Artigo, Luís Milman - A RBS vai atrás de FHC, mas por que nunca abriu o bico sobre a ex-amante de Olívio Dutra e seus filhos do Uruguai ?

O rebaixamento moral da RBS só é comparável à sua subserviência ao petismo. O recente noticiário sobre a relação extraconjugal do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com a jornalista Miriam Dutra, que Zero Hora repercute na sua edição desta sexta-feira, dia 19 é prova disto. Miriam Dutra, é verdade, requentou uma notícia, em entrevista à Folha de São Paulo, que já fora, há anos, amplamente divulgada: a de que ela manteve um romance com FHC, do qual resultou um filho. E que recebia pagamentos mensais do ex-presidente como se fosse funcionária de uma rede de lojas, sem que isto jamais tenha ocorrido. 

Até aí, tudo certo, Miriam Dutra resolveu abrir a boca sobre o caso e o jornal paulista foi até ela e publicou a entrevista. Afinal FHC é um homem público e deve satisfações de todos os detalhes de sua vida que possam indicar traços de seu caráter.

Mas, e o caso Olívio Dutra, o ex-governador do estado, que manteve um romance clandestino com a tupamara Ines Graciela Abelenda Buzo, refugiada em Porto Alegre no início dos anos 80, quando Olívio presidia o Sindicato dos Bancários. Para quem não sabe, não foi uma aventurazinha inconsequente. Olívio fez dois filhos em Ines, que hoje vivem com a mãe em Montevideu. E, para piorar, os manteve escondidos, sequer reconhecendo a paternidade de ambos, por mais de trinta anos. O caso só veio à tona porque foi descoberto pelo jornalista Vitor Vieira, do site Videversus, que o revelou em novembro do ano passado, às vésperas das eleições nas quais Olívio foi candidato à senador.

Zero Hora, que agora publica a matéria sobre FHC, por acaso, noticiou uma linha sobre o caso de Olívio Dutra e a tupamara Ines Graciela? Noticiou algo sobre como os dois filhos que ambos tiveram permaneciam clandestinos depois de tantos anos? Como foram sustentados? Procurou entrevistar Ines Graciela ou Olívio Dutra sobre as razões pelas quais Olívio não reconheceu a paternidade dos filhos até hoje? Não, nada disso. O jornal silenciou e silencia completamente, conivente e acobertador de uma conduta que atesta ausência de dignidade e caráter de uma figura pública que já foi governador do Rio Grande. E que, pasmem, gosta de posar de moralista, com aquele bigodão à moda Stálin. Dia destes, um jornalista conhecido, que escreve uma coluna semanal em Zero Hora, afirmou até mesmo que Olívio Dutra era austero. Quem quiser que aceite este servilismo cínico com relação aos petistas, mesmo quando todos nas redações de Porto Alegre sabem – embora escondam- que Olívio Dutra exemplifica aquilo que um homem apresenta de mais abjeto com relação a uma mulher: não reconhecer os filhos que teve com ela. Isto Fernando Henrique Cardoso não fez

Greve de peritos do INSS gera espera de quase 6 meses em todo o Brasil. Governo Dilma nem isto consegue resolver.

A greve dos peritos do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) se encerrou de mentirinha em 25 de janeiro. Entretanto, os transtornos para quem precisa da perícia médica da entidade estão longe de acabar. Quem tem que fazer o procedimento pelo Instituto terá que aguardar quase seis meses para ser atendido. Com isso, os prejuízos para trabalhadores que precisam do atendimento para o recebimento de seus benefícios são enormes. Diversas famílias dependem da renda dos beneficiários da Autarquia para seu sustento.

De acordo com a Associação Nacional dos Peritos Médicos, a ANMP em janeiro deste ano, a fila para a realização de perícias médicas em todo o Brasil está acima da casa dos 2 milhões de solicitações. 

“Pelo nosso último levantamento, já são mais de 2,1 milhões de perícias que não foram realizadas neste período de greve. Estamos mantendo o efetivo de 30% de atendimentos, mas as negociações estão paradas”, declarou o presidente da Entidade, Francisco Eduardo Cardoso Alves.

Segundo dr. Willi Fernandes, advogado do CEPAASP – Associação dos Aposentados e Pensionistas do Rio de Janeiro, a situação não se encaminha para uma resolução. Para o jurista, alguns procedimentos podem ter sua normalização de atendimento apenas em um ano.
“Esta longa espera termina por prejudicar o trabalhador sem condições de retornar ao trabalho, pois o empregador é obrigado a pagar o funcionário nestes casos nos primeiros 15 dias após seu afastamento. Segurados com perícia marcada para data além de 45 dias, prazo legal para a concessão de benefícios previdenciários, podem recorrer à Justiça”, declara dr. Willi.

Desde o início da greve, em 4 de setembro de 2015, o prejuízo aos atendimentos só foi se agravando. 
Segundo levantamento feito pela parceria entre Ministério do Planejamento e o INSS, aproximadamente um milhão e meio de atendimentos deixaram de ser realizados no período. Entretanto, uma nota oficial divulgada recentemente afirma que mais de 900 mil atendimentos foram realizados durante os 120 dias de interrupção de atendimento pericial pelo INSS.

Complicações a vista...
O trabalhador que pretende se aposentar neste ano será obrigado a adiar o projeto. Após 90 dias de greve dos servidores do INSS, a maior parte das agências só agenda pedidos do benefício para 2016.  O prazo legal para a concessão de benefícios previdenciários é até 45 dias.
No entanto, quando o prazo não é cumprido, o segurado recebe os valores atrasados corrigidos pela inflação, contados a partir da data do agendamento como forma de compensação. O advogado Willi Fernandes recomenda que mesmo com a extensa fila de atendimento os trabalhadores devem manter seu agendamento para a perícia médica.

“Quem marcou perícia deve comparecer ao posto do INSS na data agendada. Recomendamos aos segurados que não peçam o cancelamento de seus atendimentos. Se o serviço estiver indisponível, o reagendamento será feito. Quem precisa do auxílio-doença deve agendar o pedido pelo site da previdência (www.previdencia.gov.br) ou pelo telefone 135. Se a perícia demorar mais de 45 dias, para casos de incapacidade grave, o segurado deve recorrer à Justiça, para tentar adiantar a perícia e garantir o benefício”, finaliza o especialista em direito previdenciário.

Delfim Neto, Valor - Enfrentemos o problema da siderurgia

Depois de mais de 100 mil anos de experimentação na sua aventura para ocupar o mundo, as várias tribos do "homo sapiens-sapiens" encontraram através de uma seleção histórica quase natural, uma particular organização social a que chamam de "civilizada". 
É uma sociedade que combina a relativa liberdade individual que empodera na urna (a democracia) o cidadão para a redução das desigualdades e gera relativa eficiência econômica pelo uso de mercados bem regulados. Não é nem "justa", nem "estática", mas tem enorme capacidade de adaptação. 
Cada tribo procura três autonomias: 1) a alimentar; 2) a energética; e 3) uma capacidade de defesa dissuasiva, que lhes garantem o desenvolvimento, a troca pacífica entre si e a paz no longo prazo. Ela se reconhece em todos os países desenvolvidos. Está, também, implícita na nossa Constituição de 1988. 
Pois bem, que decisão os brasileiros precisam tomar agora se desejam conservá-la? Exigir que o governo assuma suas responsabilidades e apoiá-lo no convencimento da sua "base" (o PT) sobre a necessidade urgente de aprovação das reformas institucionais que estabilizarão a situação fiscal no longo prazo. Com isso, ele recuperará a confiança da sociedade, e o Brasil o seu desenvolvimento, sem o que nem o ajuste fiscal terá sucesso. 
Mas há problemas de curto prazo que exigem ação imediata. Por exemplo, nos últimos anos perdemos a produção de alumínio (onde nossas vantagens relativas eram imensas) e a do níquel (onde a tecnologia era a do estado da arte). Estamos agora a assistir, perplexos, a mesma paralisia governamental levar à destruição o setor siderúrgico nacional, cuja demanda desabou em 2015. 
O governo finge esquecer que nos últimos 20 anos estimulou a importação da China para controlar a inflação. Roubou-lhe, lentamente, as condições isonômicas de competição que tinha: tributação moderada, taxas de juros e de câmbio reais competitivas, desoneração completa dos impostos na exportação e razoável tarifa efetiva. 
Existem, ainda, "idiots savants" que creem que a China é uma economia de mercado que exporta ao custo marginal? Ou que seus preços de exportação vão continuar os mesmos quando destruir seus competidores? É inegável que a economia chinesa ajudou a mundial. Ela é, pelo menos parcialmente, fruto da estratégia geopolítica dos EUA que, para acelerar a destruição da URSS, abriu-lhe seu mercado interno. Sua mão de obra barata e sem assistência social, permitiu a todos os governos mitigarem a sua inflação importando da China e jogando no lixo as regras do comércio razoavelmente moralizado que se propunha na OMC, como se esse processo fosse durar eternamente... 
A siderurgia não é uma indústria qualquer. Uma nação com 200 milhões de habitantes e US$ 11 mil de renda per capita em paridade de poder de compra e mais de 100 mil empregos diretos na siderurgia (cerca de 3 milhões entre diretos e indiretos), não pode dar-se ao luxo de perdê-la, porque com ela se irão partes importantes da nossa autonomia alimentar, energética e militar. 
O setor é altamente complexo. Mas não há dúvida que, no chão da fábrica, o nosso é competitivo. Se considerarmos o nível da capacidade e as tecnologias, não somos muito diferentes da Alemanha ou da Turquia. Do portão da fábrica para fora, entretanto, onde se depende do governo, a situação é desastrosa!
Não há como competir com a China, uma economia basicamente estatizada, num setor com incontáveis distorções de preços que nada têm a ver com os de mercado. Em 2003, ela produzia 220 milhões de toneladas de aço bruto (23% da produção mundial) e em 2014 produziu 823 milhões de toneladas (49% da produção mundial). No mesmo período, suas exportações de aço passaram de 7,4 milhões de toneladas para 93 milhões (três vezes a nossa produção), graças a artifícios que todos fingem não ver. Certamente, não por conta da mítica eficiência dos seus burocratas, mas pelo efeito do subsídio adicional visível que só em 2015 foi da ordem de US$ 10 bilhões! 

Que em Brasília, "nessum dorma"! Nas próximas semanas o setor precisa de um programa ágil e inteligente: 1) que lhe permita, no curto prazo, operar em torno de 85% da capacidade (uma demanda total da ordem de 40 milhões de toneladas) ao nível de preços internacionais sustentáveis no médio prazo; 2) que altere as tarifas efetivas para reduzir a quantidade de aço importado; e 3) que estimule fortemente as exportações com prazos e juros internacionais. O setor não precisa de subsídios, mas, apenas, da volta das condições isonômicas de competição que lhe tiramos! Não será fácil. Mas a relação custo/benefício é tão pequena, e a siderurgia tão importante, que vai excitar a responsabilidade ativa e o senso de urgência do governo.

Artigo, Carlos Newton - Por causa de Rose, a maior inimiga de Lula, hoje, é dona Marisa

Hoje, quem manda na família chama-se Marisa Letícia
Carlos Newton

Quando surgiu o escândalo do Mensalão, o presidente Luiz Inácio Lula de Silva chegou a achar que iria sofrer impeachment. Mas os tucanos, do alto de sua prepotência, pensaram (?!) que seria melhor deixá-lo sangrar. O resultado todos sabem, Lula escapou praticamente incólume, ganhou outro mandato e ainda elegeu um poste em sua sucessão. Agora, no escândalo do Petrolão, a impunidade de Lula poderia até se repetir. Ele seria chamado a depor como "informante" (ironia do destino, segundo o delegado Romeu Tuma Jr.) ou "testemunha", porém como "investigado". Mas na política as coisas mudam como as nuvens, já dizia Magalhães Pinto.
Lula vem sendo investigado em vários inquéritos, devido à sucessão de erros cometidos, especialmente no caso do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. E estes dois fatos altamente desabonadores só existem... por causa de dona Marisa Letícia.
ESCÂNDALO ROSEMARY
Dona Marisa mudou muito, depois que surgiu o escândalo do romance de Lula com Rosemary Noronha, iniciado na década de 90 no Sindicato dos Bancários de São Paulo, então presidido por João Vaccari Neto, que apresentou ao fundador do PT aquela jovem e atraente secretária. Dona Marisa mudou não somente em aparência, em função das operações plásticas e dos procedimentos estéticos a que se submeteu, mas também quanto a seu relacionamento com o marido, que nunca mais foi o mesmo.
A divulgação do prolongado romance com Rosemary foi devastadora, é claro. Dona Marisa enfim ficou sabendo por que o marido pedia que ela não o acompanhasse em viagens internacionais, e Lula não tinha como negar nada. As relações do casal nunca mais se normalizaram, é claro.E nem houve a festa das bodas dos 40 anos de casamento, em 2014.
Lula se viu acuado, dona Marisa cresceu e apareceu, passou a fazer exigências, não era mais a mulher dócil com quem ele se casara.
SATISFAZER AS VONTADES
A estratégia que Lula encontrou foi satisfazer todas as vontades de dona Marisa. Assim, para agradá-la, o modesto apartamento 141 no Guarujá, com apenas 82,5 m², um simples sonho de classe média, acabou se transformando no triplex 164A, que nem existia no empreendimento da Bancoop que a prefeitura aprovou. O contrato assinado por dona Marisa em 2006, em sua cláusula 2ª, comprova que no prédio havia apenas dois tipos de apartamentos – o simples, de 82,5 m², e o duplex de cobertura, com 126,35 m². O triplex de 215 m² simplesmente não existia. Foi criado exclusivamente pela OAS para alojar a família Lula da Silva e amaciar dona Marisa.
E para não dar na vista, a construtora transformou em triplex um apartamento ao lado, que veio a ser comprado por outra personagem envolvida no escândalo do Lava Jato e que operava na lavagem de dinheiro, a publicitária Neuci Warken. O triplex 163-B, registrado em nome da offshore Murray Holdings, acabou ficando com Nelci, com chegou a ser presa na Operação Triplo X e está colaborando com as autoridades. Como se dizia antigamente, a emenda saiu pior do que o soneto, a corrupção foi ficando cada mais explícita.
MAIS BENS DO QUE RENDA...
Um dos maiores problemas de Lula é que somente depois de sair do governo é que ele se tornou milionário e acumulou bens. Em 2010 ele estava deixando o governo e sua declaração de renda não justificava a compra simultânea do triplex e do sítio em Atibaia. Ele não ainda começara a fazer as palestras para os amigos empreiteiros, o Instituto Lula estava iniciando suas atividades. Por isso, teve de usar os laranjas Fernando Bittar e Jonas Suassuna para comprar o sítio em Atibaia, pagando R$ 1,5 milhão (valor declarado na escritura, que geralmente é subfaturado, para reduzir o Imposto de Transmissão).
Um dos motivos da compra do sítio foi a mudança de Brasília. O apartamento de São Bernardo e o Instituto Lula (que era chamado de Instituto Cidadania) não tinham a menor condição de receber os onze caminhões da mudança,  um deles climatizado, para transportar as garrafas de bebidas finas que ele ganhara nos oito anos de mandato. Livros, documentos, alguns presentes que surrupiou da Presidência e algumas caixas de bebidas ficaram no Instituto Lula. Outra parte da mudança, também incluindo caixas de bebidas, foi direcionada para o apartamento de São Bernardo. Mas foi o sítio em Atibaia que recebeu a maior parte da mudança, e a OAS já havia construído o galpão/adega climatizado, para receber o restante do acervo etílico do ex-presidente, conforme a imprensa noticiou à época e aTribuna da Internet até liderou uma campanha para que Lula devolvesse os presentes.
O SÍTIO DE DONA MARISA
O sítio sempre foi de dona Marisa, que cuidava dele enquanto Lula trabalhava para os empreiteiros em suas viagens e palestras comerciais. A situação familiar era bastante confortável até o final de 2011, quando surgiu o escândalo de Rosemary Noronha, que mudaria totalmente a vida do casal Lula da Silva. A briga foi muito feia, Lula não podia se separar, e desde então dona Marisa assumiu o poder familiar "au grand complet", como dizem os franceses.
No caso do sítio, sempre foi ela quem cuidou de tudo e comandou as obras de ampliação e reforma final, feitas pela Odebrecht. Tudo lá é do jeito dela. O serviço estava a cargo de um amigo íntimo do casal Lula da Silva, o empresário José Carlos Bumlai, que trouxe do Mato Grosso do Sul o arquiteto Igenes dos Santos Irigaray Neto, para tocar a obra e atender às ordens de dona Marisa.
Depois da grande reforma, em que a Odebrecht gastou R$ 500 mil só em material de construção, dona Marisa mandou fazer a horta e plantar árvores frutíferas, além de dirigir pessoalmente a redecoração, que incluiu os dois bonecos de crianças em tamanho natural, fabricados em porcelana, que ela colocou sentados no banco em frente à piscina, para divertir os netos.
LULA NÃO TEM PALAVRAS

Todas essas informações são rigorosamente verdadeiras e demonstram por que Lula ainda não conseguiu nem conseguirá explicar a situação do triplex e do sítio? Para fazê-lo, o ex-presidente teria de começar falando sobre o longo e tórrido romance com Rosemary Noronha, que conduziu a vida dele para a encruzilhada em que hoje se encontra.

Nota da Anhanguera

 A Anhanguera (Uniderp e LFG) informa que nenhum aluno ficará sem o auxilio de um polo de apoio presencial por conta da ordem judicial emitida ao Instituto de Direito do Rio Grande do Sul (IDRS) no início deste semestre. Os estudantes poderão acessar normalmente o ambiente virtual de aprendizagem (AVA) para conferir todo o conteúdo programático.

A instituição trabalha assiduamente para efetuar a migração de todos os discentes para outros parceiros, da forma mais ágil e eficiente possível, com o intuito de garantir o aprendizado sem interferência na dinâmica de estudos. Respeitando a transparência das ações, comunicados foram fixados nos polos, bem como enviados via e-mail e SMS para a base de alunos, com informações pertinentes ao ocorrido.

Os próximos passos serão noticiados via telefone. Em caso de informações extras, os alunos já matriculados deverão solicitar atendimento no canal online da Anhanguera, que segue à disposição para quaisquer dúvidas adicionais.  

Anotação mostra relação "estreita" entre ex-ministra e investigados, afirma PF

O Estadão deste domingo reela que documentos reforçam elo da ex-chefe da Casa Civil Erenice Guerra com grupo acusado de "comprar" MPs de interesse de montadoras de veículos no governo 

 Leia a reportagem completa:

Erenice foi secretária executiva da Casa Civil de 2005 a 2010, ano em que passou a ser titular da pasta, com saída de Dilma Foto: Elza Fiúza/ABr / clicRBS
Documentos apreendidos na Operação Zelotes reforçam o elo da ex-chefe da Casa Civil Erenice Guerra com o grupo acusado de "comprar" medidas provisórias de interesse de montadoras de veículos no governo. A Polícia Federal encontrou nas casas de dois dos envolvidos anotações com referências à ex-ministra, o que, para os investigadores, indica "estreita" relação entre ela e os investigados.
Erenice foi secretária executiva da Casa Civil de 2005 a 2010, ano em que passou a ser titular da pasta, entre os meses de março e setembro, com a saída da então ministra Dilma Rousseffdo cargo para se candidatar à Presidência da República. No período, duas MPs sob suspeita de terem sido "encomendadas" foram discutidas pelo órgão (471/2009 e 512/2010), antes de seguir para assinatura do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Erenice, o ex-presidente e outros ex-agentes públicos são investigados em inquérito atualmente em curso na Operação Zelotes. Conforme a PF, o objetivo é averiguar se, eventualmente, eles foram "corrompidos" ou foram "vítimas" de tráfico de influência praticado pelos lobistas que atuaram para viabilizar as MPs. As normas prorrogaram incentivos fiscais a montadoras instaladas no Norte, no Nordeste e Centro-Oeste.
Apreensões
As citações à ex-ministra Erenice Guerra aparecem em relatórios da Polícia Federal sobre as apreensões feitas em endereços dos acusados. Na casa do lobista Mauro Marcondes Machado e da mulher dele, Cristina Mautoni, foi encontrado papel com as anotações "Erenice" e "conta 55 8654672". O casal está preso desde outubro por suspeita de operar o suposto esquema das Mps.
Para a PF, o número se trata, provavelmente, de uma conta bancária. "Tais anotações sugerem, mais uma vez, o envolvimento ou a ligação estreita entre ela(Erenice) e os principais investigados", diz trecho da análise dos investigadores.
No endereço do advogado Eduardo Gonçalves Valadão – que, assim como o lobista Mauro Marcondes, responde a ação penal por envolvimento no suposto esquema – foi achado manuscrito com a seguinte mensagem: "O Alexandre me falou por alto sobre o assunto que o Zé Ricardo está deixando na mão. Pede mais informações / Fala da dívida do José Ricardo com o grupo (Erenice, Fernando Cesar Mesquita etc)".
Após deixar a Casa Civil, Erenice passou a atuar como advogada. Zé Ricardo – como é conhecido José Ricardo da Silva, outro lobista preso sob acusação de "comprar" MPs – se associou a ela para resolver pendências da Huawei Telecomunicações no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
Em outra frente de investigação, a Zelotes apura suposto esquema de corrupção para influenciar decisões nesse órgão, uma espécie de tribunal administrativo que avalia débitos de contribuintes com a Receita.
Ex-chefe do setor de comunicação no Senado, Fernando César Mesquita é réu em ação penal sobre as medidas provisórias, acusado de receber propina para facilitar pleitos dos investigados no Legislativo.
"Grupo"
Na análise, a Polícia Federal diz que a anotação é de "fundamental importância", pois trata "de forma taxativa sobre a existência de um grupo", "robustecendo as suspeitas de que os investigados tenham se organizado de forma criminosa". "Importante frisar também a menção aos nomes de Erenice e Fernando César Mesquita, como sendo integrantes do mesmo "grupo", o que vem a corroborar suspeitas nos negócios envolvendo os ora investigados", afirma o relatório.
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O agente da PF responsável pela análise sugere um exame grafotécnico para confirmar quem é o autor do manuscrito e, com isso, aprofundar as investigações sobre o conteúdo.
Também foi localizado na casa de Eduardo Valadão um boleto de pagamento de uma das empresas dele, a Rumo Comercializadora de Energia, para uma agência de turismo, no valor de R$ 8,9 mil. Com o documento, com data de 10 de novembro de 2011, havia uma relação de viagens, tickets e nomes de passageiros, entre eles "Erenice Guerra", que aparece com três passagens relacionadas.
Defesa
A ex-ministra não respondeu a questionamentos do jornal O Estado de S. Paulo sobre os relatórios da PF, enviados por e-mail. Informou, por meio de sua assessoria, que não os comentaria. Ela tem afirmado que conheceu os investigados na Zelotes em 2011, após deixar a Casa Civil.
Em depoimento à Polícia Federal, em dezembro, ela disse ter sido apresentada a Mauro Marcondes e Cristina Mautoni numa viagem a São Paulo. Não soube explicar a presença de seu nome em papel apreendido na casa do casal, ao lado do número de suposta conta.
A ex-ministra ressaltou que os números não lhe são "familiares" e consignou sua "estranheza com a anotação" feita por uma pessoa que "não conhece".
Erenice disse no depoimento à PF que sua relação com o escritório J.R Silva Advogados, de José Ricardo da Silva, se restringiu à defesa da Huawei Telecomunicações no Carf. Ela afirmou que não sabe o porquê de seu nome ser citado como integrante do "grupo" em anotação encontrada na casa de Valadão e que espera que o advogado explique o manuscrito. Em sua oitiva, ele silenciou a respeito.
A ex-ministra sustentou que nunca se reuniu com os investigados para tratar das medidas provisórias e que nunca recebeu quaisquer vantagens relacionadas à edição das normas.
Aos investigadores, Erenice também disse que não fez viagem para atender a interesses exclusivos das empresas de Valadão, mas que se recordava de que, num deslocamento para São Paulo, aproveitou para levar o lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS (preso desde outubro por causa das investigações da Operação Zelotes), para um encontro com Fernando Bertin, do Grupo Bertin.
A ex-ministra havia indicado empresas de Valadão para as empresas da família Bertin comprarem energia. Questionada pelo delegado Marlon Cajado, alegou não se recordar quem custeou a viagem.
Procuradas, as defesas de Eduardo Valadão e do casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni não comentaram. 


Correio Braziliense - Dívida/PIB de 82%

A presidente Dilma Rousseff vai terminar o governo com uma dívida pública equivalente a 82% do Produto Interno Bruto (PIB), apostam especialistas. Isso significa que não haverá superavit primário — economia para pagar os juros da dívida — em nenhum dos quatro anos do segundo mandato.

Na opinião do especialista em contas públicas Mansueto Almeida, a relação dívida/PIB deve chegar a 79% em 2017 e atingirá 82% em 2018. “Minha projeção é otimista. Tem gente que acha que vai a 90% do PIB. Há seis meses, nem o analista mais pessimista achava que chegaria a 70% em 2018. Do jeito que as coisas vão, alcançará 74% este ano”, alertou.

Conforme Mansueto, a meta do governo, de 0,5% de superavit, é impossível. “No ano passado, houve um corte grande nos gastos. É muito difícil reduzir este ano. Isso significa que teremos deficit mais alguns anos”, assinalou. O especialista ressaltou que o Orçamento aprovado, com crescimento de receita de R$ 190 bilhões, em um ano de recessão, é absurdo. “Os dados preliminares de janeiro são ruins e só não foram piores porque houve receita extra de R$ 11 bilhões de concessão das hidrelétricas. Deve haver queda de 5%”, estimou, lembrando que parte das despesas do ano passado ficou para 2016.

Para Rafael Bistafa, economista da Rosenberg Associados, o endividamento do setor público seguirá em alta nos próximos anos. Para ele, o governo apresentará um rombo fiscal de R$ 75 bilhões em 2016, equivalente a 1,2% do PIB. Esse resultado se somará às despesas com juros e ao deficit nominal de 7,5% da geração de riquezas no Brasil. Com isso, a dívida bruta chegará a 73% do PIB. Bistafa detalhou que o resultado será inferior ao observado em 2015 porque não haverá necessidade de quitar pedaladas fiscais.

Para 2017, a Rosenberg estima que a dívida bruta corresponderá a 77% da geração de riquezas no país e em 2018 a 77%. O economista alertou que com Nelson Barbosa ocupando o cargo de ministro da Fazenda há uma tendência de afrouxamento no rigor do controle dos gastos públicos, o que pode desfavorecer o busca pelo equilíbrio fiscal. “Estamos em uma trajetória explosiva e, sem reformas estruturais, não será possível mudar essa rota do endividamento público. E a tendência é de que esses números piorem se nada for feito”, alertou.


Para o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a economia em recessão e os juros em alta afetam o endividamento público. Para ele, permanecer em uma situação de dívida crescente por dois ou três anos não seria preocupante se as sinalizações de que essa trajetória seria revertida a médio prazo se tornassem uma realidade. “O problema é que, nesse momento, não há qualquer perspectiva nesse sentido e isso pode nos levar para um caminho sem volta”, alertou.