Análise, especial, Carlos Eduardo Borenstein - Entenda por que Zucco está em vantagem no RS e eventual surpresa eleitoral no primeiro turno é mais difícil de ocorrer

Cientista político da Arko Advice pesquisas
carloseduardo@arkoadvice.com.br

Pesquisa do instituto Paraná divulgada hoje (19), realizada de 16 a 18 de setembro, mostra que a disputa ao Palácio Piratini continua polarizada entre Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT). Zucco tem 36,4% das intenções de voto contra 31,3% de Juliana. Como a margem de erro da pesquisa é de 2,7 pontos percentuais para mais ou para menos, eles podem estar tecnicamente empatados. No entanto, o mais provável é que a liderança esteja com Zucco, já que sua vantagem numérica sobre Juliana é de 5,1 pontos.

A tendência de Zucco estar em vantagem fica mais clara quando analisamos os números da menção espontânea, onde o eleitor declara seu voto sem que sejam apresentadas as opções de candidaturas. Na espontânea, Zucco registra 24,3% contra 16,2% de Juliana. Ou seja, uma vantagem de 8,1 pontos. Gabriel Souza (MDB) soma apenas 5,9%. Marcelo Maranata (PSDB) registra apenas 1,1%. 

Podemos constatar com base nesses números que Zucco tem uma intenção de voto bastante sólida e uma vaga bem encaminhada para o segundo turno. No entanto, não devemos deixar de observar que temos ainda 45,8% de eleitores indecisos na espontânea.

Mesmo após o início do horário eleitoral e da presença do governador Eduardo Leite (PSD) em sua campanha, Gabriel Souza (MDB) permanece com dificuldades. De acordo com o Paraná pesquisas, Gabriel tem apenas 12,9% no cenário estimulado. São cerca de 20 pontos a menos em relação aos dois players da eleição: Zucco e Juliana. Marcelo Maranata (PSDB) registra apenas 3,1%. Os demais candidatos somam 3,8%. No cenário estimulado, 5,7% estão indecisos. 6,7% afirmam que votarão em branco.

Outro aspecto a ser observado na pesquisa é que Luciano Zucco, de julho a setembro, oscilou positivamente 2,2 pontos (34,2% para 36,4%). Juliana Brizola teve uma variação positiva de 1,2 pontos (30,1% para 31,3%). Gabriel também oscilou negativamente 0,1 ponto (13% para 12,9%). As variações dentro da margem de erro indicam uma disputa estável, o que reforça o quadro de polarização entre Zucco e Juliana.

Além de estar numericamente à frente de Juliana nos cenários estimulado e espontâneo, além de ser o candidato que mais conseguiu avançar nas pesquisas após o início do horário eleitoral, Zucco tem uma rejeição mais baixa que a de Juliana: 25,3% a 30%. Gabriel é rejeitado por 11,2%.

O instituto Paraná aponta que o governo Eduardo Leite divide a opinião pública gaúcha. 49,4% dos entrevistados desaprovam Leite, enquanto 47,6% aprovam, ou seja, temos um empate técnico. O governo estadual é avaliado negativamente (ruim/péssimo) por 36,2%. A avaliação positiva (ótimo/bom), por outro lado, registra 32,9%. O índice regular é de 29,2%.

Mesmo que Eduardo Leite tenha um capital político ainda relevante, Gabriel Souza, até o momento, não consegue transformar a associação com Leite em votos. Isso pode ser explicado pelo desgaste que o governo estadual também acumula. Não por acaso, a desaprovação de Leite e do governo superam numericamente à aprovação. 

Faltando cerca de duas semanas para o primeiro turno, Luciano Zucco tem um favoritismo parcial na disputa ao Palácio Piratini. Com um voto sólido, Zucco deve estar no segundo turno. Sua adversária mais provável é Juliana. A ocorrência de surpresas eleitorais como, por exemplo, o crescimento de Gabriel Souza na reta final, embora não deva ser descartada, está mais difícil. 

Vale observar que hoje Gabriel tem apenas 12,9% das intenções de voto, índice abaixo do desempenho registrado por candidatos ao Palácio Piratini que surpreenderam em disputas anteriores.

Em 2002, no dia 24 de setembro, Germano Rigotto (PMDB), de acordo com o Ibope (instituto que hoje se chama Ipsos-IPEC), registrava 18%. No pleito de 2006, em 16 de setembro (Ibope), Yeda Crusius (PSDB) figurava com 17%.  Em 2014, José Ivo Sartori (PMDB), aparecia com 15% no Ibope de 23 de setembro. Na eleição de 2018, Eduardo Leite (PSDB), registrava 26% em 21 de setembro (Ibope).

Conforme podemos observar, Rigotto (2002), Yeda (2006), Sartori (2014) e Leite (2018) já estavam próximos ou acima dos 20% das intenções de voto nesta etapa da eleição. Gabriel, nesta eleição, tem percentuais ainda tímidos. 

Caso tenhamos a confirmação de Zucco e Juliana no segundo turno, o candidato do PL deve assumir a condição de favorito. Embora a disputa com Juliana deva ser acirrada, a aliança com o PT e Lula é a grande vulnerabilidade da candidata do PDT. Além disso, as bases do MDB e PSD, que sustentam a candidatura de Gabriel Souza, tendem a trabalhar em favor de Zucco, principalmente no interior do Estado. 

Não por acaso, Juliana, mesmo estando na segunda posição, está restrita ao terço de eleitores que historicamente se alinham à esquerda no Rio Grande do Sul. Por todos esses aspectos, apesar da eleição no Estado ainda estar em aberto, temos um quadro mais favorável para Luciano Zucco.


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