Artigo, especial,Renato Sant'Ana - Jornalismo ao revés

-  Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólog

Lenda ou fato? Frank Sinatra, que a ninguém prestava vassalagem, em uma coletiva de imprensa na Austrália, chamou os jornalistas de "prostitutas e gigolôs". O sindicato dos ofendidos exigiu (como se pudesse exigir) uma retratação do cantor. E ele se retratou! Durante um show, ele usou o microfone para pedir desculpas... às prostitutas! Estaria ele percebendo o que vemos nós hoje: mais "narrativas" que verdades nos editoriais?

O jornal Zero Hora (ZH), em editorial intitulado "Alexandre de Moraes deve explicações à sociedade brasileira", simulando uma posição crítica, investe na imunização cognitiva do leitor. A isso vamos.

ZH, Estadão, Folha de S. Paulo e O Globo já não têm como fechar os olhos para certos "exageros do STF" (eufemismo). Só que, quando ousam esboçar alguma crítica a alguém do STF, antes fazem um agradinho, satanizando aqueles que sofrem "persecução penal" em nome do salvamento do "estado democrático de direito" - óbvio, os acusados do 8 de janeiro.

Mas nenhum degenerou o jornalismo como ZH. O Globo, Estadão e Folha, o que é indigno, têm um discurso que assim se pode traduzir: "concordamos até aqui que os senhores ministros decidissem, como verbalizou a Min. Carmen Lúcia, fora da Constituição, mas agora será melhor que o STF se contenha um pouco e volte à ordem constitucional". Assim está posto em vários editoriais. Os três admitem que, em especial, a regra processual foi rasgada. E revelam, nas entrelinhas, a sua própria conivência.

Apenas ZH teve o peito de, ao satanizar os de sempre, afirmar que foram "respeitados todos os ritos processuais, incluindo o amplo direito de defesa". Mentira! Para começar, julgamentos que deveriam dar-se na 1ª instância tramitaram na 3ª e última instância, afrontando o princípio do juiz natural: é óbvio, não havendo instância superior à última, não há a quem recorrer das decisões. Onde está o direito a "ampla defesa" (que a Constituição prevê)? Tamanha vassalagem parece exclusividade de ZH.

É a posição da RBS que o editorial expressa. Quando, em 10/09/25, o Min. Luiz Fux (STF) lia seu voto no julgamento do ex-presidente Bolsonaro, a rádio Gaúcha (do grupo RBS, como ZH) estava ao vivo. Fux defendeu seu voto com farta citação da jurisprudência, da doutrina e da legislação: votou pela nulidade do processo. Alguém viu algum jurista sério defender o contrário? Mas os jornalistas Matheus Schuch e Kelly Matos, na rádio, faziam comentários que beiravam o deboche: não admitiam que ele pudesse contrariar as narrativas da imprensa. Acaso têm eles cacife para refutar a análise abalizada de um JUIZ a quem, aliás, eles não davam ouvidos e a quem tratavam como mero transgressor?

Em GZH, portal da RBS, Matheus Schuch e Kelly Matos repetiram a dose. Escreveram: "'In Fux we trust': ministro reproduz discurso de aliados de Bolsonaro em voto no STF". Ah, Fux não tem luz própria e só repetiu um discurso político? A jurisprudência, a doutrina e a profunda análise da legislação, em um voto solidamente elaborado, eles não viram? O panfleto dos jornalistas serve a que os simples imaginem que Fux (dos 11 membros do STF, o que tem a mais consistente carreira como magistrado) nada mais fez que o papelão de tomar o partido do réu. Aí está! Fomentar crenças, em vez de informar, serve ao fenômeno da "imunização cognitiva".

Eles não sabem que "organização criminosa", "crime organizado", "devido processo legal" e "juiz natural", entre outros, são categorias jurídicas examinadas com grande vagar na doutrina e na jurisprudência, à parte de estarem previstas em lei. Não é coisa que se resolva numa conversa de bar. E foi o que Fux mostrou em seu voto. Mas quem quer saber disso?

E vem o editorial... Agora, para o grupo RBS, que fala através de ZH,

Alexandre de Moraes "deve explicações à sociedade brasileira". O assunto foi levantado pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, que, protegida pelo art. 5º XIV, da Constituição, escancara dois fatos com potencial para um terremoto. Um é que Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master ou, se preferirem, em favor de Daniel Vorcaro (dono do banco), investigado pelo que se afigura como o maior golpe financeiro do país. O outro é um contrato milionário do escritório da esposa de Moraes com o mesmo banco encrencado.

A imprensa já não pode mais fingir que não está vendo. E o editorial do grupo RBS, gastando mais tinta na apologia ao ministro do que no assunto em pauta, cobra explicações de Alexandre de Moraes para os fatos que a experiente Malu Gaspar publicou em O Globo. Porém, o máximo a que a RBS avança é dizer: "Configuraria, aí, um gritante conflito de interesses." O jornalismo da RBS não conhece a lei. Não sabe que, em se confirmando os fatos, o que há é "advocacia administrativa". Está no Código Penal, art. 321. Mas os fatos não serão confirmados. Não haverá terremoto. Os ativistas da imprensa hão de enfatizar esse pormenor no futuro.

Está óbvio. A valentia suave dos editoriais é oportunismo, não coragem. Se houvesse um propósito honesto, as cobranças teriam aparecido quando a primeira norma constitucional foi rasgada, o "devido processo legal" foi deletado, a separação dos poderes passou a ser ignorada e o casuísmo se tornou um método.

E-mail: sentinela.rs@outlook.com


Artigo, especial, Marcus Vinicius Gravina - O bom caráter e o mau-caráter

O bom caráter e o mau-caráter

Marcus Vinicius Gravina

OAB-RS 4.949


O caráter pessoal é um componente da personalidade capaz de medir a ética e a formação moral do ser em sociedade. Também entendido por integridade pessoal.


Neste final de ano dois fatos distintos de membros, da mais alta corte judicial brasileira, se apresentaram para a avaliação desta escala de valor. E, não podem passar despercebidos.


O primeiro deles foi o do ministro do STF, André Mendonça. Ele não entrou em recesso forense (férias) para continuar atento às prisões da CPMI, sobre o inquérito dos ladrões dos velhinhos do INSS, de que é relator. 


O outro caso é o de seu colega ministro Alexandre de Moraes, que apareceu, surpreendentemente, na capital mundial da riqueza e ostentação, como saído da “lâmpada do Aladdin”, em Dubai, lugar preferido de banqueiros de toda a parte. 


Antes de partir secretamente, ou já em viagem, determinou que o seu desafeto e moribundo, Jair Bolsonaro fosse trancafiado, com tornozeleira, numa prisão improvisada na Polícia Federal.  Isso    com a cumplicidade do omisso Superior Tribunal Militar e do silêncio da OAB Nacional para, mesmo não querendo, ver apressada a sua morte. 


No entanto, não dispôs de tempo para apreciar medidas judicias urgentes dos presos por sua decisão induzida aos colegas daquela Corte.  


A atitude deste ministro segue a dinâmica construída por ele. Revela a sua soberba, de quem não se sente ameaçado por tudo que falam dele e dos pedidos de impeachment ao seu mandato. 


É para não deixar enfraquecer o ânimo de quem ainda o apoia por medo ou interesse na sustentação do consórcio pela busca do poder discricionário de alguns ministros do STF,  com a presidência da República. 


Não será de mais, depois da volta do casal - que está no foco das investigações do “affair” do Banco Master - que haja uma Nota Oficial, que informe como se deu todo o deslocamento do ministro, familiares, assessores e seguranças à fantástica nova Disneylândia dos ricaços deste planeta ou, se haverá a declaração de sigilo por 100 anos. Nova prática de proteção dos atos criminosos de agentes públicos.   

Assim não será preciso que algum coronel da aeronáutica denuncie, como aconteceu com o Felipe Martins. 


Ao falar em avaliação de agente público, os ministros do STF não estão isentos do cumprimento dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, do art.37 da CF. 


Quanto ao Princípio da Eficiência, um dos fatores de avaliação dos cidadãos, é o da retenção abusiva de processos em seus gabinetes, sem movimentação ou julgamento, para servir como moeda de troca pela não aprovação de seus impeachment, com promessa velada de prescrição das ações contra Senadores e Deputados. 


Caxias do Sul, 03.01.2026


Maduro e sua mulher Cília já estão presos em Nova Iorque

 CLIQUE AQUI para ler reportagens e ver fotos do desembarque de Maduro em Nova Iorque, na visão do jornal The New York Times,que criticou a ação americana na Venezuela.

Ao lado, agentes federais diante da prisão do Brooklin, para onde o casal foi levado.  A foto é do NYT.

Imagens transmitidas em canais de televisão e que viralizaram nas redes sociais, mostraram o desembarque do ditador Nicolás Maduro no Aeroporto Internacional de Stewart, no Vale do Hudson, a 95 quilômetros da cidade de Nova Iorque. O avião que levou o ditadore sua esposa, Cília Flores, pousou por volta das 18h30 (horário de Brasília) deste sábado (3), mais de 16 horas após a captura do casal, em Caracas, por forças especiais norte-americanas em uma invasão militar sem precedentes do território venezuelano. Maduro estava acorrentado nos pés, algemado nas mãos e custodiado por agentes da DEA. Segundo a imprensa dos EUA, 

Maduro e a esposa, que serão processados por tráfico internacional de drogas, acusação ainda sem apresentação pública de provas por parte do governo norte-americano, serão agora deslocados de helicóptero até Manhattan, na sede da DEA.