O ITAMARATY: ONTEM, HOJE E AMANHÃ!

1. Nos últimos 13 anos, a política externa brasileira padeceu de uma excessiva ideologização, que comprometeu os interesses nacionais e a posição do Brasil no cenário internacional. O alinhamento automático com regimes populistas e autoritários, o distanciamento de parceiros tradicionais e a negligência de áreas prioritárias, como a diplomacia econômica e comercial, resultaram no atual quadro de isolamento, paralisia e perda de liderança, sobretudo no entorno regional. Além desse aspecto substantivo, os anos PT também causaram danos significativos ao Itamaraty, como instituição. O Ministério está desprestigiado, seu orçamento degradado (tomado em termos proporcionais), seus funcionários desmotivados. Embaixadas estão ameaçadas de despejo e as dívidas do Brasil com organismos internacionais vêm fazendo com que o país chegue ao ponto de perder direito a voto. A tanto chegamos.

2. A perspectiva de impeachment da Presidente Dilma Rousseff abre a possibilidade para que se façam as necessárias e urgentes correções de rumo. Dada a natureza da transição, não haverá tempo para improvisos e tentativas de acerto. Para tanto, será necessária uma liderança corajosa e com clareza de propósito à frente do Itamaraty. Uma liderança dotada de uma visão mais pragmática, moderna, liberal e democrática sobre posição do Brasil no mundo. Em sua gestão, o ex-Ministro Celso Amorim executou verdadeiro expurgo entre seus pares e promoveu a posições de chefia uma nova geração de diplomatas leais à sua liderança.
        
3. Nesse período, deixaram o Itamaraty os Embaixadores Rubens Barbosa e Sérgio Amaral, dois nomes que contam com o respeito dos colegas. E, nesse período, surgiram, sob a égide da dupla Celso Amorim-Samuel Pinheiro Guimarães, secundados pelo prof. Marco Aurélio Garcia, a nova geração de chefes da Casa, devidamente alinhados com a ideologia do partido de turno: Antonio Patriota (Nova York), Guilherme Patriota (Genebra), Mauro Vieira (Ministro de Estado), Rui Pereira (Venezuela), Antonio Simões (Madri), José Antonio Marcondes de Carvalho (Subsecretário de Meio Ambiente e Energia), Paulo de Oliveira Campos (Paris) e Everton Vargas (Buenos Aires), entre outros.
         

4. Essa política reflete-se na dificuldade, hoje, de se identificar, na Casa, diplomatas independentes, com “signority” e que tenham tido a oportunidade de exercer funções de relevo que lhes confiram as credenciais necessárias a ocupar o cargo de Ministro. Uma rara exceção é o atual Embaixador na OMC, Marcos Galvão. Talvez, no atual momento, uma liderança de fora, com perfil elevado e peso político próprio, poderia melhor atender as necessidades políticas e institucionais da política externa brasileira. Essa liderança, além de projetar nossos interesses com maior efetividade, poderia devolver prestígio ao Itamaraty, preservando-o como instituição. O Itamaraty é uma das burocracias do Estado brasileiro mais preparadas para o desempenho de suas funções. Seu alto grau de profissionalização é um patrimônio que deve ser preservado e valorizado.

Reforma no Código de Trânsito aumenta penalidades e valores de multas

Publicada nessa quinta-feira (5), no Diário Oficial da União, a Lei 13.281 faz uma série de alterações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), entre elas, nos valores de multas e prazos para suspensão do direito de dirigir. Os valores de multas, que eram os mesmos desde a extinção da Unidade Fiscal de Referência (Ufir) em 2000, passam a ter novos valores em reais e entram em vigor em seis meses.

As multas leves tiveram reajuste de 66% e as médias, graves e gravíssimas de 53%. Os fatores multiplicadores previstos para algumas infrações mais graves incidem sobre os novos valores. Assim, a multa prevista para quem dirige sob o efeito de álcool, que é gravíssima e possui fator multiplicador de 10, passa de R$1.915,40 para R$2.932,30.

Celular

A nova lei altera 28 artigos e inclui seis novos dispositivos. Outra mudança, muito esperada por especialistas, é a inclusão do uso do telefone celular (agora de forma explícita). O inciso V prevê infração média para quem dirigir com apenas uma das mãos. Essa conduta passa a ser de natureza gravíssima (de R$ 85,13 para R$ R$ 293,47) caso o condutor esteja segurando ou manuseando o telefone celular.

Recusa ao etilômetro

Um dos novos dispositivos inseridos no Código vem para pacificar discussões administrativas e judiciais relacionadas à recusa ao etilômetro. Proposto pelo Rio Grande do Sul, o artigo 165-A pacifica o entendimento de que a recusa ao etilômetro caracteriza-se infração formal, e enquadra o infrator na mesma situação do condutor que tem teste positivo.

Suspensão do direito de dirigir

O processo de suspensão também ficará mais célere. A mudança no artigo 261 prevê que o processo de suspensão do direito de dirigir para as infrações que preveem essa penalidade (embriaguez, excesso de velocidade acima de 50%, rachas) será instaurado concomitantemente à aplicação da multa, reduzindo consideravelmente o tempo de tramitação para a penalização do condutor infrator.

O prazo de suspensão para quem atingia os 20 pontos, na antiga redação, partia de um mês até 12 meses. Na nova redação, o prazo de suspensão para esse condutor parte de seis meses e vai até um ano (oito meses até dois anos na reincidência dentro de 12 meses). Para as infrações que preveem suspensão e não tem prazo específico determinado pelo Código, varia de um a 12 meses. A partir de 1º de novembro, será de dois a oito meses (oito a 18 meses na reincidência dentro de um ano).

A Lei 13.281 também traz mudanças nas competências de alguns órgãos de trânsito, na velocidade máxima em rodovias, nas multas para veiculação de publicidade irregular, na responsabilidade pela sinalização de estabelecimentos privados de uso coletivo, nas regras para circulação de estrangeiros, nos procedimentos de leilões, entre outros.

Para o diretor-geral do Detran/RS, Ildo Mário Szinvelski, essa verdadeira reforma no Código de Trânsito Brasileiro é positiva e vem em boa hora. "Se todo chamado ‘acidente é precedido de uma infração de trânsito, a majoração dos valores terá caráter educativo e pedagógico para a mudança comportamental. A lei avançou muito nesse sentido, como um instrumento importante no combate à impunidade e à redução da acidentalidade, dos sequelados e mortos no trânsito".


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Artigo, Milton Pires - Era uma vez uma universidade

Certa vez, em 1964, um jovem estudante, nomeado “presidente interventor” pelo Comando do Terceiro Exército dentro do Centro Acadêmico Sarmento Leite (CASL), na Faculdade de Medicina da UFRGS, em Porto Alegre, levou um grande susto quando entrou na sala daquela organização estudantil: um colega estava sentado numa cadeira com os dois pés em cima da mesa. Sobre ela se encontrava um revólver. “Isso aqui é para atender comunistas”, disse o sujeito ao presidente que havia entrado na sala.

Vinte cinco anos depois, em 1989, outro estudante daquela faculdade assistia uma aula de Bioquímica, numa fria tarde do outono gaúcho, quando o professor, interrompendo a matéria, trouxe várias garrafas de cerveja para os alunos que, depois de beberem, partiram (junto com o tal professor) para uma caminhada na Avenida Salgado Filho junto com um candidato à Presidência da República. O nome dele era Luís Inácio Lula da Silva.

Vocês querem saber como eu posso ter certeza de que estas duas histórias são verídicas? Porque o estudante de 1964 era o meu pai e o de 1989 era eu !

Na semana passada, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre, segundo o Professor Benedito Tadeu Cézar, teve de “recuar” na sua ideia, que ele identifica como “fascista”, de repudiar à doutrinação ideológica na Universidade. Tal atitude veio acompanhada de uma espécie de compensação – os vereadores negaram-se, também, a “condenar” o ato da pediatra gaúcha que pediu para interromper o atendimento do filho de uma proeminente petista da cidade. Em outras palavras, um órgão do poder Legislativo, um órgão necessariamente político, negou-se astutamente a demonstrar em que “tom toca a banda” aqui na cidade, não é mesmo?
Iniciei o texto contando as histórias, minha e do meu pai, para mostrar o óbvio – nunca houve neutralidade dentro da UFRGS, a disputa foi sempre por aquilo que gente como o Profesor Benedito, o senhor Luís Fernando Veríssimo ou a DoutoraMárcia Tiburi gostam de chamar de “hegemonia” - vou aceitar o termo para não criar confusão, mas vou repetir aquilo que já escrevi faz muito tempo: a História de toda Universidade Ocidental inicia na Idade Média num mundo em que as pessoas entravam nelas sempre pensando a mesma coisa (como posso viver sem pecado e qual o caminho para salvação da minha alma) e saiam de lá com a capacidade (pelo menos alguma) de pensar diferente.

No mundo universitário encantado do professor Benedito, no mundo “sem machismo, sem luta pelo corpo da mulher” da Dra. Márcia Tiburi, as pessoas entram na UFRGS pensando coisas diferentes, mas saem de lá acreditando em algumas coisas em comum. Nós sabemos quais são. Não há necessidade de mencioná-las aqui, mas elas já estavam presentes como discussão na UFRGS do professor Ernani Maria Fiori, do assassino João Carlos Haas Sobrinho ou do químico comunista Otto Alcides Ohlweiler, não estavam???
As linhas que escrevi, e que apresento humildemente ao professor Benedito e à Dra.Márcia não são uma “resposta desaforada”..não são uma espécie de “vingança”

Outro dia, me dirigindo a um conhecido jornalista que tem um programa diário na Rádio Guaíba às 13 horas, eu disse com toda sinceridade e muita tristeza que só estamos tirando Dilma do Governo; não do Poder. O fato da Câmara tomar um decisão “morde e assopra”, combinando a “UFRGS com a decisão sobre pediatra”, já é uma vitória dos senhores...Toda “neutralidade”, todo relativismo de 68 vão continuar: os senhores venceram. Para ser sincero, já haviam vencido há muito tempo – a UFRGS acabou.

J. R. Guzzo, Veja - Gaveta vazia

Lá vai o governo de Dilma Rousseff caminhando para o seu fim a cada dia que passa, e enquanto não se chegar ao desfecho o público em geral vai ficar com a atenção dividida entre as questões práticas que realmente interessam ─ como será, e o que vai fazer, o novo governo? ─ e a barulheira de algo que corre o risco de ser chamado “luta de resistência”. Resistência a quê, mais exatamente? O ato de resistir, para ser de algum interesse concreto, normalmente requer que o resistente tenha alguma chance real de mudar a situação que se recusa a aceitar. Se não for assim, é apenas vaia de arquibancada ─ a torcida que perde fica xingando o juiz, a diretoria do time, o técnico, os jogadores, a bola, e no fim o resultado marcado no placar continua o mesmo.
Dilma, o ex-presidente Lula, o PT e a esquerda inconformada com o impeachment passam os dias correndo daqui para lá à procura de um portento qualquer, possivelmente sobrenatural, para poderem continuar mandando. Mas essas coisas em geral não existem no mundo da realidade. Para terem uma perspectiva séria de evitar o que vem por aí, Lula, Dilma e o seu sistema precisariam, obrigatoriamente e com urgência, oferecer à população um mínimo de atrativos coerentes em favor dos seus desejos. E aí é que está: não têm nada de útil a oferecer. Sua gaveta está vazia.
Falta gente, para começar. Lula e o governo que neste momento caminha para o cemitério não juntam multidão na rua, como os seus adversários foram capazes de juntar. Não se espera, por exemplo, mais de 1 milhão de pessoas na Avenida Paulista gritando “Fica Dilma!”, ou “Fora Temer!”. Faltam senadores para absolver Dilma da deposição, assim como faltaram deputados para impedir que fosse julgada no Senado ─ ela tinha mais ou menos 100 votos do seu lado quando a Câmara começou a decidir o caso, acabou com pouco mais que isso quando a votação se encerrou. Falta um plano concreto, imediato e compreensível para melhorar qualquer coisa que a população quer que melhore já. Não têm, nem Lula nem, menos ainda, Dilma, mais que 20% nas pesquisas de opinião. Não têm um “programa de oposição”, como imaginam neste momento de anarquia mental em que estão dentro e fora do governo ao mesmo tempo. Será cômodo dizer, daqui a pouco, que há 10 milhões de desempregados; o difícil será convencer o eleitorado de que Dilma e o PT não têm nada a ver com isso, ou com os hospitais em estado de calamidade, a recessão, as placas de “vendese” e “aluga-se”, e por aí afora.
O ex-presidente, ao mesmo tempo, quer que acreditem nele quando diz que está enfrentando uma “quadrilha” política ─ mas de que jeito, se passou os últimos treze anos vivendo como sócio dessa mesma “quadrilha”, que levou para dentro do governo e à qual até outro dia, num hotel de Brasília, estava tentando agradar com oferta de empregos?
O governo tem oferecido, isto sim, algo parecido a um projeto de guerra civil ─ ou pelo menos é o que vem dizendo em público, com ameaças de sabotagem econômica, greve geral, “parar o país” etc., se for seguido o único caminho legal que existe para a substituição de Dilma, ou seja, a posse do vice-presidente Michel Temer. O PT já decidiu que o governo a ser formado por decisão do Congresso Nacional e do STF é “ilegal”; promete que não vai dar “um dia de sossego” a quem ficar na cadeira de Dilma.
Lula e seu partido vão mesmo tentar seguir por aí? Pode ser, mas não se sabe se terão os meios reais de fazer o que propõem. Além do mais, quantos votos pode render uma coisa dessas? Têm sido ofertados, também, episódios de cuspe; não está claro se isso será promovido à categoria de “ato político de resistência”. Sobram tentativas de fazer com que o Brasil receba punições “internacionais”, possivelmente de entidades invisíveis como Unasul, Parlasul, ou coisas assim ─ mas quantos eleitores de carne e osso estariam preocupados com isso? Querem que a Operação Lava Jato “pegue” os que estão indo para o governo. E as bombas que podem estourar contra Lula, Dilma e os amigos? Só seria interessante se a Justiça parasse as investigações contra eles e começasse a investigar só os outros. Ou estão esperando uma anistia geral?
A questão real, para Lula e todo o seu universo, é clara: é impossível conseguir o que estão querendo por qualquer meio que esteja fora da lei. Dentro da lei a única saída disponível é recuperar o governo pelo voto, e a próxima oportunidade para isso é a eleição presidencial de 2018. O resto é muita conversa de “resistência” – e nada mais.



Rombo de R$ 1,330 bilhão na Fundação Banrisul de Seguridade Social (FBSS)

O rombo de R$ 1,330 bilhão na Fundação Banrisul de Seguridade Social (FBSS) chegou a limites insuportáveis para ativos, aposentados e pensionistas do fundo de pensão. Por isso, a Associação dos Funcionários das Empresas do Grupo Banrisul (AGBAN) fará manifesto no próximo dia 5 de maio, a partir das 9 horas, na Rua Otávio Caruzo da Rocha, 600 – em frente ao prédio Justiça Federal em Porto Alegre.

Os manifestantes querem esclarecimentos do mau uso dos recursos do Fundo e solução para a grave situação. Querem também dar visibilidade pública ao caso (há inquérito civil no Ministério Público Federal), e, sobretudo, pedir a suspensão dos descontos, que somados à participação normal atinge, em alguns casos, média de 30% sobre proventos brutos individuais. Os descontos já determinaram contracheques zerados para aposentados e a desoladora perspectiva de quem espera usufruir futuramente da complementação da aposentadoria. A FBSS sinaliza aos participantes que os descontos se estenderão por mais de 20 anos – estima-se que a maioria não viverá para cumprir a exigência.

Os primeiros sinais da má gestão do Fundo apareceram em 2009 e em 2013 chegaram R$ 1,33 bilhão. Em nenhum momento, as causas do péssimo resultado foram esclarecidas. Entretanto, a partir de agosto de 2014, o prejuízo foi dividido entre os participantes em forma de desconto, além da contribuição normal.

Metade do número de conselheiros e metade da diretoria é escolhida por voto dos participantes da FBSS, mas são os patrocinadores (no caso o Banco) que fazem a designação dos respectivos presidentes, estes definem as premissas atuariais do Fundo e detêm voto de minerva nas decisões colegiadas.

Dos descontos:
  
Ainda em 2009, a Fundação determinou que os associados arcassem com 82% do rombo e as empresas patrocinadoras com 18%; o que foi alterado em 2013 para 63% para os participantes e 37% para as empresas. Números injustos considerando que a lei autoriza a recomposição de déficits até o limite máximo de 50% para patrocinadores e participantes – para cada contribuição normal feita pelo participante, o patrocinador contribui com igual quantia. .

Em dezembro/2015, iniciou novo desconto de 11,33% do rendimento bruto, relativo ao Fundo de Sobrevalorização dos Benefícios, criado por Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O acerto foi entre FBSS, Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) e patrocinadores em questão, sob a justificativa de pagamento da variação do dissídio da categoria aos inativos. (Desde a criação do Fundo, em 1964, há essa previsão em regulamento, mas não é utilizado para fixação das premissas atuariais, revistas, obrigatoriamente, ano a ano).

Ingerências e má gestão:


A Associação dos Funcionários das Empresas do Grupo Banrisul (AGBAN) garante possuir documentos que atestam ingerências constantes dos patrocinadores no fundo gerido pela Fundação Banrisul. Diz ainda que isso será demonstrado nas ações judiciais que estão sendo propostas para a recomposição do Plano de Benefícios. Segundo a entidade, mais de 13 mil famílias dependem da Fundação Banrisul de Seguridade Social, sobretudo os cinco mil participantes, que não migraram para outros planos em 2014, e estão vendo seus proventos diminuírem dia a dia.

Banco Opportunity esclarece que não foi favorecido no leilão da Telebrás

Na reportagem “Mendonça de Barros diz que governo gaúcho perderá ação da dívida com a União”, postada em 3/5, o Opportunity é citado.
Por isso, é preciso esclarecer que: 
O Opportunity não teve qualquer favorecimento no leilão da Telebras. 
O Opportunity participou do leilão de privatização da Telebrás, em julho de 1998, por meio de três fundos de investimentos. O primeiro contou com recursos do Citigroup. O segundo abrigou os investimentos dos fundos de pensão estatais e o terceiro reuniu outros investidores do Opportunity.
O leilão da Telebrás resultou na venda de três operadoras de telefonia fixa: Telesp, Tele Centro-Sul (Brasil Telecom) e Tele Norte-Leste (Telemar).
O consórcio da Globo, Bradesco e Telecom Itália era apontado como favorito para comprar a Telesp. A Telefónica era tida como a potencial compradora da Tele Centro-Sul, operadora que atuaria na mesma área da CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), da qual os espanhóis tinham o controle. Restava, portanto, a Tele Norte-Leste (Telemar) que o consórcio do Opportunity se preparara para comprar.
No leilão nenhuma das expectativas se confirmou.
A Telesp foi comprada pelos espanhóis e o consórcio do Opportunity adquiriu a Tele Centro-Sul (Brasil Telecom).
Quem venceu a disputa pela Tele Norte-Leste (Telemar) foi o consórcio composto por fundos de pensão estatais, Previ à frente, subsidiárias do Banco do Brasil e por sócios privados, entre eles, La Fonte (Carlos Jereissati) e Andrade Gutierrez (Sérgio Andrade). 
Não demorou a surgir na imprensa reportagens sobre conversas grampeadas ilegalmente no BNDES, às vésperas do leilão. 
Em 25 de maio de 1999, a Folha de S.Paulo editava como manchete: “FHC tomou partido de um dos grupos no leilão da Telebras.”
Após 11 anos, em 13 de março de 2009, O Estado de S.Paulo informou que o juiz da 17ª Vara Federal de Brasília, Moacir Ferreira Ramos, “absolveu na semana passada integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso das acusações de terem privilegiado o Banco Opportunity e outros no leilão de venda da Telebras em 1998."(...) “Ramos fez crítica a integrantes do PT que, na época, encaminharam uma representação para que o Ministério Público (MP) acionasse o Judiciário. Ele avaliou que esses petistas poderiam ter contribuído com as investigações quando o PT assumiu o governo federal. ‘É enfatizar que essa ação foi promovida em decorrência de representação feita (dentre outros) por políticos que, à época das privatizações do setor de telefonia, ostentavam notória opinião contrária ao sr. Fernando Henrique Cardoso. Cito Aloísio Mercadante, Ricardo José Ribeiro Berzoini, Vicente de Paula e Silva e João Vaccari Neto’, afirmou o juiz. ‘Sobreveio o governo do sr. Luiz Inácio Lula da Silva, que é apoiado por esses políticos. Se havia a preocupação com a apuração dos fatos por que não interferiram junto ao governo atual para quefosse feita a investigação? ’, questionou. ”
 O Ministério Público recorreu da decisão do juiz da 17ª Vara.
Em abril de 2010, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiram não ter havido favorecimento ao Opportunity e a outros no leilão de privatização da Telebras.


Lula e mais 30 políticos das cúpulas do PT e do PMDB vão parar no inquérito-mãe da Lava Jato

O  procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal que inclua mais 30 investigados no inquérito-mãe da Lava Jato. É o mais amplo, que já investigava 39 pessoas e apura se uma organização criminosa atuou na Petrobras. É o que conta reportagem de ontem a noite do Jornal Nacional.

Leia tudo:

Nesse grupo adicional de 30 pessoas, há integrantes das cúpulas do PT e do PMDB, os partidos da coligação que elegeu Dilma Rousseff e Michel Temer. E uma figura central é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No pedido de investigação ao STF, o procurador afirma que a organização criminosa não teria funcionado por tantos anos e de forma tão agressiva sem que lula mantivesse o controle das decisões mais relevantes dela.

Rodrigo Janot disse que há provas de que o grupo atuou para desviar recursos de várias empresas e para enriquecer ilicitamente agentes públicos, políticos e grupos de empresários, além de financiar campanhas eleitorais.

Entre os nomes estão o do ex-presidente Luiz Inácio lula da silva, dos ministros Jaques Wagner,Ricardo Berzoini e Edinho Silva, do principal assessor da presidente Dilma, Giles de Azevedo, de dois senadores: Jader Barbalho e Delcídio do Amaral, de seis deputados federais, entre eles o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que pode passar a responder ao oitavo inquérito na Lava Jato, além dos ex-ministros do governo Lula e Dilma, Henrique Eduardo Alves, Erenice Guerra e Antônio Palocci.

A nova lista de suspeitos de participar do esquema inclui também o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli e o ex-presidente do banco BTG Pactual, André Esteves.

Janot explica que "novos elementos probatórios" apontam para um "novo desenho da organização bem mais amplo e complexo do que aquele projetado no início das investigações".
O procurador se baseia nas delações premiadas de Delcídio do Amaral, do ex-diretor da PetrobrasNestor Cerveró e de executivos da Andrade Gutierrez.

O procurador diz que "esse aprofundamento das investigações mostrou que a organização criminosa tem dois eixos centrais. O primeiro ligado a membros do PT e o segundo ao PMDB. No caso deste, as provas colhidas indicam para uma subdivisão interna de poder entre o PMDB da Câmara e o PMDB do Senado.”

Os dois grupos, embora vinculados ao mesmo partido, ao que parece, diz Janot, atuam de forma autônoma, tanto em relação às indicações políticas para compor cargos relevantes no governo, quanto na destinação de propina arrecadada a partir dos negócios escusos firmados no tocante daquelas indicações.

O núcleo do PMDB na Câmara, segundo Janot, tem como um dos seus líderes Eduardo Cunha, e atuava para garantir indicações na Petrobras e na Caixa Econômica Federal, e na venda de requerimentos e emendas parlamentares para beneficiar empresas do grupo OAS, Odebrecht e BTG Pactual.

Segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, ao que tudo indica, no núcleo do PT, a organização era especialmente voltada à arrecadação de valores ilícitos por meio de doações oficiais ao diretório nacional. E, depois, o diretório do Partido dos Trabalhadores fazia os repasses de acordo com a conveniência da organização criminosa.

Rodrigo Janot afirma que esse projeto de poder fica evidente em diversos relatos de colaboradores.
De acordo com o procurador, o ex-presidente Lula, "embora afastado formalmente do governo, mantém o controle das decisões mais relevantes, inclusive no que concerne as articulações espúrias para influenciar o andamento da operação Lava Jato fora do governo, para influenciar a sua nomeação ao primeiro escalão do governo Dilma, à articulação do PT com o PMDB, o que perpassa o próprio relacionamento mantido entre os membros desses partidos para o funcionamento da organização criminosa."

E acrescenta: "Essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente lula dela participasse", afirmou o procurador.

Para que os 30 novos suspeitos sejam formalmente investigados, será preciso o aval do ministroTeori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.