A soltura de presos e o Poder Judiciário

Giuseppe Riesgo*

Em diversos espaços, tenho manifestado minha preocupação em relação à soltura de presos oriunda da Recomendação nº 62 do CNJ. Também tenho visto com apreensão que membros do Poder Judiciário estão defendendo a prisão domiciliar para detentos do grupo de risco, como forma de protegê-los da Covid-19.

Venho me posicionando contra essas solturas desde o início da pandemia. Destaco que o argumento trazido por magistrados de que a taxa de letalidade do vírus é maior no cárcere não condiz com a realidade: não tínhamos casos confirmados de Coronavírus no sistema prisional até o momento em que soltamos 3.927 detentos no Rio Grande do Sul. Aliás, um dos primeiros casos registrados foi trazido justamente por um apenado que regressou ao presídio por descumprir a prisão domiciliar. Algo bastante óbvio, afinal, criminosos não são propriamente respeitosos à lei. Se esperava que respeitariam o isolamento para evitar contaminações?

Já visitei os principais presídios do RS e conheço a situação de calamidade em muitos deles. No entanto, acredito que não podemos ignorar a realidade da sociedade que está fora do cárcere. Além de já viver insegura, agora se depara com quase 4 mil criminosos a mais nas ruas, sendo 774 deles do regime fechado.

A soltura, em tese, teria por objetivo proteger os bandidos de serem infectados na prisão. No entanto, notícias dão conta de que alguns já foram até capturados cometendo crimes novamente e que, dos homicídios ocorridos em abril no RS, 13,9% dos mortos são os próprios detentos libertos que se envolveram em conflitos. Dito isto, questiono: a soltura cumpriu seu objetivo? Valeu a pena colocar a segurança pública em risco quando já temos a saúde e a economia para nos preocupar? A sociedade não suporta mais conviver com a violência desenfreada nem com uma Justiça que lava as mãos para o problema e o entrega para a população lidar.

*Deputado Estadual (Novo)


Rede Bourbon Shopping e Moinhos Shopping retomam campanha com moedas próprias

Prazo de um ano para utilização dos prêmios contribuem com os cuidados durante a quarentena 
Aproveitando o retorno das atividades dos shopping centers e apostando na volta do relacionamento dos clientes com as suas marcas favoritas, a rede Bourbon Shopping e o Moinhos Shopping retomam, a partir do dia cinco de junho, a campanha das moedas próprias Bourbs e Mills. A promoção irá sortear, durante os meses de junho, julho e agosto, 108 cartões com créditos para compras em lojas dos empreendimentos, que somam um total de 380 mil reais em prêmios.
Os clientes sorteados terão até um ano para utilizar os créditos concedidos pelos prêmios, efetuando compras nas lojas dos shoppings que estejam participando da campanha. As operações participantes atuam nos setores de vestuário e calçados, cuidados pessoais, materiais escolares e de escritório, e alimentação, entre outros. A participação é cumulativa, o que significa, por exemplo, que cupons trocados em junho seguem valendo para os sorteios de julho e agosto.
Moedas próprias
Os shoppings da rede Bourbon irão sortear cartões com a moeda própria “Bourbs”, enquanto o Moinhos Shopping conta com a moeda “Mills”. Durante os três meses de campanha, os clientes poderão trocar 200 reais em notas fiscais por um cupom. Nos meses de junho e agosto, por conta do Dia dos Namorados e do Dia dos Pais, respectivamente, os prêmios serão entregues em dobro, ficando portanto, na Rede Bourbon, 40 prêmios de 3 mil “Bourbs” cada (equivalendo a 3 mil reais) em junho, 20 prêmios de 3 mil “Bourbs” em julho e 40 prêmios de 3 mil “Bourbs” em agosto. O Moinhos Shopping repete a dinâmica de maior número de prêmios nos meses de junho e agosto, com 3 prêmios de 10 mil “Mills” cada (equivalendo a 10 mil reais) em junho, 2 prêmios de 10 mil “Mills” em julho e 3 prêmios de 10 mil “Mills” em agosto.
A troca das notas fiscais pelos cupons acontecerá nos últimos cinco dias de cada mês e os sorteios seguirão conforme os regulamentos, que estão disponíveis nos sites dos empreendimentos. Participam da ação as lojas dos shoppings Bourbon Assis Brasil, Ipiranga, Country e Wallig, em Porto Alegre, Bourbon São Leopoldo, Novo Hamburgo, Canoas, e San Pellegrino, em Caxias do Sul, além do Moinhos Shopping.
COVID-19
Em caso de interrupção das atividades dos shoppings decorrente de determinação das autoridades ou da administração dos shoppings a partir de desdobramentos da pandemia da COVID-19, as apurações correspondentes ao período interrompido serão suspensas. Neste caso, os cupons e premiações atribuídas serão imediatamente alocados para a apuração subsequente, e, em caso de interrupção no período da última apuração, a mesma será alocada para o primeiro dia útil após reabertura do shopping. O número de sorteados e o valor dos prêmios será mantido

Hospital Moinhos de Vento deu alta a 100 pacientes recuperados da COVID-19

Homem de 43 anos é o centésimo paciente a receber alta na instituição e foi para casa nesta quinta-feira
O perfil do paciente era motivo de preocupação. Com diabetes e hepatite C, o homem de 43 anos testou positivo para COVID-19 e precisou ser internado. Seguindo um caminho diferente de muitos com esse histórico, não precisou ir para o Centro de Terapia Intensiva. Teve alta nesta quinta-feira (4), apenas dois dias depois de chegar ao hospital.
A alta de número 100 marca uma etapa importante da luta de pacientes e equipes de saúde do Hospital Moinhos de Vento. Desde o dia 16 de março, 129 pacientes foram internados com COVID-19. Destes, 36 foram para o Centro de Terapia Intensiva e 20 precisaram de ventilação mecânica. No momento, 22 pessoas seguem enfrentando a doença nos leitos da instituição.
Para o superintendente executivo do Hospital Moinhos de Vento, Mohamed Parrini, a vitória de cada paciente é mais do que motivo de orgulho para a instituição. “Cada alta é uma celebração da vida. É um reconhecimento ao esforço de uma equipe incansável, de uma estrutura adequada de um hospital que se preparou para o enfrentamento da pandemia”, ressaltou. Parrini ponderou ainda, a importância das pessoas procurarem o atendimento nos hospitais, que estão organizados também para receber com segurança pacientes com outras enfermidades.

Relatório de CPMI classifica Gazeta do Povo como “fake news”

Um relatório produzido por consultores legislativos classificou a Gazeta do Povo, jornal fundado em 1919, como divulgador de “notícias falsas”. O documento foi produzido a pedido da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, e também inclui outros 47 sites.

A classificação negativa ao veículo centenário, detentor de diversos prêmios jornalísticos, foi dada, segundo a relatoria da comissão, após consulta de seis agências verificadoras. A Gazeta do Povo procurou as seis agências indicadas. Todas desmentiram a versão da CPMI. Comprova, Aos Fatos, Estadão Verifica, Boatos.org, Lupa e E-Farsas relataram não terem sido consultadas ou sequer acionadas pela comissão.

A CPMI produziu um levantamento sobre sites, canais no Youtube e aplicativos que veicularam propagandas do governo federal por meio da plataforma Google Adwords, uma ferramenta automática que distribui anúncios em sites que possuem o sistema do Google, como a Gazeta do Povo. Ou seja, o contratante da propaganda não escolhe diretamente onde quer que seu anúncio seja divulgado.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) cobrou explicações da CPMI sobre inclusão da Gazeta na lista. “A Gazeta tem sido, ao contrário, uma adversária permanente da desinformação e um veículo de ponta na defesa da pluralidade”, disse o presidente da ANJ, Marcelo Rech. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também se manifestou e revela que o caso Gazeta é exemplo do risco de se deixar o Estado definir o que é fake news.

Para se ter uma ideia, a verba de anúncios do governo federal via Google Adwords para a Gazeta do Povo foi de R$ 909,16 em 2019 e é de R$ 494,49, do início de 2020 até os dias atuais. O valor tem peso diminuto em relação ao auferido pela Gazeta com assinaturas e outros tipos de publicidade. Clique no botão azul e saiba mais:

O que dizem as autoridades sobre o relatório da CPMI das Fake News

“O critério de enquadramento da CPMI para veículos de comunicação como sendo disseminadores de Fake News deve ser revisto. E óbvio que a Gazeta do Povo não se enquadra nesta categoria”,
Ricardo Barros (PP-PR), deputado federal vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News

“A Gazeta do Povo é um jornal tradicional do Paraná e é extremamente responsável. Já fez matérias históricas denunciando malversação de recursos públicos no Estado. Reputo a inclusão feita pela CPMI como produto de um grande erro”,
Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública

“Assim que soube desta absurda classificação da Gazeta do Povo como sendo órgão produtor de fake news, indignado, dirigi-me ao presidente da CPMI das fake news, Senador Angelo Coronel (Bahia) e esclareci a ele o absurdo que estava acontecendo. O Senador Angelo Coronel me garantiu que tomará as providências necessárias para retirar o nome da nossa Gazeta do Povo desta lista, decididamente descuidada e elaborada com falhas grotescas”,
Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), senador e ex-reitor da Universidade Positivo

"Qualquer veículo, qualquer pessoa que está sendo acusada nesse momento, pode estar sofrendo de fake news. Isso que fizeram com a Gazeta do Povo, o que estão fazendo com os veículos, na verdade, ao invés de uma correção de rumo, é uma produção sistêmica de fake news",
Eduardo Gomes (MDB-TO), Senador e líder do governo no Senado

Jornal de Guardian, Londres, ontem - Governos e OMS mudaram políticas do vírus chinês com base em dados suspeitos

Nesta reportagem, Melissa Davey, repórter em Melbourne, Stephanie Kirchgaessner. desde Washington e Sarah Boseley, em Londres, dizem que os estudos, publicados nas revistas médicas Lancet e Nedw England Journal of Medicine, originaram-se de dados flagrantemente falsos, todos originados de uma pequena empresa americana, a Surgisphere.

O jornalista Joabel Pereira traduziu o material para o editor e ele vai publicado na íntegra, a sguir.

É uma reportagem surpreendentemente consistente e muito extensa.

A Surgisphere, cujos funcionários parecem incluir um escritor de ficção científica e um modelo de conteúdo adulto, forneceu um banco de dados por trás dos estudos de hidroxicloroquina do Lancet e do New England Journal of Medicine

A Organização Mundial da Saúde e vários governos nacionais mudaram suas políticas e tratamentos Covid-19 com base em dados defeituosos de uma empresa de análise de saúde pouco conhecida nos Estados Unidos, também questionando a integridade dos principais estudos publicados em alguns países do mundo. revistas médicas de maior prestígio.

Uma investigação do Guardian pode revelar que a empresa norte-americana Surgisphere, cujos funcionários parecem incluir um escritor de ficção científica e um modelo de conteúdo adulto, forneceu dados para vários estudos sobre o Covid-19, em co-autoria de seu diretor executivo, mas até o momento, não conseguiu explicar adequadamente seus dados ou metodologia.

Os dados que afirma ter obtido legitimamente de mais de mil hospitais em todo o mundo formaram a base de artigos científicos que levaram a mudanças nas políticas de tratamento do Covid-19 nos países da América Latina. Também estava por trás de uma decisão da OMS e institutos de pesquisa em todo o mundo de suspender os ensaios do controverso medicamento hidroxicloroquina. Na quarta-feira, a OMS anunciou que esses ensaios seriam retomados.

Duas das principais revistas médicas do mundo - o Lancet e o New England Journal of Medicine - publicaram estudos com base nos dados do Surgisphere. Os estudos foram co-criados pelo diretor executivo da empresa, Sapan Desai.

Na noite de terça-feira, depois de ser abordado pelo Guardian, o Lancet divulgou uma "expressão de preocupação" sobre o estudo publicado. O New England Journal of Medicine também emitiu um aviso semelhante.

Uma auditoria independente da procedência e validade dos dados foi encomendada pelos autores não afiliados ao Surgisphere por causa de “preocupações levantadas sobre a confiabilidade do banco de dados”.

A investigação do Guardian descobriu:

Uma pesquisa de material disponível ao público sugere que vários funcionários do Surgisphere têm pouco ou nenhum dado ou formação científica. Um funcionário listado como editor de ciências parece ser um autor de ficção científica e um artista de fantasia. Outro funcionário listado como executivo de marketing é um modelo adulto e anfitriã de eventos.

A página do LinkedIn da empresa tem menos de 100 seguidores e na semana passada listou apenas seis funcionários. Isso foi alterado para três funcionários na quarta-feira.

Embora o Surgisphere pretenda executar um dos maiores e mais rápidos bancos de dados hospitalares do mundo, quase não existe presença on-line. Seu identificador no Twitter tem menos de 170 seguidores, sem postagens entre outubro de 2017 e março de 2020.

Até segunda-feira, o link "entrar em contato" na página inicial do Surgisphere redirecionado para um modelo WordPress para um site de criptomoeda, levantando questões sobre como os hospitais poderiam facilmente entrar em contato com a empresa para ingressar em seu banco de dados.

Desai foi nomeado em três processos por negligência médica, não relacionados ao banco de dados do Surgisphere. Em entrevista ao cientista, Desai descreveu anteriormente as alegações como "infundadas".

Em 2008, a Desai lançou uma campanha de crowdfunding no site Indiegogo, promovendo um "dispositivo de aumento humano de próxima geração que pode ser usado que pode ajudá-lo a alcançar o que você nunca imaginou ser possível". O dispositivo nunca teve sucesso.

A página da Wikipedia de Desai foi excluída após perguntas sobre o Surgisphere e sua história.

Em uma conferência de imprensa na quarta-feira, a OMS anunciou que retomaria seu teste global de hidroxicloroquina, depois que seu comitê de monitoramento de segurança de dados constatou que não havia maior risco de morte para os pacientes da Covid.

O diretor geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que todas as partes do estudo Solidariedade, que está investigando uma série de possíveis tratamentos medicamentosos, iriam adiante. Até agora, mais de 3.500 pacientes foram recrutados para o estudo em 35 países.

"Com base nos dados de mortalidade disponíveis, os membros do comitê recomendaram que não houvesse motivos para modificar o protocolo do estudo", disse Tedros. "O grupo executivo recebeu esta recomendação e endossou a continuação de todos os ramos do estudo Solidariedade, incluindo a hidroxicloroquina".

Dúvidas sobre o estudo da Lancet

As questões em torno do Surgisphere vêm crescendo na comunidade médica nas últimas semanas.

Em 22 de maio, o Lancet publicou um estudo de grande sucesso, que descobriu que a droga antimalárica hidroxicloroquina, promovida por Donald Trump, estava associada a uma maior taxa de mortalidade em pacientes Covid-19 e a problemas cardíacos aumentados.

Trump, para grande consternação da comunidade científica, divulgou publicamente a hidroxicloroquina como uma "droga maravilhosa", apesar de não haver evidências de sua eficácia no tratamento do Covid-19.


O estudo da Lancet, que listou Desai como um dos co-autores, afirmou ter analisado os dados do Surgisphere coletados de quase 15.000 pacientes com Covid-19, admitidos em 1.200 hospitais em todo o mundo, que receberam hidroxicloroquina isoladamente ou em combinação com antibióticos.

As descobertas negativas foram notícia global e levaram a OMS a interromper o braço da hidroxicloroquina em seus testes globais.

Mas apenas alguns dias depois, o Guardian Australia revelou erros flagrantes nos dados australianos incluídos no estudo. O estudo disse que os pesquisadores obtiveram acesso aos dados através do Surgisphere de cinco hospitais, registrando 600 pacientes australianos Covid-19 e 73 mortes australianas a partir de 21 de abril.

Porém, dados da Universidade Johns Hopkins mostram que apenas 67 mortes por Covid-19 foram registradas na Austrália até 21 de abril. O número não subiu para 73 até 23 de abril. Desai disse que um hospital asiático foi acidentalmente incluído nos dados australianos, levando a uma superestimação de casos no país. O Lancet publicou uma pequena retração relacionada às descobertas australianas após a história do Guardian, sua única alteração no estudo até agora.

Desde então, o Guardian entrou em contato com cinco hospitais em Melbourne e dois em Sydney, cuja cooperação seria essencial para o número de pacientes australianos no banco de dados. Todos negaram qualquer participação nesse banco de dados e disseram que nunca ouviram falar do Surgisphere. Desai não respondeu aos pedidos para comentar suas declarações.

Outro estudo usando o banco de dados Surgisphere, novamente co-escrito por Desai, descobriu que a droga ivermectina antiparasitária reduzia as taxas de mortalidade em pacientes Covid-19 gravemente doentes. Foi publicado on-line na biblioteca eletrônica da Social Science Research Network, antes da revisão por pares ou publicação em uma revista médica, e levou o governo peruano a adicionar ivermectina às diretrizes terapêuticas nacionais do Covid-19.

O New England Journal of Medicine também publicou um estudo Desai revisado por pares com base em dados do Surgisphere, que incluiu dados de pacientes Covid-19 de 169 hospitais em 11 países da Ásia, Europa e América do Norte. Ele descobriu que medicamentos cardíacos comuns, conhecidos como inibidores da enzima conversora da angiotensina e bloqueadores dos receptores da angiotensina, não estavam associados a um risco maior de dano em pacientes do Covid-19.

Na quarta-feira, o NEJM e o Lancet publicaram uma expressão de preocupação com o estudo da hidroxicloroquina, que listou o respeitado cirurgião vascular Mandeep Mehra como principal autor e Desai como co-autor.

O editor da Lancet, Richard Horton, disse ao Guardian: “Dadas as questões levantadas sobre a confiabilidade dos dados coletados pelo Surgisphere, emitimos hoje uma Expressão de Preocupação, aguardando investigação adicional.

"Uma auditoria independente de dados está em andamento e acreditamos que esta revisão, que deve ser concluída na próxima semana, nos dirá mais sobre o status das descobertas relatadas no artigo por Mandeep Mehra e colegas".

Surgisphere "saiu do nada"

Uma das perguntas que mais desconcertou a comunidade científica é como o Surgisphere, estabelecido pela Desai em 2008 como uma empresa de educação médica que publicou livros didáticos, se tornou o proprietário de um poderoso banco de dados internacional. Esse banco de dados, apesar de ter sido anunciado recentemente pelo Surgisphere, possui acesso a dados de 96.000 pacientes em 1.200 hospitais em todo o mundo.


Quando contactado pelo Guardian, Desai disse que sua empresa empregava apenas 11 pessoas. Os funcionários listados no LinkedIn foram registrados no site como ingressando no Surgisphere apenas dois meses atrás. Vários não pareciam ter formação científica ou estatística, mas mencionam conhecimentos em estratégia, redação, liderança e aquisição.

James Todaro, que dirige o MedicineUncensored, um site que publica os resultados dos estudos com hidroxicloroquina, disse: “A Surgisphere surgiu do nada para conduzir talvez o estudo global mais influente nessa pandemia em questão de poucas semanas.

"Não faz sentido", disse ele. "Isso exigiria muito mais pesquisadores do que afirma ter para que este expediente e [tamanho] de estudo multinacional sejam possíveis".

Desai disse ao Guardian: “A Surgisphere está no mercado desde 2008. Nossos serviços de análise de dados de assistência médica começaram na mesma época e continuaram crescendo desde então. Usamos muita inteligência artificial e aprendizado de máquina para automatizar esse processo o máximo possível, que é a única maneira de uma tarefa como essa ser possível. ”

Não está claro, a partir da metodologia dos estudos que utilizaram os dados do Surgisphere, ou do próprio site do Surgisphere, como a empresa conseguiu estabelecer acordos de compartilhamento de dados de tantos hospitais em todo o mundo, incluindo aqueles com tecnologia limitada, e reconciliar idiomas e sistemas de codificação diferentes, mantendo-se dentro das regras regulatórias, de proteção de dados e de ética de cada país.

Desai disse que o Surgisphere e seu sistema de gerenciamento de conteúdo QuartzClinical faz parte de uma colaboração de pesquisa iniciada "há vários anos", embora ele não tenha especificado quando.

"O Surgisphere serve como um agregador de dados e realiza análise de dados nesses dados", disse ele. “Nós não somos responsáveis pelos dados de origem, portanto, a tarefa trabalhosa necessária para exportar os dados de um Registro Eletrônico de Saúde, convertê-lo no formato exigido pelo nosso dicionário de dados e desidentificar completamente os dados são realizados pelo parceiro de saúde.”

Isso parece contradizer a afirmação no site da QuartzClinical de que ele faz todo o trabalho e "integra com sucesso seu registro eletrônico de saúde, sistema financeiro, cadeia de suprimentos e programas de qualidade em uma única plataforma". Desai não explicou essa aparente contradição quando o Guardian colocou a questão.

Desai disse que a maneira como a Surgisphere obteve dados “sempre foi realizada em conformidade com as leis e regulamentos locais. Nós nunca recebemos nenhuma informação de saúde protegida ou informação identificável individualmente. ”

Peter Ellis, cientista chefe de dados do Nous Group, uma consultoria internacional de gerenciamento que desenvolve projetos de integração de dados para departamentos governamentais, expressou preocupação pelo fato de o banco de dados do Surgisphere ser "quase certamente uma farsa".

"Não é algo que qualquer hospital possa realisticamente fazer", disse ele. "A desidentificação não é apenas uma questão de tirar o nome dos pacientes, é um processo grande e difícil. Duvido que os hospitais tenham capacidade para fazê-lo adequadamente. É o tipo de coisa em que as agências nacionais de estatística têm equipes inteiras trabalhando há anos. ”

"Não há evidências on-line de [Surgisphere] ter qualquer software analítico antes de um ano atrás. Leva meses para que as pessoas procurem ingressar nesses bancos de dados, envolve placas de revisão de rede, pessoal de segurança e gerenciamento. Isso simplesmente não acontece com um formulário de inscrição e uma conversa. "

Nenhuma das informações do banco de dados de Desai ainda foi tornada pública, incluindo os nomes de qualquer um dos hospitais, apesar do Lancet estar entre os muitos signatários de uma declaração sobre compartilhamento de dados para os estudos Covid-19. O estudo Lancet agora é disputado por 120 médicos.

Quando o Guardian apresentou a Desai uma lista detalhada de preocupações sobre o banco de dados, os resultados do estudo e seus antecedentes, ele respondeu: “Continua havendo um mal-entendido fundamental sobre o que é nosso sistema e como ele funciona”.


Os novos senhores, ou o singular racismo da esquerda mundial.

*Adão Paiani

 A esquerda mundial quer se apropriar da história e da vida das pessoas, e acaba por protagonizar situações surreais.

Em um vídeo que circula na internet, uma mulher branca, provavelmente bem nascida,  tenta convencer uma mulher negra que essa é oprimida, não tem consciência racial, e que precisa aprender com ela - branca e "superior" - o que é racismo e como "resistir" a ele.

A mulher branca parece acreditar realmente que está em um estágio superior de consciência e desenvolvimento ao da mulher negra e, paradoxalmente, quer convencê-la  que está ali lutando por ela e contra o racismo. Em seu íntimo, ela deve pensar "veja como superior a você, e por isso posso lhe dizer como se sentir, pensar e agir".

Que processo mental é esse onde alguém, ao mesmo tempo em que diz que "Black Lives Matter", se coloca numa posição de superioridade intelectual e moral à uma pessoa negra?

 É hipocrisia e mau-caratismo que se diz?

Essa gente não está preocupada com vidas negras, brancas, pardas, vermelhas ou amarelas; mas sim em instrumentalizar pessoas para que sirvam de massa de manobra para seus projetos políticos e ideológicos de dominação; onde eles, evidentemente, como uma "elite iluminada" exercerão o poder.

Esse processo, ao longo da história, já foi operado por diversos sistemas ideológicos, dentre eles o positivismo, doutrina política que defendia que o poder em uma sociedade deveria ser exercido por uma elite superior, mediante um rígido controle social sobre os "menos aptos e esclarecidos", ou seja, a maioria. Hoje a esquerda assumiu este papel.

Não é sobre negros, não é sobre brancos; mas sobre como os novos senhores de escravos querem se impor sobre todos nós, e tirar nossa liberdade.

A esquerda mundial quer conduzir a todos  - independente da cor da pele - de volta aos navios negreiros, dizendo que eles são bons, e sabem o que é melhor para nós.

É disso que se trata: não é sobre liberdade, mas sobre os novos senhores.

*Advogado em Brasília/DF

Pesquisa mostra retomada gradativa das atividades pelas MPEs

O monitoramento do Sebrae RS revela uma redução de 22 pontos percentuais entre as empresas que fecharam temporariamente em razão do coronavírus

A pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios na Crise realizada semanalmente pelo Sebrae RS aponta que as micro e pequenas empresas, aos poucos, estão retomando as atividades. A constatação decorre da melhora do índice que mede o percentual de empresas que fecharam temporariamente em função da pandemia, que caiu 22 pontos percentuais em comparação ao levantamento realizado na primeira semana de abril, quando 52% das empresas haviam fechado temporariamente por conta do distanciamento social. Agora, são 30% das MPEs consultadas.

“O resultado acontece por uma série de fatores, sendo o principal deles os regimes de flexibilização de abertura dos estabelecimentos, ditados pelos decretos municipais em consonância com o decreto estadual de distanciamento controlado. A melhora do índice, reflete, também, a necessidade que os empreendedores têm de retomar o faturamento de seus negócios, haja vista que o longo período em que permaneceram inoperantes exauriu os recursos que dispunham para a sua manutenção, mesmo fechados”, ressalta o diretor-superintendente do Sebrae RS, André Vanoni de Godoy.

O levantamento também mostra que 59% dos empreendedores ainda tem o capital de giro como a principal carência neste momento. Esta necessidade chegou a ser a principal dor de 64% dos empreendedores ao longo da pesquisa, evolução que igualmente sinaliza uma pequena melhora de cenário. Além disso, as principais prioridades das MPEs, concentraram-se em recursos e alternativas para a  manutenção dos negócios como isenção de impostos e taxas (40%), alternativas para diversificar produtos e serviços (30%), carência para pagamento de impostos e taxas (29%), carência para pagamentos de fornecedores (23%), orientações sobre finanças (19%) e adequação de custos (16%).

Embora existam diversas modalidades de apoio financeiro aos pequenos negócios, os empreendedores seguem com dificuldade de conseguir crédito. Levando em conta todo o mês de maio, 36% das empresas consultadas tentaram algum tipo de financiamento junto a instituições financeiras. Destas, 39% disseram que estão com os pedidos em análise, 37% não conseguiram, e apenas 24% tiveram o crédito liberado. “Sem esse recurso fica difícil de as empresas operarem regularmente cumprindo com suas obrigações administrativas e de operação, garantindo a sua sobrevivência no longo prazo”, analisa Godoy.

O Monitoramento dos Pequenos Negócios na Crise ouviu 1.215 empreendedores entre 03/04 a 31/05. Confira outros dados da pesquisa:

Negócios afetados negativamente
• 73% abril
• 72% maio

Negócios afetados positivamente
• 19% abril
• 18% maio

Faturamento: redução
• 89% abril
• 79% maio

Faturamento: alta
• 3% abril
• 8% maio

Perda no faturamento
• 60% maior do que 50%
• 12% de 41 a 50%
• 9% de 31 a 40%
• 9% de 21 a 30%
• 5% de 11 a 20%
• 2% de 6 a 10%
• 1% até 5%

Ações adotadas durante a crise
• 52% fecharam em razão da quarentena na primeira semana de abril
• 30% fecharam em razão da quarentena na última semana de maio

Necessidades
• 59% capital de giro
• 40% isenção de impostos e taxas
• 30% alternativas para diversificar produtos e serviços
• 29% carência para pagamentos de impostos e taxas
• 23% carência para pagamento de fornecedores
• 19% orientação sobre finanças
• 16% adequação de custos
• 16% garantias na operação de crédito

Financiamento
• 36% buscaram empréstimo
• 64% não buscaram empréstimo

Dos que buscaram empréstimo
• 24% conseguiu
• 39% está em análise
• 37% não conseguiu

Motivos por não conseguir empréstimo
• 31% falta de garantias ou avalistas
• 25% taxas de juros alta
• 24% empresa ou sócio com restrições cadastrais
• 12% não sabe
• 8% empresa não possui capacidade de pagamento
• 5% empresa possui alto endividamento