Artigo, Karina Michelin - O resort do Toffoli

Karina Michelin é jornalista e este artigo está no seu X de hoje.

O jornalista Sam Pancher e a repórter Valentina Moreira, do Metrópoles, foram ao norte do Paraná nos últimos dias para investigar os negócios da família do ministro Dias Toffoli na região do Resort Tayayá - um empreendimento de luxo que mistura marina, campo de golfe, condomínio fechado e até um cassino com máquinas de aposta.


O que encontraram no local é sugestivo: funcionários tratam Toffoli como o “dono de fato” do resort, apesar do imóvel ter sido vendido a um advogado ligado à J&F - o mesmo grupo que protagonizou alguns dos episódios mais controversos da Lava Jato e de acordos de delação que foram posteriormente anulados pelo STF.


Fontes locais afirmam que o ministro mantém casa no complexo e segue frequentando o local, mesmo após a transação da suposta venda. No papel, o negócio mudou de mãos; mas no cotidiano, nada parece ter mudado.


Relações de poder, favores cruzados, negócios privados e influência institucional - tudo sob o guarda-chuva de um Supremo que nos últimos anos concentrou poder político, derrubou investigações, reverteu sentenças e foi protagonista de crises que alteraram o equilíbrio entre os poderes e a morte da democracia. 


O silêncio institucional em torno do Resort Tayayá protege uma operação difícil de ignorar. Um fundo que comprou cerca de R$ 20 milhões em ações ligadas ao empreendimento associado à família de Dias Toffoli foi encerrado e, ao final, R$ 33 milhões apareceram numa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas.


Para quem acompanha o caso, isso parece apenas a ponta do iceberg. A dúvida que se impõe não é só financeira, é estrutural: por que tanto sigilo? E como esse circuito se conecta ao Banco Master, às relações com a J&F e às zonas de poder que envolvem Toffoli e Alexandre de Moraes?


O que está sendo protegido - e por quem?

Moraes libera Tarcísio para visitar Bolsonaro

 A visita do governador Tarcísio Gomes de Freitas, amanhã, na Papudinha, será o primeiro encontro Tarcísio e Bolsonaro neste ano. Ambos estiveram juntos pela última vez em setembro do ano passado, quando o ex-presidente se encontrava em prisão domiciliar. Desde então, o antigo mandatário lançou seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como pré-candidato à Presidência em seu lugar. A expectativa agora é que Bolsonaro e Tarcísio rediscutam o cenário eleitoral após o movimento da família Bolsonaro.

O governador do maior Estado do Brasil só poderá visitar Bolsonaro porque foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes. Moraes é, agora, o carcereiro de Bolsonaro, depois de ter sido chefe de polícia, líder da promotoria e julgador, tudo no âmbito de um processo viciado do começo ao fim.

Moraes autorizou o encontro para a próxima quinta-feira (11), com duração de até três horas, entre as 8h e as 11h, conforme as regras da Papudinha.

Todas as visitas a Bolsonaro dependem de autorização de Moraes, que foi relator da ação em que o ex-presidente foi condenado pelo Supremo. As exceções são advogados, médicos e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que foram autorizados a se reunir com o ex-presidente sempre que necessário, de acordo com os horários da unidade prisional.

Petrobrás contrata R$ 2,8 bilhões de novos navios em Rio Grande

 A Petrobrás assinou, ontem, em Rio Grande 5 contratos para a construção de cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças. Ao todo, o investimento será de R$ 2,8 bilhões, com potencial de geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.

As embarcações foram encomendadas e serão operadas pela Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pela logística do transporte de petróleo e derivados. Elas serão construídas em estaleiros de três estados. No Rio Grande do Sul, o estaleiro Rio Grande Ecovix será responsável pela obra dos gaseiros, no valor total de R$ 2,2 bilhões. Esse tipo de navio é projetado para armazenar e transportar gases liquefeitos, como o GLP, usado diariamente por milhões de consumidores no país. A primeira entrega está prevista para daqui a 33 meses, com as entregas seguintes ocorrendo a cada semestre.

No Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus, construirá as 18 barcaças, fortalecendo o modal de navegação no interior da Transpetro. Essas embarcações são utilizadas no transporte de grandes volumes de carga em contêineres. O valor do investimento chega a R$ 295 milhões.

Em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, em Navegantes, vai construir os 18 empurradores, que são embarcações a propulsão utilizadas na movimentação de barcaças. O custo total será de R$ 325 milhões.

Com as embarcações, de acordo com a Petrobras, a frota de gaseiros da Transpetro irá subir de seis para 14, triplicando a atual capacidade de transporte de GLP e derivados. O objetivo, segundo a empresa, é reduzir a dependência do afretamento desse tipo de navios. Os novos gaseiros, informou a estatal, serão até 20% mais eficientes no consumo de energia, reduzirão as emissões de gases de efeito estufa em 30% e poderão operar em portos eletrificados. "Isso significa que serão top em tecnologia embarcada", afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante o evento.


CMPC ganha área para terminal

  A CPMPC Celulose, maior empresa do gênero no RS, com sede em Guaíba, recebeu, ontem, a concessão de uma área no Porto do Rio Grande para a implantação de um terminal portuário que exigirá investimento de R$ 1,5 bilhão. O terminal integra um empreendimento que inclui a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro com aporte total superior a R$ 27 bilhões — o maior investimento privado já anunciado no Rio Grande do Sul. A estrutura portuária é considerada peça fundamental para o escoamento da produção da futura planta industrial. Serão 2 mil empregos em Rio Grande e 6 mil na Barra do Ribeiro.

A área era da Ecovix e estava desativada desde 2014, desde o escândalo da Lava Jato, protagonizada pelos governos do PT

O futuro terminal inclui dois berços de atracação para navios, dois berços para barcaças e um armazém com capacidade estática de 194 mil toneladas de celulose, ampliando sensivelmente a capacidade logística do Porto de Rio Grande. Na fase de implantação, a expectativa é gerar mais de 1,2 mil empregos; já em operação, estima-se cerca de 450 empregos diretos e mais de 2,1 mil indiretos, envolvendo trabalhadores avulsos e caminhoneiros. Além de empregos e renda, o projeto consolida o Estado como polo de desenvolvimento e logística, ampliando sua relevância no cenário nacional e internacional.