Artigo, especial - O povo exausto da elite sem vergonha
Este artigo é do Observatório Brasil Soberano
A"normalidade" tornou-se uma ficção. En quanto o cidadão rala para garantir o básico, ele observa, com uma mistura de exaustão e náusea, o cheiro da degradação que emana dos centros de poder. A eli te do país — a que circula entre gabinetes, grandes bancos e tribunais — parece ter rompido todos os laços com a realidade das ruas. Onde deveria haver serviço pú blico, há conflito de interesses; onde deveria haver justiça, há o conforto do sigilo. O caso do Banco Master é um retrato fiel dessa engrenagem. O povo assiste a cifras bilionárias e conexões suspeitas com o topo do Judiciário sendo discutidas como se fossem negócios comuns de balcão. Para o cidadão, o sistema é implacável: um erro no imposto de renda ou um boleto atrasado gera punição imediata. Para os "donos do jogo", no entanto, o que existe é a blindagem das decisões monocráti cas e o segredo de justiça usado como escudo. O povo sabe que, no escuro desses sigilos, quem perde é sempre quem está do lado de fora. A crueldade desse modelo atinge o ápice no escândalo do INSS. Um esquema que não rouba apenas o Estado, mas a comida e o remédio do aposentado — com o apoio ou, no mínimo, a vista grossa do andar de cima. No caso, o Estado atuou como facilitador enquanto milhões de aposentados e pensionistas tinham o di nheiro suado de uma vida inteira sendo drenado por uma quadrilha sob a sombra da impunidade. É a prova de que o sistema perdeu o pudor. O que torna a situação insuportável é que as elites são imunes às tragédias que impõem ao resto do país. O brasileiro vive acuado pela insegurança, onde o crime organizado dita as regras em territórios inteiros, infiltra-se nas instituições e usa o sistema financeiro para lavar dinheiro à luz do dia. Mas a violência não atravessa os vidros blindados dos carros oficiais, nem chega aos condomínios protegidos por exércitos particulares. Para quem decide o destino da nação, a segurança é um privilégio garantido; para o povo, é uma loteria diária de sobrevivência. O mesmo abismo se repete na economia. O cidadão carrega o peso de uma das maiores cargas tributárias do planeta, vendo o fruto do seu trabalho evaporar an tes de chegar o fim do mês. É cruel. No entanto, para a elite política e judiciária, a inflação é um conceito abstrato. Seus auxílios, verbas de gabinete e benefícios automáticos garantem que seu padrão de vida jamais oscile. Enquanto o povo es colhe qual conta vai deixar de pagar para poder comer, o andar de cima discute novos penduricalhos para o próprio contracheque. Os dados internacionais apenas confirmam o que o povo sente na pele. O Brasil estagnado na 107ª posição no ranking de corrupção, segundo o Índice de Percep ção da Corrupção (IPC), não é apenas um número; é o preço do descaso. O país está rachado: de um lado, uma casta que se protege e se premia; do outro, um povo exausto que não aguenta mais financiar a própria opressão. A moral, o pu dor e o respeito parecem ter sido revogados por decreto. O brasileiro chegou ao seu limite e exige o fim dessa esculhambação instituciona lizada. 2026 não será apenas mais uma data no calendário eleitoral. Será o mo mento de decidir se o erro continuará sendo protegido, ou se a luz finalmente será jogada sobre quem se acostumou a operar nas sombras. • Blindagem da casta: Sigilo, decisões monocráticas e conexões entre bancos, tribunais e gabinetes garantem proteção aos de cima enquanto o cidadão comum enfrenta punição imediata. • INSS e degradação moral: Desvio de recursos de aposentados expõe Estado permissivo, impunidade estrutural e perda de pudor institucional. • Abismo social e tributário: Carga tributária elevada, inflação e insegurança recaem sobre o povo, enquanto auxílios e privilégios preservam o padrão de vida da elite. Pág. 1 Pode ser a última oportunidade.