Artigo, especial - Em jogo está o uturo do STF e do Brasil

Vem aí o julgamento mais aguardado da história do Supremo Tribunal Federal, mesmo ainda sem data marcada. O plenário decidirá se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, a pedido do ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master, e se apoia no relatório da Polícia Federal, com indícios fartos de que Moraes vendia a força da toga para proteger o banqueiro Daniel Vorcaro.

Luiz Edson Fachin, presidente da corte, promete “serenidade” e uma decisão “nos próximos dias”. Na prática, são oito ministros votantes, visto que Dias Toffoli tende a se declarar impedido por suas ligações com Vorcaro, e Moraes, que não votará no próprio caso.

O escândalo engole mais gente.

Ao prender Vorcaro em novembro, a PF abriu o celular do ex-banqueiro — e o que apareceu constrange o país inteiro. Vorcaro tratava Moraes como dono da Polícia Federal e do Ministério Público.

“E com Andrei, dá pra segurar?”, pediu ao ministro, tentando travar a própria operação.

Também implorou: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”

Os nomes são Andrei Rodrigues, diretor da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

O banqueiro via os guardiões da lei como empregados de um juiz — e o juiz, ao que tudo indica, cobrava por isso.

E quem é Paulo Gonet?

A Constituição põe o procurador-geral da República à frente da ação penal. Nas mensagens apreendidas, o chefe do Ministério Público se derrete:

“Já estou com saudade de você!”

“Você é uma máquina kkkkk.”

“Você é matador.”

Perguntou se o filho, “Pedrinho”, podia ir ao evento de charutos e Macallan bancado pelo banqueiro em Londres.

“Oba!!! Tomara que tenha charuto e macalan”, digitou o procurador.

Vê-se o chefe dos promotores do Brasil embriagado de mimos por um alvo da PF.

Gonet não caiu do céu. Foi sócio de Gilmar Mendes e chegou ao cargo por pressão do próprio STF.

Gilmar cobrou a fatura:

“Se hoje nós temos a eleição do presidente Lula, isso se deveu a uma decisão do Supremo.”

Tradução: o Supremo elegeu Lula, Lula pagou com a caneta, e o procurador virou servo do Tribunal.

Calou-se diante de todos os abusos de Moraes e só acordou quando Vorcaro foi preso: para ele, não havia “urgência”.

Consultado pelo ministro André Mendonça, Gonet — citado no próprio caso — ousou dar parecer contra a investigação.

É como deixar o réu dar palpite na própria sentença.

Andrei Rodrigues também compareceu à festa de Londres.

Não há, até o momento, mensagens suas com Vorcaro, mas o banqueiro o tratava como joguete de Moraes.

E Mendonça suspeita que o diretor tenha freado investigações incômodas, como a da roubalheira no INSS, que envolve até Lulinha e lobistas amigos do Planalto.

O pai, Lula, claro, nunca viu nada.

O mundo já viu esse filme.


Nixon caiu porque o FBI e a imprensa americana não se venderam.


Collor caiu porque o Congresso fez seu dever de casa.


O que se vê agora é diferente: os vigias são sócios dos vigiados.


Preso e sem saída, Vorcaro agora quer delatar.


Pela terceira vez, acenou com um acordo, pediu audiência reservada a Mendonça e exigiu a PF fora da sala, com medo de Andrei.


O homem que Gonet chamou de “matador” vai contar o que sabe.


Afastar Moraes, Gonet e Andrei não basta, mas é um começo.


A faxina de verdade não virá dos ministros: virá das urnas.


Em outubro, o eleitor escolhe o Senado, a única casa com poder de julgar essa gente e sanear a República.

Artigo, Eugênio Esber, jornal Zero Hora - 131 milhões nas ruas

O que hoje o jornal espanhol El País chama de “bomba atômica”, referindo-se escândalo provocado no Brasil pelas ligações “entre um juiz e um banqueiro preso”, está completando nove meses de gestação. Foi em dezembro de 2025 que o jornal O Globo publicou uma notícia-bomba sobre o contrato de R$ 129 milhões (na verdade, R$ 131 milhões) que o escritório jurídico da família do ministro Alexandre de Moraes, do STF, faturou para defender os interesses de Daniel Vorcaro, banqueiro que havia sido  preso em novembro, quando se preparava para fugir do Brasil em seu jatinho particular. Desde então, Moraes não deu uma única entrevista nem fez pronunciamento público para desfazer a informação de que enriqueceu colocando sua toga de ministro da suprema corte a serviço do financista que aplicou o maior desfalque no sistema financeiro nacional e na poupança de uma multidão de brasileiros. O silêncio de Moraes é uma confissão de culpa.


Na noite desta quinta-feira, o ministro que parece sem defesa para a suspeita de haver incorrido em crimes gravíssimos, como corrupção passiva e advocacia administrativa, perdeu miseravelmente o controle e, em fúria, partiu para uma retaliação pessoal. Incluiu um colega de corte, o ministro André Mendonça, no famigerado Inquérito das Fake News (4781), aberto há mais de sete anos para investigar qualquer um sobre qualquer coisa – uma espécie de AI-5, mas ainda pior que o ato institucional da ditadura militar. O ódio de Moraes contra Mendonça, relator do processo relativo ao do Banco Master no Supremo, é por ter sido exposto, em indícios colhidos pela polícia, como um magistrado que desonra o STF e a Justiça brasileira. Diálogos encontrados no telefone de Daniel Vorcaro indicam que ele contava com a assessoria de Moraes para ter acesso a informações sigilosas sobre diligências contra si e seu Master no Banco Central, na Polícia Federal, no Ministério Público e até no Judiciário. E o pior dos mundos: Vorcaro pediu orientação sobre quando deveria se mandar – sim, fugir – do Brasil.  Isso tem nome. É obstrução da justiça.



Para um juiz, é fim de carreira. Até meu amigo Alter, radical da moderação, diz que é caso de cadeia. Mas o presidente do STF, o gaúcho Edson Fachin, demora-se em honrar as calças e levar de imediato, ao plenário, o pedido de investigação contra Moraes. E a ministra Cármen Lúcia, tão pudica nas afetações verbais, apressou-se a levar, segundo a imprensa, solidariedade a Moraes,


Pode um país sério aceitar esta pouca-vergonha? A pergunta é para mim, é para você. Segunda-feira, dia 7 de setembro, gostaria de ver, nas ruas, pelo menos 131 milhões de brasileiros dispostos a ecoar um novo grito pela independência do Brasil.

2 milhões trabalham com aplicativos, diz IBGE

2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos (apps) no país em 2025. A imensa maioria deles por conta própria, com jornadas semanais mais longas que os demais ocupados no setor privado e ganhando menos por hora trabalhada.


A constatação faz parte de uma edição sobre trabalho por meio de plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


O IBGE buscou informações de pessoas com 14 anos ou mais que utilizam os aplicativos para realizar serviços de transporte e entregas. O instituto classifica esses trabalhadores como “plataformizados”.


A pesquisa revela que o contingente de 1,959 milhão de trabalhadores por apps representavam 1,9% do total de ocupados no país.


Cerca de 1,2 milhão de trabalhadores plataformizados utilizam apps de transporte de passageiros. Isso representa praticamente seis em cada dez plataformizados (58,9%).


Desses, 1,1 milhão utilizam as plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil utilizam apps de táxi exclusivamente.


Um em cada cinco (19,2%) dos plataformizados tinha ocupação como entregadores de apps de comida, produtos, etc. Eram 376 mil pessoas que faziam entregas para plataformas como Rappi, iFood, Zé Delivery, entre outros.


O IBGE mapeou ainda a categoria apps de prestação de serviços gerais ou profissionais, que inclui profissões como designers, tradutores e até telemedicina, quando o médico usa a plataforma digital para captar pacientes e realizar consultas, por exemplo. Em 2025 eram 313 mil pessoas nessa categoria (16% dos plataformizados).


A Pnad revela que a atividade econômica classificada como transporte, armazenagem e correios é a que atrai maior participação de plataformizados, 75%. Ou seja, de cada quatro trabalhadores de app, três atuam para essas plataformas.


Aumento ao longo dos anos

O IBGE detalha que a Pnad sobre trabalho por plataforma ainda é experimental, ou seja, em fase de teste e sob avaliação. O levantamento já foi realizado em 2022 e 2024. 


Diferentemente de 2025, as edições anteriores buscaram informação apenas dos trabalhadores que tinham os apps como ocupação principal, ou seja, a pesquisa deixou de fora aquelas que usavam os aplicativos como renda complementar. Por isso, o número de 2 milhões de plataformizados em 2025 não pode ser comparado com anos anteriores.


Ao se levar em consideração apenas os trabalhadores que tinham nos apps a ocupação principal, o número de 2025 chega a 1,8 milhão. Esse dado pode ser comparado com as Pnad anteriores.


Trabalhadores que tinham os apps como ocupação principal:


2022: 1,3 milhão

2024: 1,7 milhão

2025: 1,8 milhão

Dessa forma, o número representa um crescimento de 9,1% em um ano e 36,8% em três anos.


Comparando apenas 2024 e 2025, o número de entregadores de app cresceu 18,6%. Foi a única ocupação que teve variação na casa de dois dígitos.

Associações de delegados federais e profissionais da Abin criticam uso de relatório por Moraes

 A entidade deixou claro que o relatório da PF não poderia ter sido usado por Moraes, que agiu de modo ilegal ao fazer iswto contra Mendonça.

Em entrevista ao Estadão, o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, criticou o uso de um relatório de inteligência da PF no inquérito das Fake News por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Ele também defendeu a conduta da equipe policial que produziu o relatório sobre os diálogos de Moraes após a ordem judicial de André Mendonça.

Os delegados federais pediu que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido na investigação que envolve os diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro e que inclui conversas com o próprio Gonet. A organização publicou uma nota manifestando "indignação" com a abertura de um procedimento para apurar a conduta da Polícia Federal na elaboração do relatório que mostra as conversas, reveladas pelo Estadão, referentes ao material apreendido na Operação Compliance Zero.

Abin critica Moraes - A Intelis, associação que reúne profissionais de inteligência de Estado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), afirmou que o relatório da Polícia Federal usado por Alexandre de Moraes para pedir a investigação de André Mendonça não segue os parâmetros metodológicos da atividade de inteligência. A entidade disse ainda que esse tipo de documento não deve ser usado como instrumento de investigação criminal.