Artigo, especial, Jerônimo Goergen - Jornada 6x1: o risco de legislar contra o emprego

Artigo, especial, Jerônimo Goergen - Jornada 6x1: o risco de legislar contra o emprego

- O autor é presidente do Instituto Liberdade Econômica (ILE)

O Brasil volta a discutir mudanças na jornada de trabalho, especialmente no modelo 6x1. É um tema legítimo. Todos queremos mais qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e bem-estar. Mas exatamente por ser um assunto sério, ele não pode ser tratado com slogans ou decisões apressadas.


A jornada 6x1 não existe por acaso. Ela organiza setores que não podem parar: comércio, logística, alimentação, transporte, serviços e indústrias que operam em turnos. O país funciona aos sábados, domingos e feriados. Alterar essa estrutura de forma generalizada, sem considerar as realidades produtivas, é criar insegurança e elevar custos justamente onde o emprego é mais sensível.


E aqui está o ponto central: isso afeta diretamente a liberdade econômica.

Porque liberdade econômica não é discurso: é garantir que empresas possam funcionar, produzir, empregar e investir com previsibilidade. Quando o Estado impõe novas obrigações sem avaliar impacto, ele reduz competitividade, encarece o emprego formal e enfraquece o ambiente de negócios.


Como relator da Lei da Liberdade Econômica, aprendi uma lição essencial: boas intenções não bastam. Quando o Estado cria regras sem medir consequências, o resultado costuma ser o oposto do desejado. Mais burocracia, mais custo e menos oportunidade. E quando o emprego formal fica caro demais, a economia empurra milhões para a informalidade.


O debate precisa ser técnico e honesto. Dados do IBGE mostram que a média de horas efetivamente trabalhadas no Brasil é de 39,3 horas semanais, mesmo com o teto legal de 44. Ou seja, o sistema já opera com flexibilidade e ajustes construídos pela negociação.


O problema é quando se tenta impor mudanças por lei sem discutir produtividade e o custo do emprego formal. Estimativas citadas pela CNI indicam que uma redução para 36 horas pode elevar os custos da indústria em R$ 178,8 bilhões, um aumento de 25,1%. Mesmo a redução para 40 horas pode gerar impacto anual entre R$ 58,3 bilhões e R$ 87,5 bilhões.


Isso não atinge apenas grandes empresas. Afeta principalmente pequenas e médias, responsáveis por cerca de 52% dos empregos formais do país. Muitas não terão como absorver aumento de custos e perda de produtividade sem reduzir vagas, cortar turnos ou deixar de contratar.


A Lei da Liberdade Econômica foi criada justamente para evitar esse tipo de erro: regras impostas sem diálogo, que travam a atividade produtiva e penalizam quem gera emprego. Uma mudança rígida na jornada, sem compensações e sem desoneração da folha, fere o espírito da liberdade econômica, porque aumenta custo, reduz competitividade e enfraquece a geração de oportunidades.


Modernizar relações de trabalho é necessário. Mas o caminho não é a canetada. É fortalecer a negociação e enfrentar o verdadeiro gargalo brasileiro: o peso dos encargos e o alto custo de contratar formalmente.


O trabalhador merece melhores condições. Mas merece, acima de tudo, um Brasil que não destrua empregos em nome de boas intenções. A pergunta é simples: essa mudança vai gerar mais oportunidades ou vai produzir mais desemprego?

Lula na linha de tiro

 Por vaidade pessoal e mau aconselhamento de seus assessores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou evoluir a ideia de ser homenageado por uma escola de samba do Rio de Janeiro no desfile do próximo domingo, o que poderá culminar em punição do Tribunal Superior Eleitoral por propaganda política antecipada. Com a anuência presidencial e financiamento da Embratur, a escola de samba Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial do Carnaval carioca, levará ao sambódromo da Sapucaí o enredo "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula o operário do Brasil", que retrata a trajetória pessoal e política do atual chefe da nação.


Não haveria problema algum e talvez até pudesse ser considerada uma homenagem merecida se Lula não fosse pré-candidato à reeleição. Da maneira como está planejada, porém, com presença da primeira-dama Rosângela Lula da Silva num dos carros alegóricos e do próprio presidente no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, afigura-se uma exposição demasiada do pretendente à reeleição, com vantagens evidentes sobre os demais candidatos que ainda não estão em campanha.


Como o TSE já cassou mandatos e tornou até mesmo um ex-presidente inelegível por campanha eleitoral extemporânea, o risco de sinistro político é grande e já começa a preocupar até mesmo integrantes do governo

Por tais motivos — e também por conta do radicalismo político vigente no país —, parlamentares e partidos de oposição recorreram ao Judiciário com o propósito de suspender o desfile da escola e de punir os responsáveis pela homenagem, a começar pelo próprio homenageado. Nesta quarta-feira, a Justiça Federal rejeitou as ações impetradas pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pelo deputado Kim Kataguiri (União-SP) contra a escola de samba, considerando que os pedidos não cumpriram os requisitos necessários para a abertura de um processo de ação popular. Mas a representação encaminhada pelo Partido Novo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contra o presidente, o PT e a escola de samba, ainda carece de julgamento. O Novo alega que o desfile extrapola os limites de uma homenagem cultural e se transforma numa peça de pré-campanha ao associar a trajetória de Lula e elementos típicos de campanha eleitoral.


Como o TSE já cassou mandatos e tornou até mesmo um ex-presidente inelegível por campanha eleitoral extemporânea, o risco de sinistro político é grande e já começa a preocupar até mesmo integrantes do governo. Tanto que os ministros anteriormente inscritos para desfilar na escola homenageante já anunciaram suas desistências. Nesse caso, pelo menos, o bom-senso prevalece sobre a bajulação.


Ainda que a oposição não consiga barrar o desfile, como solicita o Novo em sua representação, ficará nas mãos do ministro Kássio Nunes Marques, próximo presidente do TSE e indicado ao cargo pelo ex-presidente Bolsonaro, a tarefa de decidir se a homenagem será ou não enquadrada como propaganda eleitoral antecipada. No mínimo, está criada mais uma polêmica explosiva para o processo eleitoral que se avizinha, com potencial para acirrar ainda mais a polarização e o radicalismo político no país. Os cidadãos brasileiros podiam passar sem isso — e dedicar ao Carnaval apenas sentimentos de alegria, descontração e convívio social. E nossos políticos deveriam refletir sobre uma citação do Papa Francisco: "A vaidade é mentirosa, engana a si mesma e engana o vaidoso".



Dica do editor - Dica do editor - Saiba por que você não pode desidratar nestes dias de verão

 O jornalista Cristiano Vargas, PMPA, explica, hoje, no site da preeitura de Porto Alegre, que o forte calor dos últimos dias exige atenção redobrada aos cuidados com o corpo. Entre os principais problemas registrados nesse período do ano está a desidratação. Diz a reportagem.

De acordo com a médica clínica do Centro de Saúde Santa Marta, Raissa de Moura, a desidratação pode afetar diretamente a pressão arterial e o bem-estar geral. “A desidratação pode levar à pressão mais baixa, tontura e mal-estar, tudo decorrente da falta de líquido no nosso corpo”, explica.Os sinais variam conforme a gravidade do quadro. “Os sintomas podem ir desde transpiração excessiva, tontura, mal-estar e pressão baixa, até vômitos, diarreia e, em situações mais graves, desmaios”, alerta a médica. “É importante levar a pessoa para um local fresco e arejado, oferecer água, realizar compressas frias e encaminhar para avaliação médica, seja em uma unidade de saúde ou em uma unidade de pronto atendimento”, reforça Raissa.

Atenção redobrada - Alguns grupos demandam atenção redobrada, como idosos, crianças, gestantes e a população em situação de rua. “Essas pessoas são mais vulneráveis à desidratação e devem ingerir água regularmente, não apenas quando sentirem sede, como medida preventiva”, destaca a médica.

A Secretaria Municipal de Saúde também orienta a adoção de cuidados adicionais nos dias mais quentes, como evitar a exposição ao sol nos horários de maior intensidade, entre 10h e 16h, e permanecer em ambientes frescos e bem ventilados sempre que possível. Diariamente, a Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) distribui água gelada para pessoas em situação de rua na região central da cidade.