Artigo, especial - O carnaval do falso herói

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

]Se o Carnaval é a arte da ilusão, não haveria palco mais apropriado para o enredo que Lula tenta vender ao mundo. Enquanto a avenida brilha com luzes pagas pelo seu imposto, o que se vê não é uma homenagem espontânea a um presidente. O encômio prestado a Lula pela Acadêmicos de Niterói é mais uma peça de marke ting caríssima para tentar reescrever o passado, esconder o presente e, quem sabe, manipular mais uma vez o futuro. A fantasia de "herói do povo" é o figurino favorito de quem aprendeu, ainda nos tempos de sindicato, que o grito no palanque serve para esconder o brinde de whisky com os donos do PIB nos bastidores. O líder que posa de eterno operário e homem do povo é o mesmo que, entre quatro paredes, selava acordos que garan tiam o lucro dos poderosos enquanto o verdadeiro trabalhador acreditava que ele brigava por seus direitos. A narrativa na Sapucaí ignora uma das maiores contribuições do falso herói para a história do Brasil: foi com Lula no poder que o Brasil conheceu a institucionaliza ção da propina. Claro que o samba-enredo deixou de fora o Mensalão, que trans formou o voto do parlamentar em mercadoria; deixou de fora o Petrolão, o maior assalto aos cofres públicos já registrado, que drenou bilhões da Petrobras para alimentar um projeto de poder eterno. Foi assim que o “perseguido político” da propaganda se tornou o primeiro presi dente a ir para a cadeia por corrupção sistêmica. E assim como nos anos 80, des frutou de uma cela que nenhum brasileiro comum jamais verá — uma mordomia que prova que, para o topo da pirâmide, até a punição tem sabor de privilégio. Enquanto o mestre-sala gira, ficam de fora os movimentos de pessoas próximas ao homenageado. O enredo omite o irmão que bateu à porta do ministério da Previdência para "aliviar" as regras que protegiam o dinheiro dos aposentados, abrindo caminho para o assalto bilionário ao bolso de milhões de aposentados e pensionistas. Omite o filho que, segundo um depoente, recebeu R$ 25 milhões e mais uma mesada de 300 mil reais dos chefes da quadrilha. O enredo não men ciona a política tratada como negócio de família, onde o sobrenome vale ouro e a ética é um detalhe descartável. O "pai dos pobres" da avenida é o maior abre-alas que os bancos já tiveram. Com ele à frente, os bancos bateram recordes de lucros, provando que o discurso de justiça social é apenas um samba atravessado de uma realidade onde o pobre se endivida e o banqueiro faz a festa. E a conta final dessa festa não cabe em nenhum carro alegórico: o desfile de Lula como presidente da república levou o Brasil a uma dívida pública de R$ 10 trilhões – que as atuais e as futuras gerações terão que pagar – é um número que o enredo não mostra e o marketing tenta esconder, Não há alegoria que mostre que o herói pintado de guardião da democracia de fende ditadores sanguinários. A verdade é que a fantasia faz parte da essência dele; a vida pública de Lula é um desfile permanente das aparências. O grande problema é que quando a quarta-feira de cinzas chegar e o som da bateria calar, o brasileiro perceberá que a festa de Lula sempre foi financiada com o seu suor, a homenagem foi comprada com o seu dinheiro e o "herói" que acenava do alto de um camarote é o mesmo que deixou a conta para quem ficou só assistindo da arquibancada. No fim, o que sobra não é a alegria, é a ressaca de um país que foi enganado pela fantasia do falso herói

Artigo, especial, Jerônimo Goergen - A política atravessou o samba: quando a festa vira propaganda oficial

Jerônimo Goergen é advogado e presidente do Instituto Liberdade Econômica (ILE)

O Carnaval é uma das maiores expressões culturais do Brasil. É arte, identidade popular, alegria e também uma gigantesca engrenagem econômica que gera empregos, movimenta o turismo e sustenta milhares de famílias. Por isso mesmo, deve ser respeitado como patrimônio cultural e preservado como espaço de criatividade e liberdade. O problema começa quando essa festa, que deveria ser do povo, passa a ser usada como instrumento político, especialmente quando há dinheiro público envolvido. A homenagem feita pela escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Lula poderia ser tratada apenas como uma escolha artística, se fosse espontânea, legítima e financiada por recursos privados, como ocorre em tantas manifestações culturais. Mas deixa de ser apenas cultura quando se descobre que existe participação direta de estruturas do governo, envolvimento da primeira-dama e financiamento público por meio da Embratur. A partir desse ponto, a discussão não é mais sobre samba, nem sobre gosto político. É sobre limites, responsabilidade e respeito à democracia.


O erro não está na escola fazer uma homenagem. O erro está no presidente da República aceitar e, de certa forma, construir e legitimar esse tipo de homenagem em um ambiente financiado com dinheiro do contribuinte, ainda mais em ano eleitoral. O Brasil não pode banalizar esse tipo de prática. Um milhão de reais pode parecer pouco para alguns, mas para a realidade brasileira é muito dinheiro. É recurso que poderia ser aplicado em saúde, assistência social, segurança pública ou até mesmo em ações concretas de promoção do turismo, com resultados reais e mensuráveis. O que não faz sentido é destinar verba pública para uma homenagem com forte apelo político sem comprovação de retorno efetivo para o país. Se a justificativa era promover turismo, onde estão os indicadores claros? Onde está o plano técnico, o impacto mensurado, o benefício real? A sensação é que se usou a estrutura pública para algo que, na prática, se aproxima muito mais de propaganda do que de política pública.


E quando isso ocorre em ano eleitoral, o risco institucional aumenta. Por muito menos já se cassou prefeito, vereador e vice-prefeito em eleições municipais Brasil afora. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro foi penalizado por condutas consideradas irregulares em contexto eleitoral. Portanto, não existe justificativa para relativizar regras quando se trata do atual governo. A lei deve valer para todos, independentemente de quem esteja no poder. Mais grave ainda é perceber que, além de promover a imagem de um presidente, um desfile financiado com recursos públicos pode ser usado para atacar um ex-presidente. Não se trata aqui de gostar ou não gostar de Bolsonaro, nem de defender ou atacar Lula. A questão é simples: o Estado brasileiro não pode usar dinheiro público para alimentar disputa política, promover aliados e atacar adversários. Isso não fortalece a democracia, enfraquece. A cultura não pode virar palanque financiado pelo contribuinte.


O alerta feito pelo Tribunal de Contas da União deve ser tratado com seriedade. Quando o TCU aponta risco, não é para registrar formalidade e seguir em frente como se nada tivesse acontecendo. Se há indícios de irregularidade, o correto seria suspender, esclarecer, revisar e agir com transparência. Manter o processo apesar do alerta passa uma mensagem perigosa de autossuficiência, como se o governo estivesse acima dos órgãos de controle. E esse é um caminho que o Brasil não pode aceitar. O país já vive desafios demais: economia pressionada, insegurança, filas no SUS, dificuldades sociais, endividamento das famílias e um ambiente político polarizado que exige maturidade e responsabilidade. Em vez disso, assistimos a mais um episódio que reforça a sensação de que o poder público se acostumou a confundir governo com campanha, comunicação institucional com marketing político e promoção cultural com autopromoção pessoal.


A democracia não se defende apenas com discursos bonitos, mas com atitudes práticas e respeito às instituições. Se o Ministério Público, os órgãos fiscalizadores e os tribunais competentes não avaliarem esse caso com rigor, o Brasil corre o risco de normalizar um precedente gravíssimo: o de usar a máquina pública para financiar homenagens e campanhas disfarçadas. A política atravessou o samba. A máquina pública atravessou a Sapucaí. E quando isso acontece, a cultura deixa de ser celebração para virar instrumento. Quando a propaganda atravessa o samba e entra na avenida com dinheiro público, o problema já não é cultural. É institucional.

Entrevista, Luciano Zucco - Carnaval de Lula foi propaganda eleitoral, injúrias contra oposicionistas e difamação das religiões

Luciano Zucco é deputado federal pelo PL do RS.

O presidente nomeado Lula da Silva foi homenageado, ontem, em pleno carnaval do Rio.
O desfile da Acadêmicos de Niterói ultrapassou os limites do debate cultural e ingressou em terreno de grave preocupação institucional, ferindo os princípios da legalidade e da moralidade.

O governo alega que foi pura manifestação artísatica.~
Não é verdade. Houve exaltação direta de liderança política em ano eleitoral, defesa explícita de legado governamental, referências associadas a campanhas passadas e a presença do próprio homenageado e da primeira-dama no centro do espetáculo. A convergência entre narrativa, palco e figura política cria, no mínimo, indícios que merecem apuração quanto à possível promoção eleitoral antecipada.

Foi um espetáculo político de cunho eleitoral ?
Pior do que isto. Foram apresentadas alegorias que ridicularizam adversários políticos e, de forma ainda mais sensível, representações que atingem diretamente milhões de brasileiros em sua fé. A caracterização depreciativa da família e de valores cristãos não pode ser relativizada sob o argumento de liberdade artística. A Constituição Federal garante a liberdade religiosa e a dignidade da pessoa humana como pilares do Estado Democrático de Direito.

O que fazer ?
Isto que aconteceu abre precedente. .Vamos analisar, com responsabilidade jurídica, medidas cabíveis junto aos órgãos competentes, incluindo a Justiça Eleitoral e demais instâncias de controle.Também serão estudadas providências relacionadas à proteção da liberdade religiosa, diante da forma como valores cristãos foram retratados no desfile.


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