terça-feira, 11 de setembro de 2018

Artigo, Miguel Gustavo de Paiva Torres - Dançando com Lulla


A festa mal começou e o diabo já acendeu um charuto na zona eleitoral brasileira. Na sala do seu estado-maior, em Curitiba, Lula da Silva controla com maestria o processo político brasileiro comandando suas tropas, simultaneamente, em várias frentes da exitosa campanha que conseguiu promover no planeta dos cegos e surdos , mas surpreendentemente falantes e fluentes na linguagem das ruas e das mídias sociais, alimentadas pelo fundamentalismo ideológico de setores influentes da pretensa intelectualidade nacional. Esperto, ainda não aprendeu que esperteza demais come o rabo do esperto, e já deixou o suposto candidato Fernando Haddad fazendo papel de bobo da corte e pendurado na brocha do PCdoB.
Aves estranhas pousaram nos galhos da floresta judiciária, nos últimos tempos, e fazem de conta que não há nada de errado no Reino da Dinamarca, nem mesmo o fato inusitado de que um líder submetido aos ritos do devido processo legal, instituído pelo próprio sistema judiciário brasileiro, dita, preso, a marcha das eleições nacionais, com propaganda proibida intensa e desafiadora em todos os meios de comunicação. Quem não tem competência não se abanca, e Lula está demonstrando, com a confusão institucional estabelecida, que é o grande demiurgo da política profissional brasileira: Saque da Petrobrás, lava jato, Telecom Portugal, tríplex, tudo isso virou fumaça, em um passe de mágica, com o suposto apoio expresso que recebe , até no Judiciário, para sua nova recondução à presidência da República. Difícil de explicar aqui dentro e lá fora, onde persistem fortes imagens da desigualdade social, violência, corrupção, e desconfianças consolidadas sobre a seriedade institucional brasileira. O ex-chanceler de Lula, filiado ao PT, equipara o judiciário ao Talibã, mesmo sabendo que a opinião de dois membros da Comissão de Direitos Humanos da ONU é política, apenas opinião política, e não tem efeito vinculante em nossa ordem legal. Aqui dentro, a estratégia funciona porque Lula sabe, mais do que qualquer outro candidato, que a maioria do eleitorado brasileiro é formada por gente pobre e miserável, analfabetos funcionais espalhados nas cidades e no campo, nas escolas e universidades, fáceis de convencer, para quem sabe escrever roteiros, de ficção política. Lá fora, o que se fixou na opinião pública é a informação, propagada no passado, de que o líder popular conseguiu incluir uma massa significativa de pobres no mercado de consumo, retirando muitos do patamar da fome . Com tropas e oficiais em todos os quadrantes da sociedade e do estado, dentro do mato e no asfalto, encarna, nas sociedades afluentes, o mito anglo-saxônico do Robin Hood da floresta.
Por aqui, os corvos de arribação estão aproveitando a festa dos bichos no céu azul anil do Brasil e se empoleiram nos galhos da selva eleitoral, observando a ronda das raposas e a dança dos lobos, na manipulação – usual nessa época de indefinições- do câmbio, da bolsa e das incertezas, para talvez assustar e tentar manter no poder a mesma turma de sempre, de Belém a Porto Alegre. Lula, claro, pretende desqualificar a legitimidade eleitoral, em todos os quadrantes do globo, caso não consiga aprovação do STF para sua candidatura. Exatamente o mesmo que pretende Bolsonaro com a antecipação de suspeitas sobre as urnas eletrônicas do TSE, tão alardeadas por seu candidato assistente, o Cabo Daciolo. Tudo faz parte de um roteiro muito preciso, escrito no fogo do inferno, onde gargalham e acendem charutos os profissionais da macumba política e judiciária nacional.
Miguel Gustavo de Paiva Torres é diplomata.

Um comentário:

  1. Muito bom. Também sou desses que acreditam que a inspiração do "esperto" é engendrada nas trevas. Falam que o "enjaulado" é uma inteligência a serviço do mal. Isso não existe, pois o praticante do mal sempre vive o martírio da mentira, e se arrasta sob a tirania dos seus mentores infernais. Se esperteza fosse qualidade Lula não estaria na cadeia e a nação não estaria na desoladora situação de insolvência.
    Mas pensando melhor, pode-se classificar sim, a esperteza como uma espécie de virtude. A virtude dos idiotas.

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