Este artigo foi publicado originalmente no Jornal do Comércio, Porto Alegre.
João Satt – estrategista e CEO do Grupo G5
O desafio começa em separar o “joio do trigo”, distinguindo a verdade da realidade. “A verdade e a realidade são coisas diferentes, porque, por mais verdadeira que seja uma explicação, ela nunca conseguirá representar a realidade em todos os seus aspectos”.
No ambiente corporativo, a verdade trazida por um diretor, ou até mesmo apresentada por um conselheiro, pode levar a empresa a canonizar ou execrar um profissional ou parceiro estratégico. O “estado de medo” é o que move os seres humanos, isso é fato. Diferentes causas – vírus com alto índice de contágio, sensação de falência, impotência para atender às expectativas de crescimento – são apenas alguns exemplos que nos aceleram a agir. Agora, vamos um pouco mais fundo. Vem comigo, pensa e me responde: o que é a verdade entre tantos gritos, descontrole e interesses velados?
O que mais me assusta nesse cenário é observar o grande formigueiro, enfim: nossa sociedade, em intensa atividade, muitas vezes absolutamente desconectada da realidade. Estamos dentro de uma nova epidemia de alto risco, onde o vírus é a desinformação.
Urge criar um vigoroso movimento que produza conexão e ignição social, tendo como compromisso apresentar uma proposta que dialogue com a realidade – isto é, fora da bolha. Imparcial sob todos os aspectos, sendo conduzida pelas forças e lideranças representativas dos diferentes segmentos da sociedade, dando voz para quem está́ na ponta produzindo, comercializando, fazendo a economia girar. Sem uma radiografia das dores e necessidades setoriais, a possibilidade de construir um programa efetivo é mínima. Considerando experiências já́ vivenciadas enquanto estrategista de vários movimentos, entre eles o do Combate ao Colapso Econômico e Social, em 2020, sugiro especial atenção em:
1. desidratar e desencorajar o debate ideológico;
2. valorizar soluções pertinentes e viáveis;
3. buscar convergência antes de formular o conjunto de estratégias.
Aceitar e buscar a realidade é duro e dói. No entanto, é a única forma de sair do negacionismo e fazer acontecer o que precisa ser feito.