Artigo, Rodrigo Maroni, deputado estadual do RS - O que saiu debaixo do esgoto.


Hoje senti medo.

Há uma máxima que diz que todo homem sente medo uma hora no dia e outra na noite.

A “doença” chegou perto de nós. Enquanto estava longe, tudo bem diminuirmos o salário dos servidores públicos, sucatear a saúde pública, aumentar as alíquotas de impostos sobre a renda dos trabalhadores, cortarmos o bolsa-família.

Tudo bem. Está longe de mim. O que eu teria a ver com tudo isso?
“Irei votar conforme o banda toca: sim, podemos reduzir tudo! Muitos marajás no serviço público. O que é isso? Saúde de graça?! Não, precisamos todos pagar”.

Os que votaram para reduzir os direitos de todos os cidadãos, hoje, assustados com a pandemia de coronavírus, buscam soluções através de comissões, discussões, alternativas. Os mesmos que sairão correndo se algum eleitor pobre estiver tossindo nas proximidades de onde estão.

Eu tenho a consciência tranquila no sentido de que votei a favor do serviço público. Isso me custou o partido e alguns cargos no governo.

Interessante, né?

Mesmo eu tendo alertado que contra o serviço público jamais votaria, passei a ser visto como “fora” da política governamental.

O que não se percebia é que toda a equipe Rodrigo Maroni está lutando junto.  Por diversas vezes, expus a realidade da periferia. Andar de ônibus, escola pública, ocupações que acabam ocorrendo nos arredores da cidade em virtude do alto custo dos aluguéis, falta de água, como no Morro da Polícia, falta de tudo, como na Restinga.

Eu vi.

Eu sei como vivem as pessoas da periferia. Estou deputado, não “sou” deputado.

E toda vez que olho a forma assustadora como as pessoas estão vivendo a pandemia do coronavírus, lembro dos casos das crianças pobres no nordeste que nasceram deficientes em virtude do zika vírus. Mais de três mil mães hoje cuidam das crianças vítimas dessa anomalia... e pouco se fez.

A gripe espanhola, que matou muita gente, também não serviu de aprendizado.

Seguimos empobrecendo a população.
Diminuindo emprego.
Aumentado a carga de trabalho.
Dependendo da China, onde os trabalhadores são praticamente escravos e sequer saem para comer.
Jogando nosso lixo por onde andamos.
Desmatando.

Mas produzindo... aumentando o PIB, virando potência econômica.

Ooo Brasil. Tu estás muito longe disso.

E além de tudo, do que valeu o liberalismo econômico, a busca do lucro a custa de tudo, se hoje nossos familiares correm risco de vida? Muitos têm dinheiro, mas não têm a vacina.

Mas... a GRANDE maioria sequer água tem. E se o coronavírus realmente for um vírus tão letal, estou com medo quando chegar na periferia.

Será um genocídio a olhos vistos e todos que estão com muito dinheiro no bolso, de certa forma, são coautores dessa violência contra a humanidade.

Rodrigo Maroni, deputado estadual.


Enviado do meu iPhone

As três dimensões de uma pandemia e seus impactos sobre o Brasil

As três dimensões de uma pandemia e seus impactos sobre o Brasil

o Uma forma analítica de pensar a atual crise que vivemos é separá-la em três dimensões: a clínica, a econômica e a financeira. Ainda que as três sejam interdependentes, vale o esforço analítico de segregá-las.

o A dimensão clínica é a que nós, economistas, mais temos dificuldade em prever, mas é a partir da compreensão de sua dinâmica que poderemos estabelecer as bases metodológicas para inferirmos os impactos econômicos. Enquanto não houver uma vacina ou um medicamento eficaz para tratar os pacientes, começa a aparecer um padrão de resposta dos países, iniciado na China, através do social distancing, que prevê cancelamento de eventos públicos, aglomerações, interrupções de aulas e, em alguns casos, manutenção apenas de serviços essenciais, como na Itália. Essa atitude visa postergar a propagação do vírus para que haja tempo para os sistemas de saúde conseguirem efetivamente tratar um fluxo regular, e não caótico, de pacientes da doença. Quanto mais coordenado for esse processo, menores serão as implicações econômicas.

o É a partir desse padrão, e como ele irá evoluir, que poderemos tentar inferir a dimensão econômica. Até este momento, o melhor caso de estudo é a China. Após quase um mês e meio, o país asiático tem retomado suas atividades e, em cerca de mais 5 ou 6 semanas, ao passo atual, deve voltar a produzir no mesmo ritmo de antes da paralisação. Isso começa a possibilitar estimativas inicias de impacto no PIB global caso o padrão de resposta dos países seja semelhante àquele adotado na China.

o Em nossas estimativas, o PIB global passaria de um crescimento de 3,1% no ano passado para algo entre 0,5% e 2,0%, dependendo da hipótese de intensidade da paralisação em outros lugares do mundo, configurando-se essencialmente como um choque de demanda. Na crise global de 2008, a economia desacelerou de 3,0% para -0,1% em 2009. Essas simulações requerem que não haja interrupção de cadeias essenciais de serviços e produção e que as paralisações sejam temporárias. Por isso, são estimativas bastante imprecisas a essa altura, a julgar pelas ações tardias vistas em outros países, como na Itália.

o É aqui que entra a terceira dimensão, a financeira. O impacto dessa paralisação na economia global já tem afetado de maneira importante a riqueza financeira das empresas e famílias, levando a menor consumo. Mas ela pode afetar também a receita esperada de empresas e famílias, ocasionando interrupções nos fluxos regulares de pagamentos. Essa interrupção precisa ser evitada a todo custo, sob o risco de uma piora econômica mais severa. Mas é justamente nessa dimensão que os governos podem agir mais.

o A crise de 2008 fez surgir uma série de ferramentas para que os bancos centrais e os governos possam lidar com crises dessa natureza, provendo liquidez, juros zeros, compras de ativos públicos e privados, swaps de dólares, entre tantos outros instrumentos. Os bancos globais estão hoje muito mais capitalizados e, portanto, menos alavancados do que na crise passada e mesmo as regras de Basileia podem ser parcialmente flexibilizadas como forma de se manter o crédito e o mercado de capitais funcionais, além de permitir que os bancos possam servir de intermediários à liquidez que vem sendo provida ao sistema pelos Bancos Centrais.

o Em adição, em momentos como o atual, as preocupações fiscais tornam-se secundárias em vários países, especialmente em um ambiente de juros praticamente zero e considerando que serão respostas pontuais ao choque. O aumento da dívida pública ocorrerá em muitos países e, por ser um conceito relativo – a dívida de um país sempre será comparada aos seus pares –, suas implicações também deverão ser relativizadas pelos mercados. Postergação no pagamento de impostos e isenções também deverão fazer parte do conjunto de medidas.

o E o Brasil nessa história toda? Os impactos sobre a economia serão inevitáveis. As mesmas simulações feitas para o PIB global levam a economia brasileira para uma faixa de crescimento bem menor do que a expansão de 2,0% que projetávamos. Mas há importantes atenuantes também no Brasil. O país tem reservas internacionais da ordem de US$ 380 bilhões, que inclusive se valorizaram nessa crise com o fechamento da curva de juros americanos.

o Mesmo para pensarmos em “fuga” de dólares, nossas simulações indicam que, para um PIB global que cresce 1,5% e queda de até 25% dos preços das commodities, uma taxa de câmbio de R$/US$ 5,25 torna o déficit em conta corrente brasileiro zerado no horizonte dos próximos 12 meses, a julgar pelo nível do câmbio real.

o Na ótica do passivo externo, sua vasta maioria, hoje, é composta por investimento direto (US$ 811 bilhões) e ações (US$ 376 bilhões), pouco sujeitos a uma fuga maciça em função da presença histórica das multinacionais no Brasil e do ajuste de preços que já observamos na moeda e nas bolsas. A dívida externa pública (US$ 78 bilhões) e a privada (US$ 246 bilhões) não são um problema.

o O Banco Central ainda detém mais de R$ 400 bilhões em depósitos compulsórios dos bancos que podem ser administrados em casos de falta de liquidez. O sistema financeiro brasileiro é um dos mais capitalizados do mundo.

o E, por enquanto, essa crise é desinflacionária. Nossas simulações indicam que apenas uma taxa de câmbio de R$/US$ 5,20-5,40 levaria a projeção de inflação do Banco Central (BC) para o centro da meta. Ou seja, a chance de o BC precisar subir os juros é desprezível, ainda mais com o espaço da banda de metas que serve justamente para absorver choques de primeira ordem dessa natureza. Ao contrário, há espaço para um estímulo monetário razoável por parte do Copom. Mas é fundamental que as condições financeiras sejam afrouxadas, o que inclui o movimento do câmbio e da inclinação da curva de juros. O objetivo final tem sempre que ser afrouxar as condições financeiras em seu conjunto. Para isso, a atuação conjunta entre o Tesouro e o Banco Central será fundamental.

o Por fim, no âmbito fiscal, a lei do teto dos gastos prevê exceções para situações emergenciais como essa, que devem ser administradas apenas em casos pontuais e indispensáveis, mas há flexibilidade legal para tanto. Por isso, é fundamental persistir na agenda de reformas fiscais de longo prazo, para que o país possa sair fortalecido dessa crise, com o bom senso natural de atender no curto prazo as demandas reais de saúde pública e econômica, que possam derivar dessa crise.

o Todo esse processo está evoluindo enquanto escrevemos, não é simples pensar em um desfecho, mas o momento é de serenidade, o que significa não ser negligente com os impactos, mas também não potencializar o pânico rapidamente disseminado por aquela que pode ser considerada a primeira grande pandemia das redes sociais. A experiência dos países que já passaram pelo surto da epidemia mostra que seus efeitos podem ser transitórios se bem contidos. Diante dessa perspectiva, de ferramentas de apoio à liquidez, bom senso, coordenação e cooperação das autoridades globais, é muito provável que essa crise seja transitória e que os países voltem a crescer e a produzir próximo dos níveis normais do período pré-crise dentro de algum tempo.

Governador participa de reunião do Centro de Operações de Emergência

Encontro com técnicos da Secretaria da Saúde e de Planejamento também teve a presença do vice Ranolfo e dos secretários Arita e Gastal - Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini
O governador Eduardo Leite participou, na noite deste domingo (15/3), de reunião do Centro de Operações de Emergência (COE), no Centro Estadual de Vigilância em Saúde, na capital.
O encontro contou com a participação de técnicos da Secretaria da Saúde e de Planejamento, Orçamento e Gestão. Também estiveram presentes o vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, e os secretários Arita Bergmann (Saúde) e Claudio Gastal (Governança e Gestão Estratégica).
Nesta segunda-feira (16/3), o secretariado se reunirá, com base no que foi discutido na reunião de domingo, para definir medidas que serão adotadas no Estado.
Considerando a chegada do outono e do inverno, o governador entrou em contato com os governadores de Santa Catarina e do Paraná para que ações sejam pensadas em conjunto. "Os três Estados do Sul costumam ter um inverno bastante rigoroso, com propagação de doenças respiratórias, e também têm um perfil demográfico bastante semelhante. Faz sentido que estejamos trabalhando em conjunto", afirmou.
Leite também entrou em contato com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e uma visita dele ao Estado está sendo organizada para ainda esta semana, com a participação dos governadores Carlos Moisés (SC) e Ratinho Júnior (PR).
Desde os primeiros sinais da Covid-19, na China, o governo do Estado vem se reunindo e discutindo medidas a serem tomadas para evitar a propagação do vírus. O primeiro caso de coronavírus no RS foi confirmado no dia 5 de março. Até agora, o Estado tem sete casos (cinco em Porto Alegre, um em Caxias do Sul e um em Campo Bom). O morador de Campo Bom, primeiro caso, já está curado.
O COE foi montado ainda no começo do ano e tem centralizado todas as análises e estudos sobre o coronavírus no Estado.

Artigo, Winston Ling - O coronavírus não resiste no calor do verão, como o de Porto Alegre ?

O empresário Winston Ling é gaúcho e faz a ponte Xangai-Porto Alegre. Ele é da mesma família que controla o grupo Petropar e o Instituto Ling. Winston também tem desempenhado papel importante na trajetória recente do bolsonarismo. Eis o que ele escreveu no seu Facebook sobre o tipo de preocupação responsável que é preciso ter em relação ao coronavírus:
:
A chave agora é testar a informação de que os vírus da família coronavírus não sobrevivem no verão. Em 2003 por exemplo, de repente, no mês de Maio, a preocupação com o SARS e as notícias nos meios de comunicação desapareceram a nível global, e ninguém nunca mais comentou ou ouviu falar.
Um médico me informou que o coronavírus não sobrevive no verão pela combinação de uma série de fatores: luz solar direta forte e intensa, altas temperaturas, espaços abertos e vento.
Em Porto Alegre, nos últimos dias, tem feito sol forte com temperaturas chegando a 34 graus ou mais. Brasília idem.
Estes próximos dias no Brasil fornecerão estatística para provar ou não este efeito do verão. Se a curva de infectados não se acelerar exponencialmente como o previsto (de acordo com a curva dos países do hemisfério norte), comprovar-se-á que o coronavírus de fato não resiste ao verão.
Então todas as medidas tomadas nos países que estão passando o inverno não se aplicarão ao caso brasileiro.
Obs.- a Austrália fica no hemisfério sul, porém a temperatura lá não tem passado dos 20 graus centígrados.
Nesse meio tempo, eu me solidarizo sim com meus amigos com preocupação responsável, por que, levando-se em conta a falta de informação (se o coronavírus sobrevive ou não no verão), melhor se precaver do que se arrepender...
Divagando ainda sobre isso... os mais ricos tem ar condicionado então podem estar em situação de mais risco... os mais pobres não tem ar condicionado então estão expostos ao verão e mais protegidos...
Uma boa política do governo é pedir para que todos desliguem o ar condicionado e abram as janelas por 30 dias, pois a circulação de ar elimina o virus rapidamente. Em ambiente fechado fica 3 HORAS.... e mandar todo mundo ir tomar banho de sol...
Moral da história: simplesmente copiar o que nossos irmãos do Norte estão fazendo, sem adaptar à nossa situação, pode não funcionar, ou pode ter um custo muito alto..

Direitos e deveres dos planos de saúde no tratamento do coronavírus

A Federação Nacional de SaúdeSuplementar (FenaSaúde) divulgou, nesta sexta-feira, 13, em sua página na internet, orientações e esclarecimentos a respeito da cobertura de exames e tratamentos do novo coronavírus (Covid-19) por parte do s planos de saúde, seguindo a resolução publicada hoje pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

"Nosso objetivo é auxiliar os beneficiários a obter a melhor assistência diante da pandemia. Considerando que o conhecimento sobre a infecção pelo Covid-19 ainda é um processo em construção, protocolos e diretrizes podem ser revistos a qualquer tempo pelos órgãos públicos e regulatórios de saúde competentes", diz a FenaSa

A federação informa que não há tratamento específico para infecções causadas por coronavírus e que os pacientes infectados recebem medicação para aliviar os sintomas, como analgésicos e antitérmicos. E que o tratamento é repouso e ingestão de bastante água e líquidos.

"A cobertura do tratamento a pacientes diagnosticados com Covid-19 já é assegurada a beneficiários de planos de saúde, conforme a segmentação (ambulatorial, hospitalar ou referência) contratada. Em casos indicados, o beneficiário terá direito a internação caso tenha contratado cobertura para atendimento hospitalar (segmentação hospitalar) e desde que tenha cumprido os períodos de carência, se houver previsão contratual".

Confira as principais dúvidas:

Pergunta: O exame para detecção do novo coronavírus, o Covid-19, será coberto pelos planos de saúde?

FenaSaúde: Sim, conforme estabelecido na resolução normativa n° 453, de 12/03/2020, da Agência Nacional e Saúde Suplementar (ANS).

Pergunta: Todos os beneficiários de planos de saúde terão direito a fazer o exame específico para detecção do Covid-19?

FenaSaúde: Não. A cobertura será obrigatória apenas para casos classificados como suspeitos ou prováveis de doença pelo Covid-19.

Pergunta: Em que situações o paciente se enquadra na definição de caso suspeito da doença?

FenaSaúde: Conforme o Ministério da Saúde, há dois tipos de grupos de casos suspeitos. O primeiro são pessoas com histórico de viagem para países com transmissão sustentada ou área com transmissão local nos últimos 14 dias. O segundo são pessoas que tenham tido contato com caso suspeito ou confirmado para Covid-19 nos últimos 14 dias.

No primeiro caso, a pessoa tem que apresentar febre acima de 37,8° C e pelo menos um dos seguintes sinais ou sintomas respiratórios: tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, dispneia (falta de ar), saturação de oxigênio menor que 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal.

No segundo caso, a pessoa tem que apresentar febre acima de 37,8° C ou pelo menos um dos seguintes sinais ou sintomas respiratórios: tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, dispneia (falta de ar), saturação de oxigênio menor que 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal.

Pergunta: Em que situações o paciente se enquadra na definição de caso provável da doença?

FenaSaúde: São considerados prováveis casos em que a pessoa tenha tido contato domiciliar com caso confirmado por Covid-19 nos últimos 14 dias. A pessoa tem que apresentar febre acima de 37,8° C ou pelo menos um dos seguintes sinais ou sintomas respiratórios: tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, dispneia (falta de ar), saturação de oxigênio menor que 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal.

Nesta situação, é importante observar a presença de outros sinais e sintomas como: fadiga, mialgia (dor muscular), artralgia (dor articular), dor de cabeça, calafrios, manchas vermelhas pelo corpo, gânglios linfáticos aumentados, diarreia, náusea, vômito, desidratação e inapetência (falta de apetite).

Pergunta: Qual a diferença entre transmissão local e transmissão sustentada ou comunitária?

FenaSaúde: A transmissão é local quando o paciente infectado com o Covid-19 não esteve em nenhum país com registro da doença. A transmissão sustentada ou comunitária ocorre quando uma pessoa que não esteve em nenhum país com registro da doença é infectada por outra pessoa que também não viajou.

Pergunta: Qualquer um pode se dirigir a um laboratório para fazer o exame específico para detecção do Covid-19 a ser coberto pelos planos?

FenaSaúde: Não, o exame específico será feito apenas nos casos em que houver indicação médica para casos classificados como suspeitos ou prováveis de doença pelo Covid-19.

Pergunta: Estou com suspeita de ter contraído o vírus, sentindo febre, tosse e dificuldade de respirar. O que devo fazer? Devo ir direto a uma emergência hospitalar?

FenaSaúde: Em 80% dos casos, os sintomas do coronavírus são leves, semelhantes a uma gripe. Nesses casos, a orientação da Organização Mundial da Saúde é evitar sair de casa. Entre em contato com sua operadora para obter orientações e em caso de dúvida sempre consulte seu médico. O Ministério da Saúde orienta que a pessoa com esses sintomas evite aglomerações e disponibiliza o número 136 para outras informações

Artigo, Dilma Roussef, no seu blog - Contesto

No último 11 de março foi concluído, pelo Supremo Tribunal Federal, o julgamento dos processos judiciais que promovi para discutir a validade do meu impeachment. Por meio de sessão virtual (plenário eletrônico) e, portanto, sem que a minha defesa pudesse apresentar minhas razões em sustentação oral, a maioria dos ministros da Suprema Corte decidiu por manter a decisão isolada que monocraticamente as julgou.

Reitero o que tenho apontado desde 2016: fui vítima de um golpe parlamentar baseado em um impeachment fraudulento, ato inicial de um retrocesso institucional que abriu caminho para a crise da democracia que estamos vivendo.

Diante dessa decisão e da forma pela qual foi tomada, não posso me calar.  Na condição de pessoa que lutou pela democracia e sofreu até no seu próprio corpo as consequências dessa luta, afirmo que o que foi decidido pela Suprema Corte está em desacordo com a nossa Constituição, com a legislação em vigor, com o Regimento Interno do próprio STF e com o princípios que orientam um Estado Democrático de Direito, que desde o golpe do impeachment, vem sendo fragilizado junto com as instituições da República.

Por isso, no exercício da liberdade de manifestação garantida pela mesma Constituição Federal que jurei cumprir ao tomar posse no meu mandato presidencial,

CONTESTO essa decisão por não ter sido provada a prática de qualquer crime de responsabilidade por mim praticado, inexistindo reais motivos constitucionais para que a cassação do meu mandato fosse decidida pelo Senado Federal;

CONTESTO essa decisão porque esse processo foi instaurado por decisão jurídica inválida em face do notório desvio de poder em que incorreu o então Presidente da Câmara dos Deputados, Sr. Eduardo Cunha, ao firmá-la em represália ao fato de eu ter me recusado a pedir que meu partido votasse contra a abertura do procedimento que acabaria por cassar seu mandato de deputado federal;

CONTESTO essa decisão pelo fato de que meu impeachment foi promovido e consumado por uma comprovada articulação golpista de líderes políticos caracterizados pela falta de caráter, pela deslealdade institucional e pelo descompromisso ético com a coisa pública, como o próprio decurso do tempo já se encarregou de demonstrar e a história haverá de registrar para sempre;

CONTESTO essa decisão porque as acusações que motivaram o meu impeachment foram condutas realizadas pelos governos que me antecederam, sendo até então consideradas como lícitas pelos órgãos de controle, por juristas e por órgãos técnicos do Poder Executivo Federal;

CONTESTO essa decisão porque nunca nada foi comprovado em meu desfavor quanto a falta de probidade, a prática de corrupção ou de enriquecimento ilícito, ao contrário de que ocorreu com os que articularam e promoveram o golpe parlamentar que me afastou da Presidência da República ou acabaram constituindo o governo golpista que me sucedeu;


CONTESTO essa decisão porque tenho por inaceitável que o Supremo Tribunal Federal, após longos anos de tramitação, não tenha examinado o meu pedido judicial em sessão pública e presencial do seu colegiado maior, como se fosse comum e corriqueiro o julgamento de processos que envolvem a perda de um mandato presidencial;

CONTESTO essa decisão por não ter a nossa Suprema Corte se permitido examinar as arguições de fundo que foram apresentadas pela minha defesa, afastando-se, com isso, do princípio estabelecido na nossa Constituição de que nenhuma lesão de direito pode ficar afastada da apreciação do Poder Judiciário;

CONTESTO essa decisão por ter criado um perverso precedente judicial pelo qual todos os processos de impeachment futuros, inclusive os passíveis de serem promovidos contra Ministros da Corte Suprema, não poderão comportar reexame judicial do seus motivos, legitimando, com isso, novas violências e golpes que porventura possam vir a ser praticados contra o voto popular ou contra o livre exercício das funções da mais elevada magistratura do país;

CONTESTO essa decisão por ter admitido que processos dessa gravidade possam ser decididos monocraticamente, invocando contraditoriamente o embasamento regimental de que existiria jurisprudência consolidada a respeito, ao contrário do que expressamente reconheceu o próprio relator original, Ministro Teori Zavascki, ao explicar as razões pelas quais negava a medida liminar por mim pleiteada;

CONTESTO essa decisão não por imaginar que pudesse ser ainda reconduzida ao cargo, uma vez que o tempo do meu mandato se exauriu diante da demora na apreciação final das ações judiciais que promovi, mas por ter a convicção de que a história democrática do nosso país merecia o respeito de uma decisão jurisdicional que examinasse a ausência de motivos para o meu impeachment, e de que o objeto da punição indevida e injusta que a mim foi aplicada ainda pode sobreviver juridicamente por restarem pendentes de decisão da Suprema Corte as ações judiciais em que se discute a perda dos meus direitos políticos;

CONTESTO essa decisão pelo fato de que o processo acessório em que se discute a perda dos meus direitos políticos está a espera de pauta para ser apreciado de modo presencial pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, enquanto o processo principal foi julgado em sessão virtual como se fosse uma demanda corriqueira na qual são discutidas questões comuns e de fácil solução;

CONTESTO essa decisão pelo fato de que meus algozes terão direito a voz na sessão pública em que se julgará os processos em que se discute a suspensão dos meus direitos políticos, negada pelo Senado Federal, enquanto a minha defesa não teve a mesma oportunidade para demonstrar a ilicitude da decisão principal que a motivou;

CONTESTO essa decisão, finalmente, em decorrência de que os cidadãos que tem receio de erguer a sua voz contra a injustiça e na defesa do Estado Democrático de Direito, se tornam cúmplices de abusos, de golpes e de atos de violência institucional, o que jamais farei, mesmo que passem os anos e a saúde me falte, uma vez que coerência, lealdade às minhas crenças, honestidade e coragem, são para mim diretrizes de vida que apenas podem ser ignoradas pelos tíbios ou pelos hipócritas, categorias em que, com o orgulho de ter nascido mulher, jamais me enquadrarei.

Artigo, Fábio Jacques - A falácia dos programas motivacionais.

Fico abismado com a quantidade de programas motivacionais disseminados no meio empresarial. Todo dia aparece meia dúzia.
Acho incrível que grande parte dos empresários ainda não parou para pensar sobre os motivos da insatisfação, da desmotivação e da improdutividade das pessoas. Preferem seguir o que os grandes gurus preconizam e continuam mergulhados no marasmo.
A simples observação do que acontece na natureza ou nas outras entidades formadas por pessoas que não sejam empresas, pode lançar luzes muito cintilantes sobre “o que leva as pessoas se motivarem em relação a alguma coisa”.
Vejamos um exemplo da natureza:
As abelhas passam a primavera toda polinizando flores proporcionando, como decorrência, a proliferação de plantas de toda a espécie, desde frondosas árvores até pequenos vegetais produtores de alimentos para os seres vivos, entre os quais, o homem.
Mas as abelhas não têm como propósito polinizar flores e sim, capturar o néctar e o pólen estrategicamente produzidos pelas plantas com o intuito de atraí-las, para produzir o mel e a cera que permitem que sua colmeia seja construída e tenha alimentos para sobreviver nos meses de inverno.
As abelhas vivem em função de uma motivação própria de auto sobrevivência, mas, obrigatoriamente realizam um gigantesco trabalho para a planta que, sem esta simbiose de interesses, não sobreviveria.
Um exemplo de entidades formadas por pessoas são as igrejas.
As pessoas as procuram para salvar a alma, aliviar a consciência ou, até mesmo, alcançar bençãos para realizar seus propósitos mundanos, mas, como as abelhas, contribuem com estas organizações fazendo com que proliferem e cativem cada vez mais adeptos. Os propósitos das pessoas nada tem a ver com os das igrejas, mas simbioticamente se complementam.
Nunca vi um programa motivacional para crentes. Nestas entidades a motivação se realiza através da palavra do pastor ou do padre que sempre vai ao encontro dos anseios daqueles que as procuram. Não há treinamento motivacional para a pessoa contribuir com o dízimo.
No mundo empresarial, onde duas entidades com propósitos tão diferentes como os das abelhas e das plantas ou os dos crentes e das igrejas,  se encontram, montanhas de dinheiro são investidas para, muitas vezes sem sucesso, fazer com que as pessoas cumpram as obrigações pelas quais são pagas, ao contrário das igrejas às quais as pessoas pagam para participar.
Com um pouco de raciocínio, um empresário pode descobrir que nunca conseguirá fazer as pessoas se motivarem pelo sucesso de sua empresa. Ninguém procura um emprego para beneficiar alguma empresa e, sim, para resolver seus problemas particulares. De igual forma, nenhuma empresa contrata pessoas para beneficiá-las e sim para que as tarefas ou funções necessárias para que consiga cumprir suas obrigações e construir seu progresso sejam realizadas.
Os propósitos são diferentes e nunca serão amalgamados com perfeição. E enquanto as tentativas se mantiverem na esperança de conseguir unificar estas duas entidades tão díspares como óleo e água, os resultados jamais serão plenamente satisfatórios.
As abelhas têm que produzir mel e a planta cria o néctar que as atrai e, indiretamente, as “motiva” a polinizá-la.
No dia que os empresários entenderem este mecanismo natural e criarem um verdadeiro “néctar” que mobilize as pessoas, conquistarão, ainda que indiretamente, o sucesso nos seus propósitos. O resto é conversa fiada e empulhação.

Fabio Jacques