Artigo - Paulo Germano e a democracia imaginária

por Roberto Rachewsky 

Paulo Germano, jornalista da Zero Hora, comentarista da RBS TV e apresentador da Rádio Gaúcha, publicou uma coluna intitulada “O candidato ruim”, na qual anuncia que votará em alguém que considera ruim porque, pelo menos, esse candidato lhe permitirá votar novamente. Não menciona nomes. O contexto indica Lula e Flávio Bolsonaro. 

Germano constrói dois personagens. Um Lula democrático, apesar dos defeitos, e um Flávio Bolsonaro que, uma vez eleito, acabaria com as eleições. O primeiro é absolvido por antecipação. O segundo, condenado por antecipação. Ambos são produtos de uma imaginação que dispensa a demonstração. 

Há uma diferença epistemológica fundamental entre o real e o potencial. O real existe e pode ser conhecido mediante evidências. O potencial depende de condições objetivas que precisam ser identificadas. Germano transforma uma possibilidade futura em certeza, sem demonstrar a relação causal que sustentaria sua previsão. 

Qual proposta de Flávio prevê acabar com as eleições? Qual ato seu comprova essa intenção? Invocar seu parentesco com Jair Bolsonaro não resolve o problema. Responsabilidade é individual. Culpa não é hereditária. 

Enquanto isso, o Mensalão e o Petrolão aconteceram. Esquemas de compra de apoio parlamentar e corrupção política comprometeram instituições do Estado brasileiro. O Inquérito do Fim do Mundo existe desde 2019. As controvérsias sobre censura, concentração de poderes, devido processo legal e a condenação e prisão de Jair Bolsonaro são questões concretas que exigem exame independente das decisões de quem exerce o poder. 

Na minha avaliação, Lula já se mostrou mais danoso ao processo democrático do que qualquer Bolsonaro. Os esquemas de corrupção e sustentação política revelados no Mensalão e no Petrolão integram a história de seus governos. Suas relações políticas com integrantes do STF merecem escrutínio, especialmente diante das decisões que anularam suas condenações, restabeleceram seus direitos políticos e permitiram sua candidatura em 2022. O Tribunal Superior Eleitoral, então presidido por Alexandre de Moraes, conduziu uma eleição marcada por controvérsias sobre os limites da intervenção judicial. Não basta invocar a autoridade dos tribunais para encerrar a discussão sobre a legitimidade de seus atos. 

Germano teme a eventual destruição da democracia por um futuro presidente, enquanto atribui peso insuficiente aos problemas institucionais do presente. Confunde a continuidade das eleições com a preservação da liberdade. Uma sociedade pode realizar eleições periódicas e, simultaneamente, restringir direitos individuais, perseguir opositores e concentrar poderes. 

Seu argumento contém um falso dilema: votar no candidato ruim ou perder o direito de votar. Recorre ao apelo ao medo, à culpa por associação e ao espantalho. O candidato real desaparece, substituído por um personagem ao qual são atribuídas intenções não demonstradas. Ao mesmo tempo, o histórico político do candidato preferido é relativizado em nome de uma virtude democrática presumida. 

O próprio Germano já criticou excessos do Supremo e de Alexandre de Moraes. Isso torna sua escolha argumentativa ainda mais questionável: por que os riscos que imagina no futuro parecem determinar seu voto mais do que os abusos institucionais que ele próprio identifica no presente? 

Como jornalista influente em Porto Alegre, Germano tem responsabilidade pelo rigor dos argumentos que oferece aos leitores. Seu direito de escolher candidatos é indiscutível. Suas inferências, não. O prestígio de um veículo de comunicação não transforma presunções em evidências nem dispensa o jornalista de fundamentar suas conclusões. 

Não preciso afirmar que Flávio Bolsonaro salvará a democracia. Tampouco preciso prever que Lula acabará com as eleições. Exijo apenas que ambos sejam julgados pelos mesmos princípios, com base em evidências, e que nenhum abuso seja desculpado pela identidade política de seu autor. 

A liberdade não está assegurada simplesmente porque podemos comparecer às urnas a cada quatro anos. Ela depende da proteção permanente dos direitos individuais contra a arbitrariedade de governantes, legisladores e magistrados. 

Paulo Germano quer votar novamente. Eu também. Quero, sobretudo, continuar livre entre uma eleição e outra. 

Uma eleição futura imaginada não absolve abusos presentes. Uma ameaça presumida não apaga fatos conhecidos. E o medo não transforma espantalhos em realidade.

Deputada de 524 mil votos vira problema para Lula e apaga perfil após polêmica

A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, entrou no radar da campanha de Lula para o segundo turno, mas acabou no centro de uma controvérsia que ameaça comprometer sua imagem e gerar constrangimento para o presidente. Eleita com 524 mil votos, ela foi anunciada como integrante do núcleo de estratégia digital petista após se reunir com Lula na quarta-feira (7). No dia seguinte, começou a atuar nas redes sociais. A repercussão, porém, tomou outro rumo após a divulgação de mensagens antigas atribuídas à parlamentar. 

Segundo reportagem do site do jornalista Claudio Dantas, a polêmica ganhou força quando o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou uma captura de tela de uma suposta mensagem em que Ana Elisa defendia que Lula fechasse igrejas. A deputada contestou a autenticidade da imagem. Entretanto, registros arquivados de outras publicações atribuídas a ela mostram declarações semelhantes. Em fevereiro e abril de 2023, por exemplo, mensagens ironizavam a ausência de medidas contra igrejas e faziam referência ao chamado “kit gay”. Em maio de 2026, já adulta, ela voltou ao tema ao defender o fim da isenção tributária das igrejas evangélicas. 

O histórico também inclui manifestações contundentes sobre adversários políticos e temas socialmente sensíveis. Em março de 2025, Ana Elisa sugeriu que apoiadores de Jair Bolsonaro fossem acusados de tentativa de golpe. Em junho de 2024, ao comentar a tramitação do projeto de lei que pretendia equiparar ao homicídio o aborto realizado após a 22ª semana de gestação, publicou uma mensagem em defesa do aborto legal, com linguagem agressiva contra a bancada evangélica. As declarações, recuperadas em meio à sua entrada na campanha presidencial, ampliaram a exposição de posições que podem dificultar a aproximação do PT com segmentos do eleitorado religioso e conservador. 

A mudança de discurso sobre o Supremo Tribunal Federal também entrou na discussão. Em setembro de 2026, a deputada afirmou que a esquerda não deveria defender Alexandre de Moraes nem minimizar erros e excessos do STF. Em julho de 2025, por outro lado, havia manifestado solidariedade ao ministro após o anúncio de sanções com base na Lei Magnitsky. A diferença entre as manifestações passou a alimentar questionamentos sobre a coerência de suas posições públicas. 

Outro episódio envolve uma ameaça que Ana Elisa afirmou ter recebido por e-mail em setembro. A mensagem, segundo o relato divulgado pela então candidata, continha ameaças de estupro e morte atribuídas a um suposto supremacista branco. Ela publicou o conteúdo da carta e uma nota assinada por sua advogada. De acordo com a reportagem de Claudio Dantas, os dois documentos foram submetidos à ferramenta Pangram, que apontou alta probabilidade de geração por inteligência artificial: 100% para a carta e 94% para a nota jurídica. Esses resultados, contudo, não comprovam isoladamente a autoria artificial dos textos, e a conclusão depende de verificação independente. 

A crise ganhou um novo capítulo pouco antes das 22h de quinta-feira (8), quando Ana Elisa desativou seu perfil no X, onde reunia cerca de 142 mil seguidores. Sua conta no Instagram, que acumulava aproximadamente 3,2 milhões de seguidores, permanecia ativa até a publicação da reportagem, assim como o vídeo em que contestava a captura de tela divulgada por Nikolas Ferreira. 

A repercussão coloca a equipe digital de Lula diante de um desafio político: transformar alcance nas redes em apoio eleitoral sem ampliar controvérsias capazes de afastar parcelas do eleitorado. A convocação de uma parlamentar jovem, com grande audiência digital, poderia representar uma aposta na mobilização de novos públicos. A recuperação de publicações antigas, porém, tornou a iniciativa um potencial foco de desgaste justamente em uma etapa decisiva da disputa.

Artigo, Maurício Salomoni Gravina - Quando o juiz se aproxima do rei: historicismo e a crise moral do Supremo

Maurício Salomoni Gravina é advogado, RS.

O Direito não nasce de uma razão abstrata: sedimenta-se na história. Em "História do Direito e Teoria das Fontes", comento que "o Estado não é o único órgão de produção das normas jurídicas", tarefa levada ao cidadão, julgadores e estudiosos. Esse historicismo não é nostalgia. Só compreendemos o que um tribunal faz hoje sabendo o que os tribunais já fizeram e o que fizeram deles.

Cada época tem seu espírito, um saber coletivo que orienta a compreensão do Direito: a modernidade o assentou na lei e na separação de poderes; o constitucionalismo atual, nos princípios e nas cortes e, quanto mais o Direito depende da interpretação, mais decisiva é a legitimidade do intérprete.

Juris dictio é dizer o Direito, não governar por ele. Platão advertia que dizer o justo dava ao julgador um poder que "se aproximava dos atos da realeza"; em Roma, o imperador precisou separar a toga da farda militar para preservar o trono. A história do Direito é a da contenção do poder de julgar.

Essa contenção é institucional: fundamentação, colegialidade, impedimento e suspeição. Não basta fazer justiça; é preciso que se veja. A imparcialidade é forma pública, não virtude privada.

É essa forma que o STF corrói: decisões monocráticas amplas, inquéritos de ofício e ministros em fóruns no exterior patrocinados por interessados em causas da Corte. O caso Banco Master levou o quadro ao limite, com notícias de contratos milionários ligados às altas autoridades. Seja qual for o desfecho, a aparência de imparcialidade está ferida.

Vivemos uma grande crise: a Corte deixa de interpretar a Constituição para agir como fonte autorreferente do próprio poder. Sua autoridade vem da credibilidade de suas razões. Código de conduta vinculante, transparência de agendas e patrocínios, regras objetivas de suspeição e debate sobre mandatos não atacam a Corte: são a condição de sua legitimidade.


Chuvas e granizo ameaçam produtividade e qualidade do trigo gaúcho, alerta Emater

A sequência de chuvas, a baixa luminosidade, a elevada umidade e os episódios de granizo e ventos fortes reduziram o potencial produtivo da safra de trigo do Rio Grande do Sul e ampliaram os riscos à qualidade dos grãos. O alerta consta no levantamento da Emater/RS-Ascar, que acompanha a evolução das lavouras no Estado. A área projetada para a safra de 2026 é de 814.220 hectares, com produtividade média inicialmente estimada em 2.701 quilos por hectare. Com o avanço do ciclo para as etapas finais, as condições meteorológicas passaram a comprometer parte das expectativas de rendimento. 

Segundo a Emater, 60% das lavouras estão em enchimento de grãos, 27% chegaram à maturação e 4% já foram colhidas. Embora a colheita tenha começado nas áreas mais precoces, a maior parte da produção ainda depende das condições climáticas das próximas semanas. A combinação de precipitações frequentes e baixa incidência de radiação solar prejudica o desenvolvimento dos grãos, enquanto o excesso de umidade aumenta a exposição das plantas a doenças fúngicas e dificulta a execução dos tratamentos fitossanitários. 

Os danos são mais evidentes em áreas atingidas por tempestades no Centro-Oeste e no Noroeste gaúcho. Nesses locais, o granizo e os ventos fortes provocaram acamamento das plantas, debulha de espigas e perdas de estruturas reprodutivas. Em determinadas áreas, a intensidade dos eventos meteorológicos comprometeu severamente a capacidade produtiva das lavouras. O cenário também varia conforme a região, o estágio de desenvolvimento das plantas e a suscetibilidade das cultivares utilizadas. 

Qualidade dos grãos entra no radar 

Além do volume produzido, a qualidade do trigo tornou-se uma preocupação central nesta fase da safra. Nas lavouras em maturação, a permanência da umidade elevada pode reduzir o Peso Hectolitro (PH), indicador relacionado à massa dos grãos por volume. Também aumenta o risco de germinação pré-colheita, processo que pode ocorrer quando os grãos permanecem expostos à umidade antes de serem colhidos. 

Esse fenômeno pode comprometer o falling number, índice utilizado para avaliar a atividade enzimática associada à degradação do amido. Valores reduzidos podem prejudicar as propriedades tecnológicas da farinha e limitar a adequação do trigo a determinados usos industriais. Por isso, mesmo quando parte do rendimento é preservada, a deterioração da qualidade pode afetar a classificação comercial dos lotes e seu aproveitamento pela indústria de moagem. 

A umidade durante o período reprodutivo também favoreceu a ocorrência de giberela, manchas foliares, ferrugens, oídio e outras doenças. A Emater observa que o excesso de chuvas dificultou a entrada de máquinas nas lavouras e restringiu a aplicação de fungicidas. A situação é especialmente delicada nas áreas em floração e enchimento de grãos, fases em que as condições sanitárias e a disponibilidade de radiação solar influenciam diretamente a formação e o peso final dos grãos. 

Regiões apresentam perdas e rendimentos distintos 

Na região de Frederico Westphalen, 60% das lavouras estão em enchimento de grãos, 23% em maturação, 10% em florescimento e 7% já foram colhidas. A incidência expressiva de giberela, associada ao excesso de chuva, pode comprometer a produtividade e a qualidade. A estimativa inicial para a região era de 2.965 quilos por hectare. 

Na região de Ijuí, aproximadamente metade dos cultivos está em enchimento de grãos, enquanto 28% se encontram em maturação, 19% no final da floração e 3% já foram colhidos. O excesso de umidade e os danos provocados por granizo tendem a reduzir o potencial produtivo. Em Santo Augusto, as primeiras áreas colhidas alcançaram 2.820 quilos por hectare, com PH 78. Apesar desse resultado pontual, a média regional não ultrapassa 2.400 quilos por hectare. Segundo a Emater, a diferença está relacionada, entre outros fatores, à maior suscetibilidade de determinadas cultivares à giberela, doença que afeta tanto o rendimento quanto a qualidade. 

Na região de Santa Rosa, 46% das lavouras estão em enchimento de grãos, 44% em maturação, 8% já foram colhidas e 2% permanecem em floração. Os eventos meteorológicos provocaram perdas severas em áreas atingidas por granizo, com acamamento, debulha das espigas e, em determinados locais, perda total das estruturas reprodutivas. O tempo chuvoso e nublado também favoreceu a incidência de giberela e brusone. 

Em Santa Maria, as chuvas intensas acompanhadas de vento e granizo registradas no final de setembro deverão provocar redução da produtividade regional. Em Maçambará, a elevada incidência de doenças foliares reduziu o potencial inicialmente estimado. Já em São Gabriel, a infestação de azevém tem ampliado a competição com a cultura. A redução da área foliar verde durante o enchimento, somada às manchas foliares, pode comprometer o peso dos grãos. 

Na região de Bagé, em São Borja, metade dos 16 mil hectares cultivados está em maturação, e a colheita deve começar em breve. O potencial produtivo ainda é considerado satisfatório, mas as chuvas no final do ciclo geram preocupação com a qualidade final. Em Passo Fundo, os cultivos também avançam no enchimento de grãos, mas a umidade dificulta a realização dos tratamentos fitossanitários contra doenças fúngicas. 

Em Pelotas, 56% das lavouras estão em enchimento de grãos, 36% em florescimento e 8% em desenvolvimento vegetativo. A sequência de dias nublados, chuvas e baixa radiação solar prejudicou o enchimento, enquanto a elevada umidade do solo dificultou o acesso de máquinas para os tratamentos. Nos Campos de Cima da Serra, na região de Caxias do Sul, as lavouras estão no final do alongamento do colmo e no início do espigamento. A condição sanitária é considerada adequada, mas o avanço para essa fase aumenta a exposição das plantas às doenças. 

Clima será decisivo para o resultado final 

A evolução da colheita e as condições meteorológicas nas próximas semanas serão determinantes para dimensionar as perdas e verificar quanto da produtividade inicialmente projetada poderá ser preservado. A diferença entre regiões mostra que o impacto não é uniforme: enquanto algumas áreas mantêm potencial considerado satisfatório, outras já registram danos associados ao granizo, ao acamamento, às doenças e à menor formação dos grãos. 

O desafio para os produtores será colher as lavouras no momento adequado, aproveitando as janelas de tempo firme para reduzir a exposição dos grãos à umidade e limitar novas perdas de qualidade. Além do volume colhido, a classificação do trigo terá peso relevante para o resultado econômico da safra, já que os parâmetros físicos e tecnológicos influenciam a destinação industrial do produto. 

Os dados da Emater/RS-Ascar indicam, portanto, uma safra marcada por diferenças regionais e por riscos crescentes na reta final do ciclo. A produtividade média de 2.701 quilos por hectare permanece como estimativa inicial de referência, mas os danos observados em diferentes regiões e a preocupação com a qualidade mostram que o resultado efetivo dependerá do comportamento do clima e das condições de colheita.

Zucco abre transição com Leite e prepara novo ciclo de governo no RS

O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), reuniu-se nesta sexta-feira (9) com Eduardo Leite (PSD), no Palácio Piratini, em Porto Alegre, para iniciar oficialmente o processo de transição de governo. Foi o primeiro encontro presencial entre os dois desde as eleições de domingo (4), quando Zucco foi eleito em primeiro turno, com mais de 3,5 milhões de votos. A reunião marca o começo de uma etapa estratégica para a futura administração estadual, que terá pela frente o levantamento da situação financeira, orçamentária e administrativa do Estado antes de assumir o comando, em janeiro de 2027. 

Embora os dois já mantivessem contato desde o resultado eleitoral, o encontro ocorreu após a definição das equipes responsáveis pela transição. O objetivo é estabelecer um fluxo organizado de informações entre a atual administração e o governo eleito, permitindo identificar compromissos em andamento, projetos prioritários, situação das contas públicas e desafios de cada área. A transferência de dados também busca reduzir riscos de descontinuidade de políticas públicas e assegurar que a nova gestão tenha condições de iniciar suas atividades com um diagnóstico abrangente da estrutura estadual. 

A equipe indicada por Zucco será coordenada por Leonardo Pascoal, atual secretário de Educação de Porto Alegre. Também integram o grupo César Schirmer, secretário de Planejamento da Capital; Leandro Sonne, coordenador da bancada do Republicanos na Assembleia Legislativa; o empresário Alencar Capucci; e o assessor legislativo Norton Baum. Pelo governo de Eduardo Leite, a condução dos trabalhos ficará a cargo do chefe da Casa Civil, Ranolfo Vieira Júnior, ex-governador do Estado, e da secretária de Planejamento, Danielle Calazans. A composição reúne representantes com experiência na administração pública, articulação política e planejamento, áreas consideradas relevantes para organizar a passagem de comando. 

Os trabalhos da comissão serão realizados no Edifício Guaíba, localizado no bairro Praia de Belas, em Porto Alegre. A estrutura servirá de base para o compartilhamento de documentos, o levantamento de informações e a realização de reuniões técnicas entre as duas administrações. A expectativa é que o processo permita à equipe de Zucco conhecer a situação dos principais programas estaduais, os contratos em execução, os investimentos planejados e as demandas que precisarão de acompanhamento a partir do início do próximo mandato. 

Cronograma prevê diagnóstico e reuniões temáticas 

Durante o encontro no Piratini, Leite apresentou o calendário previsto para os próximos meses. A inauguração do escritório da Comissão de Transição está programada para os dias 13 ou 14 de outubro, quando também deverá ocorrer uma apresentação geral do panorama do Estado. A partir de 19 de outubro, terão início reuniões semanais organizadas por eixos temáticos, com atividades previstas até o final de novembro. 

O cronograma inclui a entrega do Livro de Transição, prevista para 26 de outubro. O documento deverá reunir informações sobre a situação atual da administração estadual e servir de referência para o planejamento da futura gestão. A sistematização dos dados será importante para identificar prioridades, acompanhar políticas em andamento e orientar as primeiras decisões administrativas do novo governo. 

A transição também deverá permitir o aprofundamento de questões relacionadas ao planejamento estadual, à execução orçamentária e à continuidade dos serviços públicos. O acesso a informações consolidadas sobre essas áreas poderá contribuir para a definição das prioridades de Zucco e para a organização das medidas a serem adotadas nos primeiros meses de mandato. 

Casa do Diálogo será espaço de articulação política e institucional 

Além das atividades formais da comissão, Zucco terá uma agenda paralela de reuniões e encontros institucionais. A partir da próxima terça-feira (13), o governador eleito passará a despachar na Casa do Diálogo, instalada no Instituto Caldeira, na Capital. O espaço deverá receber ex-governadores, representantes de entidades, lideranças de diferentes setores e profissionais da imprensa. 

A iniciativa está alinhada ao compromisso assumido durante a campanha de estabelecer uma gestão baseada no diálogo, na busca de consensos e na participação de diferentes segmentos da sociedade gaúcha. A proposta é abrir canais de interlocução com representantes de áreas econômicas, sociais e institucionais, ampliando o levantamento de demandas e contribuindo para a formulação das prioridades do próximo governo. 

A agenda de interlocução ocorrerá paralelamente às reuniões técnicas da transição. Enquanto a comissão se concentrará no diagnóstico da máquina pública e na transferência de informações, os encontros na Casa do Diálogo deverão funcionar como espaço de escuta e articulação com diferentes setores do Estado. 

Zucco destaca continuidade e aprimoramento da gestão 

Após a reunião, que durou aproximadamente uma hora, Zucco agradeceu a Leite pela disposição em colaborar com a futura administração e destacou a organização do processo. Para o governador eleito, a condução da transição demonstra maturidade institucional e cria condições para uma passagem de governo baseada na transparência e na responsabilidade administrativa. 

“O Rio Grande do Sul realmente mostra uma maturidade, não só para o Estado, mas para o Brasil, de uma transição muito efetiva. A gente conversou por quase uma hora, mas queríamos conversar mais. O Rio Grande do Sul precisa continuar o bom trabalho, aprimorar aquilo que deve ser feito, mas a gente está tendo realmente uma transição de excelência”, afirmou Zucco. 

A declaração sinaliza a intenção de combinar continuidade administrativa com mudanças a serem definidas pela nova equipe. O alcance dessas mudanças dependerá do diagnóstico produzido durante a transição, das prioridades estabelecidas pelo governador eleito e das condições fiscais e operacionais encontradas na estrutura estadual. 

Com o calendário já apresentado e as equipes formalizadas, o processo entra agora na fase de reuniões técnicas e consolidação de informações. Até o fim de novembro, a expectativa é avançar no levantamento da situação do Estado e fornecer à futura administração os subsídios necessários para organizar o início do mandato em janeiro de 2027.

Filme de Lula

A revista Veja de hoje publica reportagem de capa com a denúncia feita pelo banqueiro Daniel Vorcaro e que foi rejeitada pela PGR na tentativa de delação premiada.

CLIQUE AQUI para ler a reportagem de Veja. 

A reportagem é explosivamente prejudicial aos interesses eleitorais de Lula, porque Daniel Vorcaro afirmou ter colocado cerca de R$30 milhões em dinheiro vivo em um documentário sobre o presidente produzido no exterior. Além deste valor, o Instituto Lula também deu dinheiro para Oliver Stone.

Segundo ele, o pagamento fazia parte de uma negociação para abrir caminho do Banco Master até fundos de pensão ligados a estatais.

Veja publicou provas de áudios e documentos.

Segundo o ex-banqueiro, seu então sócio Augusto Lima se aproximou do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.A conversa teria envolvido o credenciamento do Master para captar dinheiro de fundos ligados ao Banco do Brasil, Caixa, Petrobras e Correios.O relato também menciona Alexandre Padilha e auxiliares do então ministro. Vorcaro diz ter participado de encontros enquanto buscava negócios com os fundos.

Vorcaro afirma que uma das condições seria o pagamento dos cerca de R$30 milhões para o documentário. Além disso, Vaccari teria pedido 10% do que o banco conseguisse captar nesses fundos.

Mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram contatos do banqueiro com pessoas citadas nessa articulação.