Artigo, Fábio Calsavara - Cláusula de barreira atinge esquerda em cheio. PSOL/Rede perdem fundo partidário

Este arrigo é publicado na Gazeta do Povo, Curitiba.

A cláusula de barreira apertou o cerco sobre os partidos pequenos nas eleições de 2026 e atingiu em cheio duas das principais linhas auxiliares do PT na política. A federação PSOL/Rede e o PDT até conseguiram eleger deputados federais. Porém, não alcançaram os critérios mínimos de desempenho e ficarão sem acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão.

Além dos dois, Avante, Missão e a federação formada por PRD/Solidariedade também não romperam o limite mínimo no parlamento e sofrerão as mesmas sanções. Ainda assim, a regra não elimina esses partidos, seus mandatos ou sua representação no Congresso.

A regra da cláusula de barreira, criada para reduzir a fragmentação partidária, ficou mais dura nas eleições deste ano. Para ter acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão, uma legenda precisava obter pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal em todo o país, distribuídos em ao menos nove estados, com um mínimo de 1,5% em cada um deles. Se essa meta não fosse batida, a alternativa era eleger 13 deputados federais distribuídos por pelo menos nove unidades da Federação.

A federação PSOL/Rede descobriu na prática como uma diferença aparentemente insignificante pode decidir o futuro na política. Juntas, as legendas alcançaram 4,89% dos votos válidos para a Câmara - quase o dobro do mínimo nacional -, mas ficaram abaixo do percentual exigido em um dos estados necessários para completar a distribuição.

A votação mirrou no Espírito Santo. Após o fim da apuração, os partidos obtiveram apenas 1,49% dos votos válidos. Chegou muito perto do limite mínimo, mas não o suficiente para bater os 32.024 votos. A federação somou 31.839 votos, 185 a menos do que o necessário.


Esses poucos votos tornam o cenário completo ainda mais peculiar, porque PSOL e Rede elegeram 15 deputados federais. O número supera os 13 parlamentares exigidos pela segunda alternativa da cláusula de barreira. O problema da esquerda é que esses deputados estão concentrados em apenas seis estados, enquanto a legislação exige presença em pelo menos nove.

Na prática, a federação ficou em uma espécie de limbo: teve votos suficientes no país e deputados suficientes no Congresso, mas não conseguiu distribuí-los pelo território nacional da maneira exigida pela lei. Os rincões eleitorais da esquerda não foram suficientes para manter os partidos relevantes, e agora PSOL e Rede sofrerão as consequências.


Cláusula de barreira atingiu PDT, Avante, Missão, PRD e Solidariedade


O PDT passou por uma situação parecida. O partido alcançou cerca de 1,6% dos votos válidos para deputado federal e elegeu seis parlamentares. Mas o percentual mínimo foi alcançado em apenas oito estados, um a menos do que o necessário.

Avante e Missão também não alcançaram os critérios. O Avante ficou em aproximadamente 1,59% dos votos e elegeu cinco deputados, enquanto o Missão obteve 1,08% e conquistou uma única cadeira, de Kim Kataguiri, em São Paulo. A federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, somou 1,86% dos votos válidos, mas elegeu apenas sete deputados.

Todos esses parlamentares eleitos e seus respectivos partidos e federações continuarão com seus mandatos. O que muda é a vida dessas legendas: sem cumprir a cláusula, elas ficam sem acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão. O eleitor não perde o deputado que elegeu, mas o partido perde parte da estrutura que sustenta sua atuação nacional.


Cláusula de barreira ficará ainda mais rígida em 2030

A cláusula de desempenho não chegou ao seu limite em 2026. Ela está em um estágio intermediário cujo teto está previsto para as próximas eleições gerais, já que foi desenhada para aumentar gradualmente a exigência sobre os partidos.

Em 2022, o percentual mínimo era de 2% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos em pelo menos nove estados, com 1% em cada um deles. A alternativa era eleger 11 deputados federais distribuídos por nove estados.

Agora, o piso subiu para 2,5% e a exigência alternativa passou para 13 deputados. Em 2030, a régua sobe novamente: serão necessários 3% dos votos válidos nacionais, respeitada a distribuição pelos estados, ou 15 deputados federais distribuídos por pelo menos nove unidades da Federação.

O efeito esperado pela cláusula de barreira é simples de entender na prática: se antes bastava eleger um punhado de deputados em poucos estados para se manter relevante no cenário nacional, agora essa votação concentrada já não é suficiente para garantir a sobrevivência partidária nos termos atuais.

A lógica da regra é reduzir a quantidade de partidos com acesso aos recursos e à estrutura oferecidos pelo Estado. O efeito político, por outro lado, é pressionar legendas menores a ampliar sua presença territorial, disputar eleições de forma mais competitiva ou buscar abrigo em alianças, federações e fusões.


Restrições não retiram a representatividade no Congresso Nacional


Não romper a cláusula de barreira não significa perder a representatividade no Congresso. O mesmo mecanismo que barra o acesso ao dinheiro público não impede que um partido que não passou pelos critérios mínimos, mas que tenha ao menos um deputado eleito, proponha ações no STF. O artigo 103, inciso VIII, da Constituição dá legitimidade para isso aos "partidos políticos com representação no Congresso Nacional".

Para os partidos menores, portanto, a cláusula de desempenho transforma cada eleição em uma espécie de prova de sobrevivência. Não basta eleger deputados: é preciso alcançar uma determinada quantidade de votos e, em alguns casos, distribuí-los pelo território nacional. O caso do PSOL/Rede resume bem o peso dessa matemática.

Ficar a menos de 200 votos do necessário é uma margem pequena em uma eleição de milhões de votos, mas foi grande o suficiente para alterar a estrutura das legendas. Algumas centenas de votos em um estado podem significar a diferença entre continuar recebendo recursos públicos e dispondo de propaganda partidária ou perder essas prerrogativas.

E, com a régua prevista para subir novamente, a tendência é que cada voto conte ainda mais para definir quais partidos continuarão ocupando espaço relevante na política nacional. Na nova matemática eleitoral, ficou claro que não basta ter votos. É preciso ter votos suficientes - e no lugar certo.


Matéria publicada na Gazeta do Povo:

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/clausula-de-barreira-atinge-esquerda-em-cheio-e-deixa-psol-rede-sem-fundo-partidario/?utm_source=salesforce&utm_medium=emkt&utm_campaign=newsletter-ideias&utm_content=ideias


ADVOGADO JOÃO DARZONE

 

ADVOGADO ALEXANDRE GLOTZ DAS NEVES

 

JORNALISTA LUIZ MILMANN



Dr. Rafael Coelho Leal

 

Dra. Thays Comasetto

 

Pesquisa confirma favoritismo de Flávio; cinturão azul se formou no país após o primeiro turno

Carlos Eduardo Bellini Borenstein

Cientista Político

carloseduardo@arkoadvice.com.br

A pesquisa PoderData/Aya divulgada hoje (8), a primeira deste segundo turno, confirma o favoritismo do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT). Flávio tem 49% das intenções de voto contra 44% de Lula, ou seja, uma distância de cinco pontos. Brancos, nulos e indecisos somam 7%. Considerando somente os votos válidos, a vantagem de Flávio é maior: seis pontos (53% a 47%).

Em relação ao resultado do primeiro turno, Flávio cresceu 5,97 pontos (47,03% para 53%) quando consideramos os votos válidos. Lula, por sua vez, oscilou apenas 1,84 pontos (45,16% para 47%), confirmando a expectativa de que o petista teria pouco espaço para crescer no segundo turno. 

O favoritismo de Flávio é reforçado pelos movimentos do mundo político em direção a ele. Nessa semana, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo confirmaram apoio ao candidato do PL, estabelecendo um leque de alianças de direita. Soma-se a isso os apoios do ex-presidente Michel Temer (MDB); do ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), e também do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).

Os partidos que estão com Flávio foram os grandes vencedores do primeiro turno. A onda azul indicada pelas últimas pesquisas transformou-se em um grande cinturão azul. 

O PL (6), Republicanos (3); PP (2) e Podemos (1) elegeram ou reelegeram 12 dos governadores já no primeiro turno, o que representa 60% das vitórias em primeiro turno para os governos estaduais. 

Entre esses estão estados com grande poder político e financeiro como o Rio Grande do Sul (Luciano Zucco – PL); Santa Catarina (Jorginho Mello – PL); Paraná (Sergio Moro – PL); São Paulo (Tarcísio de Freitas – Republicanos); Rio de Janeiro (Douglas Rua – PL); Minas Gerais (Cleitinho Azevedo – Republicanos); Mato Grosso do Sul (Eduardo Riedel – PP); e Mato Grosso (Otaviano Pivetta – Republicanos)

Este cinturão azul também se consolidou no Senado. 32 dos 54 senadores eleitos, ou seja, 59%, pertencem a partidos de direita: PL (19); União Brasil (3); PP (3); Novo (3); Republicanos (2); e Podemos (2).

Cenário similar ocorre na Câmara, onde PL (121); União Brasil (46); Republicanos (41); PP (41); Novo (10) e Podemos (27) controlarão 286 dos 513 da Casa (57,75%).

A formação deste cinturão azul combinado com o “cansaço” do PT e a rejeição de Lula e o governo tornam a vantagem de Flávio muito sólida. Com uma campanha sem rumo, o PT, de forma errática, tenta mobilizar os estudantes. No entanto, ao realizar atos nas ruas, os petistas tendem a aumentar sua rejeição, já que os eleitores expressaram nas urnas sua preferência pela direita. 

Outro aspecto a ser observado envolve a imagem construída por Flávio, que conseguiu consolidar a imagem de um “Bolsonaro” diferente do pai. Com a imagem de “Bolsonaro moderado” fortalecida, rótulos como “extrema-direita” e “ameaça à democracia” tendem a produzir pouco efeito. 

Diante do escândalo do Banco Master; da crise do STF; e do cansaço com o PT, prevalece o desejo de mudança, bem explorado pelo PL ao transformar a eleição em um plebiscito sobre o governo Lula.





Indústria automotiva brasileira entra em nova era sob pressão dos carros chineses

Ex-vice-presidente da Ford e ex-presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb afirma que avanço dos elétricos chineses muda estruturalmente o mercado e exige mais velocidade, tecnologia e estratégia do Brasil. 

A indústria automotiva brasileira atravessa uma transformação que, na avaliação de Rogelio Golfarb, ex-vice-presidente da Ford na América do Sul e ex-presidente da Anfavea, não permitirá que o setor volte ao modelo que predominou no passado. Em entrevista ao programa C-Level Entrevista, da Folha, o executivo afirmou que a combinação de carros elétricos chineses, preços competitivos, escala e avanço tecnológico está acelerando uma mudança estrutural no mercado brasileiro. 

Para Golfarb, as montadoras tradicionais não necessariamente desaparecerão, mas terão de se adaptar rapidamente. O principal diferencial chinês, segundo ele, não está apenas no custo da mão de obra ou na quantidade de componentes produzidos localmente, mas na escala, verticalização e intensidade tecnológica. Em 2025, a China produziu 34,5 milhões de veículos, enquanto o Brasil comercializou 2,6 milhões. No mercado de eletrificados, a diferença também é expressiva: foram 16,5 milhões de unidades na China contra 4,5 milhões na Europa. 

A pressão já aparece na operação brasileira. BYD e GWM iniciaram atividades no país com forte dependência de componentes importados, movimento que aumentou a discussão sobre conteúdo nacional e profundidade da cadeia produtiva. Para Golfarb, porém, a questão central não é apenas quantas peças são produzidas no Brasil, mas qual conteúdo tecnológico é desenvolvido no país. Chips, semicondutores, telas e outros componentes eletrônicos continuam sendo pontos estratégicos da disputa global. 

Apesar da pressão competitiva, o mercado brasileiro vive um momento de expansão. A Anfavea elevou sua projeção para 2026 e agora estima crescimento de 15,2% nos emplacamentos e de 6,7% na produção nacional. O movimento ocorre mesmo com juros elevados e endividamento das famílias, impulsionado também pela redução de preços e pela maior oferta de veículos eletrificados. 

Golfarb defende, entretanto, uma estratégia de longo prazo que vá além de incentivos às montadoras. O Brasil, segundo ele, deveria aproveitar sua disponibilidade de minerais estratégicos, terras raras e uma indústria já estruturada para desenvolver uma cadeia mais sofisticada, começando pela mineração e avançando até tecnologias relacionadas à eletrificação. Na sua avaliação, terras raras podem assumir importância geopolítica comparável à do petróleo. 

O executivo também vê o etanol como uma vantagem brasileira para os híbridos, mas considera que a tendência global aponta para a eletrificação. Nesse cenário, o Brasil passa a ser observado como um laboratório para a transformação da indústria automotiva mundial. A disputa, portanto, deixa de ser apenas por participação de mercado e passa a envolver tecnologia, energia, minerais estratégicos, infraestrutura e capacidade de inovação. 

A mensagem da entrevista é direta: o setor automotivo brasileiro ainda tem mercado e capacidade industrial, mas precisará acelerar sua transformação. A competição deixou de ser apenas entre montadoras. Agora envolve ecossistemas tecnológicos inteiros e a velocidade de adaptação pode definir quem ocupará espaço na próxima geração da indústria.

 Eu confesso para vocês que não gostei da origem, de que Estado é, de onde nasceu, vive e trabalha o primeiro nome anunciado pelo novo governador do Rio Grande do Sul para seu secretariado.

Trata-se de Roni Miranda Vieira, secretário da Educação do Paraná, do governador Ratinho Júnior, do PSD, Partido de Gilberto Kassab, o mesmo do governador Eduardo Leite. Vieira diz-se independente,mas não é por isto que não gostei.

O fato é que os gaúchos já estão cansados de ver seus governadores escolherem pessoas de fora do Estado para governar os assuntos públicos do RS.

Não estou falando de pessoas que migraram para o Estado, que vieram para cá viver, constituir família, trabalhar, porque do total dos 11,5 milhões de habitantes, 437 mil, ou seja, quase meio milhão, são brasileiros que optaram pelo RS.

Estou me referindo a governantes que governadores vão buscar fora do Estado.

O novo governador, Luciano Zucco, diz que vai reduzir de 27 para 15 o número de secretários e espero que enxugue mesmo esta máquina, montada desta forma porque Eduardo Leite tinha e tem pretensão de ser presidente da República.

Ora, o governador Eduardo Leite foi buscar fora do Estado pelo menos seis governantes de primeiro escalão, começando pela presidência do Banrisul, que entregou para o carioca Claudio Coutinho, que não durou ali porque não entendia nada do nosso Estado.

Os outros de primeiríssimo escalão são a importante secetária da Fazenda, Priscila Santana, outra carioca. Depois seguem a goiana Raquel teixeira, Educação, além desgtes outros nomes:

- Secretaria do Planejamento: Leanny Lemos e Danielle Calazans, ambas de Brasília
- Secretaria de Parceriass: Pedro Capelluti, 
- Secretaria da Segurança: Sandro Cron, Ceará

Auxiliares de primeiro escalão com formação técnica são bem vindos para secretarias de conteúdo de conteúdo amplamente técnico, embora o ideal seja que tenham também larga experiência na administração pública e conhecimento político consistente.

O Rio Grande do Sul dispõe de quadros técnicos e políticos de grande valor reconhecido e não é preciso buscar gente de fora que nem sabe onde é que fica a Rua da Praia, não viveram, não estudaram e não conhecem a realidade enfrentada dia a dia pelos gaúchos.

A conversa de que o salário é baixo não passa de conversa fiada, porque escolhas de parlamentares ou de servidores abonados, não precisam conviver com o dinheiro pago pelo Tesouro do RS, mas das suasf ontes. Além disto, o governo possui conselhos bem remunmerados onde é possível melhorar os salários.

Por fim, quero citar especialmente o caso da Secretaria da Fazenda. Eu fui Secretário da Fazenda em Porto Alegre e num moment6o de grave crise financeira, substituindo no cargo a atual rpsidente do Brics, Dilma Roussef. Na minha opinião, o único gaúcho com formação técnica superior, experiência comprovada dentro e fora do governo, político experiente com inserção inernacional e nacional, é o ex-scretário da Fazenda do governo Yeda Crusius, Aod Cunha. Um governo que começa devendo R$ 140 bilhões para a União, como é o caso do RS, e que precisa sair desta economia que cresce como o rabo de cavalo e perseguir prosperidade, não pode abrir mão de alguém com este perfil. 

Gaúchos para governador os gaúchos, governador Zucco, e é isto que querem os gaúchos que o elegeram, como eu.