Artigo, Fernando Schuller - Nos tornamos uma sociedade do medo?

Fernando Schüler - Artigo publicado no Estadão

Vai-se consolidando a ideia de que temos por aqui um tipo de poder imensamente personalista e imune a qualquer suspeita

"Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando instituições", diz o ministro Toffoli em seu discurso, no STF, contra o relatório do senador Alessandro Vieira. A frase funciona como uma síntese do transe político brasileiro, dos últimos anos.

O roteiro é conhecido: denunciar condutas dos ministros equivale a um ataque ao Tribunal, como "instituição". E logo, uma agressão à própria democracia. O ministro também afirma que "sabe" por que o senador fez aquele relatório: uma "aventura para obter votos". E daí a ponte para o crime eleitoral. O desfecho semanal do caso todos conhecem. O senador passou ele mesmo à condição de investigado. E a partir daí seu futuro político é incerto.

Observem que há um padrão, nisso tudo. O ministro Toffoli foi o mesmo que abriu o inquérito sobre fake news, no início de 2019. Alguém lembra do motivo? Não havia nada em especial. Eram os mesmíssimos "ataques" aos integrantes do Tribunal, cuja conduta - seja ela qual for - passa sem muitas sutilezas a se confundir com a "instituição", e logo com a "democracia".

O primeiro ato é a censura da Revista Crusoé. Se há realmente um risco às instituições, o que deveria impedir a censura a uma revista? Por vezes me pergunto se teríamos chegado ao ponto em que chegamos se, ao invés de censurar aquela investigação jornalística, tivéssemos feito o contrário. Levado a sério. Ido adiante. Investigado, de fato, o que havia para investigar. Em uma democracia, é assim que funciona.

O jornalismo produz pistas, mas não dispõe de poder. Se a máquina do Estado não se move, é provável que muita coisa vai se acumulando debaixo

de um enorme tapete. E por vezes é a imagem que me surge, quando penso no Brasil de hoje.

Depois daquele episódio, o padrão se fixou. Foram anos de censura e coisas piores a quem praticasse qualquer modalidade de "ataque" ao Tribunal ou a seus integrantes Na maior parte das vezes, coisas bizarras. O ativista que aponta o dedo médio para o prédio do Supremo (não é piada), o PCO, pequeno partido comunista, com seu tuíte que (quase) ninguém leu, dizendo alguma coisa sobre o STF que ninguém se lembra; a família de turistas que diz algum impropério em um tom mais elevado, em um aeroporto europeu.

O padrão se seguiu com o caso Tagliaferro. Sua crítica não era feita de xingamentos ou palavrões. Era uma denúncia sobre um sistema de abuso de poder. Alvos pré-definidos (como aquela "revista conservadora"), produção de provas, perseguição de pessoas por suas opiniões políticas, quebra do devido processo legal.

Tagliaferro era um funcionário público e trabalhou no núcleo do poder. Suas denúncias têm fundamento? Não há como saber. Ao invés de investigar, é o denunciante que é convertido em réu. Novamente, o "padrão". O sistema de poder se fecha, rechaça - com uma nota - qualquer responsabilidade. Se volta contra o elemento "crítico". E de novo me pergunto se não estaríamos melhor caso tivéssemos levado à sério, investigado com isenção aquelas denúncias, ao invés de empurrar para debaixo do tapete. E mais uma vez, não encontro uma boa resposta.

O padrão, por estes tempos, segue intacto. Um jornalista ou blogueiro, no Maranhão, arrisca investigar um carro usado pelo ministro e termina na Polícia Federal. Mesmo destino do presidente da Unafisco. Sua crítica de que há mais medo de se investigar certas autoridades do que o crime organizado deveria preocupar o País. Mas ela era um "ataque", não é mesmo? E era crucial, para nossa democracia, que ele também terminasse de bico fechado.

Tudo isso para dizer que não há grande novidade neste processo que agora se abre contra o senador Alessandro Vieira. Ele se converte, na prática, em nosso novo Tagliaferro. Ao sugerir uma investigação dos "de cima", torna-se ele mesmo o "investigado". E por aí seguimos.

Uma sociedade democrática vive da controvérsia e do risco. A imunidade parlamentar, em especial, é um tipo de licença que a Constituição garante inclusive para o "erro". Pela razão simples de que sem a possibilidade do erro, não há tomada de risco. O senador pode estar errado em seu relatório. Em uma democracia, haverá sempre uma divergência sobre temas como este. Mas é seu direito, sua função e sua prerrogativa dizer o que pensa, em um relatório. Sem isso, não há parlamento que possa funcionar.

Se um senador é punido por uma opinião, em um relatório, a pergunta correta a fazer: qual o efeito inibidor que isto tem sobre os demais parlamentares? É o mesmo padrão que se viu na censura a Cleber Cabral: qual o efeito sobre os demais líderes associativos? E sobre o "blogueiro" do Maranhão: que impacto sobre os demais jornalistas independentes, que pensam em arriscar alguma investigação?

O resultado disso é a criação de uma sociedade do medo. No fundo, é este o problema com o "padrão". Ele irradia um efeito inibidor, na sociedade. E vai consolidando a ideia de que temos por aqui um tipo de poder imensamente personalista e imune a qualquer suspeita. A qualquer hipótese de investigação. De um modo mais amplo, imune ao sistema de freios e contrapesos, que define a alma da vida republicana.


Link deste artigo:

https://www.estadao.com.br/politica/fernando-schuler/nos-tornamos-uma-sociedade-do-medo/


Artigo, Zero Hora, Eugênio Esber - O primeiro delator

Neste artigo, intitulado "O primeiro delator", o jornalista Eugênio Esber diz, hoje, na edição de fim de semana de Zero Hora, que o acordo fechado com empresário apontado no caso do escândalo do INSS, tende a acelerar revelações sobre a engrenagem de fraudes no instituto.

Leia tudo.

Tão estonteante é a sequência de escândalos no Brasil que alguns deles conseguem trafegar por baixo dos radares da atenção pública. É o caso da Farra do INSS, que surrupiou mais de R$ 6,3 bilhões de aposentados, pensionistas e brasileiros vulneráveis. Na semana passada, enquanto o Brasil queria saber de detalhes picantes do "Vale-Suicinha", que Daniel Vorcaro ofereceu a alguns VIPs que foram prestigiar sua festa londrina em homenagem a Alexandre de Moraes, uma informação fundamental veio a público sem maior impacto no noticiário.

O empresário Maurício Camisotti concluiu acordo de delação em que se compromete a apontar, com provas, os demais implicados no esquema que enriqueceu malandros e oportunistas com acesso aos cofres da Previdência. A delação de Camisotti importa em si, por ser a primeira do caso, e também pela indução que exerce sobre um outro ator fundamental, até agora hesitante: o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Afinal, se esperar mais para contar tudo que fez e tudo que sabe, "Careca" verá reduzido seu poder de barganha com a Justiça porque não terá muito a acrescentar ao que a Polícia já tiver apurado com Camisotti.

Ambos são figuras centrais na sórdida teia de transações que desviou o contadíssimo dinheiro de aposentados e pensionistas, mês a mês, por anos a fio - com um súbito e brutal crescimento da roubalheira a partir de 2023, quando começa o terceiro mandato de Lula e se abre uma janela de oportunidade para sindicalistas com pouco escrúpulo e muita volúpia, sedentos após o desmame forçado do imposto sindical, abolido na gestão Temer. A "Farra do INSS" já derrubou, de saída, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, e levou à prisão dois altos burocratas do ministério.

No relatório de mais de 4 mil páginas da CPMI do INSS, Camisotti, líder de um grupo de mais de 20 empresas, é acusado de engendrar "uma vasta e sofisticada estrutura criminosa" para captar e lavar recursos oriundos dos descontos não autorizados. De "Careca", por sua vez, esperam-se confissões de um lobista que azeitava a máquina de relacionamentos - vale dizer, de pagamentos e de propinas. É dele que pode advir a comprovação de repasses de R$ 300 mil mensais para Fábio Luís Lula da Silva, a partir de uma triangulação com a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e de sua esposa.

O caso está com a PF, sob a supervisão do ministro André Mendonça, relator do processo no STF. Preocupação para Lula, que, diante dos indícios, só pode, mesmo, contar com a tropa de choque do regime PT-STF, hoje sob o comando, para desgosto dos juízes sérios deste país, de um sujeito como Gilmar Mendes.

Outubro se aproxima carregado de tensão e esperança para quem não perdeu o norte. E a vergonha.

Link da publicação original:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/eugenio-esber/noticia/2026/04/o-primeiro-delator-cmo3aup6g028m0174nsbb7ksl.html


Marco Rubio intercedeu em favor de Ramagem

 O ex-deputado Alexandre Ramagem foi liberado por autoridades norte-americanas após ser abordado na Flórida em decorrência de uma denúncia considerada equivocada. Segundo a apuração, a abordagem ocorreu após a polícia rodoviária local receber informações de que Ramagem estaria dirigindo com a habilitação vencida há cerca de 20 dias e em situação irregular no país, sob a alegação de ser foragido da Justiça brasileira. Ele foi interceptado enquanto deixava sua residência de carro, nas proximidades de uma escola.

A informação foi divulgada pelo SBT News, com base em relatos de fontes ouvidas pela reportagem.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu esclarecimentos formais ao órgão de imigração sobre a detenção. Segundo a reportagem, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria conversado com Rubio a respeito da situação de Ramagem, o que antecedeu o pedido de explicações ao ICE.

Após a intervenção do Departamento de Estado, agentes do serviço de imigração identificaram que o detido era ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Documentos apresentados por Ramagem comprovaram que ele não estaria em situação irregular nos Estados Unidos e que aguarda a análise de um pedido de asilo político.

Não houve cooperação com autoridades brasileiras no episódio, e que a abordagem decorreu exclusivamente de uma denúncia recebida dias antes. A Polícia Federal, por meio do diretor-geral Andrei Rodrigues, chegou a falar que houve cooperação com os americanos e que Ramagem seria deportado.

Mercado interpretou mal

 Com base nas movimentações de mercado até abril de 2026, o mercado de ações parece ter minimizado os riscos de longo prazo do conflito com o Irã, focando em uma resolução rápida que pode não se concretizar. O otimismo inicial de "espera" deu lugar a uma volatilidade intensa, após o fechamento do Estreito de Ormuz e a escalada dos preços do petróleo. 

Aqui estão os principais pontos que o mercado pode ter interpretado mal:

1. Subestimação do Impacto Inflacionário (Choque de Oferta)

O erro: Investidores inicialmente acreditaram que o conflito teria impacto limitado na oferta de energia.

A realidade: A guerra provocou uma disparada nos preços do petróleo, com o Brent ultrapassando US$ 116, reacendendo temores de estagflação — inflação alta com crescimento econômico baixo.

O risco: Esse choque de inflação pode forçar bancos centrais (especialmente o Fed) a manter juros elevados por mais tempo, prejudicando ações de crescimento. 

2. Otimismo sobre a Duração do Conflito

O erro: Após um breve período de quedas, as bolsas, como o S&P 500, operaram em patamares recordes em abril de 2026, apostando em um cessar-fogo frágil e em uma saída rápida.

A realidade: Analistas alertam que o conflito pode ser prolongado, com ataques contínuos de Israel e Estados Unidos contra alvos iranianos e grupos aliados, o que tornaria os impactos econômicos desastrosos em vez de temporários. 

3. A "Normalização" do Petróleo Alto

O erro: O mercado começou a "acostumar-se" com o petróleo acima de US$ 100, assumindo que a economia global absorveria o custo sem uma recessão severa.

A realidade: O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, cria riscos estruturais na cadeia de suprimentos de energia, fertilizantes e combustíveis. 

4. Desconexão entre Bolsas e Risco Geopolítico

O erro: As bolsas ignoraram, em um primeiro momento, as tensões, "encolhendo os ombros" enquanto o petróleo subia, focando excessivamente em outros temas, como a IA.

A realidade: O conflito eliminou cerca de US$ 6 trilhões em valor de mercado global, com investidores passando a recalibrar o risco, especialmente em mercados emergentes, que devolveram os ganhos de 2026. 

5. Impacto no Brasil (Petrobras e Selic)

O erro: Acreditar que a Petrobras poderia absorver totalmente o impacto sem repassar para o consumidor ou sofrer perdas de valor.

A realidade: O conflito aumentou a defasagem nos preços da gasolina e diesel, pressionando a inflação local (IPCA) para cima do teto da meta e limitando as reduções da taxa Selic pelo Banco Central. 

Em resumo: O mercado pode ter interpretado o conflito como um evento de "choque temporário", quando na verdade pode ser uma mudança estrutural duradoura na geopolítica e na energia, aumentando a probabilidade de uma recessão global nos próximos 12 mese

Poemete, Roni Marques Corrêa - Quando chegar o dia da minha partida

Roni Marques Corrêa (gestor de Tecnologia de Informação e Comunicacoes, escritor).

Quando chegar o dia da minha partida

Não se permitam a tristeza.

Não pensem que parti para sempre.

Permanecerei vivo e presente na existência de todos aqueles que de verdade me amaram — e que ainda me amam.

Não me vou.

Apenas transmuto de esfera.

Mudo de sintonia.

A luz e a energia dançam em incontáveis plano

eu habitarei um outro.

Podem dizer que estou partindo contrariado na partida para a outra esfera — sim, profundamente contrariado.

Não por rebeldia contra a vontade divina,

mas por amar excessivamente esta vida,

este paraíso chamado Terra,

e vocês, meus amigos, que aqui vivem e respiram comigo.

Cantem, pois, os meus acertos —

mesmo esta canção simples, esta poesia frágil.

Cantem-na, critiquem-na, declamem-na em voz alta.

Que seja cantada e proclamada:

assim vocês estarão sintonizados comigo. Sem choro.Alegria. Música.

Vale especialmente para vocês, meus filhos.

Afinal, ninguém pode mudar a vontade divina — então para que a tristeza

Velas, se quiserem — não as proíbo.

Quem sou eu para proibir algo, hehe, ainda mais com meu corpo inerte?

Mas saibam: meu espírito, minha alma e minha energia, seja de que forma for, estarão vibrando com vocês.

Que não seja na tristeza, mas na alegria do que fui para vocês em vida, aqui na Terra.

Luz, sim; mas luz plena, luz que brilha forte, nunca tênue.

Não chorem.

O choro sempre me entristece.

E quem desejaria me ver triste, né?Sorriam.

Recordem alguma tolice que eu disse, algum feito absurdo de que me orgulhava em voz alta.

Vivam com amor e paz.

Nunca chorem ao pronunciar meu nome.

Que haja apenas alegria quando me mencionarem.E se alguém ousar falar mal de mim, respondam com serenidade:

“Você não o conheceu de verdade.

Se o conheceu, não conheceu seu coração.

Pois ele era amor — e foi verdadeiro em tudo o que fez

Esta vida é linda e bela. Muitas vezes só não nos damos conta e percebemos, já com a idade avançada, que poderíamos ter feito as coisas de forma diferente, melhor, valorizando realmente o que importa: família, paz, amigos e mais tempo para eles.

Esta é a riqueza da vida.

No momento, sempre achamos que estamos fazendo o certo e o melhor, e de fato estamos — para aquele instante.

Por isso, nunca devemos nos arrepender do que fizemos com amor e com nossa verdade.


Especial, Ana Maria Cemin - Moraes mandou tirar este preso político de casa e enfiá-lo por 14 anos na cadeia

Este artigo da jornalista gaúcha está no seu site Bureau de Comunicação.

A tarde desta sexta-feira marcou mais um episódio dramático na trajetória de Marco Alexandre Machado de Araújo, 56 anos. A Polícia Federal o prendeu novamente em sua residência, em Uberlândia (MG), para início do cumprimento da pena de 14 anos, após o trânsito em julgado da sentença em 27 de março de 2026. Desde abril de 2025, ele estava em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica. A defesa protocolou hoje um pedido para que a execução da pena ocorra em regime domiciliar, alegando os graves problemas de saúde que o apenado do 8 de janeiro apresenta.

A história de Marco Alexandre no contexto do 8 de janeiro é marcada por sofrimento. Ele foi preso na 10ª fase da Operação Lesa Pátria, em abril de 2023, e permaneceu quase dois anos no Complexo Penitenciário da Papuda sem que o Ministério Público apresentasse denúncia. Nesse período, foi praticamente esquecido dentro da penitenciária, muito doente, sem acusação formal, julgamento ou condenação.

Durante os dois anos em que permaneceu encarcerado, entre abril de 2023 e abril de 2025, desenvolveu fortes confusões mentais e chegou a ser encaminhado para a Ala Psiquiátrica da Colmeia, onde ficou meses. Quase chegou à loucura, tratado como se fosse louco e submetido a fortes dosagens de medicamentos.

Por causa desse quadro clínico, e com base em laudos periciais, o réu passou os últimos 12 meses em casa, em prisão domiciliar, tratando um Transtorno Esquizofrênico com acompanhamento profissional autorizado previamente pelo ministro Alexandre de Moraes. É indiscutível que se trata de um homem que precisa de cuidados.

Pai de três filhos adultos, Marco Alexandre também tem uma filha de menos de três anos, com quem só pôde conviver após deixar a prisão. Sua esposa, Juliane Mayumi Onaya, 42 anos, descreve quem ele

Campanha para o Senado ficará empobrecida se centrada em excesso na pauta do STF

Seria conveniente que os postulantes às duas vagas gaúchas em disputa neste ano não fossem tão monotemáticos

Parece se consolidar a tendência de que a campanha eleitoral para o Senado tenha o Supremo Tribunal Federal (STF) e a possibilidade de impeachment de ministros da Corte como principais temas. É legítimo que o assunto apareça. Entre as atribuições da Casa está a análise de eventual afastamento de membros da instância mais importante do Judiciário brasileiro. Há integrantes do Supremo que têm explicações a dar e deveriam ter condutas formalmente investigadas. Os senadores e o Senado, porém, têm muitas outras atribuições de grande relevância. A busca pelo convencimento do eleitor pelos candidatos ficará empobrecida se centrada em excesso na pauta do STF.

Cabe também aos eleitores a responsabilidade de um olhar mais amplo para definir o voto

A Constituição diz que senadores representam os Estados, e não o povo, caso dos deputados. Por essa razão, são apenas três vagas fixas por unidade da federação, enquanto na Câmara a quantidade é maior e varia conforme a população. Os mandatos são de oito anos, e não de quatro. É preciso suportar escolhas ruins por mais tempo, portanto. E os Estados, como é o caso do Rio Grande do Sul, têm inúmeras outras prioridades que precisam da devida atenção, de preparo e atuação diligente. Ter representação qualificada é vital.

Seria conveniente que os postulantes às duas vagas gaúchas em disputa neste ano não fossem tão monotemáticos e demonstrassem interesse em se dedicar a outras pautas, da saúde à educação, da economia à segurança. São assuntos, afinal, que fazem parte da vida real. É sabido que são os prováveis candidatos ligados à direita que mais tratam da possibilidade de impeachment de ministros e são os mais críticos ao STF. Mas o próprio eleitor de viés liberal na economia ou adepto de valores conservadores deve esperar de seus possíveis escolhidos um cardápio de propostas mais variado e consistente. Não seria produtivo se, da mesma forma, os candidatos à esquerda acabassem tragados para esse debate. 

Não há dúvida de que o STF tem cometido atropelos e resiste à autocontenção. Tem ainda membros envolvidos em casos nebulosos, como os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que até hoje não apresentaram explicações convincentes sobre as ligações com o Banco Master, liquidado por fraudes, e seu dono preso, Daniel Vorcaro. Outros cultivam comportamentos inadequados que abrem margem para o conflito de interesses. A consequência é uma enorme crise de confiança. Pesquisa publicada em março pelo instituto Quaest mostrou que 66% dos eleitores acham importante votar em candidatos comprometidos com o impeachment de ministros. O percentual é alto. Engloba parcelas que vão muito além dos simpatizantes do bolsonarismo. A causa acaba por ter maior apelo eleitoral. 

Defensoria Pública repele decisão de Moraes que a obriga a defender Tagliaferro.

A Defensoria Pública da União (DPU) entrou com ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte  anule a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a atuação do órgão na defesa de Eduardo Tagliaferro. Na petição, a DPU argumenta que a medida viola o direito de defesa do réu. Segundo o órgão, Tagliaferro não foi previamente intimado para constituir nova defesa após a destituição de seus advogados. A petição cita que a nomeação de defensor público só deve ocorrer após a intimação pessoal do réu e, caso ele não seja encontrado, de forma subsidiária. A Defensoria defende a intimação de Tagliaferro, que reside atualmente na Itália, por meio de carta rogatória (documento que solicita a citação ao Judiciário de outro país).

A DPU diz que a decisão de Moraes é ilegal.

Ex-assessor de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tagliaferro é réu em ação penal por violação do sigilo funcional, coação no curso do processo e obstrução de Justiça.

Os advogados de Eduardo Tagliaferro, Paulo Faria e Filipe Oliveira, afirmam que foram afastados de forma arbitrária por defender o respeito à lei processual penal e Constituição Federal, exatamente como disse a própria DPU, que foi alertada por nós, via ofício, no dia 14/04. Os advogdos pediram ajuda da OAB.

Editorial, Estadão - A judicialização do debate eleitoral

Decisão de Moraes de autorizar inquérito contra Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra Lula serve de alerta para o perigo da intromissão do Judiciário no debate público

A pedido do governo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes mandou instaurar um inquérito para apurar um suposto crime de calúnia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às vésperas da campanha oficial, a temerária decisão de Moraes serve de alerta para o perigo da intromissão do Judiciário no debate público. Não há democracia no mundo que resista à tutela dos eleitores por juízes que se veem como curadores do discurso político.

Aos fatos. No início de janeiro, Flávio fez uma postagem no X associando a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro a futuros reveses para Lula. No texto, o senador fluminense afirmava que o petista seria “delatado” por Maduro, supostamente às autoridades dos EUA que o capturaram, e relacionava o episódio ao “fim do Foro de São Paulo”, além de aludir a supostos vínculos de Lula com o tráfico internacional de drogas, esquemas de lavagem de dinheiro e apoio a ditaduras de esquerda.

Sem dúvida, são imputações muito sérias. Ademais, feitas em uma mídia social de amplo alcance. Mas nada que destoe da agressividade típica das disputas eleitorais de nossa história recente, sobretudo as mais acirradas. O próprio Lula já fez acusações gravíssimas contra adversários em eleições passadas, muitas das quais poderiam facilmente ser enquadradas como crimes contra a honra, e nem por isso o petista foi incomodado pelo Direito Penal. O debate eleitoral pode ser agressivo, incivilizado ou até mentiroso. E daí?

A questão principal dessa história não é a eventual tipicidade da conduta de Flávio Bolsonaro, mas o velho cacoete de setores do Judiciário, e de ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral em particular, de tratar os eleitores como néscios, incapazes, portanto, de tomar decisões de forma livre e consciente a partir do que observam no comportamento, nas ideias e nas propostas daqueles que brigam pelo seu voto.

Lula – logo quem, o político mais experiente em campanhas eleitorais em atividade – não deveria ter acionado o Ministério da Justiça nem a Polícia Federal em razão da postagem do adversário. Isso é coisa de incumbente acuado, além de autoritário. A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, deveria ter fulminado a eventual ação penal no nascedouro, negando-lhe parecer favorável. O Supremo, então, nem se fala. Moraes deveria ter se contido e dado uma lição a todos os pré-candidatos: o Judiciário não será bedel do debate eleitoral.

Mas não. O ministro autorizou a abertura de um inquérito descabido e, ao fazê-lo, alimentou a suspeita não de todo desarrazoada daqueles que interpretaram sua decisão como o início de um processo que, no limite, pode tirar das urnas um dos oponentes mais fortes de Lula. Ou seja, Moraes prestou um enorme desserviço não apenas à Justiça Eleitoral, mas à democracia brasileira.

Este jornal não ignora que a liberdade de expressão não é absoluta no Estado Democrático de Direito. Tampouco defende que acusações infundadas devam circular sem qualquer possibilidade de responsabilização. Mas, no que concerne ao debate estritamente eleitoral, há de prevalecer o princípio da mínima intervenção. Fatos e versões se confrontam e se desconstroem pela própria discussão livre. E quem neste país melhor do que Lula para rebater as acusações que lhe foram feitas por Flávio Bolsonaro usando a mesma arma do adversário, o discurso?

Ao correr para debaixo da saia da Justiça, Lula, a um só tempo, deu projeção às acusações do adversário, permitiu que Moraes exibisse, mais uma vez, a estrela de xerife-geral da República e, de quebra, ainda sugeriu não confiar na capacidade do eleitorado de discernir entre o que é verossímil e o que é mero exagero retórico. É um movimento que empobrece o debate e desloca o eixo da disputa – do convencimento para a intimidação.

Mas mais preocupante é o papel assumido pelo STF. Ao admitir a abertura de um inquérito policial em contexto tão evidentemente político, Moraes reforçou a percepção geral da sociedade de que o Supremo se tornou um anexo do Palácio do Planalto. Que depois Suas Excelências não reclamem do impacto que isso terá nas urnas.

Regimes autoritários perseguem dissidentes no exterior

A repressão transnacional, prática em que regimes autoritários perseguem dissidentes, jornalistas e ativistas fora de suas próprias fronteiras, intensificou-se significativamente, com ditadores formando alianças para caçar opositores no exterior. Esta colaboração entre governos autoritários visa eliminar vozes críticas em democracias, usando táticas como vigilância digital, assédio online, ameaças a familiares e extradições forçadas. 

Aumento da Colaboração Autoritária: Regimes autoritários, particularmente na Ásia e na África, têm colaborado ativamente, impulsionados por interesses compartilhados em suprimir dissidência, com Pequim frequentemente influenciando essas ações.

Detenção e Deportação: A detenção e a deportação ilegal são os métodos mais comuns, com dezenas de incidentes documentados onde dissidentes foram enviados de volta para regimes autoritários em violação do direito internacional.

Abuso de Ferramentas Internacionais: Governos autoritários abusam de "Red Notices" (Alerta Vermelho) da Interpol para rastrear e capturar opositores no exterior, alegando falsamente crimes comuns ou terrorismo.

Alvos e Métodos: Políticos de oposição, advogados de direitos humanos, jornalistas e grupos étnicos ou religiosos minoritários, como os uigures, são os principais alvos de ameaças, perseguição e tentativas de sequestro. 

Impacto nas Democracias

Violação de Soberania: A repressão transnacional ameaça a segurança pública e a democracia em países anfitriões, com casos documentados no Canadá, Reino Unido e Alemanha.

Efeito Assustador: O objetivo é intimidar as comunidades da diáspora e garantir que opositores se sintam inseguros, mesmo em países democráticos. 

Resposta Internacional

Forças-Tarefa eCoalizões: Estão sendo criados grupos, como a "Coalizão Contra a Repressão Transnacional na Alemanha" e o "Tackling Transnational Repression in the UK Working Group", para enfrentar essas ameaças e proteger exilados.

Ações Recomendadas: Especialistas recomendam que governos democráticos adotem definições oficiais de repressão transnacional, treinem autoridades locais, imponham sanções a governos perpetradores e fortaleçam a proteção de dissidentes em seu território

 A judicialização do debate eleitoral

Decisão de Moraes de autorizar inquérito contra Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra Lula serve de alerta para o perigo da intromissão do Judiciário no debate público

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 A "personalidade Ozempic" refere-se a relatos de pacientes sobre embotamento emocional, apatia e perda de interesse por prazeres cotidianos, como comida e álcool, durante o uso de medicamentos GLP-1 (como o Ozempic). Isso ocorre porque o medicamento, além de reduzir o apetite, pode alterar o sistema de recompensa do cérebro, diminuindo a dopamina. 

The Washington Post

The Washington Post

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Por que a vida parece "sem graça"?

Alteração na Dopamina: O medicamento pode impactar o sistema de recompensa do cérebro, reduzindo a sensação de prazer intenso associada a comer ou beber.

Embotamento Emocional: Muitos usuários relatam uma sensação de "aplanamento" das emoções, onde altos e baixos emocionais ficam menos intensos.

Fadiga e Névoa Mental: Alguns usuários também mencionam dificuldade de concentração, esquecimento e lentidão mental, que podem contribuir para uma sensação de desinteresse geral.

Mudança no Foco: Com a saciedade constante e a redução do "prazer" na comida, atividades que antes eram prazerosas perdem o sentido. 

The Washington Post

The Washington Post

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Embora não seja um efeito colateral oficial descrito na bula, esse relato tem sido frequente. No entanto, algumas pessoas podem não sentir esses efeitos. 

R7

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Importante: O Ozempic é um medicamento para diabetes tipo 2 e deve ser usado com acompanhamento médico. 

Panvel

Panvel

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Artigo, especial, Marcus Vinícius Gravina - Tentativa de castração de Senador

O ato do Relator em CPI não tem efeito subjetivo ou personalístico. Trata-se, da elaboração de um relatório resultante de uma coleta de informações e provas sobre o objeto da CPI.


O Relator não decide nada. É um mero repórter.


O Relatório do sen. Alessandro Vieira foi submetido, regimentalmente, à decisão da Comissão (11 membros) para cumprimento de um procedimento interno, sem contencioso e incapaz de produzir, por si só, efeitos contra terceiros, sem que o tenha sido apreciado e julgado definitivamente. É inofensivo ao ministro apontado. Não houve indiciamento aprovado. 


Cumpria a CPI julgar o suposto desvio de finalidade do Relatório. Nem foi preciso entrar no mérito.  A decisão já havia sido tomada por uma manobra sórdida política – 6x4 votos, contra o relatório. 


A CPI foi extinta depois disso e sem causar nenhum efeito aos ministros citados naquela fase da CPI.  


A proposta/sugestão do Relator,  senador Alessandro Vieira,  não se consumou. Mas, cumpriu o rito próprio da CPI.  Isto é, morreu dentro da própria “Casa”, intramuros do Senado, em que se exerceu o direito de investigação. Não partiu do Relator nenhuma convocação pública de imprensa.  


A reação vingativa do ministro Gilmar Mendes contra um Senador é a prova de que ele não preza pela harmonia entre os Poderes da República, além de constituir expediente de duvidosa constitucionalidade.


Ora, se um cidadão comum, sem mandato, tem o direito de opinião e de expressão, o que dizer de um Senador da República investido do poder de fiscalização da Administração Pública e do Judiciário que inicia pela sabatina dos Ministros do STF. 


Caxias do Sul, 16.04.2026


Advogado do Master, preso hoje, sabe tudo. Só a mulher de Moraes ganhava mais do que ele no Master.

O que mais assombra os ministros do STF que estão sob escrutíneo público e os demais políticos, autoridades e beneficiários das propinas pagas pelo Banco Master e pelo banqueiro Daniel Vorcaro, nem é tanto a prisão do ex-presidente do BRB, mas a prisão do advogado do banco, Daniel Monteiro.

Daniel Monteiro sabe tudo em detalhes. Foi ele quem armou a ciranda jurídica que permitiu passar apartamentos de luxo em São Paulo e Brasília para o presidente do BRB em troca da compra de carteiras fraudulentas e da operação de compra da instituição pelo banco estatal. Ele operava dentro do Master e da Reag  e de acordo com as investigações, ele era também o responsável por estruturar toda a rede de fundos usados por Vorcaro para pagar propina a políticos e autoridades públicas. Seu escritório foi o segundo mais bem pago pelo Master, conforme mostraram as informações da Receita Federal enviadas à CPI do Crime Organizado. Os pagamentos de R$ 79,1 milhões entre 2022 a 2025 para o Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht Sociedade de Advogados são menores apenas do que o valor pago à banca de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.

Além de atuar em várias frentes dos negócios do Master, Monteiro tem informações sobre o destino do dinheiro que Vorcaro desviou e escondeu fora do Brasil e conhece as interligações desses esquemas com as contas mantidas na gestora Reag. Sabe, portanto, tanto quanto ou até mais do que Vorcaro sobre detalhes das transações realizadas.



Dica do editor - Prefeito Sebastião Melo abre segundo Centro de Avaliação de Alunos com Necessidades Especiais

Foto de Pedro Piegas, PMPA.

O prefeito Sebastião Melo entregou, ontem, quarta-feira, 15, o segundo Centro de Avaliação Multidisciplinar Educacional (Came) de Porto Alegre. A nova unidade está localizada na avenida Assis Brasil, 1708, no bairro Passo da Areia, Zona Norte. O primeiro centro foi inaugurado no último dia 9 de abril, no bairro Menino Deus. O novo espaço tem capacidade para realizar até 1.200 atendimentos mensais e 300 avaliações a cada dois meses. Os Cames contam com uma equipe especializada - formada por psicopedagogos, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas e médicos (neuropediatras ou psiquiatras) - responsável por avaliar e identificar as necessidades educacionais específicas dos estudantes com necessidades especiais da rede municipal de ensino, indicando, quando for o caso, o enquadramento como público da educação especial.

Leia reportagem especial assinada por Sarah Hoffmeister, PMPA:

A criação dos Centros ocorre em um contexto de crescimento significativo da demanda. Em 2022, a Rede Municipal contava com 3.391 estudantes com cadastro de Necessidades Educacionais Especiais (NEES). Atualmente, esse número chegou a 6.358 alunos. Os alunos identificados com dificuldade relevante de aprendizado, são encaminhados pra avaliação por parte das escolas

Atendimento - O fluxo de atendimento inicia nas escolas, a partir da identificação de barreiras relevantes no processo de aprendizagem pelos professores e equipes pedagógicas.Na sequência, a escola realiza o encaminhamento, reunindo informações sobre o estudante. O caso é então acolhido pela equipe técnica do programa Incluir+POA, responsável pelas primeiras avaliações e pelo contato com a família.

Após essa etapa, a demanda é encaminhada à Unidade de Educação Especial e Inclusiva (UEEI) da Secretaria Municipal de Educação, que direciona o estudante ao Came mais próximo de sua residência. Ao final do processo, os resultados são compartilhados com a família e com a UEEI, que organiza a devolutiva às escolas para orientar o trabalho pedagógico.

Outros dois Cames devem abrir as portas ainda neste mês, nas regiões Leste e Sul, por meio de parceria com a Associação Brasileira de Educação, Saúde e Assistência Social (Abess).

Artigo, especial, Renato Sant'Ana - Para quem conecta ideias, a ficha caiu

Os mais jovens talvez não saibam que a expressão "cair a ficha" vem de antigos telefones públicos, que, para completar uma ligação, requeriam que uma ficha, introduzida numa fenda, caísse para um cofre no interior do aparelho. "Cair a ficha" hoje, tem um sentido figurado e significa ligar uma ideia a outra e tirar uma conclusão. Pois para muitos gaúchos acaba de "cair uma ficha: é que a direção nacional do PT proibiu Edgar Pretto de se candidatar a governador do Rio Grande do Sul, mandando que ele seja mero vice na chapa encabeçada por Juliana Brizola (do PDT).

Foi curioso ver as "raposas felpudas" (expressão que os próprios gostam) atacando a (outra deles) "imperialidade" do comando nacional. Raul Pont e Olívio Dutra, para êxtase raivoso da claque, protestaram. Tarso Genro chegou a acusar "intervenção" da cúpula nacional. E daí? O estatuto do PT prevê essa "verticalidade" (mais uma!), coisa que os raposões nunca criticaram: como levá-los a sério agora?

Pior, o autoritarismo que os caciques petistas acusam longe está de ser o mais criticável. A lista de desvios do PT é imensa. Mas, vejamos só uns poucos exemplos. O PT "fez o diabo" (léxico deles!) para tumultuar a CPMI do INSS, que investigava o roubo aos aposentados, talvez porque os principais suspeitos sejam apoiadores do governo petista. E não quer uma CPI para investigar o Banco Master e o maior golpe financeiro já visto no país. Isso sem falar do passado, mensalão, petrolão etc. Mas sempre o indefectível discurso: "oh, os mais pobres", "a massa trabalhadora", "as elites", "as minorias", e o indefectível ódio a quem pensa diferente.

Num mundo digital, o PT é analógico, com delírios revolucionários como se estivéssemos em 1917. As disposições do seu estatuto e a arrogância do comando igualam o PT ao partido único que asfixia Cuba, ao partido único que sangra a Coreia do Norte e ao partido único que mantém a massa operária chinesa no cabresto. E, pasmem, por ter mais semelhanças que diferenças em sua "organicidade" (outra do estilo!), o PT se conduz de modo similar ao partido de Mussolini e ao de Adolf Hitler: todos com um comando centralizado, todos com viés revolucionário, todos empenhados em formar um Estado totalitário que controle até o pensamento das pessoas e, por esse meio, forjar um indivíduo adaptado ao regime.

O intrigante, contudo, é haver um considerável contingente que se recusa a um exame comparativo entre o discurso e a prática do PT, talvez por medo de, tendo que admitir contradições, ser levado a abandonar as suas ilusões juvenis. Essa fraqueza do caráter está presente em especial na população jovem e com acesso à formação universitária - mas não só...

Nos antigos telefones públicos, que assim funcionaram até a década de 1990, às vezes a ficha não descia por estar a fenda, por onde entrava, entupida de sujeira. E a ligação não se completava. Coisa semelhante se dá com muita gente hoje, cuja cachola está obstruída por um montão de crenças e travada pela preguiça de duvidar das narrativas, gente obtusa para quem, se os fatos conflitam com as suas convicções, então os fatos estão errados. Aí "a ficha não cai" mesmo.

Mas há quem, havendo um dia acreditado no discurso de "participação de todos", "construção coletiva" e tantos outros clichês partidários, vendo agora o comando nacional patrolar o PT gaúcho, perceba que, no PT, tudo é centralizado - meia dúzia manda e o resto obedece ou se ferra - e que tudo gira em torno de um "projeto de poder", não um "projeto de país".

A ordem imperial da direção nacional do PT, que a sabujice dos petistas gaúchos já assimilou, foi um gatilho para alguns iniciarem uma revisão das próprias crenças, num genuíno exercício de honestidade intelectual. Para estes, "a ficha caiu". Antes tarde do que nunca!


Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail: releituras21@gmail.co


Artigo, especial - O cinismo dos irresponsáveis

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

 A recente declaração de Gabriel Galípolo, do Banco Central, de que “o brasileiro só acha que tem dívida quando atrasa a prestação”, captura com precisão o abis mo que separa a elite burocrática de Brasília da dura realidade das ruas. É o típico raciocínio de quem não precisa escolher entre pagar a conta de luz ou comprar comida. Galípolo tenta reduzir um problema estrutural de sobrevivência a uma questão psicológica do cidadão comum. O que ele e o governo parecem ignorar é que o crédito no Brasil deixou de ser um luxo ou um acessório de consumo há muito tempo. Para dezenas de milhões de famílias, virou a única possibilidade de colocar comida na mesa, manter a luz acesa e evitar que o mês acabe logo no começo. O brasileiro sabe muito bem o que deve. Ele sente o peso no bolso todo santo dia. A diferença é que, para ele, a dívida tem consequência real: nome sujo no Serasa, crédito cortado, porta batida na cara do banco e a vida que simplesmente trava. Já o Estado opera numa realidade paralela. A dívida bruta do governo já chegou a 79,2% do PIB em fevereiro de 2026, o equivalente a mais de R$ 10,2 trilhões. As projeções apontam para algo próximo de 83% ou mais até o final deste ano. São anos de gastos desenfreados financiados com dinheiro que, no fim das contas, sai do bolso de quem produz e paga impostos. O cinismo fica evidente: um go verno que bate recordes de endividamento agora quer dar lição de moral sobre “consciência financeira” ao trabalhador que mal consegue sobreviver. O quadro é desesperador. Mais de 80,4% das famílias brasileiras estão endivida das — um recorde da série histórica. Dados do próprio Banco Central mostram que o endividamento das famílias em relação à renda acumulada chegou perto de 50% no início do ano, com o comprometimento da renda (ou seja, quanto do salário vai só para pagar parcelas) batendo em torno de 29%. Isso significa que quase um terço do que entra em casa já está comprometido antes mesmo de comprar pão. E não é cartão de crédito por capricho: é financiamento de comida, remédio, escola das crianças ou combustível para ir trabalhar. Nesse meio tempo, os bancos registram lucros estratosféricos. Só em 2025, os quatro maiores — Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander — somaram mais de R$ 107 bilhões de lucro líquido. Enquanto o cidadão comum rola dívida cara no rotativo do cartão a juros que facilmente passam de 400% ao ano, o sistema f inanceiro celebra rentabilidade alta. É o ápice da inversão de responsabilidades. O Estado gasta mal, alimenta a infla ção, mantém os juros básicos elevados para tentar conter o estrago que ele mes mo ajuda a criar e, quando o aperto chega na ponta da linha, a culpa é do povo que “não entende” sua própria dívida. O problema nunca é o governo gastador, que trata o cofre como se fosse infinito. O culpado é sempre o trabalhador que acorda cedo, equilibra contas e ainda é acusado de falta de educação financeira. Quem realmente tem um problema grave de percepção não é a dona de casa que estica o salário até o último centavo. É a cúpula que acha que a conta da irres ponsabilidade fiscal pode ser empurrada indefinidamente. O brasileiro sabe exa tamente o que deve. Resta saber quando o governo vai aprender que o dinheiro que ele torra não nasce em árvore — ele sai do suor, do esforço e da produção de gente que, no fim, é sempre chamada para pagar a conta

Nota dos advogados

 REPÚDIO AO AFASTAMENTO ILEGAL DE ADVOGADOS POR ALEXANDRE DE MORAES, “O TIRANO”, E À OMISSÃO DA OAB


Os advogados PAULO CÉSAR RODRIGUES DE FARIA e FILIPE ROCHA DE OLIVEIRA vêm a público manifestar REPÚDIO TOTAL, VEEMENTE E IRRESTRITO aos gravíssimos acontecimentos verificados no âmbito da Ação Penal nº 2720/DF, e na defesa técnica de EDUARDO DE OLIVEIRA TAGLIAFERRO, vítima de Moraes, “O Tirano”.


No dia de ontem, 13 de abril de 2026, por decisão judicial ILEGAL, COVARDE, E CRIMINOSA, Alexandre de Mores, “O Tirano”, determinou – compulsoriamente - a substituição da defesa técnica regularmente constituída, com a consequente nomeação da Defensoria Pública da União.


Tal ato, na prática, afastou os advogados do processo – duas pedras no sapato de Moraes - apesar de suas atuações contínuas, técnicas, documentadas e ativas, inclusive com a interposição de medidas processuais cabíveis, recursos, mandados de segurança, reclamações, petições, agravos e embargos.


Trata-se de medida absolutamente ilegal, imoral e incompatível com o Estado de Direito, e que viola diretamente as prerrogativas profissionais dos advogados, e o direito de defesa de Eduardo Tagliaferro, o qual Alexandre de Moraes, “O Tirano”, quer condenar a “toque de caixa”, sem respeitar o devido processo legal, e se recursa a intima-lo por carta rogatória, posição íngreme firmada pelos advogados destituídos e em respeito ao devido processo legal previsto no Art. 368, do Código de Processo Penal: a intimação pessoal por carta rogatória.


Diante das condutas ilegais de Moraes, “O Tirano”, já foram impetrados três mandados de segurança: MS 40.728, 40.767, MS 40.768, também engavetados, duas SUSPEIÇÕES arguidas: AS 0239 e 0240, relatadas por Edson Fachin, presidente do STF, que as engavetou também, além dessas medidas judiciais, diversos recursos foram interpostos, embargos opostos, e tudo ignorado por Moraes, “O Tirano”.


Assim, é ABSOLUTAMENTE FALSA a alegação tirânica de "abandono de causa" para sustentar a falácia e os desejos insanos de Moraes, "O Tirano", para destituir a defesa constituída e nomear a Defensoria Pública da União, a fim de legitimar seus crimes e barbaridades jurídicas, tudo denunciado pelos advogados ora destituídos.


Acreditamos que a Defensoria Pública da União não se sujeitará a isso: ser instrumento de legitimação de irregularidades processuais e compactuar com ilícitos praticados por um tirano, indigno da função de ministro do STF.


Por essa resistência, Moraes resolveu “cortar caminho”, pois ao nomear a Defensoria Pública da União para assumir bionicamente a defesa de Tagliaferro, na verdade, usa a DPU para corroborar suas insanidades processuais, e conferir ares de legalidade às infâmias e atropelos cometidos nos procedimentos, muitos “inventados” para satisfação sádico-pessoal.


Não houve renúncia dos advogados, destituição pelo cliente, ou abandono de causa. Houve, sim, resistência técnica às ilegalidades processuais e covardia de Moraes, “O Tirano”.


E é exatamente por isso que os advogados foram afastados: por não compactuarem com a conduta criminosa e irresponsável desse cidadão que não merece a toga, e sim, a cadeia.


O que se presencia é a consolidação de um cenário institucional perigoso, onde:


•Advogados que não se submetem a atos ilegais são afastados;

•A defesa técnica independente é substituída por atuação estatal;

•A narrativa de “abandono” é utilizada para justificar a exclusão da advocacia privada;

•A Defensoria Pública da União passa a ser instrumentalizada para conferir aparência de legalidade a atos questionáveis.


Não se trata de um episódio isolado, mas de um padrão de prática ilegal, covarde, e abusiva de um tirano, na função de juiz. 


Mais grave ainda é a postura da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).


Apesar de reiteradas representações formais, desde 09/02/2026, protocolos institucionais e sucessivas comunicações, alertando sobre as pretensões satânicas de Moraes, “O Tirano”, o CONSELHO FEDERAL DA OAB permanece absolutamente omisso, inerte e silencioso diante de tão graves violações das prerrogativas da advocacia, ataques à honra profissional dos advogados, afastamento arbitrário da defesa constituída, e constrangimento institucional da atividade advocatícia.


Tudo isso para satisfazer o EGO de um Tirano, que deveria estar preso.


A omissão, neste contexto, não é neutra: é conivência.


A advocacia brasileira não pode ser reduzida a pó, ou espectadora de sua própria supressão.


Não se pode admitir que o exercício técnico da defesa seja transformado em motivo de punição informal, e instrumento de convalidação de atos criminosos.


Não se pode admitir que a advocacia seja substituída sempre que ela resiste diante dos arbítrios.


Não se pode admitir que instituições criadas para defender prerrogativas se calem diante de sua violação, e se preocupem apenas em holofotes e anuidades pagas.


O que está em jogo não é apenas a atuação de dois advogados, mas a própria existência de uma advocacia criminal livre, independente e outrora respeitada no Brasil.


Diante disso, os advogados que resistiram aos arbítrios de um “Tirano”, reafirmam que NÃO abandonaram a causa, denunciam contundentemente o afastamento ilegal da defesa constituída por Eduardo de Oliveira Tagliaferro, repudiam a tentativa de conferir aparência de legalidade a atos viciados, e exigem atuação imediata e efetiva da OAB. 


Acorda, OAB! Defenda a sua classe, conforme o Estatuto da Ordem, Lei Federal 8.906/94, estabelece.


Caso a inércia do Conselho Federal da OAB persista, serão adotadas todas as medidas cabíveis nas esferas cível, administrativa e penal contra os presidentes alertados, inclusive para responsabilização pessoal de agentes que, por ação ou omissão, contribuam para a violação das prerrogativas da advocacia, em vez de defendê-las intransigentemente.


A advocacia não será silenciada, e a omissão não será tolerada, e muito menos a conivência.


República Federativa do Brasil, 14 de abril de 2026.


PAULO CESAR RODRIGUES DE FARIA

Advogado – OAB/GO 57.637


FILIPE ROCHA DE OLIVEIRA

Advogado – OAB/ES 17.646"

Geração Prateada

 A Geração Prateada,  pessoas 60+ aptas a votar, cresceu cinco vezes mais do que o eleitorado geral nos últimos 16 anos.  A constatação é de um levantamento realizado pela Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados a partir do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto o número de eleitores de todas as faixas etárias cresceu 15% entre 2010 e 2026, o eleitorado 60+ aumentou 74% no período, o que revela expansão de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em março deste ano. Segundo a Nexus, os números podem aumentar ainda mais até o dia 6 de maio, que é o prazo final para o cadastro de eleitores no TSE. De acordo com o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a Geração Prateada pode definir o resultado das eleições deste ano. 

Até a data da coleta, 156,2 milhões de pessoas estavam aptas a participar do processo eleitoral no próximo mês de outubro, contra 135,8 milhões, em 2010.

Abstenção cai

A abstenção dos maiores de 60 anos apresentou queda nas últimas três eleições: somava 37,1% em 2014 e passaram para 36,4% em 2018 e a 34,5% em 2022. Em contrapartida, as abstenções do eleitorado brasileiro em geral aumentaram de 19,4% em 2014 para 20,3% em 2018 e 20,9% no último pleito nacional. 

Aumenta número de candiatos com mais de 60 anos

Também o número de candidatos maiores de 60 anos tem aumentado anualmente no Brasil, tanto nas eleições gerais quanto nas municipais. Segundo dados do TSE, nas últimas eleições, em 2024, mais de 70 mil brasileiros com 60+ se candidataram aos cargos em disputa, o que equivale a 15% de todas as candidaturas. 

Novas regras

As novas regras para empréstimos consignados de servidores federais (Portaria MGI nº 984/2026) entraram em vigor em 14/04/2026, focando em segurança e transparência. As mudanças incluem fim de autorizações genéricas, obrigatoriedade de confirmação via SouGov.br para cada operação, proibição de contratação por telefone/mensagens e maior controle sobre taxas de juros e cartões consignados. 

Principais Mudanças e Regras (Portaria MGI nº 984/2026):

Validação Individual: Acabam as autorizações genéricas; cada novo empréstimo, saque ou transação no cartão exige validação expressa do servidor no aplicativo SouGov.br.

Transparência de Taxas: Servidores podem comparar taxas máximas de juros e encargos das instituições diretamente no Portal do Servidor ou aplicativo SouGov.br.

Restrições Comerciais: Proibida a contratação de empréstimos por telefone ou aplicativos de mensagens (como WhatsApp), reduzindo o assédio comercial.

Regras para Cartão Consignado:

Proibida a emissão de cartões extras para dependentes.

Proibida a cobrança de taxas de manutenção ou anuidade.

O cartão deve funcionar como convencional; juros só podem incidir se não houver pagamento integral da fatura.

Segurança: Bloqueio de saques com cartão de crédito sem autorização prévia e fim de empréstimos com carência exagerada.

Portabilidade: A portabilidade de consignação deve ser feita diretamente entre instituições, sem transferência de valores via Pix para terceiros. 

Essas medidas visam evitar o superendividamento e prevenir fraudes nas consignações do Poder Executivo Federa

6 x 2

O governo enviou ao Congresso Nacional, na noite desta terça-feira, o projeto de lei que prevê o fim com a escala de seis dias trabalhados para um de descanso (6x1), e reduz a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais. O Congresso terá 45 dias para decidir, já que o governo pediu regime de urgência.

Segundo o texto, a proposta é reduzir o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial.

A escala passaria a ser de cinco dias trabalhados para dois dias de descanso.

Veja o que prevê o projeto de lei: 

Jornada semanal: limite passa de 44 para 40 horas

Descanso ampliado: ao menos dois dias de repouso semanal remunerado

Novo padrão: consolidação do modelo 5x2 e redução das horas trabalhadas

Salário protegido: vedada qualquer redução salarial

Abrangência ampla: inclui domésticos, comerciário, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela CLT e leis especiais.

Aplicação geral: limite de 40 horas passa a valer também para escalas especiais e regimes diferenciados

Flexibilidade: mantém escalas como 12hx36 por acordo coletivo, respeitada a média de 40 horas por semana

Bostinha

 Carlos Bolsonaro detona Nikolas e engrossa coro de Eduardo: "Bostinha"

IA

 https://www.msn.com/pt-br/noticias/tecnologia/a-personagem-de-ia-que-viraliza-com-cr%C3%ADticas-ao-governo-lula-e-ao-stf/ar-AA20QAVB?ocid=msedgntp&pc=U531&cvid=69de92277f1240efbf0b4a34b72e8661&ei=22

Artigo, especial - Bolsonaro é vítima de "lawfare"

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

Mais uma narrativa engavetada. Semana passada, a Polícia Federal revisou o in quérito sobre suposta interferência na corporação durante o governo Bolsonaro e concluiu, pela segunda vez, que não há provas de qualquer crime. O relatório técnico, produzido agora sob a atual gestão de um indicado de Lula, reforça o que já havia sido apurado anteriormente: não existem elementos que justifiquem a imputação penal. Mais uma vez, uma acusação grave, que circulou por anos nos meios de comunicação, desmorona por falta de lastro. Perseguição pura. Ao longo dos últimos anos, investigações de alto impacto midiático contra o ex--presidente Jair Bolsonaro foram arquivadas ou encerradas sem que se compro vasse qualquer irregularidade. O caso do cartão de vacinação, por exemplo, que gerou grande repercussão, foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal em mar ço de 2025, a pedido da Procuradoria-Geral da República, por insuficiência de provas. Da mesma forma, a investigação sobre as joias recebidas pelo governo brasileiro teve pedido de arquivamento pela PGR em março de 2026, diante da ausência de elementos concretos. Outras acusações amplas, como supostas omissões ou condutas durante a pan demia, uso indevido de órgãos públicos, ou ainda alegações genéricas de aten tados à ordem democrática, também foram arquivadas pelo Ministério Público Federal por serem consideradas inespecíficas, sem prova documental mínima ou baseadas apenas em percepções políticas e matérias jornalísticas. O padrão se repetiu: denúncias bombásticas, vazamentos frequentes, manche tes impactantes e, na hora da análise técnica e serena, a conclusão de que não havia materialidade para sustentar as imputações. Não se trata aqui de ignorar o papel das instituições, que devem investigar quan do necessário. Mas quando sucessivas apurações técnicas, realizadas inclusive por órgãos sob diferentes gestões, chegam ao mesmo resultado — a inexistência de provas —, fica evidente que muitas dessas narrativas serviram mais para des gastar politicamente do que para esclarecer fatos. Trata-se, na verdade, de um claro caso de lawfare: o uso seletivo e sistemático do aparato jurídico como arma política para enfraquecer um adversário. Bolsonaro governou o país em um período de grandes desafios, com decisões que geraram debates legítimos, como é natural em qualquer democracia. No en tanto, o volume e a intensidade das investigações demonstram um tratamento desproporcional. O ex-presidente que venceu eleições contra forte oposição e que continua sendo figura central no debate político brasileiro nunca recebeu o mesmo rigor isonômico aplicado a todos. Cada arquivamento reforça a percepção de que Bolsonaro foi alvo de uma per seguição sistemática, onde o aparato jurídico foi utilizado para enfraquecer um adversário incômodo. Jair Bolsonaro foi, e continua sendo, injustiçado pelo establishment. Cada narra tiva que cai é mais uma evidência de que o ex-presidente enfrentou não apenas oposição política, mas um esforço sistemático e coordenado para criminalizá-lo. A seletividade sobre tudo que se refere a Jair Bolsonaro revela, mais uma vez, o quanto o debate público ainda está distante de uma verdadeira isonomia. En quanto as acusações são amplificadas com estardalhaço pela mídia, os arqui vamentos passam quase despercebidos. Essa é a face mais clara do lawfare: não basta investigar, é preciso também controlar a narrativa.

Aposentados e pensionistas do INSS no Rio Grande do Sul terão o 13º salário antecipado para os meses de abril e maio

Valor total será de R$ 6,2 bilhões.

 Calendário de pagamento da primeira parcela inicia em 24/4 e segue até 8/5. A segunda metade será paga de 25/5 a 8/6. A data de pagamento considera o número final do cartão de benefício, sem o último dígito verificador depois do traço. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Mais de 2,7 milhões de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Rio Grande do Sul terão o valor do 13º salário antecipado nos meses de abril e maio deste ano, conforme Decreto nº 12.884, assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicado em edição extra do Diário Oficial da União na última quinta-feira (19). A antecipação transferirá R$ 6,2 bilhões aos beneficiários do estado.

 O calendário de pagamento da primeira parcela vai de 24 de abril até 8 de maio. A segunda metade do 13º será paga de 25 de maio a 8 de junho. A data de pagamento leva em conta o número final do cartão de benefício, sem considerar o último dígito verificador, que aparece depois do traço.

 Terão direito à antecipação do 13º quem recebeu, em 2026, benefício por incapacidade temporária, auxílio-acidente, aposentadoria, salário-maternidade, pensão por morte ou auxílio-reclusão.

 QUEM NÃO RECEBE — Não recebem 13º salário pessoas contempladas pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência - desde que comprovem baixa renda - e beneficiários de Renda Mensal Vitalícia.

 De acordo com o Decreto 3028 (art. 120), o pagamento do abono é feito nos meses de agosto e novembro. A antecipação do benefício alcança todos os estados brasileiros e representa uma injeção significativa de recursos na economia dos municípios.

 Confira as datas do pagamento da primeira e da segunda parcela do adiantamento do 13º salário, de acordo com o número final do cartão de benefício.

PRIMEIRA PARCELA

Até um salário-mínimo

Final do benefício Dia do crédito

1 24/abril

2 27/abril

3 28/abril

4 29/abril

5 30/abril

6 04/maio

7 05/maio

8 06/maio

9 07/maio

0 08/maio

Acima do piso nacional

Final do benefício Dia do crédito

1 e 6 04/maio

2 e 7 05/maio

3 e 8 06/maio

4 e 9 07/maio

5 e 0 08/maio

SEGUNDA PARCELA

Até um salário-mínimo

Final do benefício Dia do crédito

1 25/mai

2 26/mai

3 27/mai

4 28/mai

5 29/mai

6 01/jun

7 02/jun

8 03/jun

9 05/jun

0 08/jun

Acima do piso nacional

Final do benefício Dia do crédito

1 e 6 01/jun

2 e 7 02/jun

3 e 8 03/jun

4 e 9 05/jun

5 e 0 08/jun


A guerra do PT contra Galípolo – Editorial O Estado de S.Paulo

Ao se negar a vilanizar seu antecessor para ajudar Lula na campanha, presidente do BC atrai a ira dos petistas. Galípolo merece aplauso e apoio de quem preza os valores republicanos.

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, apresentou-se ao debate sobre o caso do Banco Master com uma virtude cada vez mais rara em Brasília: a disposição de se limitar aos fatos. Amparado em auditorias e sindicâncias internas, afirmou à CPI do Crime Organizado que não há evidências de responsabilidade de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no escândalo do Master. Não houve conjecturas, ilações, tampouco concessões ao ambiente político já contaminado por interesses e narrativas. Houve, simplesmente, a exposição do que as investigações permitem concluir.

Mas o depoimento de Galípolo mal havia terminado e o presidente do BC, que está no cargo por nomeação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já estava na mira de petistas e assessores no Palácio do Planalto. O vice-líder do governo na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), não deixou por menos: “Gabriel Galípolo escolheu o caminho de tentar blindar Roberto Campos Neto”.

Para o comissariado petista, pouco importou a menção à apuração interna. O crime de lesa-pátria era outro: o presidente do BC não se comportara como agente político de Lula e de seu projeto de reeleição, cujo roteiro inclui converter Roberto Campos Neto em inimigo do Brasil. Segundo a narrativa dos capas-pretas do partido, o ex-presidente do BC, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro, seria o responsável pelas facilidades que teriam permitido ao Master praticar suas fraudes escandalosas.

Em vez de reconhecerem a solidez da manifestação de Galípolo, os sabujos de Lula passaram a questioná-lo, como se dele se esperasse algo diverso de um diagnóstico baseado em evidências. O ponto central, contudo, permanece inalterado: não há materialidade, até aqui, que sustente a responsabilização de Campos Neto. Insistir em outra direção, sem base factual, é apenas servir aos propósitos eleitorais de Lula.

O caso demonstra mais uma vez o absoluto desprezo do PT pelas instituições republicanas quando estas não atuam a serviço de seu projeto de poder. Desde sempre, os petistas esperavam que um indicado de Lula ao Banco Central, chamado pelo presidente de “menino de ouro”, convertesse a autarquia em puxadinho do comitê eleitoral da campanha do presidente à reeleição – seja sendo camarada com a taxa de juros, seja atuando para vilanizar seu antecessor no cargo e, por extensão, Jair Bolsonaro.

O PT detesta órgãos da administração pública que não se curvam a seus interesses, particularmente quando um desses órgãos é presidido por alguém que Lula só colocou lá para isso.

O padrão se repete em outras áreas. Na Petrobras, decisões vêm sendo contaminadas pela política, como se observa na gestão dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. Ali também, a partir de cálculos eleitorais, ataca-se a lógica empresarial e a governança de uma empresa de capital misto, comprometendo previsibilidade, confiança e eficiência. Para Lula e o PT, pouco importa: instituições de Estado e servidores públicos devem servir a estratégias de curto prazo do partido e de seu presidente.

Por esse motivo, é digno de aplauso o comportamento de Gabriel Galípolo, que merece todo o apoio dos brasileiros que prezam os valores republicanos. Não costuma ser fácil a vida de quem, sob a administração do PT, decide trabalhar pelos interesses do Estado, e não os do partido. Isso é particularmente importante no Banco Central, cuja autonomia foi concebida, entre outras coisas, para impedir que a agenda eleitoral do governante contamine decisões sensíveis.

Um BC visto como subserviente ao governo gera imprevisibilidade e insegurança no mercado, o que costuma afugentar investimentos. Um BC que, além disso, se permita parecer engajado em uma campanha eleitoral perde toda sua autoridade. Assim, faz muito bem o sr. Galípolo ao deixar claro que não permitirá que a instituição sob sua direção seja capturada pelo PT. Que ele tenha força para continuar assim (Estadão,

Artigo, Carlos Alberto Di Franco, Estadão - STF – silêncio e crise de imagem

Recente pesquisa AtlasIntel sobre o STF não pode ser tratada como algo trivial. Quando 60% dos brasileiros afirmam não confiar no Supremo Tribunal Federal, não se está diante de uma oscilação de humor coletivo, mas de uma crise profunda de legitimidade institucional.


O Brasil atravessa um momento gravíssimo. O escândalo do Banco Master, protagonizado por Daniel Vorcaro, não revela apenas desvios pontuais. Expõe, de forma contundente, indícios de práticas que ultrapassam a fronteira dos deslizes éticos e avançam perigosamente para o terreno do crime.


As informações já conhecidas indicam relações impróprias entre o banqueiro e autoridades que deveriam estar comprometidas com a estrita observância da lei. Os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli aparecem associados a encontros, interlocuções e proximidades incompatíveis com a exigência de imparcialidade. Não se trata apenas de má aparência institucional. Trata-se de condutas que, se confirmadas, configurariam conflitos de interesse de extrema gravidade.


Por que não informar com quem estava o celular funcional do STF no dia da prisão de Vorcaro? Por que interferir no Congresso e não prorrogar a CPMI? Corporativismo? Prevaricação? Isso, por óbvio, não contribui para a imagem da corte. O silêncio do STF não se justifica. E só agrava o quadro. Sobretudo quando os fatos se multiplicam.


O ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembolsaram, nos últimos cinco anos, R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e São Paulo, todos pagos à vista, conforme registros em cartório obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo. O patrimônio imobiliário da família soma hoje R$ 31,5 milhões. Em 2017, quando Moraes foi indicado ao Supremo Tribunal Federal, o valor dos imóveis do casal era de R$ 8,6 milhões. 

Houve, portanto, um crescimento patrimonial superior a três vezes em menos de uma década.


Os rendimentos conhecidos do ministro não explicam, de forma imediata, essa evolução. Em 2017, antes de assumir o STF, Moraes recebia cerca de R$ 33 mil mensais. Atualmente, seu salário gira em torno de R$ 46 mil – um aumento de quase 40%. Ao longo da carreira, ocupou cargos relevantes – ministro de Estado, secretário estadual e membro do Ministério Público –, todos com remuneração próxima ao teto do funcionalismo.


Viviane Barci de Moraes, por sua vez, é sócia do escritório Barci de Moraes Advogados. Desde a nomeação do marido ao STF, houve um salto expressivo em sua atuação nos tribunais superiores: o número de processos sob sua responsabilidade passou de 27 para 152 no STF e no Superior Tribunal de Justiça.


Diante desses dados, o jornalismo cumpre sua missão essencial. A reportagem do Estadão não acusa, não julga, não sentencia. Limita-se a apresentar fatos objetivos e a levantar questionamentos de inequívoco interesse público.


O que se espera, nesses casos, é transparência. Simples, direta, inequívoca. Desde o dia 27 de março, segundo o próprio jornal, o ministro e sua esposa foram procurados para prestar esclarecimentos. Não responderam.


O silêncio, nesse contexto, não é neutro. Ele pesa. E pesa mal. Homens públicos – especialmente aqueles que ocupam o mais alto tribunal do país – devem explicações à sociedade. Não por favor, mas por dever.


Causa também grande perplexidade o episódio ocorrido em um sofisticado clube de Londres, com a presença de Moraes, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal. A convivência social, em ambiente de luxo, com personagens vinculados a investigações sensíveis fragiliza a credibilidade das instituições e levanta dúvidas legítimas sobre a independência das apurações.


O caso Banco Master não é um episódio isolado. É um teste decisivo para as instituições. A complacência diante de possíveis crimes compromete o Estado de Direito. O Brasil precisa reagir com firmeza, dentro da lei, para restaurar a confiança e reafirmar que ninguém está acima das normas que sustentam a República.


Mas há um elemento adicional que agrava, e muito, a crise institucional. Ao longo dos últimos anos, o tribunal – amparado no chamado “inquérito das fake news”, conduzido sob o comando do ministro Alexandre de Moraes – ampliou de forma preocupante o seu raio de ação. Sob a justificativa de defender a democracia, passou a ocupar espaços que, em uma ordem constitucional equilibrada, pertencem ao Legislativo e ao Executivo.


O resultado é um desequilíbrio institucional evidente. O Supremo deixou de ser apenas o guardião da Constituição para assumir, na prática, uma função de legislador universal e, em alguns momentos, de gestor da própria vida política do país. Esse movimento gera insegurança jurídica, alimenta tensões entre os poderes e, paradoxalmente, fragiliza a própria democracia que se pretende proteger.


A democracia exige equilíbrio, limites e responsabilidade. Nenhuma autoridade está acima da lei – e isso vale, de forma ainda mais rigorosa, para aqueles que têm a missão de interpretá-la.


Transparência não é concessão. É obrigação.

RS descumpre metas de alfabetização

Enquanto o RS enfrentou desafios, o Brasil superou a meta nacional, atingindo 66% de crianças alfabetizadas na idade adequada.

O Rio Grande do Sul não atingiu a meta de alfabetização infantil de 2025, registrando apenas 52% de crianças alfabetizadas na idade certa, contra os 69% esperados. Esse resultado coloca o estado entre os piores do país no Indicador Criança Alfabetizada. O RS ficou 17 pontos percentuais abaixo da meta prevista (69%), sendo um dos seis estados que não cumpriram o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.

Embora represente uma melhoria frente aos 44,7% registrados no auge dos eventos climáticos em 2024, o índice ainda é inferior aos patamares de 2023.

Especialistas da UFRGS e Seduc associam o baixo desempenho às interrupções escolares causadas pelas enchentes de 2024.

O governo estadja defende-se com base na informação de que  busca a recuperação através do programa Alfabetiza Tchê, com foco em superar lacunas da pandemia e recentes desastres, visando alcançar 74% de alunos alfabetizados até o final de 2027. 


A fila negligenciada do INSS

Neste editorial da RBS, faltou apenas uma leitura política sobre o descalabro do governo do PT no caso da má gestão do INSS, que não se resume à imensidão das filas, mas também ao escândalo da roubalheira dos aposentados e pensionistas. O fato é que a dmeissão, ontem, do Waller, o breve presidente do INSS, é mais a entrega de um anel da má e corrupta gestão de Lula e do PT, tudo para salvar os dedos, as mãos e os corpos inteiros putregados do líder e da organização criminosa. Leia o editorial da RBS, de qualquer forma, porque vale a pena.

O certo é que, por incapacidade, estratégia para segurar gastos ou incompreensão dos reais motivos, o governo passou distante de cumprir o compromisso de campanha

A principal versão saída do Palácio do Planalto sobre a demissão de Gilberto Waller da presidência do INSS, nesta segunda-feira (13), indica que o governo está inquieto com o tamanho da fila de requerimentos represados de diversos tipos de benefícios. O relacionamento ruim com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, também teria pesado. Se a demora nas análises e o acúmulo de processos foi de fato o principal motivo, pode-se concluir que o Executivo federal foi até aqui negligente com um problema que há muito chamava atenção. Diante da popularidade cambaleante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a poucos meses da eleição, o governo foi forçado a tomar uma providência mais drástica.

Espera-se que a busca por celeridade não se misture à urgência eleitoral e se transforme em condescendências demasiadas 

Durante a campanha, em 2022, Lula prometeu zerar a fila do INSS. No discurso de posse, classificou como vergonhoso o número de brasileiros que aguardavam resposta sobre pedidos de aposentadoria, pensão, benefícios por incapacidade permanente ou temporária e outros auxílios previdenciários. À época, em janeiro de 2023, a tal fila escandalosa era de 1,2 milhão de pedidos. Ao longo do governo, em meio a períodos pontuais de queda, seguiu uma forte tendência de alta. Ao final do ano passado, ultrapassou 3 milhões. Chegou a 3,1 milhões em fevereiro e recuou para 2,7 milhões em março, nesta segunda-feira ontem o INSS.

O certo é que, por incapacidade, estratégia para segurar gastos ou incompreensão dos reais motivos da existência da fila, o governo passou distante de cumprir o compromisso de campanha. A conferir, agora, se a escolhida para comandar o instituto, Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do INSS, conseguirá uma redução consistente dos números. Ana Cristina era secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência. 

Waller esteve 11 meses no cargo. Assumiu logo após a Polícia Federal deflagrar a operação que apura descontos fraudulentos em aposentadorias por entidades associativas. Ainda que os desvios tenham atravessado outros governos, é mais um caso que envolve o INSS e pesa na popularidade do Executivo atual.

O fato é que ações anunciadas para diminuir a fila, como o pagamento de bônus a servidores, a contratação de mais peritos médicos e os mutirões aos finais de semana não surtiram efeito. Mas, além de medidas de curto prazo, o ideal seria compreender as razões que levam à aceleração da chegada de novos pedidos, como os de Benefício de Prestação Continuada (BPC), em um contexto de envelhecimento da população, formalização do trabalho e judicialização, enquanto o número de servidores cai. A digitalização do atendimento, tendência também nos serviços públicos e necessária para combater fraudes, não significou agilidade. É natural que o público mais idoso tenha dificuldades com a tecnologia.

Os brasileiros com direitos merecem ser atendidos no tempo regulamentar. Na virada do ano, dos cerca de 3 milhões de requerimentos à espera de análise, mais de 60% aguardavam resposta havia mais de 45 dias, além do prazo legal. Espera-se que a busca por celeridade não se misture à urgência eleitoral e se transforme em condescendências demasiadas, favorecendo quem não se enquadra nos benefícios buscados. Uma redução substancial da fila, afinal, também tem impacto fiscal considerável.






Estudantes honestos temem os detectores de IA

 Estudantes honestos temem os detectores de IA principalmente devido à falta de confiabilidade dessas ferramentas, que podem gerar falsos positivos — acusando erroneamente textos humanos originais de terem sido gerados por inteligência artificial. 

As principais razões para esse medo incluem:

Falsos Positivos e Acusações Injustas: Detectores frequentemente falham em distinguir escrita humana, especialmente quando o texto é estruturado, formal ou técnico. Isso pode levar a acusações de desonestidade acadêmica, resultando em notas baixas, reprovações ou manchas no histórico escolar do aluno.

Viés contra Não Nativos: Pesquisas indicam que detectores de IA têm vieses contra estudantes que não têm o inglês como língua nativa. Estruturas frasais mais simples ou convencionais usadas por esses alunos são frequentemente confundidas com a escrita previsível de uma IA.

Necessidade de "Provar" a Própria Escrita: O ônus da prova inverte-se, forçando o aluno honesto a demonstrar que o trabalho é de sua autoria, um processo estressante e muitas vezes difícil de validar.

Ansiedade e Mudança na Escrita: O medo de ser mal interpretado gera "ansiedade desnecessária", levando alunos a alterarem seus estilos de escrita naturais — forçando uma sintaxe menos "perfeita" — para evitar detecção.

Limitações Técnicas: Os detectores não garantem 100% de precisão e baseiam-se em probabilidades estatísticas (padrões de previsibilidade) em vez de uma compreensão real da autoria. 

Consequentemente, muitos estudantes veem essas ferramentas como um "dilema" ou uma "piada" injusta que penaliza o esforço genuíno. 

China ameaça furar o bloqueio nval americano sobre Ormuz, mas não se atreve. EUA e Irã vão retomar negociações

Apesar da ameaça de desrespeitar o bloqueio naval e aéreo imposto pelos EUA sobre o Estreito de Ormuz, o fato é que a China não fez isto até gora, 7h30min desta terça-feira. A China é o maior importador de petróleo do Irã e depende visceralmente dele para ativar sua economia. Um petroleiro chinês sancionado pelos EUA, o Rich Starry, passou pelo Estreito de Ormuz, ontem, na terça-feira e se aproximava do bloqueio realizado pelo Exército norte-americano, segundo sites de monitoramento marítimo como o LSEG, MarineTraffic e Kpler. Segundo as fontes, o navio-tanque navega sob a bandeira da China e transporta cerca de 250 mil barris de metanol

O governo da China chamou nesta terça-feira o bloqueio dos Estados Unidos a portos do Irã de "perigoso e irresponsável", além de "minar o já frágil cessar-fogo" na guerra no Oriente Médio, mas não ameaçou furá-lo.

O cessar fogo prossegue por duas semanas, apesar do fracasso da primeira rodada. Ontem, Trump disse que os iranianos querem voltar à mesa. Os impasses principais são o enriquecimento de urânio (Trump quer moratória de 20 anos para o desenvolvimento do enriquecimento de urânio e o Irã topa 5) e a questão de Ormuz.



Sobre a suposta “PRISÃO”de Alexandre Ramagem, alguns esclarecimentos objetivos

1. Ramagem não foi preso, mas detido após uma abordagem policial em Orlando, inicialmente por uma infração leve de trânsito e, na sequência, encaminhado ao ICE - procedimento comum na Flórida.


2. Essa é, neste momento, uma questão meramente imigratória. Porém, o status de Ramagem é LEGAL: ele possui um pedido de asilo pendente, protocolado há tempos e ainda sob análise, o que lhe permite permanecer legalmente nos Estados Unidos até a decisão final do caso - que é demorada, mas tem tudo para ser deferida.


3. A Immigrex, empresa da qual sou sócio, está prestando toda a assistência a Ramagem e sua família. Nossa expectativa é de que seja liberado o mais rapidamente possível e, no momento, não vemos qualquer risco de deportação. O trâmite do ICE também é burocrático e depende da formalização no sistema do órgão para que os próximos passos sejam dados nesta direção.


4. Extradição e deportação não têm absolutamente nada a ver entre si: extradição é um processo político-diplomático entre Estados, conduzido pelo Departamento de Estado; deportação é um procedimento administrativo interno de imigração. O caso em questão é exclusivamente migratório.


5. Para deixar absolutamente claro: O governo brasileiro não teve qualquer participação nesse episódio. Trata-se de um procedimento padrão da imigração americana. Isso não tem absolutamente nada a ver com o pedido de extradição do Brasil, que segue em análise no Departamento de Estado....


🔗 @pfigueiredo08

Entrevista, Osmar Terra

 O deputado narra um problema que constatou pessoalmente e que mostra falhas tremendas nos atendimentos pelo SUS. Como quantifica isto ?

Quem precisar de uma consulta médica no Sistema Único de Saúde (SUS) corre o risco de esperar até oitocentos dias para ser atendido, dependendo da especialidade. 

E este caso que o deputado usa como exemplo ?
Este pacien/te tem um problema renal e o marcaram a consulta para daqui a oitocentos dias. Se levar todo este tempo, vai entrar na hemodiálise. 

O SUS está com problema ?
O Sistema não está bom, o SUS está doente. O Brasil está voltando a uma era pré-SUS pois se o interessado pagar a consulta, tem atendimento na mesma semana.  Quando um brasileiro pobre tem que pagar para fazer exames, procedimentos especializados na saúde, ou esperar anos para fazê-lo gratuitamente pelo SUS, significa que a saúde deixa de ser um direito do cidadão e obrigação do Estado. Significa que estamos retrocedendo a uma era onde esse direito, assegurado pelo SUS, não existia…e a maioria da nossa população ficando cada vez mais desatendida

Isto se tornou uma regra  ?
A raiz deste mal é a atenção básica que não funciona. O Brasil tem 55 mil equipes de Saúde da Família e cada uma funciona de um jeito. São terceirizada, quarterizadas, pejotizadas, algumas concursadas. Não há compromisso com o resultado. Se o recurso é pouco, a terceirizada fica um pedaço, qual o salário que vai pagar para o profissional ?

Pode citar um exemplo ?
Não há prevenção no posto de saúde, que resolve apenas 35% dos problemas e não 80%, como deveria ser.

O Brasil mudou de lado? - Dagoberto Lima Godoy

A política externa do governo Lula já não pode ser apresentada apenas como busca de autonomia. Ela revela, de forma cada vez mais clara, uma escolha ideológica: afastar o Brasil de seu eixo histórico de aproximação com os Estados Unidos e aproximá-lo do campo que contesta a primazia ocidental, tanto na política quanto na economia.

Sob o rótulo de “neoliberalismo”, o governo investe contra a livre iniciativa, a centralidade do mercado e a ordem econômica liderada pelo Ocidente. Em sentido oposto, exalta a multipolaridade, o BRICS e mecanismos destinados a reduzir o peso do dólar e das instituições internacionais moldadas pelos países ocidentais. Não se trata de acaso diplomático, mas de convicção. Lula já afirmou, no BRICS, que “o modelo neoliberal aprofunda as desigualdades” e, no Foro de São Paulo, disse orgulhar-se de ser chamado de “comunista” ou “socialista”.

Essa orientação também se manifesta na forma desigual como o governo trata seus parceiros. O capital chinês é recebido como instrumento de um projeto: multipolaridade, soberania tecnológica, financiamento alternativo, redução da dependência do Ocidente. O capital americano, ao contrário, costuma ser cercado de reservas, suspeitas e condicionantes políticos. A China é exaltada como parceira estratégica; os Estados Unidos, tratados como potência hegemônica a ser contida ou contrabalançada.

O governo celebrou investimentos chineses em cerimônias de alto nível, firmou amplos pacotes de cooperação e aprofundou instrumentos financeiros sensíveis. Já no trato com Washington, predominam a linguagem defensiva, os atritos políticos e a negociação sob tensão. Mesmo quando há cooperação objetiva, como no combate ao crime organizado, ela aparece menos como parceria de confiança do que como expediente funcional

O mesmo viés se revelou na reação brasileira ao conflito entre EUA, Israel e Irã. O governo condenou os ataques americanos e israelenses, insistiu em que ocorreram em meio a negociações e tratou a diplomacia como única via legítima. Embora tenha mencionado a resposta iraniana, a censura política mais forte recaiu sobre a ação dos EUA e de Israel, não sobre o regime dos aiatolás. A pretensa neutralidade, nesse caso, soou menos como prudência do que como inclinação.

O que está em curso, portanto, é um reposicionamento ideológico do Brasil, sem mandato claro da sociedade para tanto. O país vai sendo empurrado para mais perto do campo antiamericano e para mais longe do universo liberal-democrático e da economia de mercado que, com todas as suas imperfeições, moldaram sua inserção histórica no Ocidente.

O pragmatismo tradicional da diplomacia brasileira ainda impede uma ruptura aberta, mas já não conduz a política externa; apenas lhe contém os excessos. A direção de fundo parece nítida: na estratégia lulopetista, a ideologia vem primeiro; a realidade entra depois, para impor limites.

Se o Brasil não declarou formalmente que mudou de lado, seu governo age, cada vez mais, como se já tivesse mudado.

E o Congresso? Assiste a tudo de longe, como se a geopolítica não lhe dissesse respeito. Já a vontade de grande parte do povo brasileiro vai sendo ignorada, embora seja sobre ele que recairão, amanhã, as consequências de uma escolha desastrada.

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12-04-2026



Câncer de cabeça e pescoço

Segundo o Ministério da Saúde, quando somados todos os tipos, o câncer de cabeça e pescoço configura o terceiro mais incidente no Brasil, com ocorrência maior entre os homens. Neoplasia é o termo médico para descrever o crescimento anormal de células que não morrem no momento certo. Quando localizada na região cervical, significa a formação de tecidos na laringe, faringe ou tireoide, que desencadeia em tumores que podem ser benignos ou malignos. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), indicam que 80% dos tumores de cabeça e pescoço são diagnosticados em estágios avançados, o que desfavorece os prognósticos. A maioria dos casos são tumores na hipofaringe, orofaringe, cavidade oral e laringe. 

Leia esta reportagem de hoje da Agência Brasil. Segue texto integral assinado pela jornalista Flávia Albuquerque.

O vice-líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço do A.C. Camargo Cancer Center, Thiago Bueno, explica que uma verruga, por exemplo, é um crescimento anormal de células, mas que não faz metástase, então é algo benigno. 

"O crescimento anormal de células que invade os tecidos locais e outros pontos, é maligno. A maioria dos cânceres no pescoço não se originam diretamente nessa região. Geralmente, nascem em algum outro lugar que chamamos grosseiramente de cabeça e pescoço e as células vão para os linfonodos do pescoço, popularmente chamadas de ínguas”, explicou.

Causas e sintomas

De acordo com o médico, os principais fatores de risco para a doença são o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, exposição ao tabagismo e infecção por HPV, além do histórico familiar. 

Entre os sintomas estão sensação de corpo estranho na região, dor, sangramento e dificuldade para engolir, além de cansaço persistente, perda de peso sem explicação, febre prolongada, suor noturno e desconforto persistentes. 

O médico alerta que ao sinal de qualquer nódulo na região do pescoço e qualquer lesão (afta ou ferida) na boca ou garganta que não desapareça ou cicatrize espontaneamente em até 15 dias, sangramentos por via oral, rouquidão persistente, dor para engolir deve-se procurar atendimento médico. 

Diagnóstico e tratamento

A investigação da doença é feita por meio de uma série de exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, seguidos por biópsia. Após o diagnóstico, o tratamento costuma ser multidisciplinar e pode incluir cirurgia, radioterapia, imunoterapia ou quimioterapia, dependendo da gravidade. 

“Na maioria dos casos as chances de cura são favoráveis. Para cada paciente estabelecemos uma estratégia de tratamento que nos traga as melhores chances de cura, com o mínimo de efeitos colaterais possíveis. Atualmente os tratamento

Artigo, Frederico Vasconcelos - Interesse público


O Tribunal de Ética da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) inaugurou uma discussão necessária, aparentemente tardia, ao definir o que é eticamente vedado a advogados na relação com magistrados.

O índex recomenda evitar "conceder, custear ou viabilizar benefícios e vantagens materiais a agentes públicos, como magistrados, membros do Ministério Público e parlamentares, incluindo viagens, eventos, transporte privado e outras facilidades".

Pelos parâmetros fixados, o Conselho Federal da OAB não poderia ter bancado convescote em novembro passado, em Roma, reunindo ministros de tribunais superiores e autoridades dos três Poderes.

Todas as despesas de viagem do ministro do STF Kassio Nunes Marques, por exemplo, foram pagas pelo Conselho Federal.

Estavam em Roma, entre outros, o PGR Paulo Gonet, o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público.

A OAB não forneceu a programação social e acadêmica (palestrantes e temas) do encontro.

A Faculdade Escola Superior de Advocacia da OAB, vinculada ao Conselho Federal da Ordem, mobilizou alunos e professores para o seminário "Direito Digital: Entre a Inovação e a Regulação", na Universidade Sapienza de Roma.

Não há informações sobre quem pagou as contas dos ministros do STJ Og Fernandes, Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Mauro Campbell Marques, Marco Buzzi e Benedito Gonçalves.

O STJ informou que o tribunal "não custeia despesas com passagens aéreas e diárias de viagens que não sejam para representação institucional do tribunal, portanto, a serviço da corte".

Em outubro último, oito ministros do STJ, incluindo o corregedor Campbell, viajaram à França e à Alemanha na companhia de entidades de cartórios e advogados privados, com despesas pagas, inclusive os gastos de familiares.

Na ocasião, os ministros do STJ não revelaram quem pagou as despesas. A Anoreg-BR (Associação dos Notários e Registradores do Brasil) também não forneceu o programa completo dos eventos.

A comissão criada pela OAB-SP para sugerir a reforma do Judiciário é formada por Ellen Gracie, Cezar Peluso, José Eduardo Cardozo, Miguel Reale Jr., Maria Tereza Sadek, Oscar Vilhena, Alessandra Benedito, Patricia Vanzolini e Cezar Britto.

Para o presidente da OAB, Beto Simonetti, essas discussões sobre um código de ética só seriam legítimas "se ocorressem de modo despolitizado, respeitando a independência judicial e envolvendo todos os atores do sistema de Justiça —sobretudo a advocacia".

O texto da OAB-SP sobre ética será enviado como contribuição ao Conselho Federal da OAB, que tem restrições ao código de ética para o Supremo.

Artigo, Gilberto Jasper - Educação sem formação no RS

 “Mais de 9 mil alunos passaram de ano reprovados em até quatro disciplinas no RS”. A medida, desde o seu anúncio, rende muita polêmica em todo o Estado. Não fiquei indiferente a mais esta novidade e considero inaceitável a decisão. Sou velho, dos tempos em que o mínimo era tirar nota 5 para ser aprovado.

O neologismo para a medida é “progressão parcial” e teria como objetivo “dar novas chances de aprendizado aos estudantes e reduzir a evasão escolar”. Vivemos a época em que os jovens têm enormes dificuldades de conviver com a frustração.

Os resultados podem ser vistos em qualquer lugar, onde a revolta e a depressão são reações consideradas normais. Pais, cada vez mais, transferem a tarefa de educar seus filhos aos professores. São profissionais que assoberbados por baixos salários e condições precárias de muitas escolas, apesar da massiva propaganda do governador do Estado.

 O objetivo escamoteado pela publicidade oficial é alavancar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Esta postura passará uma falsa ideia de que a educação, no RS, vai muito bem obrigado, o que não corresponde à verdade.

 Outro argumento dos marqueteiros é de que o custo de o aluno não terminar o Ensino Médio é de R$ 395 mil/ano para o Estado. Ora, para um governo que gastou R$ 170 milhões em publicidade em 2025 – e recebeu bilhões do governo federal para os efeitos da enchente, vendeu vários ativos e não pagou a dívida com a União por anos a fio - é um valor ínfimo.

O objetivo das autoridades estaduais é – ou deveria ser – trabalhar na formação de jovens para enfrentar os próximos anos de formação e, o principal: encarar os desafios da vida de adulto. Mas isto está longe de ser a verdadeira met

A cada ano, matérias-primas aumentam fatia na pauta de exportações do Brasil

 A pauta exportadora brasileira nos últimos 10 anos (2016-2025/26) foi marcada por um aumento consistente na dependência de commodities, consolidando o Brasil como um "supermercado" e "mineradora" global. A participação das commodities (agropecuária e extrativa) no total exportado passou de pouco mais de 40% em meados da década de 2010 para ultrapassar 50% nos anos mais recentes. 

Evolução da Participação das Commodities na Pauta de Exportação (Estimativa Anual):

2016: A participação de matérias-primas ficou em torno de 40-45%.
2017-2019: Crescimento gradual impulsionado por soja e minério de ferro.
2020-2021: Com a pandemia, houve uma valorização acentuada dos preços das commodities, elevando sua participação para superar 50% da pauta.
2022: As commodities representaram mais da metade do valor exportado, com destaque para a indústria extrativa (22,7%) e agropecuária (21,5%), além de produtos da transformação.
2023: A participação continuou alta, com matérias-primas representando cerca de 55% do total exportado, impulsionado por recordes na soja e petróleo.
2024: O agronegócio sozinho representou uma parte expressiva, com exportações de US$ 164,4 bilhões, apesar de uma leve queda no valor total de 1,3% comparado a 2023.
2025/2026: A tendência se mantém, com petróleo bruto superando a soja como principal commodity exportada e o agro respondendo por cerca de 45% das exportações totais em meses recentes. 

Nota: Os dados definitivos de participação percentual exata são recalculados anualmente pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).


Artigo, Jerônimo Goergen - Biocombustíveis: decisão estratégica para o Brasil

O debate sobre o futuro do agronegócio brasileiro passa, necessariamente, por uma compreensão mais ampla do papel dos biocombustíveis na nossa economia. Não se trata apenas de uma alternativa energética, mas de um dos pilares que sustentam o desenvolvimento do interior do país.

Como bem destacou o professor Marcos Fava Neves, o Brasil vive um processo de empoderamento bioenergético que transformou profundamente a dinâmica econômica das regiões produtoras. Essa visão ajuda a compreender uma realidade muitas vezes ignorada: sem os biocombustíveis, o agronegócio brasileiro não seria o que é hoje.

Durante décadas, fomos reconhecidos como exportadores de commodities. Mas essa lógica evoluiu. O Brasil passou a agregar valor à sua produção, industrializando parte relevante do que produz e gerando riqueza dentro do próprio território. As cadeias do etanol e do biodiesel são exemplos claros dessa transformação.

Esses setores vão muito além da produção de energia. Eles geram empregos, estimulam investimentos, fortalecem a indústria nacional e promovem desenvolvimento regional. Criam um ciclo virtuoso que conecta o campo à indústria e amplia a capacidade do país de crescer com base em seus próprios recursos.

O biodiesel e o etanol são, ao mesmo tempo, instrumentos de política energética, desenvolvimento econômico e inclusão produtiva. Representam uma estratégia que combina eficiência, sustentabilidade e soberania.

Diante disso, o Brasil não pode hesitar.

Em um cenário internacional marcado por incertezas, conflitos e disputas por energia, temos uma vantagem competitiva clara. Precisamos consolidar essa estratégia, garantindo previsibilidade e segurança para os investimentos, e avançar de forma consistente na ampliação do uso de biocombustíveis.

Não se trata de uma escolha circunstancial. Trata-se de uma decisão estratégica de país.

Fortalecer os biocombustíveis é fortalecer o agronegócio, a indústria e a economia brasileira. É garantir geração de emprego, renda e desenvolvimento no interior. É transformar potencial em realidade.

O Brasil já mostrou que esse caminho funciona. Agora, precisa ter clareza e determinação para segui-lo.



Artigo, Leonardo Lamachia, Correio do Povo - A OAB/RS não se omite

Neste 11 de abril de 2026, a OAB do Rio Grande do Sul segue se orgulhando da sua história, que é marcada por lutas em prol da advocacia e da sociedade gaúcha. Ao longo da sua trajetória, a Ordem se notabilizou pela defesa da democracia, do Estado de Direito, das prerrogativas da advocacia e dos direitos humanos.

Essa é a marca da instituição e aquilo que orienta a sua atuação até os dias de hoje. No dia em que completa seus 94 anos, é possível afirmar que, frente à maior crise institucional desde a redemocratização, a OAB gaúcha não tem faltado em sua missão. Nas pautas da advocacia, por exemplo, de 2022 até hoje, foram aprovados cinco projetos de lei de interesse da classe.

Houve, também, uma atuação efetiva e permanente na defesa das prerrogativas, além de conquistas importantes, como o plano do IPE Saúde e outros benefícios diretos para as advogadas e advogados gaúchos. Mas, diante do quadro que vivemos, a Ordem também não tem faltado na defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito. Desde janeiro de 2022, a OAB/RS tem feito uma defesa integral desses valores. Tem denunciado excessos praticados pelo Supremo Tribunal Federal, bem como a exposição pública e midiática de alguns ministros, incompatível com a Lei Orgânica da Magistratura.

Mais recentemente, propôs uma carta aberta à sociedade gaúcha, buscando o aperfeiçoamento institucional e a recuperação da credibilidade do STF. Para que isso aconteça, é necessária uma mudança imediata de postura por parte do Supremo. É preciso, também, que seja aberta investigação em relação a ministros envolvidos com o caso Banco Master. Não é possível que o Senado da República, omisso até agora, siga sem desempenhar sua função de fiscalização do Poder Judiciário. Da mesma forma, não é aceitável que a Procuradoria-Geral da República permaneça em silêncio, sem cumprir a sua obrigação.

É frente a esse contexto que a Ordem completa os seus 94 anos. Um momento difícil para a sociedade e para a advocacia, mas que, ao mesmo tempo, reafirma a importância da instituição e de suas conquistas recentes. A OAB/RS está ativa, atuante, desempenhando o seu papel e honrando a sua tradição, e assim seguirá, porque essa é a nossa missão