Dica do editor - Saiba por que RFK Jr e seu entorno não querem vacinar seus filhos

O mais novo conselheiro do secretário de Estado da Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr. (RFK Jr.) fez a declaração de que seus netos não receberão nenhuma vacina se depender dele. A citação reflete as visões gerais de membros e conselheiros do círculo de RFK Jr., que é o atual secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA no governo Trump. 

As políticas e visões de RFK Jr. sobre vacinas têm sido um tópico de intenso debate: 

Mudanças nas Recomendações de Vacinas: Em janeiro de 2026, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), sob a liderança de RFK Jr., ajustou o cronograma de vacinação infantil dos EUA, reduzindo o número de vacinas universalmente recomendadas de 17 para 11. Vacinas para rotavírus, COVID-19, gripe, meningite, hepatite A e hepatite B passaram a ser recomendadas apenas para crianças de alto risco ou por meio de "tomada de decisão clínica compartilhada".

Posicionamentos Públicos: Durante as audiências de confirmação em 2025, Kennedy negou ser "antivacina", mas questionou a segurança e a eficácia de certas vacinas e a influência da indústria farmacêutica nas agências de saúde.

Críticas e Consequências: Especialistas em saúde pública criticaram as mudanças e declarações, alertando que a redução nas taxas de vacinação pode levar ao ressurgimento de doenças infecciosas que antes estavam controladas. 

A declaração mencionada ("Meus netos não receberão nenhuma vacina se depender de mim") está alinhada com as preocupações mais amplas sobre a segurança das vacinas expressas por indivíduos no círculo de influência de RFK Jr. e ilustra o ceticismo em relação ao cronograma de vacinação tradicionalmente recomendado pelas autoridades de saúde dos EUA.

Enquanto a Geração Z luta para entrar no mercado de trabalho, os baby boomers permanecem por perto.

A Geração Z enfrenta um mercado de trabalho competitivo e com menos oportunidades de nível inicial, enquanto muitos baby boomers permanecem na força de trabalho, criando um "engarrafamento" na progressão de carreira. 

Desafios para a Geração Z

A Geração Z (nascidos a partir de 1997) enfrenta dificuldades únicas ao entrar no mercado de trabalho: 

Declínio de Vagas de Nível Inicial: A nível global, as publicações de empregos para posições de nível inicial caíram significativamente, aumentando a competição. A automação e a inteligência artificial (IA) também estão substituindo tarefas que antes eram realizadas por funcionários iniciantes.

Expectativas Econômicas: Diferentemente dos baby boomers, que entraram em um período de crescimento econômico robusto, a Geração Z enfrenta custos crescentes de moradia, dívidas estudantis e incerteza econômica, o que torna a estabilidade financeira mais difícil de alcançar.

Diferenças de Valores: A Geração Z prioriza a saúde mental, o bem-estar e a flexibilidade, e busca um senso de propósito no trabalho, o que pode entrar em conflito com as expectativas de gerações anteriores sobre lealdade e longas horas de trabalho.

Falta de Confiança/Experiência: Muitos jovens sentem que sua educação não os preparou adequadamente para o mercado de trabalho ou carecem de confiança para encontrar um emprego ideal, levando a uma alta rotatividade de empregos no início da carreira. 

Permanência dos Baby Boomers

Os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) continuam a trabalhar por uma combinação de fatores: 

Insegurança Financeira: Muitos não possuem poupanças suficientes ou pensões de benefício definido, que eram mais comuns no passado, e precisam continuar trabalhando para cobrir despesas crescentes, como custos de saúde.

Propósito e Identidade: Para alguns, o trabalho oferece um senso de propósito, engajamento social e satisfação pessoal que desejam manter.

Melhores Condições de Saúde: Avanços na medicina e empregos menos exigentes fisicamente permitem que as pessoas mais velhas permaneçam saudáveis e ativas na força de trabalho por mais tempo. 

Impacto Intergeracional

A permanência dos boomers contribui para um "engarrafamento" na progressão de carreira, pois as posições de liderança ficam ocupadas por mais tempo, limitando as promoções para os mais jovens. Isso, combinado com a redução de vagas de nível inicial, cria um cenário desafiador para a Geração Z, que muitas vezes recorre a "trabalhos paralelos" (side hustles) para diversificar a renda e ganhar experiência. 

Apesar dos desafios, a presença de múltiplas gerações no local de trabalho também oferece oportunidades valiosas para a mentoria e a troca de conhecimentos e habilidades entre os grupos etários.

25,4% das famílias gaúchas estavam endividadas no mès de dezembro, mostra pesquisa da Fecomércio-RS

 A pesquisa mostra estabilidade geral no quadro de endividamento e inadimplência, mas comprometimento da renda com dívidas alcança o maior percentual desde novembro de 2019

A Fecomércio-RS divulgou os resultados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), da CNC, referentes a dezembro de 2025 e os dados indicam que 85,0% das famílias estavam endividadas, percentual estável em relação a novembro (85,0%) e inferior ao observado no mesmo mês de 2024 (90,8%). 

Os dados foram coletados em Porto Alegre nos últimos dez dias de novembro. 

A pesquisa considera apenas dívidas ligadas à tomada de crédito — como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos — não incluindo contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia. 

O levantamento indica que o percentual de famílias com contas em atraso foi de 25,4% em dezembro de 2025, muito semelhante ao verificado em nov/25 (25,5%). Quanto à inadimplência por faixa de renda, observa-se que a maior dificuldade de manter as contas em dia segue concentrada entre as famílias com renda de até 10 salários-mínimos, cujo percentual passou de 31,5% em novembro de 2025 para 31,6% em dezembro de 2025, mas bastante abaixo do observado em dezembro de 2024 (39,9%). Já entre as famílias com renda superior a 10 salários-mínimos, o indicador apresentou segundo recuo consecutivo, diminuindo de 5,7% para 4,7%, também inferior ao registrado em dezembro de 2024 (14,2%). O percentual de famílias que declararam não ter condições de regularizar nenhuma parte das dívidas em atraso, apesar de ter apresentado uma variação de apenas -0,1 p.p., ao recuar para 1,2%, alcançou o menor patamar da série histórica.

Quando se trata de endividamento e inadimplência, um dos indicadores mais relevantes de ser observado é a parcela de renda comprometida com dívidas. Esse indicador tem apresentado altas marginais consecutivas a 14 meses, fazendo com que o mesmo alcance o maior valor (29,5%) desde outubro de 2019. Para o grupo de famílias com renda de até 10 salários-mínimos, o comprometimento da renda está em 29,9% em dezembro de 2025, enquanto para a faixa de maior renda está em 27,6%. Esse comportamento altista do comprometimento da renda com dívidas é compatível com outros indicadores que, diferentemente dos da PEIC que toma por base a percepção dos indivíduos, mede de fato valores a partir de dados econômico-financeiros. 

“Embora os dados da PEIC não indiquem um quadro de endividamento descontrolado, a parcela da renda comprometida com dívidas avançou para 29,5%, o maior percentual registrado em 2025 e o maior desde novembro de 2019. Essa conjuntura, além de aumentar riscos de inadimplência, limita a capacidade de consumo, especialmente daquelas famílias com orçamentos mais limitados, com impactos relevantes na dinâmica do comércio e dos serviços voltados às famílias”, avaliou Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP. Confira os dados completos e a análise econômica.



Dica do editor - Moinhos usa IA para identificar carótidas com maior risco de AVC

Especialistas do Hospital Moinhos de Vento apontam uma importante mudança na forma de prevenir e tratar o acidente vascular cerebral

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Ele ocorre quando o fluxo de sangue para o cérebro é interrompido, em 20% das  vezes por um coágulo que se desprende de uma placa de gordura na artéria carótida. Com foco na inovação e na pesquisa clínica como avanço da medicina, um novo estudo conduzido no Hospital Moinhos de Vento aponta uma mudança importante na forma de prevenir e tratar o AVC.

Com uso de inteligência artificial e angiotomografia computadorizada (angio-TC), pesquisadores buscam identificar quais placas de gordura nas artérias do pescoço, as carótidas, têm maior risco de se romper e causar um AVC. Até pouco tempo, o risco era avaliado apenas pelo grau de entupimento da artéria. Agora, o foco passa a ser a composição da placa — se ela é mais “macia” (rica em gordura) ou mais “dura” (com predomínio de tecido fibroso ou cálcio).

O projeto de pesquisa teve início em janeiro de 2025 e visa analisar cerca de 100 pacientes que realizaram angiotomografia por suspeita de AVC. As imagens estão sendo reprocessadas com o módulo CT Plaque Analysis, e os resultados finais devem ser apresentados no primeiro semestre de 2026. Além de avaliar a composição das placas, o grupo analisa a relação entre o volume de gordura e o de tecido fibroso, criando um índice de vulnerabilidade que pode prever o risco de embolização cerebral.

Durante a pesquisa, pela primeira vez, a imagem gerada pela IA foi usada para escolher o tipo de stent implantado durante o procedimento. Os achados foram confirmados em tempo real por ultrassom intravascular (IVUS), um exame feito dentro da artéria que permite enxergar a parede do vaso por dentro, comprovando a precisão da análise automatizada. “Nem sempre a artéria mais estreita é a mais perigosa. Às vezes, uma placa menor, mas instável, pode se romper e causar um AVC”, explica o cirurgião vascular, Alexandre Araújo Pereira, idealizador do estudo. 

 Os pesquisadores usaram um software de análise de imagem desenvolvido pela Siemens Healthineers, que aplica algoritmos de IA para identificar automaticamente o tipo de tecido dentro da placa — gordura, fibra ou cálcio — com base nos diferentes tons captados pela tomografia. O sistema gera uma imagem colorida e tridimensional da artéria, destacando as áreas de maior vulnerabilidade, que são analisadas pela residente em radiologia Gabriela Carboni e pelo chefe do Serviço de Radiologia do Hospital Moinhos de Vento, Henrique Guerra. A ideia do estudo é inicialmente descrever a característica das placas para que futuramente o protocolo possa ser usado na prática clínica.

Em um estudo piloto derivado do principal, os dados gerados pelo software foram utilizados para escolher o tipo ideal de stent para um paciente de 72 anos que havia sofrido um AVC recente. O algoritmo que analisa milhares de características da placa não visíveis a olho nu, potencialmente escolhendo o modelo e a estrutura mais adequados de acordo com o comportamento previsto da placa. Durante o procedimento, o uso do IVUS confirmou a correspondência entre o que a IA havia identificado e o que se observava na realidade da artéria, validando o método de forma inédita.

As análises preliminares sugerem que placas com maior proporção de núcleo lipídico e superfície irregular estão fortemente associadas à instabilidade. A novidade está em transformar essas informações em ferramentas práticas de decisão clínica — tanto para indicar o tratamento quanto para definir como ele será feito.

“É um passo além da previsão de risco. Agora conseguimos usar a própria imagem gerada pela IA para guiar a estratégia terapêutica, personalizando o tratamento para cada paciente”, destaca Pereira. Com essa tecnologia, será possível prever o risco de AVC antes que ele aconteça e, quando o tratamento for necessário, escolher o dispositivo mais seguro para cada tipo de placa. 

Segundo o coordenador do estudo, na prática, isso significa menos complicações, menos embolizações cerebrais durante os procedimentos e tratamentos mais direcionados. “O uso combinado de IA e ultrassom intravascular representa um novo paradigma na medicina vascular, unindo diagnóstico avançado e personalização terapêutica em um mesmo fluxo de cuidado”, complementa o pesquisador. 

Para a chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, Sheila Martins, este tipo de pesquisa mostra o poder da integração entre tecnologia e a pesquisa clínica. “Ao usarmos a inteligência artificial para entender melhor o comportamento das placas nas carótidas, que podem causar AVCs graves, conseguimos prever e evitar o acidente antes que ele aconteça. É um exemplo concreto de como a inovação pode transformar a prevenção e o tratamento”, finaliza.