Artigo, Guilherme Baumhardt, Correio do Povo - Casa de inúteis

Em pleno domingo, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, resolveu escrever um novo capítulo deste novo Brasil em que tudo é acessório, menos o próprio STF – ente que é senhor da razão e de todas as decisões. Por sua conta e risco, Mendes afirmou que recursos destinados a programas sociais não estão sujeitos à legislação do teto de gastos, um tema que está sendo discutido neste momento no Congresso Nacional. Ou seja, deputados federais e senadores foram, mais uma vez, sobrepujados.


Como se isso não bastasse, o mesmo Supremo decidiu que as Emendas de Relator (ou Orçamento Secreto, como era chamado antes da eleição deste ano) são inconstitucionais. Mesmo que eu concorde com o fim deste absurdo, por coerência, sou obrigado a dizer que o caminho para corrigir este absurdo não passa pelo STF, mas sim pelo próprio Congresso. E, de novo, deputados federais e senadores, viraram peças de decoração no cenário de Brasília.


Na última sexta-feira, outro ministro, neste caso Ricardo Lewandowski, entregou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a sugestão de um projeto de lei que altera a Lei do Impeachment, em vigor no Brasil desde 1950 e que na cassação de Dilma Rousseff foi alvo dos arroubos do próprio Lewandowski, que inventou naquela ocasião o impeachment sem perda de direitos políticos. Quem é o ministro para propor algo desta natureza? Neste caso, Ricardo Lewandowski não passa de um João Ninguém. Não é papel dele, nem de nenhum outro integrante da Suprema Corte apresentar sugestão de projeto de lei. Ministro do STF é guardião da Constituição, não legislador ou Chefe da Casa Civil para encaminhar projeto de nada. E, de novo, deputados e senadores ficaram com cara de tacho.


Relato aqui três casos recentes. E poderia enumerar outros tantos, boa parte deles capitaneados pelo “senador capinha” Randolfe Rodrigues, que aprendeu o caminho da roça. Quando a gente não ganha no voto, corremos para o Supremo. Quando o presidente em questão decide contra a nossa vontade, mesmo que dentro da lei e das quatro linhas, novamente buscamos a barra da saia da mamãe – leia-se Supremo Tribunal Federal. Randolfe chorava. E era atendido.


Faço a crítica aos parlamentares destacando que há, obviamente, exceções. Ainda há, nas duas Casas, homens públicos que não possuem dobradiça na espinha, que não temem os supremos uma razão bastante simples: não possuem rabo preso. O problema? Eles são minoria. E, apesar do esforço deste pequeno grupo, o Congresso Nacional se “acadela”, vai ficando cada vez menor, se apequenando a cada novo episódio em que as decisões sobre o futuro do país são tomadas por uma única caneta, muitas vezes em decisões monocráticas.


O título da coluna é “Casa de Inúteis”. Não vou defender aqui o fechamento do Congresso, mas pelo desempenho mostrado até aqui pela maioria que lá está, Câmara dos Deputados e Senado, acovardados que estão, representam apenas custo para o erário público. Estão entre as representações mais caras do mundo, drenando rios de dinheiro do pagador de impostos. Se é para fazer este papelão e não peitar o STF (especialmente o Senado) como se espera, melhor substituir aqueles que lá estão por bobos da corte. Para fazer papel de palhaço é melhor contar com profissionais, não com amadores.


Aos que ainda veem Jair Bolsonaro como a grande ameaça à democracia, que tal tomar um chá de Simancol, com altas doses de vida real, e finalmente entender que o golpe já foi dado. Quem manda no país é o Supremo Tribunal Federal. O sistema de pesos e contrapesos foi pelo ralo há muito tempo. Não há mais independência entre os poderes e a tão propagada harmonia entre eles não passa de uma política do “toma lá, dá cá”, mas com nome bonito e cheiroso.


Se houver uma resposta mais dura, não será golpe. Será um contragolpe. Que isso fique claro.

PGR exige que Moraes recue na ordem de desmonte do acampamento de Brasília

 A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu nesta 6ª feira (16.dez) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) que ele retifique decisão em que mandou dar seguimento ao pedido de fim do acampamento montado em frente ao quartel do Exército, em Brasília, desde a derrota do presidente, Jair Bolsonaro (PL), nas eleições.


Na 4ª feira (14.dez), Moraes determinou a inclusão de pedido de apurações sobre os atos de vandalismo registrados no Distrito Federal na noite de 2ª feira (12.dez) e de "desmobilização" de todos os acampamentos em processos já abertos sobre atos antidemocráticos no Supremo.


O pedido apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pede "punição exemplar dos envolvidos, inclusive daqueles que os financiaram e dos que os apoiaram e/ou incentivaram politicamente, com a apuração do eventual cometimento do hediondo crime de terrorismo ? e/ou outros tipos penais adequados ao cenário posto". 


Foi pedido ainda que Moraes "determine a desmobilização de todos os acampamentos e afins de bolsonaristas em frente a prédios públicos da Capital Federal". 


O ministro entendeu "pela pertinência" do pedido "em relação aos fatos ocorridos" no dia dos atos de vandalismo no DF.  "As condutas noticiadas fazem parte de atos mais abrangentes, investigados nesta Suprema Corte, notadamente no âmbito das Petições 10.685/DF, 10.763/DF e 10.764/DF", registra o ministro.


Moraes destaca ainda que, nesses processos, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foram intimados a informarem, em 48 horas, "as medidas todas pelas forças de segurança em relação aos fatos específicos, ocorridos em 12/12/2022".


Retratação


No parecer desta 6ª, assinado pela vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, a PGR pede a reconsideração da decisão ou que ela seja levada para discussão em Plenário, por todos os ministros. 


"O Ministério Público Federal requer, em caráter de urgência, o exercício do juízo de retratação pelo eminente Ministro Relator, reconsiderando-se a decisão agravada, com a consequente negativa de seguimento ao pedido incidental formulado por agente político e o desentranhamento dos autos deste inquérito, com arquivamento das petições, sob os fundamentos de falta de legitimidade ad causam, ausência de conexão, violação do sistema acusatório e ocorrência de ?bis in idem?", Lindôra Araújo, vice-procuradora-geral da República


Lindôra sustenta que "os atos violentos já são objeto de investigação em outras apurações". "As comunicações levadas ao STF não trariam novos elementos do caso. Afigura-se necessário estabelecer filtragens a petições com claro viés político, que pretendem causar confusão jurídica e incriminar opositores por meio de conjecturas e abstrações desprovidas de elementos mínimos", afirma a PGR.


Segundo Lindôra, "as novas comunicações de crimes também não trazem fatos a serem contemplados por esta investigação, porquanto não veiculam elementos concretos e reais de inserção em uma organização criminosa que atenta contra a Democracia e o Estado de Direito, menos ainda com a presença de alguma autoridade com prerrogativa de foro no Supremo Tribunal Federal".


A PGR informa ainda que já havia pedido ao STF que "fosse negado seguimento aos pedidos incidentais formulados por agentes políticos". Segundo Lindôra, terceiros são ilegítimos "para abertura de inquéritos, decretação de medidas cautelares e da realização de diligências investigativas relacionados a crimes de ação penal pública perante o Supremo Tribunal Federal, incumbência privativa do Procurador-Geral da República".

Epcor fornece placas solares fotovoltaicas para Ice Duck 1934

 A Epcor Solar e a sorveteria Ice Duck 1934 - Delícias Geladas fecharam parceria para tornar a operação da empresa sustentável com instalação de placas solares fotovoltaicas nos containers de food trucks. O projeto piloto será primeiramente instalado no contêiner da Ice Duck localizado na Barra de Imbé, no Litoral Norte gaúcho. Nas próximas etapas serão instalados painéis solares da Epcor na praia de Atlântida e no contêiner da Ice Duck, localizado no Asun Plinio POA - Triplex, em Porto Alegre. A geração de energia solar foi uma alternativa sustentável para continuar o sucesso da Ice Duck que oferece sorvetes, gelatto e açaí. A empresa desenvolve ações de ESG (Environmental, Social and Governance) que tem como estratégia praticar uma gestão sustentável com impacto no engajamento de seus públicos de interesse e até em seu valor de mercado.


Já a Epcor Solar (Epcor Solar – Energia Solar) é uma empresa gaúcha pioneira na área de desenvolvimento de projetos de energia elétrica, que conta com o objetivo de incentivar o desenvolvimento das energias renováveis. A empresa já atende mais de 2 mil clientes e pretende investir R$ 10 milhões de reais no projeto para construção da maior usina de energia solar da grande Porto Alegre, localizada no bairro Lami, em Porto Alegre, com 2MW de potência (suficiente para atender quase 1 mil residências) e que deverá entrar em operação até abril de 2023.


Por ser uma fonte renovável, inesgotável e limpa, a Energia Solar Fotovoltaica está em alta neste momento no Brasil. Simples de ser instalada e com diversas e atrativas opções de financiamento, a geração de energia através da luz solar vem se tornando cada vez mais acessível à população. O sistema de geração pode ser ligado à rede (On Grid) ou autônomo (Off Grid), através de baterias que armazenam a energia gerada. Muitos food trucks e lojas containers têm se utilizado da tecnologia Off grid para serem auto suficientes energeticamente.



Consulta pública pode levar hemoglobina glicada para o SUS

Até o próximo dia 26, membros da sociedade civil, entidades e organizações sociais, representantes de iniciativas público e privadas, podem participar da pesquisa lançada pela Conitec sobre a eficácia do exame na jornada de mais de 16 milhões de pessoas que convivem com o diabetes

 

Dezembro, 2022. Silencioso e grave, o diabetes atinge cerca de 62 milhões de pessoas nas Américas, segundo o “Panorama do Diabetes da OPAS nas Américas”. No Brasil, são mais de 16 milhões de pacientes que enfrentam a batalha contra a doença, que exige cuidados que vão muito além de uma alimentação equilibrada, atividades físicas e acompanhamento medicamentoso. 

 

Para controlar melhor a doença, que afeta mais de 5% da população e foi responsável pelas amputações de mais de 9 milhões de pacientes entre 2021 e 2022, segundo levantamento da Pesquisa Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde (MS), e contribuir para um tratamento mais assertivo, soluções eficazes já estão disponíveis no mercado. Uma delas, a hemoglobina glicada é considerada a mais rápida e precisa pelos especialistas. O exame estima os níveis de açúcar no sangue nos últimos três meses.

 

“Com a hemoglobina glicada, temos um laudo que estima com precisão o nível glicêmico com detalhes dos últimos três meses. O exame entrega resultados com menor influência da variabilidade no dia a dia, o que nos permite ter um parâmetro mais qualificado para avaliar os riscos de exposição, de forma individualizada, e proporcionar aos médicos e pacientes uma melhor jornada de atenção e cuidado” explica o médico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Alvaro Pulchinelli Jr.

 

Para que os milhões de pacientes que dependem do sistema público de saúde tenham acesso à precisão diagnóstica assegurada pela ferramenta, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) abriu consulta pública para ouvir membros da sociedade civil, entidades e organizações sociais, representantes de iniciativas público e privadas, e coletar dados a serem agregados ao Relatório Técnico e/ou na reunião deliberativa do órgão. No ar até o próximo dia 26, a consulta vai avaliar a solução e os impactos desta tecnologia para decidir sobre a incorporação do point-of-care testing de hemoglobina glicada para pacientes diabéticos no serviço público.

 

“Hoje, mais de 220 milhões de pessoas em todo o Brasil buscam atendimento no sistema público de saúde de norte a sul do país, e é essencial garantir o acesso à uma ferramenta inovadora como esta para os mais de 17 milhões de pacientes que convivem com o diabetes. Por isso, a é importante engajar a população, as sociedades organizadas, tomadores de decisão das frentes público e privada para que participem e ajudem a traçar um panorama sobre a pertinência da solução e também pensar em outras possibilidades para aprimorar os atuais modelos de assistência aos pacientes”, destacou o vice-presidente.

 

A consulta é feita com análise baseada em evidências científicas, publicadas na literatura, sobre eficácia, acurácia, efetividade e segurança da tecnologia, e também realiza uma avaliação econômica comparativa das vantagens e dos custos em relação às tecnologias já incorporadas no sistema.

 

“Precisamos provocar o consciente coletivo sobre a tecnologia e seus benefícios em toda a cadeia. Vamos reduzir os impactos e a pressão no sistema de saúde, além de enxugar custos com exames e consultas, já que toda a assistência pode ser prestada em uma única visita, sem a necessidade de retornos dos pacientes e superlotação de unidades de saúde. É ganho de ponta a ponta”, observou.

 

 




O médico chama atenção para outro detalhe. “O exame na modalidade point of care, considerada uma extensão dos laboratórios e importante aliado de médicos e profissionais da saúde, além de conferir mais praticidade à população. É uma tecnologia de testagem realizada próximo ao local de cuidado ao paciente, e pode ser adotada inclusive fora da área técnica de um laboratório”.

 

Pulchinelli reitera também que sob controle, o paciente apresenta menor risco de complicações, por isso, a importância da rotina de exames que monitoram o índice glicêmico do paciente, como o da hemoglobina glicada. O exame, que tem alta eficiência para apontar os níveis de açúcar no sangue, é fundamental não apenas para o controle do diabetes já existente, mas também para diagnosticar o pré-diabetes e diabetes de pacientes que ainda não sabem que têm a doença. 

 

“O exame também é importante para os profissionais de saúde que estão na linha de frente dos cuidados, porque, além da agilidade, é um grande fornecedor de dados, que nas mãos das equipes de assistência à saúde, devidamente capacitadas, serão grandes aliados da jornada de atenção”, concluiu.

 

A consulta pública de número 79, que avalia a incorporação dos testes diagnósticos, point-of-care, de hemoglobina glicada para o tratamento de pacientes com DM1 ou DM2 está disponível no portal ‘Participa + Brasil’. Para participar, basta preencher o formulário até o dia 26 de dezembro.



Artigo, J.R.Guzzo - Vem aí o governo Dilma 3

 Encontra-se em plena montagem, já na fase do acabamento, o governo Dilma-3. Quem acompanha o noticiário político acha que a partir de 1º de janeiro haverá mais uma administração Lula e, pelo que se anunciou no único compromisso compreensível de sua campanha eleitoral, todos ganharão um “Brasil Feliz”. Mas o que se vai ter na prática, pelas decisões anunciadas no “governo de transição”, é mais uma Dilma — com os resultados que se pode esperar de uma coisa dessas. O Lula de 2003, que assumiu a Presidência da República pela primeira vez, não existe mais. Sua abordagem prudente da economia, e o reconhecimento de que o governo tinha de respeitar os mecanismos básicos do processo de produção, sumiram. O que existe agora é um Lula obcecado em fazer do Brasil um experimento de “socialismo”:  como ocorreu com a “nova matriz econômica” de sua sucessora, quer impor aos brasileiros um país igual aos modelos desenhados nas cartilhas do PT. Mais que tudo, o novo presidente e o seu entorno não admitem que possa haver pensamentos e propósitos diferentes dos seus. É um contrato de desastre.


Dilma deixou um Brasil com a pior recessão da sua história econômica, desemprego maciço, inflação a caminho do descontrole, falência geral dos serviços públicos e índices recorde de miséria — além de um curso de pós-graduação em matéria de incompetência pura e simples. Lula, pelo que saiu até agora do “governo de transição”, vai repetir a dose. Escolheu para seu ministro da economia um subalterno pessoal que confessou, publicamente, que não entende nada do assunto — o que esperar de algo assim? Tudo o que ele fez até agora foi declarar guerra a todos e a cada um dos mecanismos que garantem a estabilidade econômica no Brasil de hoje. Lula não gosta de nenhum deles, e o novo ministro está lá para não gostar junto; não foi nomeado pela sua competência técnica, mas simplesmente é quem vai obedecer com mais empenho as ordens do presidente. Já se sabe muito bem que ordens são essas: entregar todos os recursos financeiros do país, dos R$ 2 trilhões de arrecadação federal por ano aos R$ 250 bilhões das empresas estatais em 2022, ao PT, aos amigos do PT e aos amigos dos amigos. Esse é único projeto econômico de Lula. É o seu único projeto político. É isso, o seu “socialismo” — e a razão objetiva do imenso esforço que foi feito nos últimos anos para que fosse declarado vencedor das eleições pelo TSE.


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Nada poderia comprovar de forma tão clara a privatização do Estado brasileiro em favor dos interesses representados pelo sistema Lula-PT do que a aprovação pela Câmara, na calada da noite e em cima das coxas, das mudanças na Lei das Estatais. Foi a primeira grande safadeza do governo Lula, ou desse Dilma-3 que se anuncia para o futuro próximo — um favorecimento alucinado aos novos senhores do Brasil. A Câmara, como se sabe, transformou-se num serviço de atendimento às ordens de Lula três minutos depois do TSE anunciar o resultado da eleição; desde lá, vem operando à toda para mostrar que vai ser tão obediente ao novo governo como é obediente ao STF. Seu feito mais notável neste curto espaço de tempo foi rasgar a Lei das Estatais, aprovada no governo Michel Temer e no clamor de moralização levantado pela Operação Lava Jato. A lei estabelece que uma pessoa só pode ser nomeada para cargos de diretoria em empresas estatais 3 anos depois de deixar o exercício de funções políticas; a Câmara, agora, reduziu esse prazo para 30 dias. Qual a razão lógica de uma mudança dessas? Qual o interesse público que ela poderia atender? O que a população ganha com isso? Não ganha absolutamente nada, é óbvio. A redução do prazo serviu unicamente para entregar o BNDES, um dos cofres mais recheados da República, ao dirigente petista Aloizio Mercadante — que compete com o ministro da Economia para ver quem obedece mais ao sistema Lula-PT. Não é só o BNDES, claro. Qualquer estatal, a partir de agora, pode ser entregue ao partido. É essa a democracia que acaba de ser salva pelo heroísmo dos altos tribunais de Justiça deste país. Tem toda a cara da calamidade dilmista.

Artigo, Augusto Zimmermann, Epoch Times - A tirania judicial no Brasil

- Augusto Zimmermann nasceu no Brasil e emigrou para a Austrália em 2002. Ele é professor e chefe de direito no Sheridan Institute of Higher Education em Perth. Ele também é presidente da Associação de Teoria Jurídica da Austrália Ocidental (WA) e atuou como membro da comissão de reforma da lei da WA de 2012 a 2017. Zimmermann é autor de inúmeros livros, incluindo "Direito Constitucional Brasileiro", "Teoria Jurídica Ocidental" e "Fundamentos Cristãos do Direito Comum".

Este artigo é de ontem.

Os povos indígenas têm proteção especial sob a lei brasileira. Foi assim pelo menos até o dia 12 de dezembro, quando um líder indígena foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.


O cacique Serere ("Chefe Tserere") da Tribo Xavante ousou criticar o comportamento dos principais juízes eleitorais durante a recente eleição presidencial no Brasil, por isso sofreu agressão e foi preso por um novo tipo de operação policial de estilo comunista ordenada por Moraes.


Na noite de 13 de dezembro, Moraes foi denunciado perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos por violar vários artigos do Pacto de San José da Costa Rica, com a prisão do Cacique Serere.


A denúncia, assinada pelo Conselho Latino-Americano de Jornalismo, solicita, com urgência, uma medida cautelar para que a Corte Internacional faça uma recomendação para a libertação imediata do líder indígena, pois, de acordo com a Lei 6001/73, os índios brasileiros são considerados inimputáveis.


"A prisão de um indígena sem o devido processo legal e sem respeitar a condição dos povos indígenas constitui um crime contra os povos indígenas", afirma a denúncia.


Há inúmeras outras prisões arbitrárias acontecendo em todo o país. O Judiciário brasileiro passou agora para uma nova fase, e a Polícia Federal continua realizando a prisão de pessoas por motivos políticos.


Em muitos casos, afirmaram dois jornalistas norte-americanos para o The New York Times: "O juiz Moraes agiu unilateralmente, encorajado por novos poderes que o tribunal concedeu a si mesmo em 2019 que lhe permitem, de fato, agir como investigador, promotor e juiz de uma só vez".



O candidato à Presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-presidente (2003-2010), Luiz Inácio Lula da Silva (R), cumprimenta o juiz brasileiro Alexandre de Moraes depois que ele assumiu a chefia do Tribunal Superior Eleitoral, na sede do TSE, em Brasília, em 16 de agosto de 2022. (Evaristo Sa/AFP via Getty Images)

Direitos garantidos por lei

A liberdade de expressão é protegida pelo artigo 5º, IV, da Constituição Brasileira, que prevê que "a manifestação do pensamento é livre e protegida".


Esse direito é ainda garantido pelo artigo 5º, IX, segundo o qual toda expressão de comunicação intelectual, artística e científica é "livre e imune à censura ou licença".


Além disso, a liberdade de expressão também é garantida pelo artigo 13 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que foi transformada em lei brasileira por meio do Decreto Federal nº 678 de 1992.


Aparentemente, no entanto, ninguém no Brasil foi autorizado a questionar o resultado da recente eleição presidencial. Quem se atreve a fazê-lo corre o risco de ser imediatamente preso e processado.


De fato, Moraes diz que qualquer um que compartilhe qualquer pingo de dúvida sobre esses resultados eleitorais, segundo ele, "será tratado como criminoso".


Em meio a alegações de fraude eleitoral maciça, os brasileiros têm protestado aos milhões em centenas de cidades em todo o país. Estes aparentemente são os maiores protestos em massa de todos os tempos na história da humanidade.


"O problema é que milhões de brasileiros não acreditam ou confiam no [tribunal superior eleitoral] e dizem que o tribunal superior eleitoral faz parte do esquema de fraude eleitoral nesta eleição presidencial", diz Iolanda Fonseca, jornalista do The Rio Times.


Excesso Judicial

Moraes foi nomeado presidente da mais alta corte eleitoral do país em agosto de 2022. Antes disso, em abril de 2005, foi nomeado pelo então presidente Lula da Silva para integrar a primeira composição (biênio 2005-2007) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


De 2002 a 2005, atuou como secretário de Justiça e Defesa da Cidadania do estado de São Paulo no governo do então governador Geraldo Alckmin, candidato a vice-presidente na chapa presidencial de Lula.



O juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes é retratado durante uma sessão para decidir se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve iniciar uma sentença de 12 anos de prisão por corrupção, potencialmente anulando a eleição presidencial deste ano, no Supremo Tribunal Federal, Brasil, em 4 de abril de 2018.


Durante a eleição presidencial deste ano, Moraes emitiu inúmeras ordens contra supostas "fake news". Ele ordenou que as redes sociais removessem milhares de postagens e prendeu inúmeros apoiadores do presidente sem julgamento por postagens nas mídias sociais que, segundo ele, "atacaram as instituições do Brasil", ou seja, seu próprio tribunal.


Além de mandar alguns apoiadores de Bolsonaro para a cadeia, Moraes também ordenou o confisco de seus aparelhos eletrônicos e o congelamento de suas contas bancárias pessoais.


Outro exemplo, em 18 de março, Moraes ordenou a suspensão nacional do Telegram.


O presidente Jair Bolsonaro, que buscava a reeleição, contou com esse aplicativo de mensagens para chegar à sua base de eleitores. Ele tem mais de um milhão de seguidores na plataforma, e isso se mostrou crucial para sua campanha eleitoral.



A decisão veio depois que o Telegram ignorou uma ordem anterior para bloquear a conta de Allan dos Santos, um apoiador de Bolsonaro acusado de espalhar "desinformação".


Ele não apenas ordenou o desligamento do aplicativo de mensagens em todo o país, mas também ordenou que a Apple e o Google introduzissem "obstáculos tecnológicos" para bloquear o Telegram em seus sistemas operacionais e retirá-lo de suas lojas digitais no Brasil.


Depois de conhecer todas essas coisas extraordinárias, quem ousaria dizer que essas eleições presidenciais no Brasil foram justas ou transparentes? Certamente não os milhões de brasileiros que comparecem para protestar contra a falta de transparência nesse processo eleitoral.


Curiosamente, escrevendo para o The New York Times em 26 de setembro, os jornalistas norte-americanos Jack Nicas e André Spigariol argumentaram que essas decisões arbitrárias de juízes ativistas como Alexandre de Moraes "poderiam ter grandes implicações para o vencedor da votação presidencial".


As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.



Habemus Cinderela e Presidente encantado!

Marcus Vinicius Gravina

OAB-RS 4.949


Um dos contos de fadas mais conhecido do mundo, do escritor francês Charles Perrault,  ganhou versão brasileira atual. Não fala de carruagem com cavalos brancos,  mas de aeronave ou jato encomendado em governo anterior do diplomado, com leito nupcial para as suas viagens internacionais.  O cocheiro de hoje é um militar de alta patente da FAB.

A pompa não mudou. Reparem que o futuro chanceler, Ministro das Relações Exteriores em sua entrevista - como um guri que ganhou um presente de Natal antecipado – efusivamente, anunciou a honrosa missão recebida de quem aspira tomar posse em janeiro contra vontade de milhões de brasileiros. 

Irá programar para os primeiros dias do novo governo, viagens a vários países onde será recebido com tapete vermelho para apresentar a sua “primeira dama”. Provavelmente cumprirá promessa feita de uma viagem de “lua de mel”, adiada pela campanha eleitoral.  Venezuela, Argentina e China serão as visitas iniciais de turismo e de fortalecimento de relações, que no caso não foram consultadas se interessam ao Brasil.

O Itamaraty será convertido, nos próximos quatro anos, em agência de viagens, recepções ou badalações presidenciais.  Seus embaixadores como vassalos e embaixatrizes, quando forem utilizadas as instalações das embaixadas, algumas delas verdadeiros mini-palacios, se transformarão em mordomos ou guias turísticos e as embaixadoras suas esposas ou embaixatrizes terão a função de “premier femme de chambre” cargo criado na corte real de França.  Isso se a cinderela não levar consigo sua equipe de  cabeleireira, maquiadora e manicure. 

Não haverá mal nisto desde que alguns aspectos não menosprezem o esforço  atual de contenção de gastos que não são prioritários. É evidente o contrassenso da viagem  frente ao PEC/fura teto do orçamento público em discussão no Congresso. 

Tudo isto acontece quando a  sua equipe  de transição cogita a decretação de Estado de Emergência, pretexto para saquear os bens e as poupanças bancárias dos cidadãos. É um escárnio à sociedade brasileira, viagens caríssimas com um séquito de pessoas sem maior importância aos valores superiores da nossa pátria, com direito a receberem fartas diárias de viagens. A imprensa divulgará a prestação de contas ou somente as imagens da Cinderela deslumbrada e do Presidente encantado?

É apropriada a lembrança de velho adágio popular: “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza “.  Veja-se o caso do presidente africano Jean Bokassa que mandou construir uma carruagem real coberta de ouro para a sua posse e assim chamar a atenção da sua inexpressiva existência neste planeta.  

Não poderemos ignorar o fato de que qualquer presidente de outros países, pode se contatar com o nosso, olho no olho, o que dispensa presença física. Estamos em nova era na qual até os advogados fazem suas sustentações orais perante os tribunais  à distância pela Internet para plenários virtuais.  

Recordo aos leitores de revistas épicas como a Manchete e O Cruzeiro. As  matérias com imagens internas do Palácio de Versales. O sonho de muitas meninas moças era debutar em seus suntuosos salões. E, elas apareciam nas fotos dançando com seus pais para a admiração dos brasileiros tupiniquins  do outro lado do Atlântico. 

Alguns, que ainda não perceberam qual a relação com a próxima viagem presidencial,  explico: as despesas para a felicidade daqueles pais e filhas, nunca foram custeadas com verba pública e os famigerados cartões corporativos da presidência da República. 

Será que haverá alguém entre nós capaz de reagir a este tipo de coisa, se não fomos capazes de agir em defesa do patrimônio nacional de bilhões de reais desviados dos cofres públicos, comprovado pela Lava Jato? 

Afinal, que tipo de gente habita este país?  

Pelo visto, muitos são idiotas,  outros tantos  covardes e foram descobertos, recentemente, alguns melancias. Há até quem pense em instituir a melancia, como sendo a fruta símbolo da traição, assim como quero-quero  é o símbolo dos pássaros e a árvore da erva mate,  o símbolo das árvores do nosso Estado.   

Não ao silêncio. É hora de utilizar o nosso direito de opinião em público antes da tentação de pegar em armas.

Caxias do Sul, 17.11.2022