terça-feira, 19 de março de 2019

Artigo, Renato Sant'Ana - Como utilizam tragédias

         A esquerda latino-americana (não há por que pôr o substantivo no plural) é a mais sem-cerimônia do mundo, o que, aliás, torna mais fácil arrancar-lhe a máscara e revelar sua verdadeira índole.
          Antes que fossem conhecidas as circunstâncias do massacre na Escola Raul Brasil, de Suzano (SP), Dilma Rousseff apressou-se em oferecer uma "narrativa" recheada de falsificações: "O porte de armas irrestrito e amplamente liberado a toda população vai dar instrumento para que o assassinato massivo se torne endêmico e cotidiano", falou. E ainda disse que o projeto de lei anticrime do ministro Sergio Moro é "encontro marcado com tragédias como a de Suzano".
          Mas donde tirou ela que, agora, "toda população" vai ter "porte de armas irrestrito e amplamente liberado"?
          Fica difícil manter a elegância quando é forçoso dizer que a esquerdista Dilma Rousseff, empenhada em propagar informações falsas, usou sem pudor a comoção causada pelo massacre de Suzano.
          Sim, Dilma falseia a verdade! Ao contrário do que diz ela, não é e nunca foi objetivo do governo Bolsonaro (que ela encara como inimigo) armar indiscriminadamente todo mundo: o que o governo quer - e a população majoritariamente apoia - é resguardar o direito à autodefesa.
          Mas, para entender a malícia da coisa convém recordar que, em 2005, o povo foi às urnas para dizer "sim" ou "não" ao comércio e, por conseguinte, ao uso de armas. Apesar da avassaladora propaganda pelo "sim" (articulada por PT e Rede Globo) venceu o "não". Contudo, o governo Lula, desrespeitando as urnas, desarmou a população.
          E no que deu? A violência só aumentou! Ora, o governo pode desarmar quem respeita a lei, mas não consegue impedir o acesso do crime ás armas. E quando bandidos armados sabem que a população está desarmada, o resultado é óbvio! Hoje, as cidades estão por demais inseguras. E viver no campo é uma temeridade.
          Não é demais lembrar. Em 2011, em plena vigência do desarmamento, um rapaz, armado com dois revólveres, invadiu a Escola Tasso da Silveira no Rio de Janeiro e disparou contra os alunos. Matou 12 crianças. E teria matado muito mais, se um policial militar não houvesse chegado a tempo e, de arma em punho, atirado no criminoso.
          A chacina de Suzano foi planejada durante um ano por terroristas que atribuíram ao ato insano um sentido simbólico (e tresloucado), inclusive usando armas medievais. Mas Dilma foi ligeira, fazendo seu insustentável manifesto antes que quaisquer informações fossem publicadas.
          Sim, insustentável. Basta saber que o "assassinato massivo", de que fala Dilma, não era "endêmico e cotidiano" antes do desarmamento imposto pelo PT. Por que viria a sê-lo com um novo regramento?
          Mas não é difícil entender a jogada. O que o esquerdismo vem despejando nas redes sociais sobre Suzano é só a práxis do ideário consolidado no nefasto Foro de S. Paulo: ali se planejou a implantação do "socialismo do século XXI", sendo o desarmamento da população parte da estratégia - como foi feito na Venezuela.
          E o que faz Dilma Rousseff? Para amedrontar a população e pôr o governo em descrédito, ela tenta manipular o pasmo, o temor e a incerteza que a tragédia de Suzano causou. Mas ela é só um parafuso emperrado de uma ruidosa engrenagem a ser neutralizada por meio da verdade.
          E a verdade é que a esquerda brasileira não faz outra coisa senão a sua egoísta e descarada luta pelo poder, ignorando que também se faz política para somar e construir, inclusive por meio de uma leal e bem fundamentada crítica ao governo, o que ela é incapaz de praticar.

Renato Sant'Ana é Psicólogo e Advogado

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