Artigo, especial - O outro WhatsApp que o Brasil quase não viu

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano.

O brasileiro adora uma conversa bem embalada. Na semana passada, o país parou para analisar, vírgula por vírgula, as mensagens encontradas no WhatsApp do banqueiro Daniel Vorcaro. Entre pedidos de socorro a um ministro e dúvidas sobre pegar o primeiro voo para fora do país, as mensagens foram um prato cheio para o noticiário. O problema é que, enquanto todos olhavam para isso, outro WhatsApp que mostrava muita proximidade com o poder, passou quase batido.

O aplicativo de mensagens de Roberta Luchsinger conta uma história que contraria o discurso oficial. A lobista chamou Lulinha de “meu sócio” pelo menos oito vezes entre 2023 e 2024. Áudio, texto, tudo gravado. Quando a PF a chamou para depor, veio a amnésia: negou sociedade, negou repasse, negou tudo, mas a memória do celular desmentiu o depoimento linha por linha.

Lula foi rápido em tentar cortar o mal pela raiz. Em entrevista, mandou a máxima do “nunca vi, não sei quem é, é uma pilantra”. O problema é que a tal pilantra tem um acervo no Instagram com mais de dez fotos coladas ao presidente entre 2021 e 2023, com direito a legendas carinhosas e o já folclórico “o pai tá on”. Para quem nunca viu a moça na vida, a convivência parecia surpreendentemente calorosa.

Mas o ponto central não são as fotos para redes sociais. É o livre trânsito. Roberta fez 42 visitas a órgãos do governo federal em pouco mais de um ano. Desses 41 encontros simplesmente não existiam nas agendas oficiais. Dezessete entradas no gabinete de Wellington Dias, dezesseis no Ministério da Saúde. Em duas oportunidades, levou a tiracolo Fernando Bittar — aquele mesmo do sítio de Atibaia e sócio de Lulinha — para dentro do Planalto, sem registro na portaria, sem explicação pública.

E para costurar tudo isso, nada como um bom ponto de apoio na capital. Uma mansão no Lago Sul, com aluguel na casa dos R$ 100 mil por mês pago por Roberta, virou o endereço de reuniões de ministros, assessores e do próprio Lulinha. O trio (Roberta, Lulinha e Bittar) mantinha até um grupo no WhatsApp focado em discutir contratos, burocracia e portas de entrada no governo.

A gentileza financeira de Roberta também transbordava nos boletos alheios. Os investigadores levantaram que a empresária pagou R$ 217 mil em despesas pessoais de Marcola, o então chefe de gabinete de Lula. A lista inclui faturas de cartão de crédito, financiamento de carro, seguro e jóias — com direito a um colar de diamantes de R$ 9,2 mil para a esposa do assessor.

Se jorrava muito dinheiro da conta da lobista, o dinheiro também entrava com facilidade. Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, depositou R$ 1,5 milhão para a empresa de Roberta em parcelas de R$ 300 mil. Em uma das conversas apreendidas, Antunes explicava que um dos repasses era “para o filho do rapaz”. Roberta jura que foi tudo pagamento por uma consultoria legítima sobre a regulação de canabidiol. A Polícia Federal, no entanto, tenta entender se o serviço prestado era a regulação da planta ou o loteamento de acesso ao governo.

Mensagens de sócio, negação pública, fotos com o presidente, reuniões fora da agenda, mansão de alto custo, entradas no Planalto, grupo de WhatsApp, pagamentos a assessor próximo e um milhão e meio vindos do Careca do INSS. Tudo documentado.

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O barulho das mensagens de Vorcaro quase empurrou as de Roberta para a espiral do silêncio, mas o brasileiro merece a verdade sobre ambos. Até onde vai a intimidade entre negócios privados e o topo do poder?

Artigo, especial, Renato Sant'Ana - A candidata pisou na bola

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail: releituras21@gmail.com

 uliana Brizola, candidata ao governo do Rio Grande do Sul, criticou um outro candidato que, num evento público, apareceu brandindo a bandeira dos Estados Unidos. "É certo balançar a bandeira dos EUA?", questiona ela. Em todo caso, Juliana acaba pisando na bola.

Não sei quando e onde se deu o que ela quer atacar. Mas se podem afirmar algumas coisas que, por ela as ignorar, estragam a imagem da candidata.

1. O avô de Juliana, Leonel Brizola, tendo que exilar-se, fugiu para o Uruguai. Mas fechou o tempo por lá e ele, em vez de ir para Cuba, foi para os EUA. Por quê? O avô reconhecia os EUA como o país da liberdade. E reconhecer não significa concordar com tudo que se pratica por lá. Mas Brizola (o avô) sabia valorizar a consolidada democracia dos EUA. E era o que ele, ao menos segundo seu discurso, queria para o Brasil.

2. Por que falar em Cuba? Para alertar Juliana. Em 1998, Olívio Dutra foi eleito governador do Rio Grande do Sul pelo PT. E em sua cerimônia de posse, a bandeira de Cuba foi hasteada na sacada do Palácio Piratini, uma afronta dos fantoches do Foro de S. Paulo, que apoiam ditaduras mundo afora e são hoje os aliados de Juliana.

3. Cuba é um regime totalitário, que é a maximização do autoritarismo, um regime em que Estado, governo e partido não se diferenciam, o poder está concentrado nas mãos do partido único, isto é, o partido comunista, uma elite de burocratas corruptos que vive na fartura enquanto o povo passa as piores privações: sem liberdade, sem informação (só existe a imprensa do partido), carência alimentar e tudo que disso deriva.

4. O vice na chapa de Juliana é Pretto, do PT, que, além da bandeira de Cuba, apoia a do Hamas ou, vá lá, da Palestina. (Aqui vai uma afirmação lateral, senão patetas entendem o contrário: o assunto não é Israel.) Volto. O surto de apoio incondicional da esquerda à Palestina veio após o 07/10/2023, quando terroristas do Hamas cozinharam bebês em fornos de micro-ondas, abriram o ventre de gestantes com suas facas para matar o feto, estupraram meninas adolescentes, massacraram idosos, torturaram e mataram a rodo pessoas indefesas só por serem elas judias. Que dizer, quando ativistas do PSOL e do PT, inclusive em convenções partidárias, agitam a bandeira da Palestina em apoio ao "massacre de outubro"?

5. Abraçar terroristas é da natureza do PT e afins. Por que terá Lula, ao voltar ao Planalto em 2023, recebido efusivos cumprimentos dos seus "companheiros" do Hamas? Em 22/09/2023, durante a assembleia geral da ONU, Lula encontrou-se com Abbas, o chefe da Autoridade Palestina, um ex-terrorista (ou terrorista retirado). Nada original. Em 2015, também na assembleia geral da ONU, Dilma Rousseff (PT), ao condenar os ataques que os Estados Unidos fizeram aos radicais do Estado Islâmico, na Síria e no Iraque, defendeu "o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU" com os facínoras. É verdade que, depois, ela modulou o discurso, quando a imprensa internacional passou a exibir pessoas decapitadas e a noticiar estupros de meninas e escravização de homens e mulheres pelo Estado Islâmico, pessoas perseguidas só por serem cristãs.

6. Coincidência. Assim como Dilma propôs dialogar com radicais do Estado Islâmico, Juliana acha possível dialogar com os extremistas com os quais se aliou para efeito eleitoral. Não dá!

7. Conviria a Juliana ler o livro "O que sei de Lula", de José Nêumanne Pinto (Topbooks Editora): ficaria sabendo da hostilidade com que Lula (suserano das esquerdas) e seus comparsas trataram o seu avô, quando ele voltou do exílio. O livro também registra o despojamento de Brizola, que, apesar de tudo, aceitou ser candidato a vice de Lula em 1998.

8. Mas Juliana conhecerá o chefão e paradigma das esquerdas? Nêumanne Pinto relata que, depois da campanha de 1998, Brizola declarou que Lula, "para subir, não hesitaria em pisar no pescoço da própria mãe."

9. Só mais uma citação. "Brizola disse que Lula cometia erros políticos porque o álcool era mau conselheiro" (Pinto, p. 221). A resposta de Lula é impublicável, mas merece alusão indireta porque ele não mudou e porque traduz a conduta do PT e afins: ele tentou arrastar para a lama a imagem de D. Neusa Brizola e de Neusinha, a esposa e a filha de Brizola. É a conduta daqueles para quem o embate político é um vale tudo, os adversários são inimigos e os meios mais sórdidos se justificam.

10. Sim, Juliana pisou na bola. Ao atacar quem brandiu a bandeira dos EUA, ela pôs em evidência o contraste: quem aprecia os EUA (como o alvo de Juliana) propende, no mínimo, a respeitar a liberdade; já quem venera Cuba e celebra terroristas (como os seus aliados) têm outros valores e querem, para o Brasil, um regime autoritário. Cabe perguntar: ela ignora ou apoia a ideologia liberticida de seus aliados?

Seria melhor Juliana Brizola espelhar-se nas qualidades, não nos defeitos do seu avô Leonel Brizola.

 


Opinião do editor - Saiba por que Gabriel Souza é carta fora do baralho

Não passa de lenda urbana a boataria política que demonstra forte reação do candidato Gabriel Souza, PSD+MDB, que estaria repetindo fenômenos eleitorais parecidos com o que aconteceu nas últimas duas semanas do 1o turno nos casos dos ex-governadores Rigotto, Yeda, Sartori e Eduardo Leite, que partir que neste momento do jogo estavam com índices muito baixos e avançaram em direção á vitória.

O cientista político Eduardo Borenstein, da Arko Advice, pesquisou este caso para dirimir dúvidas, atendendo pedido do editor:

- Em 2002, no dia 24 de setembro, Germano Rigotto (PMDB), de acordo com o Ibope (instituto que hoje se chama Ipsos-IPEC), registrava 18%. No pleito de 2006, em 16 de setembro (Ibope), Yeda Crusius (PSDB) figurava com 17%.  Em 2014, José Ivo Sartori (PMDB), aparecia com 15% no Ibope de 23 de setembro. Na eleição de 2018, Eduardo Leite (PSDB), registrava 26% em 21 de setembro (Ibope).A tendência de Zucco estar em vantagem fica mais clara quando analisamos os números da menção espontânea, onde o eleitor declara seu voto sem que sejam apresentadas as opções de candidaturas. Na espontânea, Zucco registra 24,3% contra 16,2% de Juliana. Ou seja, uma vantagem de 8,1 pontos. Gabriel Souza (MDB) soma apenas 5,9%. Marcelo Maranata (PSDB) registra apenas 1,1%.