quarta-feira, 14 de março de 2018

Artigo, Astor Wartchow - Germinação


      Muito além da exploração tributária, a população é tão “escravizada” pelo estado brasileiro de modo que nunca soube e nem aprendeu a “caminhar” com os próprios pés e cabeça, salvo raros exemplos.
      Qualquer idéia e ação inovadora não prosperam livremente se não obtiverem a autorização e participação estatal. Há milhares de amarras legais e convencionais que determinam esta limitação.
      Mas, admitamos, é também uma dependência sócio-cultural. E isto explica o mofado discurso que se repete a cada eleição. Indistintamente, todos os candidatos e partidos prometem ações estatais que viriam a transformar a nação.  
      É como se toda a sociedade brasileira fosse uma criança e adolescente inconseqüente e incapaz, que sempre dependesse de estímulos e aprovações materno-paternais.
      Nossa história é abundante em exemplos de governos e lideranças que usaram e abusaram do discurso e prática da dependência estatal. E em torno deste hábito se criou um emaranhado sistema de corporações, leis, normas e tributos que nos submetem a uma “escravidão eterna”. 
      Concomitante, entre paliativos de todas as naturezas, ainda que alguns bem intencionados, outros nem tanto, empresas públicas “brás” disto e daquilo,  e refrões patriótico-nacionalistas, a verdade é que não superamos questões e demandas básicas.
      Alias, nacionalismo e patriotismo são o último refúgio dos canalhas, na frase do pensador inglês Samuel Johnson (também dizem ser frase de Millôr Fernandes). Mas, aqui entre nós é o primeiro refúgio, à direita e à esquerda.
      Retórica que não supera nem resolve os fatos. Subdesenvolvimento sócio-econômico. Insegurança pessoal  e patrimonial. Corrupção generalizada e sistêmica.  Vias e sistemas de transporte coletivo e de cargas precários e limitados. Por todos os lados impera a limitação. O embaraço legal e formal. 
      Em resumo e perversamente, “criar dificuldades para vender facilidades” é o mantra estatal. Ou seja, leis e normas em profusão e suas vigilantes corporações reafirmam a cada dia nosso estado de escravidão legislativo-tributária.
      Nas próximas eleições muitos partidos e candidatos se apresentarão como novidade. Como aqueles que não têm nada a ver com isto tudo que está aí. Será? O que nos oferecerão como novidade? Mais estado, menos estado? Mais governo, menos governo? Mais impostos, menos impostos?
        Em sendo nossa nação profundamente desigual, em que áreas deveremos ser/ter mais estado?  E onde menos estado e mais sociedade? Ou será a sociedade menos capaz do que o estado na superação das desigualdades?  
      Mas se até aqui o poder de estado tem produzido pouco e mal, que novo modelo de estado seria este? Ou é o caso de um novo modelo de sociedade? Vá pensando,  as eleições estão próximas. Ou vamos adiar novamente?

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