terça-feira, 25 de junho de 2019

Ata do Copom enfatizou importância das reformas para materialização do cenário benigno de inflação

- Esta análise foi enviada esta manhã ao editor. Os autores são os economistas do Bradesco.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reforçou a mensagem transmitida no comunicado da reunião da semana passada, quando a Selic foi mantida em 6,50%. O colegiado reconheceu o fraco desempenho da atividade econômica, com interrupção do processo de recuperação da economia nos últimos trimestres, e reafirmou a leitura de que os núcleos de inflação estão em níveis apropriados. Mais uma vez o comitê enfatizou a importância da continuidade das reformas para uma redução da taxa de juros.
Em nossa leitura, a principal mudança contida no documento foi no diagnóstico do arrefecimento da atividade. O comitê reconheceu que os efeitos dos choques sofridos pela economia brasileira ao longo do ano passado se dissiparam, e elencou outros fatores que podem estar restringindo o crescimento, como (i) a desaceleração da economia global e (ii) as incertezas quanto à sustentabilidade fiscal – em um contexto em que há pouco espaço para o investimento público. Nesse sentido, o avanço das reformas é importante para reduzir essas incertezas e estimular o investimento privado.
As projeções de inflação apontadas no documento indicam um quadro benigno no médio prazo – os modelos apresentados indicam inflação abaixo do centro da meta neste e no próximo ano. O comitê reconheceu que o balanço de riscos evoluiu de maneira favorável, mas  ponderou ser necessário observar avanços concretos na agenda de reformas para que esse cenário benigno para a inflação se concretize.
Em nossa avaliação, o Banco Central deixou aberta a possibilidade de corte de juros nas próximas reuniões, à medida que a agenda de reformas avançar e as condições de contorno da atividade e inflação permitirem um corte de juros. Continuamos, portanto, com a expectativa de cortes na taxa Selic, encerrando este ano em 5,75%.

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