Artigo, Gilberto Jasper - Brasil, uma vergonha diária

Gilberto Jasper é jornalista, Porto Alegre.

          Cada vez que um amigo “estreia” na condição de pai, repito a mesma frase:

- Não adianta falar, instruir e orientar. Tu sempre serás o melhor exemplo, o espelho dos filhos.

     Esta lógica também se aplica no cotidiano de todo cidadão. Desde c-do aprendemos a seguir as leis, respeitar a hierarquia e obedecer às autoridades. Mas cá entre nós: que tipo de exemplo vemos todos os dias no rádio, na televisão e através da internet?

     O Supremo Tribunal Federal (STF) que deveria ser integrado por pessoas acima de qualquer suspeita, ilibadas e de notório saber jurídico não cansa causar espanto.     Até o escândalo do Banco Master – o maior da história entre tantos roubos, sacanagens e desvios – tivemos um ministro que decide sobre absolutamente tudo e todos. Inclusive sobre temas que sequer deveri-am ser tratados naquele tribunal.

     Tanto poder concentrado na mão de um único ministro causa inúmeros prejuízos para a democracia. O Senado detém o poder constitucional de fiscalizar e coibir abusos. Ocorre que inúmeros senadores são réus em ações que tramitam no STF. E todos sabem que basta um único movimento que desagrade os ministros da “mais alta corte do país” para que os processos envolvendo parlamentares sejam desengavetados e com decisões previsíveis.

       O escândalo de proporções gigantescas que envolve um banco é um barril de pólvora. Há inúmeros “bombeiros” tentando apagar o incêndio de consequências imprevisíveis. Há cabeças coroadas dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – envolvidas até o pescoço com a falcatrua bilionária. E novamente um único ministro detém o poder de concentrar informações, impor sigilo e agir sem dar satisfações.

     Volto ao tema inicial: com que moral se exige de cidadãos comuns a adoção de um comportamento ético? Como bilhões foram desviados, inclusive para fora do país, sem que os órgãos de controle e fiscalização notassem?

     Revolta constatar que basta esquecer um comprovante do médico ou dentista na declaração do Imposto de Renda para ser flagrado pela malha fina. Mas como estes “graúdos de Brasília” desviaram bilhões sem alarde?

     Na minha infância, o desafio dos pais era manter os filhos longe de pornografia e drogas. Hoje é fundamental manter a gurizada longe do noticiário. Quem deveria ser exemplo envergonha o cidadão comum que, através de impostos cada vez mais injustos (vide reforma tributária), sustenta quadrilhas Brasil afora. 

      Uma vergonha!

Artigo, especial - Vai ter Bolsonaro na urna

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano.

Não teve jeito: Tarcísio de Freitas engoliu o orgulho e recuou. A visita a Jair Bol sonaro foi remarcada para a próxima quinta-feira, dia 29. A postagem do anún cio veio carregada: "total apoio e solidariedade" ao ex-presidente, "a quem sou e serei grato e leal". Na tentativa de não deixar dúvidas: "Sou pré-candidato à ree leição do governo de São Paulo" e "vou trabalhar por uma direita unida e forte contra a esquerda". A vitimização de "cansado de levar rasteiras" — semeada por aliados na imprensa — não colou. A pressão da base bolsonarista, como sempre, foi forte. A indignação com a agenda divulgada, que não previa nada relevante para justificar o cance lamento, somada às notícias sobre encontros com a Faria Lima, empresários e marketeiros, aumentou a revolta. Quem plantou isso na imprensa já deveria saber que a estratégia de dobrar a aposta não funcionaria. Mas não foi só pressão das redes que forçou o recuo. A realidade dos números de pesquisas pesou bastante, ainda mais com o histórico de sempre jogar o nome Bolsonaro para baixo. No dia da desistência, a AtlasIntel já mostrava Flávio colado em Lula no 2º turno e mais competitivo que o governador. A pesquisa divulgada no dia seguinte trouxe a pá de cal: a Apex/Futura coloca Flávio vencendo Lula no 2º turno com vantagem de 6,2 pontos, fora da margem de erro. No 1º turno amplia do, Flávio lidera ou empata tecnicamente com Lula em vários cenários. O universo paralelo do trade T desmoronou. Nas redes desses perfis, o show foi de desespero: alguns ainda insistiram na estratégia de dobrar a aposta ("Calma, Flávio vai desistir até o fim de fevereiro"), outros se revoltaram e houve até as já esperadas confissões dos conhecidos isentões: "Não voto em Flávio se Tarcísio fi car fora" e, por fim, a resignação. Ficou bem claro que para determinados grupos nunca foi pelo Brasil — era agenda própria, interesses pessoais. Nada de novo. Quem também vai precisar recalibrar a estratégia é o consórcio PT/imprensa, que plantou incansavelmente a ideia de que Tarcísio é o adversário mais difícil, o mo derado palatável, o que furaria a polarização. Mas uma análise fria desmonta a farsa: se Flávio fosse um adversário "tão fácil", por que o desespero coordenado para desqualificá-lo, enfraquecer a direita e forçar rachas internos? Por que tanto suor para tirá-lo do jogo se era moleza? Simples: eles temem Flávio de verdade. Temem o sobrenome, o eleitorado fiel que não negocia e multiplica votos com um discurso que não muda ao sopro do vento ou de interesses pessoais. Dias atrás, Lula, perguntado sobre qual recado mandaria a Flávio, pediu que ele "não desis tisse". Era parte do joguinho cínico — fingir desprezo enquanto suam frio. O establishment começa a perder o sono. Flávio consolidando-se como o can didato da direita, unificando a base raiz — isso sim ameaça a narrativa de "Lula inevitável". Na cabeça deles, um "moderado" poderia ser contido com acordos; Flávio representa a volta de um modelo que deixou traumas em quem está acos tumado a se servir do Brasil. A direita unida que Tarcísio agora promete colocar seus esforços — espera-se que sem novos recuos — vai atrapalhar cada vez mais a estratégia de quem dava o jogo como jogado, duvidava do real engajamento ou diminuía o poder do nome Bolsonaro na urna. No fundo, eles sabem que 2018 pode se repetir