Como representante do setor empresarial de Caxias do Sul, a CIC Caxias tem estado vigilante e ativa, em cooperação com os governos municipal, estadual e federal, trabalhando incessantemente para mitigar os impactos do avanço da Covid-19 em nossa comunidade. Assim, temos recomendado o acatamento das medidas de controle da pandemia impostas pelo Poder Público, visando salvaguardar a saúde da população. E assim faremos, enquanto perdurar a crise.
Além disso, com o objetivo de dar suporte ao sistema de saúde público e privado do município, por meio da campanha Caxias Contra a Covid-19, CIC-Caxias, Sindicatos Patronais, MobiCaxias e Universidade de Caxias do Sul, com o apoio do Poder Público e da imprensa, estamos fazendo um chamamento à sociedade para que colabore com recursos e equipamentos de proteção aprovados pela Anvisa.
Não queremos e não vamos nos omitir.
Valorizamos o diálogo estabelecido pelo Poder Municipal com as entidades empresariais e demais setores sociais, e aplaudimos os primeiros atos no sentido de flexibilizar as atividades de alguns setores, em resposta a sugestões da CIC Caxias e dos Sindicatos Empresariais.
Entretanto, em consonância com as manifestações das federações empresariais do Rio Grande do Sul, a CIC Caxias reitera a necessidade de acelerar a retomada das atividades produtivas, já a partir dos próximos dias.
Ao mesmo tempo em que se continue reforçando o sistema de saúde e mantendo o isolamento social dos grupos de maior risco, como definidos pela OMS e pelo Ministério da Saúde, é preciso restabelecer o trabalho de empresas e trabalhadores, para evitar efeitos colaterais igualmente graves, como o desmantelamento da cadeia produtiva e suas inevitáveis consequências: desabastecimento, desemprego e empobrecimento da população.
O momento é delicado e desafiador, exigindo de todos serenidade, responsabilidade e esforço. Reafirmamos que a vida das pessoas deve ser a primeira prioridade e que a única forma de preservá-la é evitar o colapso do sistema social como um todo, protegendo tanto a saúde, contra o terrível vírus, como as atividades produtivas, que sustentam a população e o próprio governo.
Neste momento de extrema preocupação, apelamos para o bom senso de todos.
Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul
Ivanir Gasparin – presidente do Conselho Executivo
Dagoberto Lima Godoy – presidente do Conselho Superior
José Quadros dos Santos – presidente do Conselho Deliberativo
Artigo, Fernanda Torres, Rede Globo - Ninguém sairá o mesmo desta quarentena
CLIQUE AQUI para ler o original no UOL.
Torço para que o coronavírus, a exemplo da peste negra, abrevie o obscurantismo medieval em que nos metemos.
(…)
Clamando pela proteção do Senhor, os tementes se juntavam às romarias ainda sãos, caíam doentes no decorrer do trajeto e terminavam o périplo em covas rasas. Foi necessário o alarmante milagre da multiplicação de óbitos para que a Igreja suspendesse missas, procissões e aglomerações de fiéis.
Sete séculos depois, Edir Macedo solta um vídeo na internet afirmando que o medo da Covid-19 é obra de Satanás.
Não satisfeito, procura fundamentar a tese com o depoimento de um patologista, doutor Beny Schmidt, que deveria ter o registro de CRM cassado.
“Morrer é o destino humano”, diz o doutor. “A gente morre de hipertensão, de diabetes, de câncer e de hemorragia, mas de coronavírus a gente não morre, porque Deus não quis.”
Sete séculos depois da disseminação da peste, Jair Bolsonaro desce a rampa do Planalto para trocar gotículas com seus seguidores como se não houvesse amanhã
(…)
Jair governa para o próprio gueto. Se reinasse na Europa do século 14, pregaria o Apocalipse e incitaria o autoflagelo em cortejos suicidas.
(..)
A aliança entre o ultraliberalismo econômico e o populismo de extrema direita enfrenta seu primeiro desafio com uma crise que mais parece lição divina.
A iniciativa privada será incapaz de substituir o Estado no atual salve-se quem puder. Todos os países do mundo estão abrindo as torneiras. Paulo Guedes será obrigado a agir na direção contrária de tudo o que aprendeu em Chicago e sonhou e planejou e prometeu. Duro acaso.
Torço para que o centro ressurja dessa emergência. E que o coronavírus, a exemplo da peste negra na Europa do século 14, venha abreviar o obscurantismo medieval travestido de liberal em que nos metemos.
No lado pagão, é preciso reconhecer, nota-se o mesmo estado de negação. Por não se sentirem ameaçados pela doença, os jovens descumprem o resguardo e lotam praias, bares e baladas. O egoísmo também serve de instrumento para o Capeta.
Ninguém sairá o mesmo desta quarentena. Daqui a quatro meses atingiremos, dizem, a imunidade de rebanho. Enterrados os mortos, espero que voltemos às ruas mais humanos e menos afeitos a fundamentalismos religiosos, políticos e econômicos.
Talvez esse vírus seja mesmo o recado de Deus. Deus natureza cansado do ódio, da ignorância, da irracionalidade, da brutalidade, da violência e da vileza dos mitos e profetas. Um Deus farto das trevas e ansioso por um Renascimento.
Aconteceu na Europa, 700 anos atrás.
Torço para que o coronavírus, a exemplo da peste negra, abrevie o obscurantismo medieval em que nos metemos.
(…)
Clamando pela proteção do Senhor, os tementes se juntavam às romarias ainda sãos, caíam doentes no decorrer do trajeto e terminavam o périplo em covas rasas. Foi necessário o alarmante milagre da multiplicação de óbitos para que a Igreja suspendesse missas, procissões e aglomerações de fiéis.
Sete séculos depois, Edir Macedo solta um vídeo na internet afirmando que o medo da Covid-19 é obra de Satanás.
Não satisfeito, procura fundamentar a tese com o depoimento de um patologista, doutor Beny Schmidt, que deveria ter o registro de CRM cassado.
“Morrer é o destino humano”, diz o doutor. “A gente morre de hipertensão, de diabetes, de câncer e de hemorragia, mas de coronavírus a gente não morre, porque Deus não quis.”
Sete séculos depois da disseminação da peste, Jair Bolsonaro desce a rampa do Planalto para trocar gotículas com seus seguidores como se não houvesse amanhã
(…)
Jair governa para o próprio gueto. Se reinasse na Europa do século 14, pregaria o Apocalipse e incitaria o autoflagelo em cortejos suicidas.
(..)
A aliança entre o ultraliberalismo econômico e o populismo de extrema direita enfrenta seu primeiro desafio com uma crise que mais parece lição divina.
A iniciativa privada será incapaz de substituir o Estado no atual salve-se quem puder. Todos os países do mundo estão abrindo as torneiras. Paulo Guedes será obrigado a agir na direção contrária de tudo o que aprendeu em Chicago e sonhou e planejou e prometeu. Duro acaso.
Torço para que o centro ressurja dessa emergência. E que o coronavírus, a exemplo da peste negra na Europa do século 14, venha abreviar o obscurantismo medieval travestido de liberal em que nos metemos.
No lado pagão, é preciso reconhecer, nota-se o mesmo estado de negação. Por não se sentirem ameaçados pela doença, os jovens descumprem o resguardo e lotam praias, bares e baladas. O egoísmo também serve de instrumento para o Capeta.
Ninguém sairá o mesmo desta quarentena. Daqui a quatro meses atingiremos, dizem, a imunidade de rebanho. Enterrados os mortos, espero que voltemos às ruas mais humanos e menos afeitos a fundamentalismos religiosos, políticos e econômicos.
Talvez esse vírus seja mesmo o recado de Deus. Deus natureza cansado do ódio, da ignorância, da irracionalidade, da brutalidade, da violência e da vileza dos mitos e profetas. Um Deus farto das trevas e ansioso por um Renascimento.
Aconteceu na Europa, 700 anos atrás.
Situação cidade por cidade no RS
RS, hoje, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.
Os municípios de Santa Rosa e Cachoeira do Sul têm os primeiros registros da doença. Já em Porto Alegre são 107 casos, cidade do Estado com o maior número de ocorrências. No Rio Grande do Sul, 45 municípios têm pacientes com coronavírus.).
Confira a lista de casos por cidade
Alvorada -2
Anta Gorda - 2
Bagé - 9
Bento Gonçalves - 2
Cachoeira do Sul - 1
Campo Bom - 2
Canoas -7
Capão da Canoa - 2
Carlos Barbosa - 1
Caxias do Sul - 6
Cerro Grande do Sul - 1
Charqueadas - 1
Cruzeiro do Sul - 1
Dois Irmãos - 1
Dom Pedrito - 1
Eldorado do Sul - 1
Erechim - 3
Estância Velha -2
Estrela - 1
Farroupilha - 1
Garibaldi - 1
Gravataí - 1
Ivoti - 2
Lajeado -5
Marau - 1
Nova Palma - 1
Osório - 1
Paraí - 1
Passo Fundo - 1
Pelotas - 2
Piratini - 1
Porto Alegre - 107
Rio Grande - 2
Rolante - 1
Santa Maria - 2
Santa Rosa - 1
Santana do Livramento - 4
Santiago - 1
Santo Antônio da Patrulha - 1
São Leopoldo - 2
Sapiranga - 1
Serafina Corrêa - 3
Taquara - 1
Torres - 6
Viamão - 1
Os municípios de Santa Rosa e Cachoeira do Sul têm os primeiros registros da doença. Já em Porto Alegre são 107 casos, cidade do Estado com o maior número de ocorrências. No Rio Grande do Sul, 45 municípios têm pacientes com coronavírus.).
Confira a lista de casos por cidade
Alvorada -2
Anta Gorda - 2
Bagé - 9
Bento Gonçalves - 2
Cachoeira do Sul - 1
Campo Bom - 2
Canoas -7
Capão da Canoa - 2
Carlos Barbosa - 1
Caxias do Sul - 6
Cerro Grande do Sul - 1
Charqueadas - 1
Cruzeiro do Sul - 1
Dois Irmãos - 1
Dom Pedrito - 1
Eldorado do Sul - 1
Erechim - 3
Estância Velha -2
Estrela - 1
Farroupilha - 1
Garibaldi - 1
Gravataí - 1
Ivoti - 2
Lajeado -5
Marau - 1
Nova Palma - 1
Osório - 1
Paraí - 1
Passo Fundo - 1
Pelotas - 2
Piratini - 1
Porto Alegre - 107
Rio Grande - 2
Rolante - 1
Santa Maria - 2
Santa Rosa - 1
Santana do Livramento - 4
Santiago - 1
Santo Antônio da Patrulha - 1
São Leopoldo - 2
Sapiranga - 1
Serafina Corrêa - 3
Taquara - 1
Torres - 6
Viamão - 1
Apesar de decreto estadual, Prefeitura de Florianópolis mantém quarentena até dia 08 de abril
O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, divulgou um vídeo há pouco falando sobre as novas medidas do município para contenção do contágio do Coronavírus. Uma das principais medidas foi manter a quarentena em Florianópolis, mesmo após o decreto do Governo do Estado liberando setores da economia a partir de 1 de abril.
“É uma medida impopular e sei que vou ser criticado por muitos. Mas sei da minha responsabilidade por 500 mil vidas e vou seguir o que nossa equipe de inteligência e saúde está orientando como o mais correto”, explicou o prefeito.
A equipe médica da Prefeitura se diz a favor de iniciar uma volta à sociedade gradativamente, mas antes é necessário ter chegado os equipamentos de proteção individual e testes que a prefeitura está comprando. “O que precisamos agora é de mais alguns dias para que nossa estratégia de testar suspeitos e monitorar de forma mais eficaz possa estar acontecendo”, disse o secretário de saúde, Doutor Carlos Alberto Justo da Silva.
No vídeo, Gean dá o exemplo da cidade de Milão, quando resolveu “afrouxar” o distanciamento social e chegou a mais de 4 mil mortes em apenas 30 dias. “Todos nós sabemos que somente o isolamento não é a cura para o mal que nos assola. Precisamos vencer o vírus com estratégia. E, nesse momento, suspender a quarentena não é melhor estratégia”, disse o prefeito.
A Prefeitura de Florianópolis é a autoridade sanitária máxima no município e por isso pode atuar com mais restrição na cidade se considerar necessário para a preservação da saúde dos habitantes. Confira o que muda com o novo decreto que será publicado nesta sexta-feira, 27 de março.
*O que não pode?:*
Restaurantes, lanchonetes e cafés aberto para atendimento ao público no seu interior
Shoppings, academias, cinemas, bares, casas noturnas, cinemas e comércio em geral
Serviços públicos considerados não essenciais.
Entrada de novos hóspedes no setor hoteleiro, incluindo locações temporárias individuais,
Transporte coletivo
Aulas em creches, escolas e universidades
*O que pode?:*
Restaurantes, lanchonetes e cafés atendendo em modo take away/take out (retirada na porta) e delivery (tele-entrega)
Prestação de serviços autônomos e por profissionais liberais, devendo observar a necessidade de agendamento para atendimento individual, respeitando o limite de ocupação de 50% do espaço do local com distanciamento de pelo menos 1,5 metro entre as pessoas e reforçando as medidas de biossegurança.
Salões de beleza/barbearias, respeitando o limite máximo de 50% da capacidade, com distanciamento mínimo de 1,5 metro de cada pessoa e uso de luvas e máscaras
Funerais, desde que com menor número possível de pessoas pelo menor tempo possível, respeitando o limite de 50% da capacidade de público do local.
Atividade da construção civil, desde que não haja alojamento coletivo para trabalhadores ou aglomeração de trabalhadores.
“É uma medida impopular e sei que vou ser criticado por muitos. Mas sei da minha responsabilidade por 500 mil vidas e vou seguir o que nossa equipe de inteligência e saúde está orientando como o mais correto”, explicou o prefeito.
A equipe médica da Prefeitura se diz a favor de iniciar uma volta à sociedade gradativamente, mas antes é necessário ter chegado os equipamentos de proteção individual e testes que a prefeitura está comprando. “O que precisamos agora é de mais alguns dias para que nossa estratégia de testar suspeitos e monitorar de forma mais eficaz possa estar acontecendo”, disse o secretário de saúde, Doutor Carlos Alberto Justo da Silva.
No vídeo, Gean dá o exemplo da cidade de Milão, quando resolveu “afrouxar” o distanciamento social e chegou a mais de 4 mil mortes em apenas 30 dias. “Todos nós sabemos que somente o isolamento não é a cura para o mal que nos assola. Precisamos vencer o vírus com estratégia. E, nesse momento, suspender a quarentena não é melhor estratégia”, disse o prefeito.
A Prefeitura de Florianópolis é a autoridade sanitária máxima no município e por isso pode atuar com mais restrição na cidade se considerar necessário para a preservação da saúde dos habitantes. Confira o que muda com o novo decreto que será publicado nesta sexta-feira, 27 de março.
*O que não pode?:*
Restaurantes, lanchonetes e cafés aberto para atendimento ao público no seu interior
Shoppings, academias, cinemas, bares, casas noturnas, cinemas e comércio em geral
Serviços públicos considerados não essenciais.
Entrada de novos hóspedes no setor hoteleiro, incluindo locações temporárias individuais,
Transporte coletivo
Aulas em creches, escolas e universidades
*O que pode?:*
Restaurantes, lanchonetes e cafés atendendo em modo take away/take out (retirada na porta) e delivery (tele-entrega)
Prestação de serviços autônomos e por profissionais liberais, devendo observar a necessidade de agendamento para atendimento individual, respeitando o limite de ocupação de 50% do espaço do local com distanciamento de pelo menos 1,5 metro entre as pessoas e reforçando as medidas de biossegurança.
Salões de beleza/barbearias, respeitando o limite máximo de 50% da capacidade, com distanciamento mínimo de 1,5 metro de cada pessoa e uso de luvas e máscaras
Funerais, desde que com menor número possível de pessoas pelo menor tempo possível, respeitando o limite de 50% da capacidade de público do local.
Atividade da construção civil, desde que não haja alojamento coletivo para trabalhadores ou aglomeração de trabalhadores.
Roberto Rachewsky - Falsa dicotomia - A vida ou a economia
Não há vida humana na Terra sem produção econômica.
Quem imagina que parar a economia vai salvar a humanidade da morte por essa pandemia parece ignorar que é a produção que irá criar o que é preciso para enfrentá-la. E não apenas isso, as pessoas continuarão precisando de moradia, vestuário, alimento, sabão, água, luz, medicamentos e outros bens e serviços. Não apenas precisam disto as pessoas que trabalham, mas as que delas dependem, como os aposentados, doentes, crianças e os funcionários públicos.
É óbvio que se precisa deter a exponencialidade e a velocidade do contágio. Como somos um país pobre não há recursos para atender todos os doentes nos hospitais que normalmente já são precários. Como somos governados por egocentristas irresponsáveis, não há fundos que possam ser utilizados para a compra de testes, máscaras, remédios e equipamentos necessários. Quanto menos produzirmos como sociedade, menos capacidade teremos para atender as necessidades já existentes.
Já se sabe que os idosos e portadores de algumas doenças crônicas fazem parte do grupo de vulneráveis. São estes que estão demandando leitos nos hospitais e cuidados extremos. O foco das autoridades, e dos familiares dessas pessoas deve ser poupá-los do contágio. Somente o isolamento deles, sob critérios de proteção e higiene básicos, poderá reduzir a sobrecarga do sistema socializado que temos, além da rede privada.
Os indivíduos infectados, com ou sem sintomas, devem fazer quarentena. A falta de testes para aferição é um problema que deve ser tratado pelo governo e pelo mercado. Máscaras, álcool, sabão e controle de hábitos ajudará na contenção do contágio.
Eu acredito que medidas racionais possam resolver melhor nossos problemas do que decisões draconianas estabelecidas de cima para baixo sem a certeza de que seus efeitos ocorrerão no curto prazo e de maneira efetiva.
Se os governos querem impor a ordem de forma coercitiva devem estabelecer prazos e esclarecer como os afetados farão para tocar suas vidas. Ficar em casa parado enquanto começa a faltar água, comida e dinheiro não parece uma solução para um problema que já é gravíssimo, mas sim, a criação de outro que somado com aquele se verá ser catastrófico.
Esse talvez seja o último post que faço sobre o assunto.
Tomara que os cientistas da indústria farmacêutica e os médicos pesquisadores descubram um remédio porque se depender das políticas públicas para a gestão da crise, estamos perdidos.
Aos especialistas em infectologia, me solidarizo com seus esforços para encontrar uma solução para a pandemia. No entanto, o problema causado pelo vírus e a reação a ele, transcendem os limites da medicina e invadem outros campos do conhecimento humano, como por exemplo a economia e o direito. Quando isso acontece, ninguém tem autoridade suficiente para determinar, monopolisticamente, o que é certo e o que é errado.
Em cada campo do conhecimento humano, principalmente naqueles que tratam de organizações espontâneas complexas como a economia, há o que se vê e o que não se vê. Até o mais brilhante imunologista, no campo do direito ou da economia, pode ser um cego.
Misticismo e emocionalismo nunca resolveram problemas concretos. Eu entendo a extensão do problema. Tenho parentes que estão no grupo de risco, do qual eu mesmo me incluo, portanto não venham me passar sermão. Lamento cada morte, lamento a dor de cada familiar ou amigo das vítimas. Aplaudo o esforço dos médicos, enfermeiros, gestores e todos os que operam no front dessa batalha. Mas não podemos deixar de lado os demais problemas da vida.
Quem imagina que parar a economia vai salvar a humanidade da morte por essa pandemia parece ignorar que é a produção que irá criar o que é preciso para enfrentá-la. E não apenas isso, as pessoas continuarão precisando de moradia, vestuário, alimento, sabão, água, luz, medicamentos e outros bens e serviços. Não apenas precisam disto as pessoas que trabalham, mas as que delas dependem, como os aposentados, doentes, crianças e os funcionários públicos.
É óbvio que se precisa deter a exponencialidade e a velocidade do contágio. Como somos um país pobre não há recursos para atender todos os doentes nos hospitais que normalmente já são precários. Como somos governados por egocentristas irresponsáveis, não há fundos que possam ser utilizados para a compra de testes, máscaras, remédios e equipamentos necessários. Quanto menos produzirmos como sociedade, menos capacidade teremos para atender as necessidades já existentes.
Já se sabe que os idosos e portadores de algumas doenças crônicas fazem parte do grupo de vulneráveis. São estes que estão demandando leitos nos hospitais e cuidados extremos. O foco das autoridades, e dos familiares dessas pessoas deve ser poupá-los do contágio. Somente o isolamento deles, sob critérios de proteção e higiene básicos, poderá reduzir a sobrecarga do sistema socializado que temos, além da rede privada.
Os indivíduos infectados, com ou sem sintomas, devem fazer quarentena. A falta de testes para aferição é um problema que deve ser tratado pelo governo e pelo mercado. Máscaras, álcool, sabão e controle de hábitos ajudará na contenção do contágio.
Eu acredito que medidas racionais possam resolver melhor nossos problemas do que decisões draconianas estabelecidas de cima para baixo sem a certeza de que seus efeitos ocorrerão no curto prazo e de maneira efetiva.
Se os governos querem impor a ordem de forma coercitiva devem estabelecer prazos e esclarecer como os afetados farão para tocar suas vidas. Ficar em casa parado enquanto começa a faltar água, comida e dinheiro não parece uma solução para um problema que já é gravíssimo, mas sim, a criação de outro que somado com aquele se verá ser catastrófico.
Esse talvez seja o último post que faço sobre o assunto.
Tomara que os cientistas da indústria farmacêutica e os médicos pesquisadores descubram um remédio porque se depender das políticas públicas para a gestão da crise, estamos perdidos.
Aos especialistas em infectologia, me solidarizo com seus esforços para encontrar uma solução para a pandemia. No entanto, o problema causado pelo vírus e a reação a ele, transcendem os limites da medicina e invadem outros campos do conhecimento humano, como por exemplo a economia e o direito. Quando isso acontece, ninguém tem autoridade suficiente para determinar, monopolisticamente, o que é certo e o que é errado.
Em cada campo do conhecimento humano, principalmente naqueles que tratam de organizações espontâneas complexas como a economia, há o que se vê e o que não se vê. Até o mais brilhante imunologista, no campo do direito ou da economia, pode ser um cego.
Misticismo e emocionalismo nunca resolveram problemas concretos. Eu entendo a extensão do problema. Tenho parentes que estão no grupo de risco, do qual eu mesmo me incluo, portanto não venham me passar sermão. Lamento cada morte, lamento a dor de cada familiar ou amigo das vítimas. Aplaudo o esforço dos médicos, enfermeiros, gestores e todos os que operam no front dessa batalha. Mas não podemos deixar de lado os demais problemas da vida.
Voltou a faltar vacinas par os idosos em Porto Alegre
Voltou a faltar vacinas par os idosos em Porto Alegre
A meta estabelecida pelo ministério da Saúde é vacinar pelo menos 90% dos 213 mil idosos que compõem o grupo na capital gaúcha.No ano passado, foram todos vacinados. Na rede de farmácias, existem doses em 35 das 57 unidades. Os drive thrus fecharam por falta de vacinas. Em relação às unidades de saúde, há vacina em apenas em oito das 137.
O Ministério da Saúde informou ao editor que todos os Estados estão abastecidos para iniciar a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe.
CLIQUE AQUI para saber onde há vacinação em Porto Alegre.
A meta estabelecida pelo ministério da Saúde é vacinar pelo menos 90% dos 213 mil idosos que compõem o grupo na capital gaúcha.No ano passado, foram todos vacinados. Na rede de farmácias, existem doses em 35 das 57 unidades. Os drive thrus fecharam por falta de vacinas. Em relação às unidades de saúde, há vacina em apenas em oito das 137.
O Ministério da Saúde informou ao editor que todos os Estados estão abastecidos para iniciar a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe.
CLIQUE AQUI para saber onde há vacinação em Porto Alegre.
A carta da renúncia
A carta da renúncia
A costura de uma renúncia, como saída, passa pela anistia aos filhos
A tese do afastamento do presidente viralizou nas instituições. O combate à pandemia já havia unido o país, do plenário virtual do Congresso Nacional ao toque de recolher das favelas. Com o pronunciamento em rede nacional, o presidente conseguiu convencer os recalcitrantes de que hoje é um empecilho para a batalha pela saúde da nação. Se contorná-lo já não basta, ainda não se sabe como será possível tirá-lo do caminho e, mais ainda, que rumo dar ao poder em tempos de pandemia. A seguir a cartilha do presidiário Eduardo Cunha, seu afastamento apenas se dará quando se encontrar esta solução. E esta não se resume a Hamilton Mourão.
Ao desafiar a unanimidade nacional, no uniforme de vítima de poderes que não lhe deixam agir para salvar a economia, Bolsonaro já sabia que não teria o endosso das Forças Armadas para uma aventura que extrapole a Constituição. Era o que precisaria fazer para flexibilizar as regras de confinamento adotadas nos Estados. Duas horas antes do pronunciamento presidencial, o Exército colocou em suas redes sociais o vídeo do comandante Edson Leal Pujol mostrando que a farda hoje está a serviço da mobilização nacional contra o coronavírus.
Saída a ser costurada passa pela anistia aos filhos
Pujol falou como comandante de uma corporação que tem a massa de seus recrutas originários das comunidades mais pobres do país, hoje o foco de disseminação mais preocupante para as autoridades sanitárias. Disse que agirá sob a coordenação do Ministério da Defesa. Em nenhum momento pronunciou o presidente. Moveu-se pela percepção de que uma tropa aquartelada hoje é mais segura que uma tropa solta. Na mão inversa do trem desgovernado do discurso presidencial daquela noit
Quando já estava claro que descartara o papel de guarda pretoriana, Pujol reforçou a importância do combate ao coronavírus: “Talvez seja a missão mais importante de nossa geração”. Vinte e quatro horas depois, o vídeo ultrapassava 500 mil visualizações, mais do que o dobro do efetivo do Exército.
O distanciamento contaminou os ministros militares com assento no Palácio do Planalto. “Não quero ter minha digital nisso”, comentou um deles ao perceber o rumo provocativo que o pronunciamento da noite de quarta-feira teria. Deixou o Palácio antes da gravação, conduzida sob o comando dos filhos e da milícia digital do bolsonarismo.
A insistência do presidente na tese esticou a corda com os governadores e com o Congresso, que amanheceu na quarta-feira colocando pilha na saída do ministro Luiz Henrique Mandetta. A pressão atingiu o pico do dia com o rompimento do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), com o presidente. Aliado de primeira hora de Bolsonaro, presença mais frequente, entre seus pares, nas solenidades do Palácio do Planalto, Caiado foi um dos principais padrinhos de Mandetta, um deputado do Mato Grosso do Sul que não disputou em outubro de 2018 porque temia não se reeleger.
O ministro negaria a demissão numa entrevista em que citou Caiado, mas não Bolsonaro. O Congresso mantinha a aposta na saída de Mandetta como mais um tapume no isolamento do presidente quando João Doria, na reunião de governadores com o presidente, partiu para o confronto. O discurso de palanque do governador de São Paulo não é unanimidade entre os envolvidos em busca de uma solução de consenso, especialmente os da farda, mas sua ação deliberada para levar os governadores a recusar interlocução com o presidente, caiu como uma luva para a estratégia de levar Bolsonaro ao limite do isolamento.
Para viabilizar o enfrentamento dos governadores, o Congresso busca meios de manter o acesso dos Estados a recursos com os quais possam manter suas políticas de combate à doença, hoje confrontadas pelo Planalto. O pronunciamento acabou por frear a proposta de emenda constitucional com a qual se pretendia criar um orçamento paralelo para viabilizar as ações de Bolsonaro no combate à pandemia e calar a tecla com a qual o presidente se diz impedido de agir pelo Congresso. Cogitou-se até incluir nesta PEC instrumentos com os quais Bolsonaro poderia ter mais poderes sobre o confinamento e o confisco de insumos hospitalares, como meio de evitar o Estado de Sítio.
Ainda que Bolsonaro hoje não tenha nem 10% dos votos em plenário, um processo de impeachment ainda é de difícil de viabilidade. Motivos não faltariam. Os parlamentares dizem que Bolsonaro, assim como a ex-presidente Dilma Rousseff, já não governa. Se uma caiu sob alegação de que teria infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal, o outro teria infrações em série contra uma “lei de responsabilidade social”. Permanece sem solução, porém, o déficit de legitimidade de um impeachment em plenário virtual.
Vem daí a solução que ganha corpo, até nos meios militares, de uma saída do presidente por renúncia. O problema é convencê-lo. A troco de que entregaria um mandato conquistado nas urnas? O bem mais valioso que o presidente tem hoje é a liberdade dos filhos. Esta é a moeda em jogo. Renúncia em troca de anistia à toda tabuada: 01, 02 e 03. Foi assim que Boris Yeltsin, na Rússia, foi convencido a sair, alegam os defensores da solução.
Não faltam pedras no caminho. A primeira é que não há anistia para uma condenação inexistente. A segunda é que ao fazê-lo, a legião de condenados da Lava-Jato entraria na fila da isonomia, sob a alcunha de um “Pacto de Moncloa” tupiniquim. A terceira é que o Judiciário, agastado com o bordão que viabilizou o impeachment de Dilma (“Com Supremo com tudo”), resistiria a embarcar. E finalmente, a quarta: Quem teria hoje autoridade para convencer o presidente? Cogita-se, à sua revelia, dos generais envolvidos na intervenção do Rio, PhDs em milícia.
A única razão para se continuar nesta pedreira é que, por ora, não há outra saída. Na hipótese de se viabilizar, o capitão pode estar a caminho de encerrar sua carreira política como começou. Condenado por ter atentado contra o decoro, a disciplina e a ética da carreira militar, Bolsonaro foi absolvido em segunda instância. Em “O cadete e o capitão” (Todavia, 2019), Luiz Maklouff, esboça a tese de que a absolvição foi a saída encontrada para o capitão deixar a corporação. Em seguida, o Bolsonaro disputaria seu primeiro mandato como vereador no Rio. Trinta e quatro anos depois, a borracha está de volta para esfumaçar o passado. Desta vez, com o intuito de tirá-lo da política.
Maria Cristina Fernandes é jornalista do “Valor”. Escreve às quintas-feiras.
A costura de uma renúncia, como saída, passa pela anistia aos filhos
A tese do afastamento do presidente viralizou nas instituições. O combate à pandemia já havia unido o país, do plenário virtual do Congresso Nacional ao toque de recolher das favelas. Com o pronunciamento em rede nacional, o presidente conseguiu convencer os recalcitrantes de que hoje é um empecilho para a batalha pela saúde da nação. Se contorná-lo já não basta, ainda não se sabe como será possível tirá-lo do caminho e, mais ainda, que rumo dar ao poder em tempos de pandemia. A seguir a cartilha do presidiário Eduardo Cunha, seu afastamento apenas se dará quando se encontrar esta solução. E esta não se resume a Hamilton Mourão.
Ao desafiar a unanimidade nacional, no uniforme de vítima de poderes que não lhe deixam agir para salvar a economia, Bolsonaro já sabia que não teria o endosso das Forças Armadas para uma aventura que extrapole a Constituição. Era o que precisaria fazer para flexibilizar as regras de confinamento adotadas nos Estados. Duas horas antes do pronunciamento presidencial, o Exército colocou em suas redes sociais o vídeo do comandante Edson Leal Pujol mostrando que a farda hoje está a serviço da mobilização nacional contra o coronavírus.
Saída a ser costurada passa pela anistia aos filhos
Pujol falou como comandante de uma corporação que tem a massa de seus recrutas originários das comunidades mais pobres do país, hoje o foco de disseminação mais preocupante para as autoridades sanitárias. Disse que agirá sob a coordenação do Ministério da Defesa. Em nenhum momento pronunciou o presidente. Moveu-se pela percepção de que uma tropa aquartelada hoje é mais segura que uma tropa solta. Na mão inversa do trem desgovernado do discurso presidencial daquela noit
Quando já estava claro que descartara o papel de guarda pretoriana, Pujol reforçou a importância do combate ao coronavírus: “Talvez seja a missão mais importante de nossa geração”. Vinte e quatro horas depois, o vídeo ultrapassava 500 mil visualizações, mais do que o dobro do efetivo do Exército.
O distanciamento contaminou os ministros militares com assento no Palácio do Planalto. “Não quero ter minha digital nisso”, comentou um deles ao perceber o rumo provocativo que o pronunciamento da noite de quarta-feira teria. Deixou o Palácio antes da gravação, conduzida sob o comando dos filhos e da milícia digital do bolsonarismo.
A insistência do presidente na tese esticou a corda com os governadores e com o Congresso, que amanheceu na quarta-feira colocando pilha na saída do ministro Luiz Henrique Mandetta. A pressão atingiu o pico do dia com o rompimento do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), com o presidente. Aliado de primeira hora de Bolsonaro, presença mais frequente, entre seus pares, nas solenidades do Palácio do Planalto, Caiado foi um dos principais padrinhos de Mandetta, um deputado do Mato Grosso do Sul que não disputou em outubro de 2018 porque temia não se reeleger.
O ministro negaria a demissão numa entrevista em que citou Caiado, mas não Bolsonaro. O Congresso mantinha a aposta na saída de Mandetta como mais um tapume no isolamento do presidente quando João Doria, na reunião de governadores com o presidente, partiu para o confronto. O discurso de palanque do governador de São Paulo não é unanimidade entre os envolvidos em busca de uma solução de consenso, especialmente os da farda, mas sua ação deliberada para levar os governadores a recusar interlocução com o presidente, caiu como uma luva para a estratégia de levar Bolsonaro ao limite do isolamento.
Para viabilizar o enfrentamento dos governadores, o Congresso busca meios de manter o acesso dos Estados a recursos com os quais possam manter suas políticas de combate à doença, hoje confrontadas pelo Planalto. O pronunciamento acabou por frear a proposta de emenda constitucional com a qual se pretendia criar um orçamento paralelo para viabilizar as ações de Bolsonaro no combate à pandemia e calar a tecla com a qual o presidente se diz impedido de agir pelo Congresso. Cogitou-se até incluir nesta PEC instrumentos com os quais Bolsonaro poderia ter mais poderes sobre o confinamento e o confisco de insumos hospitalares, como meio de evitar o Estado de Sítio.
Ainda que Bolsonaro hoje não tenha nem 10% dos votos em plenário, um processo de impeachment ainda é de difícil de viabilidade. Motivos não faltariam. Os parlamentares dizem que Bolsonaro, assim como a ex-presidente Dilma Rousseff, já não governa. Se uma caiu sob alegação de que teria infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal, o outro teria infrações em série contra uma “lei de responsabilidade social”. Permanece sem solução, porém, o déficit de legitimidade de um impeachment em plenário virtual.
Vem daí a solução que ganha corpo, até nos meios militares, de uma saída do presidente por renúncia. O problema é convencê-lo. A troco de que entregaria um mandato conquistado nas urnas? O bem mais valioso que o presidente tem hoje é a liberdade dos filhos. Esta é a moeda em jogo. Renúncia em troca de anistia à toda tabuada: 01, 02 e 03. Foi assim que Boris Yeltsin, na Rússia, foi convencido a sair, alegam os defensores da solução.
Não faltam pedras no caminho. A primeira é que não há anistia para uma condenação inexistente. A segunda é que ao fazê-lo, a legião de condenados da Lava-Jato entraria na fila da isonomia, sob a alcunha de um “Pacto de Moncloa” tupiniquim. A terceira é que o Judiciário, agastado com o bordão que viabilizou o impeachment de Dilma (“Com Supremo com tudo”), resistiria a embarcar. E finalmente, a quarta: Quem teria hoje autoridade para convencer o presidente? Cogita-se, à sua revelia, dos generais envolvidos na intervenção do Rio, PhDs em milícia.
A única razão para se continuar nesta pedreira é que, por ora, não há outra saída. Na hipótese de se viabilizar, o capitão pode estar a caminho de encerrar sua carreira política como começou. Condenado por ter atentado contra o decoro, a disciplina e a ética da carreira militar, Bolsonaro foi absolvido em segunda instância. Em “O cadete e o capitão” (Todavia, 2019), Luiz Maklouff, esboça a tese de que a absolvição foi a saída encontrada para o capitão deixar a corporação. Em seguida, o Bolsonaro disputaria seu primeiro mandato como vereador no Rio. Trinta e quatro anos depois, a borracha está de volta para esfumaçar o passado. Desta vez, com o intuito de tirá-lo da política.
Maria Cristina Fernandes é jornalista do “Valor”. Escreve às quintas-feiras.
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