Zucco, não caia na armadilha da RBS: O afago de hoje pode custar milhões amanhã
Opinião do leitor, Rodrigo Alves, jornalista
O novo governador gaúcho precisa abrir os olhos. O súbito interesse do Grupo RBS pelo governador e seus principais assessores, com espaços para entrevistas de assessores, pautas favoráveis, colunas, fotos e vídeos em seus veículos, merece ser observado com desconfiança por quem conhece a força e os interesses comerciais da maior estrutura de comunicação do Rio Grande do Sul.
A imprensa tem todo o direito de entrevistar quem quiser, mas o eleitor também tem o direito de questionar por que determinadas portas parecem se abrir com tanta facilidade quando um novo governo está prestes a assumir.
Na visão de um eleitor da direita, que há anos não se identifica com a linha editorial da RBS TV, é difícil ignorar a possibilidade de que essa aproximação tenha segundas intenções: conquistar espaço, influência e boa vontade junto ao futuro governador antes da definição dos contratos publicitários dos próximos quatro anos.
O histórico de dinheiro público destinado a eventos ligados ao grupo reforça a necessidade de vigilância. Em dos exemplos, no caso do Planeta Atlântida 2023, 24, 25 e 2026, foram divulgados patrocínios estaduais de mais de R$ 5 milhões envolvendo Banrisul, Secretaria de Comunicação e Detran, durante o governo Eduardo Leite.
A pergunta que não pode ficar sem resposta é direta: por que o contribuinte deve financiar, com milhões de reais, um festival privado promovido pelo grupo que também controla importantes veículos de comunicação do Estado?
Zucco não pode chegar ao Piratini e simplesmente renovar práticas do governo anterior. Cada contrato precisa passar por uma análise rigorosa, com critérios públicos, retorno demonstrável e prestação de contas. A publicidade oficial não pode funcionar como um cheque em branco para grandes grupos de mídia.
O eleitor que ajudou a eleger Zucco não votou para ver o novo governador cair nos braços de um conglomerado de comunicação cuja linha editorial muitos conservadores criticam e sempre foi critica a seu principal líder, Jair Bolsonaro, contribuindo muito para a sua prisão. Tampouco votou para assistir a uma reaproximação automática com Eduardo Leite, que declarou não apoiar nenhum dos candidatos no segundo turno, embora sua posição política seja reconhecida por todos da direita.
A RBS sabe muito bem o peso que tem no debate público e sabe que manter boas relações com o governo pode ser comercialmente relevante. Por isso, Zucco precisa entender que microfone aberto, entrevista em horário nobre e manchete favorável não são presentes desinteressados. O governador eleito deve conversar com todos, mas não deve confundir exposição midiática com apoio político, nem cordialidade jornalística com compromisso editorial.
A mensagem ao novo governador é simples: não troque a
confiança de quem votou na direita pelo conforto de aparecer bem na RBS. E não
permita que a conta dessa aproximação seja paga no ano que vem com o dinheiro
do contribuinte.

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