
por seu ofício, Paulo chefia hoje os serviços de neurocirurgia da Santa Casa do
Rio de Janeiro e daClínica São Vicente, onde atende e opera de segunda a
sábado, quando não há uma emergência no domingo, e ainda encontra tempo para
dar aulas no curso de pós-graduação em neurocirurgia na PUC-Rio.
Por suas mãos já passaram o músico Herbert Vianna - de
quem cuidou em 2001, depois do acidente de ultraleve em Mangaratiba, litoral do
Rio -, o ator e diretorPaulo José, a atriz Malu Mader e, mais recentemente, o
diretor de televisão EstevãoCiavatta - marido da atriz Regina Casé que, depois
de um tombo do cavalo, recupera-se plenamente -, além de centenas de outros
pacientes, muitos delesrepresentados pelas belas flores que enchem de vida o
seu jardim.
Revista PODER: Seu pai também era neurocirurgião. Ele o
influenciou?
PAULO NIEMEYER: Certamente. Acho que queria ser igual a
ele, que era o meu ídolo.
PODER: Seu pai trabalhou até os 90 anos. A idade não é um
complicador para umneurocirurgião? Ela não tira a destreza das mãos, numa área
em que isso é crucial?
PN: A neurocirurgia é muito mais estratégia do que
habilidade manual.Cada caso tem um planejamento específico e isso já é a metade
do resultado. Você tem de ser um estrategista..
PODER: O que é essa inovação tecnológica que as pessoas
estão chamando de marcapasso do cérebro?
PN: Tem uma área nova na neurocirurgia chamada
neuromodulação, o quepopularmente se chama de marcapasso, mas que nós chamamos
de estimulação cerebral profunda. O estimulador fica embaixo da pele e
sãocolocados eletrodos no cérebro, para estimular ou inibir o funcionamentode
alguma área. Isso começou a ser utilizado para os pacientes de Parkinson.Quando
a pessoa tem um tremor que não controla, você bota um eletrodono ponto que o
está provocando, inibe essa área e o tremor pára. Esse procedimento está sendo
ampliado para outras doenças. Daqui aum ou dois anos, distúrbios alimentares
como obesidade mórbida eanorexia nervosa vão ser tratados com um estimulador
cerebral. Porque não são doenças do estômago, e sim da cabeça.
PODER: O que se conhece do cérebro humano?
PN: Hoje você tem os exames de ressonância magnética, em
queconsegue ver a ativação das áreas cerebrais, e cada vez mais o cérebro vem
sendo desvendado.
Ainda há muito o que descobrir, mas com essas técnicas de
estimulaçãovocê vai entendendo cada vez mais o funcionamento dessas áreas.O que
ainda é um mistério é o psiquismo, que é muito mais complexo.Por que um clone
jamais será igual ao original?
Geneticamente será a mesma coisa, mas o comportamento
dependemuito da influência do meio e de outras causas que a gente nunca vai
desvendar totalmente.
PODER: Existe uma discussão entre psicanalistas e
psiquiatras, na qualos primeiros apostam na melhora por meio da investigação da
subjetividade, e os últimos acreditam que boa parte dos problemas psíquicos se
resolve com remédios.. Qual é sua opinião?
PN: Há casos de depressão que são causados por tumores
cerebrais: você operae o doente fica bem. Há casos de depressão que são
causados por deficiênciaquímica: você repõe a química que está faltando e a
pessoa fica bem.Numa época em que se fazia psicocirurgia existiam doentes que
ficavamtrancados num quarto escuro e quando faziam a cirurgia se livravam
dadepressão e nunca mais tomavam remédio. E há os casos que são puramente
psíquicos,emocionais, que não têm nenhuma indicação de tomar remédio.
PODER: Já existe alguma evolução na neurologia por causa
das células-tronco?
PN: Muito pouco. O que acontece com as células-tronco é
que você não sabe ainda como controlar. Por exemplo: o paciente tem um
déficitmotor, uma paralisia, então você injeta lá uma célula-tronco, mas
nãoconsegue ter certeza de que ela vai se transformar numa célula que fazo
movimento. Ela pode se transformar em outra coisa, você não tem o controle,
ainda.
PODER: Existe alguma coisa que se possa fazer para o
cérebro funcionar melhor?
PN: Você tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz,
de bem com a vida,fazer exercício. Se está deprimido, com a autoestima baixa, a
primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de
memória
são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o
cérebro funcionar melhor, você tem de ter motivação. Acordar de manhã e ter
desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima
no ponto.
PODER: Cabeça tem a ver com alma?
PN: Eu acho que a alma está na cabeça. Quando um doente
está com morte cerebral,você tem a impressão de que ele já está sem alma...
Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo.
PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças
neurológicas?
PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação
cerebral.
Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma
mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que
nãomorrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma
paralisia.Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup,
antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença
muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.
PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?
PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na
Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doençasque hoje são banais de
ser tratadas. O sofrimento era muito maior.As pessoas morriam em casa com dor.
Hoje existem remédiosfortíssimos, ninguém mais tem dor.
PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do
cérebro?
PN: O exagero. Na bebida, nas drogas, na comida.O cérebro
tem de ser bem tratado como o corpo.Uma coisa depende da outra. É muito difícil
um cérebro muito bem num corpo muito maltratado, e vice-versa.
PODER: Qual a evolução que você imagina para a
neurocirurgia?
PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença
causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação dofuncionamento
cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgiascom introdução de cateter,
colocação de partículas de nanotecnologia,em que você vai entrar na célula, com
partículas que carregam dentrodelas um remédio que vai matar aquela célula
doente. Daqui a 50 anosninguém mais vai precisar abrir a cabeça.
PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai
envelhecer?
PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer
menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer
a decadência da velhice. Se você puder ir bem desaúde, de aspecto, até o dia da
morte, será uma maravilha, não é?
PODER: Você não vê contraindicações na manipulação dos
processosnaturais da vida?
PN: O que é perigoso nesse progresso todo é que, assim
como vai criar novas soluções, ele também trará novos problemas. Com a
genética, por exemplo, você vai fazer um exame de sangue e o resultado vai
dizer que você tem 70% de chance de terum câncer de mama. Mas 70% não querem
dizer que você vai ter,até porque aquilo é uma tendência. Desenvolver depende
do meio em que você vive, se fuma, de muitos outros fatores que interferem.Isso
vai criar um certo pânico. E, além do mais, pode criar problemas, como a
companhia de seguros exigir um exame genético para saber as suas tendências.
Nós vamos ter problemas daqui para frente que serão éticos, morais,
comportamentais, relacionados a esse conhecimento quevem por aí, e eu acho que
vai ser um período muito rico de debates.
PODER: Você acredita que na hora em que as pessoas
puderem decidir geneticamente a sua hereditariedade e todo mundo tiver filhos
fortes e lindos, os valores da sociedade vão se inverter e, em vez do belo,as
qualidades serão se a pessoa é inteligente, se é culta, o que pensa?
PN: Mas aí você vai poder escolher isso também. Esse vai
ser o problema:todo mundo vai ser inteligente. Isso vai tirar um pouco do
romantismo e da graça da vida. Pelo menos diante do que a gente está
acostumado. Acho que a vida vai ficar um pouco dura demais, sob certos
aspectos.Mas, por outro lado, vai trazer curas e conforto.
PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma
completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das
pessoas?
PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe,
e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet,
mas eles têmde fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez.
Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz
parte do mundoem que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.
PODER: Já aconteceu de você recomendar um procedimento e
a pessoa não querer fazer?
PN: A gente recomenda, mas nunca pode forçar. Uma coisa é
a ciência, e outra é a medicina. A pessoa, para se sentir viva, tem de ter um
mínimo de qualidade. Estar vivo não é só estar respirando. A vida é um
conjunto. Há doentes que preferem abreviar a vida em função de ter uma
qualidade melhor.De que adianta ficar ali, só para dizer que está vivo, se o
sujeito perde todas assuas referências, suas riquezas emocionais, psíquicas. É
muito difícil, a gentetem de respeitar muito.É talvez esse respeito que esteja
faltando.A Ética e a Moral devem voltar as salas de aula,desde a mais tenra
idade.
PODER: Como é o seu dia a dia?
PN: Eu opero de segunda a sábado de manhã, e de tarde atendo
no consultório.Na Santa Casa, que é o meu xodó, nós temos 50 leitos, só para
pessoas pobres. Eu opero lá duas vezes por semana. E, nos outros dias, na
Clínica São Vicente.O que a gente mais opera são os aneurismas cerebrais e os
tumores. Então, é adrenalina todo dia. Sem ela a gente desanima e o cérebro
funciona mal. (risos)
PODER: Você é workaholic?
PN: Não é que eu trabalhe muito, a minha vida é aquilo.
Quando viajo, fico entediado. Depois de alguns dias, quero voltar. Você perde a
sua referência, está acostumado com aquela pressão, aquele elástico esticado.E
como eu disse o cérebro se adapta,se habitua.
PODER: Como você lida com a impotência quando não
consegue salvar um paciente?
PN: É evidente que depois de alguns anos, a gente aprende
a se defender.Mas perder um doente faz mal a um cirurgião. Se acontece, eu paro
com ogrupo para discutir o que se passou, o que poderia ter sido melhor, onde
foi a dificuldade. Não é uma coisa pela qual a gente passe batido. Se o
cirurgiãoacha banal perder um paciente é porque alguma coisa não está bem com
ele mesmo.
PODER: Como você lida com as famílias dos seus pacientes?
PN: Essa relação é muito importante. As famílias vão dar
tranquilidade e confiançapara fazer o que deve ser feito. Não basta o doente
confiar no médico. O médico também tem de confiar no doente. E na família. Se é
uma famíliaque cria caso, que é brigada entre si, dividida, o cirurgião já não
tem a mesmasegurança de fazer o que deve ser feito. Muitas vezes o doente não
tem comoopinar, está anestesiado e no meio de uma cirurgia você encontra uma
situaçãoinesperada e tem de decidir por ele. Se tem certeza de que ele está
fechado comvocê, a decisão é fácil. Mas se o doente é uma pessoa em quem você
não confia, você fica inseguro de tomar certas decisões. É uma relação
bilateral, como numcasamento. Um doente que você opera é uma relação para o
resto da vida.
Poder: Você acredita em Deus?
PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele
estresse, aquela adrenalina toda,quando você acaba de operar, vai até a família
e diz: "Ele está salvo". Aí, a família olha pra você e diz:
"Graças a Deus!". Então, a gente acredita que não fomos apenas nós.
Fonte: web
http://saudepreventivaemharmonia.blogspot.com/2012/01/entrevista-com-dr-paulo-niemeyer-filho.html
Artigo, Adriano Benayon, "A Nova Democracia" - Quem controla a Vale do Rio Doce?
Anular a "privatização" de estatais como a Vale
do Rio Doce (CVRD) não é apenas indispensável à segurança nacional. Exige-o a
honra do País, pois estão cientes da vergonha que é essa alienação todos que a
examinaram sem vendas nos olhos postas por egoísmo, ignorância ou submissão
ideológica.
A negociata causou lesões impressionantes ao patrimônio
nacional e ao Direito. Mas políticos repetem desculpas desinformadas ou
desonestas deste tipo: 1) houve leilão, e o maior lance ganhou; 2) o contrato
tem de ser respeitado; 3) o questionamento afasta investimentos estrangeiros.
Na "ordem" financeira mundial há hierarquia, e
o leilão foi de cartas marcadas. Levaria a CVRD quem "atraísse" os
fundos de pensão das estatais, através do Executivo federal e da corrupção.
José Pio Borges foi do BNDES para o Nations Bank e depois Bank of America, que
chegou a ter 20% da Valepar.
Conforme aponta Magno Mello, um dos escândalos marcantes
da história da PREVI foi o investimento na privatização Vale Rio Doce,
"quando a PREVI era gerida por uma diretoria meio petista e meio
tucana1."
Os fundos de pensão (39,3%) e o Investvale dos
funcionários da CRVD (4,5%) entraram com 44% na Valepar, a controladora da CVRD
comandada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que Steinbruch
"ganhara" de FHC, sendo empregador do filho deste. A CSN pôs 25%: 10%
vindos do exterior e 15% emprestados pelo Bradesco.
Do consórcio fizeram parte, além da CSN: Opportunity
(Citibank) com 17%; Nations Bank, então 4º maior banco dos EUA, com 9%. Outro
consórcio (Votorantim e Anglo-American) desistiu.
Não foram pagos pelo controle da VALE sequer os R$ 3,338
bilhões do lance ganhador: a) a União aceitou, pelo valor de face, títulos
comprados no mercado por menos de 10% desse valor; b) o lance mínimo era R$
2,765 bilhões, e o ágio de 20% (R$ 573 milhões), compensável por créditos
fiscais; c) o BNDES financiou parte da operação com juros preferenciais e
adquiriu 2,1% do capital votante.
A União mantinha 34,3% do capital da CVRD, mas o objetivo
era alienar o controle de qualquer jeito. Em 2001, por ordem de FHC, o Tesouro
torrou, na bolsa de Nova York, 31,17% de suas ações ordinárias com direito a
voto e a eleger dois membros do conselho de administração.
O patrimônio arrebatado ao País vale 3 trilhões de reais
(1.000 vezes a quantia do leilão) ou grandes múltiplos disso, considerando as
reservas de metais preciosos e estratégicos, muitos deles exploráveis por mais
de 400 anos, pois é impossível projetar o preço dessas riquezas sequer para um
mês. Que dizer de 5.000 meses?
Os recursos reais tendem a valorizar-se, como mostram: 1)
sua crescente escassez relativa e a alta de preços nos últimos anos; 2) a
hiperinflação de ativos financeiros em dólares e euros, a qual está detonando o
colapso das moedas. Enquanto os recursos reais são finitos e essenciais à vida,
as moedas são inflacionadas sem limites, por meio eletrônico, ao sabor do abuso
de poder de concentradores financeiros e bancos centrais.
Diz Comparato: "Ao abandonar em 1997 o controle da
Companhia Vale do Rio Doce ao capital privado por um preço quase 30 vezes abaixo
do valor patrimonial da empresa e sem apresentar nenhuma justificativa de
interesse público, o governo federal cometeu uma grossa ilegalidade e um
clamoroso desmando político3.
A relação de "quase 30 vezes", reflete o
patrimônio, em 2005, na contabilidade da empresa, mas não, a realidade
econômica, que aponta para 10.000 vezes ou mais.
Ainda, Comparato: "Em direito privado, são anuláveis
por lesão os contratos em que uma das partes, sob premente necessidade ou por
inexperiência, obriga-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta (Código Civil, art. 157). A hipótese pode até configurar o
crime de usura real, quando essa desproporção de valores dá a um dos
contratantes lucro patrimonial "que exceda o quinto do valor corrente ou
justo da prestação feita ou prometida" (lei nº 1.521, de 1951, art. 4º,
b). A lei penal acrescenta que são coautores do crime "os procuradores,
mandatários ou mediadores".
A desproporcionalidade da prestação é colossal. Se não
estava presente a necessidade nem a inexperiência, resulta claro que os motivos
foram torpes e implicam, com mais forte razão, a anulação do negócio. Ademais,
a parte lesada, o povo brasileiro, foi traída pelos mandatários, que firmaram o
contrato e o tramaram, até mesmo ocultando dados no edital4.
Mais que anulável, o contrato é nulo de pleno direito.
Estabelece o Código Civil, no Art. 166: "É nulo o negócio jurídico quando
...III — o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito."
O que poderia ser mais ilícito que infringir a
Constituição Federal e lesar o patrimônio público, de forma deslavada? A CF, no
art. 23, I, estabelece que é da competência comum da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos municípios "conservar o patrimônio público". A
lei de licitações, 8.666/1993, subordina a alienação de bens da administração
pública à existência de interesse público devidamente justificado" (art.
17). Também torna o leilão inconstitucional não ter sido autorizada pelo
Congresso a exploração de recursos minerais na faixa de fronteira (§ 2º do Art.
20 da CF). O mesmo quanto ao controle sobre áreas maiores que 2.500 hectares
(inciso XVII do Art. 49 da Constituição).
Adão Paiani - O pecado preferido
Ante a repercussão nacional de minha Representação ao
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), pedindo a apuração da conduta
do Procurador-Geral de Justiça do RJ, José Eduardo Gussem - por fundamentadas
suspeitas de vazamento ilegal de informações sigilosas, e que estariam sob sua
responsabilidade - e seu afastamento de qualquer ato referente às investigações
sobre irregularidades na ALERJ, creio necessário fazer alguns esclarecimentos
relevantes.
O que motivou minha Representação ao CNMP não foi a situação
envolvendo o Senador eleito Flávio Bolsonaro (ele tem condições de se defender
com os próprios argumentos), ou a atuação do jornalista Octávio Guedes (que por
mais espúria que seja a empresa onde trabalha, a Rede Globo de Televisão,
estava fazendo o seu trabalho); mas a conduta de um Procurador de Justiça em
busca de notoriedade a qualquer custo, mesmo que em prejuízo da lei que jurou
defender e respeitar; forma ilegal de atuação da qual, amanhã ou depois,
qualquer um de nós, cidadãos, poderá se tornar vítima.
O Estado Democrático de Direito e a ordem jurídica não
podem ficar a mercê de um agente público arrivista que, julgando-se acima da
lei, das liberdades e garantias constitucionais asseguradas, indistintamente, a
todos os cidadãos, pauta sua atuação pelos interesses da mídia, e não da busca
pela justiça.
A espetacularização do inquérito que deveria apurar a
atuação de parlamentares da ALERJ, pode, inclusive, macular o procedimento em
andamento, as denúncias que dele venham a decorrer, e até eventuais processos
judiciais que possam delas originarem-se; tendo como consequências a condenação
de inocentes e a absolvição de culpados.
Cabe aos órgãos do Ministério Público, na condição de
titulares da Ação Penal, buscarem a realização da justiça, mas igualmente
atuarem como fiscais da lei em todos os processos onde atuem, e independente de
quem sejam os investigados ou réus. Essa regra básica de atuação o
Procurador-Geral de Justiça do RJ Eduardo Gussem, aparentemente, esqueceu de
colocar em prática.
A vaidade, definitivamente, é o pecado preferido de muita
gente.
*Advogado em Brasília/DF.
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