Artigo, Fernando Fukassawa - Código de Conduta: juízes precisam disso?

Fernando Fukassawa é advogado, professor de direito e promotor de Justiça aposentado.

Este artigo é publicação do Diário da Região.

 A sociedade, acompanhada da resignada comunidade jurídica, cansou de escândalos, de notas tortas tentando endireitar linhas de conduta, e de contemplar o milagre da multiplicação patrimonial de familiares cúmplices que, dotados de um DNA empreendedor divinal, faturam cifras que fariam o Vale do Silício parecer um bazar beneficente. O desgaste chegou a tal ponto que o Presidente do STF teve uma ideia que beira o gênio: criar um Código de Conduta, como se o problema fosse a ausência de normas - e não a completa indiferença em relação a elas. A proposta é de uma fofura institucional comovente.

No Brasil, o anúncio de um "novo código" é recebido com o entusiasmo de quem encontrou a cura para todos os males. Adoramos legislar. Sofremos de "inflação legislativa", como designada pelo influente jurista Francesco Carnelutti há seis décadas. Se norma resolvesse caráter, o Brasil seria uma Suíça tropical de toga. Verdade seja dita: não falta código; falta vergonha institucional. É abundância de cinismo, mesmo.

A Constituição já pede "reputação ilibada". Do latim illibatus: intacto, puro, sem manchas, para referir a alguém irrepreensível. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional manda manter conduta ilibada na vida pública e privada - o que implica, no mínimo, não transformar a vida privada em problema público. O Código de Ética da Magistratura ainda se dá ao trabalho de explicar que o juiz não pode aceitar favores que comprometam sua independência. Tudo muito didático, porém solenemente ignorado quando conveniente. Assim, a questão não é falta de norma, e sim de efetividade. Criar mais um código para quem já descumpre os existentes é como pendurar uma placa de "proibido lanchar galinhas" no meio do galinheiro... depois que a raposa foi eleita síndica.

Um juiz não precisa de código de conduta; o comportamento ético não é acessório do cargo - é pressuposto. Se isso fosse necessário para lembrá-lo que não deve confraternizar criando laços de generosa camaradagem com quem vai julgar amanhã, talvez a indicação seja um curso de alfabetização moral, ritual de purificação - ou de uma nova profissão. Reputação ilibada não é um conceito místico nem uma concessão política: é o mínimo exigível de quem julga os outros.

Magistrados não são burocratas de carimbo. Decidem sobre liberdade, patrimônio, honra, direitos fundamentais. Se qualquer cidadão comum é capaz de distinguir o certo do errado, espera-se que sobretudo um ministro do STF consiga ir um pouco além dessa linha básica de humanidade. Ou pelo menos não tropece nela repetidamente.

Como chegamos a esse estado de degradação institucional? Simples. Criamos um sistema de "freios e contrapesos" que mais parece um jogo de comadres: um indica, o outro homologa, o terceiro protege e todos jantam juntos para celebrar a harmonia entre os Poderes. É tudo juridicamente perfeito. Pergunta-se: é sustentável que o Presidente da República nomeie ministros do STF e o Procurador-Geral da República, todos responsáveis, em tese, por julgá-lo ou denunciá-lo? Juridicamente é. Moralmente, é uma piada pronta.

A simples suspeita séria já bastaria para afastar uma autoridade. Escândalos não se administram com nota oficial nem coletiva de imprensa. Há valores maiores que o cargo, o salário e o foro privilegiado. Honestidade não é opcional, mas virou um item de luxo. Um novo Código de Conduta seria apenas o papel de presente para uma instituição que esqueceu sua essência. 

O STF precisa apenas lembrar que, para não ser chamado de galinheiro, o primeiro passo é parar de cacarejar para a plateia e começar a agir como quem realmente honra o peso da seda que carrega nos ombros.

 Link desta publicação:

https://www.diariodaregiao.com.br/opiniao-e-colunas/olhar-360/codigo-de-conduta:-juizes-precisam-disso.1769474962464


 festa de brasileiros na bolsa; entenda a queda do Ibovespa hoje — Foto: GettyImages


Os estrangeiros foram os responsáveis pela renovação do recorde do Ibovespa oito vezes só neste ano. Eram anfitriões na casa dos outros.


Mas justamente eles, que incitaram a euforia, interromperam a festa nesta quinta-feira (29). Justamente quando os brasileiros resolveram embarcar na folia.


O Ibovespa recuou 0,84% a 183.134 pontos. Nesta semana, o índice já se valorizou 2,4% e, no ano, está com ganho acumulado em 13,66%.

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As ações iniciaram o dia embarcadas na surpresa com a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) de iniciar os cortes na Selic em março.


Foi mantido o tom precavido de costume da autoridade monetária, mas ainda assim o comitê conseguiu surpreender uma boa parte dos agentes de mercado. Nem essa tímida mudança de postura eles esperavam encontrar no comunicado de ontem.


A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saiu de 13,53% para 13,48% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.

No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2029 oscilaram de 12,79% para 12,69% ao ano.

Já para janeiro de 2036, a taxa oscilou de 13,34% para 13,31%. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo.


Nessa toada, o Ibovespa conseguiu renovar a máxima intradiária durante a manhã, numa alta de quase 1% que levou o índice aos 186.450 pontos pela primeira vez na história.


O giro financeiro do Ibovespa foi de R$ 28,3 bilhões nesta sessão, 70% acima da média diária dos últimos 12 meses, de R$ 16,7 bilhões.



O clima virou após a abertura dos portões em Nova York. Frustrados pelos balanços das grandes empresas de tecnologia - queridinhas das bolsas americanas -, os estrangeiros contaminaram a bolsa brasileira com seu azedume.


"O recorde intradiário esteve ligado ao movimento de incorporação do cenário local [de queda da Selic em março] nos contratos futuros de juros. Já a virada teve relação com a aversão ao risco no exterior, além de uma realização natural depois do forte movimento comprador no mês", resume Jose Áureo Viana, sócio da Blue3 Investimentos.


O gringos basicamente abandonaram hoje a festa que eles mesmos deram início e que vinham curtindo nos últimos dias no mercado brasileiro.


O dólar à vista recuou 0,22%, praticamente em linha com o movimento da moeda no ambiente externo, a R$ 5,19, cotação mais baixa desde 28 de maio de 2024. Nesta semana, acumula perda de 1,75% e, no ano, a divisa americana acumula perda de 5,37% no mercado local.