Dica do editor - Afinal, o autismo é evitável ou só pode ser minimizado drasticamente ?

Não existe uma cura ou forma de prevenir o autismo no sentido estrito, pois ele é uma condição neurobiológica com forte base genética. No entanto, estudos recentes indicam que intervenções precoces e cuidados na gestação podem alterar a trajetória do desenvolvimento em certos casos, reduzindo sintomas ou impedindo que traços de risco evoluam para um diagnóstico clínico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Aqui estão os pontos principais sobre as alegações científicas recentes:

1. Intervenção Precoce (Antes dos 3 Anos) 

Pesquisadores focam na "plasticidade cerebral" dos primeiros anos de vida. 

Redução da Severidade: Intervenções terapêuticas intensivas (fonaudiologia, terapia ocupacional, comportamental) antes dos 3 anos podem melhorar significativamente as habilidades sociais e de comunicação.

Mudança de Trajetória: Estudos mostraram que, com intervenção precoce em bebês de alto risco, alguns podem apresentar uma redução de sintomas tão significativa que não preenchem mais todos os critérios para o diagnóstico de TEA na idade escolar. 

2. Cuidados Pré-concepção e Gestação

Estudos sugerem que reduzir a exposição a fatores ambientais pode diminuir o risco, embora o fator genético seja predominante. 

Nutrição: Ingestão adequada de ácido fólico antes e durante a gravidez é associada à redução do risco.

Saúde Materna: Evitar infecções, controlar doenças crônicas (como diabetes) e minimizar a exposição a poluição/toxinas na gravidez podem influenciar positivamente o neurodesenvolvimento.

Idade dos Pais: A idade avançada dos pais aumenta o risco de mutações genéticas espontâneas (de novo), que não são herdadas diretamente, mas ocorrem no desenvolvimento do óvulo ou espermatozoide. 

3. O "Modelo de Três Golpes" (Pesquisa de 2026)

Um estudo recente propôs uma teoria onde o autismo pode ser evitado em até 50% dos casos se fatores de risco forem manejados: 

A "Combinação": Suscetibilidade genética + exposição a fatores ambientais (como toxinas) + estresse fisiológico prolongado.

Abordagem: O foco é identificar o risco cedo através de marcadores biológicos (exames de sangue, autoanticorpos) e agir terapeuticamente antes que o TEA se consolide. 

O que é importante saber:

Não é "reversão": A maioria dos especialistas fala em "melhorar o prognóstico" e dar qualidade de vida, e não em "curar" ou "apagar" o autismo.

O fator genético prevalece: Para a maioria dos autistas, o componente genético está presente e não é "evitável".

 Prevenção: As intervenções precoces focam em dar suporte, e não em "eliminar" o autismo da criança. 

Em resumo: A ciência atual busca formas de reduzir o risco e minimizar a intensidade dos sintomas através de cuidados pré-natais e intervenção precoce, mudando a trajetória do desenvolvimento de certas crianças, mas não "evitando" a condição como se evita uma doença infecciosa.

Artigo, Hamilton Mourão - A presença de brasileiros na Guerra da Ucrânia

Hamilton Mourão é senador e general. Este artigo está publicado no Estadão de hoje.

O idealismo e a coragem física, embora respeitáveis, não podem substituir a responsabilidade institucional do Estado e, nessa direção, a guerra da Ucrânia é um alerta duro sobre os rumos do sistema internacional e sobre a necessidade de se pensar e se investir nas capacidades de defesa.

Depois da 2ª Guerra Mundial, a atual guerra em curso no Leste Europeu é um dos episódios mais graves do cenário geopolítico desde o final da Guerra Fria. A criminosa invasão da Ucrânia pela Federação Russa recolocou no centro do debate temas como a capacidade dos organismos internacionais, a relativização da soberania nacional, a autodeterminação dos povos e os limites do uso da força nas relações internacionais. Mas além desse espectro, pouco a pouco nos chama a atenção o incremento numérico da presença de brasileiros que, de forma voluntária, e por vezes até iludidos, aceitam o recrutamento e decidem viajar para atuar no conflito. O que busco aqui não é polemizar, mas sim lançar luzes sobre o fenômeno dos voluntários brasileiros, seus reflexos e possíveis consequências. Destarte, é preciso separar a emoção para não contaminar a lente de uma análise fenomenológica em nível mais estratégico. Por força constitucional e pelo histórico consuetudinário do “modus operandi” de nossa diplomacia, vemos que o Brasil é um país comprometido com a solução pacífica de controvérsias. Não somos, por natureza, uma nação beligerante e nem tínhamos a tradição de exportar combatentes para conflitos externos. Agora, com a hiper conectividade que marca nosso mundo, vivemos uma realidade onde indivíduos, movidos por motivações distintas (convicções ideológicas, necessidade financeira, valores pessoais ou até expectativas equivocadas) tomam decisões de alto risco sem qualquer mediação ou orientação do Estado brasileiro. continua após a publicidade É certo que, na guerra da Ucrânia, os brasileiros que se alistam como voluntários não representam a posição oficial do nosso País, agindo por conta própria e assumindo, individualmente, as consequências incertas de suas escolhas. Não é exagero dizer que muitos o fazem movidos por uma percepção genuína de solidariedade a um povo que resiste à invasão injusta de seu território. Outros, infelizmente, podem ser atraídos por narrativas romantizadas da guerra, sem plena consciência de sua brutalidade, de seus custos humanos e de suas implicações jurídicas. Há, ainda, um aspecto humano que não pode ser ignorado. A guerra não se assemelha aos discursos inflamados das redes sociais; pois produz mortos, mutilados, traumas psicológicos profundos e famílias destruídas. Muitos desses voluntários, quando e se retornarem, voltarão marcados para o resto da vida. Assim, é dever do Estado buscar informações, prevenir-se e, dentro dos limites legais, orientar seus cidadãos para que não se lancem, de forma inconsequente, em uma aventura macabra. Como senador da República, cumpre-me analisar e avaliar qual seria a postura cabível e responsável do Estado brasileiro face a essa realidade. É certo, também, que esse movimento deva ser monitorado pela inteligência de Estado, que precisa saber quem são essas pessoas e o que farão quando retornarem ao Brasil. Não se trata de criminalizar automaticamente esses cidadãos, mas sim de perceber que esses voluntários, ao retornar, poderão sofrer de stress pós traumático, poderão ser cooptados por organizações criminosas e poderão, inclusive, ter vínculos internacionais de caráter suspeito. continua após a publicidade Plumasul R$ 180,82 Travesseiro de Fibra Siliconizada Toque de Pluma Branco 50X70cm Saber mais Além das necessidades da inteligência, o Brasil precisa pensar e avançar no que tange aos sérios riscos legais, diplomáticos e pessoais desse fenômeno. Não se trata de dizer que o Brasil pode ser arrastado, ainda que indiretamente, para uma guerra que não é sua, mas sim de não permitir que ações individuais comprometam a segurança interna e nossa tradicional posição de equilíbrio e diálogo. Por derradeiro, é fundamental e urgente pensarmos no fenômeno dos brasileiros que estão lutando na Ucrânia e nos reflexos futuros dessa realidade. O idealismo e a coragem física, embora respeitáveis, não podem substituir a responsabilidade institucional do Estado e, nessa direção, a guerra da Ucrânia é um alerta duro sobre os rumos do sistema internacional e sobre a necessidade de se pensar e se investir nas capacidades de defesa. Tudo Sobre Ucrânia [Europa] 

Vem aí um Super El Niño ?

Análises recentes dos principais institutos de meteorologia indicam o retorno do fenômeno El Niño em 2026, com início rápido e potencial para ser de intensidade moderada a forte.Espera-se um rápido aquecimento das águas do Pacífico entre maio e julho de 2026, com efeitos significativos no clima a partir de meados do ano. Projeções mostram que o El Niño pode se intensificar entre agosto e outubro, gerando chuvas torrenciais no Sul do Brasil e Argentina.

Comparações com anos anteriores geram preocupação sobre um aquecimento global acentuado, com potenciais eventos extremos de chuva no segundo semestre de 2026 e início de 2027. 

Enquanto o excesso de chuva pode beneficiar algumas culturas, o excesso de umidade no Sul pode causar quebras de safra.

O padrão de chuvas pode impactar o nível dos reservatórios e, consequentemente, o preço da energia. 

Fetransul apresenta pesquisa com usuários sobre concessões rodoviárias

A Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul) apresenta, na próxima semana, os resultados de uma pesquisa realizada com motoristas de caminhão e de automóveis que utilizam os trechos rodoviários incluídos nos Blocos 1 e 2 das concessões estaduais. O estudo reúne a percepção direta dos usuários sobre temas estratégicos para a infraestrutura viária do Rio Grande do Sul.

O levantamento aborda a qualidade da infraestrutura existente, o modelo de cobrança proposto, os impactos logísticos para o transporte de cargas, a segurança viária e os efeitos na competitividade econômica. Os dados oferecem uma leitura técnica sobre como os projetos de concessão são avaliados por quem utiliza diariamente essas rodovias.

Durante o encontro, a Fetransul também apresentará seu posicionamento institucional em relação aos projetos de concessão, com destaque para os principais pontos de atenção identificados pelo setor produtivo. A análise busca contribuir de forma objetiva para o debate público sobre investimentos, eficiência logística e desenvolvimento regional.

A apresentação ocorre no dia 23 de fevereiro, às 10h, na sede da entidade, localizada na Avenida Carlos Gomes, 651, bairro Auxiliadora, em Porto Alegre. A atividade é direcionada à imprensa e a representantes interessados no tema da infraestrutura rodoviária no Estado.


CONTEXTO — A pesquisa integra o esforço da Fetransul de contribuir tecnicamente para a qualificação do debate público sobre logística, infraestrutura rodoviária e desenvolvimento econômico no Rio Grande do Sul. A participação da imprensa é considerada essencial para ampliar a transparência das informações e fortalecer a discussão sobre o futuro das rodovias gaúchas.