Artigo, Gustavo Motta - 50 anos de jornalista raiz

Gustavo Motta é jornaista, Porto Alegre.

Hoje, 2 de janeiro de 2026, completo exatamente 50 anos de jornalismo. Assinei minha carteira na TV Difusora em 1976, ainda sob a ditadura militar, quando a palavra era vigiada e o silêncio era imposto. Naquela época, fizemos um jornalismo que buscava a liberdade, que desafiava a censura, que caminhava ao lado da sociedade na luta pela democracia. Vencemos.

Nunca parei. Passei pela TV Difusora (hoje Band), pela TV Guaíba, Rádio Guaíba, Revista Voto, Correio do Povo. Na Assembleia Legislativa, em 1987 ,fui contratado pra criar a Rádio Assembleia,  primeiramente analógica por telefone , que depois se transformou na primeira rádio web das assembleias brasileiras.Tive a honra de ser chefe de imprensa da Comissão de Sistematização da Constituição Gaúcha, ao lado de Mendes Ribeiro Filho como relator, Jarbas Lima presidente, e relatores adjuntos Carlos Araújo, José Fortunati e Athos Rodrigues. Uma composição plural que entregou à sociedade uma carta de alforria após décadas de regime autoritário. Registro isso aqui enquanto minha memória está viva, pois internamente não há registros, e temo que minha existência e meu trabalho lá sejam reescritos, apagados da história.Quase ia esquecendo: como dublê de marqueteiro, participei de todas as campanhas eleitorais majoritárias ao governo do Estado e à prefeitura de Porto Alegre desde a redemocratização — ajudando a pensar estratégias, executar rádio.  Minha paixão.Ao longo dessas cinco décadas, reportei a história política do Rio Grande do Sul, do Brasil e do Cone Sul, das transições democráticas às crises contemporâneas. Continuo fazendo isso no Réplica e Tréplica, programa da TV Assembleia, debatendo os temas locais, nacionais e internacionais com os deputados estaduais.Não fui e nem sou celebridade. Sou jornalista  raiz: do questionamento, da crítica ao poder, da busca por uma sociedade mais justa, livre, distributiva e igualitária.O triste é saber que a luta contra o autoritarismo,venha de onde vier, ainda é necessária. Esse continua sendo nosso papel: resistir com honestidade intelectual, sem concessões.Cinco décadas depois, ainda estou aqui. E isso, para mim, é o maior orgulho.

Dica do editor - Se você é trabalhador informal, saiba que novos impostos você terá que pagar

Desde o dia 1o de janeiro, ontem,  trabalhadores informais e autônomos que prestam serviços de forma contínua enfrentam novas obrigações fiscais e um aumento na carga tributária devido à implementação da reforma tributária e mudanças no Imposto de Renda (IR). Principais Mudanças e Impactos Obrigatoriedade de Nota Fiscal Eletrônica (NFS-e): A principal mudança é a obrigatoriedade, a partir de 1º de janeiro de 2026, de emissão da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) por meio do Emissor Nacional para todos os profissionais autônomos que se encaixam nas regras, incluindo pedreiros, empregadas domésticas e vendedores que trabalham continuamente.Novos Tributos (IBS e CBS).  A emissão da nota fiscal acarreta a cobrança automática do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirão, respectivamente, o ICMS/ISS e o PIS/Cofins no futuro. A alíquota inicial do IBS sobre serviços deve variar entre 2% e 5% sobre o valor bruto do serviço, dependendo da atividade.Necessidade de CNPJ: A partir de julho de 2026, pessoas físicas que contribuírem com CBS e IBS deverão ter um CNPJ. Isso afeta profissionais liberais, transportadores autônomos de cargas e produtores rurais.Aumento da Faixa de Isenção do IR: Em contrapartida, para trabalhadores formais e informais que se regularizarem, a faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) foi ampliada para quem ganha até R\(5.000pormês.Anteriormente, o limite era de R$ 3.036 mensais. 

Dica do editor - Estas são as 10 profissões que deixarão de existir ainda nesta década

A projeção das profissões com maior risco de desaparecer até o final da década foi feita pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), por meio da pesquisa Future of Jobs Survey 2024, apresentada no relatório Future of Jobs Report 2025. O estudo ouviu mais de 800 empresas de 45 países, incluindo o Brasil, representando mais de 11 milhões de trabalhadores:

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Vereadores estão reunidos para cassar prefeito e vice de Cachoeirinha, RS

 A Câmara de Cachoerinha, Grande Porto Alegre, abriu a sessão que votará o impeachment do prefeito Cristian Wasem (MDB) e do vice-prefeito Delegado João Paulo (Progressistas). São dois pedidos, segundo que o segundo é por coação feita contra vereadores.

Na sessão que votou a admissibilidade, foram 13 votos a favor e 4 contra.

Se forem cassados, a presidente da Câmara assumirá de imediato. Prefeito e vice poderão recorrer, mas fora do cargo. Caso não consigam êxito, novas eleições sairão em outubro

O documento toma por base o Decreto-Lei nº 201/1967, que disciplina as infrações político-administrativas de prefeitos e vice-prefeitos no país.Na peça, alega-se que Cristian e João Paulo cometeram infrações político-administrativas e crimes de responsabilidade, apoiando-se em provas agrupadas na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0600571-47.2024.6.21.0143, além de relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS).

Os dois principais fatos que sustentam a denúncia são:

- Distribuição gratuita de 14 mil pares de tênis a alunos da rede municipal às vésperas das eleições de 2024, apontada como conduta vedada e abuso de poder político e econômico;

- Repasse irregular de cerca de R$ 2,7 milhões em recursos públicos, durante as enchentes de maio de 2024, a pessoas físicas e empresas privadas supostamente ligadas a apoiadores da campanha de reeleição.

Veja como votaram os vereadores na admissibilidade, o que deve se repetir hoje:

Claudine Silveira (Progressistas) - NÃO

Cléo do Onze (MDB) - NÃO

Edison Cordeiro (Republicanos) - NÃO

Flávio Cabral (MDB) - SIM

Gilson Stuart (Republicanos) - SIM

Gustavo Almansa (PT) - SIM

Jussara Caçapava (Avante) - SIM

Léo da Costa (PT) - SIM

Mano (PL) - SIM

Marcelo Mattos (MDB) - SIM

Otoniel Gomes (MDB) - SIM

Paulinho da Farmácia (PDT) - SIM

Pricila Barra (Podemos) - SIM

Sandrinha (Republicanos) - SIM

Tiago Eli (Progressistas) - SIM

Uilson Droppa (Podemos) - NÃO

Zeca Transportes (MDB) - SIM


CNBB tira nota para defender pacificação nacional

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou "grave preocupação" com alguns retrocessos no campo da ética. A Carta de Ano-Novo de lideranças católicas foi publicada na última segunda-feira. 

Sobre a democracia no país, a entidade afirma que o ano de 2025 foi marcado por "profundas tensões e retrocessos sociais" que fragilizaram a confiança nas instituições:

- No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social. Algumas experiências fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna (....) A democracia é um patrimônio do povo brasileiro que exige cuidado, diálogo e respeito aos freios e contrapesos institucionais (...) Embora imperfeita, ela é terreno fértil onde a justiça e a verdade podem se abraçar (cf. Sl 85,10) e florescer.”

A entidade não fala especificamente em anistia política, mas defende que a nação deve reencontrar o caminho da pacificação, do diálogo e do respeito mútuo, o que sem anistia é impossível.

 Entre os pontos citados pela Igreja, destacam-se:

Conduta de autoridades: o texto denuncia "a perda de decoro e a falta de responsabilidade por parte de algumas autoridades, especialmente do nosso Congresso Nacional”.

Enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção na vida pública;

Fragilização dos mecanismos democráticos, por causa de interesses econômicos e disputas de poder;

Flexibilização de marcos legais: a CNBB critica as mudanças na Lei da Ficha Limpa e na Lei Geral do Licenciamento Ambiental;

Ameaças à proteção ambiental e aos povos originários e tradicionais, neste último caso, com a aprovação do marco temporal no Congresso Nacional;

Violência e intolerância: a mensagem condena o discurso de ódio, a manipulação da verdade e o aumento, especialmente, de crimes como o feminicídio;

Pagamento de juros e amortizações da dívida: deixa o país sem capacidade de maior investimento em áreas como educação, saúde, moradia e segurança;

Desigualdade social, que continua marginalizando muitos;

Uso de drogas e o crescimento de “economias ilícitas”.

RS criou 82,3 mil novos empregos no acumulado de janeiro a novembro

De janeiro a novembro de 2025, foram contabilizados 82.927 novos postos com carteira assinada no Rio Grande do Sull que é a diferença favorável entre empregos e desempregos no período. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. 

Em novembro, o Estado criou 4.635 vagas de trabalho com carteira assinada, número resultante de 116.038 admissões e 111.403 desligamentos.

O setor do comércio liderou o ranking de vagas com carteira assinada criadas no mês, com saldo de 4.197 empregos. O setor de agropecuária vem na sequência, com 2.258 postos, seguido do setor de serviços, com 1.712. A indústria e a construção tiveram uma leve queda, com saldo negativo no mês. 

Os cinco municípios do Rio Grande do Sul que mais criaram vagas em outubro foram: Porto Alegre (1.978), Pelotas (1.722), Santa Rosa (1.199), Vacaria (652) e Morro Redondo (393).