Entrevista, Osmar Terra - Há que conter a proliferação de Faculdades de Medicina

Entrevista, Osmar Terra - Há que conter a proliferação de Faculdades de Medicina

Ilustração criada por Inteligência Artificial.

O deputado federal Osmar Terra (PL-RS) É médico formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro com mestrado em Neurociências pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

O Brasil possui 494 escolas médicas, com um total de 50.974 vagas anuais de graduação em Medicina. A maioria delas (80%) é privada e o número de cursos tem crescido rapidamente.
}O que eu posso dizer é que o crescente número de cursos de Medicina criados no Brasil, gera preocupação com a possível ausência de critérios técnicos objetivos quanto à capacidade assistencial e à existência de campos de prática suficientes e qualificados. 

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A que se deve essa expansão descontrolada ?
Há um excesso de escolas privadas de medicina. As 157 faculdades públicas no Brasil poderiam aumentar suas vagas sem ter que  haver esta proliferação de escolas. Elas são verdadeiros caça-níqueis, no interior do Brasil, sem estrutura mínima. 

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Artigo, Raquel Gallinati - O silêncio dos policiais que desistem de viver

 *Delegada de Polícia, Mestre em Filosofia (PUC-SP), Diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil

 No Brasil, há uma realidade que raramente ganha espaço no debate público. Mais policiais morrem por suicídio do que em confrontos armados, seja durante o serviço ou nos dias de folga. Para muitos, o maior perigo não está nas ruas, mas dentro deles mesmos. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2024), a principal causa de morte entre policiais não é a violência que enfrentam externamente, mas aquela que se acumula em silêncio no peito até se tornar insuportável.

 Apesar dessa realidade brutal, o tema segue negligenciado pelo poder público e subestimado pelas próprias instituições. O suicídio policial continua sendo tratado como um caso isolado, e não como sintoma de um sistema que adoece seus integrantes de forma estrutural e constante.

 A carreira policial é, por natureza, estressante e emocionalmente desgastante. Exposição constante à violência, longas jornadas de trabalho, ameaças, risco de morte e o desprezo de uma sociedade que exige muito, mas pouco reconhece, moldam a trajetória mental de quem veste a farda ou distintivo.

 Há, ainda, um peso mais insidioso: a cultura de invulnerabilidade imposta pelas instituições. Desde o início da formação, o policial é ensinado a resistir a tudo — dor, frio, fome, medo — sem jamais demonstrar fragilidade. O mito do “herói indestrutível” sufoca qualquer tentativa de acolhimento ou cuidado com a saúde mental. Falar sobre sofrimento ainda é visto como sinal de fraqueza.

 Essa cultura se agrava em estruturas hierárquicas rígidas, onde o medo de punição, rebaixamento ou desqualificação impede o profissional de pedir ajuda. O resultado é previsível: traumas silenciados, sinais de esgotamento e, muitas vezes, explosões. Contra si ou contra os que estão ao redor.

 A violência institucional não está apenas nas ruas. Dentro das corporações, muitos policiais enfrentam assédio moral, humilhações de superiores, transferências arbitrárias e perseguições disfarçadas de correções disciplinares. A instabilidade das escalas, a ausência de critérios objetivos para promoções e a falta de perspectiva de crescimento alimentam a desesperança.

 Há também o fator financeiro. Baixos salários fazem com que muitos policiais façam bicos nos dias de folga para complementar a renda, aumentando o desgaste físico e mental. Lazer torna-se privilégio, e convívio familiar, exceção. Nesse ciclo, corpo e mente se esgotam, sem chance de recuperação.

 Além disso, dívidas crescentes, uso abusivo de álcool, dependência de medicamentos e acesso facilitado a armas tornam qualquer crise emocional uma tragédia anunciada.

 A rede de apoio psicológico é quase inexistente. Quando há atendimento, costuma ser pontual, sem continuidade, e realizado por profissionais que muitas vezes não têm formação específica em saúde mental ocupacional ou traumas complexos.

 A ausência de dados confiáveis sobre tentativas de suicídio agrava o problema. As instituições policiais têm estruturas fechadas e pouca transparência. Não há protocolos padronizados de acompanhamento psicológico nem diretrizes claras de prevenção. A cifra negra é regra, não exceção.

 E o mais alarmante: muitas vezes, as próprias chefias são orientadas a tratar os casos com discrição excessiva — o que perpetua o estigma, apaga as estatísticas e impede a construção de políticas públicas eficazes.

 Romper o ciclo de silêncio é urgente. Não se trata apenas de implementar “programas de apoio psicológico”, mas de reformular a lógica de cuidado nas forças de segurança. É necessário:

• Núcleos permanentes e independentes de saúde mental, com atendimento contínuo e sigiloso;

• Protocolos institucionais claros de prevenção ao suicídio;

• Formação de gestores para identificar sinais de sofrimento e agir com empatia;

• Campanhas internas que promovam o cuidado como sinal de força — não de fraqueza;

• Revisão de escalas, plantões e políticas de promoção, valorizando o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

 Cuidar de quem cuida é a escolha de reconhecer que nenhuma instituição sobrevive sem humanidade. Investir na saúde mental dos policiais vai além de garantir segurança pública – é afirmar que toda vida tem valor, inclusive a daqueles que dedicam a própria vida para proteger as outras.

 Porque, antes de qualquer farda ou distintivo, existe um ser humano que precisa continuar existindo. E ninguém deveria caminhar sozinho pelo próprio abismo.

 


Entrevista, Osmar Terra - Ha que conter a proliferação de Faculdades de Medicina

O deputado federal Osmar Terra (PL-RS) É médico formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro com mestrado em Neurociências pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

O Brasil possui 494 escolas médicas, com um total de 50.974 vagas anuais de graduação em Medicina. A maioria delas (80%) é privada e o número de cursos tem crescido rapidamente.
O que eu posso dizer é que o crescente número de cursos de Medicina criados no Brasil, gera preocupação com a possível ausência de critérios técnicos objetivos quanto à capacidade assistencial e à existência de campos de prática suficientes e qualificados. 

Estes exagerados números devem inquietar as pessoas e a sociedade como um todo ?
Eu temo pelos impactos sobre a qualidade da formação médica e a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS), e também com relação a complexidade e abrangência das decisões que envolvem a expansão da formação profissional no país, e considerando o elevado impacto social, sanitário e orçamentário que a autorização desses cursos pode implicar:

A que se deve essa expansão descontrolada ?
Há um excesso de escolas privadas de medicina. As 157 faculdades públicas no Brasil poderiam aumentar suas vagas sem ter que  haver esta proliferação de escolas que são verdadeiros caça-níqueis, no interior do Brasil, sem estrutura mínima ? Isto se reflete no mau atendimento da saúde da população. 

Artigo, especial, Jerônimo Goergen -A desconexão da política com o mundo real

Jerônimo Goergen, advogado, ex-deputado federal, é presidente do Instituto Liberdade Econômica (ILE)

A política brasileira segue cada vez mais desconectada do mundo real. Enquanto a população enfrenta desafios concretos — como renda, emprego, produção e qualidade de vida — grande parte do debate político permanece concentrada em alianças construídas a partir da ocupação de cargos, da divisão de espaços de poder e da lógica do “quem fica com o quê”.

Em vez de coalizões baseadas em ideias, propostas e projetos de país, ainda predomina a formação de arranjos políticos sustentados por interesses imediatos. Discute-se ministérios, secretarias, presidências de estatais e estruturas de poder, mas pouco se debate sobre soluções efetivas para os problemas que afetam o dia a dia da sociedade.

Essa prática esvazia o papel da política como instrumento de transformação. Quando alianças são formadas sem base programática, o resultado é um governo sem rumo claro, com decisões fragmentadas, contraditórias e, muitas vezes, incapazes de entregar resultados concretos. A política passa a funcionar para si mesma, enquanto o país real segue esperando respostas.

O mundo real exige outra postura. Exige liderança, coragem para enfrentar problemas estruturais e compromisso com soluções que façam sentido fora dos gabinetes. A sociedade não cobra unanimidade, mas coerência. Não espera promessas genéricas, mas direção, prioridades e responsabilidade.

O Brasil precisa urgentemente migrar da política dos cargos para a política das ideias. Menos negociação por espaços e mais debate sobre caminhos. Menos acordos de ocasião e mais compromisso com teses que apontem soluções reais para o desenvolvimento, a geração de oportunidades e o futuro do país.


Artigo, especial - As rasteiras em Jair Bolsonaro

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

 O cálculo político de Tarcísio de Freitas ficou escancarado mais uma vez: o gover nador de São Paulo adiou — na prática, cancelou — a visita marcada para esta quinta-feira a Jair Bolsonaro. Motivo oficial? “Compromissos em São Paulo”. O motivo de fundo parece ser evitar cobranças e preservar manobras para não se comprometer de vez com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Enquanto isso, os aliados do governador fazem a outra parte do serviço, plan tando na imprensa a narrativa de sempre: Tarcísio é o “moderado”, o “gestor”, o “inevitável” para 2026. Como sempre, tudo coordenado e regado por interesses de quem não aceita a escolha legítima de Bolsonaro. Eles ignoram — ou fazem de conta que não existem — os dados e os fatos que desmontam o sonho platônico. Insistem em forçar rachas, fazem drama e falam em “traição” para encher as pági nas de política de padrão fofoca e alimentar a sua horda, mas a realidade insiste em desmentí-los. A Faria Lima — que fantasiou com um nome “técnico” alinhado aos seus interes ses — acorda todos os dias com o pesadelo: Bolsonaro fechou a franquia no Zero Um. Desde o início, a unção de Flávio como candidato de Jair causou pânico e uma corrida de perfis ligados ao mercado nas redes sociais. O discurso é o mesmo plantado na imprensa, mas com ares de análises matemáticas que não se sus tentam, como a tal rejeição: “Flávio não pode vencer Lula por conta da rejeição”. Mas e a rejeição a Lula que é ainda maior? Essa linha também não está na planilha imaginária da narrativa do mercado financeiro. Quando saiu a notícia de que Jair pediu para receber a visita de Tarcísio, todos ti nham a certeza pela enésima vez: “Flávio vai desistir e o Jair chamou Tarcísio para assumir a candidatura”. Mas a realidade mais uma vez se impôs. Não era nada dis so e nunca será. Flávio é o herdeiro, carrega o sobrenome e o eleitorado fiel — e os números confirmam que isso pesa. O último revés veio com a AtlasIntel/Bloomberg divulgada recentemente. Flávio Bolsonaro sobe forte e se consolida como o nome mais competitivo da oposição. No segundo turno, direto contra Lula, a diferença despencou de 12 pontos (dezem bro/2025) para apenas 4 pontos. Um avanço expressivo para quem entrou na dispu ta há poucos meses. E esse não é o dado que mais incomoda. Quando colocados os dois nomes, Flávio e Tarcísio, a diferença entre ambos é mais que o dobro em favor do escolhido por Jair Bolsonaro. Não para por aí: se tirar o nome de Flávio, Lula dis para. A pesquisa colocou por terra toda a narrativa da “direita permitida”. O cancelamento da visita revela egoísmo, a plantação na mídia revela desconexão, a irritação da Faria Lima revela frustração com a realidade que não se curva a desejos. No fim das contas, o bolsonarismo segue como o único antídoto ao PT. Na frente das câmeras, com microfones ligados, os "aliados" juram lealdade à escolha de Jair. Em off, com a covardia de sempre, confessam: só seguem se ele escolher o candidato deles. Quanto ao governador, recorrendo à frieza calculada, dessa vez deixou de lado muito mais que uma convocação, abriu mão de fazer um gesto mínimo de soli dariedade com aquele que lhe deu visibilidade e oportunidade. Algumas das no tinhas plantadas falam que Tarcísio cansou de levar rasteiras. Se tem alguém que vem levando rasteiras, inclusive de ditos aliados, é o ex-presidente. A única certeza sobre esse grupo de “aliados” é que o mimimi, as rasteiras e a plan tação de notícias não vão parar.

Dica do editor - Saiba por que o Inmetro recomenda cuidado com a cadeirinha do bebê conforto

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) orienta os pais a terem atenção na compra e utilização da cadeirinha do bebê conforto, equipamento obrigatório para garantir a segurança de recém-nascidos e bebês durante o transporte em veículos automotores.

Este material é da Agência Brasil de hoje.

Leia todo o texto:

 Segundo o instituto, o primeiro aspecto a ser observado é se o produto possui o selo de certificação do Inmetro, que indica que o equipamento foi submetido a ensaios e atende aos requisitos técnicos obrigatórios. De acordo com o diretor de Avaliação da Conformidade do Inmetro (Dconf), João Nery, é importante também a verificação das informações fornecidas pelo fabricante, como faixa etária, peso e altura indicados no manual. No Brasil, o uso do bebê conforto é obrigatório para o transporte de crianças de até 1 ano, até 13 kg ou até 75 cm. "Essas especificações determinam se o modelo é compatível com as características da criança e devem ser rigorosamente respeitadas, uma vez que a escolha de um equipamento inadequado pode comprometer a proteção oferecida pelo dispositivo. É imprescindível que esses produtos sejam adquiridos em mercados formais e que os consumidores verifiquem a presença da marca do Inmetro”. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp O diretor destaca também que o uso correto do bebê conforto é fundamental para a segurança. A instalação deve ser feita no banco traseiro do veículo, sempre virado para trás (de costas para o motorista), posição que reduz significativamente o risco de lesões em caso de frenagens bruscas ou colisões. "Além da instalação, as alças internas devem estar ajustadas ao corpo da criança, nem frouxas, nem excessivamente apertadas, garantindo que a retenção seja eficaz em caso de impacto. O manual do fabricante e os indicadores do próprio equipamento orientam o uso correto", enfatiza Nery. É recomendado ainda que os recém-nascidos não passem mais de uma hora seguida nesses dispositivos. "O bebê conforto foi projetado exclusivamente para o transporte veicular, não sendo recomendado manter a criança por períodos prolongados no dispositivo fora do carro", ressalta o diretor. Além do bebê conforto, outros dispositivos para uso de crianças, como a cadeira de segurança e a cadeira de elevação, também devem ser utilizados conforme a idade, o peso e a altura da criança, sempre de acordo com as orientações de segurança e a legislação vigente. A cadeira de segurança é indicada para crianças de 1 a 4 anos, ou com peso de até 18 kg, e também deve ser instalada no banco traseiro do veículo. Nesse equipamento, a criança permanece sentada e posicionada de frente para o movimento do carro, conforme as especificações do fabricante. Alguns modelos suportam pesos maiores, podendo chegar a 36 kg. Já o assento de elevação é destinado a crianças com peso entre 15 kg e 36 kg, geralmente na faixa etária de 4 a 7 anos. Sua função é elevar a criança para que o cinto de segurança do veículo seja corretamente posicionado sobre as partes adequadas do corpo, como quadril, centro do peito e meio do ombro.